AQUISIÇÃO DE TERRAS PARA FLORESTAS: MUITO CUIDADO!

Adquirir terras para formar floresta não é uma simples negociação de ajuste de valores e verificação de documentos! É,de fato,uma combinação de conhecimentos da região e experiência técnica: silvicultura, solo, clima, logística, legislação ambiental, situação fundiária, dentre outros. É, portanto, um trabalho de equipe, onde os conhecimentos se somam!
Com a intensa procura de terras nas novas fronteiras da silvicultura, o assunto – onde e como comprar a melhor propriedade – passou a ser discussão de rotina. Há ofertas para todos os gostos, com os mais variados preços, condições de pagamento e localização. Selecionar o que comprar passou a ser uma verdadeira ginástica, tanto pela insistência de habilidosos corretores,quanto pela atratividade das ofertas!
É importante considerar que uma compra mal feita pode prejudicar para sempre a performance do empreendimento. A silvicultura produtiva e competitiva,como todos os empreendedores desejam, pode ser inviável para determinadas regiões, em função de limitações naturais, impossíveis de serem superadas. Não há recurso financeiro que altere as características de solo, de clima e da própria planta a ser cultivada. E se essas interações não estiverem devidamente alinhadas, o empreendimento pode ser mal sucedido. Há de se conhecer os trabalhos necessários para se construir acessos para o pessoal que vai plantar e para o transporte dos diversos insumos. Esses preparativos adicionais precisam ser dimensionados para que se tenha certeza de que a aquisição da propriedade vai permitir, de fato, a formação de floresta de boa produtividade, a custos competitivos e sem dispêndios adicionais.
É importante e principalmente, nas novas regiões, que se conheçam eventuais propostas, que possam existir para criação ou expansão de unidades de proteção ambiental, áreas indígenas, quilombolas, programas de infraestrutura ou restrições fundiárias. Esse conjunto de variáveis pode valorizar o seu patrimônio ou torná-lo totalmente inviável. Adquirir propriedades para formar floresta é uma atividade especializada que demanda, acima de tudo, elevada confiança na empresa e nos profissionais responsáveis. O bom negócio não se mede só pelo valor da terra, mas pelos resultados alcançados e pelos problemas inexistentes!

Nelson Barboza Leite – nbleite@uol.com.br
Diretor da Teca e Daplan – empresas de serviços florestais

Post-29

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

SILVICULTURA: A CRISE E A ESPERANÇA!

Numa roda de silvicultores, e de prosa animada, veio a pergunta: “ com a economia atolada no brejo, será que a silvicultura também vai sujar a canela? ” alguém falou: está quase tudo parando! E completou:” tenho informações de viveiros abarrotados de mudas, terceiros se desmanchando e produtores sem conseguir vender a madeira, nem pelos preços vergonhosos que estavam sendo oferecidos!” E mais uma pergunta: ” e os impactos de tudo isso” ? Foram feitas inúmeras colocações e ficaram algumas considerações, que repassamos para reflexão:
1- É difícil dimensionar a abrangência dos impactos, mas parece não haver dúvida, de que toda a cadeia produtiva já está abalada!
2- Em muitas situações a retomada pode ser custosa, demorada e, em alguns casos, impossível! Viveiros se desmontam e não voltam com facilidade, o prestador de serviço, que não vendeu suas máquinas, mudou para outras bandas e foi cuidar de outros bichos. Nem pensar, em voltar!
3- As grandes empresas, que tem o domínio total da situação, terão mais facilidade para retomar, mas naquilo que depender de terceiro, com certeza, vão penar!
4- A suspensão parcial de grandes programas vai impactar nos estoques de madeira. Talvez esse problema seja o mais grave, mas o de menor preocupação no curto prazo. Aparentemente, há sobra de madeira em alguns locais, mas a boateira se generaliza! Quem não ligar os radares pode ter sérios problemas, lá na frente!
5- Já se tem notícias de grandes áreas com falta de manutenção e redução de adubações complementares. Essa barbeiragem é inaceitável, mas é muito comum, principalmente, quando o “controlador de planilha” não entende nada de silvicultura!
6- Há riscos de grandes empreendimentos sofrerem solução de continuidade e, aqui, os desdobramentos são desastrosos! Desemprego, comunidades assustadas e descrédito em investidores e gestores. Em determinadas regiões isso pode comprometer a continuidade do negócio e ainda, a segurança dos investimentos realizados!
7- O desempenho positivo de alguns setores, favorecidos pela alta do dólar e mercado de exportações, como o setor de celulose e papel cria expectativas esperançosas. Mas fica o paradoxo: exportação e dólar lá em cima e a madeira lá embaixo?
8- E os fomentados continuam reclamando. Não conseguem estabelecer uma parceria que dê tranquilidade e que seja justa, no momento da venda da madeira. E alguém deixou uma pergunta, que merece destaque: “falam que o tal de fomento é tão bom, que é isso, que é aquilo, mas não se encontra nenhum fomentado satisfeito e que fale bem do seu parceiro”. Fica o registro. Mas há exceções!
E a conversa foi diminuindo, na medida em que mais dúvidas foram surgindo. Para todos ficou uma certeza: o setor já passou por inúmeras crises, mas nenhuma delas abateu com tanta intensidade a silvicultura! E sempre, quem conseguiu driblar as dificuldades, teve grandes vantagens, no longo prazo! A conversa acabou com uma fala otimista “se tiver recurso, não perca a esperança e pode apostar”!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Foto ilustrativa foi cedida por José Alfaro Torralbo, a quem agradecemos.

