O QUE TEREMOS EM 2016?

Nelson Barboza Leite aborda as expectativas para o próximo ano

Começamos 2015 com um “punhado de dúvidas, de promessas e muita expectativa! As esperanças se acenderam! Novo Governo, novo endereço institucional, mudanças à vista, o programa de florestas plantadas cheirando à assado no forno, especulações em todo canto à respeito da madeira como insumo energético… Muita conversa e animação!
Mas, o que tivemos de concreto em 2015? De fato, saímos do Ministério do Meio Ambiente, de uma sala sem identificação e fomos para o Ministério da Agricultura, mas ainda não temos sala!
A madeira como insumo energético com muita fumaça, mas sem fogo. Um ou outro aventureiro falando em empreender, mas política pública definida, com embasamento técnico, econômico, social e ambiental, ainda é sonho. E só para os otimistas!
Aumentou muito o ruído dos insatisfeitos com o mercado e o preço da madeira – sobra madeira aqui, falta ali e o preço? “Um susto e uma corrida”.
Mas tivemos um anúncio surpreendente e bombástico! Soa como desafio para gigantes: vamos recuperar áreas degradadas e reflorestar mais 12 milhões de hectares até 2030! Promessa feita pela nossa Presidente em reunião da ONU e referendada em Paris, em reunião para tratar de Mudanças Climáticas para salvar o Planeta!
Está difícil por ordem no quintal mas: vamos que vamos… Só para lembrar – aquelas pendengas que se arrastam há anos, nenhum sinal! E para não dizer que não falei delas… ei-las: financiamento de “verdade” ainda é uma luta; mudanças na legislação, que discrimina a silvicultura; pesquisas florestais, especialmente com espécies nativas; valorização do fomento florestal com preço justo da madeira aos produtores florestais…
A lista segue com os mesmos componentes apresentados e discutidos com os governantes que saíram e com os governantes que chegaram. Já se foram pelo menos umas quatro rodadas. Todos entendem, todos prometem e nada acontece! E vem 2016! O que vamos esperar? Acima de tudo, que mantenhamos nossas esperanças, com muita saúde e disposição para participar e ajudar no fortalecimento de nossa silvicultura.
Que 2016 traga soluções para problemas que se arrastam há anos! Vamos dar forças para o que aconteceu em 2015 e que precisa de empurrões! Vamos arregaçar as mangas e mandar bala! Repetir a relação de reivindicações parece desnecessário, mas as iniciativas de 2015 precisam de conclusão. Vamos chamá-las de “novas paixões” e para que sejam lembradas, a todo momento – novamente -ei-las:
• tirar do forno o programa de florestas plantadas. E que contemple e reconheça as contribuições econômicas, sociais e ambientais da silvicultura. E não esqueça, que agora, o compromisso é com o “Planeta”;
• consolidar a nossa representatividade institucional na estrutura do Ministério da Agricultura;
• estabelecer mecanismos para que os financiamentos atendam às necessidades dos empreendedores no momento adequado. E sem canseira!
• que a madeira se torne realidade como insumo energético e remunere decentemente os produtores florestais;
• que a legislação deixe de discriminar a silvicultura com a pesada burocracia e “papelada de gaveta”;
• que programas de fomento florestal se tornem medida estratégica de suprimento dos grandes consumidores e não somente “ação de amizade comunitária”;
• que a pesquisa florestal tenha sustentação e que os trabalhos de revitalização de áreas degradadas com espécies nativas não sejam esquecidos com as chuvas, que já estão causando estragos;
São coisas novas e outras velhas com roupa nova, mas essenciais para que a silvicultura cresça e se sustente!
Um feliz Natal e muito sucesso a todos em 2016!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.painelflorestal.com.br

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HITÓRIAS QUE MUDARAM O RUMO DO SETOR!

