ONDE SE FAZ O MELHOR FOMENTO FLORESTAL?

 

Temos recebido informações de que há empresas fazendo fomento e com muito sucesso! Quer dizer, há fomentados satisfeitos.  A Comunidade de Silvicultura está abrindo espaço para os comentários e informações a respeito de notícia tão bacana para nossa silvicultura!

O setor precisa conhecer as empresas que estão conseguindo atender de forma satisfatória seus fomentados!  Precisamos conhecer e divulgar para que esses bons exemplos possam ser seguidos. Que notícia boa!  Essa relação indo bem enriquece a silvicultura!  Contamos com a participação de todos. Informe e mostre como anda o fomento na sua região. Vamos identificar a região brasileira onde o fomento florestal é bem feito. Onde produzir floresta é uma boa alternativa para aumentar a renda do produtor rural! Qual é a empresa brasileira que faz o melhor fomento florestal.

O setor precisa conhecer. E esse trabalho precisa ser mostrado e devidamente reconhecido. A Comunidade de Silvicultura agradece a sua colaboração e os seus comentários!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A CARA DA SILVICULTURA BRASILEIRA!    

 

A silvicultura brasileira vai mudar a cara? De uma mistura de  pequenos, médios e grandes produtores, a silvicultura está ficando concentrada  nas mãos de meia dúzia de consumidores globais !   Só esse seletíssimo grupo vai conseguir sobreviver a custo alto para produzir e a baixo valor de venda.

Aliás, esse pessoal não vende, só faz um simples exercício contábil!  Alguns dirão: “ É o mercado, e não  dá para  mudar as regras”! Com muitas florestas, muita madeira, ninguém vai bancar o  bonzinho  e pagar  um preço maior,quando  há madeira, quase de graça à disposição!  Esse desequilíbrio  na oferta e demanda, que se instalou por  inúmeras razões, no médio e longo prazo, pode trazer muitas dificuldades para o setor.

Aos que acham, que é assim mesmo, é bom lembrar que desarranjo numa atividade de longo prazo, talvez só  se arranje, lá na frente! Ou é diferente? Mas parece que isso é encrenca para outros! Do lado dos produtores, a coisa continua ardendo e muita gente vai virar as costas, e de estilingue na mão! A concentração da silvicultura na mão de quem não precisa vender madeira  traz inúmeros desdobramentos:  a pesquisa financiada pelos  interessados vai continuar  concentrada e com destino certo; máquinas e equipamentos só para grandes  áreas, e por aí vai.

Essa sensação fica mais evidente ainda, quando se abre uma revista do setor e se observa as máquinas e equipamentos gigantescos.  E vem a pergunta: para quem? Ou em reuniões técnicas, onde  são tratados  temas sofisticadíssimos por especialistas “de pouco sol”. Não parece tão simples  identificar essa ou aquela ação que diminua tal tendência. E o  interessante é  que todo ex-produtor, na maioria dos casos, engrossa o pessoal do contra! Em municípios, onde centenas de produtores plantavam floresta, de repente, ficam  só  enormes fazendas! Há quem aposte, que no longo prazo, a produção de madeira vai se restringir aos grandes  consumidores!

Esse assunto dá muito “pano para manga” e exige uma boa reflexão!  É bom  não  esperar que todo o caldo seja entornado.  Pois, daí, não há o que fazer! Por enquanto, é só pagar  um preço justo pela madeira e a vizinhança queima o estilingue.  A silvicultura brasileira não  pode mudar a cara! Há de se encontrar uma alternativa que motive nossos comandantes a mudar as regras desse jogo.  Há necessidade de mudanças! Mas a quem reclamar? Ou em que porta bater?

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE DISSERAM DE 2016!         

 

A Comunidade de Silvicultura queria registrar e  discutir a opinião dos  silvicultores a respeito do que foi o ano de 2016 para a silvicultura brasileira. Em 7 dias , os registros da página  mostraram que alcançamos cerca de 60.000 pessoas,1300 curtiram,113 compartilharam,30 comentaram e 18 enviaram mensagens pelo e-mail pessoal. Segundo analistas do Facebook o resultado foi excelente!

