AS PALAVRAS MÁGICAS DE TODO GESTOR

Existe um conjunto de palavras simples que jamais deveriam faltar no dia a dia de quem lidera pessoas, especialmente na silvicultura, por favor, obrigado e parabéns.

Pode parecer pouco. Mas pode ajudar muito para o sucesso de um bom gestor de serviços silviculturais.

Esse profissional jamais deveria se constranger em repetir dezenas de vezes ao dia essas palavras mágicas, o “por favor”, que é a forma respeitosa de pedir, o “obrigado”, que é o reconhecimento pelo esforço executado, e o “parabéns”, que é o combustível emocional que valoriza, incentiva e fortalece quem faz.

A silvicultura brasileira é construída com tecnologia, máquinas e planejamento. Mas, acima de tudo, é construída por pessoas. São milhares, talvez milhões, de colaboradores, em diferentes empresas e regiões, que diariamente dão vida ao campo, formam florestas e ajudam a construir esse extraordinário patrimônio florestal brasileiro.

E entre todos eles existe uma figura fundamental, o profissional que comanda os serviços de campo, o gestor das operações silviculturais. É dele que se espera a liderança. É dele que depende grande parte da execução. É dele que depende o ambiente de trabalho. Enfim, é dele que depende também a qualidade das florestas.

Mas talvez exista uma responsabilidade ainda maior, é ele que faz com que as pessoas sintam que são importantes e responsáveis pelos resultados de campo. Nenhuma máquina substitui o valor de um trabalhador respeitado. Nenhuma tecnologia supera a força de uma equipe motivada. E nenhum ambiente de trabalho prospera sem cordialidade, respeito e reconhecimento.

Por isso, um bom gestor não pode se cansar de repetir as palavras mágicas, por favor, obrigado e parabéns. Todos ganham com isso. Mas, principalmente, ganha o trabalhador lá do fim da cadeia. A mão de obra de campo. O trabalhador que muitas vezes enfrenta sol, chuva, poeira, distância e dificuldades para que a floresta aconteça. É esse, do final da cadeia, que faz crescer a floresta produtiva e que orgulha a silvicultura brasileira.

Esse colaborador talvez nunca esqueça um tratamento cordial, amigo e fraterno recebido. E talvez esteja, justamente aí, uma das maiores forças da boa silvicultura, a capacidade de produzir grandes florestas sem jamais perder o respeito pelas pessoas.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SUSTENTABILIDADE DA SILVICULTURA E O ENVOLVIMENTO DE TODA A CADEIA PRODUTIVA

A silvicultura brasileira alcançou um nível de desenvolvimento admirável. Evoluiu em produtividade, tecnologia, genética, mecanização e eficiência operacional. Tornou-se referência mundial na produção de madeira de rápido crescimento e consolidou uma importante base econômica ligada à geração de energia, celulose, painéis, carvão vegetal e tantos outros segmentos.

Mas o próprio avanço da atividade começa a trazer uma reflexão cada vez mais importante, a sustentabilidade da silvicultura alcança, de fato, todos os que participam da cadeia produtiva?

A floresta plantada não movimenta apenas máquinas, mudas e madeira. Ela movimenta pessoas, regiões inteiras, empresas, serviços, oportunidades e novas perspectivas de desenvolvimento.

Por onde a silvicultura avança, surgem demandas por mão de obra, transporte, alimentação, manutenção, assistência técnica, viveiros, prestação de serviços, formação profissional e inúmeras outras atividades que passam a integrar a dinâmica econômica regional. Pequenos e médios produtores rurais, empresas prestadoras de serviços, trabalhadores e fornecedores locais também fazem parte da sustentação da silvicultura brasileira.

E talvez esteja justamente aí uma das reflexões mais importantes para o futuro do setor.

Em muitos polos florestais brasileiros, a própria presença da atividade já começa a estimular novas oportunidades de integração econômica, social e ambiental. Ganham importância iniciativas voltadas à ampliação de oportunidades para pequenos e médios produtores, à valorização das empresas prestadoras de serviços, à qualificação profissional, à recuperação e enriquecimento ambiental de APPs e Reservas Legais e à construção de paisagens mais equilibradas e ambientalmente conectadas.

A floresta passa, então, a exercer um papel ainda maior. Além de produzir madeira, passa também a influenciar a organização e o desenvolvimento das regiões onde está inserida.

