SILVICULTURANDO-SE

RETOMANDO a janela “SILVICULTURANDO-SE”. Registros, lembranças e informativos sobre o “dia-a-dia” da silvicultura brasileira!

1-) Discussão do Código Florestal

O Ministro do STF, Luiz Fux, convoca audiência, em 18 de abril, para discussão do Código Florestal e enfatiza o carácter técnico a ser observado. Será que não é hora de  dar a palavra às universidades e instituições de pesquisas? Quem vai  providenciar esse chamamento? Ou vamos esperar que professores e pesquisadores, sempre com falta de recurso financeiro, assumam voluntariamente esse papel? E o  básico: o que temos pendente e que necessita de mais explicações técnicas?  A quem passamos a palavra? E de quem vamos esperar as iniciativas de preparação e organização do setor? Ou já está tudo preparado e está faltando só informação?

2-) Centro de Pesquisas Florestais no Mato Grosso do Sul

Há muitos profissionais defendendo a criação de um Centro de Pesquisa Florestal naquela região ou a extensão de alguma entidade, que já exista.  O Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho, que conhece bem e trabalha na região, tem se mostrado importante defensor  da criação de uma instituição dessa natureza, e com urgência! O Dr. Rensi tem amplo conhecimento de toda a história de nossa silvicultura e  participou  da criação do IPEF.  Em seus comentários ele enfatiza : “A silvicultura tem papel fundamental no desenvolvimento econômico e social da região, e é um processo irreversível” e continua; “ a região já é destaque em todo o mundo  como  produtora de celulose de eucalipto! Será que não cabe uma instituição  para cuidar da sustentabilidade desse patrimônio”? e ainda  sinaliza as principais preocupações: “ temos muito a se fazer com o melhoramento genético, a nutrição das plantas e especialmente, uma atitude preventiva com respeito às pragas e doenças”. Aparentemente, há muita concordância  nessas colocações. Fica o desafio para reflexão de todos que atuam na região!

3-) O mercado de madeira vai melhorar?

Há muitas queixas e desânimo entre os produtores de madeira e uma questão inexplicável: como a indústria continua produzindo bem, vendendo melhor ainda, e o preço da madeira, à semelhança de um pé de repolho? Mas há sinais interessantes: há madeira viajando mais de 500 km para ser usada e,  em algumas regiões, já há fomentados conseguindo preços mais vantajosos em sua madeira! Será que, ainda teremos tempo para não se perder todos os produtores, situados nas vizinhanças dos  grandes consumidores e que estão sendo massacrados pelos preços da madeira.

4-) Cresce o interesse pelo uso múltiplo das florestas

Tem sido crescente o interesse de produtores pelo uso múltiplo das florestas, como consequência, principalmente, da impossibilidade de se alcançar um preço adequado para a madeira cortada  com 6 ou 7 anos, destinada às grandes indústrias. Com certeza, teremos algumas dificuldades operacionais, mas é o grande caminho da silvicultura, principalmente, próximo aos grandes centros de consumo. Em algumas regiões, que consomem madeira de eucalipto para serraria, já se fala em mais de R$ 200,00 o metro cúbico de madeira em pé para árvores com diâmetro superior a 40 cm!

5-) Só para lembrar!

Será que a crise política, econômica e ética que assola o país vai levar para o esquecimento as questões que dificultam o desenvolvimento da silvicultura brasileira? Vamos lembrar algumas: os milhões de hectares que deverão ser reflorestados para cumprir as promessas feitas em reuniões internacionais? E o Programa Nacional de Florestas Plantadas? E……

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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BRILHANTES PROFISSIONAIS DA SILVICULTURA – PARTE 1

Temos recebido de muitos amigos  com certa frequência, sugestão para se elaborar a relação de profissionais, que registraram seus nomes na história da silvicultura brasileira. Sempre em tom amistoso, ouve-se: “esses  silvicultores não podem ser esquecidos”. Não é fácil, e o risco de se cometer injustiça é muito grande.  É constrangedor esquecer esse ou aquele  profissional, que se dedicou de corpo e alma  à silvicultura, e que, de repente, “numa lista atrevida”, não vê o seu nome  mencionado. Antecipadamente, desculpem-nos pelas falhas! Sabemos de brilhantes profissionais, que não tiveram  visibilidade nacional, mas que merecem registro.  São respeitados e admirados em suas regiões de atuação. E isso é muito importante!

A idéia é valorizar o esforço de todos: dos grandes precursores, de professores, empresários, daquele silvicultor  que sujava a  bota, enfim….. lembrar de todos e sem distinção! Mas vamos….que vamos….. Pretendemos elaborar uma “lista aberta”, com alguns nomes, que em muitos casos ,representam grupos de profissionais de uma instituição, de uma escola, ou de uma empresa!  Esperamos que nossos colaboradores  relacionem os  seus  escolhidos para registro!  Contamos  com  essas complementações! É só mencionar os  profissionais, que de uma forma ou  de outra,  no seu entendimento, ajudaram a silvicultura brasileira! Vamos valorizar  todos que contribuíram para o sucesso dessa atividade tão importante à sociedade brasileira. Não deixe que seu grande colaborador, aquele que serviu de exemplo para você, fique esquecido! Outras  considerações:

A. Vamos ter como referência os últimos 50 anos para ficar bem caracterizado o período da  silvicultura  pós- incentivo fiscal;

B.  Seria interessante que  o  participante, nessa primeira etapa, colocasse apenas os nomes dos profissionais com pequenas citações. No final, procuraremos fazer pequeno histórico dos nomes mais citados;

