OS HERÓIS DA CERTIFICAÇÃO FLORESTAL NO BRASIL

A evolução tecnológica da silvicultura brasileira atingiu níveis elevadíssimos. Muitos já colocam o Brasil na linha de frente da ciência florestal voltada à produção comercial de madeira. Produção e competitividade são características marcantes da silvicultura brasileira. E nesse contexto, em que se somam os conhecimentos científicos, não podemos deixar de destacar a extraordinária importância da certificação florestal.

Houve necessidade de muita ciência, recursos de toda ordem e dedicação de brilhantes profissionais para que tudo se consolidasse em favor da silvicultura sustentável. Precisamos valorizar e respeitar esse extraordinário esforço de profissionais que dedicaram parte de suas vidas no encaminhamento das soluções dos problemas setoriais. A relação de colaboradores é extensa e cabem, antecipadamente, as nossas respeitosas desculpas por eventuais esquecimentos.

Com a competente colaboração do Eng. Rubens Garlipp, a Comunidade de Silvicultura destaca alguns desses profissionais, e reitera os mais sinceros cumprimentos a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para o desenvolvimento da certificação florestal no Brasil. Que nossos amigos enriqueçam a relação de colaboradores com seus comentários!

1- JORGE HUMBERTO TEIXEIRA BORATTO

Idealizador do CERFLOR em 1991, na ocasião, Presidente da SBS- Sociedade Brasileira de Silvicultura. Estabeleceu convênio entre SBS x EMBRAPA FLORESTAS para elaboração de padrões de manejo florestal sustentável para as condições brasileiras. Incentivador e articulador junto aos órgãos governamentais, associações de classe , entidades de pesquisa, ensino, empresas e ONGs para implementar e fortalecer o Programa.. A parceria institucional com a EMBRAPA FLORESTAS , na ocasião sob a chefia de VITOR AFONSO HOEFLICH, que abraçou a ideia de se construir um processo de certificação florestal legitimado pela fundamentação científica e em colaboração com diferentes atores da sociedade brasileira ,teve extrema importância . Há de se ressaltar que o programa CERFLOR teve continuidade e se consolidou devido ao engajamento incondicional de todos os presidentes e vice-presidentes da SBS que se sucederam( Nelson Barboza Leite, Amantino Ramos de Freitas, Carlos Alberto Funcia e Adhemar Vilella Filho) , os quais não mediram esforços para sua consecução e conferir credibilidade ao mesmo .

2- MARCO ANTONIO FUJIHARA

Participou da conceituação básica e apresentou o CERFLOR no X Congresso Florestal Mundial da FAO em Paris em 1991. Fez os contatos institucionais iniciais. Participou de inúmeras reuniões nacionais e internacionais divulgando as bases da certificação florestal. Foi importante incentivador da certificação junto às empresas e, instituições governamentais e financeiras;

3- VIRGÍLIO VIANA

Iniciou o processo de consulta sobre a viabilidade de se introduzir a certificação FSC no Brasil em 1993. Participou da Fundação do Imaflora- Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, em parceria com o Rain Forest Alliance em 1994;

4 – TASSO RESENDE DE AZEVEDO

Participou dos Grupos de Trabalho e Comissões Técnicas do FSC Internacional. Um dos fundad0res e, depois, Diretor Executivo do Imaflora de 1995 a 2003. Grande incentivador e promotor da certificação. Deu os passos iniciais dos processos de certificação FSC como trabalho profissional, mantendo contatos nacionais e internacionais. Com muita responsabilidade, estabeleceu diretrizes éticas para os trabalhos iniciais do Programa. Criou oportunidades aos profissionais que se iniciavam na certificação florestal. Teve desempenho importantíssimo no desenvolvimento do manejo e da certificação comunitária;