 

Fizemos um resumo dos pontos mais comentados e estamos compartilhando para conhecimento e  discussões.  O objetivo era identificar as dores. E parece que há dores de todo tipo: de cabeça, de barriga e de cotovelo! Seguem os comentários  que nos pareceram mais relevantes:

 

  • Tivemos a participação de brilhantes profissionais. Parece que há muita gente com a mesma disposição e interesse pela atividade. Isso é animador! A Comunidade, respeitosamente, agradece e sente-se honrada com as manifestações. Houve inúmeras sugestões para melhorias!

 

  • A impressão é que os comentários apresentados pela Comunidade de Silvicultura foram considerados bem realistas. No entanto, foram enfatizados alguns São dores com sinais preocupantes: o nível tecnológico; o fomento florestal, a representação institucional, as pesquisas com espécies nativas, a falta de estrutura  governamental para implementar políticas públicas e o valor desanimador da madeira;

 

  • Há muita expectativa com respeito à viabilização da madeira como alternativa energética; ao incentivo de novos reflorestamentos para proteção ; ao retorno de investimentos estrangeiros em negócios florestais ; à maior valorização do silvicultor de campo  e aos aspectos ambientais dos empreendimentos;

 

  • Tivemos a grata satisfação de saber que o texto foi aproveitado para discussões em algumas empresas e foi motivo de muitas conversas – a favor e contra –  entre profissionais. Do amigo e ex-Ministro José Carlos Carvalho recebemos e compartilhamos para nossa honra  a seguinte mensagem : “Parabéns pela iniciativa de aglutinar e mobilizar a comunidade Florestal brasileira.Vamos continuar valorizando esse espaço como uma trincheira para a autocrítica do setor e a defesa de seus legítimos interesses, tendo como foco o uso múltiplo madeireiro e não madeireiro”……

 

O  objetivo  era fomentar as discussões  e por em  destaque os principais  problemas da atividade. Não se esgotou o assunto, mas, com certeza,  todos nós estamos prestando nossa   colaboração  para  que dores controláveis, não se transformem em males incuráveis!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AS MARCAS QUE FICARAM DE 2016?

A Comunidade de Silvicultura preparou uma relação de  tópicos  para  avaliar  as marcas   que o ano de 2016 deixaram no setor. O objetivo é obter a opinião dos silvicultores. Nada de identificar doenças, mas as dores, se existirem!  E que essa reflexão sirva  para mais  discussões e alertas  a todos que atuam e se interessam pelo setor. Como provocação a Comunidade de Silvicultura  apresenta suas impressões para críticas e sugestões. Assim, talvez fique mais  fácil identificar  a dor: na cabeça ou no pé!

  • Nível tecnológico dos trabalhos de campo:

Melhorou – aumentou a preocupação em se fazer bem feito. Grandes áreas não significam qualidade, e muitas  barbeiragens estão ficando expostas e criando constrangimentos. Os inevitáveis impactos na produção de madeira estão exigindo melhorias operacionais. Reduzir custo está deixando de ser obrigação e perdendo para competência;

  • Distância para aquisição de madeira:

Piorou – aumentou a distância. Há muita gente buscando madeira a grandes distâncias. Madeira a preço de repolho e vizinhos insatisfeitos. Um contraste incompreensível. Mas,  com certeza, terá fim. E outros responderão pelas consequências!

  • Produtividade média das florestas:

Piorou – é o reflexo de plantios mal feitos – mato-competição, formiga, pragas, fogo, clones, etc. Está diminuindo a produtividade média e fica flagrante  a necessidade de ajustes no processo de produção de madeira. A dúvida é quanto ao momento dos  inevitáveis ajustes! Pode faltar madeira? É bom lembrar que o remédio é só,  a longo prazo;

  • Problemas com pragas e doenças:

Piorou – aumentou significativamente os sinais de novos ataques. O setor pode ser surpreendido. Muita gente ainda não se deu conta dos riscos e da necessidade de medidas preventivas. Há especialistas que acreditam  que o grande problema é desinformação. Muito mais que o interesse por medidas preventivas;

  • Preço da madeira:

Piorou – há muitos produtores desistindo de suas florestas e de seus  programas de plantio. O valor da madeira está muito  aquém do desejado e esperado. E o custo para se fazer a floresta cresceu. O produtor aprendeu a fazer conta, e está querendo sair do setor. Uma pena!