Post-34

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

GENTE, O SEGREDO DA SILVICULTURA BEM FEITA!

 

Numa “conversa de boteco” alguns profissionais colocaram em pauta uma questão interessante e que rendeu inúmeras discussões, palpites e sugestões: qual a causa de tanta diferença entre os trabalhos silviculturais das empresas? No meio de considerações cuidadosas e “cheias de dedo”, há de se registrar a posição firme de um consultor muito conhecido no setor e que vive dentro das empresas discutindo programações, estratégias, modelos organizacionais. Sem rodeios e firulas tascou – “o trabalho de silvicultura é o resultado da competência e do entendimento de toda a equipe de trabalho”. E animado continuou – “Só pessoas que se falam e se entendem, conseguem soluções para os problemas que surgem no dia-a-dia, e isso é imprescindível para que a silvicultura vá bem.

É premissa fundamental para que a empresa florestal seja bem sucedida”! O murmurinho geral que se seguiu, exigiu mais explicações, e da mesma maneira e bem objetivamente, o nosso consultor disse – “ não adianta dinheiro à vontade, contratações de especialistas e reuniões daqui e dali, o que manda é ter um bom silvicultor e cultivar o relacionamento amigável e cooperativo entre toda a equipe de trabalho: os que fazem e os que dão apoio. Sem isso, só um milagreiro”.
E para concluir, completou – “É impossível se fazer uma silvicultura bem feita, se não se dispuser de toda engrenagem de operação perfeitamente integrada e comprometida com o sucesso.
Todo bom silvicultor necessita, obrigatoriamente, de todas as ferramentas para se fazer um trabalho de qualidade. E essas ferramentas são representadas pelo conhecimento tecnológico, disponibilidade de insumos, mão-de-obra treinada e equipamentos adequados. Tudo isso andando junto, na hora certa, na quantidade adequada e no lugar exato”. E bem ao seu jeitão bradou – ”o resto é conversa mole, é tapar o sol com a peneira”. Que lição clara, ousada e desconcertante! Um participante da conversa, muito satisfeito, já foi dizendo: “vou pregar na porta de entrada da minha empresa”. Depois dessas enfáticas e objetivas colocações, seguiram-se algumas considerações, mas já com a premissa básica definida. Houve uma minoria que esboçou alguma reação, mas foi calada pela concordância da grande maioria.

Um misto de realidade e de preocupação com as colocações do consultor! Para quem não atua no setor ou não conhece as dificuldades do dia-a-dia de um projeto de silvicultura ou de uma empresa florestal, isso tudo pode parecer estranho! Fala-se de coisas óbvias: em qualquer manual de administração, de organização de trabalho e até nos manuais de “como trabalhar sem sofrimento” – essa premissa do trabalho em equipe, com a equipe e para a equipe é lição das páginas iniciais. Mas, em algumas empresas, essa simplicidade se complica e se torna uma utopia!

