“SILVICULTURANDO-SE”

A MADEIRA COMO ALTERNATIVA ENERGÉTICA!!!!
Esse assunto tem sido a “bola de vez” em inúmeras discussões do setor. Seguem algumas considerações para reflexão. São assuntos polêmicos que podem causar importantes impactos na silvicultura, em negócios florestais e em muitas comunidades. Logo, precisam ser avaliados com muita cautela:
1- A madeira como biomassa para geração de energia pode se transformar em importante alavanca para crescimento da silvicultura brasileira. No curto prazo, poderá consumir os estoques excedentes em algumas regiões e, a longo prazo, poderá se constituir em grande vetor para o desenvolvimento de regiões desassistidas pelos Governos e profundas carências sociais;
2- Tanto a madeira excedente, quanto aquela a ser produzida tem custo, e precisa ser, devidamente, remunerada. No curto prazo, a excedente pode ser conseguida a preço baixo, mas fora da realidade. E aquelas, que serão produzidas para consumo futuro, terão custos e exigirão remuneração adequada! São situações distintas. Projetos que consideram como referência os valores dessa madeira de oportunidade, com certeza, não se sustentarão, a médio prazo. A silvicultura não é atividade extrativista e a formação de florestas e produção de madeira, como qualquer negócio, tem custo e precisa se remunerar para se sustentar!
3- Nos dias atuais, ouve-se falar em madeira sendo negociada a valores, que variam de R$ 25,00 a mais de R$ 50,00 por metro cúbico em pé! Quem faz conta, e quer ser devidamente remunerado, diz que o preço justo, e que dá sustentabilidade ao negócio florestal, está bem mais próximo de R$ 50,00 do que de R$ 25,00. E empreendimentos para energia necessitarão de silvicultura sustentável. Para saber se produzir energia é viável, é só colocar os números na planilha financeira e ver o resultado;
4- Formar floresta para ser cortada com 2 ou 3 anos, em espaçamentos diminutos – 1x1m,1×1,5 m e outros – com milhares de plantas /ha é, educadamente, uma temeridade! Para confundir, ainda mais, a cabeça dos interessados, há estudos teóricos mostrando a viabilidade dessa pseudo-silvicultura. Há, no entanto, relatos de inúmeras teimosias fracassadas !!! Com certeza, experimentações implantadas em locais com condições excepcionais de solo e clima, além de cuidados operacionais especiais, podem apresentar resultados interessantes. São situações, no entanto, mais próximas de um ”sonho dourado”, do que da realidade nua e crua das regiões, onde se faz silvicultura;
5- Há de se adotar mecanismos de políticas públicas, que viabilizem a produção de madeira como insumo energético com premissas sustentáveis , de acordo com a realidade de campo. Caso contrário a silvicultura e os empreendedores florestais estarão metidos em tremenda encrenca! Esse é um desafio de Governo e que não comporta mágica e nem sacrifício dos produtores de madeira!
6- Os impactos dessa alternativa são tão importantes a toda sociedade, que mereceria empenho especial de políticos, empresários, governantes, enfim, de todos que se preocupam com os destinos da silvicultura brasileira e, acima de tudo, daqueles que sabem da possibilidade de se criar melhores condições de vida para parcela significativa de famílias brasileiras desassistidas brasileiros!!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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“OS GRANDES SILVICULTORES”