  • Reflorestamentos para conservação e proteção:

Melhorou – aumentou o interesse e a necessidade está se evidenciando.  Mas enquanto esses plantios não se transformarem em negócio, o assunto fica só na falação. Mas a falação quando  aumenta  pode provocar atitudes. Há bons exemplos a serem seguidos;

  • Possibilidade de se usar a madeira como alternativa energética:

Melhorou – ficou evidente a necessidade de se encontrar alternativas para a energia fóssil. A silvicultura precisa desgarrar-se da dependência exclusiva dos grandes consumidores. Eucalipto para serra está se tornando uma realidade e a biomassa para energia está se tornando uma realidade. Até a atenção dos tradicionais consumidores está crescendo. Ótimo sinal, pois esse pessoal faz acontecer;

  • Estruturação do Programa Nacional de Florestas Plantadas:

Piorou – sumiu. Ninguém sabe informar. É a falência institucional da silvicultura, em nível de Governo Federal. Fica o desafio:  quando e como reorganizar?

  • Ações governamentais para alavancar a atividade:

Piorou – não houve nenhum movimento. E a silvicultura precisa do Governo para algumas realizações. Talvez nem tanto de dinheiro, mas muito de políticas que  mostrem as diretrizes de longo prazo, que integrem  setores , infra- estrutura, etc. Uma pena!!

  • Recursos governamentais para pesquisas florestais:

Estagnou –  a pesquisa continua dependendo de recursos das grandes empresas para resolver  seus problemas. Felizmente, o oxigênio do dia-a-dia está mantido. Avanços?  Só por conta e exclusividade dos interessados. Há instituições e profissionais com muita capacidade a oferecer;

  • Pesquisas com as  espécies florestais  nativas:

Estagnou – continuamos pobres no conhecimento de nossa rica diversidade de espécies florestais nativas! Uma vergonha para a silvicultura brasileira. A quem reclamar? Quem vai reclamar?  Há mais de 50 anos, a produtividade do eucalipto não passava de 20 metros  cúbicos por hectare/ano, muito parecido com o que se consegue com algumas espécies nativas e quase sem pesquisa. Grandes investimentos em pesquisas e experimentações elevaram a produtividade das espécies exóticas comerciais. Um alento às pesquisas com nossas espécies nativas. Um desafio para a engenharia florestal do  Brasil !

  • Novos empreendimentos florestais:

Estagnou – sumiram os novos empreendimento  e os investidores perderam um pouco do entusiasmo.  O ambiente econômico e  político atrapalhou, até o interesse das grandes TIMOS. Há muitas oportunidades de negócio  e,  com  certeza, aos sinais de estabilização, esse pessoal   deverá voltar a investir;

  • Mato Grosso do Sul como  polo de silvicultura:

Melhorou – continua crescendo. Muitas dúvidas e muitas demandas. Trabalhos maravilhosos ao lado de graves e inaceitáveis problemas! Processo de crescimento irreversível e com muitas necessidades logísticas. Há necessidade de se integrar interesses e de se enriquecer o embasamento tecnológico. Um grande desafio para os empreendimentos perenes;

  • Áreas com plantios de pinus:

Piorou – diminuiu, quase sumiu! Poderemos enfrentar  problemas futuros. O produtor de floresta está muito insatisfeito com o preço da madeira. A longo  prazo , não se vislumbram perspectivas. Faltam políticas públicas. Ainda está valendo a competência e a iniciativa de poucos e brilhantes profissionais;

  • Uso da madeira dos desbastes de pinus:

Piorou –  a madeira está muito desvalorizada e o produtor  desanimado está fugindo do setor.  Foi um ano de debandada. Vem reflexo lá na frente!

  • Surgimento de novas espécies para cultivo:

Melhorou – aumentou significativamente  a quantidade de interessados em plantar espécies alternativas. Precisaria mais experimentações, mais divulgação e mais envolvimento de instituições de pesquisas e universidades. Bom para a silvicultura. Sinal inquestionável de que há gente interessada em fazer floresta e querem sair do eucalipto ou pinus;

  • Serviços silviculturais:

Melhorou – mais preocupações com nutrição, manejo do solo, mato-competição. Aumentou a preocupação em se fazer bem feito para não se perder produtividade. O silvicultor está sendo mais valorizado. Reduzir custo está deixando de ser uma obrigação. Está sendo muito valorizado o prestador de serviço, que tem capacidade de colaborar na decisão técnica. Está sumindo o simples cumpridor de cronograma, a custo mais baixo! A silvicultura se enriquece;

  • Produção de mudas:

Estagnou – diminuíram-se os produtores. Espera-se  que os remanescentes sejam valorizados;

  • Certificação florestal:

Melhorou – continua sendo valorizada. Tem muita credibilidade e talvez possa ajudar ainda mais o desenvolvimento do setor;

  • Representatividade institucional da silvicultura:

Piorou – ninguém sabe informar o que está acontecendo. A silvicultura não pode continuar assim, sob pena de se  perder oportunidades de negócio e a competitividade, no longo prazo;

  • Legislação florestal:

Estagnou – nenhuma mudança significativa. Nenhuma discussão. Os problemas velhos continuam sem solução e são esquecidos. Vem bomba, lá na frente;

  • Programas de fomento florestal:

Piorou – muitos descontentes. Muita falação. Muita desinformação. Isso precisa mudar para o bem e a credibilidade da silvicultura. Há bons exemplos a serem seguidos. É imprescindível para sustentabilidade da atividade. Há muitos, que apontam como o grande problema que se agravou no ano! Aumentou, de forma significativa, a quantidade de  pequenos e médios produtores insatisfeitos com a atividade!

  • Mercado externo:

Estagnou – falta infraestrutura e logística para criar condições de maior competitividade ao país.  Há oportunidades para crescimento e desenvolvimento.  É essencial a atuação dos Governos Federal e Estadual. O desenvolvimento continua por conta, criatividade e iniciativa das empresas;

  • A integração e colaboração entre empresas:

Estagnou – aumentou a competição  entre empresas. Uma disputa em que todos perdem e a silvicultura diminui a competitividade. Há muitos problemas que dependem da colaboração de todos. A silvicultura brasileira sempre dependeu das empresas: da integração entre elas e da integração com instituições de pesquisas;

  • Reconhecimento social e ambiental da silvicultura:

Piorou – há movimentos que ressurgem por falta de comunicação. Há muita discussão  de problemas resolvidos. Há trabalhos de grande importância sem a devida propaganda, em nível da sociedade urbana. Esse pessoal faz leis e continua distante da realidade social e ambiental do setor. Não se pode deixar de reconhecer o esforço gigantesco que muitas empresas fazem para valorizar o setor, mas não se pode acreditar que as encrencas estejam sendo equacionadas. Será que essa comunicação está mal direcionada?

 

Aguardamos e agradecemos, desde já, os comentários.

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O LADO RICO E O LADO POBRE DA SILVICULTURA!
“A silvicultura é como uma grande família: de um lado, aqueles muito ricos, sempre com novidades, grandes negócios, tudo de melhor, viagens, fino trato, outro mundo. Até o cheiro parece diferente! De outro lado, a turminha mais pobre. A do batente. Muita disposição e valentia .A luta brava de todos os dias. Entre esses, alguns festeiros, sempre animados. Esse pessoal corre, corre e parece que dá pique no lugar! ”, essa foi a definição que ouvi de um respeitado professor universitário. E ainda, de sobra, completou: “os ricos não precisam de nada, os pobres lutam e nunca têm nada, mas pulam, gritam, berram, reclamam e parece que não saem do lugar. Na verdade, são os que dão vida ao setor”.

A conversa continuou e mais na frente, para completar a obra, o bem humorado professor disse : “vamos colocar cada segmento da silvicultura em seu território e vamos ver se não é, exatamente, dessa forma que as coisas acontecem! E foi batizando cada segmento de acordo com seu perfil : “ ricos – as grandes indústrias : não precisam de nada, tem tecnologia na mão, recursos suficientes, gente independente , torcem para que o Governo não atrapalhe e nem dão bola para o restante da família. Os pobres – universidades, professores, pesquisadores e , especialmente, os que trabalham com espécies nativas, fomentados , produtores florestais, prestadores de serviço, consultores, entre muitos. Lutam todo dia! Mas vão que vão. E os festeiros animam o ambiente. Sempre barulhentos. Não saem do lugar, mas se divertem, e até conseguem, vez ou outra, juntar a família – entidades de classe, instituições de governo, fazedores de políticas públicas, legisladores, financiadores de programas , e por aí vai”.

E, em tom de brincadeira, falou: “só essa turminha do barulho encheria o salão”. A conversa foi longa e com muitas variações. Mas nada, tão adequado para uma boa reflexão, quanto a analogia da família!
E fica a dúvida: dá para juntar toda essa turma, numa festa só?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A FALTA DE INFORMAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS!

 

A silvicultura brasileira, que avança na direção da sustentabilidade, apresenta algumas carências estratégicas que precisam ser reparadas. Fala-se muito de milhões de hectares plantados e, vez ou outra, são feitos comentários sobre as produtividades. Há, até, ousadas considerações mostrando sinais de queda na produtividade. Ninguém se atreve, no entanto, a discutir os estoques de madeira declarados pelas empresas. E quase nada se fala, a respeito dos impactos negativos decorrentes de pragas, doenças, inadaptação genética, deficiências nutricionais, etc. E há informações de “ barbeiragens silviculturais” inaceitáveis!

No momento, temos um exemplo típico, em que a falta de informações pode dificultar a tomada de importantes decisões. Em algumas regiões, a silvicultura brasileira esteve diante de grande e preocupante período de seca. E ficou a indagação: qual foi o impacto dessa seca de 2015/2016 nos estoques de madeira das florestas plantadas e nos plantios realizados? Há dúvidas para todos os gostos: qual o tamanho da área afetada; quanto morreu; quanto deixou de crescer? Não há respostas! E essas situações tem tudo a ver com a sustentabilidade da silvicultura, com os estoques das indústrias, com investimentos e com os produtores florestais. Que a cadeia de produção foi impactada poucos duvidam, mas ninguém se atreve a dimensionar o estrago! Há informações de que grandes áreas foram perdidas, e muitas tiveram o crescimento(ICA) do ano zerado, e por aí vai…

E o assunto não se tornou uma encrenca de grandes proporções pela abundância de madeira de mercado, e até porque ninguém quer mostrar o seu problema, isoladamente. Fica a impressão, à semelhança dos casos de pragas e doenças, de que há alguma falha técnica no processo produtivo! Os problemas surgem e cada um, em seu canto, curte o problema, isoladamente. Essa auto defesa inibe um melhor entendimento das ocorrências, além de impedir que medidas corretivas sejam adotadas. No caso da seca, os estados mais afetados, segundo notícias circulantes, foram Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Goiás, Espírito Santo e áreas pontuais do Maranhão. Fala-se em milhares de hectares afetados – da morte à paralisação de crescimento. São milhões de metros cúbicos de madeira que deixarão de existir.

A silvicultura brasileira precisaria ter mecanismos, que pudessem avaliar com certa precisão danos dessa natureza. São problemas que impactam toda a cadeia de produção e seria de extrema importância, que existissem alertas confiáveis para indicar as correções necessárias. Se a silvicultura quer ser sustentável precisaria contar com instrumentos de avaliação, que permitissem ajustes e correções, em momento adequado. A falta de informações cria enormes dificuldades a produtores, investidores e consumidores! A agricultura é bastante precavida, e imediatamente, após qualquer intempérie, anuncia-se o resultado do impacto. Pode-se até dizer que a rapidez da informação, se dá por se tratar de comida. Mas a silvicultura é base para ampla cadeia de produção, e a falta de ajustes , no curto prazo, pode trazer, no longo prazo, significativos transtornos econômicos, ambientais e sociais.

Fica o registro e uma interrogação indigesta aos profissionais preocupados com a sustentabilidade da silvicultura brasileira!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE 2016 VAI DEIXAR PARA SILVICULTURA BRASILEIRA?

 

 Estamos em dezembro e essa pergunta é inevitável!    Empresas, investidores, pesquisadores, enfim… fica  a interrogação para todos!  De bom?  As grandes empresas do setor de celulose, apesar  da choradeira,  vão se ajeitando, comprando, ampliando , crescendo. Grandes negociações. Realmente o setor com muita competência avança! Sem exceção, todos crescem. É muito bom para a silvicultura! Já o setor de chapas e madeira processada, exige mais luta. Esse mercado é mais sensível às crises internacionais. Ainda de bom e de novo: a madeira como alternativa energética continua  firme, mas  poderia estar mais  forte!  As reuniões do Clima, lá fora, animaram o ambiente. Aqui dentro, por enquanto, muita falação e pouca fazeção!

 

Mas essas novidades trazem muita esperança e podem transformar a silvicultura brasileira!  De mesmice, temos o Programa Nacional de Florestas Plantadas, que não dá nenhum sinal de vida e sobre  a silvicultura no Ministério da Agricultura, ninguém sabe dizer o que aconteceu! Grandes empreendimentos? Nenhum.  A siderurgia, vai mal, muito mal! Muitas florestas e nada.  Uma pena, e muito ruím para a silvicultura.  E quanto aos fomentados e o preço da madeira? Há sinais, de que  algumas empresas estão tratando muito bem seus fomentados.  