A relação entre as pessoas é tão difícil que chega a comprometer a qualidade dos trabalhos silviculturais. E aqui começam as grandes diferenças entre empresas! A execução dos serviços de campo não é tarefa tão simples e corriqueira. É uma mistura de matemática, biologia e algumas pitadas de psicologia! Em alguns casos, as ferramentas usadas pelo silvicultor são manejadas por cabeças diferentes na mesma empresa. O uso sincronizado dessas ferramentas parece ser o segredo da boa silvicultura, do sucesso dos empreendimentos e a arte dos gestores do empreendimento. E aqui entra a pitada de psicologia no tradicional pacote de matemática e biologia. É muito comum que cabeças diferentes, pensem diferente. Mas o grande problema é quando essas cabeças pensando diferente criam mundos independentes, com prioridades próprias e se descolam da atividade fim da empresa.

Aqui começam as dificuldades, surgem os problemas sem solução, a silvicultura fica sacrificada e as diferenças entre empresas se evidenciam! Nesse ponto, a equipe já se transformou em turmas e todas disputando o mesmo campeonato, umas na parte de cima e outras na parte de baixo da tabela. É só uma visita de campo nessas empresas e observa-se o retrato fiel desses desencontros! Foi uma lição profissional e de vida para o grupo, mas mesmo assim, surgiram, sorrateiramente, algumas justificativas daqueles mais abatidos, mas nada tão contundente, quanto às considerações do nosso amigo consultor.

Com certeza, vou receber uma ligação telefônica dele e vou ouvir: você não me avisou que ia falar disso! Vou agradecer a lição dada e dizer da importância de se compartilhar o privilégio daquela conversa com os profissionais do setor! Vou informá-lo também, que irei falar a respeito de outros temas tratados naquela “conversa de boteco”. E foi uma conversa longa….! São registros para reflexão e que devem fazer bem às pessoas e muito mais à silvicultura brasileira. Com certeza, o nosso amigo vai concordar!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Post-05

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

FLORESTAS EM NOVAS FRONTEIRAS: REFLEXÕES OBRIGATÓRIAS!

A silvicultura está tomando formato distinto nas regiões de novas fronteiras. As condições de clima e de solos com variações e limitações, a inexistência de informações, entre as inúmeras dificuldades dessas regiões, estão exigindo novos procedimentos, novas atitudes, novas técnicas para se conseguir sucesso com a silvicultura. A falta de dados confiáveis e demandas crescentes agravam as dificuldades, mas a experiência profissional, os conhecimentos técnicos e a criatividade ajudam a encontrar soluções! É assim que está surgindo uma silvicultura com novos conceitos e procedimentos! Clones, espaçamentos, preparo de solo, época e condições de plantio, adubações diferenciadas, tratos culturais, controle de pragas e doenças, etc. Tudo com adequações e muitas surpresas! Mas há sinais animadores! Trabalhos bem conduzidos produzem florestas com excelente desenvolvimento e mostram o alto potencial das novas fronteiras. Uma maravilha aos que chegam com cautela e postura cuidadosa. As evidências das severas limitações são flagrantes! E não é aconselhável duvidar! Nessas regiões, a experiência profissional faz a diferença! Arrojo e competência tem dado certo, mas arrojo e adivinhação tem sido um desastre! Saber fazer a leitura certa dos desafios e dos resultados é o caminho para se alcançar o sucesso! É só saber ler e entender a linguagem da silvicultura! A decisão de se empreender numa nova região, normalmente, é precedida de dúvidas, que precisam ser analisadas por profissionais competentes. Seguem algumas considerações para reflexão obrigatória:
1- Materiais genéticos exigem testes e mais pesquisas;
2- Procedimentos silviculturais necessitam de adequações;
3- Produtividade é efeito e não regra de planilha;
4- O sucesso exige a experiência do curto prazo;
5- Integrar biologia e matemática é “coisa” para silvicultor;
6- A silvicultura não tolera “atalhos” e nem “faz-de-conta”;
7- Trocar longo prazo por imediatismo é péssimo negócio;
8- A experiência atende, mas não elimina a pesquisa;
9- Só bebe água limpa, quem respeita o longo prazo;
10- Interpretação de resultados é ferramenta do silvicultor.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Post-27

