SILVICULTURANDO – SE

Neste final de semana,em Piracicaba,em festa comemorativa de 45 anos de formado – turma do A – 70 – tive chance de conversar com amigos silvicultores, que fizeram comentários interessantíssimos a respeito do setor e da oportunidade que se abriu com a “COMUNIDADE DE SILVICULTURA” para divulgação de técnicas silviculturais e sugestões diversas. Diante dessas considerações,reitero o convite para participarem e mandarem sugestões. Destacaram a importância de se falar sobre a silvicultura nas novas regiões, as oportunidades e eventuais dificuldades; o comportamento dos clones nessas regiões; a possibilidade de se trabalhar com novos materiais genéticos; as implicações dos compromissos assumidos pela nossa Presidente na ONU,etc. Foi muito mencionada a relevante colaboração do Proessor Helládio do Amaral Mello, como um dos grandes responsáveis pelo sucesso da silvicultura brasileira. E um importante lembrete :”não vamos deixar de mencionar os seus inúmeros colaboradores e todos que lutaram pelo setor”
Nelson Barboza Leite

 

 

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E a bola está na frente do gol, de novo!

Mais uma vez estamos com o gol na nossa frente! Será que vamos marcar o gol? A nossa presidente foi a Nova Iorque – em reunião da ONU, assumiu um punhado de compromissos internacionais e colocou a silvicultura brasileira, de novo, numa posição de protagonismo! Sem muitos detalhes numéricos, é fácil, somando-se reflorestamento ,recuperação, integração disso mais aquilo, perceber-se que estamos falando em plantios em torno de 1 milhão de hectares/ano para os próximos 15 anos!!!! E quem está prometendo é a nossa Presidente, que em seu discurso, na abertura da Assembleia Geral da ONU ( 28/09/2015), disse:

“A ambição continuará a pautar nossas ações. Por isso, anunciei ontem, aqui na ONU, nossa INDC [ – Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada, na sigla em inglês – ]. Será de 43% a contribuição do Brasil para a redução das emissões de gases de efeito estufa até 2030, com base em 2005. Neste período, o Brasil pretende o fim do desmatamento ilegal; o reflorestamento de 12 milhões de hectares; a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; a integração de 5 milhões de hectares de lavoura, pecuária e florestas” .

E mais interessante ainda. Essas promessas,com certeza,têm o respaldo de nossa Ministra da Agricultura, que gosta de falar e de fazer! Temos, portanto, compromissos internacionais a serem cumpridos. E agora? Quem vai puxar esse programa? Mais uma vez, estamos na frente do gol! Será que vamos dar de canela? Os próximos lances mostrarão a trilha a ser seguida. O setor não pode cruzar os braços e ficar esperando que o Governo adivinhe tudo que é preciso ser feito. Parece até que o Governo, anunciando esse desafio, levou a bola na frente do gol! Os silvicultores precisam arregaçar as mangas e batalhar! Vamos esperar que os gritos, que com certeza virão, não sejam de desespero, mas de chamamento para o desafio colocado! Ou não é conversa séria?
Nelson Barboza Leite – nbleite @uol.com.br – Diretor da Teca e Daplan, empresas de serviços florestais.

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Vista geral da Área de Produção de Sementes Híbridas de E.urograndis-NBL

A área de aproximadamente 2,5 ha está localizada em Igaratá –S.Paulo. Com aproximadamente 17 anos de idade , conta com matrizes de E. grandis e E,urophylla de procedências muito bem sucedidas em várias regiões brasileiras. A área, após desbastes seletivos, manteve somente árvores de excelente desenvolvimento. As primeiras sementes coletadas ,há mais de 10 anos, foram distribuídas a várias empresas para teste. Em algumas dessas parcerias os trabalhos de melhoramento tiveram continuidade com seleções, testes de progênies, produção e testes clonais, formação de pequenos plantios, etc. Os clones que estão sendo selecionados estão mostrando resultados altamente significativos com produtividades bem acima da média dos clones que estão sendo usados atualmente. Após as necessárias medidas para” salva-guarda legal” do material genético, e em breve, esses novos materiais genéticos estarão sendo apresentados e todas as parcerias e todos os colaboradores que participaram do nosso processo.