C.  Aceitamos sugestões, inclusive a respeito do tipo de homenagem a ser prestada. Quem sabe uma bela confraternização!

 

A  Comunidade de Silvicultura  faz a primeira relação e sugere que novos nomes sejam acrescidos  a essa primeira lista:

  1. Helladio do Amaral Mello – o grande professor de silvicultura da ESALQ –USP. Chefiou o Departamento de Silvicultura da ESALQ. Fez parte da equipe que fundou o IPEF –Piracicaba. Comandou um grupo de brilhantes pesquisadores, que se doaram de corpo  e alma  à silvicultura brasileira. Participou ativamente da formação da estrutura básica – ensino e pesquisa – que  proporcionou o grande sucesso da silvicultura brasileiro. Incentivador,orientador e grande professor. Foi para centenas de profissionais o”Grande Mestre”. Uma brilhante equipe   de exemplares e dedicados professores deram continuidade a sua obra.

2. Ronaldo Guedes Algodoal Pereira- o grande professor de Economia Florestal do Departamento de Silvicultura -ESALQ. Ao lado do Dr.Helladio, tornou o IPEF uma realidade.  Criativo, arrojado e formador de equipe. O Professor Ronaldo foi grande orientador e entusiasta do setor. Foi Diretor e Presidente da antiga Champion Celulose e Papel.  Elogiado e admirado em tudo que fazia. Participativo e empreendedor;

3. Walter Suiter Filho – o grande batalhador das sementes melhoradas. Deu significativa contribuição à silvicultura brasileira, colocando no mercado toneladas de sementes de melhor qualidade comercializadas pelo IPEF.  Essas sementes mudaram o perfil das florestas incentivadas. Trabalho  desafiador e que contou com colaboradores incansáveis, com destaque para o Eng.  José Zani Filho;

4. Antonio Sebastião Rensi Coelho – participou ativamente de toda a vida do IPEF. Foi diretor da Duratex S.A e formou profissionais de muita competência. Homenageado, admirado e respeitado pela  inteligência, criatividade e entusiasmo. Um misto de professor, conselheiro, amigo, quase “um pai” para todos que tiveram o privilégio de sua convivência. O Eng. Angelo Di Ciero, excelente silvicultor, foi um grande destaque de sua equipe. Da mesma forma, o atual Presidente da Duratex, Eng. Antonio Joaquim, iniciou sua carreira de sucesso  na  equipe do Dr. Rensi;

5. Jaime Mascarenhas – Diretor Florestal da antiga Champion Celulose e Papel. Grande colaborador do IPEF.  Formou excelente equipe de profissionais na empresa. Foi Diretor da Flonibra, que mais tarde  deu origem à Bahia Sul. Foi Diretor do Jari. Sempre ligado aos movimentos das pesquisas florestais brasileiras;

6. Pieter Willie Prange –   grande profissional dedicado aos pinus do sul do Brasil. Foi Diretor da Olinkraft, onde conseguiu implantar extensa área de pesquisas com Pinus elliotti e Pinus taeda. Foi Diretor da Champion e participou intensamente dos trabalhos das entidades de classe – ANFCP,depois BRACELPA e SBS;

7. Laerte Setúbal – diretor da Duratex S.A. Participou da fundação do IPEF e sempre liderou os movimentos do setor  visando o desenvolvimento tecnológico. Deu excelente contribuição a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura e apoiou reinvindicações políticas que  valorizaram sobremaneira a silvicultura brasileira.  Foi  dos grandes empresários que mais valorizaram a silvicultura em suas empresas;

8. Silvio Péllico – professor da Escola de Florestas de Curitiba e  incentivador de pesquisas e inovações no setor. Para muitos é  considerado “o pai do inventário florestal no Brasil”. Foi  batalhador e juntamente com seus companheiros da Escola de Curitiba criaram a FUPEF. Participou da formação de centenas de brilhantes profissionais, que deram continuidade as suas iniciativas;

9. Roberto da Silva Ramalho – professor de Viçosa e batalhador  pela criação da SIF, entidade que congregava empresas, à semelhança do IPEF e FUPEF. Contribuiu de forma expressiva para o desenvolvimento da silvicultura, especialmente em Minas  Juntou profissionais brilhantes na Escola de Viçosa. Entre os quais o Eng. Mauro Silva Reis, diretor do PRODEPEF e depois Presidente do IBDF.  Fez com que Viçosa se transformasse num centro  de excelentes profissionais;

10.  Lamberto Golfari – grande pesquisador da FAO, que desenvolveu  extensa rede de experimentações com espécies e procedências de  plantas exóticas e  nativas, em todo o país. Pesquisas básicas que  contribuíram sobremaneira para o sucesso da silvicultura. Seus trabalhos, ainda servem de orientação para muitos  empreendimentos. Viajou  todo o Brasil e  proporcionou excelentes oportunidades para o desenvolvimento técnico de seus colaboradores. Uma grande equipe que, em diferentes empresas, deu continuidade a sua maravilhosa obra. Uma excelência técnica, e exemplo de dedicação;

11. Roberto de Mello Alvarenga – foi diretor do Instituto Florestal de S.Paulo. Foi um dos principais introdutores das diversas espécies de pinus em S. Paulo. Dedicou-se à legislação florestal e deu significativas contribuições ao setor. Foi professor e responsabilizou-se pela rotina executiva da SBS por muitos  Participou da organização de inúmeros Congressos Florestais Brasileiros. Admirável pela dedicação e companheirismo;