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

SILVICULTURA : NEGÓCIOS, EMPREGOS, SERVIÇOS

Quando iniciamos essa página o objetivo era criar um espaço para discussões, sugestões e informações que pudessem interessar aos silvicultores. O resultado foi muito além do esperado! Tivemos milhares de acessos, questionamentos, sugestões, etc. Atingimos o objetivo! Estamos convencidos de que, agora, o desafio é manter o interesse dos participantes. E surgiram novas demandas: venda de florestas e de madeira, silvicultores oferecendo negócios, serviços, produtos, mudas, sementes, ofertas de terras, silvicultores procurando novas colocações,etc. Abrimos, então, essa janela de oportunidades! Participe e será bem-vindo!
OBSERVACÃO: A Comunidade de Silvicultura poderá fazer comentário, caso haja alguma necessidade!

Post-03
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O QUE TEREMOS EM 2016?

Nelson Barboza Leite aborda as expectativas para o próximo ano

Começamos 2015 com um “punhado de dúvidas, de promessas e muita expectativa! As esperanças se acenderam! Novo Governo, novo endereço institucional, mudanças à vista, o programa de florestas plantadas cheirando à assado no forno, especulações em todo canto à respeito da madeira como insumo energético… Muita conversa e animação!
Mas, o que tivemos de concreto em 2015? De fato, saímos do Ministério do Meio Ambiente, de uma sala sem identificação e fomos para o Ministério da Agricultura, mas ainda não temos sala!
A madeira como insumo energético com muita fumaça, mas sem fogo. Um ou outro aventureiro falando em empreender, mas política pública definida, com embasamento técnico, econômico, social e ambiental, ainda é sonho. E só para os otimistas!
Aumentou muito o ruído dos insatisfeitos com o mercado e o preço da madeira – sobra madeira aqui, falta ali e o preço? “Um susto e uma corrida”.
Mas tivemos um anúncio surpreendente e bombástico! Soa como desafio para gigantes: vamos recuperar áreas degradadas e reflorestar mais 12 milhões de hectares até 2030! Promessa feita pela nossa Presidente em reunião da ONU e referendada em Paris, em reunião para tratar de Mudanças Climáticas para salvar o Planeta!
Está difícil por ordem no quintal mas: vamos que vamos… Só para lembrar – aquelas pendengas que se arrastam há anos, nenhum sinal! E para não dizer que não falei delas… ei-las: financiamento de “verdade” ainda é uma luta; mudanças na legislação, que discrimina a silvicultura; pesquisas florestais, especialmente com espécies nativas; valorização do fomento florestal com preço justo da madeira aos produtores florestais…
A lista segue com os mesmos componentes apresentados e discutidos com os governantes que saíram e com os governantes que chegaram. Já se foram pelo menos umas quatro rodadas. Todos entendem, todos prometem e nada acontece! E vem 2016! O que vamos esperar? Acima de tudo, que mantenhamos nossas esperanças, com muita saúde e disposição para participar e ajudar no fortalecimento de nossa silvicultura.
Que 2016 traga soluções para problemas que se arrastam há anos! Vamos dar forças para o que aconteceu em 2015 e que precisa de empurrões! Vamos arregaçar as mangas e mandar bala! Repetir a relação de reivindicações parece desnecessário, mas as iniciativas de 2015 precisam de conclusão. Vamos chamá-las de “novas paixões” e para que sejam lembradas, a todo momento – novamente -ei-las:
• tirar do forno o programa de florestas plantadas. E que contemple e reconheça as contribuições econômicas, sociais e ambientais da silvicultura. E não esqueça, que agora, o compromisso é com o “Planeta”;
• consolidar a nossa representatividade institucional na estrutura do Ministério da Agricultura;
• estabelecer mecanismos para que os financiamentos atendam às necessidades dos empreendedores no momento adequado. E sem canseira!
• que a madeira se torne realidade como insumo energético e remunere decentemente os produtores florestais;
• que a legislação deixe de discriminar a silvicultura com a pesada burocracia e “papelada de gaveta”;
• que programas de fomento florestal se tornem medida estratégica de suprimento dos grandes consumidores e não somente “ação de amizade comunitária”;
• que a pesquisa florestal tenha sustentação e que os trabalhos de revitalização de áreas degradadas com espécies nativas não sejam esquecidos com as chuvas, que já estão causando estragos;
São coisas novas e outras velhas com roupa nova, mas essenciais para que a silvicultura cresça e se sustente!
Um feliz Natal e muito sucesso a todos em 2016!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.painelflorestal.com.br

Post-21

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

HITÓRIAS QUE MUDARAM O RUMO DO SETOR!