Numa dessas conversas sobre o setor, alguém falou: “Isso mudou o rumo do certo, não deixe de registrar”!
Não tenho muita certeza de que isso tenha, de fato, mudado muita coisa, mas vamos aos fatos.
14/12/2015 – Por volta dos anos 2003/2004, estávamos todos os responsáveis pelo PNF (Programa Nacional de Florestas), sob a direção do Eng. Tasso Azevedo, envolvidos de corpo e alma na “construção” do Serviço Florestal Brasileiro. Trabalho para todos e não faltava entusiasmo. A Ministra Marina Silva, com paciência e sabedoria tratando das articulações políticas, os amigos João Paulo Capobianco e Carlos Vicente cuidando dos ajustes para integração dos diferentes segmentos, e o Eng. Tasso, num sobe e desce incansável de 24 horas por dia, fazendo todas as amarrações necessárias. À equipe do PNF, da qual tive satisfação de fazer parte, coube a organização e conclusão de detalhes específicos.
Foram meses de incansável batalha! Coube a mim correr atrás dos amigos silvicultores para mostrar e justificar a necessidade de participação do setor de florestas nessa empreitada. Parece piada, mas era a pura realidade: tentar mostrar ao setor de florestas plantadas a importância de sua participação no Serviço Florestal Brasileiro!
Naqueles tempos, ainda se vivia a ressaca de uma traumática e frustrada investida para se “arrancar” do Ministério do Meio Ambiente o setor de florestas plantadas! Essa novela cheia de fatos pitorescos e inesquecíveis para quem os viveu, merece um livro de leitura imperdível para todo silvicultor, que não consegue entender o atalho que a silvicultura se meteu, na busca de sua identidade institucional.
Então, depois do enorme esforço para se constituir o Serviço Florestal Brasileiro, de repente, estavam faltando pequenos acertos para se fechar o pacote político e se ter o projeto de lei para seguir à aprovação! E nesse final de linha, ainda persistia a indefinição da silvicultura! Seus representantes designados para acompanhar, propor e fazer sugestões se negavam, inexplicavelmente, a qualquer conversa. Justificavam- se com dúvidas a respeito das implicações futuras, mas, acima de tudo, deixavam a impressão, que, de fato, não queriam nem discutir a possibilidade de deixar a silvicultura ligada ao Serviço Florestal Brasileiro.
Uma postura intransigente.
Dava a impressão de estarem participando de uma missão definida e indisposta a dar ou ouvir qualquer sugestão ou reivindicação. Vez ou outra, algum aceno positivo, só como parte da encenação política a que se prestavam! Mas tudo isso, se tornou insignificante diante do desfecho das tratativas!
Às vésperas de se concluir o projeto de lei e animados pelos “sinais positivos” dos representantes do setor, tivemos, na sede do PNF no Ministério do Meio Ambiente, uma última reunião para se definir a inclusão ou exclusão da silvicultura no Serviço Florestal. E isso se resumia em deixar ou tirar do capítulo, que tratava das responsabilidades da autarquia, num final de frase o……. “e florestas plantadas”.
De uma reunião bem tranquila, com risos e afagos, ficou acertado que ficaria no texto o… “e florestas plantadas”.
Assim, a silvicultura constituiria uma Diretoria do Serviço Florestal. Saímos da sede do PNF e fomos ao Congresso Nacional dar a “boa notícia” ao Deputado encarregado de fechar essa negociação. Aqui, então, tivemos a desagradável “surpresa”. Na frente do Deputado os caríssimos e respeitáveis representantes da silvicultura brasileira, em alto e tom inconfundível disseram: “Prezado Deputado, o setor de florestas plantadas não aceita ficar sob a responsabilidade institucional do Serviço Florestal Brasileiro!”
Fim da reunião e a silvicultura estava fora do Serviço Florestal. E assim, fechava-se uma porta e abria-se o atalho para se iniciar a caminhada na procura do endereço institucional do setor! Ficou a frustração e o susto!
Nunca, juntamente, com Eng. Joberto, que acompanhou, detalhadamente, toda a novela, conseguimos entender esse desfecho, e muito menos, a facilidade para se destratar um trato selado com “aperto de mão”!
No final, vale o registro para que se compreenda a causa que levou a silvicultura brasileira, que avança na direção da sustentabilidade, a não estar vinculada ao Serviço Florestal Brasileiro!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.celuloseonline.com.br

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AS PESQUISAS FLORESTAIS NAS NOVAS FRONTEIRAS!

A silvicultura brasileira precisa e vai se expandir às novas fronteiras – áreas do centro-oeste, norte e nordeste. Nas regiões sul e sudeste a silvicultura já está consolidada. E uma boa floresta, se faz aplicando os conhecimentos técnicos e científicos gerados pelas pesquisas florestais, que vem sendo desenvolvidas, há muito anos, nessas regiões. O processo de desenvolvimento é dinâmico. Ainda vamos avançar na produtividade das florestas, na qualidade da madeira , na harmonização dos aspectos econômicos, sociais e ambientais, dentre outros aspectos. Mas não se pode negar que, nessas regiões, estamos numa fase de refinamento dos procedimentos silviculturais. Nas novas fronteiras, no entanto, o desafio está começando e precisa ser enfrentado com a maior urgência! A nossa Presidente, reiterando compromisso anterior, falou, recentemente, em Reunião do Clima, em Paris, que vamos reflorestar, adicionalmente, cerca de 12 milhões de hectares até 2030. Há inúmeras dúvidas a respeito de tamanha ousadia, mas independente desse compromisso, a silvicultura já está desembarcando em novas regiões.
O desafio é gigantesco e a escassez de informação, nessas regiões assusta! Os dados iniciais que estão sendo alcançados mostram boas perspectivas, mas evidenciam o extremo cuidado a ser tomado nas decisões técnicas. Há regiões atraentes, mas com limitações de solo e clima, dentre as principais limitações. Há de se selecionar as áreas, que apresentam reais condições de serem utilizadas. Há de se determinar com muito cuidado o material genético a ser usado e os procedimentos silviculturais a serem adotados. Esses passos são imprescindíveis para se evitar erros irreparáveis! Os trabalhos pioneiros estão mostrando, que nessas regiões, estaremos desenvolvendo uma nova silvicultura. Os trabalhos pioneiros, cuidadosamente, conduzidos nessas novas fronteiras evidenciam essa realidade. É interessante registrar também, que além da assustadora falta de informações confiáveis, há de se preocupar com a existência de dados de discutível base científica.
Há pouco tempo atrás, numa olhadela por pesquisas realizadas na região, despertou-me curiosidade uma pesquisa testando espaçamento, com diferentes clones considerados com maior ou menor sensibilidade a déficit hídrico! Que surpresa! Numa região, onde a principal dúvida é a definição do material genético, como é possível fazer testes de espaçamento? Baseado em quê, os clones foram classificados quanto à resistência ao déficit hídrico? Há pesquisas, suficientemente, maduras que permitem tais afirmações? Será que as informações da pesquisa merecem crédito? É sabido que falsas premissas não levam a conclusões confiáveis! Um paradoxo: faltam informações e sobram desinformações. Esse é um cuidado adicional aos silvicultores, que vão torcer para que a palavra de nossa Presidente seja honrada e já começam a se preparar para os desafios das novas fronteiras!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br.