produção sementes sítio

 

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As Chuvas e o Fim das Discussões Sobre a Água

Há alguns meses atrás a falta de água nas torneiras das casas  transtornou  a vida de muitas famílias paulistanas! O problema se transformou numa febre pelo líquido sagrado e gerou desespero generalizado. Foram  meses em que as manchetes dos principais jornais  só   tratavam   desse assunto.  Todos foram afetados – residências, restaurantes, indústrias. Ninguém deixou de sentir, mesmo que em escala menor, o drama da falta de água. Também não faltaram acusações e justificativas. Surgiram  inúmeras soluções alternativas e propostas de trabalhos a serem executados. Até o  desmatamento e o abuso com o remanescente das matas naturais e protetoras das nascentes foi lembrado e o descuido, muito criticado! E para muitos especialistas, essa é  uma das principais razões do alarmante desastre! E também não faltaram sugestões para recuperar as  áreas desprovidas de vegetação protetora. Muitos estudos, outrora realizados e engavetados, foram colocados à mesa para discussão e  apressadas providências! Até recursos, que  sempre foram negados, começaram a pipocar daqui e dali! No meio desse entusiasmo, não faltaram os mais céticos que profetizavam – é só chover e acaba tudo! Os otimistas de plantão não se deixaram abater! E para o bem das futuras gerações, inúmeras soluções foram apontadas na direção de se restaurar a vegetação natural das regiões mais degradadas. Percebeu-se que faltam informações técnicas com  exatidão científica, mas sobram dados operacionais que permitem um início promissor de plantios com espécies florestais nativas. Muitas Prefeituras, através de suas Secretarias de Meio Ambiente foram a campo e traçaram os programas iniciais para recuperação das matas de suas nascentes. Cresceu o interesse em se estabelecer políticas  públicas pelos serviços ambientais! Muitos viveiros de mudas nativas tiveram suas vendas significativamente aumentadas. Não ficou nenhuma dúvida de que a sociedade está sensibilizada e motivada para se engajar em campanhas que visem a  restauração de nossas florestas de proteção. O trabalho pioneiro de muitas ONGS, que há anos, lutam  em prol dos plantios  de nativas, deu sinais inequívocos de seus resultados positivos. Dentre muitas, há de se destacar o incansável trabalho da SOS Mata Atlântica, que tem  grande estoque de  informações e experiência no assunto. Estão nessa luta há décadas! Mas as chuvas ameaçaram chegar e nem em quantidade satisfatória. Mas o suficiente para dar uma esfriada na  chapa! E por mais que continuem evidentes as marcas do problema, fica a sensação de que essa encrenca  passa rapidinho, se realmente, as chuvas chegarem! E ficam as inevitáveis dúvidas – algum programa  será implantado?  Como o paulistano da torneira fechada e sensibilizado pode ajudar?  E as indústrias, que quase foram paralisadas,  vão, de fato, participar  ou colaborar de alguma forma? Quem vai divulgar os programas em desenvolvimento?  Será que vamos perder  a oportunidade de se viabilizar os  programas de plantios de proteção com espécies nativas? E os governantes municipais, estaduais e federais vão esquecer  do problema?  A restauração de nossas matas de proteção não vai encher as represas e fazer jorrar água em torneiras enferrujadas, mas não  podemos deixar às gerações futuras esse mal  sem nenhuma solução ou encaminhamento! Proteger e revegetar  nossas nascentes e matas ciliares é parte básica  e essencial de um grande problema!  Parece ser um desafio a todos que pretendem melhor qualidade de vida às futuras gerações!

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Qual o Preço da Madeira?

