MUDANÇAS QUE PRECISAM ACONTECER!

Desde a segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, já tivemos mais de quatro períodos governamentais diferentes e sempre o setor, através de suas entidades representativas, esteve presente, nos primeiros dias de Governo, mostrando seus pleitos, suas reivindicações. Na verdade, virou um café requentado! Enfim, continuava a esperança! Já se vão quase 20 anos, e de novo, estamos diante do mesmo quadro – gente nova precisando saber de nossas dificuldades, de nossas necessidades e de nossas possibilidades!
Os tempos são outros. Algumas coisas mudaram, nem sempre aquilo que precisava mudar, mas há coisas, que precisam mudar! O que não podemos é desistir! Vamos juntar pleitos antigos, mudanças realizadas, promessas, etc. e vamos em frente. Lá atrás, há mais de 10 anos, foi feita uma relação de perguntas para se medir, naquele tempo, a necessidade de pleitos e reivindicações;

– Naquela ocasião, havia fatos novos, que justificassem ajustes e mudanças?
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– Os grandes problemas, reclamados, no século passado, tinham sido resolvidos?
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– Os novos empreendedores nas novas fronteiras sentiam-se confortáveis para continuarem investindo?
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– A complexidade das legislações tinha sido resolvida? A corrupção tinha acabado?
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– Havia financiamentos em condições adequadas para a atividade?
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– A política de fomento florestal tinha dado certo ? E os fomentados estavam satisfeitos?
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-Tinha sido resolvida a questão institucional do setor?
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– Existia política de governo para acompanhar o crescimento setorial?
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– O Código Florestal tinha sido modificado para regulamentar as atividades florestais?
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– Você sabia onde discutir, ou a quem sugerir ou reclamar das políticas públicas do setor?
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Pode parecer piada! Mas essas questões já eram colocadas, há quase 20 anos atrás! E o mais interessante: representava o esforço conjunto de inúmeras entidades do setor. Talvez pecasse no conteúdo, mas era a “legitima vontade” dos diferentes segmentos da silvicultura. Esse aspecto merece destaque. Aliás, muita reflexão!
As indagações levavam qualquer silvicultor, mais atento, a responder “não” à grande maioria dos questionamentos apresentados.
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No entanto, em novos tempos, não podemos dar um “não” a tudo. Há considerações que precisam ser pontuadas. De forma resumida, teríamos a responder: há fatos novos que exigem mudanças e adequações. Os grandes problemas – por exemplo, legislação e financiamentos – vagueiam e não foram resolvidos. Os investidores nas novas fronteiras continuam lutando por conta e risco próprio. A legislação foi revirada, mas não se consolidou e ainda atrapalha. O financiamento continua nas estatísticas e discursos, menos no campo. Continua uma promessa. A política de fomento embalou, parou e os fomentados berram! Mudamos de endereço institucional, mas não temos sala! O Código Florestal foi mexido, mas deixou remendos inacabados. E continuamos sem ter para quem se queixar! Em resumo; é de chorar!
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A última turma que desocupou a sala falou muito em Grupos de Trabalho, em nível de Governo Federal, com o objetivo de se definir políticas públicas para o setor, mas nada foi apresentado de concreto. E também não conhecemos ninguém que tenha participado de alguma reunião para discutir assuntos relacionados a Programa Nacional. Com certeza, pelo falatório, há trabalhos em desenvolvimento. Para se fazer de forma isolada, sem ouvir e nem discutir, deve ser gente que conhece tudo do setor!. Se o trabalho estiver pronto para discussão, menos mal. Mas se estiver pronto para ser levado e sem a devida discussão, entre os que fazem a silvicultura, a chance de agradar e impressionar é grande, mas de dar certo é quase zero!
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Na expectativa de novas discussões, vão ser reapresentadas as questões pendentes – um café requentado, que não pode ser esquecido, de acompanhamento, a mesma reza! Mas se as novas demandas forem, devidamente colocadas, o cenário muda!- um café fresco para ser saboreado, com bolo de milho e pãozinho de soja. De acompanhamento, cabe uma reza diferente! Com certeza, além do que se arrasta, algumas questões serão inevitáveis , até para justificar o café diferente!
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– há de se fomentar o uso diversificado da madeira de nossas florestas plantadas. Não dá para a silvicultura ficar refém de meia dúzia de grandes consumidores! Uma atividade gigantesca voltada a poucos interessados! Não é justa e nem pode se sustentar!
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– a biomassa como alternativa energética precisa ser repensada e equacionada. Ela embute benefícios sociais e ambientais imensuráveis. E muita gente entendida diz que o uso da biomassa é caminho irreversível. É só ter coragem para enfrentar as dificuldades políticas!
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– Precisamos ampliar a participação do Brasil no comércio mundial de produtos florestais. É vergonhosa a participação do Brasil!
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– Temos o compromisso global de se aumentar a área de florestas plantadas: para onde e como fazer? É compromisso assumido com o mundo. E não importa a responsabilidade de quem prometeu. É compromisso do Brasil!
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– E a silvicultura de espécies nativas? Nem pesquisa, nem programas de revegetação das áreas ambientalmente frágeis! Um desprezo institucional, que mancha a silvicultura brasileira!
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– O fomentado precisa ser integrado ao processo de produção para usar terras ociosas e aumentar sua renda! Não pode continuar refém dos grandes consumidores. Há de se pensar em modelos que contemplem a efetiva participação, comprometimento e lucratividade do fomentado. É a melhor e única alternativa para garantir a competitividade e expansão do parque industrial instalado. Aquisições de terra? Nem pensar!
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– A consolidação de uma legislação objetiva, prática e que não exija adereços desnecessários e de alto custo é imprescindível à silvicultura. Da mesma forma, a inexistência de financiamento precisa ser dita claramente. É só discurso! Há de se encontrar as razões que impedem que interessados e habilitados para tal, fiquem na fila, até cansar e desistir!
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– E o que fazer para dar vida à siderurgia mineira, com tanta madeira e tantos desempregados e que perde para a siderurgia a carvão mineral, altamente poluidora, de outros países? E num mundo, que luta por iniciativas industriais e econômicas de menos carbono?
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São desafios que tocam direto no dia-a-dia da silvicultura brasileira!
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E será que alguém acha, que essas coisas não precisam mudar?
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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A TERCEIRIZAÇÃO SE REINVENTA!