Tudo isso tende a fortalecer uma visão mais ampla e madura de sustentabilidade florestal. Uma sustentabilidade que não se limita apenas à produtividade das florestas ou aos indicadores ambientais, mas que também incorpora geração de oportunidades, integração regional, valorização das pessoas e fortalecimento de toda a cadeia produtiva.

A silvicultura brasileira já demonstrou ao mundo sua extraordinária capacidade de produzir florestas de alta produtividade.

Mas talvez a consolidação definitiva da tão defendida sustentabilidade da atividade esteja justamente na capacidade de fazer com que esse desenvolvimento também alcance, fortaleça e beneficie todos aqueles que participam da cadeia produtiva.

Quando a produtividade florestal caminhar junto com oportunidades regionais, valorização das pessoas, fortalecimento das empresas parceiras, integração ambiental e desenvolvimento das comunidades envolvidas, a sustentabilidade da silvicultura deixará de ser apenas um conceito amplamente defendido pelo setor.

Passará a ser uma realidade efetivamente percebida por todos os que vivem, trabalham e ajudam a construir a silvicultura brasileira.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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O ETANOL DE MILHO, UMA BELEZA….E A MADEIRA?

O avanço do etanol de milho impressiona.

As indústrias crescem, novos projetos surgem em diferentes regiões do Brasil e o setor energético ganha uma alternativa estratégica de enorme relevância.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita com urgência:
Haverá madeira suficiente para sustentar essa expansão?

E a resposta, olhando a realidade nua e crua, é preocupante.

Em muitas das regiões onde essas indústrias estão se instalando, simplesmente não existem florestas plantadas em quantidade suficiente para atender à futura demanda de biomassa. E, mais grave ainda, são regiões onde a silvicultura comercial praticamente não possui histórico técnico consolidado.

O entusiasmo com o etanol de milho precisa vir acompanhado de outra corrida igualmente estratégica:
a corrida pela formação de florestas.

E não se trata apenas de plantar árvores.

A experiência da silvicultura brasileira mostrou, ao longo de décadas, que florestas de eucalipto só alcançam produtividade elevada quando se utilizam materiais genéticos adequados às condições locais de clima, solo e disponibilidade hídrica.

E é exatamente aí que surge um dos maiores desafios.

Muitas dessas novas fronteiras de consumo de biomassa ainda não possuem informações técnicas suficientes sobre clones, espécies ou materiais genéticos realmente adaptados às suas condições ambientais. Em várias situações, praticamente não existem programas estruturados de pesquisa florestal capazes de indicar, com segurança, quais materiais apresentarão produtividade, estabilidade e sobrevivência econômica.

Essa deveria ser, talvez, a principal preocupação das empresas que caminham nessa direção.

Sem pesquisa, sem genética adequada e sem formação acelerada de florestas, o risco de se construir uma indústria dependente de uma base florestal frágil é enorme.

Hoje, em várias dessas regiões, parte da biomassa utilizada ainda vem de resíduos de vegetação nativa ou sobras de desmatamentos legalmente autorizados para expansão agrícola ou outras atividades legitimamente constituídas.

Quando isso ocorre dentro da legalidade e utilizando resíduos reais, trata-se até de uma alternativa eficiente e ambientalmente inteligente.

Mas existe um limite extremamente perigoso nessa linha.

A história brasileira mostra que, quando uma indústria depende continuamente de madeira e não possui florestas plantadas suficientes para sustentação futura, o risco de surgirem questionamentos, suspeitas e até acusações relacionadas ao uso inadequado de madeira nativa aumenta enormemente.

E basta um deslize nesse ambiente para comprometer a imagem, a credibilidade e a sustentabilidade de todo o empreendimento.

Por isso, não é aceitável que novos projetos industriais avancem sem plena consciência de que a base florestal precisa nascer junto com a indústria.

E aqui surge outra realidade que precisa ser encarada sem ilusões:

Não existem, hoje, materiais genéticos milagrosos prontos para transformar regiões limitadas em polos imediatos de boa produtividade florestal.

Será necessário plantar com os materiais atualmente disponíveis, mesmo com produtividades mais baixas, e, paralelamente, acelerar os programas de pesquisa, melhoramento genético e adaptação regional.

