A FALTA DE INFORMAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS!

 

A silvicultura brasileira, que avança na direção da sustentabilidade, apresenta algumas carências estratégicas que precisam ser reparadas. Fala-se muito de milhões de hectares plantados e, vez ou outra, são feitos comentários sobre as produtividades. Há, até, ousadas considerações mostrando sinais de queda na produtividade. Ninguém se atreve, no entanto, a discutir os estoques de madeira declarados pelas empresas. E quase nada se fala, a respeito dos impactos negativos decorrentes de pragas, doenças, inadaptação genética, deficiências nutricionais, etc. E há informações de “ barbeiragens silviculturais” inaceitáveis!

No momento, temos um exemplo típico, em que a falta de informações pode dificultar a tomada de importantes decisões. Em algumas regiões, a silvicultura brasileira esteve diante de grande e preocupante período de seca. E ficou a indagação: qual foi o impacto dessa seca de 2015/2016 nos estoques de madeira das florestas plantadas e nos plantios realizados? Há dúvidas para todos os gostos: qual o tamanho da área afetada; quanto morreu; quanto deixou de crescer? Não há respostas! E essas situações tem tudo a ver com a sustentabilidade da silvicultura, com os estoques das indústrias, com investimentos e com os produtores florestais. Que a cadeia de produção foi impactada poucos duvidam, mas ninguém se atreve a dimensionar o estrago! Há informações de que grandes áreas foram perdidas, e muitas tiveram o crescimento(ICA) do ano zerado, e por aí vai…

E o assunto não se tornou uma encrenca de grandes proporções pela abundância de madeira de mercado, e até porque ninguém quer mostrar o seu problema, isoladamente. Fica a impressão, à semelhança dos casos de pragas e doenças, de que há alguma falha técnica no processo produtivo! Os problemas surgem e cada um, em seu canto, curte o problema, isoladamente. Essa auto defesa inibe um melhor entendimento das ocorrências, além de impedir que medidas corretivas sejam adotadas. No caso da seca, os estados mais afetados, segundo notícias circulantes, foram Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Goiás, Espírito Santo e áreas pontuais do Maranhão. Fala-se em milhares de hectares afetados – da morte à paralisação de crescimento. São milhões de metros cúbicos de madeira que deixarão de existir.

A silvicultura brasileira precisaria ter mecanismos, que pudessem avaliar com certa precisão danos dessa natureza. São problemas que impactam toda a cadeia de produção e seria de extrema importância, que existissem alertas confiáveis para indicar as correções necessárias. Se a silvicultura quer ser sustentável precisaria contar com instrumentos de avaliação, que permitissem ajustes e correções, em momento adequado. A falta de informações cria enormes dificuldades a produtores, investidores e consumidores! A agricultura é bastante precavida, e imediatamente, após qualquer intempérie, anuncia-se o resultado do impacto. Pode-se até dizer que a rapidez da informação, se dá por se tratar de comida. Mas a silvicultura é base para ampla cadeia de produção, e a falta de ajustes , no curto prazo, pode trazer, no longo prazo, significativos transtornos econômicos, ambientais e sociais.

Fica o registro e uma interrogação indigesta aos profissionais preocupados com a sustentabilidade da silvicultura brasileira!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE 2016 VAI DEIXAR PARA SILVICULTURA BRASILEIRA?

 

 Estamos em dezembro e essa pergunta é inevitável!    Empresas, investidores, pesquisadores, enfim… fica  a interrogação para todos!  De bom?  As grandes empresas do setor de celulose, apesar  da choradeira,  vão se ajeitando, comprando, ampliando , crescendo. Grandes negociações. Realmente o setor com muita competência avança! Sem exceção, todos crescem. É muito bom para a silvicultura! Já o setor de chapas e madeira processada, exige mais luta. Esse mercado é mais sensível às crises internacionais. Ainda de bom e de novo: a madeira como alternativa energética continua  firme, mas  poderia estar mais  forte!  As reuniões do Clima, lá fora, animaram o ambiente. Aqui dentro, por enquanto, muita falação e pouca fazeção!

 

Mas essas novidades trazem muita esperança e podem transformar a silvicultura brasileira!  De mesmice, temos o Programa Nacional de Florestas Plantadas, que não dá nenhum sinal de vida e sobre  a silvicultura no Ministério da Agricultura, ninguém sabe dizer o que aconteceu! Grandes empreendimentos? Nenhum.  A siderurgia, vai mal, muito mal! Muitas florestas e nada.  Uma pena, e muito ruím para a silvicultura.  E quanto aos fomentados e o preço da madeira? Há sinais, de que  algumas empresas estão tratando muito bem seus fomentados.  

 

São exceções dignas de festejos, pois a grande maioria continua alimentando uma incansável choradeira. Avanços tecnológicos expressivos, mas o feijão com arroz, quando bem feito, ainda é o rei da produtividade! A sacola com as mercadorias antigas continua do mesmo tamanho – financiamento só em discursos, os remendos da legislação do mesmo jeito, e de  políticas públicas tão solicitadas, nem se fala. Uma seca inesperada e prolongada quase  zerou o crescimento anual das florestas  em muitas regiões. Quando não matou, deixou marcas .

 

 As pragas deram sinais de agressividade. E as reduções generalizadas para baixar custos,  começaram  a mostrar os sintomas de maus tratos.  Tem ajudado, os menos cuidadosos, a  super oferta de madeira  de algumas regiões. Paga-se fortuna pelas andanças quilométricas ,mas não se peita a reprogramação da produção florestal. Sabe-se que esses acertos serão inevitáveis, a médio e longo prazo. Mas lá na frente, é lá na frente!  

 

Enfim, alguém pode dizer  que foi um ano difícil para todos. Dá até para entender, mas a madeira que não foi produzida este ano, não há como repor. Vamos esperar que as perdas não tenham sido significativas e que tenhamos força para recuperar em 2017.  Não dá para acreditar que o Papai Noel  vai trazer soluções para os grandes problemas que se arrastam, há anos, mas não dá para deixar que as  novidades  sejam colocadas  na mesma sacola dos entulhos antigos .

 

Como dizia um velho amigo silvicultor : “a natureza é a nossa grande aliada, já pensou se os nossos governantes dessem uma mãozinha?”

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A PRODUTIVIDADE PREOCUPA, E MUITO!

 

Os dados históricos do setor mostram que a silvicultura brasileira teve um grande salto na produtividade, nos últimos 30 anos. Cantada em prosa e verso, fala-se em avanços próximos de 50 % nesse período. Saímos de algo perto de 30 e se fala em 40 – 45 metros cúbicos/ha/ano. Há quem fale em 50, no entanto, dados de setores produtivos, discretamente, até apontam para um decréscimo na produtividade dos últimos anos. Com todo esse jogo de números fica uma tremenda interrogação: nossa produtividade está estagnada? pode aumentar ou está sendo impactada por inúmeras adversidades e tende a diminuir? Embora o assunto não esteja na ponta das discussões, parece que a preocupação já bateu na porta de muitas empresas.

E surgem várias justificativas, mas o assunto não tomou de “assalto” o setor, em face da enorme quantidade de madeira, que ainda sobra em muitas regiões. Só que sobra em regiões, onde o consumo está em baixa. Esse contexto, onde oferta e demanda não se cruzam, não tem nada a ver com a produtividade, mas afeta significativamente a competitividade da madeira. É fácil de se entender a acomodação dos consumidores: antes de se enfrentar a queda da produtividade com uma reorganização da programação operacional, busca-se a quilômetros de distância aquela madeira vendida a “preço de repolho”. Afora, esses exercícios de longa distância, fica uma grande dúvida a ser esclarecida: o que está acontecendo com a produtividade de nossas florestas? Da mesma forma, temos muitas justificativas bem elaboradas, mas não se tem notícia objetiva, de onde foi parar a madeira que não existiu! Serão os ataques de pragas e doenças? Será o impacto dos períodos de seca no incremento corrente anual (ICA)? Será a pobre performance de materiais genéticos inadequados? Ou a redução generalizada de custos?

De certo, fica a constatação: a diminuição da produtividade!
Há quem diga que essa diminuição da produtividade, aliada aos apagões florestais de algumas regiões, parece ser a luz no fim do túnel, que vai recolocar as decisões florestais na mesa das discussões estratégicas dos grandes consumidores! Isso muda muito a posição simplista dos setores florestais das empresas. Vão ser mais valorizados e deixarão de ser apenas , disciplinados supridores de madeira pelo mais baixo custo. Com essas mudanças, talvez se consiga somar alta produtividade e competitividade da madeira. E assim, a silvicultura retoma a importância estratégica, que há muito deixou de representar nos grandes empreendimentos consumidores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.brpost-46

 

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INCENTIVOS FISCAIS: RIQUEZA DE LIÇÕES DE VIDA!  

 

No período em que  trabalhamos como Diretor de Reflorestamento, do IBDF, entre  os anos de 77 e 79,  tivemos oportunidade de passar por momentos especiais.   Problemas, soluções, desafios, contribuições,  curiosidades, abusos, ousadias, encrencas, enfim….. de tudo. Daí, muitas lições de vida e para a vida.  Merecem registro e dão uma boa idéia  das trilhas seguidas pela silvicultura para chegar até onde estamos! Seguem relatos interessantes de  enorme  lista de momentos especiais;

  • Visitas que resolviam….

Durante o período em que estivemos à frente do Departamento de Reflorestamento do IBDF, juntamente com a equipe de colaboradores, tivemos oportunidade de passar por momentos de grandes emoções…. De vez em quando, fazíamos  incertas em empresas reflorestadoras, sempre  por conta de alguma polêmica ou  comportamento duvidoso! Incrível, como as desconfiadas premissas sempre se confirmavam. Numa dessas incursões, fomos bater no Norte de Minas, nas proximidades de São João do Paraiso. Uma grande empresa lamentava o fato de termos diminuído significativamente seu programa por conta de atrasos em seus plantios. Uma das alegações da empresa era o grande investimento feito na aquisição de toneladas de sementes melhoradas – na ocasião, nem se cogitava  de  produção de mudas clonadas. Fomos fazer uma visita à região e aproveitamos para visitar o viveiro da referida empresa.

A  chegada de surpresa , com certeza, facilitou o “ flagra” e não deu chance para  ousadas artimanhas. Pegamos, de fato, no viveiro um estoque com mais de 10  toneladas de sementes e sem nenhuma identificação, que comprovasse qualquer qualidade superior! Não houve dúvida! Quando  perguntaram a respeito do que tínhamos achado do viveiro, nem demos chance para qualquer  desculpa : “ uma  porcaria!” e completamos :” a empresa deveria queimar  toda essa semente”. Alguns minutos  depois, estávamos diante de  tremenda fogueira, em pleno dia! Essa  empresa, de grande peso político, depois de alguns anos, se tornou  uma grande encrenca para o IBDF!

2-Um Diretor de m….., fechou minha empresa!

Foi exatamente assim, que ouvimos de um “ meio conhecido”, numa festa de aniversário familiar, quando perguntamos a respeito do andamento de seus negócios . A resposta foi clara: “as coisas iam muito bem, mas de repente um Diretor de m…. do IBDF fechou minha empresa”. O “meio conhecido” nem desconfiava, que o tal Diretor, estava na frente dele. Não demos bola e continuamos: “o que sua empresa fazia?” e a resposta, bem redonda, não deixou nenhuma dúvida, a respeito do  típico “picareta de ïncentivo fiscal”: “fazia projeto de palmito  com incentivos fiscais, no meio dos palmitais da Serra do Mar”!  E continuou todo desafiador: “quero ver se vão ter coragem de acabar com o babaçu?”. O moço não conhecia o pacote publicado. Foi difícil, mas conveniente, segurar a pergunta : “de que lado estava a merda?”

  • O grosseiro sinal do fim dos incentivos fiscais

Algumas experiências da vida nunca se apagam da memória! Numa mudança de ministros do Governo Figueiredo, encontrei-me no Aeroporto de Brasília, na sala de embarque, com o nosso amigo Leo Chueri, na ocasião, grande empreendedor e entusiasta do setor de reflorestamento. Na mesma sala, encontrava-se enorme e animado grupo da moçada  de S.Paulo, vindos para posse do Ministro da Agricultura – Prof. Delfim Netto.  O Leo Chueri tinha ótimo contato com o pessoal e prevendo que essa turma ia questionar o incentivo fiscal, correu apresentar-me a um forte  candidato a assessor do Ministro.

