QUAL A PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS DE EUCALIPTO?

Ainda da conversa com o Eng. Admir Lopes Mora surgiu um bom tema para reflexão:

– a silvicultura brasileira é campeoníssima em produtividade. Todo mundo fala e ninguém duvida! Mas quando se olha com cuidado as estatísticas do setor, observa-se que “as coisas” não mudam há algum tempo! Vejam o Gráfico mostrando o IMA dos plantios florestais. É publicação oficial do setor.

SILVICULTURA_GRAFICO

Fala-se muito em aumentar a produtividade das florestas. E os dados mostram que desde 2005 a produtividade está em torno de 40 m3/ha/ano. Há mais dados com alguns anos para trás e alguns anos para frente e é a mesma coisa! Logo, em 10 anos, não saímos do lugar. E aí vem as dúvidas para reflexão:

—- a mudança climática já está afetando os resultados?
—- chegamos no limite?
—- a escala dos plantios está afetando a produtividade?
—- estamos plantando corretamente, ou até mesmo, estamos fazendo uma silvicultura sustentável?
—- ou as estatísticas não mostram a realidade do setor?

De qualquer forma, é assunto preocupante, se quisermos que a silvicultura brasileira continue competitiva! É uma evidência inquestionável de que a pesquisa florestal ainda tem muito a contribuir para a produtividade das florestas! Há muita coisa a ser resolvida e muita coisa a ser pensada! E esse desafio depende só dos silvicultores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE VIMOS NA 51º EXPOAGRO BRAGANÇA PAULISTA 2016

Foi a 13º participação da Teca Serviços Florestais, na EXPOAGRO de Bragança Paulista-SP. Nos primeiros anos, por volta de 2005, o grande objetivo era apresentar o fomento florestal na região. A procura era grande. Ajudou muito nesse trabalho, a equipe da CATI- Bragança Paulista e o patrocínio da Votorantim Celulose e Papel –VCP.

O programa de fomento juntando Teca / CATI-Bragança Paulista/VCP durou mais de 5 anos e foi um sucesso! Cerca de 200 produtores aderiram ao programa e quase 10.000 ha foram plantados. Florestas de boa produtividade, bem cuidadas, de fácil acesso e próximas ao fomentador  – VCP e outros consumidores!  Numa dessas exposições a Teca fez uma pesquisa de opinião a respeito do plantio de eucalipto na região e as respostas que se destacaram foram: queremos plantar eucalipto e temos terras disponíveis; não temos assistência técnica e acreditamos na madeira como uma poupança!

Nesse ambiente favorável a silvicultura se expandiu na região,  com fomentados e produtores independentes. Atualmente, há mais de 20.000 ha de florestas de eucalipto. Nesse tempo, alguns fatos deixaram marcas na  silvicultura  regional. O mais importante foi a paralisação do programa de fomento e o fim da parceria anteriormente estabelecida – Teca/CATI- Bragança/VCP. A crise de 2008, transformou grande parte dos fomentados em problema jurídico. A contra gosto de muitos profissionais envolvidos no trabalho a programação foi paralisada. O baque foi tremendo! O tempo ,no entanto,  foi  ajeitando a situação!

A Teca continuou na região. Diversificou suas áreas de atuação, focou novos objetivos, continuou próxima de suas áreas fomentadas e manteve os laços de amizade com muitos produtores.  Continuou valendo a confiança no “fio de bigode”. A participação na EXPOAGRO de 2016 tinha como objetivo colher subsídios para avaliar  o ambiente  de negócios com florestas  na  região. Foram 10 dias de exposição com visitantes, conversas, indagações e algumas conclusões:

  • Ainda há produtores interessados em plantios de floresta;
  • O grande comprador, no momento, é o atravessador procurando madeira para queima em caldeiras, forno, etc
  • A madeira continua sendo vendida em estéreo ( madeira empilhada);
  • O valor da madeira empilhada com casca gira em torno de R$50,00 o metro de madeira empilhada;
  • Já há produtores  manejando  florestas para uso múltiplo. Há necessidade, no entanto, de maior divulgação das técnicas a serem utilizadas;
  • Há procura por mudas de espécies nativas e produtores  interessados em plantios para proteção de suas nascentes;
  • A região Bragantina continua apresentando condições excelentes para se tornar um grande polo  florestal;

 

Conclusão: Há florestas disponíveis, terras desocupadas, proprietários interessados em plantar e manejar florestas. Há de se atrair consumidores que saibam usar todo esse potencial de forma justa e realmente sustentável!!!!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

  • Quem contribuiu mais para a produtividade dos eucaliptos: a genética ou a adubação? **