Não adianta sonhar com os mesmos resultados obtidos nas regiões clássicas da silvicultura brasileira, onde solos mais favoráveis, melhor distribuição de chuvas e décadas de pesquisa permitiram boas produtividades.

Cada região possui seus limites.

E enfrentar essa realidade com maturidade técnica talvez seja o caminho mais inteligente para garantir a verdadeira sustentabilidade do etanol de milho.

Porque o sucesso dessa nova indústria não dependerá apenas do milho.

Dependerá, também, da capacidade de o Brasil construir, rapidamente, uma nova silvicultura adaptada às regiões onde a biomassa passou a ser parte vital do negócio.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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O SUCESSO DA RESTAURAÇÃO ABRE NOVOS CAMINHOS, MAS O ERRO PODE FECHAR TODOS

Uma nova onda começa a tomar conta do setor florestal.

Nunca se falou tanto em restauração. Nunca houve tantos recursos disponíveis, e outros tantos a caminho, impulsionados pelo mercado de carbono.

O Brasil assumiu o compromisso de restaurar cerca de 12 milhões de hectares até 2030. O tema ganhou escala, visibilidade e, cada vez mais, ganha forma de negócio.

Mas antes de ser um bom negócio, a restauração atende a uma necessidade real, e urgente.

Em análise recente no Valor Econômico, também repercutida na Rede SBS, o engenheiro Leonardo Sobral, do Imaflora, organiza um conjunto de sinais que merecem atenção.

Com base em dados do MapBiomas, mostra que, em 2024, a área coberta por água no Brasil ficou abaixo da média histórica, atingindo cerca de 17,9 milhões de hectares, com aproximadamente 45% dos municípios registrando níveis inferiores ao padrão.

Ao mesmo tempo, estudos recentes, como o publicado em 2025 na revista AGU Advances, indicam que a redução da cobertura florestal já começa a afetar o regime de chuvas na estação seca.

Não são pontos isolados. São sinais consistentes de que a base hídrica que sustenta produção, energia e abastecimento começa a se tornar mais instável.

E a floresta está no centro dessa equação.

É nesse contexto que a restauração deixa de ser apenas uma agenda ambiental e passa a assumir um papel mais amplo, hídrico, climático e produtivo.

E há ainda um fator adicional relevante. Segundo o Termômetro do Código Florestal 2024–2025, também citado por Sobral, o Brasil mantém um déficit expressivo, cerca de 3,14 milhões de hectares em APPs e 17,3 milhões de hectares em Reserva Legal.

Ou seja, não estamos falando só em oportunidade, estamos tratando de necessidades. A restauração, seja por plantio, e aqui entram os plantios com espécies nativas, condução da regeneração natural ou modelos intermediários, é necessária.

Mas, quando o assunto ganha escala e recursos, os riscos também crescem.

A conexão com o mercado de carbono amplia o interesse, mas também abre espaço para interpretações e, em alguns casos, distorções. E é aqui que o assunto merece toda a atenção.

O setor já viveu algo muito parecido nos anos 60 e 70, no início do ciclo dos incentivos fiscais ao reflorestamento. Erros e abusos quase comprometeram a credibilidade de toda a política. Só foram contidos com a atuação rigorosa do antigo IBDF, cancelando projetos e impondo verificação efetiva no campo.

Por isso, este momento exige mais do que entusiasmo. Exige responsabilidade. Não basta restaurar. É preciso entregar resultado real. E são anos de acompanhamento até que se alcance o resultado esperado.

E é exatamente por isso que este pode ser mais um momento muito importante da silvicultura brasileira. A restauração bem sucedida, com credibilidade e confiança, abre inúmeras oportunidades à silvicultura brasileira. Mas, se errarmos, os impactos negativos não serão apenas num projeto. Haverá respingos nos plantios de espécies nativas e até na própria silvicultura das espécies comerciais.

Fica o desafio.

Com toda a competência técnica que o país possui, e com os exemplos do passado para orientar, vamos transformar a restauração em um grande caso de sucesso, ou deixar que erros ou distorções fechem todos os caminhos?

Na silvicultura, a regra não muda, credibilidade e confiança se constroem no campo.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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45 ANOS DE RESPEITO, AMIZADE E COMPROMISSO, UMA FILOSOFIA DE TRABALHO QUE MARCOU NOSSAS VIDAS.

