QUAL SERIA O VALOR JUSTO DA MADEIRA?


Esse assunto foi muito debatido na Reunião de Executivos, realizada no dia 27 de outubro, sob a coordenação do Painel Florestal. Apresentações, apartes, questionamentos…. enfim, o assunto serviu de referência para todos. Para muitos ficou a certeza, de que esse é um dos grandes problemas, nos dias atuais do setor! Muita discussão, muita paulada, mas ficou a pergunta inevitável:

Qual seria o valor justo da madeira? 

Essa discussão acompanha a vida do setor há muito tempo! De tempos em tempos, aparece com feições diferentes. Desta vez, juntou-se a uma crise do mundo e do país e está se tornando insuportável entrave para a silvicultura brasileira. O assunto pode ser abordado de diferentes formas. Se conversar com profissionais, que já fizeram estudos sobre viabilidade econômica de projetos florestais, ouve-se que a TIR almejada pelos investidores exige um valor mínimo da madeira para que o projeto fique em pé – linguagem típica dos economistas – e esse valor, segundo o pessoal das planilhas, é sempre acima de R$ 50,00, perto de R$ 60,00 por metro cúbico em pé! O quanto mais para cima, vai depender do apetite do investidor! Para baixo, nem pensar!

Se conversar com produtor, que planta, corta e entrega a madeira, então a conversa é diferente, mas os sinais são convergentes : “ faz quase 10 anos que o preço da madeira não muda, em compensação insumos para plantar, diesel para rodar e o preço da mão-de-obra não param de crescer” e completa : “ ninguém fica sem diesel e sem comida, então para continuar trabalhando sou obrigado a levar a madeira por qualquer preço” e completa: “ é muito difícil levar a 100 km de distância e receber mais do que R$ R$ 80,00 o metro de madeira”. No primeiro caso, ”o da planilha” fala em metro cúbico, enquanto o produtor se refere a estéreo de madeira.

Salvadas as devidas adequações, chega-se à conclusão, de que o produtor, que leva a madeira e recebe R$80,00, está trabalhando para pagar o posto de combustível, a comida de todos os dias e alguma coisinha para a madeira! Não vai dar para repor a floresta ou se meter em qualquer outra dívida! Normalmente, está desanimado, e pronto para sair do setor! E o interessante é que, na maioria das empresas, os profissionais conhecem a realidade e são conscientes do irrisório preço da madeira. Mas não conseguem mudar nada! A política das empresas não permitem ajustes! Sabem até, que isso põe em risco a sustentabilidade da atividade. Mas não conseguem dar “um passo à frente” para se discutir e se tentar encontrar solução para essa gravíssima situação. Cabe nessa história uma tremenda interrogação! O que fazer?

E como esse pessoal de planilha não erra nas contas, vamos acreditar no que dizem – a madeira precisa estar, no mínimo, a R$ 50,00 o metro cúbico em pé, para que o sofrimento não seja fatal ! Vamos torcer para que surja algum mecanismo que permita mudanças nesse cenário. Com isso, talvez, até se evitem os perigosos transtornos de enormes caminhões, transitando a quase 1000 km de distância, na busca de madeira para alimentar indústrias! Além disso, vamos evitar que um exército de produtores insatisfeitos se tornem inimigos da silvicultura brasileira! 

E é bom lembrar que discutir com pessoal que não gosta do eucalipto por ser exótico e por dizerem que ele “ acaba com as nascentes”, até dá para enfrentar! Mas conversar com produtor, que se sente enganado, o negócio é muito diferente! Para muitos ficou a impressão: “ será que querem que a silvicultura fique na mão de meia dúzia de consumidores gigantes e o restante fique torcendo contra?”


Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ!!

O Encontro de Executivos Florestais, organizado pelo Painel Florestal, ontem – dia 27 de outubro, foi um sucesso! O Robson e equipe estão de parabéns! conseguiram colocar numa panela todos os ingredientes necessários para se pensar numa silvicultura, que possa crescer e se desenvolver! Palestras interessantes, apartes oportunos, provocações inteligentes, enfim… uma reunião rica, muito rica!|Caberá muitas conversas e prosas….. 

