O setor florestal brasileiro continua crescendo. Novas indústrias são instaladas, outras ampliam suas capacidades de produção e novos usos da madeira ganham importância, como a utilização da biomassa florestal na produção de etanol de milho.
São investimentos importantes, que geram empregos, movimentam economias regionais e contribuem significativamente para o desenvolvimento econômico e social do país.
Entretanto, esse crescimento traz uma preocupação: a disponibilidade de madeira para atender à demanda futura.
Estamos ampliando nossas fronteiras florestais e aumentando as áreas plantadas, muitas vezes em regiões com limitações de solo, clima e disponibilidade hídrica.
Continuamos discutindo produtividades de 30, 40 ou até 50 metros cúbicos por hectare/ano, utilizando médias obtidas em condições diferentes daquelas encontradas nas novas áreas de expansão.
A produtividade nessas regiões ainda apresenta incertezas importantes, especialmente diante dessas condições e dos riscos de períodos prolongados de seca.
Enquanto isso, a demanda cresce, novos consumidores surgem e a disputa pela matéria-prima tende a se intensificar.
Estamos diante de investimentos industriais de grande porte, que exigem abastecimento contínuo e dependem de uma produção florestal compatível com suas necessidades.
A floresta tem seu tempo. Eventuais erros nas estimativas de produtividade poderão comprometer o abastecimento futuro, com consequências para indústrias, produtores, prestadores de serviços, trabalhadores e comunidades.
Recentemente, numa elogiável iniciativa da Canopy, Embrapa Florestas e Paulo Cardoso Comunicações, a Expedição Silvicultura percorreu diferentes regiões produtoras, realizando observações e levantamentos de campo. Trabalho elogiável, com resultados de grande interesse e informações estratégicas para reflexão!
Temos universidades, instituições de pesquisa, empresas, entidades representativas, profissionais experientes e um enorme patrimônio de conhecimentos acumulados ao longo de décadas. Com todo esse conhecimento disponível, será que temos segurança sobre a capacidade real de produção de madeira para atender às crescentes necessidades de abastecimento?
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br