Qual o preço da  madeira?  Essa  é a pergunta mais frequente  nas conversas  com produtores florestais! A resposta pode ser dada de várias formas: o grande empreendedor fala de R$ 45,00 a R$ 55,00 o metro cúbico em pé para viabilizar a TIR que  interessa aos investidores ; o comprador de madeira da indústria pode falar em metro cúbico posto/fábrica ou  tonelada com determinada umidade/posta fábrica, com casca ou sem casca ,etc. E tudo  seguido  de  considerações  em função da distância, dos acessos, da situação  de mercado,  e por aí vai… Há outras formas  para  tratar do assunto, mas a pergunta da maioria dos produtores  não é respondida de forma clara e objetiva! Apesar das modificações introduzidas  no mercado de madeira, uma parte significativa de produtores, ainda pensa e faz suas contas na base  da madeira cortada e empilhada ou dessa madeira em pé! E nesses casos, está se falando do “famoso e envelhecido estéreo”.  O problema, na verdade, não é a linguagem utilizada, mas a negociação que a oportunidade gera. O profissional consciente com pouco de paciência e interesse na aquisição e na satisfação do vendedor,  procura explicar as variações do negócio e mostra, objetivamente, o preço que se pretende pagar pelo estéreo – a velha referência do produtor. Multiplica isso, divide aquilo, soma, desconta e tasca o valor! Esse valor, à semelhança  do grande empreendedor,deve atender aos interesses do produtor. Deve ser suficiente para pagar as contas dos serviços para se formar as florestas, os gastos com insumos e sobrar alguma coisa para que ele continue  fazendo silvicultura. Isso é muito importante para que a atividade seja sustentável. Essa é a tal de sustentabilidade que  deve ser igual, tanto para aquele que pensa e fala  só  o  que está escrito nas planilhas, quanto  para o que, mesmo  sem planilha,  sabe as contas que precisam ser pagas! Segundo inúmeros produtores florestais consultados, o valor  que deixa, nos dia atuais, o produtor satisfeito com o negócio de produzir madeira, está na faixa de R$ 30,00 a R$ 35,00 por estéreo de madeira em pé! Comprar madeira a esses valores é a  melhor forma de se dar  sustentabilidade  à atividade. Comprar  por valor muito menor, é matar o produtor! Ele vende por falta de informação ou extrema necessidade, mas  na primeira oportunidade, ele sai do negócio! Há informações de que grandes quantidades de madeira estão sendo negociadas por valores, até inferiores,  a R$ 20,00 por estéreo de madeira em pé!  É impossível mudar as leis de mercado – sempre haverá  compradores aproveitando  oportunidades –   mas é, sem nenhuma dúvida, tremenda maldade, submeter  o produtor a tais negociações!  Podem  existir inúmeras  justificativas  para tal procedimento –  sobra de madeira,  distância e custo de transporte  ,  condições de  colheita, retração do  consumo,  economia do país, etc. E até  um “jeitoso blá  blá” que transforma  a compra  num  grande favor  ao desesperado produtor! Mas não há nenhuma dúvida , quanto ao impacto negativo dessas compras! Madeira adquirida por  preço “danado de ruím”,  mata o produtor e cria uma péssima imagem à silvicultura. Parece que disso ninguém duvida!  E essa preocupação fica mais viva nos dias atuais, quando se fala muito de madeira para energia! E surge de todo lado, gente que nunca viu um pé de eucalipto, não  tem a menor  noção  do que é  fazer floresta e  sai à cata de  florestas dos pequenos produtores. Esse pessoal  faz  a conta de trás para frente para viabilizar o empreendimento industrial  e chega a valores ridículos para a madeira. Tudo com a indicação matemática  das perfeitas, bem elaboradas  e “  EXCELentes planilhas”. E o pior é que encontram produtores mal informados ou extremamente necessitados, que  vendem  suas florestas. São negócios insustentáveis  que causam, no curto prazo, tremendo impacto negativo à silvicultura brasileira, que muitos lutam  para que se torne exemplo de sustentabilidade para  o meio rural brasileiro!

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A Silvicultura, as Pessoas e a Produtividade