Há 45 anos começava muito mais do que a formação de uma equipe de trabalho na Ripasa.
Começava a construção de uma história.

E essa história teve mais um capítulo especial nos dias 17 e 18 de abril de 2026, quando parte dessa trajetória se reencontrou, não apenas para recordar, mas para reafirmar aquilo que o tempo não apagou.

Estavam presentes os engenheiros Rubens, Balloni, Stape, Salmeron, Lineu, Zani e Nelson, nomes que representam, com orgulho, apenas uma parte da grande equipe da Ripasa Florestal dos anos 80/90.

Uma equipe construída no dia a dia.
Na convivência.
Nas decisões tomadas com responsabilidade e respeito.

Não era um grupo pressionado.
Era uma equipe comprometida.

Não era baseada em cobrança excessiva.
Era baseada em confiança.

E isso fazia toda a diferença.

Havia pontualidade nas entregas, não por imposição, mas por respeito.
Havia cooperação, não por obrigação, mas por convicção.
E havia amizade, daquelas que se constroem trabalhando juntos e enfrentando desafios reais.

Todos sabiam exatamente onde queriam chegar.
Metas claras. Direção definida. Confiança mútua.

E os resultados vieram, consistentes, sólidos e transformadores.

A empresa cresceu.
Se consolidou como referência técnica no setor.
Deixou de depender de madeira, para passar a fornecer madeira.

As florestas que sustentavam uma indústria de 400 toneladas por dia passaram a ter capacidade para abastecer 1.000 toneladas por dia.

E até o símbolo da ineficiência virou exemplo de organização.
Caminhões que antes aguardavam dias em filas passaram a descarregar na hora marcada.

Foram inúmeras inovações nos procedimentos operacionais.
Soluções práticas para problemas reais.
E, acima de tudo, a construção de um modelo de trabalho eficiente, integrado e respeitado.

Um dos grandes feitos foi exatamente esse.
A formação de uma equipe verdadeiramente integrada, onde cada um conhecia seu papel, e confiava no trabalho do outro.

Nada disso aconteceu por acaso.

Houve apoio pleno e irrestrito da Diretoria e da Presidência, na pessoa do Osmar Zogbi, garantindo condições e confiança para que o trabalho fosse realizado com liberdade e responsabilidade.

E a atuação da equipe não ficou restrita à empresa.
Seus representantes participaram ativamente de atividades e reivindicações institucionais junto às entidades do setor, contribuindo para o desenvolvimento da silvicultura brasileira além dos limites da própria organização.

Porque era isso que movia aquela equipe.
Compromisso com o trabalho, e com o setor.

Mas, no fim, o maior resultado não está apenas nos números, nas metas atingidas ou nas inovações implementadas.

Está nas pessoas.

Quarenta e cinco anos depois, o que permanece é o respeito.
É a admiração.
É a amizade construída ao longo de uma vida profissional.

E fica, acima de tudo, um sentimento claro, gratidão.

Gratidão pela oportunidade de ter participado de uma equipe que fez história.
Gratidão pela convivência, pelo aprendizado e pelos desafios compartilhados.
Gratidão por ter vivido um tempo em que era possível crescer junto, como profissionais e como pessoas.

Porque, no fim, mais do que resultados, formamos uma família com filosofia de vida profissional que orgulha a todos.

Cabem respeitosas recordações aos participantes que não puderam comparecer e nossa afetuosa lembrança do Eng. Edson, que já nos deixou.

Que estejamos firmes e fortes para comemorarmos os 50 anos.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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UMA PROSA RICA, “E NO CAMPO… O QUE REALMENTE MUDOU?”

Em uma conversa rápida, à beira de um talhão recém-plantado, e aproveitando a animação da prosa, perguntamos ao produtor florestal, que apresentava os serviços de campo de sua propriedade:

“O que mudou na silvicultura nesses últimos anos?”

O produtor, animado, nem pensou muito:
“ Mudou que agora o erro aparece. E seguiu: Antes, o sistema escondia. Tinha madeira, tinha folga, dava para conviver com erro e hoje não dá mais”

Olhou para o talhão, fez uma pausa curta e continuou:

“ O clima apertou. A seca cobra. Praga e doença aumentaram. E tem material que simplesmente não produz o que se espera. E não adianta culpar tudo isso, não. E, pior ainda, tem muita falha de execução também”

E, então, veio a pergunta, quase automática:

“Mas e a tecnologia?”