 

São exceções dignas de festejos, pois a grande maioria continua alimentando uma incansável choradeira. Avanços tecnológicos expressivos, mas o feijão com arroz, quando bem feito, ainda é o rei da produtividade! A sacola com as mercadorias antigas continua do mesmo tamanho – financiamento só em discursos, os remendos da legislação do mesmo jeito, e de  políticas públicas tão solicitadas, nem se fala. Uma seca inesperada e prolongada quase  zerou o crescimento anual das florestas  em muitas regiões. Quando não matou, deixou marcas .

 

 As pragas deram sinais de agressividade. E as reduções generalizadas para baixar custos,  começaram  a mostrar os sintomas de maus tratos.  Tem ajudado, os menos cuidadosos, a  super oferta de madeira  de algumas regiões. Paga-se fortuna pelas andanças quilométricas ,mas não se peita a reprogramação da produção florestal. Sabe-se que esses acertos serão inevitáveis, a médio e longo prazo. Mas lá na frente, é lá na frente!  

 

Enfim, alguém pode dizer  que foi um ano difícil para todos. Dá até para entender, mas a madeira que não foi produzida este ano, não há como repor. Vamos esperar que as perdas não tenham sido significativas e que tenhamos força para recuperar em 2017.  Não dá para acreditar que o Papai Noel  vai trazer soluções para os grandes problemas que se arrastam, há anos, mas não dá para deixar que as  novidades  sejam colocadas  na mesma sacola dos entulhos antigos .

 

Como dizia um velho amigo silvicultor : “a natureza é a nossa grande aliada, já pensou se os nossos governantes dessem uma mãozinha?”

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A PRODUTIVIDADE PREOCUPA, E MUITO!

 

Os dados históricos do setor mostram que a silvicultura brasileira teve um grande salto na produtividade, nos últimos 30 anos. Cantada em prosa e verso, fala-se em avanços próximos de 50 % nesse período. Saímos de algo perto de 30 e se fala em 40 – 45 metros cúbicos/ha/ano. Há quem fale em 50, no entanto, dados de setores produtivos, discretamente, até apontam para um decréscimo na produtividade dos últimos anos. Com todo esse jogo de números fica uma tremenda interrogação: nossa produtividade está estagnada? pode aumentar ou está sendo impactada por inúmeras adversidades e tende a diminuir? Embora o assunto não esteja na ponta das discussões, parece que a preocupação já bateu na porta de muitas empresas.

E surgem várias justificativas, mas o assunto não tomou de “assalto” o setor, em face da enorme quantidade de madeira, que ainda sobra em muitas regiões. Só que sobra em regiões, onde o consumo está em baixa. Esse contexto, onde oferta e demanda não se cruzam, não tem nada a ver com a produtividade, mas afeta significativamente a competitividade da madeira. É fácil de se entender a acomodação dos consumidores: antes de se enfrentar a queda da produtividade com uma reorganização da programação operacional, busca-se a quilômetros de distância aquela madeira vendida a “preço de repolho”. Afora, esses exercícios de longa distância, fica uma grande dúvida a ser esclarecida: o que está acontecendo com a produtividade de nossas florestas? Da mesma forma, temos muitas justificativas bem elaboradas, mas não se tem notícia objetiva, de onde foi parar a madeira que não existiu! Serão os ataques de pragas e doenças? Será o impacto dos períodos de seca no incremento corrente anual (ICA)? Será a pobre performance de materiais genéticos inadequados? Ou a redução generalizada de custos?

De certo, fica a constatação: a diminuição da produtividade!
Há quem diga que essa diminuição da produtividade, aliada aos apagões florestais de algumas regiões, parece ser a luz no fim do túnel, que vai recolocar as decisões florestais na mesa das discussões estratégicas dos grandes consumidores! Isso muda muito a posição simplista dos setores florestais das empresas. Vão ser mais valorizados e deixarão de ser apenas , disciplinados supridores de madeira pelo mais baixo custo. Com essas mudanças, talvez se consiga somar alta produtividade e competitividade da madeira. E assim, a silvicultura retoma a importância estratégica, que há muito deixou de representar nos grandes empreendimentos consumidores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.brpost-46

 

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INCENTIVOS FISCAIS: RIQUEZA DE LIÇÕES DE VIDA!  