Há anos atrás, a terceirização surgiu no setor florestal como  alternativa para manter a competitividade da silvicultura brasileira. Discurso daqui e dali, mas na verdade o que se desejava é reduzir custos! Com o fim dos incentivos fiscais, a empresa florestal foi perdendo o brilho e, com os estoques em alta, a atividade florestal perdeu  espaço na mesa de decisões. Daí, para cortes, mudanças, reduções, foi um tiro! E a terceirização apareceu, no momento exato, para justificar dispensas, mudanças  e diminuição de custos.

A justificativa  era concentrar força na atividade fim e a terceirização cresceu! A enxugada inicial foi surpreendente e a moda pegou! Em pouco tempo, a estrutura de serviços do setor florestal era, praticamente, só de terceiros!  Daí, muitos dizerem que “a silvicultura brasileira é o melhor exemplo de atividade de longo prazo, em que tudo precisa acontecer ontem”.

E os desdobramentos inconvenientes foram inevitáveis! Muitas empresas, baixo nível de profissionalização, contratos leoninos, promessas não cumpridas, economia disso e daquilo e não tardou para que a produtividade das florestas mostrasse “sinais de fadiga”: novos ajustes e os questionamentos inevitáveis brotaram de todos os lados!  E ficou a dúvida: volta a primarização  ou a terceirização se profissionaliza? O dia-a-dia tem mostrado resultados interessantes de um lado e de outro. Com custos bem semelhantes, a grande preocupação  passou a ser o domínio da tecnologia,  com alto nível de profissionalização e comprometimento com bons resultados.

Há inúmeros exemplos de sucesso, com florestas de alta produtividade, gestão completa do processo produtivo e plena integração  às responsabilidades  e estratégias de suprimento da contratante. Nessa nova postura, a competitividade fica perfeitamente alinhada. Esse terceiro reinventado, fica com “cara” de parceiro, de verdade!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA: QUE MUDANÇAS VIRÃO?

A silvicultura precisa ser repaginada para os próximos anos e esse é o exercício desafiador a todos: aos pesquisadores, profissionais, investidores, empresários…


Há pouco, em publicação tratando das mudanças da silvicultura, fizemos algumas considerações, que nos parecem importante reiterá-las. Falamos do avanço da produtividade das florestas, que passou de 10/15 metros cúbicos /ha/ano, nos anos 50/60, aos atuais 40 metros cúbicos /ha/ano; da mudança institucional, que implicou em mudanças importantes: em 60/70 fomos criados no Ministério da Agricultura.

De lá saímos corridos, em final de 80. Fizemos uma pausa no Ministério do Meio Ambiente e retornamos à casa antiga; do lado das empresas, tivemos inúmeras alterações- no final dos anos 60, criaram-se milhares de empresas. De todo tipo. E nessa onda surgiram alguns “diretores de verdade”, que perceberam a necessidade da pesquisa e da informação científica.

Daí surgiram as parcerias com as universidades e fundaram-se as instituições de pesquisas – IPEF,SIF,FUPEF, Embrapa Florestas, dentre outras. E a silvicultura brasileira tornou-se campeoníssima de produtividade. O setor se desenvolveu, as indústrias se expandiram.
Esse sucesso trouxe a sensação de que tudo se resolvera. Em mais de 30 anos, houve uma grande renovação nos quadros de profissionais do setor e poucos que respondem, atualmente, pelos trabalhos operacionais e de pesquisa em suas respectivas empresas, sabem dessa novela. Mas o processo de desenvolvimento não teve solução de continuidade, cabendo destaque ao esforço e dedicação incansável de brilhantes profissionais e pesquisadores.

Vivemos, no entanto, nos dias atuais, momento especial e paradoxal! De um lado, temos oportunidades para melhorar a competitividade das florestas plantadas e de se agregar valores ambientais, sociais e econômicos às florestas. Enfim, há espaço para melhorias e valorização da silvicultura. Mas de outro lado, há dúvidas com respeito à produtividade, clones, o temor das pragas e doenças. Sente-se, de certa forma, a indefinição institucional, além da preocupante vulnerabilidade da sustentabilidade abatida pelo preço aviltado da madeira e a insatisfação generalizada dos produtores florestais.

Esse misto de oportunidades e dúvidas indica que a silvicultura precisa ser repaginada para os próximos anos. E esse é o exercício desafiador a todos: aos pesquisadores, profissionais, investidores, empresários. Não se discute a importância estratégica da madeira como matéria prima para diversas utilizações industriais, mas já há sinais de que a sociedade começa a perceber o efeito de suas contribuições ambientais e sociais. Será esse o “mantra” a ser adotado?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

ARTIGO PUBLICADO EM: www.painelflorestal.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

1-QUANTO DEVERIA VALER A MADEIRA?

A principal preocupação da silvicultura nos dias atuais é o baixo valor da madeira. A indignação é geral! E causa grande admiração o paradoxo entre o baixo valor da madeira e a boa fase do mercado de celulose, especialmente o de exportação. Fala-se em valores bem variados de região para região. As variações vão de 20 a 60 reais o metro cúbico de madeira em pé! E vem a pergunta: qual é o valor justo? Segundo, conversas informais, os produtores, que usam a caderneta para pagar contas, falam de 50-60 reais o metro cúbico de madeira em pé, mas a turminha da planilha não fala em menos de 60! Mas o que assusta é a grande diferença de valores nas diferentes regiões, e mais ainda, a tranquilidade dos que dependem da madeira e sabem que vai vir encrenca por aí, a médio prazo. Então fica a dúvida:
– ou esse pessoal não conhece e não quer conhecer nada de silvicultura, ou está com a certeza, de que outros responderão pelas encrencas que virão!

2- AS CHUVAS E A REVEGETAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS!

Como se previa, as chuvas chegaram e não se fala mais em problemas com as áreas degradadas, proteção de nascentes, etc. Será que a lição da “torneira seca”, ainda não foi suficiente? As previsões mostram que teremos chuvas, mas não cobrirão os déficits anteriores! E poderemos ter novas dificuldades. Não seria prudente pensarmos em soluções, que ,de fato, corrigissem os problemas já evidenciados? Alguém duvida da necessidade de se revegetar as áreas degradadas e de se proteger as nossas nascentes? Com quem fica a palavra?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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A SILVICULTURA E AS MUDANÇAS POLÍTICAS!

Alguém pode negar que o país passa por delicado momento econômico e que em tudo se vê os sinais dos problemas políticos? E a silvicultura, uma atividade de longo prazo, consegue escapar desse cenário, e das limitações de curto prazo? E como esses problemas afetam a silvicultura? É difícil saber como e até onde afetam, mas é fácil imaginar que questões pendentes vão continuar, por mais algum tempo, “ mais pendentes ainda”. Há de se evitar os impactos na cadeia de produção florestal.
Árvores não plantadas não produzem madeira! Lá na frente, não vai adiantar chorar o “leite derramado”!
E os impactos nas questões institucionais são inevitáveis: no início do atual Governo, a silvicultura migrou para o Ministério da Agricultura e não há informação da situação que ficou; do Programa Nacional de Florestas Plantadas, que já estava em fase de conclusão, há alguns meses, não se tem nenhuma informação e nem sinal do encaminhamento adotado; e algumas questões do Código Florestal continuam em discussão fora do setor!
Essas dificuldades no processo produtivo e as pendências das questões institucionais seriam suficientes para causar preocupação! Mas há muita gente que acha, que nada disso é tão crítico a ponto de causar inquietação entre os silvicultores!
Enfim, o momento é de preocupação!
No processo produtivo os impactos são previsíveis e dimensionáveis. É só querer e fazer a conta! Mas do lado institucional, tudo é sempre surpresa! E se vierem mudanças e novos governantes as mesmas conversas terão que ser repetidas! Nesse sentido, fica o alerta aos que já fizeram a oração a cada troca de governantes! Só mais um alerta: – se trocarem o santo, será que não valeria a pena mudar a reza?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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QUAL A PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS DE EUCALIPTO?

Ainda da conversa com o Eng. Admir Lopes Mora surgiu um bom tema para reflexão:

– a silvicultura brasileira é campeoníssima em produtividade. Todo mundo fala e ninguém duvida! Mas quando se olha com cuidado as estatísticas do setor, observa-se que “as coisas” não mudam há algum tempo! Vejam o Gráfico mostrando o IMA dos plantios florestais. É publicação oficial do setor.

SILVICULTURA_GRAFICO

Fala-se muito em aumentar a produtividade das florestas. E os dados mostram que desde 2005 a produtividade está em torno de 40 m3/ha/ano. Há mais dados com alguns anos para trás e alguns anos para frente e é a mesma coisa! Logo, em 10 anos, não saímos do lugar. E aí vem as dúvidas para reflexão:

—- a mudança climática já está afetando os resultados?
—- chegamos no limite?
—- a escala dos plantios está afetando a produtividade?
—- estamos plantando corretamente, ou até mesmo, estamos fazendo uma silvicultura sustentável?
—- ou as estatísticas não mostram a realidade do setor?

De qualquer forma, é assunto preocupante, se quisermos que a silvicultura brasileira continue competitiva! É uma evidência inquestionável de que a pesquisa florestal ainda tem muito a contribuir para a produtividade das florestas! Há muita coisa a ser resolvida e muita coisa a ser pensada! E esse desafio depende só dos silvicultores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE VIMOS NA 51º EXPOAGRO BRAGANÇA PAULISTA 2016

Foi a 13º participação da Teca Serviços Florestais, na EXPOAGRO de Bragança Paulista-SP. Nos primeiros anos, por volta de 2005, o grande objetivo era apresentar o fomento florestal na região. A procura era grande. Ajudou muito nesse trabalho, a equipe da CATI- Bragança Paulista e o patrocínio da Votorantim Celulose e Papel –VCP.

O programa de fomento juntando Teca / CATI-Bragança Paulista/VCP durou mais de 5 anos e foi um sucesso! Cerca de 200 produtores aderiram ao programa e quase 10.000 ha foram plantados. Florestas de boa produtividade, bem cuidadas, de fácil acesso e próximas ao fomentador  – VCP e outros consumidores!  Numa dessas exposições a Teca fez uma pesquisa de opinião a respeito do plantio de eucalipto na região e as respostas que se destacaram foram: queremos plantar eucalipto e temos terras disponíveis; não temos assistência técnica e acreditamos na madeira como uma poupança!

Nesse ambiente favorável a silvicultura se expandiu na região,  com fomentados e produtores independentes. Atualmente, há mais de 20.000 ha de florestas de eucalipto. Nesse tempo, alguns fatos deixaram marcas na  silvicultura  regional. O mais importante foi a paralisação do programa de fomento e o fim da parceria anteriormente estabelecida – Teca/CATI- Bragança/VCP. A crise de 2008, transformou grande parte dos fomentados em problema jurídico. A contra gosto de muitos profissionais envolvidos no trabalho a programação foi paralisada. O baque foi tremendo! O tempo ,no entanto,  foi  ajeitando a situação!

A Teca continuou na região. Diversificou suas áreas de atuação, focou novos objetivos, continuou próxima de suas áreas fomentadas e manteve os laços de amizade com muitos produtores.  Continuou valendo a confiança no “fio de bigode”. A participação na EXPOAGRO de 2016 tinha como objetivo colher subsídios para avaliar  o ambiente  de negócios com florestas  na  região. Foram 10 dias de exposição com visitantes, conversas, indagações e algumas conclusões:

  • Ainda há produtores interessados em plantios de floresta;
  • O grande comprador, no momento, é o atravessador procurando madeira para queima em caldeiras, forno, etc
  • A madeira continua sendo vendida em estéreo ( madeira empilhada);
  • O valor da madeira empilhada com casca gira em torno de R$50,00 o metro de madeira empilhada;
  • Já há produtores  manejando  florestas para uso múltiplo. Há necessidade, no entanto, de maior divulgação das técnicas a serem utilizadas;
  • Há procura por mudas de espécies nativas e produtores  interessados em plantios para proteção de suas nascentes;
  • A região Bragantina continua apresentando condições excelentes para se tornar um grande polo  florestal;

 

Conclusão: Há florestas disponíveis, terras desocupadas, proprietários interessados em plantar e manejar florestas. Há de se atrair consumidores que saibam usar todo esse potencial de forma justa e realmente sustentável!!!!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

  • Quem contribuiu mais para a produtividade dos eucaliptos: a genética ou a adubação? **

A conversa era sobre produtividade e saiu a pergunta: quem alavancou mais a produtividade – a genética ou a adubação? E isso tem tudo a ver com o desenvolvimento da silvicultura brasileira e com reflexos diretos na sua competitividade. As dúvidas vêm lá de trás!  E foi colocado um exemplo para reflexão: – aquela empresa exemplar usava sementes melhoradas oriundas de Pomar de Sementes Clonal Testado e só utilizava 100 gramas de adubo 10:28:6 mais B e Zn por planta no ato do plantio e produzia 50 st/ha/ano (equivalente a 35 m3/ha/ano). Essa mesma empresa, atualmente, planta clones realizando fosfatagem pré-plantio, adubação NPK de base, 1ª. e 2ª. adubação de cobertura com NK e  micronutrientes e produz 45 metros/ha/ano.  E aí ? Foi a genética ou a quantidade de adubo?   Intriga também: e se fosse ao contrário – aquelas sementes com todo esse adubo e os clones com 100 gramas! O que aconteceria?  Sabe-se que, ao reduzir a quantidade de adubo (como acontece nas épocas de crise), a produtividade na idade de corte também reduz. Mas fica para reflexão: será que a chegada dos clones não deu uma gelada nos programas de melhoramento clássico? O que importa é que tem gente pensando nisso!