Resposta imediata:

“ Tecnologia ajuda. Mas não resolve incompetência. E hoje, o que antes era detalhe virou problema. E problema vira custo. E custo vira falta de madeira”

E fechou, com a tranquilidade de quem vive o dia a dia:

“No fim, não tem discurso que resolva. Se não produzir bem, vai faltar madeira”

A conversa, rica de lições de vida, terminou aí.

E deixou um inquietante recado para todos que trabalham com a formação de florestas para produção de madeira:

• o erro deixou de ser tolerável e passou a ser visível, mensurável e caro.

E não há tecnologia, discurso ou justificativa que substitua a madeira que não é produzida.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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TEMOS FLORESTAS. TEMOS PROFISSIONAIS. MAS TEMOS, DE FATO, UM SETOR FLORESTAL?

Há uma inquietante indagação que insiste em permanecer sem resposta clara, afinal, o que é, de fato, o setor florestal brasileiro?

Fala-se em setor florestal como se fosse um bloco único. Mas, na prática, o que existe é um conjunto de caminhos distintos, e profundamente diferentes entre si, todos conduzidos por profissionais qualificados que, no campo, na indústria e na pesquisa, entregam resultados de enorme relevância para a sociedade.

Nas universidades, esses caminhos se encontram. No dia a dia, no entanto, seguem rumos próprios. Ora a floresta é tratada como patrimônio ambiental. Ora como ativo econômico. E raramente como as duas coisas ao mesmo tempo.

Há a silvicultura de espécies exóticas comerciais, organizada, tecnificada e altamente competitiva em nível internacional, que sustenta um sólido patrimônio industrial construído ao longo de décadas. Nasceu como setor florestal, mas parte relevante de sua condução hoje se insere na lógica do agronegócio.

Há o manejo das florestas nativas, especialmente na Amazônia, que exige rigor técnico e responsabilidade, com enorme potencial de inserção em mercados globais cada vez mais exigentes. Aqui, não há dúvida, trata-se de atividade florestal em sua essência.

Há os programas de recuperação de áreas degradadas, impulsionados por compromissos climáticos e metas ambiciosas, que mobilizam múltiplos atores e se distribuem por diferentes estruturas institucionais.

Há a silvicultura com espécies nativas, ainda em construção, mas com potencial extraordinário para atender a uma nova fronteira de demanda por madeira e serviços ambientais. Um segmento que nasce sob forte identidade ambiental, mas que, inevitavelmente, dialogará com o mundo da produção.

E há, ainda, o universo das florestas de proteção, nos diferentes biomas brasileiros, de papel nobre e insubstituível, responsáveis por conservar a biodiversidade, proteger os recursos hídricos e sustentar o equilíbrio ambiental que viabiliza todas as demais atividades.

São mundos distintos. Com histórias, objetivos e dinâmicas próprias. Todos sustentados por gente preparada, que conhece, executa e entrega.

E é justamente aí que emerge o problema.

Como formular políticas públicas de Estado para um setor que não se enxerga como um só?

No passado, estruturas mais centralizadas, como o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, conseguiam, com as limitações de seu tempo, reunir essas diferentes dimensões sob uma mesma lógica institucional. Com sua extinção, essa função integradora se dissolveu, e a fragmentação ganhou espaço como consequência natural.

Hoje, convivemos com múltiplos arranjos, múltiplas agendas e múltiplas prioridades.

Seria essa fragmentação inevitável? Ou seria ela o reflexo da ausência de uma visão integradora de Estado?

Não faltam florestas. Não faltam profissionais. Não faltam oportunidades.

No fim, a pergunta que permanece é simples, e decisiva.

Teremos a capacidade de transformar essa diversidade em força organizada, ou continuaremos tratando, de forma fragmentada, um dos maiores patrimônios naturais, econômicos e estratégicos do Brasil?

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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O SUCESSO DA SILVICULTURA, A COMPETITIVIDADE E O CUSTO DA MADEIRA

Tem sido muito comum ouvirmos, “o custo da madeira está muito elevado e acabando com a competitividade dos setores industriais que se sustentam da madeira das florestas plantadas”. Procede tal preocupação?

