Fim do período eleitoral e a vida continua. Governos se renovam ou permanecem, empresas investem, novas indústrias surgem e o setor florestal brasileiro segue crescendo e contribuindo para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do país.
Temos uma história de grandes realizações, instituições respeitadas, profissionais competentes e um extraordinário patrimônio de conhecimentos científicos e experiências acumuladas.
E as questões que ainda merecem nossa atenção?
Muitos delas são conhecidas há décadas. Já foram discutidas em congressos, reuniões, encontros técnicos e documentos. Algumas receberam encaminhamentos importantes, enquanto outras continuam aguardando respostas.
Com a continuidade de alguns governos e a chegada de novos dirigentes, não seria oportuno revisitar essas questões, avaliar o que foi realizado e identificar o que ainda precisa ser feito?
E não estamos falando apenas de responsabilidades governamentais. As entidades, empresas e profissionais do setor também têm sua parte nessa tarefa.
Entre tantas questões, destacamos algumas prioridades que merecem uma reflexão e, principalmente, encaminhamentos concretos.
1. POLÍTICA FLORESTAL DE ESTADO
Temos diferentes políticas públicas envolvendo e direcionadas aos diferentes segmentos do setor florestal. Mas conseguimos integrá-los numa estratégia nacional, com prioridades, metas e continuidade entre governos?
Nosso setor reúne segmentos com objetivos e necessidades diferentes. Entretanto, existem questões e interesses comuns que poderiam fundamentar uma política florestal de Estado.
Quem tomaria a iniciativa de identificar esses interesses comuns e transformá-los numa proposta de longo prazo?
2. PRODUTIVIDADE E ABASTECIMENTO DE MADEIRA
Novas indústrias, novas fronteiras florestais e novos usos da madeira ampliam continuamente a demanda por matéria-prima.
Estamos avaliando adequadamente a capacidade produtiva das diferentes regiões, especialmente diante das limitações de solo, clima e disponibilidade hídrica?
A Expedição Silvicultura trouxe informações de campo que merecem especial atenção. Estamos considerando esses resultados no planejamento da expansão florestal e do abastecimento futuro de madeira?
Estamos crescendo com segurança quanto à disponibilidade futura de madeira ou transferindo riscos para os próximos anos?
3. PRODUTORES E PRESTADORES DE SERVIÇOS
Pequenos e médios produtores, programas de fomento e empresas prestadoras de serviços são fundamentais para o desenvolvimento da atividade florestal.
O que estamos fazendo para ampliar seu acesso a financiamento, assistência técnica, qualificação profissional e condições justas e seguras de continuidade dos trabalhos?
Existem experiências muito bem-sucedidas, nas quais as relações comerciais evoluíram para verdadeiras parcerias, fundamentadas no respeito, na competência e na responsabilidade. São exemplos de bons relacionamentos que dignificam a silvicultura. E merecem ampla divulgação e valorização, pois contribuem diretamente para a qualidade das operações e produtividade florestal.
Por que não ampliar essas experiências e transformar os elogiáveis exemplos em referências para todo o setor?
4. PRODUÇÃO, CONSERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
Temos enormes oportunidades nas florestas plantadas e nativas, no manejo sustentável, na restauração florestal e nos serviços ambientais.
São atividades que podem contribuir para a produção, a conservação dos recursos naturais, a geração de renda e o desenvolvimento regional.
Mas estamos conseguindo integrar essas oportunidades e transformar esse potencial em programas concretos e que possam trazer, de fato, benefícios econômicos, sociais e ambientais a toda sociedade?
O que falta para aproximar ainda mais produção, conservação e desenvolvimento?
5. INTEGRAÇÃO INSTITUCIONAL E COMPROMISSO COM RESULTADOS
Temos entidades representativas, universidades, instituições de pesquisa, empresas e profissionais experientes, com enorme capacidade de contribuição.
Entretanto, ainda encontramos dificuldades para reunir essas competências, estabelecer prioridades comuns e apresentar propostas integradas aos governos.
Não se trata de substituir entidades ou desconsiderar suas atribuições e conquistas. Trata-se de identificar interesses comuns, respeitar as diferenças e construir iniciativas conjuntas.
Quem poderia assumir a articulação desse esforço coletivo? E como assegurar que as propostas resultem em compromissos, ações e resultados?
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Essas prioridades não esgotam os desafios do setor florestal brasileiro. Representam, entretanto, questões conhecidas há muitos anos, que merecem ser revisitadas, avaliadas e encaminhadas.
Não se trata de desconhecer conquistas, desmerecer instituições ou transferir responsabilidades exclusivamente aos governantes. Trata-se de reconhecer que problemas conhecidos exigem iniciativas, responsáveis e resultados concretos.
A continuidade administrativa deveria significar também a continuidade dos compromissos. E as entidades, empresas e profissionais precisam participar não apenas das discussões, mas também da construção das propostas e do acompanhamento de sua execução.
Temos conhecimento, experiência, instituições e capacidade para avançar. Mas quem tomará a iniciativa de reunir essas competências e construir uma agenda comum de prioridades para o setor florestal brasileiro?
A vida continua. O setor cresce. Os desafios permanecem, e muitas vezes, com “cara nova”.
Cuidar do setor florestal é também cuidar do seu futuro. E essa responsabilidade é de todos nós!
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br