NOVOS GOVERNANTES E A SILVICULTURA PRECISA AVISAR QUE EXISTE!        

Há algum tempo atrás, numa mudança de governantes, tivemos oportunidade de abordar a necessidade de nossos representantes se apresentarem e mostrarem que existimos. E que temos  participação expressiva na economia do país! E que precisamos de políticas públicas para  dar diretrizes de médio e longo prazo ao setor. E se houver oportunidade, é bom lembrar que, em recente discurso,  nosso atual presidente, rasgando elogios à agropecuária brasileira, não  deu uma palavra à silvicultura!  A participação do Governo, na elaboração de políticas públicas de médio e longo prazo é imprescindível para que se possa ter uma silvicultura independente, para todos e sustentável!   Naquela abordagem, dizíamos:

“Estamos vivendo um novo momento político!  Gente nova no setor, produtores preocupados, um punhado de velhas reivindicações não atendidas (!!!!!), candidatos se organizando e muitas promessas……O momento é mais do que propício para as entidades se movimentarem e mostrarem os interesses da silvicultura brasileira.  E haverá espaço para todos!  Aos que defendem os gigantes industriais, aos que lutam pelos grandes produtores independentes e aos que se dedicam na defesa e sobrevivência dos pequenos fomentados!”  Na  ocasião, lembramos da SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura –  a primeira entidade não-governamental do setor florestal, com mais de 60 anos de existência e de inabalável credibilidade,  e que ainda continua lutando pela sua sobrevivência!

“ Tomara que a SBS, que sempre defendeu, indistintamente, o interesse de todos, consiga um pouquinho de força para se fazer representar junto aos futuros governantes!  Uma entidade  com uma história de dezenas de anos, mas de indiscutível credibilidade e de concretas realizações, às vezes, num momento como esse, faz a diferença! ”

Infelizmente, quase nada mudou! Passaram-se  poucos meses e estamos, de novo, diante de momento propício para  apresentarmos o setor!  Aliás, muito propício, após a exoneração do recém- empossado  Coordenador de Florestas e Borracha do Ministério da Agricultura, o Eng. Florestal Fernando Castanheira, que  há anos vinha acompanhando o setor  e  que, com certeza,  nem teve tempo para  tomar conhecimento das considerações, a seguir:

“1-A grande expectativa com respeito ao papel da Coordenadoria e ao lançamento do  Programa Nacional de Florestas Plantadas, esperado há alguns anos, tendo sua apresentação  protelada inúmeras vezes!

2- O tempo passa e muitas coisas se modificaram e seria interessante que o Programa contemplasse as necessidades atuais. Muitas coisas do passado estão como estiveram há anos, e o setor não parou. Portanto, seria interessante, que não se perdesse tempo em discussões, que não levam a nenhum lugar. Chega de café requentado!

3- De reivindicações passadas, no entanto, algumas são inadiáveis: o financiamento, que continua uma luta; os licenciamentos, que continuam discriminatórios para reflorestamento e a total desatenção com respeito a recursos para pesquisas e experimentações com espécies nativas.

4- Atenção especial deve ser dada aos programas de fomento e aos fomentados, às novas áreas de expansão da silvicultura, aos novos consumos da madeira, especialmente para energia e ao uso diversificado da floresta e da madeira.

5- Essas considerações provocativas podem ser muito enriquecidas e melhoradas, desde que se abra oportunidade para que os diferentes segmentos interessados participem das discussões, assim como pequeno, médio e grande produtor.

6- Cuidados especiais devem ser tomados para que a silvicultura brasileira seja mantida na direção da sustentabilidade, e que tanto a silvicultura de produção, quanto a silvicultura de proteção tenham suas prioridades respeitadas.

Essa rotina de se fazer presente a cada mudança de governantes é tarefa de nossos representantes – dos grandes produtores casados com suas indústrias ou independentes, dos médios e dos pequenos produtores florestais.

Nesses momentos, em que predomina a sensação de um “vazio político”,  causa-nos, certa preocupação, os comentários feitos, repetidas  vezes, e com certo desconforto, pelo ex- Ministro José Carlos Carvalho: “ o peso político da silvicultura é incompatível com a importância econômica e social de toda a cadeia produtiva”! e sempre  concluía : “É uma pena!”