Mas antes de qualquer outro comentário, gostaríamos de fazer um relato, que mostra como é interessante e cheia de realidade e de sentido, a frase que muito se ouve e, as vezes, se dá com pouca ou nenhuma importância – “as voltas que o mundo dá!” Vamos aos fatos. 

Há cerca de 15 anos atrás, quando as reuniões de executivos florestais se realizavam sem o envolvimento do Painel – era outra fase e rica de emoções – a SBS, Sociedade Brasileira de Silvicultura, que tivemos a honra de presidi-la por 4 anos e que tinha como braço direito e esquerdo o fraterno amigo – Rubens Garlipp, foi convidada para apresentar um diagnóstico do setor ao Grupo, reunido em Campinas. O Eng. Garlipp apresentou a famosa “Pizza” – nome que demos ao formato em que os assuntos foram abordados.

A conversa foi iniciada mostrando que os problemas já vinham se arrastando desde 1980, quando a própria SBS fizera um ousado documento – A silvicultura no ano 2000! O grande objetivo era mostrar os problemas, o que estava se fazendo, as dificuldades enfrentadas e as sugestões para evoluirmos. Nessa ocasião, a platéia, composta por diretores e gerentes florestais, representava o corpo de associados da SBS. Dá um livro esta história, mas encurtando – a SBS apresentou os problemas, fez sugestões e pediu o apoio. Em troca, a SBS, quase foi extinta. Todos os associados se retiraram, formaram outra entidade e começaram nova novela, em outro canal. Bem simples assim! 

De lá para cá, tivemos muitas mudanças: a evolução tecnológica foi fantástica; novos empreendedores; ampliações industriais; gente nova e competente; sistemas disso e daquilo; nova forma de ver a floresta, etc. Esse crescimento foi gigantesco e é inquestionável! E na reunião de ontem, organizada pelo Painel Florestal, com muita gente do setor, um turbilhão de idéias, propostas e queixas afloraram. E agora? Tivemos que sair, bem antes do término! Mas até onde assistimos, ficamos com a impressão: será que estão devolvendo todos os problemas de novo para alguém? Tomaram da SBS e prometeram solução para isso e para aquilo e os problemas continuam pipocando! 

Parece que as pontas, com roupagem diferente, estão se encontrando. Realmente, o mundo dá voltas interessantes. Para felicidade da silvicultura, a quantidade de profissionais competentes, questionadores e “com cara de quem quer fazer” pareceu bastante grande! Que bom para a silvicultura brasileira!


Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CONSULTORES: UNS AJUDAM A FAZER E OUTROS A PENSAR!

Um dá sugestões e mostra como fazer! O outro, ainda ajuda a pensar para encontrar a solução! Ambos prestam serviços em empresas florestais na procura de soluções para os mais diversos problemas. Ajudam muito na correção de procedimentos operacionais, no aumento da produtividade, na organização das empresas, enfim… há profissionais para qualquer necessidade. Mas há de se saber escolher- quem, para fazer o quê? E aqui, é que mora o perigo! Saber escolher o colaborador é quase uma arte.

Há quem diga que os problemas começam a ser equacionados na escolha do consultor. Há de se identificar a necessidade, o momento certo do socorro e a competência do escolhido. Com dinheiro compra-se quase tudo! Algumas outras coisas não se compram, mas acompanham e são próprias do escolhido. Quem escolhe certo tem direito ao bônus! Há receitas e recomendações prontas.
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Da mesma forma, há justificativas padronizadas. Há grande semelhança entre os problemas e um denominador comum, que abrange a maioria deles. É muito comum, o problema ter como “pano de fundo” a teimosia ou a vaidade de alguém, que usa do direito de achar, abusa do direito de falar e não gosta de ouvir! E para muitos, é essa mistura de perfis pessoais, de quem quer, e de quem serve, que torna o trabalho do consultor, sempre, uma aventura com ricas lições profissionais!