Numa dessas conversas sobre o setor, alguém falou: “Isso mudou o rumo do certo, não deixe de registrar”!
Não tenho muita certeza de que isso tenha, de fato, mudado muita coisa, mas vamos aos fatos.
14/12/2015 – Por volta dos anos 2003/2004, estávamos todos os responsáveis pelo PNF (Programa Nacional de Florestas), sob a direção do Eng. Tasso Azevedo, envolvidos de corpo e alma na “construção” do Serviço Florestal Brasileiro. Trabalho para todos e não faltava entusiasmo. A Ministra Marina Silva, com paciência e sabedoria tratando das articulações políticas, os amigos João Paulo Capobianco e Carlos Vicente cuidando dos ajustes para integração dos diferentes segmentos, e o Eng. Tasso, num sobe e desce incansável de 24 horas por dia, fazendo todas as amarrações necessárias. À equipe do PNF, da qual tive satisfação de fazer parte, coube a organização e conclusão de detalhes específicos.
Foram meses de incansável batalha! Coube a mim correr atrás dos amigos silvicultores para mostrar e justificar a necessidade de participação do setor de florestas nessa empreitada. Parece piada, mas era a pura realidade: tentar mostrar ao setor de florestas plantadas a importância de sua participação no Serviço Florestal Brasileiro!
Naqueles tempos, ainda se vivia a ressaca de uma traumática e frustrada investida para se “arrancar” do Ministério do Meio Ambiente o setor de florestas plantadas! Essa novela cheia de fatos pitorescos e inesquecíveis para quem os viveu, merece um livro de leitura imperdível para todo silvicultor, que não consegue entender o atalho que a silvicultura se meteu, na busca de sua identidade institucional.
Então, depois do enorme esforço para se constituir o Serviço Florestal Brasileiro, de repente, estavam faltando pequenos acertos para se fechar o pacote político e se ter o projeto de lei para seguir à aprovação! E nesse final de linha, ainda persistia a indefinição da silvicultura! Seus representantes designados para acompanhar, propor e fazer sugestões se negavam, inexplicavelmente, a qualquer conversa. Justificavam- se com dúvidas a respeito das implicações futuras, mas, acima de tudo, deixavam a impressão, que, de fato, não queriam nem discutir a possibilidade de deixar a silvicultura ligada ao Serviço Florestal Brasileiro.
Uma postura intransigente.
Dava a impressão de estarem participando de uma missão definida e indisposta a dar ou ouvir qualquer sugestão ou reivindicação. Vez ou outra, algum aceno positivo, só como parte da encenação política a que se prestavam! Mas tudo isso, se tornou insignificante diante do desfecho das tratativas!
Às vésperas de se concluir o projeto de lei e animados pelos “sinais positivos” dos representantes do setor, tivemos, na sede do PNF no Ministério do Meio Ambiente, uma última reunião para se definir a inclusão ou exclusão da silvicultura no Serviço Florestal. E isso se resumia em deixar ou tirar do capítulo, que tratava das responsabilidades da autarquia, num final de frase o……. “e florestas plantadas”.
De uma reunião bem tranquila, com risos e afagos, ficou acertado que ficaria no texto o… “e florestas plantadas”.
Assim, a silvicultura constituiria uma Diretoria do Serviço Florestal. Saímos da sede do PNF e fomos ao Congresso Nacional dar a “boa notícia” ao Deputado encarregado de fechar essa negociação. Aqui, então, tivemos a desagradável “surpresa”. Na frente do Deputado os caríssimos e respeitáveis representantes da silvicultura brasileira, em alto e tom inconfundível disseram: “Prezado Deputado, o setor de florestas plantadas não aceita ficar sob a responsabilidade institucional do Serviço Florestal Brasileiro!”
Fim da reunião e a silvicultura estava fora do Serviço Florestal. E assim, fechava-se uma porta e abria-se o atalho para se iniciar a caminhada na procura do endereço institucional do setor! Ficou a frustração e o susto!
Nunca, juntamente, com Eng. Joberto, que acompanhou, detalhadamente, toda a novela, conseguimos entender esse desfecho, e muito menos, a facilidade para se destratar um trato selado com “aperto de mão”!
No final, vale o registro para que se compreenda a causa que levou a silvicultura brasileira, que avança na direção da sustentabilidade, a não estar vinculada ao Serviço Florestal Brasileiro!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.celuloseonline.com.br