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA: AGRICULTURA OU MEIO AMBIENTE?

 

Há poucos dias, numa reunião de produtores rurais, onde se comentava de tudo – feijão, arroz, milho, laranja, vaca leiteira – surgiu uma indagação, conhecida de todos os silvicultores, mas que chamou atenção pela forma colocada! Um senhor interessado em plantar árvores – e fazia questão de enfatizar – “quero plantar árvores, não me importa se é eucalipto ou nativa”,  e quero saber se  devo tratar desse assunto aqui ou numa reunião de meio ambiente ”!

Em seguida, alguém apressadinho, foi dizendo: “se for eucalipto é com o pessoal da agricultura, mas se for espécie nativa é no meio ambiente” ! Estava armada uma tremenda discussão! Sugestões e opiniões de todo lado. Alguns com ranço de radicalismo, mas a grande maioria, aparentando uma grande dúvida.

Para salvar a lavoura, um produtor florestal, de longa data, deu o recado: “não se incomode com quem vai tratar, se incomode com a forma de fazer”, e prosseguiu –  “Se fizer bem feito, respeitando as nascentes, os cuidados com erosão e usar boa tecnologia, vai formar uma floresta linda e  você vai  ficar, até com dó de cortar! Vai fazer como se faz na agricultura,mas  tome cuidado com as nascentes, as matas de proteção, as erosões e use tecnologia para formar as florestas. E você vai ter uma floresta produtiva e com forte apelo ambiental” e completou “ e não importa a nacionalidade da árvore, é só fazer bem feito” e concluiu “ meus avós já trabalhavam com madeira e toda a  família vive das nossas florestas . Vendemos madeira para carvão, celulose, energia, serraria e até cavaco. Cuidamos das estradas,das matas que  protegem as nascentes e que formam um bloco de floresta maravilhoso.  Não temos problema com água e temos bicho de todo jeito na fazenda.Quando alguém visita a gente,fala que moramos num paraíso ambiental e fala, até que somos ecologistas”!

A reunião continuou, mas a discussão sobre plantio de eucalipto parou com as explicações do produtor rural. Na saída, quando fui cumprimentar o  senhor, ele todo envaidecido falou : “em toda a reunião, há sempre alguém pronto para meter a boca no eucalipto” e concluiu  “ é impressionante como faltam informações aos produtores rurais” e deixou uma indagação  “  será que o meu caso é uma exceção”?

O caso parece tão interessante, que merece ser compartilhado com mais silvicultores para reflexão!

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS CONHECIMENTOS DA SILVICULTURA NO LIXO!      

 Há muitos que acham que somente matando formiga e acabando com o capim se consegue uma boa floresta!   A esses, metidos a administradores de  empreendimentos florestais, fica um recado:  formar florestas produtivas é assunto para profissionais do ramo!

 

É uma mistura de conhecimentos científicos, de matemática, de biologia, além de uma indispensável pitada de valorização dos colaboradores. Há até quem diga que essa arte de trabalhar e saber valorizar os colaboradores é a grande ferramenta do gestor de qualquer negócio!!! O desenvolvimento da ciência florestal e os milhões de dólares investidos em pesquisas mostraram que para se ter uma floresta de alta produtividade é necessário  que se tenha uma empresa florestal com cheiro de terra  e muita  competência tecnológica. Além de enorme disposição para matar formiga e carpir o capim!

 

De tempos em tempos, surgem, no entanto, empreendimentos de florestas com novidades, que merecem registro: novos modelos de organização, novos valores, novos conceitos e tudo com muito dinheiro em jogo! Alguns procedimentos, até então, corriqueiros e indispensáveis a qualquer empresa viram “luxo de engenheiro” – planejamento das áreas  para plantio, escolha e seleção de clones, cuidados com nutrição das plantas, formas de adubação,  atenção com espaçamentos, etc. – tudo que é engenharia vira conversa fiada!

 

O engraçado, se não fosse trágico, é que essa forma de pensar e agir vai crescendo, tomando espaço e deformando a empresa. E a retomada de rumo vira um parto de montanha!  O poder incompetente se instala com ardilosos tentáculos e cria todas as formas de defesa, além de sofisticadas  justificativas. Não há mal que dure por muito tempo, mas é muito difícil se controlar o crescimento do mal, enquanto dura!!!

 

A silvicultura brasileira e as empresas que precisam se sustentar com o sucesso dos empreendimentos florestais não podem se tornar reféns dessas controvertidas situações. Esses desinformados que se acham capacitados a responder por assuntos que não lhes competem, se postam de poderosos e fazem de tudo para desvalorizar o conhecimento, a atitude profissional e acima de tudo, as necessidades básicas de uma empresa florestal!

 

A silvicultura brasileira depois  que deu  conta  da formiga e do capim,  precisa cuidar dessa praga poderosa! Esse mal, quando se instala numa empresa, não dá para ser exterminado com formicida ou herbicida! O consolo é que o bolso de qualquer empreendedor é de alta sensibilidade e quase sempre de tolerância zero!

 

E, com certeza, será a forma de se evitar que os conhecimentos da silvicultura sejam  jogados no lixo!

  

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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  UM ELOGIO À AGROPECUÁRIA E À SILVICULTURA NADA!    

Só para registro, lembrança e reflexão! O Presidente Temer reuniu, ontem, dia 12 de julho, políticos e representantes de classe do setor agropecuário. Fez discurso de animação, elogioso e oportuno….. e nenhuma palavra para a silvicultura!

É assim mesmo? Nos últimos 15 anos é a segunda vez que um presidente chama o setor produtivo e nem toca no setor florestal e na silvicultura. A Presidente Dilma também nunca  lembrou do setor. Aliás, só lembrou em Paris, na Convenção do Clima, e sem a menor  ideia  do tamanho do compromisso, envolveu o Brasil numa dívida de  quase 15 milhões de hectares para serem reflorestados até 2030!

E se os nossos representantes se juntassem, como já foi feito em ocasiões anteriores e fossem ao Presidente para lembrá-lo que:

– o setor florestal e a silvicultura contribuem de forma significativa no PIB do país;

– temos algumas pendências que se arrastam ao longo de décadas;

– não temos uma representação institucional à altura de nossa importância econômica e de nossos compromissos com o mundo!

– temos enorme potencial de crescimento;

– temos necessidades urgentes de uma política setorial para dar sustentabilidade ao que se fez e abrir novas oportunidades para todos;

– e que se atender bem aos grandes produtores de alimentos – grãos, carne, etc –  sem olhar  para o setor florestal essa conversa   está incompleta!

– ou a silvicultura está satisfeita com os elogios à agropecuária, e isso basta!

Com a palavra, os nossos representantes!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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QUANDO A SUSTENTABILIDADE FICA MANCA!

 

Nada de novo! E só para lembrar e até discordar!

 

– A competitividade da silvicultura é uma equação cujo resultado é sempre função de uma série de variáveis biológicas e matemáticas. Algumas administradas pelo homem e outras, que precisam ser respeitadas pelo homem!

– Nenhuma silvicultura é competitiva se a equação não estiver balanceada- a biologia e a matemática;

– Quando a preocupação é só produzir, ela tende a ser mais biológica – mais adubo, mais isso, mais aquilo. Não importa. O consumidor precisa da floresta de qualquer forma, lá na frente a indústria paga ;

– Quando os custos são limitados, mas sem prejudicar a biologia, a matemática tende a brilhar – são os produtores que fazem floresta para negócio;

– As condições naturais correspondem às inúmeras variáveis que o homem não muda. É sua prerrogativa escolher a localização, depois só resta conhecer as condicionantes naturais, respeitar e saber usar os conhecimentos tecnológicos para as eventuais dificuldades que surgem;

– A produtividade é o resultado do conhecimento das condicionantes naturais e a aplicação dos preceitos tecnológicos necessários;

– A relação entre a receita auferida pelo valor da madeira e o custo de produção mostra o nível de competitividade da silvicultura. Uma floresta de menor produtividade pode ser mais competitiva, se o custo de produção for menor;

– No numerador são colocadas todas as receitas com a venda da madeira e no denominador todos os custos para formar a floresta. Quanto maior for o número encontrado nessa relação, mais competitiva é a silvicultura, que está sendo praticada;

– No numerador ficam os resultados – é a receita, e no denominador ficam as variáveis administradas pelo homem – é o custo;

– A silvicultura é sustentável quando essa relação é maior que 1 (hum). Fica tudo equilibrado: a melhor tecnologia, o lado social atendido, o econômico satisfatório e o ambiental respeitado!

– A sustentabilidade é o equilíbrio de todos esses componentes, dentre outros. A predominância desse ou daquele cria desequilíbrio, e temos uma sustentabilidade manca!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PREÇO DA MADEIRA – SE A CONTA FECHAR……       

 

Recebi de um pequeno produtor e grande amigo,  sugestão interessante e oportuna: “fale alguma coisa sobre o que significa fechar a conta, numa linguagem de produtor  rural, que não entende nada  de computador”! Não precisou muita mágica para entender o recado –   a mensagem é para produtor que não controla o retorno financeiro, e nem imagina se o valor recebido pela venda da madeira,  cobre os custos de formação e  manutenção das florestas – na verdade, grande parte desse pessoal não sabe nem quanto custa fazer floresta. Mistura o trabalho da família, máquinas para fazer tudo, etc. Faz floresta, faz pasto, planta milho e tira leite!  Imaginar que esse produtor  saiba quando  fecha a conta,  é quase igual querer que ele “entenda grego” . E o amigo completou: “às vezes,  a gente não quer vender, porque todo mundo diz que o preço está muito ruim, mas de repente, até agradecemos quando alguém compra. Nem importa o preço, pois o dinheiro vai servir para saldar algum compromisso,  pagar uma prestação disso ou daquilo. Esse dinheiro cai do céu!  Nem importa se o valor  foi muito baixo! O que interessa é que tira a gente do sufoco”!

 

Esse amigo, representa o produtor rural típico, que trabalha com agricultura e pecuária e que destinou parte de sua propriedade ao plantio de eucalipto- é o famoso fomentado, que existe em muitas regiões. Participou, lá atrás, de reunião sobre fomento florestal e ouviu dizer que plantar eucalipto  seria  uma poupança verde! E  completou a conversa dizendo: “só consegui vender a madeira, porque minha floresta estava muito bem cuidada e de fácil acesso para máquinas e caminhão”. E deu o toque final: “os meus vizinhos  não tiveram oportunidade nem de oferecer a madeira, e alguns  foram até liberados para vender para quem aparecesse”! Essa história merece algumas considerações, antes de se falar na tal de “fechar a conta”:

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  • Essa é a mesma história  de  muitos fomentados florestais. E as estatísticas mostram que cerca de 30 % da madeira que  atende ao consumo industrial passa pela porteira do produtor! E os discursos falam de silvicultura competitiva, sustentável e certificada!

 

  • Há exceções, tanto do lado dos produtores, quanto do lado dos que consomem madeira de fomentados. Mas respeitar o produtor e pagar um valor justo que remunere  toda a atividade, nunca poderia ser exceção! Deveria ser uma obrigação a ser seguida para quem fala em sustentabilidade. Com certeza, quem compra, conhece e  manuseia bem a planilha. E mais importante, sabe qual é o preço justo! Mas o mercado……!

 

  • Há dados que mostram que a área plantada no entorno dos grandes consumidores teria condições de aumentar significativamente  com  mais  plantios de fomentados.  Mas, ao contrário, os programas de fomento estão diminuindo cada vez mais. Um sinal inequívoco, de que “a galinha dos ovos de ouro está assustada”. Uns acham até que ela já sentiu  alguma pedrada!

 

  • Precisamos encontrar mecanismos que revertam essa situação. Todos vão ganhar e vamos dar sustentabilidade  ao produtor, que possui terras ociosas e  em  boas condições  para formar floresta. Ele não sabe fazer conta, mas ouve. E  se afasta da atividade. Em todo canto sempre encontra alguém lamentando o valor miserável da madeira! Quando começar a ouvir coisa diferente, com certeza, ele voltará a procurar alguém para ajudá-lo a fazer floresta. A silvicultura precisa contemplar o pequeno, médio e grande produtor.  Todos que produzem, têm custos e quando vendem a  madeira precisam ser remunerados.  É muito diferente da silvicultura dos grandes consumidores, que, na maioria dos casos, se justifica, só com o  atendimento pleno das indústrias. Nem precisa se preocupar em ser sustentável. Precisa  produzir madeira! Sustentabilidade para esse pessoal é quase um luxo. É muito mais instrumento de marketing do que qualquer outra coisa! É como filho rico, o pai paga!