Nesses anos de estrada, guardamos nas anotações do dia-a-dia o ensinamento de um Mestre na arte de ensinar, e que dizia:” Nos casos, em que só cabe a recomendação – seja fazedor, não perca tempo! Agora, quando o caso demanda conhecimento e experiência para encontrar a solução, dê todo tempo necessário na análise do problema. Abra a caixa de “ferramenta”. Compare experiências anteriores. Junte, some e cruze informações. Seja pensador”!

O toque do Mestre tem sido uma lição de vida! O fato é que há oportunidades para todos, mas não se recomenda que “ se pule em galho estranho”! O Mestre sempre completava:” Não use cartucheira para matar carrapato, e nem ouse matar leão com canivete”!

Fica o registro para reflexão dos silvicultores que prestam serviços e para os que contratam serviços!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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 ESSA CRISE É DIFERENTE!      

 

Ainda por conta de nossa participação no Congresso Florestal Online,  e das perguntas recebidas. Aliás, perguntas interessantíssimas: Que setores não foram abalados pela crise? Quais as diferenças entre a silvicultura ligada às indústrias e a silvicultura independente? Por que não há pesquisas com espécies nativas? Tivemos mais 12 perguntas.  Responderemos todas.  Com  cuidado…. E lembrando: A Comunidade de Silvicultura vai agradecer muito aos comentários de nossos amigos!

1-Que setores não foram abalados pela crise?

A crise de 2008 e agravada, nos últimos anos, com a crise interna do Brasil – econômica e política  – jogou “areia” em todos os segmentos. As estatísticas dos setores mostram algumas evidências: setor de chapas lutando, setor siderúrgico nocauteado e o setor de celulose firme e forte. Gente do setor diz que esse “firme e forte”, é à custa de muitas ressalvas! Há de se respeitar e admitir eventuais ressalvas, mas  com dólar em alta, exportações à toda,  importantes aquisições, regularização de pesados endividamentos, ampliações de indústrias, etc.  parece choro de  viagem, mas de chegada! Os  programas dos grandes consumidores, em sua maioria, não foram alterados. E a crise foi mais pretexto para cortes e reduções de custo. Quem abusou e cortou o programa de plantio também, com certeza, lá na frente, vai atrás da madeira que não foi plantada!

2- Quais as diferenças entre a silvicultura ligada às indústrias e a silvicultura independente?

A silvicultura das indústrias faz as devidas adequações, mas tem a conta paga! A silvicultura independente fica presa a orçamentos e à TIR, controlada pelo escritório da “cidade grande ”. Há de se considerar, no entanto, que graças ao pagador das contas, a silvicultura das indústrias teve condição de investir em pesquisas, certificações e outras gorduras. A indústria  sabe que” madeira cara” é aquela que não existe, e  nenhuma empresa em franca produção,  dá chance para qualquer risco de paralização por falta de madeira. Quando a madeira precisa existir não há limitação de custo para produzir. É fácil perceber,portanto, a diferença entre o “sufoco refrescante” de quem tem obrigação de produzir para não faltar madeira e a limitação do silvicultor preso à planilha da  “cidade grande”. Para um a silvicultura é biologia e matemática, para o outro é só matemática!

3- Por que não há pesquisas com espécies nativas?

A resposta pode ser  dada pelo tratamento  dispensado ao eucalipto e pinus. Grandes indústrias consumidoras de madeira das referidas espécies para sustentação de suas fábricas não pouparam recursos para todo tipo de pesquisa.  Talvez não seja exagero considerar que mais de 90% de todo o recurso  financeiro colocado à disposição da pesquisa florestal no Brasil tenha sido direcionado a trabalhos com eucalipto e pinus! E há de se registrar também que, com muita certeza, a grande fatia desses recursos foi originado  das grandes empresas industriais de base florestal. Mesmo o eucalipto e o pinus,  se dependessem de recursos  governamentais, jamais teriam alcançado o excelente nível tecnológico que caracteriza a silvicultura brasileira.

