O QUE ATRAPALHA A SILVICULTURA BRASILEIRA?

Há inúmeros trabalhos técnicos e relatórios explicando e reivindicando medidas empresariais e políticas públicas para fomentar o desenvolvimento da silvicultura brasileira. Falar das necessidades, prioridades, etc. é “chover no molhado”. Quem atua no setor já viu ou ouviu todo tipo de conversa. Que faltam políticas públicas, que os financiamentos são cansativos, que o preço da madeira está “de chorar”, que a legislação continua complexa, e por aí vai… um rosário de queixas!
Alguém pode perguntar: aponte as dificuldades que você está encontrando para fazer o seu negócio de silvicultura se desenvolver!! Vamos, conjuntamente, abrir mais o leque dos interessados, e sentir as reais dificuldades do nosso setor!
Quem sabe, teremos mais elementos para justificar nossas envelhecidas e desgastadas reivindicações!
Contamos com a colaboração de nossos amigos silvicultores e todos que se interessam por essa nobre atividade! Façam seus comentários e apontem com objetividade as grandes encrencas que precisam ser resolvidas!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CERTIFICAÇÃO, SUSTENTABILIDADE…. E AGORA?

“……… Será que a certificação, que, depois , passou a ser sinônimo de sustentabilidade, não alcançou todo o leque de responsabilidades da silvicultura? Está na hora de se pensar em novos parâmetros para se diferenciar os empreendimentos? O que diferencia a silvicultura de outras atividades rurais? Na verdade, há uma diversidade de características especificas da silvicultura, e talvez sejam essas diferenças que estejam a desejar tratamento adequado. Quando bem instalada, passa por várias gerações. Quando se trata de um grande empreendimento, é abrangente e abraça comunidades e vários municípios.
É quase insubstituível e cria uma grande dependência nas populações envolvidas. Tem um jeitão de “coisa pra sempre”. Seriam razoes para se exigir mais da silvicultura? E aí, cabem algumas considerações para reflexão:
1-) Aparentemente, o tripé da sustentabilidade está baseado em aspectos técnicos, sociais e ambientais. O aspecto técnico e ambiental tem muito de obrigatório e tangível. O social tem muito de obrigatório e muito de facultativo, com forte apelo ético e não tangível. Programas de fomento, construções de estradas de acesso, participação em programas de educação e saúde, treinamento de mão de obra, etc., são algumas das contribuições sociais de grande impacto nas comunidades.
2-) As contribuições sociais se misturam as responsabilidades de governo com as iniciativas voluntárias de empresas e transformam colaboração em obrigação. Não é fácil encontrar-se o ponto de equilíbrio, mas vira um desastre quando a colaboração é paralisada. E repercute em toda silvicultura.
3-) O fomento florestal, pelos laços que ligam os interessados, pelas expectativas geradas, obrigações e responsabilidades das partes envolvidas, aparentemente, tem peso significativo nas relações das empresas e comunidades. E, talvez, exigisse mecanismos formais mais realistas e mais justos, principalmente no que diz respeito aos valores da madeira produzida e comercializada. O baixo valor da madeira praticado nas negociações cria impactos negativos, desastrosos e irreversíveis em certas regiões. E repercute em toda a silvicultura.
4-) A silvicultura, que blinda alguns municípios e impossibilita qualquer outra atividade rural, teria que criar alternativas para uso da madeira e da floresta. A cara da silvicultura “para sempre”, e sem opções para às comunidades, deixa pesada sensação de prisão e submissão. Gera insatisfação. E repercute em toda a silvicultura.
O importante é que há empresas e profissionais conscientes dessas dificuldades e lutando para superá-las. Há quem esteja pensando até na qualidade da madeira para nichos específicos. É por esses esforços, às vezes isolados, que a silvicultura continua crescendo e se desenvolvendo. Quem sabe não estejam surgindo novos valores para se distinguir empresas e produtores rurais.”

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Trecho adaptado da REVISTA OPINIOES – Título: O futuro próximo da floresta plantada brasileira – Edição DEZ/FEV 2016; Pág. 16. Site: http://www.revistaopinioes.com.br

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A SUSTENTABILIDADE DAS FLORESTAS E O PREÇO DA MADEIRA!

Apesar da elevação dos custos de produção, ainda estamos na dianteira!

A silvicultura brasileira é campeoníssima de produtividade. Ninguém discute. E no Brasil se faz a silvicultura mais competitiva do mundo. Também, ninguém contesta! Apesar da elevação dos custos de produção, ainda estamos na dianteira.
Quem ganha com essas vantagens? E a resposta também é indiscutível. Todos ganham, mas os maiores beneficiados são as grandes indústrias consumidoras e, principalmente, as exportadoras. Mas os desdobramentos merecem reflexão:
• No discurso dos grandes empresários, o destaque é para a sustentabilidade da silvicultura. Isso implica no uso de tecnologia do mais alto nível e contínuos investimentos sociais e ambientais. Esses investimentos, quase sempre, não são colocados na conta, mas se deixar para segundo plano os cuidados sociais e ambientais, em pouco tempo, qualquer empreendimento estará condenado e metido num sistema falido ou com inúmeros B.Os(!!!). Ser sustentável tem custo!

• Existe uma boataria enorme a respeito de sobra de madeira aqui e ali! Há, de fato, sobra em alguns lugares – Vale do Paraíba, inúmeras regiões de Minas, nos estados do sul sobra a madeira fina de desbastes, mas há falta de madeira em outros locais – regiões da Bahia, do Maranhão, do Tocantins. Em muito locais, a necessidade ainda é pequena, mas em outros, a falta de madeira é significativa. É difícil até de explicar as razões que levam grandes consumidores, de repente, a se verem com falta do insumo básico. Aliás, essas histórias se repetem…

• O que não dá para entender é que o preço da madeira se mantém baixo em todos os lugares: onde falta e onde sobra.

• A certificação florestal ajudou muito os produtores florestais e o desenvolvimento da silvicultura. Mostrou tudo que é preciso ser feito para se ter uma floresta sustentável. Mas faltou avisar aos consumidores que, sem preço justo pela madeira, a tal de sustentabilidade da silvicultura vai para o brejo. E todos vão perder. Não dá para mudar as leis de mercado, mas cortar florestas com idade inadequada atrapalha bem as vendas.
• E aí vem a dúvida cruel: Será que alguém duvida que o elo frágil da cadeia é o produtor? E se romper? Onde fica a tal sustentabilidade dos “discursos”? Ou vale o famoso ditado popular – “vá se queixar para o bispo”?

• É importante que todos que usam e usufruem da silvicultura sustentável, fiquem atentos para que os elos frágeis não se rompam! A sustentabilidade só é sustentável (!) se, de fato, atender aos interesses de todos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.painelflorestal.com.br em 27/01/2016.

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SILVICULTURA: CADA MACACO NO SEU GALHO!

Nos últimos tempos, temos visto inúmeros assuntos de complexa conformação científica e estreita relação com questões econômicas, sociais e ambientais serem colocados em discussão, com justificativas e detalhes por profissionais que não conhecem nada do assunto. Só tocam de ouvido!
Nada contra, e se tocasse bem, mereceriam aplausos!
São temas de importância estratégica para o setor e que despertam curiosidade e muita especulação na sociedade. Uma temeridade essas inversões de competências! As questões de água e as sua relações com as florestas plantadas, o uso da madeira como biomassa para produção de energia e a utilização de transgênicos para aumento da produtividade das florestas, são dentre outros, bons exemplos de temas apresentados e debatidos com muita frequência no setor.
E são de relevância não só pelos envolvimentos técnicos e todo impacto na cadeia de produção, mas também e, acima de tudo, pelas conversas “sem – pé -nem- cabeça” que passam a gerar na sociedade. A causa disso? É simples. Não se dá oportunidade para que os verdadeiros especialistas possam abordar o assunto em toda sua abrangência, no lugar certo e na hora certa!
Na verdade, o especialista, quase sempre um pesquisador, representando uma equipe de trabalho, depois que publicou o resultado sai do jogo e passa a bola para outros. Ou pegam a bola dele! Surgem os “interpretadores da ciência” para dizer como vai se aplicar o conhecimento no dia-a-dia do setor e das empresas. Esses propagandistas também fazem papel importante no processo de divulgação de resultados, e até para valorizar e fomentar a aplicação do conhecimento. Estão na deles! A grande encrenca é quando esses propagandistas são donos de seus territórios ou são poderosos de plantão. Aí, usando de toda liberdade e no espaço, que sempre encontram disponível, se metem a explicar ou discutir, impropriamente, a realidade científica.
Nesses casos, o “bocudo” não ajuda, só atrapalha! É muito difícil proibir, impossível dar palpite e perigoso colocar a mão “nessa cumbuca”. Há de se contar com o “bom senso” do dono da palavra e torcer para que ele adote uma simples medida: – é só pedir para que um especialista de verdade, faça a análise técnica do seu texto, do seu discurso ou de suas proposições.
Com certeza erros ou interpretações inadequadas serão evitados. E aí sim, o papel desses propagandistas vai ser muito útil e respeitado. Mas mesmo assim, se o “bocudo” não achar que sabe tudo! E o mais interessante é que temos no Brasil especialista de capacidade técnica reconhecida, em nível internacional, para tratar dos temas mencionados! Mas os assuntos continuam sendo jogados de forma atravessada em reuniões, em publicações e à sociedade pelo Dr. Google.
A solução? Não é fácil! Fica a sensação de algum vazio dentro do setor ou a falta de uma voz mais forte para ordenar “isso e aquilo”! Cada um que toma a palavra sente-se no direito e até com autoridade para dar o seu “pitaco” em matéria científica! Esse é o inconveniente! Será que há dúvidas, quanto ao posicionamento das universidades e devidas orientações práticas, a respeito de assuntos tão polêmicos e importantes para o desenvolvimento da silvicultura? Pelos problemas já vividos pelo setor, a única certeza, que parece existir, é que esses temas, se tratados, adequadamente, podem beneficiar o setor.
Mas o bla-bla-blá de segundos e terceiros só traz dificuldades para a silvicultura brasileira! Para tratar de assuntos científicos e tão polêmicos vamos dar a vez às universidades! E deixar “cada macaco no seu galho!”
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.celuloseonline.com.br em 25/01/2016

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“OS GRANDES SILVICULTORES”

Pode um Professor de Química da madeira e Tecnologia do Papel e Celulose ser considerado um grande Silvicultor? Em se tratando do Professor Luiz Ernesto George Barrichelo, pode!
Em 1975, coordenando a disciplina Introdução a Engenharia Florestal, nós alunos percebemos que se tratava de um Professor diferenciado, carismático e responsável por mostrar um novo mundo para aqueles jovens acadêmicos da 5ª turma de Engenharia Florestal da ESALQ. Um pouco mais adiante, estávamos conhecendo a química da madeira. Vestido com seu guarda-pó branco, as fórmulas de celulose, hemicelulose, lignina… eram todas escritas a mão no quadro negro e, como num passe de mágica, conseguíamos entender aquela complexidade por meio simples e com o desejo de querer aprender mais. Aí está um exemplo de um Professor que foi orientador, mentor e “coah” de inúmeros Engenheiros Florestais que estão atuando em diferentes posições em diferentes organizações nacionais e internacionais. Pode-se dizer que foi um Silvicultor atuando na disseminação dos conhecimentos.
Já no final da década de 80, inspirado nos ensinamentos de seu pai e também do Professor Helládio, o Professor Barrichelo começa a atuar como Diretor Científico do IPEF e administra o Instituto na busca da identidade própria, defendendo os conceitos de integração e interação universidade – empresa, além da mudança de comportamento profissional do Instituto, com atitudes mais similares as empresas associadas. Em 1988 tive a oportunidade de observar a atuação de um líder institucional, procurando valorizá-las e também incentivar o crescimento dos engenheiros florestais que atuavam nessas organizações. Pode-se dizer que foi um Silvicultor atuando na consolidação das instituições.
Depois de um hiato profissional, em 2004, ele volta ao IPEF, atuando com Diretor Executivo do IPEF. Consolida a sistemática de atuação com os programas cooperativos e com isso vários programas ganham destaque internacional (BEPP, Promab, etc). Em 2009, pensando no futuro da organização, promove o Workshop em 2009 e em 2010 tive a oportunidade de ver a dedicação e liderança do Professor na execução e lançamento do Planejamento Estratégico do IPEF 2020. Com isso ficou muito claro para todos a Visão, Missão e Valores do Instituto e a direção dos caminhos a serem seguidos, através dos grandes objetivos estratégicos propostos. Pode-se dizer que foi um Silvicultor visionário para os futuros campos de atuação dos engenheiros florestais.
E para dizer que as ações propostas não ficam somente no papel, em 2011, entendi o que é traduzir palavras em ação. Diante da brilhante ideia do Eng. Ftal. Antônio Joaquim de Oliveira, o Professor Barrichelo aceita o desafio de executá-la e, em 6 meses, a ideia estava materializada, ou seja, estava sendo lançado a 1ª. edição do PPGF – Programa de Preparação dos Gestores Florestais. Já na sua 5ª edição, uma nova safra de engenheiros florestais, de diferentes faculdades do Brasil, tem a oportunidade de ter um melhor preparo para atuar, de forma positiva, nos diferentes campos de atuação de um silvicultor.
Durante 40 anos tive a oportunidade e o privilégio de acompanhar uma Pessoa e um Profissional (ambos com P maiúsculo) que, nas suas andanças em diferentes cenários, apregoa e pratica a trilogia: Fé, Dedicação e Vibração.
Quem quiser ver a verdadeira história contado pelo Professor, acesse o site: http://www.luiz.barrichelo.nom.br
Homenagem do Engº Florestal Admir Lopes Moura
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AQUISIÇÃO DE TERRAS PARA FLORESTAS: MUITO CUIDADO!

Adquirir terras para formar floresta não é uma simples negociação de ajuste de valores e verificação de documentos! É,de fato,uma combinação de conhecimentos da região e experiência técnica: silvicultura, solo, clima, logística, legislação ambiental, situação fundiária, dentre outros. É, portanto, um trabalho de equipe, onde os conhecimentos se somam!
Com a intensa procura de terras nas novas fronteiras da silvicultura, o assunto – onde e como comprar a melhor propriedade – passou a ser discussão de rotina. Há ofertas para todos os gostos, com os mais variados preços, condições de pagamento e localização. Selecionar o que comprar passou a ser uma verdadeira ginástica, tanto pela insistência de habilidosos corretores,quanto pela atratividade das ofertas!
É importante considerar que uma compra mal feita pode prejudicar para sempre a performance do empreendimento. A silvicultura produtiva e competitiva,como todos os empreendedores desejam, pode ser inviável para determinadas regiões, em função de limitações naturais, impossíveis de serem superadas. Não há recurso financeiro que altere as características de solo, de clima e da própria planta a ser cultivada. E se essas interações não estiverem devidamente alinhadas, o empreendimento pode ser mal sucedido. Há de se conhecer os trabalhos necessários para se construir acessos para o pessoal que vai plantar e para o transporte dos diversos insumos. Esses preparativos adicionais precisam ser dimensionados para que se tenha certeza de que a aquisição da propriedade vai permitir, de fato, a formação de floresta de boa produtividade, a custos competitivos e sem dispêndios adicionais.
É importante e principalmente, nas novas regiões, que se conheçam eventuais propostas, que possam existir para criação ou expansão de unidades de proteção ambiental, áreas indígenas, quilombolas, programas de infraestrutura ou restrições fundiárias. Esse conjunto de variáveis pode valorizar o seu patrimônio ou torná-lo totalmente inviável. Adquirir propriedades para formar floresta é uma atividade especializada que demanda, acima de tudo, elevada confiança na empresa e nos profissionais responsáveis. O bom negócio não se mede só pelo valor da terra, mas pelos resultados alcançados e pelos problemas inexistentes!

Nelson Barboza Leite – nbleite@uol.com.br
Diretor da Teca e Daplan – empresas de serviços florestais

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SILVICULTURA: A CRISE E A ESPERANÇA!

Numa roda de silvicultores, e de prosa animada, veio a pergunta: “ com a economia atolada no brejo, será que a silvicultura também vai sujar a canela? ” alguém falou: está quase tudo parando! E completou:” tenho informações de viveiros abarrotados de mudas, terceiros se desmanchando e produtores sem conseguir vender a madeira, nem pelos preços vergonhosos que estavam sendo oferecidos!” E mais uma pergunta: ” e os impactos de tudo isso” ? Foram feitas inúmeras colocações e ficaram algumas considerações, que repassamos para reflexão:
1- É difícil dimensionar a abrangência dos impactos, mas parece não haver dúvida, de que toda a cadeia produtiva já está abalada!
2- Em muitas situações a retomada pode ser custosa, demorada e, em alguns casos, impossível! Viveiros se desmontam e não voltam com facilidade, o prestador de serviço, que não vendeu suas máquinas, mudou para outras bandas e foi cuidar de outros bichos. Nem pensar, em voltar!
3- As grandes empresas, que tem o domínio total da situação, terão mais facilidade para retomar, mas naquilo que depender de terceiro, com certeza, vão penar!
4- A suspensão parcial de grandes programas vai impactar nos estoques de madeira. Talvez esse problema seja o mais grave, mas o de menor preocupação no curto prazo. Aparentemente, há sobra de madeira em alguns locais, mas a boateira se generaliza! Quem não ligar os radares pode ter sérios problemas, lá na frente!
5- Já se tem notícias de grandes áreas com falta de manutenção e redução de adubações complementares. Essa barbeiragem é inaceitável, mas é muito comum, principalmente, quando o “controlador de planilha” não entende nada de silvicultura!
6- Há riscos de grandes empreendimentos sofrerem solução de continuidade e, aqui, os desdobramentos são desastrosos! Desemprego, comunidades assustadas e descrédito em investidores e gestores. Em determinadas regiões isso pode comprometer a continuidade do negócio e ainda, a segurança dos investimentos realizados!
7- O desempenho positivo de alguns setores, favorecidos pela alta do dólar e mercado de exportações, como o setor de celulose e papel cria expectativas esperançosas. Mas fica o paradoxo: exportação e dólar lá em cima e a madeira lá embaixo?
8- E os fomentados continuam reclamando. Não conseguem estabelecer uma parceria que dê tranquilidade e que seja justa, no momento da venda da madeira. E alguém deixou uma pergunta, que merece destaque: “falam que o tal de fomento é tão bom, que é isso, que é aquilo, mas não se encontra nenhum fomentado satisfeito e que fale bem do seu parceiro”. Fica o registro. Mas há exceções!
E a conversa foi diminuindo, na medida em que mais dúvidas foram surgindo. Para todos ficou uma certeza: o setor já passou por inúmeras crises, mas nenhuma delas abateu com tanta intensidade a silvicultura! E sempre, quem conseguiu driblar as dificuldades, teve grandes vantagens, no longo prazo! A conversa acabou com uma fala otimista “se tiver recurso, não perca a esperança e pode apostar”!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Foto ilustrativa foi cedida por José Alfaro Torralbo, a quem agradecemos.

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GENTE, O SEGREDO DA SILVICULTURA BEM FEITA!

 

Numa “conversa de boteco” alguns profissionais colocaram em pauta uma questão interessante e que rendeu inúmeras discussões, palpites e sugestões: qual a causa de tanta diferença entre os trabalhos silviculturais das empresas? No meio de considerações cuidadosas e “cheias de dedo”, há de se registrar a posição firme de um consultor muito conhecido no setor e que vive dentro das empresas discutindo programações, estratégias, modelos organizacionais. Sem rodeios e firulas tascou – “o trabalho de silvicultura é o resultado da competência e do entendimento de toda a equipe de trabalho”. E animado continuou – “Só pessoas que se falam e se entendem, conseguem soluções para os problemas que surgem no dia-a-dia, e isso é imprescindível para que a silvicultura vá bem.

É premissa fundamental para que a empresa florestal seja bem sucedida”! O murmurinho geral que se seguiu, exigiu mais explicações, e da mesma maneira e bem objetivamente, o nosso consultor disse – “ não adianta dinheiro à vontade, contratações de especialistas e reuniões daqui e dali, o que manda é ter um bom silvicultor e cultivar o relacionamento amigável e cooperativo entre toda a equipe de trabalho: os que fazem e os que dão apoio. Sem isso, só um milagreiro”.
E para concluir, completou – “É impossível se fazer uma silvicultura bem feita, se não se dispuser de toda engrenagem de operação perfeitamente integrada e comprometida com o sucesso.
Todo bom silvicultor necessita, obrigatoriamente, de todas as ferramentas para se fazer um trabalho de qualidade. E essas ferramentas são representadas pelo conhecimento tecnológico, disponibilidade de insumos, mão-de-obra treinada e equipamentos adequados. Tudo isso andando junto, na hora certa, na quantidade adequada e no lugar exato”. E bem ao seu jeitão bradou – ”o resto é conversa mole, é tapar o sol com a peneira”. Que lição clara, ousada e desconcertante! Um participante da conversa, muito satisfeito, já foi dizendo: “vou pregar na porta de entrada da minha empresa”. Depois dessas enfáticas e objetivas colocações, seguiram-se algumas considerações, mas já com a premissa básica definida. Houve uma minoria que esboçou alguma reação, mas foi calada pela concordância da grande maioria.

Um misto de realidade e de preocupação com as colocações do consultor! Para quem não atua no setor ou não conhece as dificuldades do dia-a-dia de um projeto de silvicultura ou de uma empresa florestal, isso tudo pode parecer estranho! Fala-se de coisas óbvias: em qualquer manual de administração, de organização de trabalho e até nos manuais de “como trabalhar sem sofrimento” – essa premissa do trabalho em equipe, com a equipe e para a equipe é lição das páginas iniciais. Mas, em algumas empresas, essa simplicidade se complica e se torna uma utopia!

A relação entre as pessoas é tão difícil que chega a comprometer a qualidade dos trabalhos silviculturais. E aqui começam as grandes diferenças entre empresas! A execução dos serviços de campo não é tarefa tão simples e corriqueira. É uma mistura de matemática, biologia e algumas pitadas de psicologia! Em alguns casos, as ferramentas usadas pelo silvicultor são manejadas por cabeças diferentes na mesma empresa. O uso sincronizado dessas ferramentas parece ser o segredo da boa silvicultura, do sucesso dos empreendimentos e a arte dos gestores do empreendimento. E aqui entra a pitada de psicologia no tradicional pacote de matemática e biologia. É muito comum que cabeças diferentes, pensem diferente. Mas o grande problema é quando essas cabeças pensando diferente criam mundos independentes, com prioridades próprias e se descolam da atividade fim da empresa.

Aqui começam as dificuldades, surgem os problemas sem solução, a silvicultura fica sacrificada e as diferenças entre empresas se evidenciam! Nesse ponto, a equipe já se transformou em turmas e todas disputando o mesmo campeonato, umas na parte de cima e outras na parte de baixo da tabela. É só uma visita de campo nessas empresas e observa-se o retrato fiel desses desencontros! Foi uma lição profissional e de vida para o grupo, mas mesmo assim, surgiram, sorrateiramente, algumas justificativas daqueles mais abatidos, mas nada tão contundente, quanto às considerações do nosso amigo consultor.

Com certeza, vou receber uma ligação telefônica dele e vou ouvir: você não me avisou que ia falar disso! Vou agradecer a lição dada e dizer da importância de se compartilhar o privilégio daquela conversa com os profissionais do setor! Vou informá-lo também, que irei falar a respeito de outros temas tratados naquela “conversa de boteco”. E foi uma conversa longa….! São registros para reflexão e que devem fazer bem às pessoas e muito mais à silvicultura brasileira. Com certeza, o nosso amigo vai concordar!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS EM NOVAS FRONTEIRAS: REFLEXÕES OBRIGATÓRIAS!

A silvicultura está tomando formato distinto nas regiões de novas fronteiras. As condições de clima e de solos com variações e limitações, a inexistência de informações, entre as inúmeras dificuldades dessas regiões, estão exigindo novos procedimentos, novas atitudes, novas técnicas para se conseguir sucesso com a silvicultura. A falta de dados confiáveis e demandas crescentes agravam as dificuldades, mas a experiência profissional, os conhecimentos técnicos e a criatividade ajudam a encontrar soluções! É assim que está surgindo uma silvicultura com novos conceitos e procedimentos! Clones, espaçamentos, preparo de solo, época e condições de plantio, adubações diferenciadas, tratos culturais, controle de pragas e doenças, etc. Tudo com adequações e muitas surpresas! Mas há sinais animadores! Trabalhos bem conduzidos produzem florestas com excelente desenvolvimento e mostram o alto potencial das novas fronteiras. Uma maravilha aos que chegam com cautela e postura cuidadosa. As evidências das severas limitações são flagrantes! E não é aconselhável duvidar! Nessas regiões, a experiência profissional faz a diferença! Arrojo e competência tem dado certo, mas arrojo e adivinhação tem sido um desastre! Saber fazer a leitura certa dos desafios e dos resultados é o caminho para se alcançar o sucesso! É só saber ler e entender a linguagem da silvicultura! A decisão de se empreender numa nova região, normalmente, é precedida de dúvidas, que precisam ser analisadas por profissionais competentes. Seguem algumas considerações para reflexão obrigatória:
1- Materiais genéticos exigem testes e mais pesquisas;
2- Procedimentos silviculturais necessitam de adequações;
3- Produtividade é efeito e não regra de planilha;
4- O sucesso exige a experiência do curto prazo;
5- Integrar biologia e matemática é “coisa” para silvicultor;
6- A silvicultura não tolera “atalhos” e nem “faz-de-conta”;
7- Trocar longo prazo por imediatismo é péssimo negócio;
8- A experiência atende, mas não elimina a pesquisa;
9- Só bebe água limpa, quem respeita o longo prazo;
10- Interpretação de resultados é ferramenta do silvicultor.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA : NEGÓCIOS, EMPREGOS, SERVIÇOS

Quando iniciamos essa página o objetivo era criar um espaço para discussões, sugestões e informações que pudessem interessar aos silvicultores. O resultado foi muito além do esperado! Tivemos milhares de acessos, questionamentos, sugestões, etc. Atingimos o objetivo! Estamos convencidos de que, agora, o desafio é manter o interesse dos participantes. E surgiram novas demandas: venda de florestas e de madeira, silvicultores oferecendo negócios, serviços, produtos, mudas, sementes, ofertas de terras, silvicultores procurando novas colocações,etc. Abrimos, então, essa janela de oportunidades! Participe e será bem-vindo!
OBSERVACÃO: A Comunidade de Silvicultura poderá fazer comentário, caso haja alguma necessidade!

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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