 

No período em que  trabalhamos como Diretor de Reflorestamento, do IBDF, entre  os anos de 77 e 79,  tivemos oportunidade de passar por momentos especiais.   Problemas, soluções, desafios, contribuições,  curiosidades, abusos, ousadias, encrencas, enfim….. de tudo. Daí, muitas lições de vida e para a vida.  Merecem registro e dão uma boa idéia  das trilhas seguidas pela silvicultura para chegar até onde estamos! Seguem relatos interessantes de  enorme  lista de momentos especiais;

  • Visitas que resolviam….

Durante o período em que estivemos à frente do Departamento de Reflorestamento do IBDF, juntamente com a equipe de colaboradores, tivemos oportunidade de passar por momentos de grandes emoções…. De vez em quando, fazíamos  incertas em empresas reflorestadoras, sempre  por conta de alguma polêmica ou  comportamento duvidoso! Incrível, como as desconfiadas premissas sempre se confirmavam. Numa dessas incursões, fomos bater no Norte de Minas, nas proximidades de São João do Paraiso. Uma grande empresa lamentava o fato de termos diminuído significativamente seu programa por conta de atrasos em seus plantios. Uma das alegações da empresa era o grande investimento feito na aquisição de toneladas de sementes melhoradas – na ocasião, nem se cogitava  de  produção de mudas clonadas. Fomos fazer uma visita à região e aproveitamos para visitar o viveiro da referida empresa.

A  chegada de surpresa , com certeza, facilitou o “ flagra” e não deu chance para  ousadas artimanhas. Pegamos, de fato, no viveiro um estoque com mais de 10  toneladas de sementes e sem nenhuma identificação, que comprovasse qualquer qualidade superior! Não houve dúvida! Quando  perguntaram a respeito do que tínhamos achado do viveiro, nem demos chance para qualquer  desculpa : “ uma  porcaria!” e completamos :” a empresa deveria queimar  toda essa semente”. Alguns minutos  depois, estávamos diante de  tremenda fogueira, em pleno dia! Essa  empresa, de grande peso político, depois de alguns anos, se tornou  uma grande encrenca para o IBDF!

2-Um Diretor de m….., fechou minha empresa!

Foi exatamente assim, que ouvimos de um “ meio conhecido”, numa festa de aniversário familiar, quando perguntamos a respeito do andamento de seus negócios . A resposta foi clara: “as coisas iam muito bem, mas de repente um Diretor de m…. do IBDF fechou minha empresa”. O “meio conhecido” nem desconfiava, que o tal Diretor, estava na frente dele. Não demos bola e continuamos: “o que sua empresa fazia?” e a resposta, bem redonda, não deixou nenhuma dúvida, a respeito do  típico “picareta de ïncentivo fiscal”: “fazia projeto de palmito  com incentivos fiscais, no meio dos palmitais da Serra do Mar”!  E continuou todo desafiador: “quero ver se vão ter coragem de acabar com o babaçu?”. O moço não conhecia o pacote publicado. Foi difícil, mas conveniente, segurar a pergunta : “de que lado estava a merda?”

  • O grosseiro sinal do fim dos incentivos fiscais

Algumas experiências da vida nunca se apagam da memória! Numa mudança de ministros do Governo Figueiredo, encontrei-me no Aeroporto de Brasília, na sala de embarque, com o nosso amigo Leo Chueri, na ocasião, grande empreendedor e entusiasta do setor de reflorestamento. Na mesma sala, encontrava-se enorme e animado grupo da moçada  de S.Paulo, vindos para posse do Ministro da Agricultura – Prof. Delfim Netto.  O Leo Chueri tinha ótimo contato com o pessoal e prevendo que essa turma ia questionar o incentivo fiscal, correu apresentar-me a um forte  candidato a assessor do Ministro.

O fato de ter sido Diretor de Reflorestamento, segundo o Leo, credenciava-me para uma conversa a respeito de assunto que parecia tão desconhecido para o “ilustre”, que chegava.  Antes de qualquer formalidade fui indagado, seguidamente: “ Ah, você trabalhou no IBDF? Ah, então você conhece  a história dos incentivos fiscais? Ah, que bom… então, me defina os incentivos fiscais com duas palavras!  Antes, que eu imaginasse qualquer resposta, o “ilustre” tascou : “ uma merda”. Não falei nada e nem deu tempo para qualquer explicação do desapontado Leo. Saímos boquiabertos, e  comentamos – “ parece que está morrendo os incentivos fiscais para o setor”.

Não erramos. Durou o suficiente para que  se armasse o cenário com as devidas justificativas ! Só lembrando: era muito simples fazer isso ou aquilo, mas foi muito simples também, acabar com  a política pública, que contribuiu significativamente para o crescimento da silvicultura brasileira! E,até hoje, estamos esperando alguma coisa no lugar!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CONTRIBUIÇÕES RÁPIDAS E SEM BUROCRACIA!

 

Na conversa que tivemos com o Eng. Jose Luiz Vivas, um dos membros da equipe de trabalho do Departamento de Reflorestamento do antigo IBDF, lembramos  de medidas ousadas adotadas na época.  Para muitos, pareciam impossíveis de serem adotadas.

Contrariamente, ao que todos temiam, os resultados foram maravilhosos. E isso só possível com o apoio e  colaboração de toda a equipe, além de  sugestões de inúmeros  profissionais das boas empresas.  Em reuniões  objetivas, as decisões eram transformadas em Instrução Normativa e aplicadas imediatamente.

A Dra. Marialva dava o retoque jurídico, pegava-se a autorização do Dr. Paulo Berutti – nosso saudoso presidente, que nunca colocou qualquer  objeção às  nossas sugestões, e pronto! E assim foram resolvidas questões, que mudaram o setor. Vejam os assuntos, oportunamente, lembrados pelo  Eng. Vivas  e que foram definidos na ocasião;

  • Uso de sementes melhoradas. Não houve a menor resistência. Todas as empresas aderiram e o resultado altamente significativo. A contribuição de brilhantes profissionais, das instituições de pesquisa e o exemplo dado pelas boas empresas foram decisivos no sucesso;
  • A troca do plantio de 1% de espécies nativas por conservação de 10% de florestas nativas. Aqui, cabe um agradecimento  à sábia sugestão da Dra. Maria Thereza Jorge Pádua;
  • O uso obrigatório da adubação e calagem. Sem resistência, mas com algumas discussões e reuniões técnicas. A fiscalização de campo exigiu mais atenção;
  • A desobrigação de se queimar as leiras. Foi só deixar de se considerar como rotina operacional do projeto incentivado. O absurdo era tamanho, que não houve nenhuma contestação;
  • A exigência de se ter um engenheiro respondendo pelas atividades operacionais. Essa talvez tenha sido a maior contribuição para valorização dos profissionais. Exigia-se a presença do responsável técnico para discussão de assuntos do interesse da empresa. Era o fim dos escritórios só para assinatura de projetos;
  • A classificação das empresas em função da situação dos projetos e qualidade das florestas. Essa classificação desbancou muitas empresas tidas como exemplares! Promoveu-se a valorização dos trabalhos de campo e o “universo do silvicultor” de bota, sol e barro;
  • A extinção de incentivos a projetos de fruticultura. Sem nenhum “pio”. Foi só proibir e sumiram os projetos de laranja, de abacate, de babaçu, dentre outras.

E essas novidades eram vistoriadas, especialmente, nas visitas que o Departamento de Reflorestamento passou a fazer às diversas regiões, em que se concentravam os grandes empreendimentos. Visitas cheias de surpresas, curiosidades e lições profissionais. Dá um livro!

Outro aspecto importante na tomada de decisões era a consulta informal, que se fazia junto às empresas de primeira linha e às instituições de pesquisa do setor. O processo nascia e  ficava valendo, através  de  Instrução Normativa, em menos de 10 dias!

Para nossa satisfação, há muita gente que acredita que foram essas medidas, sem nenhuma frescura e burocracia, que deram qualidade a muitas florestas incentivadas e promoveram a necessária e seletiva varrida no setor! Foi um grande esforço para valorizar o uso da tecnologia e a participação dos profissionais nas empresas.  A silvicultura  conseguiu significativos ganhos! Tudo com simplicidade e sem burocracia! Há de se destacar o irrestrito apoio que o Departamento de Reflorestamento contou do saudoso Presidente do IBDF – Dr. Paulo Berutti e do respeitável Ministro da Agricultura – Alysson Paulinelli.

E sem a disposição e colaboração das boas empresas e de empresários exemplares, nada aconteceria!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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