O Professor Arlindo de Paula Gonçalves, é mais um exemplo de profissional que dedicou sua vida ao setor florestal. Formado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Estado de Minas Gerais, em 1938. Nasceu na cidade de Pains, MG, em 25/11/1910 e faleceu em 4/11/1995. Em março de 1939, foi contratado pelo Departamento de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa –MG e em dezembro do mesmo ano, passou a chefe do Departamento de Silvicultura. Sua tese defendida para a cátedra de silvicultura, tratava da questão florestal no município de Viçosa. Daí para frente foi uma vida dedicada ao ensino, a trabalhos de extensão, aos alunos e inúmeras atividades voltadas ao desenvolvimento do setor florestal brasileiro. Participou e contribuiu, efetivamente, na formação dos cursos de engenharia florestal e foi um dos principais incentivadores dos primeiros engenheiros florestais brasileiros. Foi para esses pioneiros um conselheiro, orientador e fraternal e respeitado amigo. Foi para todos que o conheceram um admirável e exemplar profissional. Teve vários trabalhos publicados e informes práticos de grande valia aos produtores rurais interessados em formar florestas naquelas regiões de Minas Gerais.
Dentre suas atividades de extensão na Universidade, destaca-se sua participação durante as Semanas dos Fazendeiros, em que ministrava, entre outros, os cursos de cultura da batata doce, arroz, trigo, reflorestamento, cultura do eucalipto, fabricação de carvão vegetal, silvicultura, cultura do pinheiro brasileiro. Executou amplas atividades no serviço de Experimentação e Pesquisa da UREMG.
Foi grande batalhador para que em 5 de março de 1960, se instalasse na UREMG a Escola Nacional de Florestas, criada pelo Governo Federal, a primeira do Brasil. Essa Escola foi, por razões politicas, transferida para a Universidade Federal do Paraná- Curitiba-Pr. Mas logo, em seguida, pelo grande esforço de destacados professores, o Governo do Estado de Minas, pelo Decreto nº 7.418, de 21 de fevereiro de 1964, criou a Escola Superior de Florestas – ESF, que passou a integrar a UREMG. O Professor Arlindo foi designado seu diretor interino e, posteriormente, seu diretor efetivo. Com o apoio da FAO, foi assessor do planejamento, construção e instalação da Estação Experimental de Silvicultura , a primeira especializada no ramo do Brasil. Fez inúmeras viagens internacionais para conhecer trabalhos e pesquisas florestais. Em 1965,.a convite da Aliança para o progresso do governo norte-americano, viajou para estudo e estágio no Serviço Florestal, escolas de Florestas, Estações Florestais de Pesquisas e Parques Florestais e trabalhos de proteção da fauna. Também a convite do Governo da Republica Federal da Alemanha, em 1967, viajou para conhecer o programa florestal alemão.
Primeiro mineiro a receber a Medalha e Diploma do Mérito Florestal, conferida pelo Governo do Estado de Minas Gerais, em reconhecimento pelos serviços prestados à causa florestal no Estado.
Além de seu expressivo empenho nas atividades acadêmicas, foi autor de dezenas de publicações em periódicos e livros. Teve uma vida intensa com muitas honrarias e premiações.
Foi homenageado pelos Estudantes de Engenharia Florestal de Viçosa com a denominação do” Centro Acadêmico Prof. Arlindo de Paula Gonçalves”.
Como homem público, também deixou sua grande contribuição para a cidade que o adotou. Participou ativamente da história de Viçosa. Foi vereador por quatro legislaturas consecutivas e numa delas, como presidente da Câmara Municipal. Foi também vice-prefeito de Viçosa. É autor da Bandeira do município, por aprovação da Câmara Municipal, em 1971.
Em 2006, foi homenageado pela Câmara Municipal de Viçosa, com a criação da Comenda Professor Arlindo de Paula Gonçalves, para homenagear quem contribuiu efetivamente para conservação do meio ambiente e promoção da consciência ecológica.
Recentemente, em 2013, foi homenageado pela Câmara Especializada de Agronomia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), com a medalha e diploma , Láurea ao Mérito, instituída pelo Sistema Confea / Crea e Mútua, medalha essa entregue aos seus familiares.
Todas essas homenagens dá a dimensão alcançada pelo trabalho desenvolvido pelo Prof. Arlindo, que durante décadas compartilhou com dezenas de alunos seus conhecimentos, adquiridos no Brasil e no Exterior.
Tem centenas de admiradores e seguidores na vida acadêmica. Formou e participou da carreira de brilhantes profissionais, que tiveram a honra de contar com sua amizade e orientação. É, indiscutivelmente, um dos grandes pilares da silvicultura brasileira!!!
“Nenhum grande homem vive em vão. A história da humanidade não é mais do que a biografia dos grandes homens”
Arlindo de Paula Gonçalves é com certeza, um desses personagens que provaram que a vida é uma dádiva infinita de Deus e que, por isso deve ser usada em prol das melhorias de condições do mundo, para que todos os seres possam viver com dignidade.