Precisamos encontrar os mecanismos que alavanquem os recursos necessários e imprescindíveis para fomentar a pesquisa florestal com nossas espécies nativas. E deverá ser algum instrumento que envolva interesses econômicos, pois discursos, documentos e centenas de justificativas técnicas, até o momento, foram incapazes de mudar  a realidade da pesquisa e dos pesquisadores que trabalham com espécies nativas! Tem sido, há anos, puro amor à causa!

As demais perguntas serão oportunamente respondidas…..

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O PROBLEMA MAIS IMPACTANTE: O PREÇO DA MADEIRA DO FOMENTADO!

 

O Congresso Florestal Online, realizado pelo Paulo Cardoso nos dias 17 e 18 de Outubro de 2016, foi um sucesso retumbante! Com certeza, foi um marco na comunicação do setor.  A Comunidade de Silvicultura parabeniza ao Paulo e a toda  equipe de colaboradores!  Todos ganhamos muito e a grande premiada foi a silvicultura brasileira. Outros virão, mas  sempre será, depois do Paulo!

Tivemos oportunidade de participar e recebemos inúmeras perguntas pelo e-mail particular. Perguntas de todo o tipo: qual a maior encrenca, em que se meteu? Qual a melhor empresa em que trabalhou? Quais os grandes profissionais em atuação? E por aí vai… Mas uma pergunta, além da repetição, tinha certa sombra com outras. Disparadamente, a pergunta mais representativa que recebemos foi: Qual o problema  que mais impactou  a silvicultura brasileira, nos últimos anos??? Para qualquer outra pergunta seríamos  obrigados a certo cuidado para evitar melindres, injustiça e mais encrencas… Mas essa não deixa espaço para qualquer dúvida!

O problema que mais impactou a silvicultura, nos últimos 10 anos, foi o preço da madeira recebido pelo fomentado! Afetou a milhares de pequenos e médios produtores e desestimulou a outros milhares. Transformou milhares de parceiros em inimigos de empresas e da silvicultura. Gente simples e  entusiasmada sentiu-se enganada. Abusou-se da credibilidade do produtor. Todos perderam – os produtores, as empresas, a silvicultura. O desrespeito de algumas empresas feriu o mais nobre sentimento do produtor: a confiança!

Fica o registro e o desafio – os silvicultores precisam mudar essa imagem, se quisermos  manter  a silvicultura, que é certificada,  nos discursos,  em que se  trata de sustentabilidade! Um desafio até para grandes e boas empresas que, excepcionalmente, conseguem manter a satisfação do  seu fomentado!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SOFISTICAÇÃO TECNOLÓGICA E O ARROZ E FEIJÃO!

“Antes de se lançar a uma sofisticada tecnologia, há de se ter certeza de que todos os recursos da silvicultura bem feita estão aproveitados no arroz e feijão de todos os dias”, foi assim que um “silvicultor de bota” de uma nova geração se expressou quando foi indagado sobre os avanços tecnológicos da silvicultura!


E assim, de forma bem simples, foi mostrando o quanto se perdeu ao se deixar para trás os programas clássicos de melhoramento genético, os cuidados essenciais com o preparo e conservação de solo, assim como, com a proteção das águas.

Da mesma forma, ficou de lado a aplicação dos conceitos de integração solo/clima/planta para definição de materiais genéticos, formulações de adubação, além do uso abusivo de clones produtivos e até o menosprezo pela qualidade das mudas, etc.

Ele disse –“coisas simples, que simplesmente são deixadas para segundo plano”.

Há dados que mostram que pequenos descuidos operacionais, daqui e dali, podem levar a mais de 20% de perda na produtividade!

E o mesmo silvicultor brincou –“deixamos dois japoneses a vida toda trabalhando com genética para promover 20% de aumento na produtividade, e em poucos dias de plantio, um descuidado plantador de árvores joga no lixo todo o esforço dos japinhas”.