Post-20

 

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

AS PESQUISAS FLORESTAIS NAS NOVAS FRONTEIRAS!

A silvicultura brasileira precisa e vai se expandir às novas fronteiras – áreas do centro-oeste, norte e nordeste. Nas regiões sul e sudeste a silvicultura já está consolidada. E uma boa floresta, se faz aplicando os conhecimentos técnicos e científicos gerados pelas pesquisas florestais, que vem sendo desenvolvidas, há muito anos, nessas regiões. O processo de desenvolvimento é dinâmico. Ainda vamos avançar na produtividade das florestas, na qualidade da madeira , na harmonização dos aspectos econômicos, sociais e ambientais, dentre outros aspectos. Mas não se pode negar que, nessas regiões, estamos numa fase de refinamento dos procedimentos silviculturais. Nas novas fronteiras, no entanto, o desafio está começando e precisa ser enfrentado com a maior urgência! A nossa Presidente, reiterando compromisso anterior, falou, recentemente, em Reunião do Clima, em Paris, que vamos reflorestar, adicionalmente, cerca de 12 milhões de hectares até 2030. Há inúmeras dúvidas a respeito de tamanha ousadia, mas independente desse compromisso, a silvicultura já está desembarcando em novas regiões.
O desafio é gigantesco e a escassez de informação, nessas regiões assusta! Os dados iniciais que estão sendo alcançados mostram boas perspectivas, mas evidenciam o extremo cuidado a ser tomado nas decisões técnicas. Há regiões atraentes, mas com limitações de solo e clima, dentre as principais limitações. Há de se selecionar as áreas, que apresentam reais condições de serem utilizadas. Há de se determinar com muito cuidado o material genético a ser usado e os procedimentos silviculturais a serem adotados. Esses passos são imprescindíveis para se evitar erros irreparáveis! Os trabalhos pioneiros estão mostrando, que nessas regiões, estaremos desenvolvendo uma nova silvicultura. Os trabalhos pioneiros, cuidadosamente, conduzidos nessas novas fronteiras evidenciam essa realidade. É interessante registrar também, que além da assustadora falta de informações confiáveis, há de se preocupar com a existência de dados de discutível base científica.
Há pouco tempo atrás, numa olhadela por pesquisas realizadas na região, despertou-me curiosidade uma pesquisa testando espaçamento, com diferentes clones considerados com maior ou menor sensibilidade a déficit hídrico! Que surpresa! Numa região, onde a principal dúvida é a definição do material genético, como é possível fazer testes de espaçamento? Baseado em quê, os clones foram classificados quanto à resistência ao déficit hídrico? Há pesquisas, suficientemente, maduras que permitem tais afirmações? Será que as informações da pesquisa merecem crédito? É sabido que falsas premissas não levam a conclusões confiáveis! Um paradoxo: faltam informações e sobram desinformações. Esse é um cuidado adicional aos silvicultores, que vão torcer para que a palavra de nossa Presidente seja honrada e já começam a se preparar para os desafios das novas fronteiras!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br.

Post-10

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O PLANTIO DE ESPÉCIES NATIVAS: É BOM SABER!!