12. Leopoldo Garcia Brandão – foi um dos responsáveis pela criação da ARACRUZ S.A. Foi constante inovador. Criativo, empreendedor e entusiasta do desenvolvimento tecnológico. Foi um dos principais responsáveis pela projeção em nível internacional da silvicultura brasileira. Formou  equipe de profissionais altamente capacitados que proporcionaram à Aracruz,  inúmeras homenagens nacionais e internacionais.  Talvez tenha sido  um dos empresários, que mais valorizou as atividades florestais dentro de uma empresa;

13. Antonio Paulo Mendes Galvão – O coordenador do Grupo de Trabalho que criou a EMBRAPA- FLORESTA. Foi Diretor Geral da entidade e elaborou toda a sua programação de crescimento e desenvolvimento. Deu oportunidade para formação de dezenas de pesquisadores nas mais diversas especialidades   da ciência florestal. Participou da elaboração e organização de Congressos Florestais do Brasil e reuniões internacionais. Grande organizador  e comprometido com a qualidade e pontualidade de seus trabalhos. Tem extensa relação de contribuições ao setor florestal brasileiro;

14. José Luiz Magalhães – diretor da CAF e colaborador permanente do IPEF e SIF. Grande incentivador das pesquisas florestais para produção de madeira para carvão vegetal. Sua empresa possuía umas das maiores redes experimentais  de pesquisa em região de cerrado.  Foi  permanente  colaborador das entidades representativas do setor e incansável batalhador para mudanças e adequações das entidades públicas. Admirado e respeitado pela habilidade  de levar a frente suas reivindicações setoriais;

15. Luiz Ernesto George Barrichello – professor de tecnologia de celulose e papel do Departamento de Silvicultura –ESALQ. Brilhante pesquisador e muito querido e respeitado como professor. Orientou inúmeros profissionais. Ativo colaborador. Inovador, motivador e Remodelou toda a organização do IPEF. Comprometido com realizações e  capacitação de profissionais. Foi o grande responsável pela introdução das premissas de integração floresta-indústria;

16. Os irmãos Speltz – Os Engs.Geraldo, que trabalhou por muito tempo na Klabin, na antiga Borregard e Cenibra e Raul, que trabalhou anos e anos na Klabin. Respeitados e admirados pela dedicação, responsabilidade e comprometimento  com seus trabalhos. Incentivadores de inovações tecnológicas. Colaboradores incansáveis das instituições de pesquisas-IPEF,FUPEF e SIF. Foram exemplos de profissionais que se confundiam com  suas empresas – o “ Raul da Klabin, o Geraldo da Cenibra”. Deram enorme contribuição  às suas empresas e ao setor florestal brasileiro;

17. Luiz Calvo Ramires – empresário reflorestador, que conseguiu se manter firme e forte no setor, mesmo após o final dos incentivos fiscais. Sempre acreditou na atividade e foi um dos primeiros empreendedores a tentar  implantar um projeto florestal voltado a créditos de carbono. Durante o período de incentivos fiscais primou pela responsabilidade e cuidado com seus compromissos. Sempre acreditou na tecnologia. Grande colaborador e ativo participante das entidades de classe. Tem em seu filho Junior, um grande seguidor dos exemplos construídos;

18. Os irmãos Moura – os irmãos Gualter, Geraldo e Eustáquio representam um dos mais bem sucedidos exemplos do período de incentivos fiscais. Formaram  grande patrimônio florestal e caracterizaram da melhor forma o “serviço  de terceirização no setor florestal”. Transformaram-se em gigantes  no setor. Constituíram o único projeto brasileiro  de florestas plantadas integrado com siderurgia, que conseguiu se habilitar e  conseguir os créditos de carbono. Um exemplo, que tinha tudo para ser seguido como política pública pelo Governo Estadual de Minas Gerais e Governo Federal!

19. Carlos Eugênio Thibau –o grande entusiasta do manejo do cerrado para produção de carvão. Dedicou sua vida profissional em prol das causas florestais. Defendia fervorosamente o uso racional do cerrado e o plantio com tecnologia do eucalipto. Esteve presente em todas as reivindicações do setor junto aos Governos de plantão. Colaborou intensamente na formação da Embrapa Floresta e quando diretor da Florestas Rio Doce incentivou sobremaneira as pesquisas  na empresa;

20. Sebastião do Amaral Machado – professor da Escola de Florestas de Curitiba. Uma unanimidade como exemplo de profissional dedicado e professor amigo e orientador. Representa importante pilar de sustentação da silvicultura brasilieira. Participativo e grande colaborador de todas as iniciativas para melhoramento do ensino e da pesquisa florestal. Tem incontável relação de admiradores por sua ética, inteligência e companheirismo.

 

A Comunidade de Silvicultura  dará continuidade  a essa  relação  de brilhantes  profissionais. Não há critério de importância ou prioridade. Aliás, esse grupo de pessoas especiais fizeram o sucesso de nossa silvicultura e todos merecem o nosso agradecimento e respeito. Todos são craques! E a relação é grande!!!! CONTINUA………

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA NÃO PODE PARAR!

A silvicultura brasileira de tempos em tempos apresenta características ou modismos bem marcantes. Há até quem se refira a esses tempos com suas  marcas bem expressivas: a época dos incentivos fiscais; a época das sementes importadas; e por aí vai….