 

Voltando à mensagem original: o que é fechar a conta!  Na verdade, é um exercício bem simples para quem faz os controles de custos e sabe quanto quer ganhar com os investimentos feitos. Quando o preço da madeira vendida atinge determinado valor, a planilha mostra  que a receita  foi suficiente para pagar todos os custos e o lucro almejado foi atingido! A conta fechou!

 

E como faz o produtor sem controles e sem planilha?  Para esses é mais complicado! Para esses vale o ouvido, as conversas e informações de publicações ou de amigos. Situação de extrema vulnerabilidade, em que o tamanho do bolso tem grande importância! E é nessa situação  de  insegurança, que é importante a postura de respeito e  responsabilidade do  consumidor que fomenta!

 

É o momento de se dar apoio e segurança ao fomentado. O consumidor  pode até dizer que não pode, mas sabe quanto precisa pagar e quando deve comprar. Se agir com respeito ao fomentado e aos compromissos assumidos, independente da crueldade circunstancial e cíclica de mercado, a conta do produtor vai fechar! Essa conta é  controlada  de ouvido! E a sensibilidade do produtor é muito acurada!   Enquanto, nas conversas entre amigos, o assunto continuar sendo o preço baixo da madeira, o produtor, mesmo que não controle seus custos, pode ter certeza, de que a conta da madeira não está fechando!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SE A CONTA FECHAR, A MADEIRA VIRA ENERGIA!

A silvicultura brasileira está diante de novo desafio! Produzir, competitivamente, biomassa para geração de energia. Setores industriais, como celulose e chapas, se posicionaram com destaque no mercado internacional graças as nossas florestas plantadas. Está surgindo nova oportunidade. Podemos produzir energia, sequestrar carbono e permitir que o Brasil salde seus compromissos internacionais, assumidos recentemente na Convenção do Clima, em Paris – existe compromisso de reflorestar mais de 10 milhões de hectares até 2030! E hoje não temos mais que 8 milhões de hectares plantados!

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Estamos, de fato, diante de uma nova e grande oportunidade de negócio, aliada à mitigação de problemas climáticos. Estamos, portanto, diante de um desafio de Governos, governantes e governados! O Brasil, dentre poucos países, tem condições excepcionais para se colocar na dianteira desse processo de produção energética. Temos terras ociosas, temos necessidade de gerar empregos, temos grande capacidade empreendedora, mas essas vantagens competitivas precisam se somar na direção da sustentabilidade.
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Todos sabemos que o grande sucesso da silvicultura junto aos setores de celulose, chapas e a própria siderurgia, só se deu com pesquisa e profissionalismo. Não nos assustemos com as dúvidas técnicas que, eventualmente, possam surgir, pois temos competência científica para resolvê-las , mas não nos deixemos envolver por premissas irreais na formatação econômica do negócio! As oportunidades que se abrem são extraordinárias, mas há de se elaborar políticas públicas, que atendam aos interesses de toda a cadeia de produção. Os benefícios sociais e ambientais se somarão naturalmente, mas o sucesso só será verdadeiro, se caminharmos na direção de uma silvicultura sustentável.
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E a história tem mostrado, que o ponto mais frágil dessa corrente tem sido o lado econômico – o valor da madeira produzida. Fazer floresta custa! Quem planta precisa ser remunerado! E esses exercícios com recursos financeiros só se sustentam, quando a conta fecha na venda da madeira. Não há mágica! Nem os setores consolidados conseguirão se manter competitivos e sustentáveis, a longo prazo, se não atentarem para o lado econômico do produtor. E no curtíssimo prazo!
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As perspectivas para uso das florestas plantadas para produção de energia são animadoras, mas é preciso desenharmos uma silvicultura, que pague a conta dos produtores!
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O que anima é que tudo isso não é segredo a ninguém, especialmente, aos responsáveis pela elaboração de políticas públicas! Vamos torcer para que tenhamos nossas florestas plantadas gerando emprego, consumindo CO2 e produzindo energia! É só a conta fechar!
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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FALECE WALTER SUITER FILHO – O GRANDE INDUTOR DA OFERTA DE SEMENTES MELHORADAS JUNTO AO IPEF

É com pesar que informamos o falecimento de Walter Suiter Filho nesta quarta-feira, dia 29 de junho de 2016. Suiter era engenheiro agrônomo formado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, na turma de 1966, onde, durante vários anos, também atuou como docente junto ao Departamento de Ciências Florestais. Foi Diretor de Pesquisa Florestal na antiga CAF Florestal, hoje, pertencente ao grupo ArcelorMittal. Entre outros cargos de destaque, também atuou como Diretor de Recursos Florestais do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e como Secretário Executivo do FSC® Brasil.

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Segundo Nelson Barboza Leite, “Walter Suiter Filho foi o grande batalhador pelo uso das sementes melhoradas em plantios florestais. Deu significativa contribuição à silvicultura brasileira, fazendo história como um dos principais indutores da alocação de sementes de melhor qualidade junto ao setor florestal, através dos mecanismos do IPEF. Isso fez com que ocorresse uma importantíssima mudança no perfil das florestas implantadas durante o período dos incentivos fiscais”.

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Suiter foi agraciado com o título de Sócio Honorário do IPEF, em abril de 2002, como homenagem pela sua atuação como presidente do Instituto, durante o período de 1976 a 1978.

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O IPEF, suas associadas e colaboradores, prestam homenagem a Walter Suiter Filho, pela sua história e pela sua contribuição para com o setor florestal brasileiro, solidarizando-se com sua família e amigos. O velório é reservado aos familiares e a cremação será realizada amanhã (30) no Crematório Jardim Metropolitano, no Parque Ararauma, em Val Paraíso (GO), às 14h.
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Transcrição [Divulgacao_IPEF-l] IPEF Express Nº 91; Publicado exclusivamente via eletrônica – Data 29/06/2016
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A COMUNIDADE DE SILVICULTURA presta as mais respeitosas condolências ao extraordinário silvicultor, incansável pesquisador e grande amigo.

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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VAI COMEÇAR A BATALHA!

Nos últimos dias, tivemos informações da posse do Eng. Florestal Fernando Castanheira como Coordenador de Florestas e Borracha, no Ministério da Agricultura. Trata-se de profissional que há anos acompanha o setor, conhece as suas dificuldades e participou conjuntamente na elaboração de antigas reivindicações. Acima de tudo, conhece as entidades e profissionais que sempre estiveram nessa luta. Sabe onde dói, e qual é a dor. Acreditamos que tenha até as prescrições para resolver o sofrimento. Restam, no entanto, algumas dúvidas e cabem algumas considerações:

1-Há grande expectativa. Esse Programa Nacional de Florestas Plantadas já está sendo esperado há alguns anos, e sua apresentação já foi protelada inúmeras vezes!!!

2- O tempo passa e muitas coisas se modificam e seria interessante que o Programa contemplasse as necessidades atuais. Muitas coisas do passado estão como estiveram há anos, e o setor não parou. Portanto, seria interessante, que não se perdesse tempo em discussões que não levam a nenhum lugar e nem o setor está preocupado em saber que lugar chegar! O setor se ajeitou e chega de café requentado!

3- De reivindicações passadas, no entanto, algumas são inadiáveis: o financiamento, que continua uma luta; os licenciamentos, que continuam discriminatórios para reflorestamento e a total desatenção com respeito a recursos para pesquisas e experimentações com espécies nativas. Só essas encrencas, se devidamente encaminhadas, já vão salvar “a pele” do Coordenador.

4- Atenção especial deve ser dada aos programas de fomento e aos fomentados, às novas áreas de expansão da silvicultura, aos novos consumos da madeira, especialmente para energia e ao uso diversificado da floresta e da madeira.

5- Essas considerações provocativas podem ser muito enriquecidas e melhoradas, desde que se abra oportunidade para que os diferentes segmentos interessados participem das discussões, assim como pequeno médio e grande produtor!!!!

6- Cuidados especiais devem ser tomados para que a silvicultura brasileira seja mantida na direção da sustentabilidade e que tanto a silvicultura de produção, quanto a silvicultura de proteção tenham suas prioridades respeitadas!!!!