Numa animada conversa a respeito de problemas do setor, alguém defendia com muita indignação ; “não há nada mais vergonhoso para a silvicultura brasileira, do que não ter nenhuma espécie nativa plantada em escala comercial”. De outro canto, alguém tentou um remendo, mas pouco valeu : “temos o guanandi, o paricá “ e antes que ele desse mais algum nome, o indignado retrucou: “estou falando de plantio comercial de 5,8,10 mil hectares! E ,então, veio em coro… “é verdade” . Todos aprovaram . Foi uma discussão muito proveitosa , com considerações, que caberiam perfeitamente aos ouvidos dos “fazedores de programas disso ou daquilo”!. Seguem as considerações para registro e reflexão!
1- As primeiras iniciativas para fomentar o plantio de espécies nativas surgiram com a política de incentivos fiscais para reflorestamento, por volta de 67/68 com a Lei 5106 e, mais tarde, com a Lei 1134, que tratava do FISET- Reflorestamento. Previa-se o plantio de espécies nativas em 1 % da área plantada com incentivos fiscais. Não há informações a respeito do resultado desses plantios, mas há muita desconfiança, de que tenha sido um fracasso! Mais na frente, por volta de79/80, o próprio IBDF, acatando sugestão da Dra. Maria Thereza George Pádua, trocou o 1% exigido por lei, por manutenção de 10% de vegetação natural. Estima-se, que dessa forma, foi possível manter mais de 200.000 ha de reservas naturais distribuídas em milhares de propriedades, que plantavam espécies incentivadas. Merece registro essa excelente contribuição da Dra. Maria Thereza, brilhante profissional do antigo IBDF, e reconhecida como das principais precursoras do movimento ambientalista brasileiro;
2- Depois de mais de 50 anos de pesquisa florestal realizada no Brasil, há indicações de que mais de 90 % dos recursos envolvidos nesses trabalhos foram alocados para o desenvolvimento de técnicas para formação de florestas de eucalipto e pinus. E mais de 50% desse valor foi originado de empresas interessadas na madeira como insumo industrial. Logo, não é nenhum exagero afirmar que a silvicultura brasileira só atingiu os elevados índices de desenvolvimento, graças ao irrestrito apoio da iniciativa privada;
3- Há centenas de estudos mostrando o potencial de inúmeras espécies nativas. Mas são escassas as informações técnicas, que abordam todo o ciclo produtivo das espécies promissoras. Aparentemente, nunca houve recurso disponível, capaz de motivar pesquisas no setor. O que existe, tem sido possível pelo esforço de heróicos batalhadores!
4- As introduções iniciais de eucalipto e pinus, segundo dados bibliográficos, mostravam produtividades em torno de 15 metros cúbicos/ha/ano, semelhantes às produtividades de dezenas de espécies nativas, sem qualquer melhoramento genético. Há muitos pesquisadores, que apostam nesses indicadores iniciais!
5- Nesse contexto de falta de informação, surgem dados, que nem sempre são suportados por base científica. Casos de exceção são apresentados, comercialmente, como” verdadeiras pérolas”, e levam desavisados interessados a grandes frustrações. Informações enganosas também surgem na silvicultura de eucalipto e pinus, mas são detectáveis com mais facilidade!
6- Com os problemas de seca e os reflexos nas represas de abastecimento de água dos grandes centros, os assuntos ligados à revegetação de áreas degradadas e recuperação de nascentes acendeu uma “luz de preocupação” na sociedade. Há consenso de que há necessidade, urgente, de se envolver os plantios com espécies nativas na solução dessas questões e isso ajudar no desenvolvimento de mais pesquisas . Tomara, que a chegada das chuvas não apague a chama de interesse!
7- À semelhança do que já se tentou, anteriormente, seria interessante que se criasse um grupo de especialistas para elaboração de informativos práticos para orientar pequenos plantios. Há informações esparsas, que talvez possam ser aproveitadas. Mas o crivo técnico e responsável é imprescindível para que a informação tenha credibilidade. Isso deveria ser entendido como obrigação institucional e intransferível do Governo, através de suas instituições de pesquisas e universidades . Seria uma grande contribuição à silvicultura brasileira!
8- Nos últimos anos, as novas legislações estão destacando o pagamento por serviços e compensações ambientais. Em alguns estados, o assunto está sendo tratado com apoio técnico e muita fiscalização. Em S. Paulo, a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, através de inúmeras Resoluções Normativas está movimentando positivamente o setor. Tudo indica que o setor está saindo da inércia vergonhosa;
9- Ainda por conta dos trabalhos de compensação ambiental estão se formando viveiros de nativas e empresas para prestação de serviços de plantio e manutenção de florestas nativas. O pape da fiscalização para integrar competição , custo e qualidade dos plantios. Tudo para não comprometer o ânimo dos interessados;
10- Os interessados no plantio de espécies nativas devem consultar um especialista no assunto. Há profissionais competentes que sabem lidar com as escassas informações e podem ajudar muito. Mas se não se deixem levar por sonhos dourados e milionários. Há exemplos bem sucedidos, às vezes, em condições especiais e que não permitem generalizações!