O fato de ter sido Diretor de Reflorestamento, segundo o Leo, credenciava-me para uma conversa a respeito de assunto que parecia tão desconhecido para o “ilustre”, que chegava.  Antes de qualquer formalidade fui indagado, seguidamente: “ Ah, você trabalhou no IBDF? Ah, então você conhece  a história dos incentivos fiscais? Ah, que bom… então, me defina os incentivos fiscais com duas palavras!  Antes, que eu imaginasse qualquer resposta, o “ilustre” tascou : “ uma merda”. Não falei nada e nem deu tempo para qualquer explicação do desapontado Leo. Saímos boquiabertos, e  comentamos – “ parece que está morrendo os incentivos fiscais para o setor”.

Não erramos. Durou o suficiente para que  se armasse o cenário com as devidas justificativas ! Só lembrando: era muito simples fazer isso ou aquilo, mas foi muito simples também, acabar com  a política pública, que contribuiu significativamente para o crescimento da silvicultura brasileira! E,até hoje, estamos esperando alguma coisa no lugar!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CONTRIBUIÇÕES RÁPIDAS E SEM BUROCRACIA!

 

Na conversa que tivemos com o Eng. Jose Luiz Vivas, um dos membros da equipe de trabalho do Departamento de Reflorestamento do antigo IBDF, lembramos  de medidas ousadas adotadas na época.  Para muitos, pareciam impossíveis de serem adotadas.

Contrariamente, ao que todos temiam, os resultados foram maravilhosos. E isso só possível com o apoio e  colaboração de toda a equipe, além de  sugestões de inúmeros  profissionais das boas empresas.  Em reuniões  objetivas, as decisões eram transformadas em Instrução Normativa e aplicadas imediatamente.

A Dra. Marialva dava o retoque jurídico, pegava-se a autorização do Dr. Paulo Berutti – nosso saudoso presidente, que nunca colocou qualquer  objeção às  nossas sugestões, e pronto! E assim foram resolvidas questões, que mudaram o setor. Vejam os assuntos, oportunamente, lembrados pelo  Eng. Vivas  e que foram definidos na ocasião;

  • Uso de sementes melhoradas. Não houve a menor resistência. Todas as empresas aderiram e o resultado altamente significativo. A contribuição de brilhantes profissionais, das instituições de pesquisa e o exemplo dado pelas boas empresas foram decisivos no sucesso;
  • A troca do plantio de 1% de espécies nativas por conservação de 10% de florestas nativas. Aqui, cabe um agradecimento  à sábia sugestão da Dra. Maria Thereza Jorge Pádua;
  • O uso obrigatório da adubação e calagem. Sem resistência, mas com algumas discussões e reuniões técnicas. A fiscalização de campo exigiu mais atenção;
  • A desobrigação de se queimar as leiras. Foi só deixar de se considerar como rotina operacional do projeto incentivado. O absurdo era tamanho, que não houve nenhuma contestação;
  • A exigência de se ter um engenheiro respondendo pelas atividades operacionais. Essa talvez tenha sido a maior contribuição para valorização dos profissionais. Exigia-se a presença do responsável técnico para discussão de assuntos do interesse da empresa. Era o fim dos escritórios só para assinatura de projetos;
  • A classificação das empresas em função da situação dos projetos e qualidade das florestas. Essa classificação desbancou muitas empresas tidas como exemplares! Promoveu-se a valorização dos trabalhos de campo e o “universo do silvicultor” de bota, sol e barro;
  • A extinção de incentivos a projetos de fruticultura. Sem nenhum “pio”. Foi só proibir e sumiram os projetos de laranja, de abacate, de babaçu, dentre outras.

E essas novidades eram vistoriadas, especialmente, nas visitas que o Departamento de Reflorestamento passou a fazer às diversas regiões, em que se concentravam os grandes empreendimentos. Visitas cheias de surpresas, curiosidades e lições profissionais. Dá um livro!

Outro aspecto importante na tomada de decisões era a consulta informal, que se fazia junto às empresas de primeira linha e às instituições de pesquisa do setor. O processo nascia e  ficava valendo, através  de  Instrução Normativa, em menos de 10 dias!

Para nossa satisfação, há muita gente que acredita que foram essas medidas, sem nenhuma frescura e burocracia, que deram qualidade a muitas florestas incentivadas e promoveram a necessária e seletiva varrida no setor! Foi um grande esforço para valorizar o uso da tecnologia e a participação dos profissionais nas empresas.  A silvicultura  conseguiu significativos ganhos! Tudo com simplicidade e sem burocracia! Há de se destacar o irrestrito apoio que o Departamento de Reflorestamento contou do saudoso Presidente do IBDF – Dr. Paulo Berutti e do respeitável Ministro da Agricultura – Alysson Paulinelli.