De uma forma ou outra, sempre foram marcas que mostravam a evolução tecnológica que foi enriquecendo a silvicultura. E quais as marcas  da silvicultura dos tempos atuais?   Seria o processo de certificação? O manejo para uso  múltiplo das florestas de eucalipto? Um repensar na utilização de clones? Os  desajustes dos programas de fomento? A valorização dos aspectos  socioambientais? Os grandes negócios com ativos florestais? Os novos investidores envolvidos com  florestas? As novas indústrias e os estoques indefinidos? As perspectivas das novas fronteiras? Seriam algumas dessas marcas ou seria a soma de todas elas?  Essas interrogações levam a questionamentos inevitáveis: a silvicultura está sendo enriquecida?  Vai continuar competitiva?

Há de se registrar, no entanto, os sinais indesejáveis!  Há preocupações diferentes: entre  os profissionais da silvicultura, entre  os grandes produtores, grandes investidores e especialmente, entre os pequenos produtores.  As palavras de ordem são: diminuir custos, cortar isso ou aquilo, paralisar programas de plantio, paralisar a produção de mudas, etc. Fica a sensação, de que a silvicultura está desacelerando-se! Essas mudanças podem impactar a produtividade e os estoques futuros, e de forma insuperável! Com certeza, os reflexos poderão afetar a todos: produtores e consumidores! Problemas de curto prazo, numa atividade de longo prazo, podem  criar problemas imensuráveis! A madeira que é vendida  “ a preço de couve – flor”, segundo o Eng. Balloni,  impacta toda a cadeia de produção. Os produtores somem e não se planta mais nada!

E quanto vai custar, lá na frente, a madeira que não existirá?  Acreditamos que essas indagações merecem reflexão. Muito mais, por parte daqueles que brigam por uma silvicultura sustentável. A silvicultura não pode parar!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA PRECISA MUDAR O FOCO!

Há pouco tempo, através da Comunidade de Silvicultura – www.facebook.com.br/comunidadedesilvicultura – provocamos nossos colaboradores com a pergunta: O que atrapalha a silvicultura brasileira? O resultado foi muito aquém do que se imaginava, mas permite considerações interessantes:

– tomamos conhecimento de vários comentários feitos, pessoalmente, a respeito da pergunta. Alguns silvicultores, gerentes e até Diretores falaram a respeito com muita propriedade, mas evitaram fazer comentários no facebook. Há dúzias de razões para explicar os constrangimentos, que tais comentários poderiam causar! Mas há de se fazer esse registro, pois essa dificuldade de se discutir com mais liberdade e transparência os reais problemas da silvicultura, atrapalha o desenvolvimento do setor e a definição de prioridades a serem reivindicadas. Vamos continuar a “tacar pedra no lugar errado”. Valeu o conteúdo das sugestões, deliberadamente, abertas para serem compartilhadas. A isso, cabe o nosso mais respeitoso agradecimento pela confiança e crédito!

– nos comentários do facebook a grande encrenca está no excesso de madeira de algumas regiões, e consequentemente no preço de mercado! Há muitas queixas como decorrência da paralisação das siderúrgicas em Minas Gerais e a sobra de madeira. Na mesma linha,fica o preço “de repolho”, que se oferece à madeira de desbastes de pinus na região sul. O repolho e a madeira de desbaste de pinus foi assunto, oportunamente, abordado pelo Eng. Edson Balloni, na edição da Revista Opiniões de dezembro-fevereiro/ Nº 42 – www.revistaopinioes.com.br

– recebemos também algumas mensagens em e-mail pessoal nbleite@uol.com.br – e a grande queixa ficou por conta dos financiamentos.A enorme dificuldade em viabilizá-los, e ao fato de não se encontrar nenhuma justificativa razoável para os entraves encontrados. Um tremendo contraste! Fala-se muito das linhas existentes e dos recursos disponíveis, mas a viabilização é de uma “canseira” desanimadora! As garantias são exigidas e apresentadas, as documentações atualizadas conforme as regras, juntam-se dezenas de comprovações, são realizadas inúmeras reuniões e nada de recurso!!!! E ficam as dúvidas: qual a razão e a quem reclamar?

– curiosamente, há também de se destacar o silêncio a respeito de questões que sempre estiveram no topo das reivindicações: complexidade e dificuldades com as legislações, o desaparecimento do Programa Nacional de Florestas Plantadas, a insuficiência de recursos para pesquisas florestais, o contínuo esquecimento das espécies nativas, as questões pendentes no CONAMA, dentre outros.

– a grande novidade foi apresentada por respeitável profissional do setor de logística, e que não sabe o que é “um pé de eucalipto” : despreocupadamente, ele falou, – “briguem por mais indústrias, mais exportação” e seguiu com uma indagação: “o mundo não precisa de madeira e produtos de madeira”? e a conclusão foi de doer: “e vocês continuam falando em aumentar a produtividade, programa disso e daquilo…”

– de tudo, ficam para reflexão: o baixo valor da madeira em muitas regiões, a grande dificuldade para se viabilizar os prometidos financiamentos, o arrefecimento com respeito às antigas e conhecidas reivindicações e a grande pérola, que merece registro, vinda de um especialista em logística – “a silvicultura precisa mudar o foco – lutem por mais consumidores, mais indústrias, mais exportação”!