A conversa era sobre produtividade e saiu a pergunta: quem alavancou mais a produtividade – a genética ou a adubação? E isso tem tudo a ver com o desenvolvimento da silvicultura brasileira e com reflexos diretos na sua competitividade. As dúvidas vêm lá de trás!  E foi colocado um exemplo para reflexão: – aquela empresa exemplar usava sementes melhoradas oriundas de Pomar de Sementes Clonal Testado e só utilizava 100 gramas de adubo 10:28:6 mais B e Zn por planta no ato do plantio e produzia 50 st/ha/ano (equivalente a 35 m3/ha/ano). Essa mesma empresa, atualmente, planta clones realizando fosfatagem pré-plantio, adubação NPK de base, 1ª. e 2ª. adubação de cobertura com NK e  micronutrientes e produz 45 metros/ha/ano.  E aí ? Foi a genética ou a quantidade de adubo?   Intriga também: e se fosse ao contrário – aquelas sementes com todo esse adubo e os clones com 100 gramas! O que aconteceria?  Sabe-se que, ao reduzir a quantidade de adubo (como acontece nas épocas de crise), a produtividade na idade de corte também reduz. Mas fica para reflexão: será que a chegada dos clones não deu uma gelada nos programas de melhoramento clássico? O que importa é que tem gente pensando nisso!

 

** Esse texto resultou de uma conversa  com  Eng. Admir Lopes Mora – amigo de muitos anos e competente silvicultor.  Consultor especializado  na utilização e otimização dos fatores de produção florestal.  A  Comunidade de Silvicultura agradece a sugestão e a revisão do texto original.

 

  • Modismos que marcaram época!

O desenvolvimento da silvicultura brasileira tem acontecido, muitas vezes, como consequência de dificuldades, que se apresentam ao setor.  E a forma usada, quase sempre, vira “moda” entre as empresas. A terceirização, a primarização, a clonagem, a certificação, dentre outros, são exemplos de  modismos, que se generalizaram, à sua época.  Nesse sentido, merece registro o surgimento dos  programas de educação ambiental. Um dos primeiros e mais  importante programa de educação ambiental surgiu  na  antiga Borregaard, depois Riocell e atualmente CMPC, em Guaíba – RS. Por volta dos anos 70, a antiga empresa norueguesa iniciou seu processo de produção, às margens do Rio Guaíba e causou tremenda revolta na população gaúcha. A  indústria  chegou a ser paralisada e serviu de fortíssimo argumento para fortalecer o movimento ambientalista, que  crescia  na época, liderado por José Lutzenberger  (1927-2002). A empresa só normalizou suas atividades, após implantar arrojado programa de educação ambiental, sob orientação do próprio Eng. Lutzenberger.  À época uma novidade! O  barulho ecoou em todo o Brasil e programas de educação ambiental passaram a ser regra dentro setor.  Ao longo do tempo, foram tomando formato diferente nas diversas empresas. Uns se  tornaram quase que obrigatórios e estratégicos, outros só cumpriram tabela, mas a moda pegou!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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A MADEIRA “A PREÇO DE REPOLHO” E A CERTIFICAÇÃO FLORESTAL

A certificação florestal, através dos princípios do FSC ou do CERFLOR, ou de ambos, serviu, indiscutivelmente, para significativas melhorias da silvicultura brasileira. Para muitos, o processo de certificação serviu para organizar as empresas, educar e facilitar a vida dos profissionais. Muitas obrigações técnicas, ambientais e sociais se tornaram rotina dentro das empresas. Todos ganharam e a silvicultura foi colocada na direção “do bem”.
Já não se perde tempo em infindáveis discussões para justificar medidas básicas que a legislação exige e que enriquece o lado social e ambiental da silvicultura. Essas medidas puseram a atividade numa situação de destaque entre as atividades rurais e, rapidinho, serviu para tratar o plantio de florestas plantadas certificadas pelo FSC ou pelo CERFLOR como a almejada silvicultura sustentável. Discursos e relatórios a respeito não faltam!

Diante dessa situação maravilhosa, vem a pergunta desajeitada – o que é uma atividade sustentável? Há teses a respeito e especialistas no assunto ditando regras e estabelecendo critérios técnicos para que se chegue no ponto desejado! Virou pacote tecnológico. E não dá para discutir a liturgia da sustentabilidade! Mas é possível, no mínimo, se imaginar que sustentável deve ser entendido algo, que mesmo quando usado, ou explorado tenha garantia de continuidade no longo prazo e dentro dos interesses de toda a sociedade!

Logo, silvicultura sustentável deve atender ao plantador, ao consumidor e a todos que direta ou diretamente tenham ligação com os plantios de florestas! E para isso, é necessário se plantar com tecnologia e se respeitar a legislação ambiental e social. Isso também é o mínimo que os processos de certificação exigem, e daí terem sido até tratados como “grandes responsáveis pela sustentabilidade da silvicultura brasileira”. Há inúmeros casos que fogem do alcance da certificação ou, mais elegantemente, ”não fazem parte do escopo da certificação”, e não são considerados no processo de avaliação.

É o caso da relação sempre cruel com terceiros, com fornecedores de mudas e especialmente com produtores e fornecedores de madeira!!!! Fiquemos só com esses casos! Há dezenas de terceiros, que são paralisados sem a menor preocupação. Há viveiros paralisados e centenas de fornecedores de madeira, dando suas florestas a preço de “repolho”. E todos fazem parte da cadeia de produção de nossa elogiada silvicultura sustentável.

O FSC e o CERFLOR certificam muitas empresas, que usam e abusam dessa cadeia produtiva! Não parece que existe alguma coisa estranha nisso tudo? Será que certificação não poderia alcançar e avaliar tais responsabilidades também? Ou a sustentabilidade da silvicultura não tem nada a ver com o produtor florestal, que entrega a madeira “a preço de repolho” às empresas certificadas por processos ISOs, FSC e CERFLOR?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA, O INCENTIVO FISCAL E A GLOBALIZAÇÃO!

Alguém pode perguntar:  o que tem a ver a silvicultura,o incentivo fiscal e a globalização? Com certeza, a depender do ambiente, poderemos ter as mais diferentes respostas. Para  muitos  pode até parecer alguma piada sem nenhuma graça!

Mas vamos aos fatos, e  a resposta fica por conta e a gosto de cada um. Por volta dos anos 50,60 o Brasil importava celulose e papel em quantidades significativas! A indústria de celulose e papel era insipiente. Fazer celulose com que madeira? Havia indústrias usando o pinheiro do Paraná – nossa Araucária, bambu e  crescia o uso do eucalipto.

Embora com poucas informações, sem nenhuma dúvida, o potencial  da cultura de eucalipto  visando o suprimento das indústrias  em formação era  indiscutível. O eucalipto trazido por Navarro de Andrade para atender  a demanda de dormentes  ,dava mostra de suas múltiplas possibilidades de uso! Daí, o Governo Federal engatou o PND – Programa Nacional de Desenvolvimento, que contemplava setores tidos como prioritários para o desenvolvimento do país. Nessa brecha foi  alojado o setor de celulose e papel.

Nada por acaso, com certeza, manobras políticas daqui e dali transformaram em lógica o interesse  econômico de  grupos de plantão. Ou alguém acredita que tenha sido  na base do planejamento,da matemática e de grandes estudos estratégicos!  Logo ficou evidente a falta de madeira e a necessidade  urgente de se plantar, até porque acabava de chegar o Código Florestal e restrições ao corte de  florestas!

Nesse ambiente criativo, surgiu o incentivo fiscal para alavancar novos plantios florestais,visando produção de madeira para o setor de celulose, considerado prioritário no PND.

Falava-se também do Programa Nacional de Siderurgia à Carvão Vegetal. Esse sim, um grande consumidor de matas nativas. Infelizmente, florestas incentivadas para a siderurgia  pegou e bem,mas   a substituição,de fato,da madeira de florestas nativas por madeira de eucalipto para produção de carvão, sempre esteve muito aquém das metas institucionais!  As áreas reflorestadas  aumentaram e os incentivos fiscais bombaram! Muitas empresas florestais se formaram e souberam aproveitar a oportunidade. Mas essa mesma oportunidade fez com que milhares de empresas oportunistas transformassem a política de incentivos fiscais para reflorestamento num abuso de dinheiro público insustentável!

Do começo ao fim do incentivo fiscal foram anos de histórias, de realizações, de erros e de muitos acertos. Restou um grande patrimônio de florestas plantadas por empresas sérias, que promoveram o desenvolvimento tecnológico da silvicultura brasileira e que deram origem a muitas indústrias, que transformaram a importação de celulose em exportação e formaram indústrias que competem no mercado global! Dá para perceber, onde  a silvicultura,incentivo fiscal e globalização se tocam?

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

Recortes da silvicultura para conhecermos, valorizarmos as boas ações, refletirmos sobre dicas, copiarmos bons exemplos e evitarmos erros já cometidos:

1) Os incentivos fiscais e 1% de plantio com espécies nativas!

Quando surgiram os incentivos fiscais obrigava-se o plantio de 1% da área incentivada com espécies nativas. Até que essa regra fosse mudada o Brasil já havia reflorestado quase dois milhões de hectares, o que compreenderia o plantio de no mínimo 20.000 ha de espécies nativas! Nenhuma estatística do setor mostra esses números. Foi um verdadeiro fracasso! Um dia, por sugestão da Eng. Maria Tereza Jorge Pádua, então Diretora de Parques e Recursos Naturais do IBDF, o 1% foi substituído pela manutenção de 10 % de matas nativas! Foi um sucesso! Com certeza, mais de 300.000 ha de matas nativas foram preservados! Salve, a grande sugestão da Dra. Maria Tereza!

2-) Os grandes erros dos incentivos fiscais!

Numa acalorada discussão sobre os grandes erros dos incentivos fiscais forma destacados: a-) uma infinidade de empresas sem base técnica (gente estranha e oportunista); b-) fiscalização precária; c-) falta de orientação técnica e planejamento sobre o que plantar, onde plantar, para que plantar e quanto plantar; d-) total falta de preocupações com os cuidados ambientais e sociais . As empresas com bons técnicos e interessadas, de fato, na produção de madeira seguiam princípios bem diferentes. Fizeram a diferença e salvaram a imagem dos incentivos fiscais para reflorestamento! Por volta de 1980 numa avaliação geral do comportamento das empresas, optou-se pelo corte de empresas inadimplentes. Foram cortadas mais de 1.000 empresas de reflorestamento! Foi uma revolução no setor!

3- Cuidado com sequelas…..

Os projetos incentivados pagavam o desmatamento, a queima da madeira e pouco se cuidava das APPs, principalmente próximo das nascentes. Foram anos de discussões para que tudo isso fosse apagado da memória do pessoal “do contra”. Precisamos tomar muito cuidado para que problemas modernos não se transformem em novas encrencas para o setor. Que problemas modernos? Preço da madeira, florestas sem uso, madeira viajando para longas distâncias, fomentados insatisfeitos, etc.

4-) Comunidade de Silvicultura na 51º EXPOAGRO de
Bragança Paulista – SP

No dia 8 de abril às 18 hs, vai ser aberta a 51º EXPOAGRO de Bragança Paulista de 2016. Serão 7 dias de festividades e exposições de produtores e criadores da Região Bragantina. Passam, nesses dias, mais de 300.000 pessoas, observando e discutindo com inúmeros expositores diversos temas de interesse dos produtores da região. A Comunidade de Silvicultura estará presente expondo materiais sobre o Manejo das Florestas para Uso Múltiplo, apresentando mudas de mais de 100 espécies nativas e fará um levantamento com produtores à respeito do mercado regional de madeira.

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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BRILHANTES PROFISSIONAIS DA SILVICULTURA

Parte 2

A Comunidade de Silvicultura agradece as manifestações, considerações e sugestões recebidas após a publicação da ( Parte1). Reiteramos  nossas desculpas por  eventuais erros.  Faremos complementações e correções com a colaboração dos amigos silvicultores. Lembramos também, que precisamos reconhecer o trabalho de  profissionais que dedicaram suas vidas, em  regiões distantes  do cenário nacional! Esperamos que sejam lembrados e mencionados por nossos colaboradores, e que a indicação  seja acompanhada  de informações a respeito da atuação e do seu trabalho.  Só para registro!  Recebemos a mensagem de um profissional, com  “anos de estrada” e que dizia : “mais da metade do pessoal mencionado, eu nunca tinha ouvido falar” e completou “ no Google não há sentimento”. Vamos redobrar nossos esforços! E contamos com a imprescindível participação dos amigos silvicultores. Segue mais uma relação de “craques”!

 

  • Edgar Campinhos – o comandante das pesquisas florestais da Aracruz. Juntamente com a Eng. Yara, sua companheira de equipe, são os verdadeiros criadores do eucalipto urograndis – o híbrido selecionado nas florestas da Aracruz, resistente ao cancro e que,   com sua clonagem, revolucionou a silvicultura brasileira.  Faziam parte da competente equipe do Dr. Leopoldo Garcia Brandão. Receberam o prêmio Wallenberg na Suécia, uma homenagem e reconhecimento internacional pela importância do trabalho desenvolvido. Deram inúmeras e ricas contribuições ao setor;

 

  • João Walter Simões – o “símbolo do silvicultor de botina suja”. Foi dos responsáveis pela Estação Experimental de Anhembi, pertencente ao IPEF. Excelente e dedicado professor na sala e no campo. Conhecia, detalhadamente, da formação de mudas às alternativas de colheita. Formou um grande grupo de admiradores, contribuiu significativamente para importantes  inovações e mudanças  nos serviços operacionais. Um grande amigo de seus orientados. Tivemos o privilégio dessa convivência;

 

  • Francisco Bertolani – um dos grandes responsáveis pela introdução e sucesso dos pinus tropicais no Brasil.  Como Diretor Florestal da CAFMA, coordenou a implantação de  uma grane área com florestas de inúmeras espécies e procedências de pinus tropicais. Com certeza, possuía a maior coleção de material genético das diversas espécies de pinus  no Brasil. Sua empresa constituiu -se por muito tempo, como a referência para  conhecimento das diversas espécies  que forma introduzidas no Brasil. Uma riqueza genética de valor incalculável e que recebia todo o cuidado e atenção de pesquisadores de todo o  país. Grande parte desse material, até então preservado, já não existia em suas áreas de origem!

 

  • Walter de Paula Lima – foi um  dos principais pesquisadores de  bacias hidrográficas e  suas relações com as florestas plantadas. Cientista de primeiríssima qualidade e de respeitabilidade internacional. Desenvolveu centenas de pesquisas em diferentes empresas, nas mais variadas condições para entender as relações dos plantios florestais e água. Foi  defensor do “plantar com tecnologia e respeito aos recursos naturais para se poder falar em sustentabilidade”. Possui centenas de publicações e formou competentes profissionais para dar continuidade aos seus trabalhos. É referência mundial!

 

  • Celso Edmundo Foelkel – professor, silvicultor, tecnólogo, cientista, orientador, palestrante….. e acima de tudo, uma pessoa exemplar e maravilhosa. Tem dedicado sua vida à ciência e ensino. Trabalhou em empresas, instituições de pesquisas, universidades, entidades de classe, etc. Sempre com brilhantismo ímpar! Apaixonado pela silvicultura, é o grande fundador e responsável pelo site celso.foelkel.com.br É um dos pesquisadores de celulose e papel mais  ativo e conhecido no mundo.  Participativo e colaborador. Possui milhares de contribuições científicas;

 

  • Jose Carlos Carvalho – nosso ex-Ministro do Meio Ambiente. Sempre na luta por uma silvicultura sustentável – há anos, antes que isso virasse moda – o engenheiro Zé Carlos falava disso. Sempre à frente de reinvindicações para o setor. É do time da pensação e fazeção! Foi o grande articulador para conseguir assento para a atividade florestal no CONAMA. Estabeleceu as regras para um rodízio de entidades para representação do setor. Enfatizava sempre: “todas  as entidade precisam conhecer o Conama. É aqui, que as coisas acontecem”. A SBS foi a primeira a representar o setor e a única que respeitou o que tinha sido tratado! Não cansava de repetir – “ou o setor se une com legitimidade  e se fortalecer, ou nunca terá condições de reivindicar nada”;

 

  • Rubens Tocci – empresário florestal que fazia parte do Grupo dos que faziam e procuravam organizar e ponderar as reivindicações empresariais, na época dos incentivos fiscais. Participava ativamente das entidades representativas. Um grande negociador e conciliador. Esteve sempre à frente de questões que dificultavam o desenvolvimento do setor. Muito participativo e colaborador. Atuou em S.Paulo, na Bahia e na Pará, onde foi diretor do Jari e responsável por inúmeras contribuições, que a empresa prestou ao desenvolvimento e valorização dos recursos naturais e sociais da região.  Defensor fervoroso do setor e com admirável e invejável ética e educação;

 

  • Joésio Siqueira – um grande conhecedor da legislação e das potencialidades e oportunidades do setor florestal Brasileiro. Ativo empreendedor e muito respeitado como professor e orientador de profissionais.  Teve passagem brilhante pelo antigo IBDF, onde iniciou os primeiros trabalhos estatísticos e de  inventário florestal. Sempre esteve à frente de trabalhos e reinvindicações  visando as  devidas adequações legais e institucionais da atividade. É consultor de renome internacional e incansável batalhador pelo fortalecimento  e valorização econômica do setor florestal. É fundador de uma das maiores empresas de consultoria  florestal do mundo!

 

  • Manoel de Freitas – teve brilhante carreira na antiga Champion Celulose e Papel. Muito respeitado pela disciplina e organização  de seus trabalhos na empresa, e em suas consultorias.  Grande conhecedor da realidade florestal brasileira e de grande parte do mundo. Importante colaborador e incentivador da pesquisa florestal. Foi ativo presidente do IPEF por muitos anos. Um especialista em silvicultura e estratégias operacionais. Com muitas publicações e palestras;

 

  • Edson Balloni – silvicultor muito ativo e empreendedor. Foi um dos precursores na formação de parcerias com fundos internacionais e empresas brasileiras. Em Jaguariaíva –PR,  uma de suas regiões de atuação, formou um grande maciço florestal com pinus  e eucalipto que deu origem  a um dos maiores polos madeireiros do Brasil. Criativo e incansável inovador. Incentivador das pesquisas florestais naquela região e muito participativo nas entidades representativas do setor. Atua também no Mato Grosso do Sul e Tocantins. Tem  sido grande protagonista na valorização da madeira e na divulgação dos benefícios das atividades florestais;

 

  • Vitor Afonso Hoeflich – foi Diretor da Embrapa Florestas em Curitiba- PR. Entusiasta e participativo. Sempre presente em reuniões, encontros, congressos  procurando valorizar os serviços das florestas plantadas. Como representante da instituição de pesquisa florestal do Governo Federal, colaborou de forma significativa na formulação de políticas públicas  para o setor. Tem inúmeros trabalhos publicados e  muito prestativo em todas as reuniões e discussões de interesse do setor;

 

  • Moacir Medrado – também foi Diretor da Embrapa Florestas em Curitiba-PR. Criativo e inovador. Abriu e incentivou novas áreas de pesquisa. Grande motivador e protagonista em inúmeras parcerias com empresas e outras instituições. Fortaleceu sobremaneira o papel da entidade junto aos produtores florestais. Sempre presente procurando divulgar os trabalhos da Embrapa Florestas;

 

  • Francisco Kronka – Foi Diretor do Instituto Florestal de São Paulo e o responsável por inúmeros trabalhos  de relevante importância  técnica. Criou e manteve equipe competente e dedicada, que gerou por muito tempo, informações estratégicas sobre a cobertura florestal e os estoques de madeira de S. Paulo.  Sempre esteve presente e atuante nas discussões técnicas para o estabelecimento de politicas públicas. Formador, orientador e muito querido por suas equipes de trabalho;