Numa  conversa entre profissionais, como sempre acontece, algumas informações preciosas se destacam. Essa “prosa técnica” sempre  produz pérolas inesquecíveis e que merecem registros. Fazem parte do  dia-a-dia de empresas e profissionais, tocam no direcionamento de empreendimentos e até no bolso de investidores. Depois de uma repassada rápida pelos assuntos do momento, veio à discussão o velho e surrado tema – a produtividade das florestas! E como é de se esperar, a cada momento, com roupagem nova – desta vez, três (3) colocações se destacaram:  o distúrbio  fisiológico dos clones; a  escassez de  materiais genéticos alternativos e  o papel das pessoas que comandam os empreendimentos!  Esse destaque se deve à provocação feita  por  um dos presentes – o seu diretor é do tipo “corta-corta” ou do tipo “parece uma boa ideia”?  E completou – um desmancha sozinho, o outro  precisa de uma equipe para construir! Foi uma conversa com muitas informações, sugestões e críticas. Um punhado  de “ouviu dizer”, que, no mínimo, serve  de alerta para quem planta ou se responsabiliza por empreendimentos florestais! O declínio de produtividade de alguns clones  foi apresentado como a última e mais recente explicação para a queda de produtividade, que  vem sendo anunciada em algumas regiões consideradas, até então, como de altíssimas produtividades – mais de 50 metros cúbicos/ha/ano . Para uns, uma bela justificativa para os cortes nas adubações e  nos serviços de manutenção, para outros,  um verdadeiro distúrbio fisiológico que vai  trazer sérios problemas aos cultivos clonais.  Enfim, um desafio aos pesquisadores, atualmente, deixados um pouco à distância de importantes  problemas de campo.  Sem  embasamento  de um especialista, e sem maiores explicações científicas, naquele momento da prosa, pesando daqui e dali, ficou valendo a opinião  dos que  defenderam, que o problema tem grande chance de ser  consequência  do corta-corta! Essa conclusão serviu de gancho para chamar atenção à pobreza de material genético que se  dispõe no mercado.  Algumas citações curiosas –  mesmos clones plantados no norte e no sul do Brasil; clones  migrando de uma empresa para outra com identificação  diferente; a quantidade de pragas e doenças nos plantios clonais; a variação de preço  e de qualidade das mudas nos diversos viveiros – e aqui, não se faz a menor cerimônia  para se mencionar esse ou aquele produtor. Essas colocações mostram  que  o trabalho de silvicultura com clones, ainda tem um espaço muito  grande para pesquisas e experimentações. Foi destacada a quantidade restrita de clones utilizados e a extinção das populações que possibilitariam a produção de novos  materiais genéticos. Esse é um  trabalho desafiador aos pesquisadores! Com muito cuidado, foi colocado –  “mas enquanto não  existem informações científicas para essas dúvidas,  torna-se indispensável  muita  cautela, atenção e acompanhamento técnico permanente em todo o ciclo da floresta clonal. É coisa para profissionais e não cabe adivinhações”! E essa valorização do trabalho profissional provocou uma avaliação das pessoas que comandam os empreendimentos florestais – é do tipo que só corta ou é do tipo que estimula a criatividade! E não faltou o conciliador – depende do momento! Foi  o suficiente para que esse nosso amigo  fosse massacrado! Pelas contestações da maioria dos presentes,  ficou  evidente, que  o  impacto negativo de um ”corta-corta” no comando do empreendimento florestal é imensurável.  O “corta-corta” implanta e alimenta a disputa mesquinha, a desconfiança e a desmotivação. Desmonta equipes e é incapaz de prever os seus consequentes desdobramentos. Sacramenta o desrespeito às  necessidades básicas da silvicultura, que vai, lá na frente, afetar a produtividade das florestas.   Foi lembrado – “todos os procedimentos  técnicos passam pela  tesoura do  “todo poderoso”, que sempre tem  sabedoria para dar sugestões mais “ óbvias” e baratas. Tudo passa  pelo crivo da matemática indiscutível, mas  de  lógica  inexplicável. E as preocupações biológicas se transformam  em “ frescura de   engenheiro para   justificar gastos com procedimentos sofisticados”.  E assim, vai em frente”!  A conversa foi concluída quando alguém lembrou – a história tem mostrado, que é assim, que  começa o fim de grandes empreendimentos! No final da conversa, uma unanimidade – a silvicultura brasileira  alcançou o  elevado estágio de desenvolvimento, por poder contar com o esforço e incansável dedicação de excelentes comandantes do tipo “parece uma boa idéia”, à frente de  grandes empreendimentos florestais!