Fonte: Dados de “Currículo e Biografias do professor Arlindo de Paula Gonçalves “, de autoria de Rita de Cássia Gonçalves Borges e Dalva Helena Gonçalves Dantas
Sugestão e colaboração: Prof. Nairam Félix – Um dos grandes colaboradores para o desenvolvimento técnico e científico da silvicultura brasileira – Viçosa – M.G
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais- nbleite@uol.com.br.

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O CONAMA E A SILVICULTURA

Como o reflorestamento foi parar no Conama, como atividade potencialmente poluidora? Quais as consequências?

Há muitas dificuldades e complexidades na legislação florestal. Há anos a Silvicultura clama por modificações. Uma grande encrenca inicia-se no batismo do reflorestamento como atividade potencialmente poluidora na legislação ambiental, sujeita às regras do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Disso, resulta um calvário de dificuldades e parece ser o grande nó a ser desatado.
Não adianta atalho daqui e dali. Com certeza, nada vai mudar sem apreciação e aprovação do Conama. Enquanto o assunto não for levado à discussão, apresentado e defendido com as devidas justificativas e fundamentações científicas, continuaremos na agenda cinzenta da poluição e sujeito às adversidades consequentes.
Para mudar tal situação teremos, obrigatoriamente, que passar por discussões e aprovação de Câmaras Setoriais e, posteriormente, à submissão e aprovação da Assembleia Geral do Conama, presidido pelo Ministério do Meio Ambiente. Qualquer outra medida não tem legitimidade diante da legislação vigente. Dessa situação, cabem algumas indagações: Como o reflorestamento foi parar no Conama, como atividade potencialmente poluidora? Quais as consequências? O que poderia ser feito? Como fazer? A Silvicultura brasileira, que tanto avançou e continua avançando na direção da sustentabilidade, com certeza, em certo momento, obrigatoriamente, haverá de cuidar e rever essa situação. Pode ser uma necessidade, diante de requisitos para quem se habilita às políticas internacionais de mitigações climáticas.
Nesse contexto, o Brasil se comprometeu a restaurar e a reflorestar, até 2030, 12 milhões de hectares de florestas, para múltiplos usos, como uma das medidas de suas contribuições para o novo acordo global que será firmado em dezembro, em Paris, durante a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, a COP 21.
Quanto às indagações, cabem alguns registros. Há controvérsias, mas tudo indica que o batismo se deu pela ausência de representante setorial nas discussões, que originaram o arcabouço institucional da legislação ambiental. Há também, quem diga que à época, nos idos de 81/82, era péssima a imagem que a sociedade tinha a atividade. Para muitos, naquela época, incentivos fiscais e plantações florestais eram sinônimos de escândalos financeiros, abuso de recursos públicos e “picaretagem”.
Quem se atreveria a defender o que estava sendo execrado pela sociedade? Além das entidades setoriais e instituições de ensino e pesquisa, só aquelas empresas, que sempre se portaram com decência, tinham propriedade para defender o setor, mas, infelizmente, essas empresas não acreditavam que o movimento ambientalista, que estava iniciando, fosse crescer e se fortalecer.
Há exigências que se estenderam a toda área rural, mas a Silvicultura, pelos pecados(?) que trazia, atraiu todas as atenções e cuidados . A exigência de EIA-RIMA para plantios com mais de 1000 ha é exemplo típico dessa discriminação. A exigência é para todos os projetos agropecuários, mas, praticamente, só a Silvicultura é cobrada e fiscalizada. De outro lado, há muitos atores – que pensam que foram as exigências legais, até abusivas, que puseram a Silvicultura nos trilhos.
Depois vieram as certificações e, nos dias atuais, a Silvicultura é tida, quando bem executada, como exemplo de atividade rural sustentável. E daí? Haveria necessidade de mudanças? A obrigatoriedade do EIA-RIMA pode ser usada como exemplo do que precisa ser revisto. Com certeza, a Silvicultura, por suas características, necessita de uma ordenação legal específica, que exija compromissos concretos, mas que sejam simples, úteis e sem sofisticações desnecessárias para sua elaboração e implementação.
Mas o certo é que mudanças daqui ou dali, alterações do Código Florestal, alterações em legislações estaduais, etc. tudo fica com uma interrogação, se não passar pelo crivo do Conama. Aliás, o setor florestal tem assento no Conama. Essa representação foi conquistada pela SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, por volta de 2000/2001, e que, na ocasião, contou com o apoio de Leopoldo Garcia Brandão, Maria Thereza Jorge Pádua e do então Secretário Executivo, e depois Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, dentre outros.
Essa representação exercida, inicialmente, pela SBS, deveria fazer parte de um rodízio entre entidades representativas do setor. Só a SBS respeitou o rodízio proposto e aceito por todos na época. Após a primeira alternância consentida e consensual, houve mudança na regra do jogo, o que produziu certa distorção e subordinação institucional da representação setorial. Tolheu-se, assim, a oportunidade de mais entidades representativas do setor conhecer e participarem da realidade do Conama.
De tudo, ficam os registros e uma certeza para reflexão: muitas das dificuldades legais da nossa Silvicultura só serão resolvidas quando passarem pela aprovação do Conama e, para isso, é imprescindível o pleno conhecimento da situação, o incansável esforço e dedicação de nossos representantes, a qualificada competência técnica e o irrestrito apoio de todos, que militam na Silvicultura Brasileira.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais- nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO 23/11/2015: http://www.painelflorestal.com.br