E sem a disposição e colaboração das boas empresas e de empresários exemplares, nada aconteceria!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SERÁ QUE TROCAMOS 6 POR MEIA DÚZIA?

Essa é a dúvida, quando se comenta a” troca de casa” feita pela silvicultura. Saiu do Ministério do Meio Ambiente, onde se dizia sem apoio e foi parar no Ministério da Agricultura. E não dá nenhum sinal de vida . Um amigo, brincou : ” Floresta plantada é AGRO… é TECH…, pelo menos foi parar no comercial milionário da GLOBO ”. E o que mais? Aparentemente, mais nada! E precisaria de alguma coisa? Segue uma relação de assuntos, que têm tudo a ver com a silvicultura e que poucos conhecem o encaminhamento que está sendo dado!

1-Como ficam os compromissos governamentais assumidos na Convenção do Clima! Quem vai mostrar os rumos a serem seguidos?

2- O que fizeram com o Programa Nacional de Florestas Plantadas? Esteve para ser apresentado e sumiu. E mais nenhuma notícia!

3- E a madeira como alternativa energética? Quem está defendendo? Parece que a Frente Parlamentar de Silvicultura está avançando. O Legislativo está fazendo o seu papel , e o Executivo?

4- Onde andam as pesquisas com nossas espécies nativas? Programas de recuperação, bacias hidrográficas degradas, etc. Quando vamos poder contar com as pesquisas de nossas espécies nativas?

5- E os plantios de pinus na região sul? Não se planta mais? Como fica a cadeia industrial que depende dessa madeira? E o que fazer com a madeira de desbastes?

6- E essa sobra de madeira num lugar e a falta em outro? Quem vai discutir essa encrenca? Ou não se discute!

Infelizmente, o nosso amigo, que ficou admirado com um texto anterior cheio de interrogação, vai ter que nos perdoar. Segue outro. É o fim da picada!
Mas é bom registrar para reflexão o que ouvimos de um grande amigo e experimentado silvicultor:
“ o produtor rural está sempre a pé, e não seria diferente com o produtor florestal ” e completou : “ com madeira à vontade e a preço de “repolho” os grandes consumidores, que politicamente mandam no setor, vão se incomodar?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SEM BUROCRACIA, MUDOU-SE A HISTÓRIA!

 

No final da década de 70,quando assumimos a Direção do Departamento de Reflorestamento do extinto IBDF, demos “de cara” com mais de 5.000 cartas-consultas, de cerca de 2000 empresas, totalizando pedidos para se reflorestar mais de 3 milhões de hectares! Esse era o tamanho da encrenca. O orçamento do ano previa plantio de no máximo 350.000 ha e mais as manutenções de anos anteriores. Pressão política no Ministro, no Presidente do IBDF, em toda a turma do Departamento. Conversas atravessadas e fuxicos de todos os lados, alimentados pelo afastamento repentino do Diretor anterior!

Depois de alguns dias, tivemos a felicidade de identificar os profissionais com os quais poderíamos contar e com pouca conversa e sem nenhuma burocracia estabelecemos as prioridades a serem seguidas: separamos todas as empresas com atraso em seus programas e a encrenca foi reduzida a 30% do total. Das empresas afastadas, ainda selecionamos todas que estavam com programas com mais de 2 anos de atraso. E solicitamos ao nosso jurídico, que tomasse todas as medidas cabíveis. Foram canceladas mais de 1000 ( hum mil) empresas! Naquele ano, mais de 60% do programa foi destinado às empresas, que de fato, construíram a silvicultura brasileira. Quem trouxe essas recordações foi o Eng.Florestal José Luiz Vivas, um dos colaboradores, que contribuiu ativamente na organização e efetiva execução dos trabalhos. Tudo de forma bem simples, sem frescura e sem burocracia!

Não poderíamos deixar de mencionar os nomes dos demais colaboradores: Pedrosa, Carlito, Marialva, Carlos Ribeiro, Maurício e a coordenadora de toda a informatização processual – nossa cara Blanca. As medidas adotadas, naquele momento, devido à seriedade e transparência dos critérios utilizados, contribuíram sobremaneira para um controle mais eficaz dos projetos apresentados pelas empresas selecionadas. E novas providências foram adotadas, nos anos seguintes, possibilitando significativas melhorias na qualidade técnica dos plantios e mais tranquilidade para que as boas empresas pudessem desenvolver suas atividades.

Muitos profissionais, que já atuavam naquela época, reconhecem que foram essas medidas simples, práticas e sem burocracia, que deram melhor direcionamento aos incentivos fiscais para reflorestamento. Ao Eng. Vivas cabe nossos agradecimentos pela lembrança dos redobrados esforços daquela brilhante equipe de profissionais!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS GRANDES SILVICULTORES – WALTER DE PAULA LIMA
O Prof. Walter de Paula Lima pode ser considerado como o grande precursor dos estudos científicos abordando o problema de água nos plantios florestais, especialmente com florestas de eucalipto. Possui livros e centenas de trabalhos científicos publicados em revistas brasileiras e internacionais. Incansável pesquisador e grande formador de profissionais. Um apaixonado por trabalhos, que mostram a importância de se integrar a proteção e conservação das bacias hidrográficas às práticas rotineiras da silvicultura. Tem participado em reuniões internacionais e defendido cientificamente a possibilidade de se produzir madeira respeitando-se os valores ambientais das áreas de plantios. Tem dado enorme contribuição nas discussões, que tratam das questões de água, sua proteção e conservação. Tem sido grande defensor da silvicultura de alta produtividade ,mas com foco nos procedimentos, que não ponham em risco os recursos hídricos. Segundo o Professor , “ essa é a forma de se somar nobreza à silvicultura de alta produtividade”.

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo (1968), mestrado em Agronomy pela Ohio State University (1971), doutorado em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo (1975) e pós-doutorado na CSIRO, Divisão de Pesquisas Florestais, Austrália (1982) e no Institute of Ecology and Resource Management, Universidade de Edimburgo, Escócia (1992). Atualmente é Professor Sênior junto ao Departamento de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo, Editor-Chefe da Revista Scientia Forestalis e Coordenador Cientifico do Programa Cooperativo de Monitoramento Ambiental em Microbacias do IPEF (www.ipef.br/promab). Tem experiência na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Conservação de Bacias Hidrográficas, atuando principalmente nos seguintes temas: manejo de microbacias, conservação da água, impactos hidrológicos e sustentabilidade hidrológica no manejo de florestas plantadas.

Segundo o seu discípulo, o Professor Silvio Ferraz : “ O Prof. Walter, além de seu grande conhecimento científico, realmente deve ser considerado um verdadeiro Mestre, por sua simplicidade e generosidade, que lhe permite compartilhar conhecimentos caríssimos em um simples bate-papo. É uma honra e um privilégio conviver com ele, que sem dúvida, soma nobreza à carreira acadêmica”.

A Comunidade de Silvicultura, rende –lhe os mais respeitosos cumprimentos pelos memoráveis trabalhos publicados, pelos brilhantes profissionais orientados e pela enorme “bagagem” de conhecimentos científicos, que enriqueceu a silvicultura brasileira e tem permitido discutir com legitimidade as questões da água em florestas plantadas.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A CERTIFICAÇÃO FLORESTAL PODERIA AJUDAR!

 

Não há quem negue a extraordinária contribuição que a certificação florestal prestou à silvicultura brasileira. Transformou em rotina inúmeras ações e procedimentos, que antes eram considerados “luxos de engenheiro”. Os aspectos sociais e ambientais passaram a participar do orçamento anual, com relatórios, objetivos definidos e metas. Foi um passo importante para dar nova imagem à silvicultura.

E quem acompanhou a implantação dos sistemas de certificação, as discussões para sua constituição, estruturação e mais um punhado de regras, sabe que tudo isso foi criado e desenvolvido, em grande parte, por abnegados profissionais brasileiros com o objetivo de enriquecer e dar legitimidade a nossa silvicultura. O lema era: precisamos mostrar ao mundo, que produzimos e somos competitivos com tecnologia e respeitando os aspectos sociais e ambientais que envolvem toda a atividade.

Com muita sabedoria criaram-se procedimentos e deram-se à certificação as competências necessárias para proporcionar os devidos melhoramentos. À época, com a certificação, as grandes questões estavam contempladas! Nos dias atuais, no entanto, há sérios problemas que fogem da competência que fora estabelecida, lá atrás! Se as discussões se dessem no atual momento, com certeza, muitas questões relacionadas ao fomento, terceirização e avanços tecnológicos, dentre outras questões, não deixariam de ser devidamente contempladas.

E, é lógico, com as devidas precauções e para enriquecer a silvicultura! E aí, fica a dúvida : não seria mais conveniente, abrir-se o leque das atribuições da certificação e incluir essas questões, tão importantes, nas regras vigentes? Ou vamos esperar que novos sistemas sejam criados para conferir a aplicação de princípios elementares para sustentabilidade da silvicultura brasileira? É mais barato, mais rápido e não vai exigir mais burocracia!

Só não dá para continuarmos ouvindo que a empresa a, b ou c com tantas certificações, ainda continua adotando procedimentos injustos e desrespeitosos com seus fomentados, com seus terceiros ou que pode ser impedida de aplicar esse ou aquele avanço tecnológico por restrições do processo de certificação!

 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

Para leitura rápida e reflexão!

 

  • Reunião de Executivos do Painel Florestal!

Dia 27 de Outubro de 2016, o Painel Florestal reuniu grande  grupo de  profissionais para conversar sobre o setor. Foi um sucesso e os destaques  foram:

– o preço da madeira foi a “Geni” da tarde!

– muitas novidades técnicas. Continuamos  avançando na tecnologia!

– A Frente Parlamentar de Silvicultura com informações interessantes: licenciamento, madeira  para energia e  terras para estrangeiro sob condições determinadas. A política está andando….

– A inexistência de estrutura institucional no Governo Federal vai sendo sentida! Quem vai tocar as conquistas, que os políticos estão conseguindo? Legislativo não executa!

– Ouviu-se  sinais de que “fantasmas” estão de volta! Proibição do plantio de eucalipto em regiões tradicionais do Espírito Santo. Assunto para ser tratado sem “conversa mole”!  Recado estratégico para os silvicultores!  Forte sinalização, de que continuamos atrasados em “nossa comunicação institucional”. Ainda, estamos falando com os silvicultores  de  dentro da casa!

– Parabéns ao Painel Florestal  pelo sucesso da reunião. Trouxe  recordações das reuniões conjuntas do IPEF, da SIF, nos anos 80/90,quando as discussões pegavam fogo e todos os participantes saíam enriquecidos com a quantidade de informações, soluções de problemas e sugestões!

 

  • O interesse por sementes de híbridos

A Teca Serviços Florestais finalizou a coleta de sementes de híbridos de seu Pomar de Hibridação Natural, em Igaratá-SP. Foram colhidas sementes de 70 matrizes. Material recomendável para formação de clones! Algumas  empresas se interessaram e adquiriram o material! Com certeza, terão bons resultados. Seria mais um passo na direção do melhoramento genético clássico, que ficou para trás?

 

3- E a silvicultura na base de tudo!

Seguem as informações da Rede SBS Dia- a – Dia, de 26 de outubro;

Papel e Celulose (I): Klabin compra fábricas no PR e AM por R$ 187 milhões

Papel e Celulose (II): Reajuste é aplicado e preço sobe na China

Papel e Celulose (III): Suzano deve reverter prejuízo e voltar ao lucro no 3º trimestre

Papel e Celulose (IV): Stora Enso tem resultado 4% maior no 3º trimestre

Papel e Celulose (V): Fábrica do futuro vai produzir múltiplos insumos, prevê Pöyry

Código Florestal: Deputado Leitão propõe decreto para regulamentar parte do Código Florestal

ONGs pedem veto de Temer ao carvão mineral

 

Vejam que interessante: novidades, avanços tecnológicos, a biomassa florestal perdendo espaço para o carvão mineral, movimentações de mercado, preços em alta, código florestal…..  E a silvicultura na base de todas essas discussões!  Será possível  dar  sustentação a tudo isso, sem  políticas públicas que direcionem a atividade?  E os nossos Governantes sabem que a silvicultura existe, e que é tão importante assim?   Vamos esperar que as coisas aconteçam  por conta do acaso? Quem fica com a palavra?

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

SILVICULTURANDO-SE

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