Tomem muito cuidado, principalmente, com a possibilidade de venda da madeira a ser produzida, por valores exorbitantes. Usem todos os meios para se conhecer informações “milagreiras”, que aparecem. Infelizmente, há muito a se fazer, até que se possa confiar plenamente no sucesso de grandes plantios comerciais com espécies nativas.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

Post-24

 

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

“SILVICULTURANDO-SE”

O ZÉ DO NÓ E A VENDA DE MADEIRA!

Há uns dias atrás, com surpresa e muita satisfação, encontrei-me no aeroporto, com o Zé do Nó. Esse nome sugestivo é consequência da facilidade com que o prezado amigo tratava qualquer assunto, que lhe fosse apresentado! Fomos companheiros em GT – Grupos de Trabalho, lá por Brasília. Cumprimentos rápidos e foi tascando: “fale o que você acha sobre o preço da madeira, que os produtores estão recebendo”! e continuou “o camarada chegou com a maior cara de pau e falou: compro tudo, pago a vista, mas só posso tirar daqui a hum ano”! O Zé estava fazendo referência a uma proposta de compra de madeira feita para o tio dele, dono de 50 alqueires de eucalipto, com 5 anos de idade, e, segundo o Zé Nó, com desenvolvimento maravilhoso! E continuou: “ o velho balançou”. E todo cheio de glória, completou “se eu não tivesse lá, por acaso, o negócio teria saído”. E seguindo: “era uma bolada boa, e que ia resolver um monte de problemas do tio”. De repente, o Zé me questionou: “será que ele vai conseguir vender essa madeira mais na frente? E o preço miserável que ofereceram, será que vai melhorar? E todo preocupado, disse: ” eu incentivei ele a plantar, já pensou que sacanagem”?

Um pouco de silêncio e ele completou a história: “acabei de medir a floresta e encontrei mais de 45 metros cúbicos/ha/ano e tudo com estrada boa e fácil de retirar. E dando mais detalhes : “ E o comprador ofereceu menos de R$ 30,00 /metro”. E, ainda, falou: “ a gente mede agora, e paga tudo à vista, mas vamos demorar uns 18 meses para começar a tirar”! Daí, perguntei –“nós sabemos que a floresta continua crescendo, e eles pagam essa diferença, quando retirar a madeira”? E veio a resposta maravilhosa: “esse pagamento adiantado é para compensar tudo isso”. Ele, meio desconsolado, completou: “ disseram que vão medir na porta da fábrica, com equipamento de precisão e se existir diferença muito grande, eles voltam para conversar” e, ainda, soltou mais uma pérola “ vão trazer um panetone no final do ano” !

Daí, eu retruquei: “e a madeira fina, ponta de árvores, árvores tortas, aquele resíduo lenhoso, que sempre sobra? Quem paga? E ainda completei: “isso pode representar mais de 10% da floresta”! O Zé do Nó ficou assustado e desabafou: “ disseram que a madeira fina não interessa, e vão deixar tudo na floresta”! E já, quase saindo, batizou: “ e acham que o Zé do Nó sou eu”!

Tudo esclarecido, fizemos um balanço do negócio: madeira comprada a preço miserável; medição enganosa e um monte de dinheiro à vista para sufocar o desavisado produtor! E a conclusão óbvia: usam-se de todos os meios para se dar um perfeito nó no dono da floresta ! Quem conhece o setor sabe, que isso não é regra geral! Mas são essas atravessadas exceções, que maculam a silvicultura e espantam os produtores florestais!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

Post-02

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário