SERÁ QUE TROCAMOS 6 POR MEIA DÚZIA?

Essa é a dúvida, quando se comenta a” troca de casa” feita pela silvicultura. Saiu do Ministério do Meio Ambiente, onde se dizia sem apoio e foi parar no Ministério da Agricultura. E não dá nenhum sinal de vida . Um amigo, brincou : ” Floresta plantada é AGRO… é TECH…, pelo menos foi parar no comercial milionário da GLOBO ”. E o que mais? Aparentemente, mais nada! E precisaria de alguma coisa? Segue uma relação de assuntos, que têm tudo a ver com a silvicultura e que poucos conhecem o encaminhamento que está sendo dado!

1-Como ficam os compromissos governamentais assumidos na Convenção do Clima! Quem vai mostrar os rumos a serem seguidos?

2- O que fizeram com o Programa Nacional de Florestas Plantadas? Esteve para ser apresentado e sumiu. E mais nenhuma notícia!

3- E a madeira como alternativa energética? Quem está defendendo? Parece que a Frente Parlamentar de Silvicultura está avançando. O Legislativo está fazendo o seu papel , e o Executivo?

4- Onde andam as pesquisas com nossas espécies nativas? Programas de recuperação, bacias hidrográficas degradas, etc. Quando vamos poder contar com as pesquisas de nossas espécies nativas?

5- E os plantios de pinus na região sul? Não se planta mais? Como fica a cadeia industrial que depende dessa madeira? E o que fazer com a madeira de desbastes?

6- E essa sobra de madeira num lugar e a falta em outro? Quem vai discutir essa encrenca? Ou não se discute!

Infelizmente, o nosso amigo, que ficou admirado com um texto anterior cheio de interrogação, vai ter que nos perdoar. Segue outro. É o fim da picada!
Mas é bom registrar para reflexão o que ouvimos de um grande amigo e experimentado silvicultor:
“ o produtor rural está sempre a pé, e não seria diferente com o produtor florestal ” e completou : “ com madeira à vontade e a preço de “repolho” os grandes consumidores, que politicamente mandam no setor, vão se incomodar?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SEM BUROCRACIA, MUDOU-SE A HISTÓRIA!

 

No final da década de 70,quando assumimos a Direção do Departamento de Reflorestamento do extinto IBDF, demos “de cara” com mais de 5.000 cartas-consultas, de cerca de 2000 empresas, totalizando pedidos para se reflorestar mais de 3 milhões de hectares! Esse era o tamanho da encrenca. O orçamento do ano previa plantio de no máximo 350.000 ha e mais as manutenções de anos anteriores. Pressão política no Ministro, no Presidente do IBDF, em toda a turma do Departamento. Conversas atravessadas e fuxicos de todos os lados, alimentados pelo afastamento repentino do Diretor anterior!

Depois de alguns dias, tivemos a felicidade de identificar os profissionais com os quais poderíamos contar e com pouca conversa e sem nenhuma burocracia estabelecemos as prioridades a serem seguidas: separamos todas as empresas com atraso em seus programas e a encrenca foi reduzida a 30% do total. Das empresas afastadas, ainda selecionamos todas que estavam com programas com mais de 2 anos de atraso. E solicitamos ao nosso jurídico, que tomasse todas as medidas cabíveis. Foram canceladas mais de 1000 ( hum mil) empresas! Naquele ano, mais de 60% do programa foi destinado às empresas, que de fato, construíram a silvicultura brasileira. Quem trouxe essas recordações foi o Eng.Florestal José Luiz Vivas, um dos colaboradores, que contribuiu ativamente na organização e efetiva execução dos trabalhos. Tudo de forma bem simples, sem frescura e sem burocracia!

