A SILVICULTURA, O CASTIGO E A SUSTENTABILIDADE!

Aqui, na região de Bragança Paulista, já foi muito comum, nas “rodas de fim de dia”, conversas animadas de antigos plantadores de eucalipto. Gente simples, com anos e anos de vida, metida no plantio de florestas e venda de madeira. Famílias inteiras ligadas ao processo de plantar,cortar e vender madeira. Muito trabalho e serviço para todos! Há poucos dias, tive oportunidade de conhecer, com mais detalhes, uma história bem típica dos tempos antigos. O Sr.Pinheiro, como era conhecido na vila, estava numa mesinha de boteco, no seu último gole de cerveja , quando cheguei. E para provocar uma conversa, provoquei o cidadão: “ pensando na vida Seu Pinheiro ”?

A resposta veio na hora e, em seguida, o convite para uma prosa: “hoje saiu o último caminhão de madeira,lá do meu sitio, e fiquei com a sensação de que estava indo embora a história da nossa família. Idas e vindas de mais de 60 anos, e que uniu filhos,filhas, genros, netos e bisnetos! Mas a continuidade da prosa foi assustando: “ nos últimos anos, viver de madeira, tem sido uma luta danada. Fiz de tudo e não teve jeito. A família sempre viveu das florestas de eucalipto. E vivia bem! Mas nos últimos anos, até certifiquei as florestas para ver se facilitava a venda, e não adiantou nada! Uma merreca de preço e só para aparece, o tal de atravessador com um monte de chequinho!

E com isso, vieram os apertos daqui e dali, e a família foi se desmanchando. Saiu um filho, depois os outros, e agora no fim, fiquei sozinho”. E indignado, comenta – “ com a mesma quantidade de madeira, quase não consigo pagar as contas da casa!” E seguiu: “ com a mesma floresta, que deu para estudar filhos e filhas, comprar carro e até fazer festa, hoje não sobra para pagar a prestação do caminhão!!!! E meio em tom de brincadeira e desabafo tacou: “ as empresas cresceram, consomem muito mais madeira,mas não querem nada com a gente!” Mais um gole da gelada e concluiu : “ e o pior ainda…. fui vender o sítio e o moço falou: “ compro, mas não pago tudo que está pedindo”. E tive que ouvir: “ como não quero nem pensar em plantar eucalipto, o que vou fazer com essa tocaiada em toda a fazenda?”. E o Seu Pinheiro concluiu : “ agora, só falta ter que dar a terra,quase que de graça, como castigo, por ter plantado eucalipto”.

A conversa continuou e logo mudamos de assunto para evitar mais constrangimentos e pedradas no eucalipto. Todavia, ficou a dúvida para reflexão: “onde fica a tal de sustentabilidade da nossa silvicultura, com certificação e tudo?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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BERROS E CACHORRO SEM DONO!

Nas últimas postagens destacamos a necessidade de boa preparação, em 2018, para apresentar a silvicultura aos presidenciáveis! Reinvindicações não faltam – muitas se arrastam há tempos – e não podemos deixar de apontar as oportunidades e até os absurdos, em curso, reclamados pelos que acompanham o desenvolvimento do setor! A lista de reinvindicações é enorme, e as prioridades vão exigir medidas urgentes! E vamos direto às encrencas :

1- Como integrar estoques de florestas e caminhões gigantescos cruzando estradas, com madeira a preço “de repolho”?

2- Como mapear os compromissos internacionais assumidos e as” lições de casa “ pendentes?

3- E as espécies nativas vão continuar só por conta do idealismo de abnegados profissionais?

4- Já temos 71 cursos de engenharia florestal no Brasil, e o que fazer com esses profissionais?

5- Que setor é esse que estamos falando? As plantações comerciais na Agricultura; as restaurações, proteção, problemas de clima no Meio Ambiente; o Serviço Florestal cuidando do manejo das florestas nativas; e decretos criando verbas para o Chico Mendes e Ibama tratarem de espécies nativas! Como entender “esse balaio de gato”?

6- E o Plano Nacional de Florestas Plantadas sendo tratado na Embrapa Florestas – ainda bem! esse pessoal é do ramo;

7- Problemas de produtividade das florestas comerciais, medidas de proteção às pragas e doenças nas áreas de grande concentração de plantios, novos clones…. isso tudo fica para depois! Mas precisa ser “um depois”, sem muita demora!

8- E as oportunidades? E a energia das florestas plantadas vai acontecer, de fato? As chuvas chegaram, e os reservatórios continuam vazios…. essa encrenca desafiadora, continua livre e solta!

Juntar toda essa mudança, num caminhão só, não vai ser fácil! Com certeza, muito cachorro vai sobrar e ficar sem dono! E quem está berrando? Berros de todos os lados! Não há grandes novidades. E os berros são bem conhecidos! O grande problema é que não se sabe a quem berrar!

O 4G – grupo de silvicultores independentes – já está se programando para discutir o Plano de Florestas Plantadas. Da mesma forma, há muita gente querendo discutir! Como será o encaminhamento dessa discussão?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O GRANDE DESAFIO PARA 2018

Já se fala nas eleições e o país se prepara para assistir a mais um capítulo da novela: como salvar o Brasil! E a nossa silvicultura continua aguardando dias melhores! Os últimos capítulos não trouxeram nada de tão expressivo aos silvicultores, que pudesse recomendar o“vale a pena ver de novo”.

Mas agora ,com certeza, teremos novidades. Pelo menos, teremos mudanças no quadro de protagonistas. E isto traz muita esperança. E essa chama de vida não podemos deixar que morra! Mas não sejamos ingênuos a ponto de acreditarmos que nossas reivindicações vão ser pautadas sem efetiva participação de todos os interessados e envolvidos em nossa cadeia de produção!

Não devemos acreditar, que sem esforço dos que conhecem, participam e vivem do setor, vão surgir ideias brilhantes que atendam às nossas necessidades! Sem mexer nesse bolo, com certeza, nada vai mudar. Há até os que acham que não adianta nada pleitear, fazer documento, mostrar isso ou aquilo… e que já se fez no passado e não se conseguiu nada… tudo verdade! Mas o fato de contarmos com novos protagonistas, em cena, traz uma oportunidade ímpar e que precisa ser aproveitada!

É um grande desafio, mas é só nosso, e é intransferível. Ou assumimos e cavamos a forma e o momento de “berrar” ou ninguém vai se incomodar com nossas dificuldades! O ano de 2018, considerado o “ano das eleições” precisa ser transformado no “ano de preparação”. Há de se juntar esforços de grandes e pequenas empresas, produtores florestais, pesquisadores, professores, prestadores de serviços, etc. e “mandarmos bala” em tudo que achamos que precisar ser repensado.

Agora é a hora! Pode até ser um café requentado, mas não devemos pecar por omissão! Quem sabe, o Plano Nacional de Florestas Plantadas, que parece estar sendo retocado na Embrapa Florestas, seja colocado para uma ampla discussão, ganhe legitimidade e se transforme em “nossa bandeira”!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O FATIAMENTO DA SILVICULTURA!

Há muito se fala da falta de união ou de integração dos diferentes setores que se utilizam da silvicultura. Problemas de uns ou de outros são discutidos, vividos e até resolvidos, de forma isolada. Cada segmento cuidando de seus interesses. Essa postura foi sempre muito criticada, até por governantes, do outro lado do balcão, em inúmeras oportunidades. Nosso amigo e ex- Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, sempre enfatizou: “ o setor é economicamente forte, tem muita tecnologia, empresas competentes e empreendedoras, mas na hora de se fazer política, é sempre desunido e não se integra. E assim, perde toda sua importância e se fragiliza”.

Para muitos, esse é o melhor retrato da atual situação vivida pela silvicultura brasileira. Só para refrescar a memória : o setor de celulose cresce firme e forte e com méritos inquestionáveis; a siderurgia suspira, quase morta; chapas, como sempre, luta heroicamente ; grandes programas com espécies nativas prometidos ao mundo, continuam desconhecidos e dependendo da paixão de abnegados profissionais; a energia continua uma promessa para o futuro; as pesquisas já começaram a se aprofundar, mas na cozinha de cada empresa ; continuam muitas reuniões, encontros, etc., mas no comodismo das salas e no “clic digital”; entidades brilham no exterior pela competência de seus profissionais ; o produtor florestal continua, aos berros, reclamando do preço e da falta de reconhecimento de seus parceiros;…. enfim, é fácil perceber o rol de pendências!

E a mistura é grande: assuntos para o Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente, Ciências e Tecnologia, Indústria e Comércio, e por aí vai…E como juntar tudo isso? E o pior: quem se atreve a juntar tudo isso? E aí, damos conta, de que vamos ter que procurar em diferentes locais os “cacos da silvicultura”: na Embrapa Florestas, no Ibama, no Chico Mendes, no Serviço Florestal Brasileiro, e em vários GTs encarregados de detalhamentos técnicos. O setor foi fatiado e há pedaços que precisam ser juntados em diferentes locais! Que tal, iniciarmos essa reconstrução setorial?

A Comunidade de Silvicultura estará juntando sugestões e comentários para que, oportunamente, haja possibilidade de uma melhor visão de todo o fatiamento existente e quem sabe? Identificarmos os caminhos para melhor discutir e encaminhar nossas necessidades! Não deixe de dar sua sugestão e fazer os comentários que lhe convier!!!!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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POLÍTICA PÚBLICA! QUE BICHO É ESSE?

Há dias atrás, numa reunião com técnicos e produtores florestais, causou-nos curiosidade a colocação apresentada por um amigo muito atento a tudo que se falava: “já assisti a algumas apresentações e já ouvi várias vezes se falar que esse ou aquele problema é decorrência de política pública! Que bicho é esse? Quando existe atrapalha, e quando não existe todos reclamam que falta!”

A colocação trouxe um silêncio geral! A sensação é que se colocou uma interrogação para todos pensarem. O assunto da reunião tratava do crescimento da silvicultura, numa determinada região, a evolução da produtividade, a qualidade das florestas e o contraste com o mercado comprador. A queixa que mais provocou discussão foi a do Sr. Agenor, antigo e grande produtor de madeira, que disse: “ vivemos a vida toda do plantio e venda de madeira, mas agora que tenho florestas com o dobro de produtividade não consigo vender pelo preço que vendia, há mais de 10 anos atrás!

Foi aí, que entrou a pergunta do moço. O coordenador da reunião falou; “essa situação reflete a falta de políticas públicas para o setor” e foi além: “não existe nenhum programa e nenhuma legislação que incentive a integração do consumidor com o produtor vizinho” e fechou “vão buscar madeira a quase 500 km com caminhões gigantescos, incomodando o tráfego nas estradas, gastam uma” nota preta” em transporte, mas se negam a pagar um pouco mais na madeira que fica na cozinha da fábrica”! E o questionamento seguiu ; “até aí tudo entendido, e a tal de política pública, onde entra?”. Então veio a explicação professoral e de forma bem simplista: “é um conjunto de regras, geralmente de Governos, que estabelecem as diretrizes e os instrumentos para se atingir determinado objetivo”.

E completou “quando essas regras são elaboradas com discussões e sugestões são bem aceitas, ficam bem conhecidas e servem como orientação aos interessados naquele assunto. E até servem para empresas estabelecerem suas normas para usar incentivos e atender às políticas públicas estabelecidas”. E deu um exemplo espetacular, que deixou tudo muito claro: “ se houvesse uma política pública, ou regras, incentivando as empresas consumidoras a comprar madeira nas vizinhanças, com certeza, as terras inaproveitáveis, do entorno dos grandes consumidores, se transformariam em florestas. Seria o jogo do ganha-ganha, todos se beneficiando”.

E concluiu: “ devem existir mecanismos que podem aproximar, integrar e favorecer o produtor e o consumidor! Mas essas opções precisam ser discutidas e detalhadas com os interessados para ter legitimidade e alcançar bons resultados. Mas sem discussão, sem provocação e sem interesse bem definido, com certeza, nada vai mudar! A reunião teve continuidade e na saída o engenheiro comentou : “ é o fim da picada não se fazer nada e nem se discutir, abertamente, essa situação tão prejudicial aos produtores e à própria sustentabilidade da silvicultura brasileira!”

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A “MEXEÇÃO” QUE A SILVICULTURA BRASILEIRA PRECISA!     

 

Juntando dados do que está acontecendo agora, e mais alguma coisa que é promessa para logo, dá para se ter uma ideia da estranha e complexa situação, em que está metida a silvicultura! A indústria de celulose brilha com aumentos de preços progressivos, metas audaciosas, mas arrasta um formato de suprimento de madeira nada modernizado! O Seu José vendia madeira para celulose aos mesmos valores atuais, há dez anos atrás! E são milhares de Josés reclamando, acabando com suas florestas e nenhum sinal de mudança!

 

Continua a falação ….. certificação, sustentabilidade….. Lá fora, em reuniões internacionais, as autoridades falam em muitos recursos disponíveis, criam regras e mecanismos para promover a proteção e plantios de mais florestas. É uma necessidade vital! Aqui, um contraste. Os assuntos são fatiados em diferentes Ministérios, Programas, Acordos, etc. e de concreto mesmo, nada! Surgem até decretos falando de diferentes assuntos, estabelecendo regras contrárias e não se percebe nenhuma movimentação de insatisfação! E o pior de tudo: nossas entidades representativas continuam “ silenciosamente “ caladas!

 

Mas para dar um toque de esperança, o nosso amigo Paulo Cardoso faz um “congresso online” repleto de apresentações brilhantes e mais de 10.000 interessados inscritos. Que contrastes!  Esse “angu de caroço” com oportunidades para uns e desespero para outros, essa tremenda confusão entre os que decidem, a enorme dívida, que vai se acumulando pelos problemas não resolvidos e, acima de tudo, o “cheiro e a necessidade de mudanças” vai exigir muita reflexão, e “mexeção” de todos que  desejam o desenvolvimento da silvicultura brasileira!

 

 

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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QUE TAL UMA BOA PREPARAÇÃO PARA 2018?

Parece que 2017 já foi, e não vai deixar nenhuma boa lembrança! Passemos a borracha. Não aconteceu nada. Promessas, reuniões, isso mais aquilo, e nada! E não adianta chorar o leite derramado. E muito menos explicações disso ou daquilo! Parece, que só nos resta juntar dados, informações, prosas e versos e, acima de tudo, profissionais competentes e comprometidos com o futuro da silvicultura brasileira, e iniciarmos um “grande movimento” para se discutir, no próximo ano – 2018 – com nossos presidenciáveis, – um Programa Florestal para o Brasil! Não há nenhuma novidade nesse exercício.

Já se fizeram documentos em outras oportunidades e não faltaram profissionais para correr atrás de políticos para apresentar e discutir as nossas necessidades. E não haverá também muitas diferenças no que se pedia, e no que devemos pedir, mas temos que admitir, que poderemos ter “sangue novo” na próxima disputa! Ou será que vamos continuar com a mesma conversa mole de oportunidades passadas! Nem é bom imaginar.

De qualquer forma fica para nossa reflexão: como vai se preparar o nosso setor para a nova rodada de apresentação, que deverá se iniciar em 2018? A quem passamos a palavra?????

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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E O CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO?

A resposta é simples: o último foi realizado em 2003! Foi o 8º Congresso Florestal Brasileiro, organizado pela Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS) e pela Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF), e nada mais aconteceu. E o espaço continua vazio! Era o encontro de toda a comunidade florestal e contava com irrestrito apoio das universidades, instituições de pesquisas, empresas, produtores, investidores e entidades governamentais. Todo o universo florestal brasileiro, sempre esteve presente! Uma pena – pois foram nesses Congressos Florestais, que grandes decisões, que mudaram o rumo do setor florestal foram discutidas e implementadas! E o espaço ainda não foi ocupado, apesar do grande esforço e criatividade de muitas instituições.

O Congresso Florestal Brasileiro sempre representou e se diferenciou pelo esforço e dedicação das grandes lideranças universitárias – professores, pesquisadores e estudantes – além do imprescindível apoio de Governos (Federal e Estaduais) e das lideranças empresariais que, de fato, tinham autonomia para decidir em suas organizações! Sempre foi um sucesso! A criação e a extinção dos incentivos foram anunciados num Congresso Florestal. Da mesma forma, as diretrizes dos sistemas de certificação que se transformaram, no que é o FSC e o próprio CERFLOR. Os grandes resultados e inovações tecnológicas eram apresentados, discutidos e legitimados nesses encontros. O aproveitamento era significativo e os benefícios eram implementados com enorme rapidez. Era uma injeção de motivação no desenvolvimento da silvicultura brasileira!

A SBS e a SBEF não podem deixar que o Congresso Florestal Brasileiro continue desaparecido da pauta do setor! Com a palavra, todos os interessados e envolvidos no desenvolvimento do setor florestal brasileiro!!!!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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DECRETOS, A SILVICULTURA VAI DAR CONTA?

 

O Diário Oficial da União (DOU) de 24/10 traz publicados decretos assinados pelo presidente Michel Temer, todos na área ambiental. Um deles institui o Programa de Conversão de Multas Ambientais emitidas por órgãos da União, como Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

Dá, até 60% de desconto em multas e será concedido quando o infrator optar por converter a penalidade financeira em serviços ambientais. Entre os serviços ambientais que poderão substituir as multas, estão projetos de revitalização de nascentes, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. O governo espera obter uma arrecadação de R$ 4,6 bilhões com a iniciativa. E são temas que tem tudo a ver com a silvicultura brasileira!!!!! Com certeza, cabe um mundo de questionamentos, incertezas e dúvidas!!!!

A Comunidade de Silvicultura faz questão de registrar a preocupação com os desdobramentos que poderão surgir e o envolvimento da silvicultura brasileira com essas questões! Com a palavra, as nossas entidades representativas!!!!!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

 

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TERCEIRIZAÇÃO: INDEPENDÊNCIA E QUALIDADE

A terceirização no setor de florestas plantadas apresentou significativas mudanças nos últimos anos. Apontam-se como causas principais: a chegada de novos investidores para produção de madeira e a redução dos programas de plantio dos tradicionais consumidores. Esse novo investidor –TIMOS e investidores nacionais – formaram empresas florestais, ou contrataram empresas de prestação de serviços com comprovada independência estrutural e tecnológica.

Dessa forma, a tradicional terceirização, caracterizada pela relação de total dependência entre contratado e contratante, foi se esvaziando. Surgia a terceirização do processo de produção de madeira e não mais de serviços específicos, com tudo definido: cronograma, receita do que fazer e preço. Com a crise instalada, por volta de 2008/9, a quantidade dessas empresas diminuiu, ainda mais. Uma pena, perdeu-se significativa força de trabalho e muita mão-de-obra experiente!

A terceirização da produção deu origem à empresas florestais com nova postura e responsabilidade. Administram todo o empreendimento, com organização e estrutura adequada, e acima de tudo, atentas aos resultados de campo. São parceiros ou sócios dos investidores. Resultando, daí, uma relação mais enriquecida e comprometida com o sucesso dos empreendimentos. E mesmo os executores “de receita pronta”, que conseguiram se manter, evoluíram profissionalmente.

Todavia, os que teimaram na total dependência do contratante, e não evoluíram na profissionalização, vão perdendo espaço, gradativamente. Aparentemente, ficarão limitados a serviços esporádicos, com ressalvas, improvisações e todo tipo de risco.

Os novos tempos vão exigir que a produção terceirizada seja independente e saiba se organizar, monitorar e controlar seus compromissos e responsabilidades. Vai se exigir empregabilidade de boa qualidade e, principalmente, comprometimento com resultados definidos. Será indispensável que o executor profissionalizado tenha mecanismos próprios para saber aplicar tecnologia no momento adequado para assegurar qualidade e produtividade das florestas.

Dessa forma, riscos e superações vão exigir, continuamente, mais experiência e competência profissional das empresas executoras. Pensar certo e fazer bem feito vai ficando cada vez mais, só na mão de quem faz. Se tudo isso se transformar em negociações justas e que realmente remunerem os interessados, será mais um importante passo para melhorias técnicas, sociais e ambientais da silvicultura! Merece destaque o fato de que empresas, com esse novo perfil, já estão se envolvendo em programas de pesquisas e até se certificando.

E assim vai se consolidando a nova filosofia de terceirização: independente em tudo que faz, e comprometida com tecnologia, profissionalização e resultados.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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