E foi categórico na afirmação – “podemos melhorar muito a silvicultura e obter aumentos significativos na produtividade, só aprendendo a aplicar nos procedimentos operacionais todo o estoque e informações científicas disponíveis”.

E antes que alguém colocasse em dúvida o grande esforço de algumas empresas no avanço da ciência florestal, foi dizendo: “nada de parar com a evolução científica, mas sim, tratar de absorver conceitos e observar o que as plantas mostram e pedem”.

Traduziu em linguagem de silvicultor – “queremos dar um salto e atalhar caminhos obrigatórios do dia-a-dia na procura de soluções sofisticadas e sem atender necessidades básicas”.

Fica para reflexão de todos os silvicultores: com certeza, os que “tomam sol e sujam a bota” sabem bem disso!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

ARTIGO PUBLICADO EM: www.celuloseonline.com.br em 17/10/2016

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MERCADO DE MADEIRA, INVENTÁRIO E A SUSTENTABILIDADE!

 

Nos dias atuais, temos inúmeras dúvidas a respeito do mercado de madeira. Algumas afirmações são incontestáveis, mas outras só trazem mais preocupações pela quantidade de incertezas que apresentam. A base de todas essas dúvidas é a falta de um inventário florestal nacional, que mostre a realidade de nossos estoques de madeira e possa dar confiança a quem compra, a quem planta, e a quem quer investir. Seria muito interessante saber se o Inventário Florestal Nacional, que está sendo desenvolvido e com muita competência pelo Serviço Florestal Brasileiro poderá atender a essa demanda da silvicultura. E com certa urgência! Precisamos conhecer o estoque de madeira de nossas florestas plantadas.

Essa preocupação tem tudo a ver com a vida da atividade! O conhecimento dessa realidade, com certeza, vai dizer da necessidade de novos plantios, das espécies a serem plantadas e evidenciará as demandas da pesquisa florestal. Essas informações são imprescindíveis para elaboração de políticas públicas, que mostrem rumos à silvicultura. O momento é oportuno para esse repensar: temos madeira sobrando em algumas regiões e faltando em outras. Estão sumindo os plantios de pinus e cresce a demanda por espécies nativas, mesmo sem pesquisa e sem informações científicas suficientes!

Há um descontentamento generalizado dos pequenos e médios produtores florestais com os preços da madeira! Muitos já estão saindo do setor! Será que precisamos de mais encrencas para tratarmos de medidas estruturais para a silvicultura brasileira? Ou vamos esperar que as preocupações batam na porta dos grandes consumidores para que as coisas aconteçam.

Aí, com certeza, as coisas se resolvem, mas até lá, muitos produtores já se mandaram do setor e com o estilingue na mão! E vai ficar, ainda mais forte, o sentimento de que a”tal silvicultura sustentável” pode ser chamada de “silvicultura das grandes indústrias”.

Nelson Barboza Leite Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais

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REFERÊNCIAS DA SILVICULTURA: O PRESENTE E O FUTURO!

A silvicultura brasileira, de tempos em tempos, apresenta características ou modismos, que deixam marcas interessantes. São referências que ficam na história do setor! É fácil, se ouvir dizer: – “ lá na época dos incentivos fiscais”; – “quando começou a preocupação com sementes melhoradas”; e por aí vai….

De uma forma ou outra, sempre foram marcas que mostravam novidades tecnológicas, que foram enriquecendo a silvicultura. E agora? Quais as marcas da silvicultura dos tempos atuais? Há muitas surgindo e muitas se consolidando. Quais marcarão época? Seria o processo de certificação? O manejo para uso múltiplo das florestas de eucalipto? Um repensar na utilização de clones? Os desajustes dos programas de fomento? A valorização dos aspectos socioambientais? Os grandes negócios com ativos florestais? Os novos investidores envolvidos com florestas? As novas indústrias e os estoques indefinidos de madeira? As perspectivas das novas fronteiras? Seriam algumas dessas marcas ou seria a soma de todas elas? Essas interrogações levam a questionamentos inevitáveis! E a silvicultura está sendo enriquecida com essas novidades? E vai continuar competitiva?