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O PLANTIO DE ESPÉCIES NATIVAS: É BOM SABER!!

Numa animada conversa a respeito de problemas do setor, alguém defendia com muita indignação ; “não há nada mais vergonhoso para a silvicultura brasileira, do que não ter nenhuma espécie nativa plantada em escala comercial”. De outro canto, alguém tentou um remendo, mas pouco valeu : “temos o guanandi, o paricá “ e antes que ele desse mais algum nome, o indignado retrucou: “estou falando de plantio comercial de 5,8,10 mil hectares! E ,então, veio em coro… “é verdade” . Todos aprovaram . Foi uma discussão muito proveitosa , com considerações, que caberiam perfeitamente aos ouvidos dos “fazedores de programas disso ou daquilo”!. Seguem as considerações para registro e reflexão!
1- As primeiras iniciativas para fomentar o plantio de espécies nativas surgiram com a política de incentivos fiscais para reflorestamento, por volta de 67/68 com a Lei 5106 e, mais tarde, com a Lei 1134, que tratava do FISET- Reflorestamento. Previa-se o plantio de espécies nativas em 1 % da área plantada com incentivos fiscais. Não há informações a respeito do resultado desses plantios, mas há muita desconfiança, de que tenha sido um fracasso! Mais na frente, por volta de79/80, o próprio IBDF, acatando sugestão da Dra. Maria Thereza George Pádua, trocou o 1% exigido por lei, por manutenção de 10% de vegetação natural. Estima-se, que dessa forma, foi possível manter mais de 200.000 ha de reservas naturais distribuídas em milhares de propriedades, que plantavam espécies incentivadas. Merece registro essa excelente contribuição da Dra. Maria Thereza, brilhante profissional do antigo IBDF, e reconhecida como das principais precursoras do movimento ambientalista brasileiro;
2- Depois de mais de 50 anos de pesquisa florestal realizada no Brasil, há indicações de que mais de 90 % dos recursos envolvidos nesses trabalhos foram alocados para o desenvolvimento de técnicas para formação de florestas de eucalipto e pinus. E mais de 50% desse valor foi originado de empresas interessadas na madeira como insumo industrial. Logo, não é nenhum exagero afirmar que a silvicultura brasileira só atingiu os elevados índices de desenvolvimento, graças ao irrestrito apoio da iniciativa privada;
3- Há centenas de estudos mostrando o potencial de inúmeras espécies nativas. Mas são escassas as informações técnicas, que abordam todo o ciclo produtivo das espécies promissoras. Aparentemente, nunca houve recurso disponível, capaz de motivar pesquisas no setor. O que existe, tem sido possível pelo esforço de heróicos batalhadores!
4- As introduções iniciais de eucalipto e pinus, segundo dados bibliográficos, mostravam produtividades em torno de 15 metros cúbicos/ha/ano, semelhantes às produtividades de dezenas de espécies nativas, sem qualquer melhoramento genético. Há muitos pesquisadores, que apostam nesses indicadores iniciais!
5- Nesse contexto de falta de informação, surgem dados, que nem sempre são suportados por base científica. Casos de exceção são apresentados, comercialmente, como” verdadeiras pérolas”, e levam desavisados interessados a grandes frustrações. Informações enganosas também surgem na silvicultura de eucalipto e pinus, mas são detectáveis com mais facilidade!
6- Com os problemas de seca e os reflexos nas represas de abastecimento de água dos grandes centros, os assuntos ligados à revegetação de áreas degradadas e recuperação de nascentes acendeu uma “luz de preocupação” na sociedade. Há consenso de que há necessidade, urgente, de se envolver os plantios com espécies nativas na solução dessas questões e isso ajudar no desenvolvimento de mais pesquisas . Tomara, que a chegada das chuvas não apague a chama de interesse!
7- À semelhança do que já se tentou, anteriormente, seria interessante que se criasse um grupo de especialistas para elaboração de informativos práticos para orientar pequenos plantios. Há informações esparsas, que talvez possam ser aproveitadas. Mas o crivo técnico e responsável é imprescindível para que a informação tenha credibilidade. Isso deveria ser entendido como obrigação institucional e intransferível do Governo, através de suas instituições de pesquisas e universidades . Seria uma grande contribuição à silvicultura brasileira!
8- Nos últimos anos, as novas legislações estão destacando o pagamento por serviços e compensações ambientais. Em alguns estados, o assunto está sendo tratado com apoio técnico e muita fiscalização. Em S. Paulo, a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, através de inúmeras Resoluções Normativas está movimentando positivamente o setor. Tudo indica que o setor está saindo da inércia vergonhosa;
9- Ainda por conta dos trabalhos de compensação ambiental estão se formando viveiros de nativas e empresas para prestação de serviços de plantio e manutenção de florestas nativas. O pape da fiscalização para integrar competição , custo e qualidade dos plantios. Tudo para não comprometer o ânimo dos interessados;
10- Os interessados no plantio de espécies nativas devem consultar um especialista no assunto. Há profissionais competentes que sabem lidar com as escassas informações e podem ajudar muito. Mas se não se deixem levar por sonhos dourados e milionários. Há exemplos bem sucedidos, às vezes, em condições especiais e que não permitem generalizações!

Tomem muito cuidado, principalmente, com a possibilidade de venda da madeira a ser produzida, por valores exorbitantes. Usem todos os meios para se conhecer informações “milagreiras”, que aparecem. Infelizmente, há muito a se fazer, até que se possa confiar plenamente no sucesso de grandes plantios comerciais com espécies nativas.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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“SILVICULTURANDO-SE”

O ZÉ DO NÓ E A VENDA DE MADEIRA!

Há uns dias atrás, com surpresa e muita satisfação, encontrei-me no aeroporto, com o Zé do Nó. Esse nome sugestivo é consequência da facilidade com que o prezado amigo tratava qualquer assunto, que lhe fosse apresentado! Fomos companheiros em GT – Grupos de Trabalho, lá por Brasília. Cumprimentos rápidos e foi tascando: “fale o que você acha sobre o preço da madeira, que os produtores estão recebendo”! e continuou “o camarada chegou com a maior cara de pau e falou: compro tudo, pago a vista, mas só posso tirar daqui a hum ano”! O Zé estava fazendo referência a uma proposta de compra de madeira feita para o tio dele, dono de 50 alqueires de eucalipto, com 5 anos de idade, e, segundo o Zé Nó, com desenvolvimento maravilhoso! E continuou: “ o velho balançou”. E todo cheio de glória, completou “se eu não tivesse lá, por acaso, o negócio teria saído”. E seguindo: “era uma bolada boa, e que ia resolver um monte de problemas do tio”. De repente, o Zé me questionou: “será que ele vai conseguir vender essa madeira mais na frente? E o preço miserável que ofereceram, será que vai melhorar? E todo preocupado, disse: ” eu incentivei ele a plantar, já pensou que sacanagem”?

Um pouco de silêncio e ele completou a história: “acabei de medir a floresta e encontrei mais de 45 metros cúbicos/ha/ano e tudo com estrada boa e fácil de retirar. E dando mais detalhes : “ E o comprador ofereceu menos de R$ 30,00 /metro”. E, ainda, falou: “ a gente mede agora, e paga tudo à vista, mas vamos demorar uns 18 meses para começar a tirar”! Daí, perguntei –“nós sabemos que a floresta continua crescendo, e eles pagam essa diferença, quando retirar a madeira”? E veio a resposta maravilhosa: “esse pagamento adiantado é para compensar tudo isso”. Ele, meio desconsolado, completou: “ disseram que vão medir na porta da fábrica, com equipamento de precisão e se existir diferença muito grande, eles voltam para conversar” e, ainda, soltou mais uma pérola “ vão trazer um panetone no final do ano” !

Daí, eu retruquei: “e a madeira fina, ponta de árvores, árvores tortas, aquele resíduo lenhoso, que sempre sobra? Quem paga? E ainda completei: “isso pode representar mais de 10% da floresta”! O Zé do Nó ficou assustado e desabafou: “ disseram que a madeira fina não interessa, e vão deixar tudo na floresta”! E já, quase saindo, batizou: “ e acham que o Zé do Nó sou eu”!

Tudo esclarecido, fizemos um balanço do negócio: madeira comprada a preço miserável; medição enganosa e um monte de dinheiro à vista para sufocar o desavisado produtor! E a conclusão óbvia: usam-se de todos os meios para se dar um perfeito nó no dono da floresta ! Quem conhece o setor sabe, que isso não é regra geral! Mas são essas atravessadas exceções, que maculam a silvicultura e espantam os produtores florestais!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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“SILVICULTURANDO-SE”

A MADEIRA COMO ALTERNATIVA ENERGÉTICA!!!!
Esse assunto tem sido a “bola de vez” em inúmeras discussões do setor. Seguem algumas considerações para reflexão. São assuntos polêmicos que podem causar importantes impactos na silvicultura, em negócios florestais e em muitas comunidades. Logo, precisam ser avaliados com muita cautela:
1- A madeira como biomassa para geração de energia pode se transformar em importante alavanca para crescimento da silvicultura brasileira. No curto prazo, poderá consumir os estoques excedentes em algumas regiões e, a longo prazo, poderá se constituir em grande vetor para o desenvolvimento de regiões desassistidas pelos Governos e profundas carências sociais;
2- Tanto a madeira excedente, quanto aquela a ser produzida tem custo, e precisa ser, devidamente, remunerada. No curto prazo, a excedente pode ser conseguida a preço baixo, mas fora da realidade. E aquelas, que serão produzidas para consumo futuro, terão custos e exigirão remuneração adequada! São situações distintas. Projetos que consideram como referência os valores dessa madeira de oportunidade, com certeza, não se sustentarão, a médio prazo. A silvicultura não é atividade extrativista e a formação de florestas e produção de madeira, como qualquer negócio, tem custo e precisa se remunerar para se sustentar!
3- Nos dias atuais, ouve-se falar em madeira sendo negociada a valores, que variam de R$ 25,00 a mais de R$ 50,00 por metro cúbico em pé! Quem faz conta, e quer ser devidamente remunerado, diz que o preço justo, e que dá sustentabilidade ao negócio florestal, está bem mais próximo de R$ 50,00 do que de R$ 25,00. E empreendimentos para energia necessitarão de silvicultura sustentável. Para saber se produzir energia é viável, é só colocar os números na planilha financeira e ver o resultado;
4- Formar floresta para ser cortada com 2 ou 3 anos, em espaçamentos diminutos – 1x1m,1×1,5 m e outros – com milhares de plantas /ha é, educadamente, uma temeridade! Para confundir, ainda mais, a cabeça dos interessados, há estudos teóricos mostrando a viabilidade dessa pseudo-silvicultura. Há, no entanto, relatos de inúmeras teimosias fracassadas !!! Com certeza, experimentações implantadas em locais com condições excepcionais de solo e clima, além de cuidados operacionais especiais, podem apresentar resultados interessantes. São situações, no entanto, mais próximas de um ”sonho dourado”, do que da realidade nua e crua das regiões, onde se faz silvicultura;
5- Há de se adotar mecanismos de políticas públicas, que viabilizem a produção de madeira como insumo energético com premissas sustentáveis , de acordo com a realidade de campo. Caso contrário a silvicultura e os empreendedores florestais estarão metidos em tremenda encrenca! Esse é um desafio de Governo e que não comporta mágica e nem sacrifício dos produtores de madeira!
6- Os impactos dessa alternativa são tão importantes a toda sociedade, que mereceria empenho especial de políticos, empresários, governantes, enfim, de todos que se preocupam com os destinos da silvicultura brasileira e, acima de tudo, daqueles que sabem da possibilidade de se criar melhores condições de vida para parcela significativa de famílias brasileiras desassistidas brasileiros!!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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“OS GRANDES SILVICULTORES”

O Professor Arlindo de Paula Gonçalves, é mais um exemplo de profissional que dedicou sua vida ao setor florestal. Formado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Estado de Minas Gerais, em 1938. Nasceu na cidade de Pains, MG, em 25/11/1910 e faleceu em 4/11/1995. Em março de 1939, foi contratado pelo Departamento de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa –MG e em dezembro do mesmo ano, passou a chefe do Departamento de Silvicultura. Sua tese defendida para a cátedra de silvicultura, tratava da questão florestal no município de Viçosa. Daí para frente foi uma vida dedicada ao ensino, a trabalhos de extensão, aos alunos e inúmeras atividades voltadas ao desenvolvimento do setor florestal brasileiro. Participou e contribuiu, efetivamente, na formação dos cursos de engenharia florestal e foi um dos principais incentivadores dos primeiros engenheiros florestais brasileiros. Foi para esses pioneiros um conselheiro, orientador e fraternal e respeitado amigo. Foi para todos que o conheceram um admirável e exemplar profissional. Teve vários trabalhos publicados e informes práticos de grande valia aos produtores rurais interessados em formar florestas naquelas regiões de Minas Gerais.
Dentre suas atividades de extensão na Universidade, destaca-se sua participação durante as Semanas dos Fazendeiros, em que ministrava, entre outros, os cursos de cultura da batata doce, arroz, trigo, reflorestamento, cultura do eucalipto, fabricação de carvão vegetal, silvicultura, cultura do pinheiro brasileiro. Executou amplas atividades no serviço de Experimentação e Pesquisa da UREMG.
Foi grande batalhador para que em 5 de março de 1960, se instalasse na UREMG a Escola Nacional de Florestas, criada pelo Governo Federal, a primeira do Brasil. Essa Escola foi, por razões politicas, transferida para a Universidade Federal do Paraná- Curitiba-Pr. Mas logo, em seguida, pelo grande esforço de destacados professores, o Governo do Estado de Minas, pelo Decreto nº 7.418, de 21 de fevereiro de 1964, criou a Escola Superior de Florestas – ESF, que passou a integrar a UREMG. O Professor Arlindo foi designado seu diretor interino e, posteriormente, seu diretor efetivo. Com o apoio da FAO, foi assessor do planejamento, construção e instalação da Estação Experimental de Silvicultura , a primeira especializada no ramo do Brasil. Fez inúmeras viagens internacionais para conhecer trabalhos e pesquisas florestais. Em 1965,.a convite da Aliança para o progresso do governo norte-americano, viajou para estudo e estágio no Serviço Florestal, escolas de Florestas, Estações Florestais de Pesquisas e Parques Florestais e trabalhos de proteção da fauna. Também a convite do Governo da Republica Federal da Alemanha, em 1967, viajou para conhecer o programa florestal alemão.
Primeiro mineiro a receber a Medalha e Diploma do Mérito Florestal, conferida pelo Governo do Estado de Minas Gerais, em reconhecimento pelos serviços prestados à causa florestal no Estado.
Além de seu expressivo empenho nas atividades acadêmicas, foi autor de dezenas de publicações em periódicos e livros. Teve uma vida intensa com muitas honrarias e premiações.
Foi homenageado pelos Estudantes de Engenharia Florestal de Viçosa com a denominação do” Centro Acadêmico Prof. Arlindo de Paula Gonçalves”.
Como homem público, também deixou sua grande contribuição para a cidade que o adotou. Participou ativamente da história de Viçosa. Foi vereador por quatro legislaturas consecutivas e numa delas, como presidente da Câmara Municipal. Foi também vice-prefeito de Viçosa. É autor da Bandeira do município, por aprovação da Câmara Municipal, em 1971.
Em 2006, foi homenageado pela Câmara Municipal de Viçosa, com a criação da Comenda Professor Arlindo de Paula Gonçalves, para homenagear quem contribuiu efetivamente para conservação do meio ambiente e promoção da consciência ecológica.
Recentemente, em 2013, foi homenageado pela Câmara Especializada de Agronomia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), com a medalha e diploma , Láurea ao Mérito, instituída pelo Sistema Confea / Crea e Mútua, medalha essa entregue aos seus familiares.
Todas essas homenagens dá a dimensão alcançada pelo trabalho desenvolvido pelo Prof. Arlindo, que durante décadas compartilhou com dezenas de alunos seus conhecimentos, adquiridos no Brasil e no Exterior.
Tem centenas de admiradores e seguidores na vida acadêmica. Formou e participou da carreira de brilhantes profissionais, que tiveram a honra de contar com sua amizade e orientação. É, indiscutivelmente, um dos grandes pilares da silvicultura brasileira!!!
“Nenhum grande homem vive em vão. A história da humanidade não é mais do que a biografia dos grandes homens”
Arlindo de Paula Gonçalves é com certeza, um desses personagens que provaram que a vida é uma dádiva infinita de Deus e que, por isso deve ser usada em prol das melhorias de condições do mundo, para que todos os seres possam viver com dignidade.

Fonte: Dados de “Currículo e Biografias do professor Arlindo de Paula Gonçalves “, de autoria de Rita de Cássia Gonçalves Borges e Dalva Helena Gonçalves Dantas
Sugestão e colaboração: Prof. Nairam Félix – Um dos grandes colaboradores para o desenvolvimento técnico e científico da silvicultura brasileira – Viçosa – M.G
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais- nbleite@uol.com.br.

ARLINDO

 

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O CONAMA E A SILVICULTURA

Como o reflorestamento foi parar no Conama, como atividade potencialmente poluidora? Quais as consequências?

Há muitas dificuldades e complexidades na legislação florestal. Há anos a Silvicultura clama por modificações. Uma grande encrenca inicia-se no batismo do reflorestamento como atividade potencialmente poluidora na legislação ambiental, sujeita às regras do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Disso, resulta um calvário de dificuldades e parece ser o grande nó a ser desatado.
Não adianta atalho daqui e dali. Com certeza, nada vai mudar sem apreciação e aprovação do Conama. Enquanto o assunto não for levado à discussão, apresentado e defendido com as devidas justificativas e fundamentações científicas, continuaremos na agenda cinzenta da poluição e sujeito às adversidades consequentes.
Para mudar tal situação teremos, obrigatoriamente, que passar por discussões e aprovação de Câmaras Setoriais e, posteriormente, à submissão e aprovação da Assembleia Geral do Conama, presidido pelo Ministério do Meio Ambiente. Qualquer outra medida não tem legitimidade diante da legislação vigente. Dessa situação, cabem algumas indagações: Como o reflorestamento foi parar no Conama, como atividade potencialmente poluidora? Quais as consequências? O que poderia ser feito? Como fazer? A Silvicultura brasileira, que tanto avançou e continua avançando na direção da sustentabilidade, com certeza, em certo momento, obrigatoriamente, haverá de cuidar e rever essa situação. Pode ser uma necessidade, diante de requisitos para quem se habilita às políticas internacionais de mitigações climáticas.
Nesse contexto, o Brasil se comprometeu a restaurar e a reflorestar, até 2030, 12 milhões de hectares de florestas, para múltiplos usos, como uma das medidas de suas contribuições para o novo acordo global que será firmado em dezembro, em Paris, durante a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, a COP 21.
Quanto às indagações, cabem alguns registros. Há controvérsias, mas tudo indica que o batismo se deu pela ausência de representante setorial nas discussões, que originaram o arcabouço institucional da legislação ambiental. Há também, quem diga que à época, nos idos de 81/82, era péssima a imagem que a sociedade tinha a atividade. Para muitos, naquela época, incentivos fiscais e plantações florestais eram sinônimos de escândalos financeiros, abuso de recursos públicos e “picaretagem”.
Quem se atreveria a defender o que estava sendo execrado pela sociedade? Além das entidades setoriais e instituições de ensino e pesquisa, só aquelas empresas, que sempre se portaram com decência, tinham propriedade para defender o setor, mas, infelizmente, essas empresas não acreditavam que o movimento ambientalista, que estava iniciando, fosse crescer e se fortalecer.
Há exigências que se estenderam a toda área rural, mas a Silvicultura, pelos pecados(?) que trazia, atraiu todas as atenções e cuidados . A exigência de EIA-RIMA para plantios com mais de 1000 ha é exemplo típico dessa discriminação. A exigência é para todos os projetos agropecuários, mas, praticamente, só a Silvicultura é cobrada e fiscalizada. De outro lado, há muitos atores – que pensam que foram as exigências legais, até abusivas, que puseram a Silvicultura nos trilhos.
Depois vieram as certificações e, nos dias atuais, a Silvicultura é tida, quando bem executada, como exemplo de atividade rural sustentável. E daí? Haveria necessidade de mudanças? A obrigatoriedade do EIA-RIMA pode ser usada como exemplo do que precisa ser revisto. Com certeza, a Silvicultura, por suas características, necessita de uma ordenação legal específica, que exija compromissos concretos, mas que sejam simples, úteis e sem sofisticações desnecessárias para sua elaboração e implementação.
Mas o certo é que mudanças daqui ou dali, alterações do Código Florestal, alterações em legislações estaduais, etc. tudo fica com uma interrogação, se não passar pelo crivo do Conama. Aliás, o setor florestal tem assento no Conama. Essa representação foi conquistada pela SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, por volta de 2000/2001, e que, na ocasião, contou com o apoio de Leopoldo Garcia Brandão, Maria Thereza Jorge Pádua e do então Secretário Executivo, e depois Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, dentre outros.
Essa representação exercida, inicialmente, pela SBS, deveria fazer parte de um rodízio entre entidades representativas do setor. Só a SBS respeitou o rodízio proposto e aceito por todos na época. Após a primeira alternância consentida e consensual, houve mudança na regra do jogo, o que produziu certa distorção e subordinação institucional da representação setorial. Tolheu-se, assim, a oportunidade de mais entidades representativas do setor conhecer e participarem da realidade do Conama.
De tudo, ficam os registros e uma certeza para reflexão: muitas das dificuldades legais da nossa Silvicultura só serão resolvidas quando passarem pela aprovação do Conama e, para isso, é imprescindível o pleno conhecimento da situação, o incansável esforço e dedicação de nossos representantes, a qualificada competência técnica e o irrestrito apoio de todos, que militam na Silvicultura Brasileira.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais- nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO 23/11/2015: http://www.painelflorestal.com.br

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“SILVICULTURANDO-SE”

SILVICULTURA: AGRICULTURA OU MEIO AMBIENTE?

Há poucos dias, numa reunião de produtores rurais, onde se comentava de tudo – feijão, arroz, milho, laranja, vaca leiteira – surgiu uma indagação, muita conhecida dos silvicultores, mas que chamou atenção pelos desdobramentos provocados! Um senhor interessado em plantar árvores – e fazia questão de enfatizar “ quero plantar árvores, não me importa se é eucalipto ou árvores nativas” e continuou: “ quero saber se devo tratar desse assunto aqui ou numa reunião de meio ambiente”! Em seguida, alguém apressadinho, foi dizendo: “se for eucalipto é com o pessoal da agricultura, mas se for espécie nativa é no meio ambiente”! Estava armada uma tremenda discussão!

Sugestões e opiniões de todo lado. Algumas com ranço de radicalismo, mas a grande maioria, aparentando uma grande dúvida. Para salvar a lavoura, um produtor florestal, de longa data, deu o recado: “não se incomode com quem tratar, incomode-se com a forma de fazer” e foi bem incisivo : “ se fizer bem feito, vai formar uma floresta linda e você vai ficar, até com dó, na hora de cortar! Faça, como se faz na agricultura, mas tome cuidado com as nascentes, preserve as matas de proteção, as erosões e use tecnologia para plantar. E você vai ter uma floresta produtiva e com forte apelo ambiental” e disse, ainda: “ não importa a nacionalidade da árvore, é só fazer bem feito” e concluiu: “ meus avós já trabalhavam com madeira e toda a família vive das nossas florestas . Vendemos madeira para carvão,celulose,energia,serraria e até cavaco. Cuidamos das estradas,das matas que protegem as nascentes e que formam um bloco de floresta maravilhoso. Não temos problema com água, e temos bicho de todo jeito na fazenda. Quando algumas pessoas visitam a gente, falam que moramos num paraíso ambiental e que somos fervorosos ecologistas”!

A reunião continuou, mas a discussão sobre plantio de eucalipto parou com as explicações do produtor rural. Na saída, quando fui cumprimentar o “ecologista” , ele todo envaidecido falou : “ em toda a reunião, há sempre alguém pronto para meter a boca no eucalipto” e concluiu: “ é impressionante como faltam informações aos produtores rurais” e deixou uma indagação: “ será que o meu caso é uma exceção?

Uma conversa que merece ser compartilhada com agricultores, silvicultores e ambientalistas para reflexão! Não importa se é agricultura ou meio ambiente, o importante é que se reconheça, que uma floresta de eucalipto bem feita e produtiva, também pode prestar relevantes serviços ambientais. Será que há dúvidas a respeito dessa afirmação?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E AS REUNIÕES CONJUNTAS!!

No início dos incentivos fiscais, nos idos de 67/68, as florestas que se formavam apresentavam problemas técnicos, não se dava o devido valor aos aspectos sociais e a preocupação com aspectos ambientais era perda de tempo e desperdício de recurso. Essa era a regra geral. Mas as exceções sempre existiram. Eram as boas empresas, que sempre tiveram comportamento distinto. E na verdade, quem fazia a diferença entre empresas era o seu comandante! Um dia, esses comandantes, sob a batuta do Dr. Helladio do Amaral Mello, responsável pelo Departamento de Silvicultura – ESALQ/USP se juntaram e fundaram o IPEF, uma das primeiras iniciativas de parceria público-privado!
As empresas em parceria com a universidade para resolver problemas do setor! O ovo estava de pé!
Em seguida, outras iniciativas se deram – FUPEF, SIF – respectivamente, em Curitiba e em Viçosa e o setor se desenvolveu de forma extraordinária. Foram centenas de reuniões conjuntas nas diversas empresas, com troca de ricas informações, apresentação e discussão de problemas e de soluções, inovações tecnológicas, alternativas de procedimentos operacionais, enfim… Nada de segredo. Tudo para todos, tanto problemas, quanto soluções! Todos cresceram, sem vaidades, sem concorrência. Participar e colaborar eram as palavras de ordem!
A presença de comandantes e comandados nas reuniões conjuntas dava o tom das conversas e dos temas em discussões. As grandes questões eram resolvidas, sem nenhuma burocracia, sem nenhuma dificuldade. O comandante comandava, de fato. Ótimos tempos! Para muitos, foi a grande alavanca da silvicultura brasileira. Dezenas de profissionais e pesquisadores compartilhavam informações, resultados de pesquisa, problemas de campo. Num ambiente tão colaborativo e construtivo, que inibia qualquer atrevimento para esconder informação ou tomar para si, essa ou aquela descoberta! Em pouco tempo, a solução desse ou daquele problema era conhecida e entendida por todos.
Nas reuniões conjuntas, nas visitas às empresas, nas consultas às escolas, em todas essas oportunidades sempre se somavam uma riqueza de conhecimento. As reuniões conjuntas eram verdadeiras feiras de tecnologia! Escolhia-se um tema importante e de interesse geral e definia-se o melhor local para se visitar e conhecer trabalhos de campo. Ninguém escondia nada de ninguém.
Foi histórica a reunião na Aracruz, por volta de 73/74, no auge das descobertas da clonagem. A empresa reuniu mais de 200 profissionais no viveiro e nos plantios de campo. Apresentou, sem nenhum segredo, tudo que tinha alcançado em seus trabalhos de produção de clones! Reuniões dessa natureza se repetiam na Duratex, na Klabin, na Belgo-Mineira, na Suzano, na Champion, na Riocell e muitas outras. Eram mais de 50 empresas associadas ao IPEF, SIF e FUPEF e a filosofia era a mesma. A produtividade das florestas, com certeza, dobrou. Os aspectos sociais tomaram rumo diferente e as preocupações ambientais se fortaleceram nas empresas. Os bons exemplos e os procedimentos de sucesso eram multiplicados nas empresas. Ainda há muitos profissionais, pesquisadores e empresários em atividade, que tiveram a oportunidade de acompanhar toda essa evolução da silvicultura brasileira.
São novos tempos, com novas demandas e, aparentemente, muitas mudanças no setor!
• É possível promover-se reuniões conjuntas para discussão de problemas de interesse comum?
• Há liberdade e interesse em se compartilhar informações?
• As empresas continuam apoiando e investindo em programas de pesquisa?
• Os comandantes das empresas continuam a participar, ativamente, do desenvolvimento do setor?
• Discussões conjuntas não poderiam agregar novos valores à silvicultura brasileira?
Há de se refletir! Temos muita gente competente nas empresas, escolas e instituições de pesquisas, oportunidades a serem exploradas e problemas técnicos para serem resolvidos. Temos do passado bons exemplos a serem seguidos. Juntar, jantar e conversar em conjunto, comandantes e comandados das diversas empresas, precisa se tornar uma rotina e não um desafio!
Temos mais competência, instrumentais sofisticados e tecnologias avançadas para aumentar a eficácia das reuniões conjuntas. Há questões estratégicas a serem resolvidas. Mas fica uma grande dúvida:
Ainda existe disposição e liberdade para se compartilhar informações?
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
Artigo publicado em 18/11/2015 no site: http://www.celuloseonline.com.br

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