Não poderíamos deixar de mencionar os nomes dos demais colaboradores: Pedrosa, Carlito, Marialva, Carlos Ribeiro, Maurício e a coordenadora de toda a informatização processual – nossa cara Blanca. As medidas adotadas, naquele momento, devido à seriedade e transparência dos critérios utilizados, contribuíram sobremaneira para um controle mais eficaz dos projetos apresentados pelas empresas selecionadas. E novas providências foram adotadas, nos anos seguintes, possibilitando significativas melhorias na qualidade técnica dos plantios e mais tranquilidade para que as boas empresas pudessem desenvolver suas atividades.

Muitos profissionais, que já atuavam naquela época, reconhecem que foram essas medidas simples, práticas e sem burocracia, que deram melhor direcionamento aos incentivos fiscais para reflorestamento. Ao Eng. Vivas cabe nossos agradecimentos pela lembrança dos redobrados esforços daquela brilhante equipe de profissionais!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS GRANDES SILVICULTORES – WALTER DE PAULA LIMA
O Prof. Walter de Paula Lima pode ser considerado como o grande precursor dos estudos científicos abordando o problema de água nos plantios florestais, especialmente com florestas de eucalipto. Possui livros e centenas de trabalhos científicos publicados em revistas brasileiras e internacionais. Incansável pesquisador e grande formador de profissionais. Um apaixonado por trabalhos, que mostram a importância de se integrar a proteção e conservação das bacias hidrográficas às práticas rotineiras da silvicultura. Tem participado em reuniões internacionais e defendido cientificamente a possibilidade de se produzir madeira respeitando-se os valores ambientais das áreas de plantios. Tem dado enorme contribuição nas discussões, que tratam das questões de água, sua proteção e conservação. Tem sido grande defensor da silvicultura de alta produtividade ,mas com foco nos procedimentos, que não ponham em risco os recursos hídricos. Segundo o Professor , “ essa é a forma de se somar nobreza à silvicultura de alta produtividade”.

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo (1968), mestrado em Agronomy pela Ohio State University (1971), doutorado em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo (1975) e pós-doutorado na CSIRO, Divisão de Pesquisas Florestais, Austrália (1982) e no Institute of Ecology and Resource Management, Universidade de Edimburgo, Escócia (1992). Atualmente é Professor Sênior junto ao Departamento de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo, Editor-Chefe da Revista Scientia Forestalis e Coordenador Cientifico do Programa Cooperativo de Monitoramento Ambiental em Microbacias do IPEF (www.ipef.br/promab). Tem experiência na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Conservação de Bacias Hidrográficas, atuando principalmente nos seguintes temas: manejo de microbacias, conservação da água, impactos hidrológicos e sustentabilidade hidrológica no manejo de florestas plantadas.

Segundo o seu discípulo, o Professor Silvio Ferraz : “ O Prof. Walter, além de seu grande conhecimento científico, realmente deve ser considerado um verdadeiro Mestre, por sua simplicidade e generosidade, que lhe permite compartilhar conhecimentos caríssimos em um simples bate-papo. É uma honra e um privilégio conviver com ele, que sem dúvida, soma nobreza à carreira acadêmica”.

A Comunidade de Silvicultura, rende –lhe os mais respeitosos cumprimentos pelos memoráveis trabalhos publicados, pelos brilhantes profissionais orientados e pela enorme “bagagem” de conhecimentos científicos, que enriqueceu a silvicultura brasileira e tem permitido discutir com legitimidade as questões da água em florestas plantadas.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A CERTIFICAÇÃO FLORESTAL PODERIA AJUDAR!

 

Não há quem negue a extraordinária contribuição que a certificação florestal prestou à silvicultura brasileira. Transformou em rotina inúmeras ações e procedimentos, que antes eram considerados “luxos de engenheiro”. Os aspectos sociais e ambientais passaram a participar do orçamento anual, com relatórios, objetivos definidos e metas. Foi um passo importante para dar nova imagem à silvicultura.