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A Silvicultura e a Otimização dos Procedimentos

A produtividade das florestas plantadas evoluiu de forma significativa nos últimos 50 anos.  Saímos  de próximo de 15, nos anos 60, e já se fala em 40/45 metros cúbicos/ha/ano, nos dias atuais. Foram passos tecnológicos que  se consagraram ao longo dos tempos. Méritos inquestionáveis de  brilhantes profissionais das empresas, das universidades e das várias instituições de pesquisas. Um grande esforço conjunto, onde sempre predominou o desenvolvimento do setor. Sem interesses exclusivos e sem segredos. Toda empresa com profissionais competentes tinha condição de adotar esse ou aquele procedimento, que conhecia ou que poderia conhecer em alguma empresa do setor. E não faltavam profissionais competentes para discutir, avaliar e fazer sugestões. E as grandes reuniões conjuntas do IPEF ,da SIF, do FUPEF ou da Embrapa Florestas, dentre outras, significavam sempre uma carga intensa de conhecimentos que se injetava no dia-a-dia das empresas. Essas reuniões eram de uma produtividade fantástica! E só quem teve a oportunidade de participar dessas reuniões pode avaliar o vazio que se criou no setor, na medida em que esses encontros foram se escasseando. A distância entre o laboratório e o campo vai  dificultando as adequações operacionais e o interesse pela pesquisa e experimentação vai se ofuscando. Todos perdem! Há muitas informações tecnológicas necessitando dessas reuniões  de integração  com os “silvicultores de botina” para  que conceitos teóricos se transformem em realidade de campo!  Entre  essas conceituações, muitas vezes polêmicas,  merecem destaques  os aspectos   relacionados aos  diversos clones,  às variações e inovações dos processos de nutrição vegetal e  aos surpreendentes problemas com ataques de pragas e doenças.  São assuntos que demandam pesquisas e os resultados positivos que estão sendo alcançados exigem discussões para os devidos entendimentos e muita divulgação. Esse alinhamento com as “modernidades” do setor, ainda é privilégio de poucas empresas! Há  muitos profissionais que apostam que a adequação técnica dessas variáveis pode trazer às empresas, ganhos superiores a 30 % na produtividade das florestas. Estamos falando de florestas com produtividades, até inferiores a 30, e que podem alcançar 40 metros cúbicos/ha/ano, com os devidos cuidados técnicos, desde que não haja nenhuma limitação local. Isso representaria um salto espetacular no resultado das florestas plantadas. E o conhecimento desses conhecimentos técnicos, muitas vezes, só depende de conversas em simples encontros de profissionais.  É difícil aceitar que muitos  procedimentos,  comercialmente consagrados, ainda sejam novidades para  muitas empresas! São esses talhos tecnológicos, desconhecidos para os mais “desatentos”,  que eram  introduzidos  no dia-a-dia das empresas nas concorridas reuniões conjuntas de empresas  e instituições de pesquisas,  nos 70 e 80.  O uso de procedimentos operacionais desatualizados, na maioria dos casos, de baixo custo, ou sem o devido  embasamento técnico põe em risco a produtividade das florestas e abrem as portas aos milagreiros de plantão. E vem aí a corrida para os transgênicos!  Antes que essa disparada aconteça, é bom lembrar, que  tudo leva a crer, que esse avanço da ciência florestal, só terá  efetivo sucesso, quando as possibilidades e de se aumentar a produtividade com os conhecimentos consagrados  forem esgotadas! Fala-se em ganhos de 20 % na produtividade com os transgênicos, enquanto que com a otimização dos procedimentos silviculturais, há inúmeros exemplos mostrando aumentos de até 30% na produtividade das florestas.  A competitividade da silvicultura brasileira será significativamente impactada, de fato, se o aumento de 20 %  for adicional aos ganhos possíveis com a otimização dos procedimentos, já consagrados. Vamos torcer para que as empresas, antes de pensar em transgênico, otimizem os seus procedimentos silviculturais  para assegurar  os ganhos de produtividade e  consolidar a sustentabilidade dos empreendimentos florestais.  A Cia. Suzano, detentora desse avanço científico, está de parabéns e merece  todo o respeito e reconhecimento do setor florestal.  Com certeza,  a empresa  terá  o cuidado necessário para tratar e  avançar com o tema.  Tanto para garantir a sustentabilidade do avanço alcançado,  quanto para manter, de fato, sua posição de  destaque na competitividade da silvicultura brasileira! Aos silvicultores, antes de tudo,  cabe o desafio  de fazer com que o “arroz e feijão” de todos os dias,  seja alcançado nas empresas  com mais facilidade e compreensão. Só assim, lá na frente, quando os  conhecimentos tecnológicos  estiverem alinhados e otimizados, é que  a contribuição dos  transgênicos  será , de fato, instrumento de impacto  na produtividade da silvicultura brasileira!