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“SILVICULTURANDO-SE”

SILVICULTURA: AGRICULTURA OU MEIO AMBIENTE?

Há poucos dias, numa reunião de produtores rurais, onde se comentava de tudo – feijão, arroz, milho, laranja, vaca leiteira – surgiu uma indagação, muita conhecida dos silvicultores, mas que chamou atenção pelos desdobramentos provocados! Um senhor interessado em plantar árvores – e fazia questão de enfatizar “ quero plantar árvores, não me importa se é eucalipto ou árvores nativas” e continuou: “ quero saber se devo tratar desse assunto aqui ou numa reunião de meio ambiente”! Em seguida, alguém apressadinho, foi dizendo: “se for eucalipto é com o pessoal da agricultura, mas se for espécie nativa é no meio ambiente”! Estava armada uma tremenda discussão!

Sugestões e opiniões de todo lado. Algumas com ranço de radicalismo, mas a grande maioria, aparentando uma grande dúvida. Para salvar a lavoura, um produtor florestal, de longa data, deu o recado: “não se incomode com quem tratar, incomode-se com a forma de fazer” e foi bem incisivo : “ se fizer bem feito, vai formar uma floresta linda e você vai ficar, até com dó, na hora de cortar! Faça, como se faz na agricultura, mas tome cuidado com as nascentes, preserve as matas de proteção, as erosões e use tecnologia para plantar. E você vai ter uma floresta produtiva e com forte apelo ambiental” e disse, ainda: “ não importa a nacionalidade da árvore, é só fazer bem feito” e concluiu: “ meus avós já trabalhavam com madeira e toda a família vive das nossas florestas . Vendemos madeira para carvão,celulose,energia,serraria e até cavaco. Cuidamos das estradas,das matas que protegem as nascentes e que formam um bloco de floresta maravilhoso. Não temos problema com água, e temos bicho de todo jeito na fazenda. Quando algumas pessoas visitam a gente, falam que moramos num paraíso ambiental e que somos fervorosos ecologistas”!