A silvicultura brasileira alcançou excelência na produção, mas é preciso compreender, adequadamente, o que está por trás do custo da madeira, e ter clareza sobre onde agir para sustentar, de forma consistente, o sucesso da silvicultura.

Foi esse sucesso que garantiu elevado nível de competitividade, ao longo do tempo, pela admirável capacidade de produzir madeira. Mas mantê-lo exige mais do que elevar a produtividade, é indispensável compreender, com precisão, tudo o que compõe o custo da madeira, para valorizar o produto florestal e garantir bases sólidas para o seu futuro.

Ao longo de décadas, o Brasil consolidou uma das silviculturas mais competitivas do mundo. Empresas, pesquisadores, técnicos e instituições construíram um sólido conjunto de conhecimentos que permitiu elevar, de forma extraordinária, a produtividade das florestas plantadas. Hoje, o país ocupa posição de destaque no cenário internacional, sustentando um amplo e moderno parque industrial baseado na madeira.

Historicamente, o principal indicador de desempenho da silvicultura tem sido a quantidade de madeira produzida por hectare ao ano. No entanto, a sustentabilidade dessa competitividade exige uma visão mais ampla e integrada do sistema produtivo. Produzir mais nem sempre significa produzir melhor, e, muitas vezes, tampouco significa produzir com menor custo ao longo da cadeia.

É exatamente nesse ponto que a qualidade da madeira se torna determinante para o rendimento industrial e o aproveitamento da matéria-prima. Ainda assim, em muitos casos, essa indicação permanece como uma meta predominantemente restrita ao ambiente experimental. Levar essa variável para o campo, de forma consistente, é um passo fundamental, inclusive pelos seus efeitos diretos sobre o custo da madeira.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que os grandes empreendimentos florestais mobilizam estruturas complexas. Infraestrutura regional, logística, abertura e manutenção de estradas, implantação de alojamentos e suporte aos fluxos migratórios de trabalhadores tornam-se elementos cada vez mais relevantes, especialmente na expansão para novas fronteiras.

Com frequência, esses custos, que pertencem à estrutura mais ampla dos empreendimentos, acabam sendo absorvidos pelos serviços ligados à formação das florestas e incorporados ao custo da madeira.

A silvicultura brasileira já demonstrou, de forma inequívoca, sua capacidade competitiva. O desafio agora é ampliar a compreensão sobre os fatores que sustentam esse desempenho e assegurar que ele esteja apoiado em bases técnicas, econômicas e sociais cada vez mais sólidas.

Produzir mais madeira por hectare continuará sendo importante. Mas compreender, em profundidade, tudo o que está contido no custo da madeira, e agir sobre as variáveis prioritárias, será decisivo para valorizar o produto florestal e garantir a sustentabilidade da competitividade da silvicultura brasileira.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA BRASILEIRA, A FLORESTA CRESCE COM TÉCNICA, MAS SE SUSTENTA COM PESSOAS

Ao longo de muitos anos convivendo com empresas, profissionais e instituições do setor florestal, tivemos a oportunidade de acompanhar de perto a evolução da silvicultura brasileira.

Em poucas décadas, o país transformou as florestas plantadas em uma de suas mais produtivas atividades rurais. O Brasil tornou-se referência em tecnologia, produtividade e gestão florestal.

No início dessa caminhada, as empresas corriam para aprender. Era preciso entender solos, espécies, manejo, fertilização e produtividade. Técnicos, pesquisadores e empresas estavam envolvidos em um grande processo de aprendizado coletivo.

Com muita troca de experiências, resultados eram discutidos, práticas eram compartilhadas e o conhecimento circulava com naturalidade. A silvicultura moderna brasileira foi construída nesse ambiente de colaboração, com a contribuição de ilustres profissionais e o apoio decisivo de universidades e entidades de pesquisa.

Com o tempo, os procedimentos técnicos se consolidaram, as estruturas empresariais se definiram e surgiram organogramas, funções e níveis de responsabilidade. E o olhar passou a se voltar mais para dentro das organizações. A colaboração entre empresas diminuiu e o conhecimento passou a ser mais protegido.

Talvez seja um movimento natural da maturidade empresarial. Mas também levanta uma reflexão, quanto daquele espírito colaborativo, que ajudou a construir a silvicultura brasileira, ainda permanece vivo no setor?