 

  • Prof. Mario Ferreira  – o geneticista do eucalipto e do pinus. Acompanhou e estudou todas as introduções de espécies e procedências dessas espécies em todas as empresas associadas do IPEF. Orientou grupos de pesquisadores para coleta de sementes no exterior. Foi o grande batalhador para que o uso de sementes melhoradas se tornasse uma obrigação nos reflorestamentos incentivados. Foi um dos principais responsáveis pelo aumento da produtividade das florestas plantadas, através dos conhecimentos  genéticos.   Grande conhecedor da  maioria das áreas de origem das espécies e procedências de eucalipto e pinus introduzidas no Brasil. Preparou  muitos profissionais para continuidade dos trabalhos;

 

  • Manoel Francisco Moreira – engenheiro florestal  graduado pela UFPR, em 1970. Empreendedor, criativo e colaborador. Grande entusiasta da agregação de valores tecnológicos à madeira. Atuou em várias empresas e sempre participou ativamente de entidades representativas do setor. Sempre presente em reuniões do setor, com inovações e muito entusiasmo. Tem uma quantidade enorme de publicações técnicas em boletins e revistas da área. Conhecidíssimo  e com muitas amizades no setor;

 

  • Rubens Cristiano Garlipp –  engenheiro florestal e executivo da Sociedade Brasileira de Silvicultura – SBS por vários anos. Batalhador incansável por melhorias e adequações da legislação e politicas florestais. Grande responsável pela viabilização do CERFLOR –  Sistema Brasileiro de Certificação Florestal.  Deu vida institucional e valorizou a SBS, através de inúmeros trabalhos técnicos e participações em reuniões e Grupos de Trabalho, em nível nacional e internacional. Criou mecanismos de divulgação de informações e fez com que o  boletim diário da SBS –“ REDE dia-a-dia” chegasse a mais de 10.000    interessados na silvicultura brasileira. Conseguiu manter a entidade na liderança de todas as discussões de organização e reinvindicações da atividade florestal. Um grande agregador de esforços e de interesses do setor;

 

  • Amantino de Freitas – Presidente da SBS  por vários mandatos e reconhecido  engenheiro da Divisão de Madeira do IPT. Dedicou parte de sua vida no desenvolvimento de trabalhos de pesquisa com madeira. É grande entusiasta da valorização tecnológica e uso da madeira. Tem sido o  responsável pela manutenção institucional da SBS. Admirável pela competência, disciplina e ética em tudo que faz. Colaborou  intensamente para a efetiva consolidação do FSC no Brasil. Pesquisador reconhecido em nível internacional. Tem sido o representante oficial da SBS, nos inúmeros compromissos formais, atendendo convite dos Governos Federal e Estadual. Tem feito esforço gigantesco  para manter a entidade no mais alto nível de respeitabilidade;

 

  • Nairam Felix  de Barros– engenheiro de Viçosa,MG e  representante de competente grupo de pesquisadores que revolucionaram os conceitos a respeito de solos ,fertilização e nutrição de florestas. Juntamente, com seu inseparável companheiro Roberto Ferreira de Novaes formaram um seleto grupo de profissionais especializados no assunto. Não há empresa florestal brasileira que não tenha sido usuária dos conhecimentos desses brilhantes profissionais. Engrandeceram a SIF-Sociedade de Investigações Florestais, a Universidade  Federal de Viçosa-MG   e  deram ao assunto solo, fertilização e nutrição o destaque profissional merecido. A contribuição para o aumento da produtividade das florestas é imensurável;

 

  • José Lauro de Quadros – engenheiro defensor da silvicultura no Rio Grande do Sul. Abnegado e comprometido com o sucesso da atividade  na região sul do país. Com passagem pelo antigo IBDF, dedicou sua carreira profissional na luta pelas legislações e políticas públicas do setor. Foi o executivo, quase que permanente da Ageflor, a quem representava, discursava e honrava em  muitas reuniões e Grupos de Trabalho. Participativo e lutador;

 

  • Luiz Veit – o “homem da Teca”. Foi o grande  incentivador do plantio de Teca no Brasil. Seus trabalhos na região de Cáceres- Mato Grosso constituiu-se na referência  técnica de comportamento da espécie. Desenvolveu pesquisas silviculturais e estudos sobre a  tecnologia  da madeira. Entusiasta e incansável divulgador da espécie. Nunca se afastou das entidades representativas do setor ,especialmente da SBS, e não perdia nenhuma oportunidade para alardear o sucesso de seus plantios;

E vamos continuar….. esperamos mais contribuições. E se possível, enviar dados do trabalho e da atuação do profissional indicado.    Reiteramos nossos agradecimentos pelas sugestões e antecipadamente, apresentamos nossas desculpas por eventuais enganos. Ainda temos muitos profissionais a serem lembrados!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS GRANDES SILVICULTORES

O Eng. Celso Foelkel é formado na ESALQ-USP, Piracicaba-SP, em 1970. Agrônomo silvicultor, foi dos mais brilhantes alunos que já passou pela ESALQ. Foi primeiríssimo em tudo : como aluno, como bolsista ,como professor, como pesquisador. Admirado e respeitado pela competência, ética e qualidades de “berço”.
Foi excelente professor nas universidades em que passou, competente pesquisador e dirigente muito querido nas empresas em que trabalhou. Uma pessoa admirada por tudo que faz, pelas prestativas colaborações e pelas incansáveis participações em cursos, reuniões, congressos nacionais e internacionais. Formou e orientou centenas de profissionais. Tem milhares de publicações científicas e tem tido uma vida dedicada à pesquisa e ao ensino.
É criador e responsável pelo site www.celso-foelkel.com.br , considerado um dos mais completos e abrangentes, ,em nível mundial, para tratar de assuntos florestais. É de conhecimento obrigatório de todos silvicultores. Veja mais :

• Brasileiro, casado, nascido em 05/04/1948
• 47 anos de experiência nas mais diversas áreas do setor de celulose e papel, tanto no Brasil como internacionalmente
• Um dos maiores especialistas e estudiosos das florestas e utilizações dos Eucalyptus e dos Pinus
• Criador do Eucalyptus Online Book & Newsletter e da PinusLetter (com Ester Foelkel), distribuidos gratuitamente a quem se registrar em http://www.eucalyptus.com.br
• Doutor Honoris causa pela Universidade Federal de Santa Maria
• Mestre em Ciências ( Celulose e Papel ) pela State University of New York e Syracuse University , USA
• Ex-professor da USP , UFSM, UFV, PUC/RS e UCS
• Trabalhou 3 anos na Cenibra e 19 anos na Riocell , onde ocupou posições executivas de gerência e diretoria
• Atua ou atuou em mais de 30 associações de classe e instituições na maioria delas com posição diretiva ( ABTCP, ABECEL, ANFPC, ANPEI, BRACELPA, CENEX, CNI, Embrapa Florestas, FIERGS, IPEF, SIF, SINPASUL, TAPPI, ASQ, ASQC, ACOTEPAC, APPITA, ATCP Chile, ATIPCA, ABCQ, ABES, ANAVE, CPPA, FPRS, IMAM, IUFRO, NatGeo Society, PAPTAC, PI, PIMA, SAF – Society of American Foresters, SBS, SBPC, SPCI, TAPPSA, ZELLCHEMING, WEF, WWF)
• Mais de 400 artigos técnicos e científicos publicados
• Mais de 600 eventos e cursos participados, na maioria como palestrante ou expositor.

Mais informações acerca de Celso Foelkel podem ser obtidas através dos arquivos a seguir:

– Curriculum Vitae Resumido. Versão Julho 2014 (em Adobe pdf)

– Sobre Celso Foelkel. Resumo executivo sobre Celso Foelkel. Versão 2014 (em Adobe pdf).

O amigo e companheiro Celso é considerado o profissional brasileiro mais conhecido no universo da tecnologia de celulose e papel. É um orgulho para o setor florestal brasileiro. É um verdadeiro patrimônio da ciência florestal! A Comunidade de Silvicultura, atendendo inúmeras indicações, rende–lhe as mais sinceras homenagens – ao profissional, ao cidadão e a todos seus familiares!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA, A BIOLOGIA E A MATEMÁTICA

Numa certa ocasião, em discussão com Diretor de empresa, insistimos em afirmar que  “ o bom trabalho de silvicultura  é  o resultado do equilíbrio  entre decisões biológicas e matemáticas” e que o sucesso  de qualquer empreendimento , depende  muito  de se saber dosar os referidos componentes!  Mais matemática  ou mais biologia, pode trazer  dificuldades imensuráveis. Alguns anos após, e observando o que acontece em muitas empresas e os desdobramentos em suas regiões de atuação, ficamos com certeza, ainda maior, de que  o desequilíbrio nas decisões pode trazer consequências desastrosas ao setor.  Há centenas de exemplos, onde o desequilíbrio pode criar enormes problemas, mas nada é tão emblemático, quanto ao uso desproporcional da matemática, no estabelecimento  das estratégias de abastecimento de uma grande indústria consumidora de madeira!  Nos casos, em que  a planilha que indica o custo da madeira posta na fábrica é o primeiro e o principal mandamento a ser observado, a possibilidade de se encontrar aberrações biológicas é muito grande. Esse procedimento  sacrifica a biologia, quase mata!

É muito simples de se entender: num determinado  tempo,  a empresa embalada pela política da boa vizinhança, que se prega  como diretriz da silvicultura sustentável,  inicia  amplo programa de fomento nas propriedades vizinhas. Só festança! Fotos, discursos, reuniões, programas de educação ambiental, doação disso e daquilo….. e a empresa vai formando um grande maciço florestal. Pode até surgir alguns questionamentos do “pessoal do contra”, mas a empresa  com seus vizinhos fomentados e parceiros  de produção de madeira, logo sufocam, e a vida continua. E a cartilha dos procedimentos silviculturais  é rigorosamente  aplicada – cuidados com  manutenções, incêndios,  medições para se estabelecer curvas de crescimento, ponto ideal de corte e, vamos que vamos.

É assim que manda a biologia e é isso que se aprende nas primeiras aulas de silvicultura! Quem fez o curso, sabe bem disso! E quem prega a sustentabilidade não pode deixar de lado esses conceitos básicos. Lá na frente, começa a colheita!  Mas de repente, uma crise na China  abala o mercado global e começam as reduções de  custo e as famosas revisões estratégicas e orçamentárias. Nesse momento, já apareceu em cena o “craque de planilha” e de forma inquestionável mostra o caminho a ser seguido: a  madeira nesse preço inviabiliza a aplicação dos princípios  da política de competitividade e otimização dos recursos produtivos ! E mais – veja a diferença no custo do produto final, se adotarmos  os novos valores de referência!   Com uma planilha “imexível” e o discurso recheado  de palavras  modernas,  é dado o sinal de partida para  novas batalhas na organização. O corre-corre é grande, mas de saída já se sabe que a madeira vai pagar parte significativa da conta. Aquelas florestas próprias, que ficam mais distantes e os fomentados, que não se cansam de reclamar dos preços  vão para as gavetas – essa madeira  não dá para ser usada!  E a biologia com suas curvas de crescimento, época de corte, etc.  e todo requinte técnico não cabe na planilha!

Aliás,  há  margens  para  florestas bem próximas, mesmo que  a biologia diga  que não   estejam na época de corte. É só um pouco, então, taca-lhe pau! É um santo  remédio  para  “buracos” inesperados! Depois é depois….! E a biologia?  Alguém haverá de  encontrar uma explicação mais tarde! Isso tudo seria muito simples, e sem maiores problemas, se nesse imbróglio não estivesse metido um punhado de gente, compromissos, terras ocupadas com florestas  sem aproveitamento e não demandasse centenas de gigantescos caminhões viajando milhares de quilômetros por rodovias públicas à procura daquela madeira, que  vem lá de longe, mas cabe na planilha!  Perdeu a biologia e fica por conta da sociedade todos os demais impactos sociais e ambientais daquelas florestas das vizinhanças! Não dá para entender muito bem e discutir essa lógica matemática, mas que essa encrenca gigantesca, num determinado momento, vai ter que ser repensada, parece que também não há dúvida! Precisamos respeitar a matemática, mas não dá para matar a biologia! Ou essa história de silvicultura sustentável é só para discurso e enfeitados relatórios de final de ano!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O VALOR DA MADEIRA E O TIRO NO PÉ!

Temos tido oportunidade de conversar com muitos produtores florestais pequenos, médios e grandes e a conversa passa por alguns assuntos  e encalha no valor da madeira! É de assustar o nível de descontentamento de parte de todos.  Dos que nem se preocupam com contas, até aos que discutem sofisticadas planilhas. É muito difícil encontrar alguém que não esteja indignado com o valor da madeira! Produtores de décadas e investidores que embarcaram há pouco tempo na atividade, todos reclamam!

Fala-se que cerca de 30% da madeira consumida pelas grandes indústrias  é proveniente de produtores! Será que esse número  está correto?  Se é esse o tamanho dos insatisfeitos, a  encrenca futura será muito grande!  A gritaria é geral! E se esse pessoal  desistir da silvicultura ou deixar no abandono suas florestas? Há os que acreditam  que  em terras valorizadas, já está valendo a pena destocar e partir para outra atividade! É fácil imaginar o desperdício em todos os aspectos: econômicos, sociais e ambientais. E o interessante é que essas terras mais valorizadas, normalmente estão próximas aos grandes consumidores. E se pelos menos parte desses estoques deixarem de existir? A madeira vai continuar viajando centenas de quilômetros para não deixar esse ou aquele consumidor  parar?  Ou será que vão  tentar motivar os produtores, lá na frente?

De qualquer forma, parece que essa economia, de curto prazo, pode ser um verdadeiro tiro no pé! Vamos torcer para que toda essa situação se altere com as mudanças políticas e econômicas, que parecem se aproximar. Caso contrário, o discurso da silvicultura sustentável vai virar piada ou capitulo só dos sofisticados relatórios de um grupo muito pequeno de grandes empresas!

Para não dizer que é só discurso, seguem alguns números: há produtores com o coração quase parando, quando ouvem R$30,00 – 35,00 por metro cúbico  de madeira de eucalipto em pé! O coração  deixa de bater, quando a oferta é menor! E a conversa só fica interessante e animadora, quando a oferta fica perto de R$ 50,00- 55,00 o metro cúbico de madeira em pé!  E não é adivinhação! É matemática  que pode ser instrumento de avaliação para todos. Grande ou pequeno produtor. Grande ou pequeno consumidor.

Enfim, todos  podem saber quanto realmente deve valer a madeira. Comprar na “bacia das almas” do produtor é  conscientemente dar um tiro no pé!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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