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Setor Florestal sem Rumo Institucional!

O setor florestal brasileiro está sem rumo institucional  com suas ações estratégicas sendo conduzidas por inúmeros ministérios. É uma demonstração de que  as florestas brasileiras não fazem parte da pauta de prioridades do Governo Federal! Não existe nenhum endereço institucional que assuma o assunto em toda sua dimensão. Florestas de produção  ou plantios de árvores para  utilização industrial,  florestas  nativas da Amazônia  ou de outros biomas,  pesquisas florestais, industrialização e comercialização  da madeira e de outros produtos florestais, certificação de plantios florestais e manejo das florestas nativas, etc. são temas relevantes do setor florestal e são tratados de forma independente  em ministérios diferentes! Um grande  programa para usar, desenvolver e proteger nossas florestas deveria, obrigatoriamente, ter políticas claras para toda a cadeia de produção, proteção e conservação e, obrigatoriamente, tenderia a integrar todos os assuntos  relacionados ao tema. Cuidar de partes não vai promover o desenvolvimento do todo! O Brasil possui condições naturais e competência técnica e científica, que já o colocam entre os grandes  fornecedores mundiais de produtos florestais. Temos condições para ocupar lugar de maior destaque  ainda, num mundo que demanda tudo, crescentemente, tudo das florestas. Estamos muito longe dessa posição de destaque, à exceção de alguns segmentos industriais, simplesmente pelo descaso com que o assunto florestal tem sido encarado pelos nossos governantes!  Já tivemos o momento dos plantios florestais, alavancados pelos incentivos fiscais, que apesar de algumas contestações, foi o grande promotor do crescimento de segmentos importantíssimos como o de celulose e papel,  de chapas de madeira, da substituição do carvão de matas nativas por eucalipto  na siderurgia; já passamos, mais recentemente, por um esforço gigantesco para se concretizar as concessões florestais e estimular  o processo legal de uso da madeira das florestas nativas; temos uma rede de instituições de pesquisas com especialistas de renome internacional ; em eventos internacionais, temos mostrado ao mundo a contribuição de nossas florestas na mitigação dos impactos negativos das mudanças climáticas, além de contar com  grande contribuição dos processos de certificação florestal. Mas, tudo se resume a  ações isoladas de muita competência e que poderiam trazer benefícios muito mais expressivos à sociedade brasileira, se fossem tocadas de forma conjunta num mesmo endereço institucional e com os olhos  do Governo Federal, verdadeiramente, voltados ao  crescimento e desenvolvimento  florestal do país! A necessidade é muito mais por políticas públicas e pela integração de esforços dispersos em cantos diferentes dos inúmeros ministérios! O problema é muito mais de vontade política do que de recursos financeiros! Há demonstrações incontáveis de iniciativas empresariais para alavancar grandes negócios.  Mas se tornam imprescindíveis  a existência de políticas públicas que estabeleçam regras claras para os que fazem florestas para produção, para os que manejam florestas nativas, aos que protegem e aos que conservam. Regras claras, legislação estável  e sem burocracia. Não se cogita de  liberalidade total, mas  de responsabilidade profissional  e empresarial.  Essas são iniciativas de Governo e indispensáveis para  a integração e crescimento do setor florestal brasileiro. Só assim poderemos dizer que nossos governantes estão, de fato, preocupados com o desenvolvimento e   proteção de nosso rico patrimônio  florestal! 2014 é ano político! É momento de  fazermos com que  candidatos se comprometam em cuidar do assunto! É hora de se lutar pela inclusão do setor florestal na pauta das prioridades de Governo!

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Gente, o Segredo da Silvicultura Bem Feita!