A gestão se tornou mais estruturada. Indicadores, planejamento e sistemas de controle passaram a orientar decisões. Programas de treinamento se multiplicaram e as equipes se qualificaram cada vez mais.

Mais recentemente, porém, começa a aparecer uma nova percepção.

Ainda como casos isolados, já se observam algumas organizações valorizando mais o ambiente de trabalho, o respeito profissional e o papel das pessoas dentro das empresas. São sinais de novos tempos.

Essa mesma visão também começa a aparecer na relação com as empresas de serviços, uma evolução natural da terceirização. Ao longo do tempo, muitas delas cresceram, investiram em gestão, capacitação, máquinas e formação de equipes. Desenvolveram conhecimento operacional importante.

Assim, o terceiro deixa de ser apenas um executor de tarefas e passa a atuar como colaborador técnico da operação, contribuindo com experiência e soluções para o trabalho no campo. Isso certamente é sinal de maturidade de um setor que cresceu muito nas últimas décadas.

Nesse contexto, depois de tantos anos aprendendo a produzir florestas, uma coisa parece cada vez mais clara, o verdadeiro diferencial das organizações não está apenas na tecnologia, nos processos ou nos indicadores, está nas pessoas.

São elas que acumulam conhecimento, aprimoram práticas, resolvem problemas e fazem as empresas funcionarem todos os dias.

A silvicultura brasileira já demonstrou que sabe plantar grandes florestas.

Talvez agora esteja vivendo um novo aprendizado, compreender que a força real dessa atividade está nas pessoas que fazem a floresta acontecer.

O futuro da silvicultura brasileira continuará sendo construído assim, com técnica, com experiência e, sobretudo, com pessoas comprometidas com a floresta e com o setor. 🌳

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA BRASILEIRA, TEREMOS MADEIRA PARA SUSTENTAR O PATRIMÔNIO INDUSTRIAL QUE CRIAMOS?

O Brasil construiu um rico patrimônio industrial à base de madeira de florestas plantadas. Mas a pergunta essencial continua sem resposta clara, teremos madeira suficiente para sustentá-lo?

A pergunta é incômoda. Mas precisa ser feita.

Ao longo de décadas, a silvicultura brasileira construiu um dos mais importantes patrimônios industriais do país. Celulose, papel, painéis de madeira, energia, siderurgia, biomateriais, construção em madeira e tantas outras aplicações formam hoje um parque industrial moderno, competitivo e cada vez mais dependente de uma única base, a madeira produzida pelas florestas plantadas.

Mas um antigo nó da questão permanece.

Temos, ou teremos, madeira suficiente para abastecer tudo isso?

A discussão sobre um possível “apagão florestal” surge e desaparece, mas nunca sumiu completamente. Programas de plantio avançam e recuam conforme o humor do mercado. Fala-se muito em fomento florestal, mas iniciativas estruturadas e permanentes continuam raras.

Enquanto isso, novas utilizações da madeira surgem continuamente e ampliam a pressão sobre a matéria-prima.

E, paradoxalmente, a produtividade média das florestas parece caminhar muito mais devagar do que o crescimento das demandas industriais.

Muito se fala em inovação. Mas os materiais genéticos, em grande parte, continuam os mesmos. As expansões caminham para regiões cada vez mais áridas. E os programas de plantio seguem marcados por oscilações e descontinuidades. E mais, os grandes estoques marginais, que já salvaram muita gente, já se esgotaram.

Não se trata de crítica a empresas, instituições de pesquisa ou entidades representativas.
Cada um cumpre o seu papel.

Mas algumas perguntas permanecem no ar.

Quem está fazendo a conta da madeira no Brasil?
Quem está olhando o conjunto das demandas industriais e da base florestal disponível?
Quem pode afirmar, com segurança, que o crescimento do setor não voltará a esbarrar na falta de matéria-prima?

Talvez a silvicultura brasileira esteja apenas repetindo uma preocupação antiga.

A diferença é que hoje o setor é muito maior, muito mais complexo e muito mais estratégico para o país.

Ter resposta clara e sem rodeios é um desafio de todos nós, das empresas, instituições de pesquisas, investidores, entidades representativas e do próprio Governo.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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