Com certeza, o Eng. Florestal Fernando Castanheira estará atento a essas e muitas outras necessidades. Vamos torcer para que todos interessados possam participar das discussões preparatórias e dessa nova batalha e que a Coordenadoria tenha força para elaborar políticas públicas e representar os interesses institucionais do setor!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SUSTENTABILIDADE COMO FILOSOFIA DE VIDA

A sustentabilidade está sendo entendida como uma necessidade de todas as atividades. Está se transformando numa filosofia de se pensar e de se produzir para que se possa deixar às próximas gerações um legado de esperança de vida melhor. Há quem diga, que nada gerou, nos últimos anos, tanta discussão, polêmica e ensinamentos teóricos para algo tocado pela simplicidade e racionalidade. Tem sido uma mina de ouro a consultores especializados que lidam com as inúmeras variáveis dos diferentes processos produtivos na busca do equilíbrio técnico, econômico, social, cultural, ambiental, duradouro e acima de tudo com a legitimidade e aceitação dos que executam, dos que participam e dos que dependem de tais processos!

Fica a impressão de que o certo, racional e simples é extremamente complexo para se executar. Mas nesse labirinto de preocupações a silvicultura brasileira tem dado, nos últimos anos, passos significativos na direção da sustentabilidade. A profissionalização crescente da atividade, o extraordinário desenvolvimento tecnológico, o processo de certificação florestal e o respeito às legislações sociais e ambientais vigentes, com certeza, podem ser apontados como os principais fatores que propiciaram os avanços alcançados pela silvicultura brasileira na direção da sustentabilidade. Há inúmeros exemplos de sucesso para serem replicados. A tecnologia do mais alto nível está disponível a todos e não se encontra trancada. É só saber procurar.

Profissionais altamente competentes para traçar os caminhos da sustentabilidade para os mais diversos empreendimentos, também não estão escondidos. Esse acervo de conhecimento e de competência é a garantia de que novos e auspiciosos saltos ainda acontecerão para consolidar ainda mais as trilhas da silvicultura sustentável. Evoluímos de forma significativa na produtividade de nossos plantios, no manejo, conservação e proteção dos recursos naturais e ambientais de nossos empreendimentos. O aspecto social tem sido enriquecido com empregos de qualidade e cuidados especiais com a mão de obra usada nas atividades florestais. O lado social da silvicultura já se transformou em exemplo para outras atividades rurais. Estamos na direção certa, mas não podemos deixar de se registrar algumas dificuldades que precisam ser superadas para não prejudicar os avanços consolidados.

Há de se registrar: falta de um programa nacional que mostre quanto, onde e a finalidade dos novos plantios – não há nada mais insustentável do que empreendimentos florestais sem nenhuma destinação da madeira ou grandes empreendimentos industriais sem a garantia de abastecimento ; necessidade de financiamentos compatíveis com as características da atividade – prazos inadequados e elevadas taxas de juros constituem a maldita receita para se manter a atividade sem sustentação; rede experimental de pesquisa florestal que assegure o sucesso dos plantios nas novas áreas de fronteira – grandes empreendimentos sem tecnologia consagrada é um exercício de adivinhação insustentável; investimentos em pesquisas e desenvolvimento tecnológico para diversificação do uso da madeira – a madeira com destinação exclusiva a restritos segmentos industriais cria uma dependência extremamente susceptível aos produtores; marginalização do fomento e do fomentado florestal junto a grandes consumidores florestais – esse desencontro de interesses em épocas de dificuldades é desestimulante e prejudicial à legitimidade da atividade perante à sociedade; valor inescrupuloso da madeira em algumas regiões – a prática de negociações oportunistas inibe novos investimentos; o uso de ações filantrópicas ilustradas em ricos relatórios – são discursos travestidos de sustentação que criam mais interesses duvidosos do que base de sustentação, etc.

Esses problemas são manchas que diminuem o brilho dos caminhos que a silvicultura está construindo na direção da sustentabilidade. As reações de espanto e de preocupação quando se depara com tais limitações são reflexos inquestionáveis de que as correções são inevitáveis. A sustentabilidade precisa deixar de ser peça orçamentária com metas e responsabilidades apresentadas em relatórios. A sustentabilidade há de se transformar em filosofia de vida que corre no sangue dos profissionais e nos corredores das organizações empresariais!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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