Há preocupações para todos: para os profissionais da silvicultura, para os grandes produtores, para investidores e especialmente, para os médios e pequenos produtores independentes! As palavras de ordem são: diminuir custos, cortar isso ou aquilo, paralisar programas de plantio, diminuir a produção de mudas, etc. A silvicultura está sendo desacelerada! Essas mudanças podem impactar os estoques futuros?

Há muitas dúvidas, mas com certeza, sejam quais forem as referências predominantes, os reflexos futuros virão e afetarão a todos: produtores e consumidores! Problemas de curto prazo numa atividade de longo prazo podem criar problemas imensuráveis! A madeira que sobra hoje, e é vendida “a preço de repolho”, segundo o Engº Balloni, afeta toda a cadeia de produção no presente, e afetará também no futuro. Só não dá para imaginar em que intensidade. Os produtores vão se afastando, e não se planta mais nada!

E quanto vai custar, lá na frente, a madeira que não existirá? São registros discutíveis e que merecem reflexão. Muito mais, por parte daqueles que brigam por uma silvicultura sustentável!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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MANEJO DE FLORESTAS DE EUCALIPTO PARA MADEIRA DE SERRA  

 

O manejo das florestas de eucalipto para produção de madeira de serraria é uma alternativa excelente para os produtores  florestais. Mais recentemente, em função inclusive da dificuldade de se vender a madeira  para processos industriais – celulose, siderurgia e chapas – tem aumentado, sobremaneira, o interesse pelo manejo, procurando- se alternativas para se evitar  a venda da madeira. E se agregar  valor às florestas que não estão sendo colhidas.

O manejo de florestas para  produção de madeira de serraria exige conhecimentos técnicos e muita experiência.  Não se recomenda qualquer iniciativa sem orientação  profissional. Nesses casos, o erro  é irreversível.   De forma bastante simples e informativa, seguem algumas considerações que, obrigatoriamente, precisam ser  seguidas:

1-Proximidade de mercado

É importante conhecer o mercado da região. Embora se conheça casos em que a madeira para serra  esteja sendo transportada  a mais de 300 km, é interessante que esse custo de transporte, quando reduzido, possa ser  agregado  ao valor da madeira. Normalmente, próximo às grandes cidades ou regiões   é uma localização privilegiada. Mas  de qualquer forma, é bom  enfatizar que  o transporte  de produto valorizado  é  sempre mais conveniente.

2- Qualidade da floresta a ser manejada

É interessante que sejam  manejadas as florestas de boa produtividade e que tenham sido resultado de boa implantação, com as adubações adequadas, sem pragas e doenças e principalmente que se tenha conhecimento das características da madeira.  Diferentes clones e espécies  podem apresentar madeira com qualidades indesejáveis para serra. O produtor deve conhecer as características físicas e mecânicas da madeira que vai ser produzida. Outro aspecto importantíssimo  é a  idade da floresta. Plantar com o objetivo de se manejar para serraria e adotar o manejo numa floresta implantada para outros fins são coisas bem distintas. Essa mudança de rumo num empreendimento florestal depende de inúmeras avaliações técnicas para se determinar os procedimentos adequados. Na verdade, cada caso é um caso para ser discutido, mas sempre haverá oportunidade de se agregar valor à floresta.

3- Capacidade produtiva do solo

O solo tem uma capacidade produtiva limitativa. Em solos muito pobre em nutrientes  sempre se consegue melhorar a produção, mas é importante se conhecer a capacidade produtiva do solo para que se tenha uma relação custo-benefício satisfatória com respeito ás adubações complementares. A madeira de eucalipto para serraria deve alcançar diâmetro – DAP – acima de 40 cm. Árvores com diâmetro inferior também podem ser aproveitadas,  mas com valor comercial inferior.