 

** Esse texto resultou de uma conversa  com  Eng. Admir Lopes Mora – amigo de muitos anos e competente silvicultor.  Consultor especializado  na utilização e otimização dos fatores de produção florestal.  A  Comunidade de Silvicultura agradece a sugestão e a revisão do texto original.

 

  • Modismos que marcaram época!

O desenvolvimento da silvicultura brasileira tem acontecido, muitas vezes, como consequência de dificuldades, que se apresentam ao setor.  E a forma usada, quase sempre, vira “moda” entre as empresas. A terceirização, a primarização, a clonagem, a certificação, dentre outros, são exemplos de  modismos, que se generalizaram, à sua época.  Nesse sentido, merece registro o surgimento dos  programas de educação ambiental. Um dos primeiros e mais  importante programa de educação ambiental surgiu  na  antiga Borregaard, depois Riocell e atualmente CMPC, em Guaíba – RS. Por volta dos anos 70, a antiga empresa norueguesa iniciou seu processo de produção, às margens do Rio Guaíba e causou tremenda revolta na população gaúcha. A  indústria  chegou a ser paralisada e serviu de fortíssimo argumento para fortalecer o movimento ambientalista, que  crescia  na época, liderado por José Lutzenberger  (1927-2002). A empresa só normalizou suas atividades, após implantar arrojado programa de educação ambiental, sob orientação do próprio Eng. Lutzenberger.  À época uma novidade! O  barulho ecoou em todo o Brasil e programas de educação ambiental passaram a ser regra dentro setor.  Ao longo do tempo, foram tomando formato diferente nas diversas empresas. Uns se  tornaram quase que obrigatórios e estratégicos, outros só cumpriram tabela, mas a moda pegou!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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A MADEIRA “A PREÇO DE REPOLHO” E A CERTIFICAÇÃO FLORESTAL

A certificação florestal, através dos princípios do FSC ou do CERFLOR, ou de ambos, serviu, indiscutivelmente, para significativas melhorias da silvicultura brasileira. Para muitos, o processo de certificação serviu para organizar as empresas, educar e facilitar a vida dos profissionais. Muitas obrigações técnicas, ambientais e sociais se tornaram rotina dentro das empresas. Todos ganharam e a silvicultura foi colocada na direção “do bem”.
Já não se perde tempo em infindáveis discussões para justificar medidas básicas que a legislação exige e que enriquece o lado social e ambiental da silvicultura. Essas medidas puseram a atividade numa situação de destaque entre as atividades rurais e, rapidinho, serviu para tratar o plantio de florestas plantadas certificadas pelo FSC ou pelo CERFLOR como a almejada silvicultura sustentável. Discursos e relatórios a respeito não faltam!

Diante dessa situação maravilhosa, vem a pergunta desajeitada – o que é uma atividade sustentável? Há teses a respeito e especialistas no assunto ditando regras e estabelecendo critérios técnicos para que se chegue no ponto desejado! Virou pacote tecnológico. E não dá para discutir a liturgia da sustentabilidade! Mas é possível, no mínimo, se imaginar que sustentável deve ser entendido algo, que mesmo quando usado, ou explorado tenha garantia de continuidade no longo prazo e dentro dos interesses de toda a sociedade!

Logo, silvicultura sustentável deve atender ao plantador, ao consumidor e a todos que direta ou diretamente tenham ligação com os plantios de florestas! E para isso, é necessário se plantar com tecnologia e se respeitar a legislação ambiental e social. Isso também é o mínimo que os processos de certificação exigem, e daí terem sido até tratados como “grandes responsáveis pela sustentabilidade da silvicultura brasileira”. Há inúmeros casos que fogem do alcance da certificação ou, mais elegantemente, ”não fazem parte do escopo da certificação”, e não são considerados no processo de avaliação.

