Com as eleições em andamento e a definição dos novos governantes, surge uma questão importante para o setor florestal brasileiro, e que merece a atenção de todos nós:
Se os novos governantes quiserem conhecer o setor florestal brasileiro, o que teremos a apresentar?
Temos um setor de enorme dimensão econômica, social e ambiental, com importantes conquistas, experiências acumuladas, conhecimento científico, capacidade produtiva e grandes oportunidades.
Temos também entidades competentes, lideranças experientes e representações legítimas, responsáveis por conquistas importantes em diferentes segmentos.
Mas será que estamos preparados para apresentar toda essa riqueza de forma integrada, com clareza, legitimidade e prioridades bem definidas?
Algumas perguntas merecem uma boa conversa:
1. Quem poderia apresentar, com legitimidade, o setor florestal brasileiro em toda a sua dimensão, respeitando a diversidade e a importância de seus diferentes segmentos?
2. Temos uma agenda comum, capaz de reunir as principais necessidades, oportunidades e propostas para o futuro?
3. Como somar as competências e a legitimidade das representações existentes, fortalecendo a capacidade de atuação conjunta?
4. Quais são os grandes obstáculos que limitam o desenvolvimento do setor e dependem de decisões governamentais?
5. Como ampliar as oportunidades para todos aqueles que participam das atividades florestais, independentemente de seu porte ou área de atuação?
6. Como transformar nosso conhecimento científico, nossa experiência e nossa capacidade produtiva em benefícios econômicos, sociais e ambientais ainda maiores?
7. Como construir políticas públicas de Estado, com continuidade e segurança para investimentos que exigem planejamento de longo prazo?
8. Afinal, quais seriam as grandes prioridades que apresentaríamos aos novos governantes?
Não faltam experiências, competências, entidades atuantes e bons exemplos. O desafio é encontrar caminhos para aproximá-los e valorizar aquilo que podemos construir juntos.
Não se trata de substituir representações, disputar espaços ou diminuir conquistas. Trata-se de reconhecer e somar competências, respeitar a legitimidade de cada representação e construir uma visão conjunta que fortaleça todo o setor florestal brasileiro.
Afinal, um setor com tamanha diversidade e importância não teria ainda mais força se suas diferentes representações e lideranças conseguissem apresentar, conjuntamente, suas grandes prioridades?
E fica a provocação:
Se reconhecemos a riqueza, a importância e as oportunidades do setor florestal brasileiro, por que não transformar essa diversidade de competências e representações legítimas em uma grande força institucional?
Com novos governantes, o que teremos a dizer? E, principalmente, o que poderemos construir juntos?
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br