5 – AMANTINO RAMOS DE FREITAS

Como vice – presidente da SBS, na época, foi membro do primeiro Board Executivo do FSC internacional , eleito na AGE de fundação em Toronto, em1993,representando o setor econômico Sul. Teve efetiva participação na estruturação do FSC Internacional e na aproximação e participação de representantes brasileiros no processo e nas reuniões de formulação de padrões de manejo florestal , cadeia de custódia e regulamentos da operacionalização do sistema. É integrante de inúmeras associações internacionais e tem tido ativa participação em reuniões e encontros internacionais voltados para pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade da atividade florestal . Como presidente da SBS atuou buscando promover o intercâmbio e possível reconhecimento entre os sistemas de certificação florestal vigentes . Como atual Presidente da SBS não tem poupado esforços no fortalecimento da certificação florestal;

6- GARO BATMANIAN

Foi responsável pela organização e estabelecimento do Grupo de Trabalho – FSC Brasil ( integrado por representantes dos setores ambiental, social e econômico) para definir indicadores de manejo florestal , dentro dos Princípios e Critérios pré – estabelecidos pelo FSC internacional. Promoveu a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da criação do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal- FSC Brasil. Membro do FSC internacional atuou buscando conciliar as perspectivas dos diferentes grupos de interesse..

7 – WALTER SUITER FILHO (in memorian)

Era coordenador do IPEF, quando participou da proposição dos padrões do CERFLOR e dos primeiros testes de campo para florestas plantadas. Era membro do FSC Internacional e participou da definição dos critérios do Princípio 10 –Plantações florestais –do FSC Internacional. Foi o primeiro coordenador do FSC Brasil, atuando como interlocutor do GT Brasil e estruturando a operacionalização do sistema em nosso país;

8 – CARLOS ALBERTO ROXO

Foi importante articulador e ativista institucional do setor industrial ligado às florestas plantadas. Com muita dedicação e competência, integrou diversos fóruns e associações nacionais e internacionais multi- stakeholders , inclusive como chairman. Foi dos profissionais de maior destaque e dedicação na preconização da sustentabilidade e responsabilidade social e ambiental do setor florestal e industrial. Teve papel significativo como divulgador do CERFLOR no cenário internacional, e foi grande articulador e defensor do reconhecimento mútuo de sistemas de cerificação florestal equivalentes. Reconhecido, em nível nacional e internacional como dos mais competentes profissionais em certificação florestal e na implementação de políticas empresariais em respeito aos princípios da sustentabilidade.

7 – MARIA TERESA REZENDE

Foi Secretária Executiva do CERFLOR desde a inserção do mesmo, em 2002, no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade ( SBAC) até recentemente. Atuou pelo INMETRO , que é o órgão gestor do CERFLOR e o organismo acreditador oficial do governo brasileiro. Secretária da SCT – Sub Comissão Técnica de Certificação Florestal, no âmbito do Inmetro, que também tem a função de estabelecer os procedimentos e regulamentações específicos da acreditação , representou o CERFLOR com maestria perante o PEFC – Programme fo the Endorsement of Forest Certification Schemes;

8- RUBENS GARLIPP

Quando membro associado do FSC , participou do GT internacional que formulou os Critérios de Plantações Florestais do Princípio 10. No GT FSC- Br , atuou como um dos representantes do setor econômico. Colaborou intensamente para a consolidação do FSC no Brasil e sua convivência construtiva com o CERFLOR. Foi o grande responsável pela existência do CERFLOR. Deu vida, credibilidade e estruturação para seu funcionamento. Criou, articulou, desenvolveu e somou os mais diferentes interesses institucionais. Soube lidar com as limitações e dificuldades inerentes ao tema e sempre valorizou com ética e competência os mais distintos colaboradores. Participou da estruturação técnica e organizacional do CERFLOR, desde a implementando do convênio SBS x EMBRAPA para formulação dos padrões (P,C,I) de manejo florestal, de acordo com as características brasileiras. . Cuidou da integração do processo junto à ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas- para elaboração das Normas Brasileiras (NBRs) de manejou florestal, cadeia de custódia e de auditoria florestal.