É o caso da relação sempre cruel com terceiros, com fornecedores de mudas e especialmente com produtores e fornecedores de madeira!!!! Fiquemos só com esses casos! Há dezenas de terceiros, que são paralisados sem a menor preocupação. Há viveiros paralisados e centenas de fornecedores de madeira, dando suas florestas a preço de “repolho”. E todos fazem parte da cadeia de produção de nossa elogiada silvicultura sustentável.

O FSC e o CERFLOR certificam muitas empresas, que usam e abusam dessa cadeia produtiva! Não parece que existe alguma coisa estranha nisso tudo? Será que certificação não poderia alcançar e avaliar tais responsabilidades também? Ou a sustentabilidade da silvicultura não tem nada a ver com o produtor florestal, que entrega a madeira “a preço de repolho” às empresas certificadas por processos ISOs, FSC e CERFLOR?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA, O INCENTIVO FISCAL E A GLOBALIZAÇÃO!

Alguém pode perguntar:  o que tem a ver a silvicultura,o incentivo fiscal e a globalização? Com certeza, a depender do ambiente, poderemos ter as mais diferentes respostas. Para  muitos  pode até parecer alguma piada sem nenhuma graça!

Mas vamos aos fatos, e  a resposta fica por conta e a gosto de cada um. Por volta dos anos 50,60 o Brasil importava celulose e papel em quantidades significativas! A indústria de celulose e papel era insipiente. Fazer celulose com que madeira? Havia indústrias usando o pinheiro do Paraná – nossa Araucária, bambu e  crescia o uso do eucalipto.

Embora com poucas informações, sem nenhuma dúvida, o potencial  da cultura de eucalipto  visando o suprimento das indústrias  em formação era  indiscutível. O eucalipto trazido por Navarro de Andrade para atender  a demanda de dormentes  ,dava mostra de suas múltiplas possibilidades de uso! Daí, o Governo Federal engatou o PND – Programa Nacional de Desenvolvimento, que contemplava setores tidos como prioritários para o desenvolvimento do país. Nessa brecha foi  alojado o setor de celulose e papel.

Nada por acaso, com certeza, manobras políticas daqui e dali transformaram em lógica o interesse  econômico de  grupos de plantão. Ou alguém acredita que tenha sido  na base do planejamento,da matemática e de grandes estudos estratégicos!  Logo ficou evidente a falta de madeira e a necessidade  urgente de se plantar, até porque acabava de chegar o Código Florestal e restrições ao corte de  florestas!

Nesse ambiente criativo, surgiu o incentivo fiscal para alavancar novos plantios florestais,visando produção de madeira para o setor de celulose, considerado prioritário no PND.

Falava-se também do Programa Nacional de Siderurgia à Carvão Vegetal. Esse sim, um grande consumidor de matas nativas. Infelizmente, florestas incentivadas para a siderurgia  pegou e bem,mas   a substituição,de fato,da madeira de florestas nativas por madeira de eucalipto para produção de carvão, sempre esteve muito aquém das metas institucionais!  As áreas reflorestadas  aumentaram e os incentivos fiscais bombaram! Muitas empresas florestais se formaram e souberam aproveitar a oportunidade. Mas essa mesma oportunidade fez com que milhares de empresas oportunistas transformassem a política de incentivos fiscais para reflorestamento num abuso de dinheiro público insustentável!

Do começo ao fim do incentivo fiscal foram anos de histórias, de realizações, de erros e de muitos acertos. Restou um grande patrimônio de florestas plantadas por empresas sérias, que promoveram o desenvolvimento tecnológico da silvicultura brasileira e que deram origem a muitas indústrias, que transformaram a importação de celulose em exportação e formaram indústrias que competem no mercado global! Dá para perceber, onde  a silvicultura,incentivo fiscal e globalização se tocam?

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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