E quem acompanhou a implantação dos sistemas de certificação, as discussões para sua constituição, estruturação e mais um punhado de regras, sabe que tudo isso foi criado e desenvolvido, em grande parte, por abnegados profissionais brasileiros com o objetivo de enriquecer e dar legitimidade a nossa silvicultura. O lema era: precisamos mostrar ao mundo, que produzimos e somos competitivos com tecnologia e respeitando os aspectos sociais e ambientais que envolvem toda a atividade.

Com muita sabedoria criaram-se procedimentos e deram-se à certificação as competências necessárias para proporcionar os devidos melhoramentos. À época, com a certificação, as grandes questões estavam contempladas! Nos dias atuais, no entanto, há sérios problemas que fogem da competência que fora estabelecida, lá atrás! Se as discussões se dessem no atual momento, com certeza, muitas questões relacionadas ao fomento, terceirização e avanços tecnológicos, dentre outras questões, não deixariam de ser devidamente contempladas.

E, é lógico, com as devidas precauções e para enriquecer a silvicultura! E aí, fica a dúvida : não seria mais conveniente, abrir-se o leque das atribuições da certificação e incluir essas questões, tão importantes, nas regras vigentes? Ou vamos esperar que novos sistemas sejam criados para conferir a aplicação de princípios elementares para sustentabilidade da silvicultura brasileira? É mais barato, mais rápido e não vai exigir mais burocracia!

Só não dá para continuarmos ouvindo que a empresa a, b ou c com tantas certificações, ainda continua adotando procedimentos injustos e desrespeitosos com seus fomentados, com seus terceiros ou que pode ser impedida de aplicar esse ou aquele avanço tecnológico por restrições do processo de certificação!

 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

Para leitura rápida e reflexão!

 

  • Reunião de Executivos do Painel Florestal!

Dia 27 de Outubro de 2016, o Painel Florestal reuniu grande  grupo de  profissionais para conversar sobre o setor. Foi um sucesso e os destaques  foram:

– o preço da madeira foi a “Geni” da tarde!

– muitas novidades técnicas. Continuamos  avançando na tecnologia!

– A Frente Parlamentar de Silvicultura com informações interessantes: licenciamento, madeira  para energia e  terras para estrangeiro sob condições determinadas. A política está andando….

– A inexistência de estrutura institucional no Governo Federal vai sendo sentida! Quem vai tocar as conquistas, que os políticos estão conseguindo? Legislativo não executa!

– Ouviu-se  sinais de que “fantasmas” estão de volta! Proibição do plantio de eucalipto em regiões tradicionais do Espírito Santo. Assunto para ser tratado sem “conversa mole”!  Recado estratégico para os silvicultores!  Forte sinalização, de que continuamos atrasados em “nossa comunicação institucional”. Ainda, estamos falando com os silvicultores  de  dentro da casa!

– Parabéns ao Painel Florestal  pelo sucesso da reunião. Trouxe  recordações das reuniões conjuntas do IPEF, da SIF, nos anos 80/90,quando as discussões pegavam fogo e todos os participantes saíam enriquecidos com a quantidade de informações, soluções de problemas e sugestões!

 

  • O interesse por sementes de híbridos

A Teca Serviços Florestais finalizou a coleta de sementes de híbridos de seu Pomar de Hibridação Natural, em Igaratá-SP. Foram colhidas sementes de 70 matrizes. Material recomendável para formação de clones! Algumas  empresas se interessaram e adquiriram o material! Com certeza, terão bons resultados. Seria mais um passo na direção do melhoramento genético clássico, que ficou para trás?

 

3- E a silvicultura na base de tudo!