– Realmente, é para se coçar a cabeça!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

A Comunidade de Silvicultura vai manter e alimentar a janela “SILVICULTURANDO-SE”. Não estamos criando nenhuma novidade. É mais para registros e lembranças! Há muitos informativos do setor, que se preocupam com o “dia-a-dia” da silvicultura brasileira. Ajudam e muito aos produtores, investidores, empresas, enfim… a todos que se interessam pela atividade. Essa janela da Comunidade de Silvicultura é para lembrar temas, críticas, mensagens, soluções e até problemas, que somem e de repente, aparecem com outra roupagem! É para evitar, como diz nosso amigo Paulo Galvão, de se dar “pique no lugar!” E vamos aos fatos para serem sugeridos, criticados, lembrados e comentados:

1- Endereço institucional da silvicultura

A falta, lá em Brasília, de uma sala, dizendo – Silvicultura Brasileira – aparece em todas as listas de reivindicações, desde quando o IBDF foi extinto, em 14 de fevereiro de 1989. Já se vão 27 anos! Contar toda a história? Nem pensar! Só lembrar, que mesmo retornando ao Ministério da Agricultura, a situação ainda não mudou! Continua a esperança e a confiança nas pessoas que estão lidando com a questão. Mas cabe um alerta de preocupação! Seria ótimo uma sinalização sobre o andamento das coisas! E aproveitando: E o Programa Nacional de Florestas Plantadas?

2- As mudanças do novo Código Floresta

O novo Código trouxe inúmeras modificações. Há questões que necessitam de regulamentação! Como ficamos junto ao Conama? Será que as regulamentações junto ao Conama estão resolvidas? Não podemos esquecer que temos pendências a serem regulamentadas. É uma parada! Mas essas questões ligadas ao Conama precisam ser, adequadamente, definidas!

3- A falta de água e os plantios com espécies nativas

Há cerca de 1 ano atrás, faltava água nas torneiras de muita gente, e pipocavam projetos de recuperação de nascentes e de áreas degradadas por todo lado. Chegaram as chuvas e os projetos sumiram! Vamos esperar a próxima seca para continuarmos a novela? Aliás, proteger com reflorestamento de espécies nativas nossas nascentes é trabalho preventivo, imprescindível e gigantesco. Tendo ou não tendo chuva! Mas o assunto só entra em pauta, quando a torneira seca! Vieram as chuvas, e só restaram algumas iniciativas, que já existiam e o esforço da Secretária do Meio Ambiente de S.Paulo, que luta para estimular o plantio de espécies nativas em compensações ambientais, recomposição de APPs e Reserva Legal. Esforços louváveis e que precisam de continuidade e apoio. É enorme o tamanho dos problemas que precisam ser resolvidos!

4- Espécies nativas: incentivos e pesquisas

Apesar da necessidade de se reflorestar nossas áreas de proteção ambiental com espécies nativas, há de se manter em pauta, dentre outras, duas grandes necessidades : recursos para o desenvolvimento de pesquisas com nossas espécies nativas e o estabelecimento de mecanismo que incentive o plantio! A Lei 5106, de 2 de setembro de 1966, que deu início às políticas de reflorestamento no Brasil, é tida por muitos, como um bom modelo, que poderia ser discutido! Será que não é uma sugestão a ser pensada por nossos governantes? Os resultados para o eucalipto e para o pinus, apesar de críticas discutíveis, foram excelentes!

5- PROFOMENTO, criado em 14/10/2002, não decolou!

Naquela data, em Assembléia Geral, na sede do IPEF, em Piracicaba-SP, contando com o apoio de mais de 50 (cinquenta) participantes, era criado o PROFOMENTO. Já, naquela época, percebia-se a necessidade de uma entidade, que cuidasse dos interesses de fomentados e produtores florestais independentes. Na ocasião, problemas burocráticos e detalhes jurídicos impediram a continuidade da proposta. Um dos principais objetivos era encontrar mecanismos de interesse comum, que pudessem incentivar e dar segurança aos programas de fomento florestal, valorizar a madeira e conseguir justa remuneração, por ocasião da venda. De fato, muitas coisas mudaram…. para pior! Alguma entidade cuidando dos interesses dos produtores pequenos ou grandes, seria importante para a sustentabilidade da silvicultura! Será que alguém duvida disso?

6- A madeira viajando pelas estradas

Apesar do preço baixo da madeira, reclamado por produtores florestais de muitas regiões do Brasil, é de se assinalar alguns paradoxos: há empresas cortando florestas com idade bem aquém do ideal; há madeira sendo transportada a centenas de quilômetros do ponto de consumo e a madeira produzida a 40 ou 400 km de distância do consumidor tem o mesmo valor! Aliás, é bom lembrar que a produção industrial de celulose de S. Paulo, nos anos 80 e 90, só foi possível crescer e se sustentar em função da madeira trazida do Mato Grosso do Sul. Foram milhões de metros cúbicos transportados a mais de 700 km de distância. Tem muita razão, quem diz: “madeira cara é aquela que não existe!”. E muito mais razão, quem acredita, que tratar o fomento, sem as devidas ponderações, é “matar a galinha dos ovos de ouro!”

7- Ataques de pragas vai aproximar empresas!

Há muitos alertas a respeito do ataque de pragas em quase todas as regiões brasileiras. São apontadas como causas principais: grandes extensões de culturas monoclonais; inexistência de matas naturais; programas ineficientes de combate; falta de conhecimento ou negligência do produtor, cortes orçamentários, dentre outros. Há exemplos no mundo de enormes áreas florestais, que foram arrasadas por pragas surgidas em decorrência de desequilíbrios climáticos! Há especialistas na matéria, que dizem que já está passando da hora de grandes empresas e produtores florestais se atentarem para a expansão e os desdobramentos de ataques crescentes e mais agressivos, que estão se sucedendo! O “mais ou menos”, o “acho que ainda não é hora” e o “não tenho nada a ver com isso” podem custar muito caro à silvicultura brasileira! E outro aspecto interessante: o resultado vai sempre depender da disposição do vizinho!