Foi o grande articulador e divulgador do CERFLOR junto às organizações e instituições governamentais, fóruns de discussões nacionais e internacionais ( FAO,ISO, ITTO, CDS-ONU). Coordenou e implementou o Projeto CERFLOR no Forum de Competitividade de Madeira e Móveis/ MDIC . Promoveu , com a colaboração das partes interessadas, a inserção do CERFLOR no SBAC -Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade – conduzido pelo INMETRO . Preparou a harmonização do CERFLOR para a filiação (2002) e para o reconhecimento internacional (2005) no PEFC – Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemmes . Transformou sua vida profissional numa proposta de trabalho pelo desenvolvimento e valorização do setor florestal brasileiro;

9- PIETER PRANGE (in memrian)

Foi membro associado do FSC internacional, representante do setor econômico. integrante do primeiro GT de formulação de padrões FSC Brasil . Participou ativamente de reuniões nacionais e internacionais na defesa dos interesses da certificação. Um profissional exemplar e um modelo ético na luta pelos interesses institucionais das florestas plantadas do Brasil. Participou de entidades representativas do setor com dedicação e lições de credibilidade. Atuou como um dos primeiros auditores florestais de certificadoras internacionais ;

10- SERGIO AHRENS

Participante e colaborador ativo desde a concepção do CERFLOR e Integrante das Comissões de Estudo CEET/ ABNT e da SCT /INMETRO. Teve e tem importante atuação nas proposições e discussões das questões e requisitos técnicos e legais no âmbito do CERFLOR e do PEFC, no Brasil e no Exterior .Participou e continua participando das revisões e das revalidações do reconhecimento internacional do sistema pelo PEFC. Como membro da EMBRAPA FLORESTAS e por sua reconhecida competência profissional tem prestado significativa contribuição técnica em discussões polêmicas e mais sensíveis como desflorestamento, uso da terra, Código Florestal e outras questões legais e sociais;

11 – CELSO FOELKEL

Apoiador das iniciativas de manejo florestal sustentável, incentivador e divulgador da certificação florestal como instrumento de valorização do setor .Participou de GTs nacionais e internacionais e escreve sobre o assunto dando visibilidade ao tema ,em especial no Brasil e no exterior. Suas contribuições, sempre calcadas na experiência, bom senso e extrema capacidade técnica , foram incorporadas nas normativas e regramentos dos processos de certificação ;

12 – JOSÉ AUGUSTO de ABREU e MARIANA FELLOWS

Respectivamente , ex-Diretor da ABNT ,que colaborou na formatação do CERFLOR conforme os preceitos internacionalmente aceitos para o processo de elaboração das normas e de participação dos grupos de interesse ; Ex-secretária da CEET /ABNT e instrutora de cursos de formação de auditores florestais pelas normas do CERFLOR ;

13 – ANDRÉ GIACINI DE FREITAS

Foi Diretor do Imaflora e implementador de feiras com produtos florestais certificados no Brasil , objetivando dar visibilidade às práticas de bom manejo e produção florestal . Atuou como Diretor Executivo do FSC Internacional e foi exemplar profissional na execução de empreendimentos que valorizassem a certificação florestal com vistas à sua sustentabilidade;

14 – ROBSON LAPROVITERA ( in memorian)

Assumiu a coordenação técnica dos trabalhos da CEET/ABNT e foi incansável defensor da certificação dos produtos florestais brasileiros. Foi propositivo e pró-ativo nas discussões internas e no exterior, tanto sobre as revisões das normas técnicas do CERFLOR, como nas iniciativas para aprimoramento do processo PEFC;

A Comunidade de Silvicultura abre espaço para que mais colaboradores sejam lembrados e reitera os respeitosos cumprimentos a essa elite de profissionais,cujos trabalhos enriquecem, sobremaneira, a silvicultura brasileira!!!!!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A NOSSA SILVICULTURA: O QUE VIRÁ, A MÉDIO PRAZO?