4- Acessos e topografia

É muito importante que os acessos e a topografia facilitem o trânsito de caminhões pesados para o transporte da madeira. Da mesma forma em topografias acidentadas o trabalho de colheita fica muito dificultado. Todas essas dificuldade  encarecem os serviços e refletem negativamente no valor da madeira.

5-Treinamento da mão-de obra executora

O manejo da floresta de eucalipto vai sempre exigir desbastes periódicos e desrama das árvores que serão mantidas em pé. Embora todos os trabalhos sejam feitos mediante indicadores técnicos, o treinamento da mão – de-obra de campo é fundamental. Os erros cometidos nessas  intervenções podem comprometer significativamente a qualidade da madeira e consequentemente o valor comercial. E todo o cuidado deve ser observado com respeito  à segurança do trabalhador, pois é comum o uso de ganchos, facões e escadas para facilitar o trabalho

6- Procedimentos  operacionais

Os procedimentos básicos compreendem os desbastes e a desrama das árvores.

6.1- Desbastes – O tempo para o desbaste para depender da possibilidade de se aproveitar o material retirado, mas fica sempre entre 4 a 7.  Idades menores dificultam o aproveitamento da madeira retirada. Essa primeira intervenção pode ser seletiva – escolhendo as árvores com algum problema e de menor desenvolvimento e normalmente chega a 30 a 40 % das árvores plantadas. Se a floresta é bastante homogênea essa intervenção pode ser sistemática – elimina – se completamente linhas para facilitar a retirada. Deve-se definir a sistematização procurando – se manter  de 30 a 40% da população. Outras intervenções devem ser feitas  entre 9/10 anos, procurando-se retirar mais 30 a 40 % da população original e da mesma forma – seletivo ou eventualmente alguma sistematização. Sempre considerando-se  a distribuição das plantas na área plantada e deixando-se para completar o ciclo ,cerda de 250 a 300 árvores por hectare. Para exatidão desses números e eventuais acertos é imprescindível o acompanhamento profissional com dados de inventário, curvas de crescimento, etc.

6.2- Desrama – Trata-se de operação cuidadosa e normalmente pode ser iniciada, até  por ocasião do primeiro desbaste. Neste caso, procura-se identificar cerca de  20 a 30% das árvores que também deverão permanecer até  final do ciclo. Deixa-se  algumas árvores a mais para que haja possibilidade de eventual seleção  em eventuais desbastes. A  desrama deve ser feita até á altura de 2/3 da copa. Quanto maior for a altura que se conseguir mante o tronco desramado maior  será a possibilidade de se obter madeira de melhor qualidade.

7-Acompanhamento técnico e comercial

Todo esse trabalho de manejo precisa ser planejado de acordo com os inventários de campo – quantitativo e qualitativo e as curvas de crescimento da floresta. Sem esses instrumentos corre-se grande risco de se cometer erros significativos. O manejo de florestas de eucalipto para serraria para que  se consiga ,de fato, sucesso na quantidade e qualidade da madeira exige acompanhamento de profissionais capacitados. O valor de venda da madeira de qualidade é significativamente maior. Para que todos  os melhoramentos técnicos sejam agregados ao produto e para que haja o devido reconhecimento comercial o acompanhamento técnico também se torna necessário, tanto para verificações quantitativas ,quanto para caracterização adequada da madeira.

8- Valores de mercado e empresas executoras dos serviços

Atualmente – agosto/2016 – há muita procura por madeira de eucalipto para serraria e o valor do metro cúbico em pé  gira em torno de R$ 200,00. Esses valores apresentam grandes variações em função da localização, mercado, etc. Uma árvore com 15 anos de idade, bem manejada e em  boas condições de crescimento pode atingir mais de 2 metros cúbicos. Equivalendo, portanto,  a cerca de R$ 400,00 por árvore. Considerando que se tenha deixado  300 árvores/ha,   a receita seria de R$  120.000,00 por hectare! Há inúmeras empresas comercializando áreas florestais para serem desenvolvida s e empresas especializadas  na gestão de empreendimentos de florestas para manejo.

 

Alexandre Tadeu  Barboza Leite – Diretor da Teca Serviços Florestais – tecaflorestal@uol.com.br

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CONSIDERAÇÕES DO EX-MINISTRO JOSÉ CARLOS CARVALHO    

 

Em meio  às inúmeras manifestações de preocupações com respeito aos compromissos assumidos e ratificados pelo Governo do Brasil,  em Paris, na Convenção do Clima, a Comunidade de Silvicultura recebeu  mensagem muito oportuna de nosso amigo e ex-Ministro José Carlos Carvalho. Com muita honra e satisfação, compartilhamos com nossos amigos. Imperdível para reflexão de todos, que lutam pelo fortalecimento da silvicultura  brasileira! Caro amigo e sempre Ministro, a Comunidade de Silvicultura  orgulhosamente  agradece!

 

“Prezado Nelson Barboza Leite, você coloca uma questão crucial relativamente ao setor florestal, especialmente na área de restauração, através da silvicultura, que não está sendo percebida adequadamente, a não ser pelas lideranças diretamente envolvidas nesse tema. É importante destacar que não é crucial apenas para as atividades florestais, longamente relegadas a plano secundário nas políticas públicas brasileiras, mas, também e sobretudo, para honrar os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris. As pessoas comuns não se deram conta, ainda, que a NDC brasileira, que equivale às metas do Acordo, está praticamente ancorada no setor florestal! Isto é, foi atribuída ao setor florestal brasileiro a responsabilidade de liderar os esforços que iremos fazer para reduzir e mitigar as emissões dos gases de efeito estufa – GEF. Isso ocorrerá, como sabemos, de duas maneiras: i) a restauração de 12 milhões de hectares de florestas e ii) a redução de desmatamento na Amazônia e em outros biomas. Há, ainda, o plantio de florestas na outra meta de recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, sendo parte com projetos de integração lavoura-pecuária-florestas. Além disso, temos pela frente as obrigatoriedade de cumprir a nova lei florestal, que vai exigir nos próximos anos o esforço hercúleo de plantio de mais de 25 milhões de hectares de novas florestas para recompor APP e RL, sem contar os esforços de plantio para atender as demandas de natureza econômica, a depender dos cenários prospectivos em face da deplorável situação econômica brasileira. Em cumprimento à nova Lei Florestal, o País vem executando o Cadastro Ambiental Rural, através do qual estamos conhecendo de forma pioneira o passivo ambiental das propriedades rurais em relação à supressão histórica da vegetação, especialmente das florestas. É importante louvar o trabalho do SFB nessa esfera. Todavia, não podemos ignorar a inércia do governo e da sociedade quando se analisa as iniciativas a serem tomadas para organizar os meios de implementação da Lei Florestal, via os PRA, e toda a grande e inadiável estruturação das medidas para executar e cumprir as metas estipuladas na NDC apresentada ao Secretariado da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, no âmbito do Acordo de Paris. Não consigo entender a “tranquilidade” com que estamos lidando com essa questão, quando lembramos que teremos que reflorestar e recuperar por meio de regeneração 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Nada, absolutamente, nada está sendo feito em áreas vitais para cumprir essa meta, destacando: rede de coleta de sementes, infraestrutura de produção de mudas e serviço de assistência técnica. Temos um extraordinário desafio e uma oportunidade única, diria até que essa realidade gerou uma “oportunidade compulsória” para a silvicultura brasileira. Creio que competência profissional não nos falta, mas teremos que conceber uma política florestal que responda a esses desafios, baseada nos novos conceitos atrelados às florestas, principalmente à multifuncionalidade do setor e, mais uma vez, refundar as nossas instituições florestais, aniquiladas pela ambiguidade que tem dominado o setor, pela complexidade do pluralismo de sua concepção, pelas incertezas do governo e pela crônica apatia do setor privado florestal brasileiro.”

 

 

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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