8- A restrita base genética da eucaliptocultura

A clonagem de eucalipto trouxe excelente contribuição à produtividade das florestas de eucalipto. Mudou “a cara da silvicultura” com florestas uniformes e de produtividades espetaculares. Em alguns locais, o acréscimo foi superior a 50 %. De outro lado, trouxe a sensação, de que tudo estava resolvido, em termos de melhoramento genético. E assim, grande parte dos trabalhos de genética, que vinham sendo conduzidos, foram deixados a segundo plano. Nos dias atuais, um pouco mais de meia dúzia de clones, de alta plasticidade, são plantados em todo o Brasil! E já foram parar até na China! Há muito tempo, fala-se na estreita base genética da eucaliptocultura comercial do Brasil! Há inúmeros especialistas falando da urgente necessidade de se aumentar a quantidade de clones para os plantios comerciais!

9- A certificação e o “escopo de tartaruga”

A certificação florestal é considerada, por muitos, como um dos principais fatores que consolidaram o desenvolvimento da silvicultura brasileira. Há, no entanto, fatores que impactam fortemente na atividade e que não fazem parte do “escopo de certificação”. A relação e o tratamento dado às empresas terceirizadas e fomentados são exemplos de temas considerados “fora do escopo” da certificação, e se, mal conduzidos por empresas certificadas, podem criar impactos danosos em prestadores de serviços e comunidades do entorno dos empreendimentos florestais. Será que o “escopo da certificação” é como uma casca de tartaruga? Uma mãozinha desse lado, pode ajudar muito a sustentabilidade da silvicultura!

10- A diferença da chegada e da saída!

A chegada e a saída do setor são, no mínimo, chocantes! No início, os grandes empreendimentos são marcados por correria, entusiasmo e otimismo. Nem os processos burocráticos, legislações e as complexas licenças ambientais assustam. O EIA-RIMA com audiências públicas, negociações de condicionantes sociais e ambientais, conversas com autoridades de plantão, promessas às comunidades, cursos de treinamentos…. nada atrapalha! Centenas de empregos…. um punhado de promessas e muitas firulas! De repente, acaba tudo! De fininha e nenhuma satisfação, nem ao bispo! E as pedradas? Ficam para os que continuam lutando pela silvicultura sustentável. E os condicionantes disso ou daquilo……. às gavetas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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O QUE ATRAPALHA A SILVICULTURA BRASILEIRA?

Há inúmeros trabalhos técnicos e relatórios explicando e reivindicando medidas empresariais e políticas públicas para fomentar o desenvolvimento da silvicultura brasileira. Falar das necessidades, prioridades, etc. é “chover no molhado”. Quem atua no setor já viu ou ouviu todo tipo de conversa. Que faltam políticas públicas, que os financiamentos são cansativos, que o preço da madeira está “de chorar”, que a legislação continua complexa, e por aí vai… um rosário de queixas!
Alguém pode perguntar: aponte as dificuldades que você está encontrando para fazer o seu negócio de silvicultura se desenvolver!! Vamos, conjuntamente, abrir mais o leque dos interessados, e sentir as reais dificuldades do nosso setor!
Quem sabe, teremos mais elementos para justificar nossas envelhecidas e desgastadas reivindicações!
Contamos com a colaboração de nossos amigos silvicultores e todos que se interessam por essa nobre atividade! Façam seus comentários e apontem com objetividade as grandes encrencas que precisam ser resolvidas!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CERTIFICAÇÃO, SUSTENTABILIDADE…. E AGORA?

“……… Será que a certificação, que, depois , passou a ser sinônimo de sustentabilidade, não alcançou todo o leque de responsabilidades da silvicultura? Está na hora de se pensar em novos parâmetros para se diferenciar os empreendimentos? O que diferencia a silvicultura de outras atividades rurais? Na verdade, há uma diversidade de características especificas da silvicultura, e talvez sejam essas diferenças que estejam a desejar tratamento adequado. Quando bem instalada, passa por várias gerações. Quando se trata de um grande empreendimento, é abrangente e abraça comunidades e vários municípios.
É quase insubstituível e cria uma grande dependência nas populações envolvidas. Tem um jeitão de “coisa pra sempre”. Seriam razoes para se exigir mais da silvicultura? E aí, cabem algumas considerações para reflexão:
1-) Aparentemente, o tripé da sustentabilidade está baseado em aspectos técnicos, sociais e ambientais. O aspecto técnico e ambiental tem muito de obrigatório e tangível. O social tem muito de obrigatório e muito de facultativo, com forte apelo ético e não tangível. Programas de fomento, construções de estradas de acesso, participação em programas de educação e saúde, treinamento de mão de obra, etc., são algumas das contribuições sociais de grande impacto nas comunidades.
2-) As contribuições sociais se misturam as responsabilidades de governo com as iniciativas voluntárias de empresas e transformam colaboração em obrigação. Não é fácil encontrar-se o ponto de equilíbrio, mas vira um desastre quando a colaboração é paralisada. E repercute em toda silvicultura.
3-) O fomento florestal, pelos laços que ligam os interessados, pelas expectativas geradas, obrigações e responsabilidades das partes envolvidas, aparentemente, tem peso significativo nas relações das empresas e comunidades. E, talvez, exigisse mecanismos formais mais realistas e mais justos, principalmente no que diz respeito aos valores da madeira produzida e comercializada. O baixo valor da madeira praticado nas negociações cria impactos negativos, desastrosos e irreversíveis em certas regiões. E repercute em toda a silvicultura.
4-) A silvicultura, que blinda alguns municípios e impossibilita qualquer outra atividade rural, teria que criar alternativas para uso da madeira e da floresta. A cara da silvicultura “para sempre”, e sem opções para às comunidades, deixa pesada sensação de prisão e submissão. Gera insatisfação. E repercute em toda a silvicultura.
O importante é que há empresas e profissionais conscientes dessas dificuldades e lutando para superá-las. Há quem esteja pensando até na qualidade da madeira para nichos específicos. É por esses esforços, às vezes isolados, que a silvicultura continua crescendo e se desenvolvendo. Quem sabe não estejam surgindo novos valores para se distinguir empresas e produtores rurais.”