A reunião continuou, mas a discussão sobre plantio de eucalipto parou com as explicações do produtor rural. Na saída, quando fui cumprimentar o “ecologista” , ele todo envaidecido falou : “ em toda a reunião, há sempre alguém pronto para meter a boca no eucalipto” e concluiu: “ é impressionante como faltam informações aos produtores rurais” e deixou uma indagação: “ será que o meu caso é uma exceção?

Uma conversa que merece ser compartilhada com agricultores, silvicultores e ambientalistas para reflexão! Não importa se é agricultura ou meio ambiente, o importante é que se reconheça, que uma floresta de eucalipto bem feita e produtiva, também pode prestar relevantes serviços ambientais. Será que há dúvidas a respeito dessa afirmação?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E AS REUNIÕES CONJUNTAS!!

No início dos incentivos fiscais, nos idos de 67/68, as florestas que se formavam apresentavam problemas técnicos, não se dava o devido valor aos aspectos sociais e a preocupação com aspectos ambientais era perda de tempo e desperdício de recurso. Essa era a regra geral. Mas as exceções sempre existiram. Eram as boas empresas, que sempre tiveram comportamento distinto. E na verdade, quem fazia a diferença entre empresas era o seu comandante! Um dia, esses comandantes, sob a batuta do Dr. Helladio do Amaral Mello, responsável pelo Departamento de Silvicultura – ESALQ/USP se juntaram e fundaram o IPEF, uma das primeiras iniciativas de parceria público-privado!
As empresas em parceria com a universidade para resolver problemas do setor! O ovo estava de pé!
Em seguida, outras iniciativas se deram – FUPEF, SIF – respectivamente, em Curitiba e em Viçosa e o setor se desenvolveu de forma extraordinária. Foram centenas de reuniões conjuntas nas diversas empresas, com troca de ricas informações, apresentação e discussão de problemas e de soluções, inovações tecnológicas, alternativas de procedimentos operacionais, enfim… Nada de segredo. Tudo para todos, tanto problemas, quanto soluções! Todos cresceram, sem vaidades, sem concorrência. Participar e colaborar eram as palavras de ordem!
A presença de comandantes e comandados nas reuniões conjuntas dava o tom das conversas e dos temas em discussões. As grandes questões eram resolvidas, sem nenhuma burocracia, sem nenhuma dificuldade. O comandante comandava, de fato. Ótimos tempos! Para muitos, foi a grande alavanca da silvicultura brasileira. Dezenas de profissionais e pesquisadores compartilhavam informações, resultados de pesquisa, problemas de campo. Num ambiente tão colaborativo e construtivo, que inibia qualquer atrevimento para esconder informação ou tomar para si, essa ou aquela descoberta! Em pouco tempo, a solução desse ou daquele problema era conhecida e entendida por todos.
Nas reuniões conjuntas, nas visitas às empresas, nas consultas às escolas, em todas essas oportunidades sempre se somavam uma riqueza de conhecimento. As reuniões conjuntas eram verdadeiras feiras de tecnologia! Escolhia-se um tema importante e de interesse geral e definia-se o melhor local para se visitar e conhecer trabalhos de campo. Ninguém escondia nada de ninguém.
Foi histórica a reunião na Aracruz, por volta de 73/74, no auge das descobertas da clonagem. A empresa reuniu mais de 200 profissionais no viveiro e nos plantios de campo. Apresentou, sem nenhum segredo, tudo que tinha alcançado em seus trabalhos de produção de clones! Reuniões dessa natureza se repetiam na Duratex, na Klabin, na Belgo-Mineira, na Suzano, na Champion, na Riocell e muitas outras. Eram mais de 50 empresas associadas ao IPEF, SIF e FUPEF e a filosofia era a mesma. A produtividade das florestas, com certeza, dobrou. Os aspectos sociais tomaram rumo diferente e as preocupações ambientais se fortaleceram nas empresas. Os bons exemplos e os procedimentos de sucesso eram multiplicados nas empresas. Ainda há muitos profissionais, pesquisadores e empresários em atividade, que tiveram a oportunidade de acompanhar toda essa evolução da silvicultura brasileira.
São novos tempos, com novas demandas e, aparentemente, muitas mudanças no setor!
• É possível promover-se reuniões conjuntas para discussão de problemas de interesse comum?
• Há liberdade e interesse em se compartilhar informações?
• As empresas continuam apoiando e investindo em programas de pesquisa?
• Os comandantes das empresas continuam a participar, ativamente, do desenvolvimento do setor?
• Discussões conjuntas não poderiam agregar novos valores à silvicultura brasileira?
Há de se refletir! Temos muita gente competente nas empresas, escolas e instituições de pesquisas, oportunidades a serem exploradas e problemas técnicos para serem resolvidos. Temos do passado bons exemplos a serem seguidos. Juntar, jantar e conversar em conjunto, comandantes e comandados das diversas empresas, precisa se tornar uma rotina e não um desafio!
Temos mais competência, instrumentais sofisticados e tecnologias avançadas para aumentar a eficácia das reuniões conjuntas. Há questões estratégicas a serem resolvidas. Mas fica uma grande dúvida:
Ainda existe disposição e liberdade para se compartilhar informações?
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
Artigo publicado em 18/11/2015 no site: http://www.celuloseonline.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

A FALTA DA COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL!!!

Há muito tempo a silvicultura brasileira tem batalhado para elaborar amplo programa de comunicação, que possa mostrar à sociedade a atividade em toda sua abrangência e suas repercussões econômicas, sociais e ambientais. A importância das florestas, dos serviços ambientais e das implicações sociais, vai muito além do interesse das empresas e até caberia uma propaganda institucional do próprio Governo – plantar árvores faz bem para toda a sociedade. Nos últimos anos, tivemos significativo aumento na quantidade de informações aos silvicultores.
Além dessa comunicação institucional e educativa o setor é pobre em informações aos interessados no plantio de árvores para os mais diversos fins. A riqueza de dados do Google, muitas vezes, não responde às curiosidades do produtor. Nos últimos anos, houve aumento significativo na quantidade de informações encontrada nas redes digitais. Há de se destacar o pioneirismo da SBS, através de sua Rede Dia-a-Dia, que há mais de 10 anos se mantém viva na rotina dos silvicultores. Um trabalho incansável e que continua dando enormes contribuições ao setor! Nessa mesma linha informativa, cabe destaque aos trabalhos encontrados em:
http://www.painelflorestal.com.br
http://www.celuloseonline.com.br
http://www.celso-foelkel.com.br
http://www.revistaopinioes.com.br
http://www.ipef.br
http://www.sbs.org.br (Rede dia-a-dia)
São trabalhos importantes, que exigem grande esforço de seus responsáveis e que já melhoraram muito a imagem da atividade. Mas ainda falta aquela comunicação, que vai tocar na sensibilidade e na consciência das pessoas! Aquela comunicação na televisão, naquele horário das novelas, que vai ficar “com jeitão de educação ambiental”! Com certeza, isso vai bater no lugar certo! Quem sabe, com a grande responsabilidade que está sendo colocada para a silvicultura – plantar quase 15 milhões de hectares, até 2030! – o Governo desperta para essa necessidade!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

A certificação florestal deu enorme contribuição à silvicultura brasileira. Representou importante motivação para que aspectos técnicos, sociais e ambientais se integrassem para sucesso dos empreendimentos. Daí para se falar em silvicultura sustentável foi um passo! Já há, no entanto, empresas fazendo muito mais do que a certificação exige! São empreendimentos, que se preocupam, de fato, com as comunidades de seu entorno, com a produção diversificada, com os serviços ambientais das florestas, entre as novidades, que passam a ser observadas. Muitos empreendimentos blindam municípios com suas florestas! E tudo fica com cara de “para sempre”. Essa atividade perene, que passa de gerações para gerações, envolvendo famílias, criando costumes e valores culturais, empregando, educando e criando melhores condições de vida, é a silvicultura, de fato, sustentável! Há necessidade de se encontrar indicadores para diferenciar certificável e sustentável. O melhor exemplo para se diferenciar um do outro, é o resultado dos programas de fomento ou de parceria florestal! Quando bem feito e justo, é sempre festa! E está perto do sustentável Quando é mal conduzido, só gera problemas! Esse pode ser certificável!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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“OS GRANDES SILVICULTORES”

Existe uma unanimidade no setor florestal brasileiro, ela se chama Sebastião do Amaral Machado. O Professor Sebastião, como é conhecido nacional e internacionalmente, é referencia tanto no ensino, como na pesquisa, como na contribuição aos mais diversos trabalhos relacionados com o setor florestal brasileiro. Sua posição como um magistrado nos temas florestais tem sido referencia nacional nos últimos 50 anos. Desde meados da década de 60 do século passado, o Professor Sebastião esteve envolvido com os processos políticos do setor florestal, tendo sido o criador e primeiro presidente da Associação Paranaense de Engenheiros Florestais. Bem como da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais, onde ocupou o cargo de Tesoureiro na primeira Diretoria daquela instituição defensora dos direitos dos Engenheiros Florestais.
O Professor Sebastião é formado em Engenharia Florestal, em 1965 (segunda turma), pela Universidade Federal do Paraná, fez seu Mestrado, em 1972, no Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas da Organização dos Estados Americanos (OEA), e concluiu o Doutorado pela Universidade de Washington, em 1978. Em sua carreira de pesquisador orientou e/ou co-orientou trabalhos de pesquisas de 155 alunos de pós-graduação em Engenharia Florestal e também participou de mais de 150 bancas examinadoras de trabalhos científicos relacionados com florestas e sua adequada utilização para geração de bens e benefícios à sociedade. Além disso, seu acervo de publicações ultrapassa os 400 artigos científicos e trabalhos técnicos nas mais variadas revistas científicas em nível nacional e internacional.
Recentemente, por indicação do Vereador Felipe Braga Cortes, recebeu, por decisão unânime da Câmara de Vereadores de Curitiba, o Título de Cidadão Honorário, pelos serviços prestados ao ensino, pesquisa e extensão universitária.
A referencia, Sebastião do Amaral Machado, continua ativa e prestando seus serviços e ampliando suas contribuições ao desenvolvimento do setor florestal, como pesquisador sênior da Universidade Federal do Paraná e também como consultor da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná.
Homenagem do Prof. Joesio Siqueira – Diretor da STCP Engenharia de Projetos
http://www.stcp.com.br

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A SILVICULTURA E AS NOVAS FRONTEIRAS!

A silvicultura brasileira cresce e precisa crescer ainda mais. Embora as estatísticas sejam discutíveis, há dados mostrando que já estamos próximos de 8 milhões de hectares reflorestados com as diversas espécies. Fala-se em aumento da capacidade produtiva de diferentes setores, da possibilidade de se usar a madeira como biomassa para produção de energia e, agora, a nossa Presidente se comprometeu na ONU em reflorestar mais doze milhões de hectares até 2030! De outro lado, fala-se de sobra de madeira aqui ou ali! E parece que existe mesmo. Mas há fortes indícios, de que essa sobra é resultado de ardilosa estratégia de mercado! Com a “língua de fora” o produtor vende por preço baixo e ainda fica agradecido. Essa forma sutil e truculenta tem sido usada, há muito tempo, para desafiar as leis de mercado. Um paradoxo! São os consumidores, que falam de sustentabilidade da silvicultura !!! De repente, as coisas mudam e, com certeza, vem o discurso do crescimento do setor e da necessidade de mais florestas. E virá a pergunta: para onde vai a silvicultura? Há duas respostas prontas: 1- alguns vão fazer enorme esforço para expandir os plantios de florestas no seu entorno; 2- outros, sem outra saída, vão ter que pular para novas regiões, onde há espaço para crescer! Aquelas empresas, que souberam respeitar os fomentados e parceiros, com certeza, terão mais facilidades para aumentar suas florestas ,através de terceiros. Souberam respeitar seus parceiros e serão premiadas. Estarão acomodadas por tempo bem maior. Mas aquelas empresas, que um dia transformaram seus parceiros em problemas jurídicos, podem esquecer! Vão ter que arrumar a mala e baixar em outro canto! Antes, com certeza, vão dar nova investida nos produtores de seu entorno. Até há espaço para isso. Aquele que, ontem, estrangulou o produtor, já sumiu do setor. O interlocutor, de hoje, encontra-se com outra farda, foi vacinado e não sabe das encrencas do passado! Talvez tenha sido informado, às escondidas, e sem muitas explicações, de que muitas florestas foram cortadas com 4 a 5 anos pelo crescimento extraordinário que alcançaram. Uma mágica florestal, que reduziu o custo industrial, valeu prêmios, bonificações e tchau….. !
De tudo isso, fica o seguinte: se não fosse a corrida do mal vizinho, ainda ficariam as irreversíveis pressões ambientais, restrições ao uso de água, dificuldades de logística, entre outras adversidades para forçar a debandada de algumas indústrias para bem longe! E onde será esse “ bem longe “? Aliás, aqui não existe nenhuma adivinhação, é só observar os movimentos existentes! Com certeza, haverá uma corrida atrás de terras baratas, desocupadas, de preferência degradadas e sem necessidade de expulsar produtores de comida, índios ou quilombolas. São novas fronteiras, que vão exigir o enquadramento da silvicultura, numa nova cartilha de uso e ocupação de solos e com novas tecnologias! Vão ter que enfrentar um mundo novo de muitas surpresas e sem poder contar com a surrada receita da silvicultura tradicional. De clones a espaçamentos, só novidades! E, acima de tudo, conseguir produzir o metro cúbico de madeira em níveis competitivos! Os trabalhos pioneiros, nessas regiões, estão mostrando a necessidade de se repaginar os procedimentos operacionais. Alguns teimosos e apressados, já quebraram a cara! No entanto, há gente driblando as dificuldades e se creditando para beber muita água limpa! Mas o sucesso desse ou daquele empreendimento, nessas regiões, não vai ser suficiente para assegurar o sucesso da silvicultura nessas novas regiões. Nessas regiões, não cabe generalizações!. Esses empreendedores pioneiros serão privilegiados e terão suas informações reservadas “a quatro chaves”. A corrida para essas regiões será inevitável e a lição de casa não vai estar à disposição dos desembarcados. As pesquisas e experimentações precisam ser aceleradas. É uma tarefa de Governo e um grande desafio para a silvicultura, que precisa crescer. São superações imprescindíveis para que a expansão do setor seja bem sucedida! Ou encaramos essa realidade, ou cruzamos os braços com a esperança, de que esse mundo de área, a ser reflorestada, vai ser encontrado perto de praias ou de “cidades maravilhosas”!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PALESTRA: FORMAÇÃO PROFISSIONAL E MERCADO DE TRABALHO

No sábado, dia 24/10, à tarde, na ESALQ-Piracicaba, a convite de alunos de florestas, o Engº Alexandre Barboza Leite teve uma conversa informal e cheia de entusiasmo com os alunos e ex-alunos, que participam do Grupo Florestal Monte Olimpo. Foram abordados assuntos da vida dos estudantes e do profissional. Uma conversa rica de informações e de muitas surpresas! A qualidade e o nível técnico dos trabalhos apresentados, as preocupações e a valorização das questões operacionais e as expectativas profissionais foram destaques da conversa. Também foi bastante enfatizada a necessária responsabilidade do aluno na busca de conhecimento e sempre comprometido com bons estágios e bons orientadores. Um recado a todos – a silvicultura precisa de profissionais, que conheçam o campo, de fato, estejam comprometidos com a ética, cuidem da qualidade dos trabalhos e zelem dos aspectos sociais e ambientais da atividade! De coração, os sinceros cumprimentos aos participantes do Grupo Florestal Monte Olimpo!
Engº Alexandre Barboza Leite

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