Numa “conversa de boteco” alguns profissionais colocaram em pauta uma questão interessante e que  rendeu inúmeras discussões, palpites e sugestões: qual a causa de tanta diferença entre os trabalhos silviculturais das empresas? No meio de considerações cuidadosas  e “cheias de dedo”, há  de se registrar a posição firme de um consultor muito conhecido no setor e que vive dentro das empresas discutindo programações, estratégias, modelos organizacionais. Sem rodeios e firulas tascou – “o trabalho de silvicultura  é o resultado da competência  e do entendimento de toda a equipe de trabalho”. E animado continuou – “Só pessoas que se  falam e se entendem, conseguem soluções para os problemas que surgem no dia-a-dia, e isso é imprescindível para que  a silvicultura vá bem. É premissa fundamental para  que a empresa florestal seja bem sucedida”!  O murmurinho geral que se seguiu, exigiu mais explicações, e da mesma maneira e bem objetivamente, o nosso consultor disse – “ não adianta dinheiro  à vontade,  contratações de especialistas e reuniões  daqui e dali, o que manda é ter um bom silvicultor e cultivar o relacionamento amigável e cooperativo entre toda a equipe de trabalho: os que fazem  e os que dão apoio. Sem isso, só um milagreiro”. E para concluir, completou – “É impossível se fazer uma silvicultura bem feita, se não se dispuser de toda engrenagem de operação perfeitamente integrada e comprometida com o  sucesso. Todo bom silvicultor  necessita, obrigatoriamente, de todas as ferramentas para se fazer um trabalho de qualidade. E  essas ferramentas são representadas pelo conhecimento tecnológico, disponibilidade de insumos,  mão-de-obra treinada e equipamentos adequados. Tudo isso andando junto, na hora certa, na quantidade adequada e  no  lugar exato”.  E bem ao seu jeitão bradou – ”o resto é conversa mole, é tapar o sol com a peneira”. Que lição clara, ousada e desconcertante!  Um  participante da conversa, muito satisfeito, já foi dizendo: “vou pregar na porta de entrada da minha empresa”. Depois dessas enfáticas e objetivas colocações, seguiram-se algumas  considerações, mas já com a premissa básica definida. Houve uma minoria que esboçou alguma reação, mas foi calada pela concordância da grande maioria.  Um misto de realidade e de preocupação  com as colocações do consultor! Para quem não atua no setor ou não conhece as dificuldades do dia-a-dia de um projeto de silvicultura ou de uma empresa florestal, isso tudo pode parecer estranho! Fala-se de coisas óbvias: em qualquer manual de administração, de organização de trabalho e até nos manuais de “como trabalhar sem sofrimento” – essa premissa do trabalho em equipe, com a equipe e para a equipe é lição das páginas iniciais. Mas, em algumas empresas, essa simplicidade se  complica e se torna uma utopia!  A relação entre as pessoas é  tão  difícil que chega a  comprometer a qualidade dos trabalhos silviculturais. E aqui começam as grandes diferenças entre empresas! A execução dos  serviços de campo não é tarefa tão simples e corriqueira.  É uma mistura de matemática, biologia e algumas pitadas de psicologia! Em alguns casos, as ferramentas  usadas pelo silvicultor são manejadas por cabeças diferentes na mesma empresa.  O uso sincronizado dessas ferramentas parece ser o segredo da boa silvicultura, do  sucesso dos empreendimentos e a arte dos gestores do empreendimento. E aqui entra  a pitada de psicologia no  tradicional pacote  de matemática e biologia. É  muito comum  que cabeças  diferentes, pensem diferente. Mas  o grande problema é quando  essas cabeças pensando diferente criam  mundos independentes, com  prioridades próprias e se descolam da atividade fim da empresa. Aqui começam as dificuldades, surgem os problemas sem solução, a silvicultura fica sacrificada e as diferenças entre empresas se evidenciam! Nesse ponto, a equipe já se transformou em turmas e todas disputando o mesmo campeonato, umas na parte de cima e outras na parte de baixo da tabela.  É só uma visita de campo nessas empresas e observa-se o retrato fiel desses desencontros!  Foi uma lição profissional e de vida  para o grupo, mas mesmo assim, surgiram, sorrateiramente, algumas justificativas daqueles mais  abatidos, mas nada tão contundente, quanto às considerações do nosso amigo consultor. Com certeza, vou receber uma ligação telefônica dele e vou ouvir: você não me avisou que ia falar disso!  Vou agradecer a lição dada  e dizer da importância de  se compartilhar o  privilégio daquela conversa  com os profissionais do setor!  Vou informá-lo também, que  irei falar a respeito de outros temas tratados naquela “conversa de boteco”.  E foi uma conversa longa….! São registros para reflexão e que devem fazer bem às pessoas e muito mais à silvicultura brasileira. Com certeza, o nosso amigo vai concordar!

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A Silvicultura Sob Olhares Diferentes!

Recentemente, numa rodada de campo em algumas regiões, tivemos oportunidade de conversar com pessoas envolvidas direta e indiretamente com os trabalhos de silvicultura. Observamos um fato extremamente curioso!  Nada de surpresa, mas de oportunidade ímpar para registro e  reflexão mais acurada de profissionais preocupados com  a imagem da silvicultura. E mais modernamente, com o desenvolvimento sustentável da silvicultura brasileira. Do lado da empresa o responsável pelo empreendimento, quando indagado  a respeito dos  impactos causados pela silvicultura na região, foi bastante enfático: “ aqui só existia pobreza! Muito desemprego, atendimento precário nos postos de saúde, escolas sem nenhum recurso, estradas sem condição de  acesso, nada de infra-estrutura, um verdadeiro abandono e um pessoal lutando pela sobrevivência. Um quadro difícil de se aceitar nos tempos em que vivemos. Hoje, temos centenas de pessoas empregadas, registradas, com café da manhã e comida quente no campo. Fizemos uma campanha educacional e de saúde e incentivamos os filhos de nossos funcionários a frequentar as aulas. Demos apoio às escolas, as estradas ficaram muito boas e transitáveis e já existe um movimento no comércio da cidade  e tudo com gente da região. Tenho a impressão de que iniciamos um processo de desenvolvimento, que precisa de muita coisa para se completar, mas  fico com a  sensação  de que conseguimos mostrar novas perspectivas de vida para esse pessoal”. Do outro lado da rua, num armazém um pouco empoeirado, indagamos o proprietário a respeito dos acontecimentos após a chegada da silvicultura na região. Sem muitos rodeios, foi dizendo:” parece que a coisa mudou, o movimento na venda aumentou muito e acabou  o fiado”. Mais na frente, uma outra pessoa ,relativamente, bem trajada, quando fiz  a mesma indagação, com a mesma ênfase, foi dizendo: “essa porcaria de eucalipto chegou e já secou nossa água, não emprega ninguém e está ocupando nossas terras agrícolas. Isso aqui era um céu, sem problema nenhum, sem doenças, sem bandidagem. A gente era feliz e não sabia. Esse pessoal está atrapalhando o desenvolvimento de nossa cidade”. Já era meio tardinha, chegou a noite e  levamos essas impressões de rua para uma discussão conjunta entre os responsáveis pelo empreendimento! Não precisa nem dizer que foi uma discussão acalorada e cheia de paixões e radicalismos. E para alguns, até uma surpresa e tremenda coincidência de ter encontrado e ouvido opinião tão  discrepante. Não tardou e alguém bradou:” vai ver que topou com aquele chato que vive perturbando e  questionando tudo que fazemos! Ou alguém da turminha dele. Nem se incomode. É uma turma, metida a defensores do mundo, que só atrapalham e nem querem falar em trabalhar”. Sem entrar na questão do certo ou errado, o interessante é que esse relato parece muito mais comum do que se imagina! O importante e de interesse da silvicultura é discutir os mecanismos que monitorem essas discordâncias e que expliquem essas visões tão distantes. É falta de comunicação? É falta de interação com as comunidades? É falta de sair do ar condicionado e ouvir as pessoas da rua? Não é nada disso?  Isso acontece e precisa ser melhor trabalhado pelas empresas? Ou nossa comunicação tem falhas!  Fica o  alerta para quem está preocupado com o crescimento e o desenvolvimento sustentável da silvicultura brasileira. Do nosso lado, vamos continuar  torcendo para que tenha sido, de fato, uma tremenda coincidência!!!

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