Seguem as informações da Rede SBS Dia- a – Dia, de 26 de outubro;

Papel e Celulose (I): Klabin compra fábricas no PR e AM por R$ 187 milhões

Papel e Celulose (II): Reajuste é aplicado e preço sobe na China

Papel e Celulose (III): Suzano deve reverter prejuízo e voltar ao lucro no 3º trimestre

Papel e Celulose (IV): Stora Enso tem resultado 4% maior no 3º trimestre

Papel e Celulose (V): Fábrica do futuro vai produzir múltiplos insumos, prevê Pöyry

Código Florestal: Deputado Leitão propõe decreto para regulamentar parte do Código Florestal

ONGs pedem veto de Temer ao carvão mineral

 

Vejam que interessante: novidades, avanços tecnológicos, a biomassa florestal perdendo espaço para o carvão mineral, movimentações de mercado, preços em alta, código florestal…..  E a silvicultura na base de todas essas discussões!  Será possível  dar  sustentação a tudo isso, sem  políticas públicas que direcionem a atividade?  E os nossos Governantes sabem que a silvicultura existe, e que é tão importante assim?   Vamos esperar que as coisas aconteçam  por conta do acaso? Quem fica com a palavra?

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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QUAL SERIA O VALOR JUSTO DA MADEIRA?


Esse assunto foi muito debatido na Reunião de Executivos, realizada no dia 27 de outubro, sob a coordenação do Painel Florestal. Apresentações, apartes, questionamentos…. enfim, o assunto serviu de referência para todos. Para muitos ficou a certeza, de que esse é um dos grandes problemas, nos dias atuais do setor! Muita discussão, muita paulada, mas ficou a pergunta inevitável:

Qual seria o valor justo da madeira? 

Essa discussão acompanha a vida do setor há muito tempo! De tempos em tempos, aparece com feições diferentes. Desta vez, juntou-se a uma crise do mundo e do país e está se tornando insuportável entrave para a silvicultura brasileira. O assunto pode ser abordado de diferentes formas. Se conversar com profissionais, que já fizeram estudos sobre viabilidade econômica de projetos florestais, ouve-se que a TIR almejada pelos investidores exige um valor mínimo da madeira para que o projeto fique em pé – linguagem típica dos economistas – e esse valor, segundo o pessoal das planilhas, é sempre acima de R$ 50,00, perto de R$ 60,00 por metro cúbico em pé! O quanto mais para cima, vai depender do apetite do investidor! Para baixo, nem pensar!

Se conversar com produtor, que planta, corta e entrega a madeira, então a conversa é diferente, mas os sinais são convergentes : “ faz quase 10 anos que o preço da madeira não muda, em compensação insumos para plantar, diesel para rodar e o preço da mão-de-obra não param de crescer” e completa : “ ninguém fica sem diesel e sem comida, então para continuar trabalhando sou obrigado a levar a madeira por qualquer preço” e completa: “ é muito difícil levar a 100 km de distância e receber mais do que R$ R$ 80,00 o metro de madeira”. No primeiro caso, ”o da planilha” fala em metro cúbico, enquanto o produtor se refere a estéreo de madeira.

Salvadas as devidas adequações, chega-se à conclusão, de que o produtor, que leva a madeira e recebe R$80,00, está trabalhando para pagar o posto de combustível, a comida de todos os dias e alguma coisinha para a madeira! Não vai dar para repor a floresta ou se meter em qualquer outra dívida! Normalmente, está desanimado, e pronto para sair do setor! E o interessante é que, na maioria das empresas, os profissionais conhecem a realidade e são conscientes do irrisório preço da madeira. Mas não conseguem mudar nada! A política das empresas não permitem ajustes! Sabem até, que isso põe em risco a sustentabilidade da atividade. Mas não conseguem dar “um passo à frente” para se discutir e se tentar encontrar solução para essa gravíssima situação. Cabe nessa história uma tremenda interrogação! O que fazer?