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Trecho adaptado da REVISTA OPINIOES – Título: O futuro próximo da floresta plantada brasileira – Edição DEZ/FEV 2016; Pág. 16. Site: http://www.revistaopinioes.com.br

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A SUSTENTABILIDADE DAS FLORESTAS E O PREÇO DA MADEIRA!

Apesar da elevação dos custos de produção, ainda estamos na dianteira!

A silvicultura brasileira é campeoníssima de produtividade. Ninguém discute. E no Brasil se faz a silvicultura mais competitiva do mundo. Também, ninguém contesta! Apesar da elevação dos custos de produção, ainda estamos na dianteira.
Quem ganha com essas vantagens? E a resposta também é indiscutível. Todos ganham, mas os maiores beneficiados são as grandes indústrias consumidoras e, principalmente, as exportadoras. Mas os desdobramentos merecem reflexão:
• No discurso dos grandes empresários, o destaque é para a sustentabilidade da silvicultura. Isso implica no uso de tecnologia do mais alto nível e contínuos investimentos sociais e ambientais. Esses investimentos, quase sempre, não são colocados na conta, mas se deixar para segundo plano os cuidados sociais e ambientais, em pouco tempo, qualquer empreendimento estará condenado e metido num sistema falido ou com inúmeros B.Os(!!!). Ser sustentável tem custo!

• Existe uma boataria enorme a respeito de sobra de madeira aqui e ali! Há, de fato, sobra em alguns lugares – Vale do Paraíba, inúmeras regiões de Minas, nos estados do sul sobra a madeira fina de desbastes, mas há falta de madeira em outros locais – regiões da Bahia, do Maranhão, do Tocantins. Em muito locais, a necessidade ainda é pequena, mas em outros, a falta de madeira é significativa. É difícil até de explicar as razões que levam grandes consumidores, de repente, a se verem com falta do insumo básico. Aliás, essas histórias se repetem…

• O que não dá para entender é que o preço da madeira se mantém baixo em todos os lugares: onde falta e onde sobra.

• A certificação florestal ajudou muito os produtores florestais e o desenvolvimento da silvicultura. Mostrou tudo que é preciso ser feito para se ter uma floresta sustentável. Mas faltou avisar aos consumidores que, sem preço justo pela madeira, a tal de sustentabilidade da silvicultura vai para o brejo. E todos vão perder. Não dá para mudar as leis de mercado, mas cortar florestas com idade inadequada atrapalha bem as vendas.
• E aí vem a dúvida cruel: Será que alguém duvida que o elo frágil da cadeia é o produtor? E se romper? Onde fica a tal sustentabilidade dos “discursos”? Ou vale o famoso ditado popular – “vá se queixar para o bispo”?

• É importante que todos que usam e usufruem da silvicultura sustentável, fiquem atentos para que os elos frágeis não se rompam! A sustentabilidade só é sustentável (!) se, de fato, atender aos interesses de todos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.painelflorestal.com.br em 27/01/2016.

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SILVICULTURA: CADA MACACO NO SEU GALHO!

