O FIO DO BIGODE SEMPRE TERÁ VALOR!

O chamado “fio de bigode” é uma expressão antiga para representar algo muito simples: o valor da palavra empenhada. Um compromisso assumido numa conversa e confirmado por um aperto de mão carregava a confiança de que aquilo que havia sido combinado seria cumprido.

Isso nunca significou dispensar contratos, registros ou controles. Eles existiam, eram necessários e respeitados. O fio de bigode acrescentava algo que nenhum documento conseguia garantir sozinho: a confiança em quem assumia o compromisso.

A silvicultura brasileira tem muito a contar sobre essa forma de relacionamento.

O fomento florestal é um bom exemplo. Milhares de produtores colocaram suas terras e seu trabalho em projetos que levariam anos até a colheita, enquanto empresas assumiam compromissos de apoio e de futura aquisição da produção. Tudo era formalizado, mas uma relação tão longa dificilmente teria prosperado sem confiança entre as partes.

Outro exemplo está na comercialização da madeira. Grandes volumes foram negociados envolvendo preços, prazos e condições de entrega. Os registros faziam parte das operações, mas quem viveu essas negociações sabe o peso que também tinha conhecer quem estava do outro lado e confiar na palavra dada. Há quem aposte que saber fazer essa escolha é uma arte — quase uma bênção!

O fio de bigode, portanto, não substituía os instrumentos formais. Somava-se a eles.

Os tempos mudaram. As empresas cresceram, os negócios ganharam escala e os instrumentos de gestão evoluíram, trazendo mais segurança e profissionalismo. Nesse processo, porém, as decisões também se tornaram mais distantes das relações em que a confiança é construída. O fio de bigode não perdeu seu valor — perdeu espaço para mostrá-lo.

E talvez seja justamente na terceirização, tão presente na silvicultura atual, que ele possa mostrar novamente toda a sua importância. Contratantes e prestadores assumem compromissos de longo prazo e enfrentam situações que nenhum contrato consegue prever inteiramente. Precisam confiar um no outro para fazer o negócio funcionar.

Por isso, na terceirização, o fio de bigode deveria ser uma das primeiras e mais importantes pontes entre as partes. Contratos e controles são indispensáveis, mas ganham força quando acompanhados do respeito à palavra empenhada.

E há bons exemplos mostrando que isso funciona. Relações em que modernos instrumentos de gestão convivem com a confiança demonstram que uma coisa não substitui a outra. Elas se completam — e ganha muito a silvicultura.

Talvez esteja aí um avanço importante: somar à modernidade da gestão algo muito antigo e que nunca deveria perder valor — a palavra empenhada.

Que os bons exemplos sejam reconhecidos e multiplicados. Eles mostram que modernidade, confiança e parceria podem caminhar juntas — e esse talvez seja um belo caminho para enobrecer ainda mais a silvicultura brasileira.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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