E como esse pessoal de planilha não erra nas contas, vamos acreditar no que dizem – a madeira precisa estar, no mínimo, a R$ 50,00 o metro cúbico em pé, para que o sofrimento não seja fatal ! Vamos torcer para que surja algum mecanismo que permita mudanças nesse cenário. Com isso, talvez, até se evitem os perigosos transtornos de enormes caminhões, transitando a quase 1000 km de distância, na busca de madeira para alimentar indústrias! Além disso, vamos evitar que um exército de produtores insatisfeitos se tornem inimigos da silvicultura brasileira! 

E é bom lembrar que discutir com pessoal que não gosta do eucalipto por ser exótico e por dizerem que ele “ acaba com as nascentes”, até dá para enfrentar! Mas conversar com produtor, que se sente enganado, o negócio é muito diferente! Para muitos ficou a impressão: “ será que querem que a silvicultura fique na mão de meia dúzia de consumidores gigantes e o restante fique torcendo contra?”


Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ!!

O Encontro de Executivos Florestais, organizado pelo Painel Florestal, ontem – dia 27 de outubro, foi um sucesso! O Robson e equipe estão de parabéns! conseguiram colocar numa panela todos os ingredientes necessários para se pensar numa silvicultura, que possa crescer e se desenvolver! Palestras interessantes, apartes oportunos, provocações inteligentes, enfim… uma reunião rica, muito rica!|Caberá muitas conversas e prosas….. 

Mas antes de qualquer outro comentário, gostaríamos de fazer um relato, que mostra como é interessante e cheia de realidade e de sentido, a frase que muito se ouve e, as vezes, se dá com pouca ou nenhuma importância – “as voltas que o mundo dá!” Vamos aos fatos. 

Há cerca de 15 anos atrás, quando as reuniões de executivos florestais se realizavam sem o envolvimento do Painel – era outra fase e rica de emoções – a SBS, Sociedade Brasileira de Silvicultura, que tivemos a honra de presidi-la por 4 anos e que tinha como braço direito e esquerdo o fraterno amigo – Rubens Garlipp, foi convidada para apresentar um diagnóstico do setor ao Grupo, reunido em Campinas. O Eng. Garlipp apresentou a famosa “Pizza” – nome que demos ao formato em que os assuntos foram abordados.

A conversa foi iniciada mostrando que os problemas já vinham se arrastando desde 1980, quando a própria SBS fizera um ousado documento – A silvicultura no ano 2000! O grande objetivo era mostrar os problemas, o que estava se fazendo, as dificuldades enfrentadas e as sugestões para evoluirmos. Nessa ocasião, a platéia, composta por diretores e gerentes florestais, representava o corpo de associados da SBS. Dá um livro esta história, mas encurtando – a SBS apresentou os problemas, fez sugestões e pediu o apoio. Em troca, a SBS, quase foi extinta. Todos os associados se retiraram, formaram outra entidade e começaram nova novela, em outro canal. Bem simples assim! 

De lá para cá, tivemos muitas mudanças: a evolução tecnológica foi fantástica; novos empreendedores; ampliações industriais; gente nova e competente; sistemas disso e daquilo; nova forma de ver a floresta, etc. Esse crescimento foi gigantesco e é inquestionável! E na reunião de ontem, organizada pelo Painel Florestal, com muita gente do setor, um turbilhão de idéias, propostas e queixas afloraram. E agora? Tivemos que sair, bem antes do término! Mas até onde assistimos, ficamos com a impressão: será que estão devolvendo todos os problemas de novo para alguém? Tomaram da SBS e prometeram solução para isso e para aquilo e os problemas continuam pipocando! 

Parece que as pontas, com roupagem diferente, estão se encontrando. Realmente, o mundo dá voltas interessantes. Para felicidade da silvicultura, a quantidade de profissionais competentes, questionadores e “com cara de quem quer fazer” pareceu bastante grande! Que bom para a silvicultura brasileira!


Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CONSULTORES: UNS AJUDAM A FAZER E OUTROS A PENSAR!

Um dá sugestões e mostra como fazer! O outro, ainda ajuda a pensar para encontrar a solução! Ambos prestam serviços em empresas florestais na procura de soluções para os mais diversos problemas. Ajudam muito na correção de procedimentos operacionais, no aumento da produtividade, na organização das empresas, enfim… há profissionais para qualquer necessidade. Mas há de se saber escolher- quem, para fazer o quê? E aqui, é que mora o perigo! Saber escolher o colaborador é quase uma arte.

Há quem diga que os problemas começam a ser equacionados na escolha do consultor. Há de se identificar a necessidade, o momento certo do socorro e a competência do escolhido. Com dinheiro compra-se quase tudo! Algumas outras coisas não se compram, mas acompanham e são próprias do escolhido. Quem escolhe certo tem direito ao bônus! Há receitas e recomendações prontas.
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Da mesma forma, há justificativas padronizadas. Há grande semelhança entre os problemas e um denominador comum, que abrange a maioria deles. É muito comum, o problema ter como “pano de fundo” a teimosia ou a vaidade de alguém, que usa do direito de achar, abusa do direito de falar e não gosta de ouvir! E para muitos, é essa mistura de perfis pessoais, de quem quer, e de quem serve, que torna o trabalho do consultor, sempre, uma aventura com ricas lições profissionais!

Nesses anos de estrada, guardamos nas anotações do dia-a-dia o ensinamento de um Mestre na arte de ensinar, e que dizia:” Nos casos, em que só cabe a recomendação – seja fazedor, não perca tempo! Agora, quando o caso demanda conhecimento e experiência para encontrar a solução, dê todo tempo necessário na análise do problema. Abra a caixa de “ferramenta”. Compare experiências anteriores. Junte, some e cruze informações. Seja pensador”!

O toque do Mestre tem sido uma lição de vida! O fato é que há oportunidades para todos, mas não se recomenda que “ se pule em galho estranho”! O Mestre sempre completava:” Não use cartucheira para matar carrapato, e nem ouse matar leão com canivete”!

Fica o registro para reflexão dos silvicultores que prestam serviços e para os que contratam serviços!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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 ESSA CRISE É DIFERENTE!      

 

Ainda por conta de nossa participação no Congresso Florestal Online,  e das perguntas recebidas. Aliás, perguntas interessantíssimas: Que setores não foram abalados pela crise? Quais as diferenças entre a silvicultura ligada às indústrias e a silvicultura independente? Por que não há pesquisas com espécies nativas? Tivemos mais 12 perguntas.  Responderemos todas.  Com  cuidado…. E lembrando: A Comunidade de Silvicultura vai agradecer muito aos comentários de nossos amigos!

1-Que setores não foram abalados pela crise?

A crise de 2008 e agravada, nos últimos anos, com a crise interna do Brasil – econômica e política  – jogou “areia” em todos os segmentos. As estatísticas dos setores mostram algumas evidências: setor de chapas lutando, setor siderúrgico nocauteado e o setor de celulose firme e forte. Gente do setor diz que esse “firme e forte”, é à custa de muitas ressalvas! Há de se respeitar e admitir eventuais ressalvas, mas  com dólar em alta, exportações à toda,  importantes aquisições, regularização de pesados endividamentos, ampliações de indústrias, etc.  parece choro de  viagem, mas de chegada! Os  programas dos grandes consumidores, em sua maioria, não foram alterados. E a crise foi mais pretexto para cortes e reduções de custo. Quem abusou e cortou o programa de plantio também, com certeza, lá na frente, vai atrás da madeira que não foi plantada!

2- Quais as diferenças entre a silvicultura ligada às indústrias e a silvicultura independente?

A silvicultura das indústrias faz as devidas adequações, mas tem a conta paga! A silvicultura independente fica presa a orçamentos e à TIR, controlada pelo escritório da “cidade grande ”. Há de se considerar, no entanto, que graças ao pagador das contas, a silvicultura das indústrias teve condição de investir em pesquisas, certificações e outras gorduras. A indústria  sabe que” madeira cara” é aquela que não existe, e  nenhuma empresa em franca produção,  dá chance para qualquer risco de paralização por falta de madeira. Quando a madeira precisa existir não há limitação de custo para produzir. É fácil perceber,portanto, a diferença entre o “sufoco refrescante” de quem tem obrigação de produzir para não faltar madeira e a limitação do silvicultor preso à planilha da  “cidade grande”. Para um a silvicultura é biologia e matemática, para o outro é só matemática!

3- Por que não há pesquisas com espécies nativas?

A resposta pode ser  dada pelo tratamento  dispensado ao eucalipto e pinus. Grandes indústrias consumidoras de madeira das referidas espécies para sustentação de suas fábricas não pouparam recursos para todo tipo de pesquisa.  Talvez não seja exagero considerar que mais de 90% de todo o recurso  financeiro colocado à disposição da pesquisa florestal no Brasil tenha sido direcionado a trabalhos com eucalipto e pinus! E há de se registrar também que, com muita certeza, a grande fatia desses recursos foi originado  das grandes empresas industriais de base florestal. Mesmo o eucalipto e o pinus,  se dependessem de recursos  governamentais, jamais teriam alcançado o excelente nível tecnológico que caracteriza a silvicultura brasileira.

Precisamos encontrar os mecanismos que alavanquem os recursos necessários e imprescindíveis para fomentar a pesquisa florestal com nossas espécies nativas. E deverá ser algum instrumento que envolva interesses econômicos, pois discursos, documentos e centenas de justificativas técnicas, até o momento, foram incapazes de mudar  a realidade da pesquisa e dos pesquisadores que trabalham com espécies nativas! Tem sido, há anos, puro amor à causa!

As demais perguntas serão oportunamente respondidas…..

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O PROBLEMA MAIS IMPACTANTE: O PREÇO DA MADEIRA DO FOMENTADO!

 

O Congresso Florestal Online, realizado pelo Paulo Cardoso nos dias 17 e 18 de Outubro de 2016, foi um sucesso retumbante! Com certeza, foi um marco na comunicação do setor.  A Comunidade de Silvicultura parabeniza ao Paulo e a toda  equipe de colaboradores!  Todos ganhamos muito e a grande premiada foi a silvicultura brasileira. Outros virão, mas  sempre será, depois do Paulo!

Tivemos oportunidade de participar e recebemos inúmeras perguntas pelo e-mail particular. Perguntas de todo o tipo: qual a maior encrenca, em que se meteu? Qual a melhor empresa em que trabalhou? Quais os grandes profissionais em atuação? E por aí vai… Mas uma pergunta, além da repetição, tinha certa sombra com outras. Disparadamente, a pergunta mais representativa que recebemos foi: Qual o problema  que mais impactou  a silvicultura brasileira, nos últimos anos??? Para qualquer outra pergunta seríamos  obrigados a certo cuidado para evitar melindres, injustiça e mais encrencas… Mas essa não deixa espaço para qualquer dúvida!

O problema que mais impactou a silvicultura, nos últimos 10 anos, foi o preço da madeira recebido pelo fomentado! Afetou a milhares de pequenos e médios produtores e desestimulou a outros milhares. Transformou milhares de parceiros em inimigos de empresas e da silvicultura. Gente simples e  entusiasmada sentiu-se enganada. Abusou-se da credibilidade do produtor. Todos perderam – os produtores, as empresas, a silvicultura. O desrespeito de algumas empresas feriu o mais nobre sentimento do produtor: a confiança!

Fica o registro e o desafio – os silvicultores precisam mudar essa imagem, se quisermos  manter  a silvicultura, que é certificada,  nos discursos,  em que se  trata de sustentabilidade! Um desafio até para grandes e boas empresas que, excepcionalmente, conseguem manter a satisfação do  seu fomentado!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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