Nos últimos tempos, temos visto inúmeros assuntos de complexa conformação científica e estreita relação com questões econômicas, sociais e ambientais serem colocados em discussão, com justificativas e detalhes por profissionais que não conhecem nada do assunto. Só tocam de ouvido!
Nada contra, e se tocasse bem, mereceriam aplausos!
São temas de importância estratégica para o setor e que despertam curiosidade e muita especulação na sociedade. Uma temeridade essas inversões de competências! As questões de água e as sua relações com as florestas plantadas, o uso da madeira como biomassa para produção de energia e a utilização de transgênicos para aumento da produtividade das florestas, são dentre outros, bons exemplos de temas apresentados e debatidos com muita frequência no setor.
E são de relevância não só pelos envolvimentos técnicos e todo impacto na cadeia de produção, mas também e, acima de tudo, pelas conversas “sem – pé -nem- cabeça” que passam a gerar na sociedade. A causa disso? É simples. Não se dá oportunidade para que os verdadeiros especialistas possam abordar o assunto em toda sua abrangência, no lugar certo e na hora certa!
Na verdade, o especialista, quase sempre um pesquisador, representando uma equipe de trabalho, depois que publicou o resultado sai do jogo e passa a bola para outros. Ou pegam a bola dele! Surgem os “interpretadores da ciência” para dizer como vai se aplicar o conhecimento no dia-a-dia do setor e das empresas. Esses propagandistas também fazem papel importante no processo de divulgação de resultados, e até para valorizar e fomentar a aplicação do conhecimento. Estão na deles! A grande encrenca é quando esses propagandistas são donos de seus territórios ou são poderosos de plantão. Aí, usando de toda liberdade e no espaço, que sempre encontram disponível, se metem a explicar ou discutir, impropriamente, a realidade científica.
Nesses casos, o “bocudo” não ajuda, só atrapalha! É muito difícil proibir, impossível dar palpite e perigoso colocar a mão “nessa cumbuca”. Há de se contar com o “bom senso” do dono da palavra e torcer para que ele adote uma simples medida: – é só pedir para que um especialista de verdade, faça a análise técnica do seu texto, do seu discurso ou de suas proposições.
Com certeza erros ou interpretações inadequadas serão evitados. E aí sim, o papel desses propagandistas vai ser muito útil e respeitado. Mas mesmo assim, se o “bocudo” não achar que sabe tudo! E o mais interessante é que temos no Brasil especialista de capacidade técnica reconhecida, em nível internacional, para tratar dos temas mencionados! Mas os assuntos continuam sendo jogados de forma atravessada em reuniões, em publicações e à sociedade pelo Dr. Google.
A solução? Não é fácil! Fica a sensação de algum vazio dentro do setor ou a falta de uma voz mais forte para ordenar “isso e aquilo”! Cada um que toma a palavra sente-se no direito e até com autoridade para dar o seu “pitaco” em matéria científica! Esse é o inconveniente! Será que há dúvidas, quanto ao posicionamento das universidades e devidas orientações práticas, a respeito de assuntos tão polêmicos e importantes para o desenvolvimento da silvicultura? Pelos problemas já vividos pelo setor, a única certeza, que parece existir, é que esses temas, se tratados, adequadamente, podem beneficiar o setor.
Mas o bla-bla-blá de segundos e terceiros só traz dificuldades para a silvicultura brasileira! Para tratar de assuntos científicos e tão polêmicos vamos dar a vez às universidades! E deixar “cada macaco no seu galho!”
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.celuloseonline.com.br em 25/01/2016

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“OS GRANDES SILVICULTORES”

Pode um Professor de Química da madeira e Tecnologia do Papel e Celulose ser considerado um grande Silvicultor? Em se tratando do Professor Luiz Ernesto George Barrichelo, pode!
Em 1975, coordenando a disciplina Introdução a Engenharia Florestal, nós alunos percebemos que se tratava de um Professor diferenciado, carismático e responsável por mostrar um novo mundo para aqueles jovens acadêmicos da 5ª turma de Engenharia Florestal da ESALQ. Um pouco mais adiante, estávamos conhecendo a química da madeira. Vestido com seu guarda-pó branco, as fórmulas de celulose, hemicelulose, lignina… eram todas escritas a mão no quadro negro e, como num passe de mágica, conseguíamos entender aquela complexidade por meio simples e com o desejo de querer aprender mais. Aí está um exemplo de um Professor que foi orientador, mentor e “coah” de inúmeros Engenheiros Florestais que estão atuando em diferentes posições em diferentes organizações nacionais e internacionais. Pode-se dizer que foi um Silvicultor atuando na disseminação dos conhecimentos.
Já no final da década de 80, inspirado nos ensinamentos de seu pai e também do Professor Helládio, o Professor Barrichelo começa a atuar como Diretor Científico do IPEF e administra o Instituto na busca da identidade própria, defendendo os conceitos de integração e interação universidade – empresa, além da mudança de comportamento profissional do Instituto, com atitudes mais similares as empresas associadas. Em 1988 tive a oportunidade de observar a atuação de um líder institucional, procurando valorizá-las e também incentivar o crescimento dos engenheiros florestais que atuavam nessas organizações. Pode-se dizer que foi um Silvicultor atuando na consolidação das instituições.
Depois de um hiato profissional, em 2004, ele volta ao IPEF, atuando com Diretor Executivo do IPEF. Consolida a sistemática de atuação com os programas cooperativos e com isso vários programas ganham destaque internacional (BEPP, Promab, etc). Em 2009, pensando no futuro da organização, promove o Workshop em 2009 e em 2010 tive a oportunidade de ver a dedicação e liderança do Professor na execução e lançamento do Planejamento Estratégico do IPEF 2020. Com isso ficou muito claro para todos a Visão, Missão e Valores do Instituto e a direção dos caminhos a serem seguidos, através dos grandes objetivos estratégicos propostos. Pode-se dizer que foi um Silvicultor visionário para os futuros campos de atuação dos engenheiros florestais.
E para dizer que as ações propostas não ficam somente no papel, em 2011, entendi o que é traduzir palavras em ação. Diante da brilhante ideia do Eng. Ftal. Antônio Joaquim de Oliveira, o Professor Barrichelo aceita o desafio de executá-la e, em 6 meses, a ideia estava materializada, ou seja, estava sendo lançado a 1ª. edição do PPGF – Programa de Preparação dos Gestores Florestais. Já na sua 5ª edição, uma nova safra de engenheiros florestais, de diferentes faculdades do Brasil, tem a oportunidade de ter um melhor preparo para atuar, de forma positiva, nos diferentes campos de atuação de um silvicultor.
Durante 40 anos tive a oportunidade e o privilégio de acompanhar uma Pessoa e um Profissional (ambos com P maiúsculo) que, nas suas andanças em diferentes cenários, apregoa e pratica a trilogia: Fé, Dedicação e Vibração.
Quem quiser ver a verdadeira história contado pelo Professor, acesse o site: http://www.luiz.barrichelo.nom.br
Homenagem do Engº Florestal Admir Lopes Moura
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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