Para o curto prazo não resta nada a acrescentar. Uma fotografia em branco e preto desanimadora! Madeira sobrando, preço baixo, muitas florestas sendo destruídas ou abandonadas…. e as indústrias crescendo! Enfim…. um momento de contrastes! Acrescente- se ainda: poucas áreas sendo reformadas, muitos plantios sem o devido cuidado, diminuição de áreas plantadas, o desastroso impacto dos déficits hídricos em muitas regiões, a queda da produtividade em outras tantas e desinteresse generalizado dos produtores! E no médio prazo – 6/7 anos – o que poderá acontecer?

Com certeza, o que muitos sabem, e já viram acontecer! Falta de madeira e o mercado aquecido! Culpados? Ninguém sabe ninguém viu! E, nesse vai e vem, a silvicultura fica com as pedradas! E como dizia um antigo produtor: “ não sei se devemos parar, ou se devemos plantar para aproveitar o novo ciclo das vacas magras”.

Fica para reflexão dos que já se livraram da ressaca carnavalesca : “será que com esse monte de limão, não descobrimos uma forma de transformar tudo isso numa limonada?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

AS VISÕES SOBRE A SILVICULTURA BRASILEIRA

Na década de 60/70, na ESALQ-USP, Piracicaba-SP, ouvimos do saudoso Prof. Helladio do Amaral Mello – um dos principais responsáveis pelo sucesso da silvicultura brasileira – em sua primeira aula – “ vamos tratar de uma atividade de grande importância econômica, social e ambiental e que pode contribuir de forma significativa para desenvolvimento de muitas regiões do Brasil”. E essa foi a sua razão e filosofia de vida!

Já se foram, exatamente 50 anos! E muitos caminhos se modificaram, inúmeros desafios foram superados, diversas perspectivas se abriram, e até novos rumos foram adotados! A Comunidade de Silvicultura, através da visão de colaboradores, pretende fazer registro dos ajustes experimentados pela silvicultura brasileira. E deixa para reflexão: continuam válidas as palavras do respeitabilíssimo e saudoso Prof. Helládio?

Segue para reflexão…Uma visão da silvicultura, segundo o Eng. Edson Balloni !

……… na verdade, o que se faz com plantio de Eucalipto nas empresas de celulose, na minha opinião, não é silvicultura! Trata-se de uma agricultura de árvores para produção de fibras destinadas à celulose, ou seja, um agronegócio de ciclo mais longo. Agora com essa jogada de marketing da “fábrica de mudas” a coisa fica, ainda mais soja e milho, do que floresta. Quando vim trabalhar no sul e viver plantios de florestas para uso múltiplo passei a entender melhor o significado de silvicultura, onde se dá tempo às árvores, para que as mesmas agreguem valor à floresta, não só econômico como também ambiental.

Acontece que isso também está mudando! As grandes empresas estão levando o Pinus para o mesmo caminho do Eucalipto,cuja única diferença é que o ciclo passa de 5 a 7 anos para 12 a 13 anos. Eles estão totalmente certos, pois visam a produção de massa e a análise econômica é feita na ponta final da fábrica.E assim, somos os melhores do mundo. Quando você joga numa planilha os R$ 6 a R$ 7 mil, que custa um plantio de eucalipto e que não se consegue vender a madeira no mercado a mais que R$ 25/m³, não precisa ser economista para se ver que essa atividade é inviável economicamente.

Portanto, plantar eucalipto, hoje em dia, para quem não é dono de indústria de celulose, é jogar dinheiro no lixo. Temos visto muitas áreas sendo destocadas e convertidas para agricultura com a promessa do agricultor – “Eucalipto Nunca Mais”. Muitos entraram nessa atividade, através de propaganda enganosa, alguns imediatistas e outros pela onda, que se propagou de uma aposentadoria tranquila que a floresta proporcionaria! Do ponto de vista estratégico para o país isso é muito ruim, porque você cria uma aversão a uma atividade que se bem planejada e executada, de fato, traz resultados muito interessantes, no médio e longo prazo. Com relação ao aspecto estratégico o país já jogou e continua jogando no LIXO uma base genética fundamental, que são os Pinus Tropicais. Não há como expandir o plantio de Pinus no sul do Brasil, o futuro são os trópicos.

Há exatos 40 anos o IPEF lançava o PPT (Projeto de Pinheiros Tropicais) com um amplo programa de pesquisas que comtemplava qualidade da madeira, melhoramento genético, alternativas de plantio, manejo, etc. Experimentem fazer um plantio de Pinus caribaea var. bahamensis para ver se vocês conseguem! Temos que rezar para ainda existir algum material que consiga restaurar a base genética. Quanto às recomendações silviculturais tais como: espaçamento, adubação, regime de desbastes… nem pensar!!! Já o Pinus caribaea var. hondurensis que seria o Jegue das árvores, ou seja, tolera climas mais secos, mais úmidos e outros desaforos, a ação tem que ser URGENTE, pois a base genética está sendo destruída.

O Setor é novidadeiro, hoje temos um imenso comercial sobre os plantios de cedro australiano, mogno africano etc., que são espécies de madeira nobre e que, certamente, irão ocupar espaço nas nossas alternativas florestais. Mas visando usos múltiplos, as diferentes espécies de Pinus e Eucalyptus são imbatíveis! Alguém sabe como plantar e manejar o Citriodora? Sua madeira não fica devendo nada ao cumaru na construção civil. O Paniculata se iguala à aroeira, quanto à durabilidade no solo, e assim vai… Existe eucalipto para qualquer tipo de uso, o que não existe é dedicação das instituições, divulgação e incentivo para que a Silvicultura de verdade se estabeleça, de fato, no país.

Um abraço Balloni

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

OS DESAFIOS DE TODOS OS SILVICULTORES!

Depois de tantas surpresas e encrencas, tudo indica que, entre mortos e feridos, a vida continua! Para os silvicultores parece que nada mudou e não há nenhum movimento ou sinal de algo preparado para ser discutido, e, muito menos, qualquer postura empresarial que altere essa calmaria! Mais reuniões daqui e dali, e nada. Ninguém se atreve “ a colocar o dedo nas feridas”. Num pequeno exercício de memorização, notamos que os problemas novos estão se envelhecendo e os problemas velhos são colocados na gaveta. Ouvi, de um amigo – é o ciclo do comodismo – é a maneira “inteligente” de não se fazer nada, mas manter a antena ligada!

A Comunidade de Silvicultura tem recebido inúmeras cutucadas provocativas. O objetivo é, de fato, promover discussões que possam contribuir para o desenvolvimento de nossa silvicultura! Longe, muito longe de se pretender solucionar as encrencas armadas! No entanto, esse ” céu de brigadeiro”, no meio de tanta tempestade, é muito preocupante! E nesse contexto de perplexa calmaria, a Comunidade de Silvicultura, teimosamente, lembra;

-Onde foi parar o Programa Nacional de Florestas Plantadas?
-E a madeira como biomassa para energia, vai acontecer?
-E as pesquisas e experimentações com nossas espécies nativas?
-E as grandes concentrações de florestas plantadas? como protegê-las?
-E o pequeno produtor? Parece que esse assunto já está na gaveta!
-Quem herdou os compromissos internacionais?
-E se os silvicultores quiserem discutir os rumos do setor? Onde e com quem discutir?

Se mais de uma pergunta ficar sem resposta, não desista! Mas também não deixe de colaborar! Esse desafio é de todos os silvicultores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A IMPORTÂNCIA E A RIQUEZA DA INFORMAÇÃO!

 

Durante muitos anos a silvicultura brasileira limitou-se a regiões tradicionalmente produtoras de florestas, sem grandes dificuldades. E a produtividade atingiu indicadores espetaculares! Da genética à colheita, sempre estava à disposição dos interessados, no mínimo, um feijão com arroz bem apetitoso. Os primeiros avanços da silvicultura – Bahia, norte de Minas, Mato Grosso do Sul, Maranhão, pampas gaúchos, dentre outras regiões, em pouco tempo, resolveram suas adequações tecnológicas e passaram a dispor de valiosas informações! Foram expansões acompanhadas de pesquisas e de profissionais altamente capacitados.

Na última década, no entanto, o avanço para novas fronteiras foi mais ousado – regiões do Tocantins, oeste da Bahia, áreas mais secas de Minas, do Maranhão, do Piauí, dentre outras – e então, a falta de informações evidenciou mais problemas e limitações. Grandes áreas, desocupadas e com terras baratas aguçaram o interesse de muitos aventureiros! Muita gente sem informação e diante das adversidades de clima, solo, mão-de-obra despreparada,……. e o mais agravante, com a mesma receita operacional.

O resultado não poderia ser diferente – empreendimentos paralisados; florestas improdutivas; limitações técnicas indefinidas! Na verdade, os desdobramentos foram bem mais complexos, e ficaram lições importantes para reflexão:

-as expansões que avançaram em suas adequações tecnológicas, encontram- se em situação privilegiada neste contexto, e são detentoras de valiosíssimas informações!

-há de se fomentar, urgentemente, a pesquisa florestal nessas regiões para se viabilizar uma possível expansão da silvicultura brasileira. Só com informações técnicas, essas expansões serão viabilizadas!

A silvicultura, a médio e longo prazo, poderá se expandir para essas regiões e não dá para esperar que as informações técnicas surjam sem um grande programa de pesquisas. As informações, ainda em formação e nas mãos de ousados empreendedores, mostram a viabilidade dessas áreas e a ampla abrangência das pesquisas a serem desenvolvidas.

Diante desse contexto, e se essas expansões, de fato, se tornarem realidade, o esforço para o desenvolvimento da pesquisa florestal será imprescindível e as informações técnicas constituirão uma riqueza imensurável!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O EXCLUSIVISMO DA PESQUISA FLORESTAL

A silvicultura brasileira atingiu a excelência tecnológica pela dedicação de renomados pesquisadores e apoio financeiro de grandes empresas. Num discurso para alegria geral da plateia, pode-se até falar em outros fatores, mas na “batuta mesmo”, o que valeu foi a integração das universidades com grandes empresas.

Essa foi, de fato, a alavanca que proporcionou o desenvolvimento da pesquisa florestal e consolidou a sustentabilidade das indústrias consumidoras de madeira. E os resultados dessas pesquisas, quase sempre realizadas em conjunto, fizeram com que a informação técnica se estendesse com facilidade e sem restrição. Todos sabiam e conheciam os problemas, limitações, avanços e a receita “do fazer bem feito”! E assim, a silvicultura chegou, onde chegou!

No entanto, esse quadro de ampla liberdade do conhecimento está se modificando nos últimos anos! Há inúmeras pesquisas científicas que se restringem a interessados, ou aos que financiam as pesquisas! Parece natural que existam privilégios aos financiadores de informações específicas, mas a preocupação é não deixar que esse exclusivismo se generalize. Conhecer a melhor forma de adubar para aumentar a produtividade e ser mais competitivo, é até aceitável. Mas, de repente, o controle de pragas e doenças, só vai ser possível com o engajamento daqueles que não tem a melhor fórmula de adubação! Enfim, há uma enorme diversidade de assuntos, com mais e menos razão para exclusividade e não dá para se evitar que isso aconteça.

Mas o importante é que não se deixe que o exclusivismo, atrapalhe a integração de esforços para eliminar problemas, cujas soluções sempre dependerão da participação de todos!  O combate às pragas e doenças é um bom exemplo para  reflexão!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

OS ATALHOS TÉCNICOS DO PEQUENO PRODUTOR

No final do ano, numa corrida pelas florestas da região de Bragança Paulista, encontrei numa pequena propriedade, cerca de 10 alqueires, uma floresta de produtividade espetacular! Bati na porteira e tive a grata satisfação de conhecer o Sr. Arnaldo. Depois dos rápidos cumprimentos fui direto ao assunto: “ Que beleza de floresta, quantos anos tem?” Com calma e satisfação foi contando: “essa floresta tem cerca de 18 anos, e já consegui tirar dela um carro, uma casa e a festa de casamento de duas filhas!” e foi completando : “tomei bastante cuidado para formar a floresta com adubação, muda boa e sem mato. Depois fui tirando as árvores meio tortas e mais finas, e só ficaram essas 3.000 árvores, que cuido como se fossem da família!” e continuou a prosa : “cada vez que tirava um pouco de madeira ganhava um bom dinheiro”.

E deu mais uma explicação: “ estou esperando chegar tudo com mais de 50 cm no peito para vender para serraria e comprar mais algumas coisinhas”! A conversa estava tão interessante e contagiante, que foi terminar, lá na cozinha, com café e bolo. E , juntos, fazendo as contas daqui e dali, chegamos à conclusão de que a produtividade da floresta, por ocasião da primeira intervenção, ultrapassava 50 metros cúbicos /ha/ano. E a curiosidade me levou a perguntar: “ quem ensinou o senhor a plantar a floresta tão bem assim? E a resposta foi muito interessante: “ participei de um Programa de Fomento Florestal promovido pela CATI, de Bragança Paulista, recebi mudas e toda a orientação técnica para se fazer a floresta.

Mas na época do corte, como o preço não estava tão interessante, resolvi deixar as árvores melhores, e só tirei o que não tinha crescido bem. Foi sugestão do moço que me orientou e deu as mudas. Foi uma ideia maravilhosa! ”. A visita e a conversa do Sr. Arnaldo deram chance para se registrar essa interessante lição de vida profissional! Esse Programa de Fomento Florestal, em conjunto com a CATI, VCP – Votorantim Celulose e Papel e Teca Florestal, foi desenvolvido na Região Bragantina, nos anos 90. Atendeu a centenas de produtores rurais e contou com o apoio da integração, muito bem sucedida, entre a CATI/Votorantim e Teca Florestal.

Essa soma de esforços foi um sucesso, na época, e contribuiu de forma significativa para o aumento da produtividade das florestas na região. Um legado de muitos ensinamentos técnicos! Há de se destacar a excelente contribuição do Eng. Agrônomo Alcides Ribeiro, na ocasião, o Coordenador Técnico da CATI, e que instituiu o programa de fomento florestal, como política de desenvolvimento rural na região.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A PARTICIPAÇÃO ESTRATÉGICA DO PEQUENO PRODUTOR!  

 

Não há nenhuma estatística setorial que mostre com precisão a participação do pequeno produtor no fornecimento de madeira às grandes indústrias consumidoras. Há estimativas mostrando que essa participação não passa   de 30 % do consumo industrial!

Na verdade, essa participação poderia ser muito maior! E é fácil imaginar: uma empresa com raio de atuação de 50 km, tem cerca de780.000 ha de terras no seu entorno! Se 5% dessas áreas fossem destinadas a plantios florestais, haveria cerca de 40.000 ha de florestas plantadas para serem comercializadas com grandes consumidores.

Como não há nenhuma informação setorial, que mostre tanta concentração de florestas de terceiros no entorno dos inúmeros  consumidores, fica a  dúvida para reflexão! Será que não está faltando motivação para essa vizinhança?  Se esse pessoal fizesse parte dos programas de abastecimento, com assistência técnica de primeira linha e preços justos para venda da madeira, não seria razoável imaginar-se aumento da capacidade produtiva, antes das inevitáveis migrações industriais?

E se não aumentasse a produção, não poderia diminuir a quantidade e risco dos gigantescos caminhões que transitam nas estradas brasileiras?

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A ENGENHOSA ARTE DE SABER PEDIR!

Vejam que comentário interessante recebido numa notificação: “ saber o que pedir é uma arte!” . E continuou: “o Governo vai ter que dar conta das sangrias expostas para depois pensar em outros curativos! E finalizou: “precisamos entender, que todos os segmentos da sociedade estarão se sentindo em sangramento. E daí, a engenhosa arte de sabermos o que pedir!” Um bom recado para reflexão!

A Comunidade de Silvicultura, respeitando sugestões e comentários, elegeu 10 (dez) pedidos:
Dez pedidos para críticas, sugestões e reflexão!

1- Estabelecer o universo institucional da silvicultura brasileira – estrutura, programas, objetivos, metas, compromissos e responsabilidades;

2- Viabilizar tecnologias para usos alternativos da madeira, com destaque, no curto prazo, para biomassa energética;

3- Dar apoio ao desenvolvimento de estudos, pesquisas e uso das espécies nativas para os mais variados fins e ampla divulgação do que já existe;

4- Criar mecanismos tributários e compensatórios para integração dos programas de pequenos e médios produtores aos grandes consumidores;

5- Pesquisar, monitorar, melhorar e proteger a produtividade das florestas plantadas – áreas tradicionais e novas fronteiras;

6- Criar mecanismos para incentivar o reflorestamento em áreas degradadas e de proteção dos mananciais hídricos;

7- Definir legislação objetiva e que agregue valores aos empreendimentos, evitando burocracia e despesas desnecessárias aos investidores;

8- Desenvolver tecnologias para formação e colheita apropriadas ao pequeno produtor;

9- Criar mecanismos de financiamento a projetos comprovadamente sustentáveis;

10- Desenvolver programas de informação e divulgação de tecnologia, estatísticas e de serviços da silvicultura.

Essas questões, com certeza, não resolvem todos os nossos problemas, mas podem trazer novas luzes à silvicultura brasileira. É mais uma provocação para manter aberta a discussão! Que tenhamos muitas sugestões e comentários!!!! E que encontremos uma forma de unir e integrar os interesses de nossa silvicultura. Só não vale, se calar!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O QUE PEDIR AOS PRESIDENCIÁVEIS?

Já se tem notícias de reuniões para se tratar do assunto! Parece lógico que um país com tantas florestas nativas a serem cuidadas, grandes áreas a serem recuperadas, uma enorme dívida com compromissos internacionais, setores produtivos altamente competitivos e de projeção internacional, ciência florestal de vanguarda e mais um punhado de vantagens competitivas não pode deixar de mostrar a direção que atenda aos grandes interesses da sociedade.

Com certeza, surgirão novos comandantes e sem o conhecimento de dezenas de problemas, que há algum tempo estamos tentando resolvê-los e nada… Tirar do armário a coleção de encrencas mal resolvidas não parece ser uma boa estratégia – pela quantidade e complexidade prática e política. Mas para muitos, é essencial que se apresente “esse café requentado” para depois se falar em novos caminhos!

Enfim… a arte vai ser definir a estratégia para mostrar as prioridades de um setor muito rico, com enorme potencial de crescimento, desunido e que junta prosperidade, riqueza, pobreza, otimismo e pessimismo, tudo numa mesma sala! Muitas dúvidas, mas uma certeza absoluta: só não dá para cruzarmos os braços e esperar que um “salvador” apareça e adivinhe o que precisa ser feito!!!

Com a palavra, nossas entidades representativas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário