O Apagão Florestal da Crise!

Nos últimos meses a silvicultura brasileira viveu momentos de expectativas, que há anos não vivia! Continuam as discussões sobre o Código Florestal, alguns insistem  na retirada da silvicultura da alçada do Ministério do Meio Ambiente,  mas uma questão criou uma tremenda desordem no setor e aparentemente já está passando e com certeza, num prazo muito curto, não se fala mais nisso! Estamos falando da crise econômica internacional, que abalou a todos, e que criou inúmeras dificuldades para a silvicultura.  Dificuldades passageiras, que foram previstas, como tal, por muitos profissionais do setor. E como serão os problemas gerados? Não há nenhuma estatística confiável que mostre a dimensão do problema. Mas com um pouco de informações, uma dose maior de curiosidade e alguma vivência no setor é possível chegar-se a algumas conclusões. Vamos tocar apenas no problema principal  e seus desdobramentos: criou-se um buraco no estoque de madeira, que vinha sendo formado com os novos plantios; muitos prestadores de serviços e produtores de mudas quebraram; e programas de fomento e fomentados transformaram-se de parceiros em problemas jurídicos!  Há dados informativos mostrando, que nos anos de 2005, 2006, 2007, os programas de plantio chegaram ao redor de 600.000 h/ ano e dos quais, cerca de 30 %, foram realizados através de programas de fomento.  É difícil quantificar  o número  de fomentados insatisfeitos e que foram banidos do setor.  Mas voltando ao tamanho do buraco, que num determinado momento poderá surgir no suprimento de  madeira, a médio e longo prazo, o “apagão florestal da crise”. As informações das grandes empresas, responsáveis pelos maiores programas de plantio ou reforma , dos viveiros de produção de mudas, dos fornecedores de insumos, como herbicidas, adubos e formicidas ,mostraram que a programação de 2008/2009,  deve ter sido reduzida  de  30 a 40%, ou seja, 180 a 240.000 ha deixaram de ser plantados.   Essa floresta, que não foi plantada, deveria produzir o equivalente a volume próximo  de 40 ( quarenta) milhões de metros cúbicos de madeira.  E para essa previsão, estamos admitindo uma produtividade conservadora de 30 metros cúbicos/ha/ano e produção de 200 metros cúbicos por ha, com corte aos 7 (sete) anos. Essa madeira irá faltar para a produção industrial já instalada, para eventuais expansões ou para as duas alternativas. Se o abalo atingiu só 2008/2009  essa é a encrenca do “apagão florestal da crise”. Se, no entanto, houver ainda, a ressaca da crise, causada pelas mudanças nas empresas e pirotecnias dos pós-crises, e a programação de 2009/2010 for afetada também, esse número poderá ser ainda maior! Nada que acabe com as indústrias de base florestal, mas as empresas estarão diante de uma gigantesca  superação, que vai custar muito mais, do que as economias, que provocaram o desaquecimento instantâneo dos programas operacionais.  O custo dos prejuízos causados junto a fornecedores de serviços, de mudas e fomentados não dá nem para  quantificar! A silvicultura estará, portanto, lá na frente, diante de mais um  grande desafio. Como recuperar essa produção perdida? Cortando-se precocemente as florestas existentes?  Atraindo novos fomentados  com uma moderna e sofisticada linguagem e  justificativas vantajosas ? São perguntas, ainda sem respostas definidas, e que deverão preocupar os silvicultores, a médio prazo. As soluções caberão a profissionais, que, em muitos casos, não tiveram nada a ver  com as decisões tomadas  na crise e no pós-crise, mas  que, com certeza, terão que  encontrar  uma saída!  Para não piorar a  situação, espera-se que a silvicultura brasileira reveja com a maior rapidez possível, as lições vividas e não se deixe levar por pirotecnistas, produtores de planilhas mágicas, com múltiplas soluções e com matemática de última geração. Tudo com exatidão centesimal, mas sem considerar  e respeitar as pessoas que fazem e a realidade biológica da produção florestal.  E tudo para o presente! Se, lá na frente, as fábricas  tiverem problemas de abastecimento, se os custos se elevarem e se a sociedade  continuar questionando a silvicultura, não há porquê  se preocupar!  Na ocasião, outros resolverão esses problemas!  Esses registros são importantes para se evitar que, lá na frente, sejam colocadas  as mesmas justificativas  de sempre  para problemas tão comprometedores: até lá, um outro Ministério será responsável pela falta de políticas governamentais; limitações impostas pelas legislações complexas ;  falta de financiamentos e por aí vai…. Lembrar  e penalizar as decisões do passado, nem pensar, até porque, de fato, de nada adiantará! A silvicultura brasileira tem um extraordinário potencial para crescer e se desenvolver de forma sustentável, mas tem um limite de tolerância e de capacidade de recuperação!

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Sem Queda de Braço!

A silvicultura brasileira surgiu, expandiu-se e tornou-se referência em nível internacional, respeitando as regras estabelecidas pelo atual Código Florestal. Isso não significa que o setor não tenha sugestões para mudanças. Houve significativa evolução da ciência florestal, nos últimos 40 anos e muitos conhecimentos científicos precisam ser incorporados ao Código. Deveria ser um processo natural! Uma ampla discussão, que envolva as universidades e as instituições de pesquisas florestais, com certeza, poderá redundar em sugestões com pleno embasamento científico para serem incorporadas ao Código.  Temos dificuldades que precisam ser superadas para promover o crescimento do setor.  Há necessidade de uma legislação federal descentralizadora, e ninguém pode negar a falta de diretrizes estratégicas, políticas públicas e a  imprescindível simplificação do complexo processo de licenciamento das atividades silviculturais, em muitos estados. Mas essas dificuldades, na verdade, não serão resolvidas com as mudanças, que estão sendo preconizadas  para o Código Florestal.  Os licenciamentos, por exemplo, são questões a serem resolvidas em nível de CONAMA. Quanto à  Reserva Legal, não há duvidas! Cabe uma discussão, quanto à dimensão, localização e eventual utilização. Mas mesmo assim, à exceção da Região Norte, a existência da Reserva Legal está longe de ser uma limitação  para o crescimento da atividade. Talvez, uma das mais importantes discussões para a silvicultura, seja a ocupação de áreas montanhosas , pela dificuldade de se definir de forma objetiva o que é TOPO de MORRO. Em regiões montanhosas, na maioria dos casos, impróprias à agricultura, a silvicultura pode se instalar sem dificuldades operacionais e promover a proteção dessas áreas, muitas delas, atualmente, desprovidas de qualquer cobertura. Os benefícios sociais, econômicos e ambientais serão imensuráveis, especialmente aos mananciais hidrográficos dessas regiões. A silvicultura brasileira tem tecnologia para ocupar áreas montanhosas, protegendo os topos de morros e mais importante ainda, dando estabilidade às sensíveis encostas! Mas é preciso que as regras estejam claras e não fiquem sujeitas à abstração e subjetivismo de avaliações pontuais. Nesta questão, o setor está enriquecido de argumentos para fazer suas próprias reivindicações. E com certeza,como já tivemos demonstrações , em ocasiões anteriores, ainda poderemos contar para esse objetivo ,  com o apoio de expressiva parcela de ambientalistas. E a regulamentação sobre TOPO de MORRO, também é matéria da alçada do CONAMA. Temos dificuldades com  a complexidade das legislações estaduais e a diversidade de regulamentações, através de resoluções e portarias de órgãos estaduais. Eessas são questões do SISNAMA. Acreditar que com mudanças do Código Florestal iremos superar as limitações  para o crescimento  da silvicultura, pode parecer  falta de se conhecer o que precisa mudar, como mudar e quem deve mudar! Se não identificarmos as nossas prioridades e atuarmos com objetividade nessas questões pontuais, poderemos nos desgastar numa discussão, repleta de revanchismos e radicalismos e que pouco tem a ver com as reais necessidades do setor florestal! É bom lembrar  também, que temos, voluntariamente, grande parte de nossas florestas plantadas sob a égide de rigorosos sistemas de certificação e, reiteradas vezes, e com certo orgulho, mostramos em nossos discursos, que somos exemplo de atividade rural sustentável. Simplificar o cipoal de regulamentações, que envolve a silvicultura é uma necessidade inadiável, que precisa ser negociada, em diferentes estados e com diversos atores. E sem pancadaria!  É um problema da silvicultura e que precisa ser resolvido pelos silvicultores. São questões específicas e que tem pouco a ver com essa queda-de-braço entre ruralistas e ambientalistas!  E lembrando: o atual  Código Florestal foi elaborado por uma equipe, que contou com a participação de brilhantes silvicultores!

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Premissas Relevantes!

A evolução tecnológica, social e ambiental da silvicultura, nos últimos 40 anos, foi espetacular! Quase que  triplicou a produtividade ( de aproximadamente 15, passou-se para mais de 50 metros cúbicos/ha/ano , em algumas regiões), o uso múltiplo da madeira de pinus e de eucalipto, o elevado nível de mecanização da colheita, a aceitação espontânea da certificação florestal como  referência na direção da sustentabilidade, o crescimento dos programas de fomento e o respeito que os fomentados alcançaram em algumas  empresas,etc., são exemplos bem distintos e que servem  para mostrar como a evolução da silvicultura se deu em todas  as direções: econômicas, sociais e ambientais. Algumas premissas  foram marcantes nessa evolução. A seleção dessas premissas, sem nenhuma dúvida, estará sujeita às considerações subjetivas, mas é muito importante, que alguns registros sejam assinalados para se evitar, que nessa ou noutras crises, que eventualmente, tenhamos que enfrentar, não esqueçamos dos avanços  alcançados pela silvicultura e evitemos, com todas as forças,  que qualquer decisão  governamental ou empresarial,  possa causar prejuízos e impactos negativos ao  árduo processo evolutivo da atividade!  Registramos como premissas relevantes: a busca permanente pelo aumento qualitativo e quantitativo da produtividade; a evolução tecnológica para o uso alternativo da madeira; a agregação de valores ambientais aos procedimentos operacionais; a valorização da mão-de-obra e a qualidade do emprego florestal; o respeito aos processos de certificação florestal; a integração do fomentado florestal ao processo produtivo; o respeito às legislações vigentes.  A lista é muito maior e vai depender sempre de uma boa dose do subjetivismo profissional para selecionar ou se comprometer com essa ou aquela premissa. As assinaladas, acima, com muita certeza, tem o apoio de grande parte dos silvicultores comprometidos com o desenvolvimento sustentável da silvicultura!

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Fomento e o Preço da Madeira

Uma justa remuneração da madeira produzida  a pequenas distâncias das fábricas pode se transformar no melhor instrumento para alavancar as atividades de fomento florestal no entorno das indústrias consumidoras. Sabe-se que existe uma diferença muito grande no custo da madeira transportada de 100, 250 e 500 km. Há diferenças  superiores a 70%! Sabe-se, também, que menos de 50% dos estoques de madeira das diversas indústrias  se encontram  em raio  inferior a 100 km das fontes consumidoras. O raio de 100 km compreende  área total de aproximadamente  3 milhões de há,  o que torna mais fácil abrigar programas de fomento de  40, 50 ou 60 mil ha  em áreas ociosas (cerca de2% da área total !) Com certeza, um programa de fomento que transfira parte do custo de transporte da longa distância  para o valor da madeira em pé do entorno da fábrica, teria uma enorme chance de atrair proprietários rurais interessados  na diversificação da produção rural. A atividade de silvicultura com essa agregação de valor  pode se tornar extremamente atraente! Infelizmente, nos dias atuais são raros os casos em que se dá à “madeira de quintal “ a justa e distinta remuneração! Uma mudança de atitude nesse sentido, poderia provocar profundas alterações no perfil da atividade: menos custos de transporte, menos consumo de energia, menos poluição, menos gastos com conservação de estradas, menos riscos de acidentes, mais renda aos produtores rurais, melhor utilização de terras ociosas, mais racionalidade  na  produção de madeira, mais valorização para a silvicultura,  mais competitividade para as florestas plantadas brasileiras!

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Uma Vitória que Desmonta!

Histórias que precisam de registros…… Por volta de 2004,um pouco antes do Congresso Florestal Brasileiro, na ocasião, como presidente da SBS, fui procurado por um associado , que pretendia ser presidente da SBS.  De forma muito democrática e educada solicitou, sem muitos rodeios, que se tomassem todas as providências para que durante o Congresso ele fosse empossado como Presidente da SBS. Faça assim, convide fulano, convoque ciclano, ponha ali, tire daqui…..tudo bem democrático e compartilhado! Houve até algumas recomendações para que tudo se cumprisse, conforme o solicitado, sob pena de, em caso de uma eventual desavença, de se amargar alguns constrangimentos futuros!  Uma humilhação a entidade e a todos os seus associados. Um desrespeito sem tamanho!  Pretendia-se tomar a SBS para usar a sua credibilidade  na luta por reinvindicações  polêmicas e contrárias aos princípios da entidade. Chegaram as eleições e mais um candidato surgiu. Todos os formalismos foram respeitados. Convocação feita, eleição realizada, 45 eleitores, aparentemente, uma disputa bem dividida. v Votos apurados: candidato A- zero voto; candidato B – 45 votos! O mais incrível dessa história é que nem alguns representantes sabidamente  favoráveis ao candidato  tiveram coragem de votar no próprio!  Logo, em seguida, alguns meses apenas, a SBS começou a perder associados  e ficou a sensação  mais de uma derrota do que  de uma vitória. São vitórias que desmontam! São desafios indesejáveis que criam constrangimentos  e que precisam ser barrados para não por em risco a dignidade e respeito de todos que sempre colaboraram com a SBS.

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Uma Negociação Frustrada

Histórias que precisam de registro….!   Por volta de 2002,  a SBS conquistou uma vaga no Conama, como representante do setor florestal produtivo. Conquista alcançada depois de anos de reivindicações e que só se concretizou pelo apoio de ilustres conselheiros, que já conheciam o trabalho da SBS de muitos anos. Naquela época, estava na pauta das discussões o assunto “Topo de Morro”.Tivemos inúmeras  reuniões preparatórios,discussões de casos, apresentações de relatórios técnicos, palestras de especialistas e até visitas de campo com conselheiros do Conama. Inegavelmente, foram discussões acaloradas, mas muito esclarecedoras para todos os participantes. A SBS ficou encarregada de juntar documentos e preparar argumentos técnico- científicos que permitissem a elaboração de uma Resolução que criasse alternativa para utilização das áreas de Topo de Morro com silvicultura. Foi um trabalho intenso, em que se valorizou, acima de tudo, a ciência florestal e que contou com a colaboração de pesquisadores, profissionais de diversas empresas e professores universitários. Ao final de alguns meses, estava construída uma minuta de resolução, que juntava os interesses da grande maioria dos membros da Comissão Técnica designada para tal. A silvicultura, por fim, estava apta a ocupar topos de morro com condicionantes factíveis e sem grandes impactos em seus procedimentos operacionais. Na sequência  dos encaminhamentos rotineiros e para surpresa de todos,  foi criada uma situação bastante constrangedora, em função da solicitação de representantes dos agricultores, exigindo que a negociação feita com a silvicultura também contemplasse a agricultura perene e a pecuária. O constrangimento maior não se deu nem pela solicitação, mas pelo  momento em que surgiu! Em todo o processo e  em todas as discussões não houve nenhuma manifestação, contribuição ou  reinvindicação de nenhum representante de qualquer setor.  Até então, era um assunto de interesse exclusivo da silvicultura! Conclusão: melou-se a discussão e voltou-se à estaca zero! Independente de certo ou errado, a silvicultura  depois de tanta luta e  discussões, sempre sozinha, perdeu a parada. É importante o registro, de que esse avanço e entendimento de mérito, só conseguiu apoio  graças à identidade e características próprias da silvicultura. A discussão, com todo mundo junto, continua até hoje…… sem a participação da SBS!  A SBS continua como segunda suplente de uma vaga conquistada por ela e há anos não é convidada a participar de um rodízio, também sugerido por ela, visando dar oportunidade para mais entidades  conhecerem o importante e estratégico trabalho junto ao Conama….., mas a vida continua!

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Histórias que Precisam de Registros…

A silvicultura brasileira tem vivido episódios, na maioria das vezes, de total desconhecimento do setor e que precisam ser registrados para aprendizado de todos. São registros, que com certeza, evitarão erros futuros  e  indevidas interpretações de acontecimentos marcantes para o setor. Sem pretenção de julgar, iremos oportunamente, mostrar as curiosidades que tivemos oportunidade de conhecer. Pessoas, fatos, decisões, discussões,etc, enfim, o dia-a-dia das atividades empresariais, organizacionais e institucionais do setor. Chamaremos sempre de… Histórias que precisam de registros…… Iniciamos com

As florestas plantadas e o Serviço Florestal Brasileiro

Histórias que precisam de registro……! A criação do Serviço Florestal Brasileiro foi precedida de fatos inusitados. Sob a coordenação do Eng. Tasso Azevedo Rezende e sob o rigor ético da Ministra Marina Silva, vivemos mais de 2 anos numa intensa luta de perseverança, de idealismo e com descomunal entusiasmo. Há fatos para surpresas, para risos e decepções  para todos e em quase tudo. É lógico,  que vamos selecionar  só os que se relacionam ao setor de florestas plantadas.  Entre muitos, dois merecem destaques especiais: as entrevistas com dois  deputados federais esalqueanos  e as negociações com dois representantes setoriais. Fui muito tentado a dar os nomes dos envolvidos, mas também, insistentemente a não  fazê-lo, até porquê nada acrescentaria aos fatos. No caso dos deputados, de um tivemos muitas perguntas, muitos questionamentos, muitas orientações e até um surpreedente oferecimento para relatoria. Foram contribuições muito valiosas. De outro, tivemos  só elogios, tudo compreendido, acatado…. e muitos.. que beleza! No final,  esse deputado muito agradecido e satisfeito com as informações apresentadas, foi o autor do maior número de emendas no texto original. Não contribuiu em nada e quase atrapalha tudo. Dois contrastes, duas surpresas, ficaram as amizades e um amigo!  Nas negociações com setor de florestas plantadas, a grande dúvida restringia-se a inclusão ou exclusão da expressão… com exceção das florestas plantadas. Num trecho da legislação, entre as atribuições do Serviço Florestal Brasileiro lia-se….cabe isso mais aquilo….. com exceção das florestas plantadas! Na ocasião, estávamos definindo se entre as atribuições do Serviço Florestal  caberia ou não lidar com florestas plantadas. Tivemos reuniões, discutimos os prós e contras e aparentemente, não havia nenhuma dúvida. Tudo acertado, nenhuma discordância  e mãos apertadas. Fomos, então, ao encontro do deputado federal encarregado de definir junto aos representantes setoriais  a inclusão ou não das florestas plantadas no Serviço Florestal Brasileiro. Estávamos todos juntos no gabinete do referido deputado,  quando ouvimos algumas inoportunas considerações e a mais surpreendente de todas…..apoiamos o projeto, mas recomendamos que a expressão com exceção das florestas plantadas seja mantida! Nesse momento, eu e o Eng. Joberto ficamos amarelos e……fomos embora!

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Uso da Reserva Legal

Dar uso econômico à Reserva Legal, talvez seja um dos mais importantes e estratégicos desafios da silvicultura brasileira. A manutenção das áreas de reserva nas propriedades tem sido muito questionada, inclusive com respeito a sua própria eficácia como instrumento de proteção ambiental. Há muitos exemplos, nos empreendimentos florestais, em que as reservas são locadas com planejamento e técnica, e aí tornam-se indiscutíveis os benefícios ambientais, até para a própria proteção das áreas plantadas. Salvo essas exceções, quase que exclusivas da silvicultura, o mais, no meio rural, o uso da reserva legal é cercada de polêmica , polêmica e mais polêmica. Esse quadro precisa ser mudado e novamente a silvicultura é a atividade, que está  mais próxima de encontrar uma alternativa ! Há muitas informações científicas esparsas  a respeito de espécies nativas,diversas oportunidades para modelos, que preservem estoques de carbono, opções para colheita de produtos alimentícios ou de valor medicinal e até  a disposição de investidores na preservação da rica biodiversidade natural.Aparentemente, falta o empreendedorismo empresarial, sempre muito presente na silvicultura brasileira e que com certeza,  a curto prazo, irá encontrar solução para um problema, que tem tudo para se transformar em oportunidade!

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Preço da Madeira como Alavancagem do Fomento Florestal

Uma justa remuneração da madeira produzida  a pequenas distâncias das fábricas pode se transformar no melhor instrumento para alavancar as atividades de fomento florestal no entorno das indústrias consumidoras. Sabe-se que existe uma diferença muito grande no custo da madeira transportada de 100, 250 e 500 km. Há diferenças  superiores a 70%! Sabe-se, também, que menos de 50% dos estoques de madeira das diversas indústrias  se encontram  em raio  inferior a 100 km das fontes consumidoras. O raio de 100 km compreende  área total de aproximadamente  3 milhões de há,  o que torna mais fácil abrigar programas de fomento de  40, 50 ou 60 mil ha  em áreas ociosas (cerca de2% da área total !) Com certeza, um programa de fomento que transfira parte do custo de transporte da longa distância  para o valor da madeira em pé do entorno da fábrica, teria uma enorme chance de atrair proprietários rurais interessados  na diversificação da produção rural. A atividade de silvicultura com essa agregação de valor  pode se tornar extremamente atraente! Infelizmente, nos dias atuais são raros os casos em que se dá à “madeira de quintal “ a justa e distinta remuneração! Uma mudança de atitude nesse sentido, poderia provocar profundas alterações no perfil da atividade: menos custos de transporte, menos consumo de energia, menos poluição, menos gastos com conservação de estradas, menos riscos de acidentes, mais renda aos produtores rurais, melhor utilização de terras ociosas, mais racionalidade  na  produção de madeira, mais valorização para a silvicultura,  mais competitividade para as florestas plantadas brasileiras!

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Crise: Novo Apagão Florestal, lá na Frente !

No início da década atual, a  discussão sobre  o apagão florestal era tema obrigatório em reuniões do setor. O assunto só deixou a pauta das discussões, nos últimos quatro anos, quando se observou significativo aumento nas áreas plantadas. Saímos de uma área plantada em torno de 350.000 ha para 600.000 ha/ano. É lógico que esse aumento de plantio, ainda não influenciou em nada a disponibilidade de madeira, mas foi o suficiente para calar a discussão ! Ficou, portanto, faltando uma explicação mais embasada para justificar o desespero do anunciado apagão florestal. Esse tema foi trazido às discussões por inúmeros profissionais, até que se tornasse uma “bandeira do setor”. Um dos pronunciamentos importantes, que ajudou muito a incrementar as discussões, aconteceu, numa reunião da SBS, em 2000, quando o então Diretor do Programa Nacional de Florestas, Eng. Raimundo Deusdará, abordando as questões que limitavam o crescimento da atividade, chamou a  atenção dos presentes para uma eventual falta de madeira,  a que  chamou  de apagão florestal, à semelhança do tão propalado apagão energético da época! Dali para frente, esse problema, que realmente, existiu para alguns segmentos, especialmente para o de madeira serrada, passou a ser conclamado como o grande problema setorial, de muitas empresas, e acima de tudo, como justificativa para qualquer sinal de crise no abastecimento de madeira para inúmeros consumidores . Com muita ou pouca razão, o fato é que algumas empresas sentiram a falta de madeira, pela opção A, que se deu pela expansão da produção industrial sem planejamento, pela opção B, em função de uma prospecção de madeira que não existia no mercado, ou pela opção C, que somava  A e B. Esse misto de tudo, varreu todos os estoques disponíveis de madeira, até distâncias superiores a 1000 km dos centros de consumo. Espécie, idade e distância  deixaram de ser problemas. Madeira de preço alta era aquela que não existia. Passaram-se os anos, equilibrou-se a situação, o setor reacendeu-se e o apagão ficou para o passado!

Nos dias atuais, estamos iniciando um novo ciclo! Começa a fazer parte obrigatória das discussões setoriais  a os efeitos da crise internacional e os desdobramentos sobre as atividades silviculturais. Independente de qualquer discussão, já se dá como certa a paralisação de inúmeros programas de plantio, de reformas, de fomento, etc. Em menor escala, até os programas de colheita de algumas empresas estão diminuindo suas cotas , alterando áreas de corte para menores distâncias, mesmo que essas alterações impliquem na redução da idade de corte. Tudo pela redução de custos! Vamos passar a consumir os estoques, mas sem a devida reposição! O setor não vai acabar, e sempre será possível alguns remanejamentos na condução das florestas para minimizar os impactos. Ainda bem! Só não será possível  fazer surgir a madeira desses milhões de árvores que deixarão de ser plantadas. Há um determinado tempo, quando a economia se equilibrar e as produções industriais  partirem para alcançar os festejados recordes de produção, com certeza,  essa madeira vai fazer falta ,e a bola da vez voltará a ser o apagão florestal! E será uma situação muito mais complicada que a anterior, pois não temos mais aqueles estoques marginais, nem a 1000 km para serem adquiridos.  É muito difícil adivinhar a época da gritaria, mas com certeza, os gritos e reclamações virão.  Talvez de outros, que não terão nada a ver  com  essas decisões   de paralisar as atividades silviculturais!  Com certeza, ouviremos as mesmas lamúrias, que estamos cansados de ouvir: falta de atitude dos governantes, falta de mecanismos de estímulo,burocracia,insensibilidade , falta disso ou daquilo!Poderá surgir até quem reclame da inoperância de algum novo Ministério, que deverá estar abrigando a atividade, lá na frente! Tudo poderá acontecer, mas a única certeza que se tem, é que poucos irão lembrar  dos responsáveis pelas paralisações  que estão acontecendo, e que não estão dando a menor importância para as encrencas que virão no futuro!

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