INSTITUIÇÕES DE PEQUISAS E AS ENTIDADES SETORIAIS

A pesquisa florestal evoluiu de forma significativa no Brasil a partir da criação das instituições de pesquisas integrando as principais universidades e as grandes empresas consumidoras de madeira. Até então, tínhamos, com destaque, algumas pesquisas sob a responsabilidade de silvicultores pioneiros em diferentes locais e os trabalhos da Cia. Paulista, no Horto de Rio Claro -SP e do Instituto Florestal de S.Paulo – aqui, cabem alertas importantes:
1- O Instituto Florestal de S.Paulo possui uma riquíssima cadeia experimental com diferentes espécies de pinus e eucaliptos, instalada por brilhantes pesquisadores e que precisa ser devidamente protegida e utilizada, antes que seja eliminada. Há risco de perda de materiais de inestimável valor genético. Seria um desastre a perda desse patrimônio !
2- E quanto ao Horto de Rio Claro, é inaceitável que os setores industriais, que vivem do eucalipto, ainda não tenham se mobilizado para transformação do Horto de Rio Claro num marco histórico do eucalipto no Brasil. Há dados e observações maravilhosas à disposição dos interessados – há até quem diga, que o “silvicultor só completa o seu aprendizado, de fato, depois que visita o Horto de Rio Claro!
Mas os saltos mais significativos da pesquisa florestal se deram com a criação do IPEF, em 1968, na ESALQ-USP, e logo em seguida do SIF, em Viçosa na URMG e da FUPEF, em Curitiba. Essas instituições consolidavam um modelo de integração das universidades com as principais empresas do setor – um modelo, até então, inexistente no Brasil. E daí, a evolução foi rápida. Manteve-se rica e intensa troca de informações entre empresas, escolas, universidades, entidades de pesquisas e pesquisadores. E o aspecto mais importante: não faltavam recursos financeiros para os trabalhos tão necessários! Outras instituições se juntaram, ao longo do tempo, como a Embrapa Florestas e diversas escolas que foram sendo criadas.
E as produtividades atingiram níveis elevados. Foi um período muito rico da silvicultura brasileira. E com esse conjunto de forças e muito desprendimento, avançou-se de forma significativa em temas determinantes ao desenvolvimento das florestas e permitiu à silvicultura brasileira incontestável reconhecimento internacional. Há de se destacar de forma especial o envolvimento direto do alto comando das empresas, inclusive de seus principais acionistas, no apoio, decisões e direção dos programas de pesquisa florestal. Para muitos, esse representativo interesse marca a grande diferença entre os tempos, lá de trás, e os tempos atuais!!!
Paralelamente ao desenvolvimento das pesquisas florestais, surgiram os movimentos políticos e entidades representativas de diferentes segmentos e com diferentes objetivos – ARBRA ( Associação dos Reflorestadores do Brasil); associações estaduais, ABRACAVE ( Associação de Carvão Vegetal; ANFCP ( Associação Nacional de Celulose e Papel, dentre outras. Havia uma grande preocupação na defesa dos interesses dos segmentos industriais, das empresas de reflorestamento dos diversos estados e nas discussões de modificações da legislação, que pipocavam a todo momento. Nesse período, por sua grande credibilidade e respeito, a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, criada em1955, foi designada como representante do setor para discussão de assuntos de legislação e de políticas públicas de interesse do setor florestal. Essa representação foi resultado de entendimento entre diretores e acionistas empresariais, universidades e instituições de pesquisa.
A SBS representava e defendia com legitimidade os interesses de toda a silvicultura. Pela grande credibilidade, que já cultivava, a SBS teve oportunidade de prestar relevante contribuição na elaboração do Código Florestal de 1965 e nas políticas públicas para criação dos incentivos fiscais para reflorestamento, em 1966. Há de se destacar, que a SBS, ainda se mantém firme em seus propósitos, mas numa luta pela sobrevivência. Uma pena! Pois vive, graças ao esforço de restrito grupo de heroicos profissionais! Na verdade, esse patrimônio de respeito e credibilidade precisa ser resgatado para o bem da silvicultura brasileira!
Nos tempos atuais, esse contexto, tanto no que se refere às pesquisas florestais, quanto às entidades representativas encontra-se bastante diferente. Outras demandas, outros protagonistas, novos objetivos, enfim… as coisas mudaram! A Comunidade de Silvicultura registra e compartilha esses aspectos interessantes, que ficaram para trás e que merecem uma “boa” reflexão!
 
 
 
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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O INCÊNDIO EM PORTUGAL E OS RESPINGOS NA SILVICULTURA BRASILEIRA

 

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O noticiário geral mostra o grande incêndio florestal que está ocorrendo em Portugal. Lamentável! Lá de Portugal, recebemos uma mensagem de nosso amigo silvicultor – Eng. Carlos Alberto Funcia, ex- presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura – SBS, muito preocupado com os prováveis desdobramentos do lamentável desastre. Agradecemos o alerta e tomamos a liberdade de compartilharmos na Comunidade de Silvicultura. A mensagem fala em mais de 40.000 ha de florestas de eucalipto e pinus devorados pelo fogo. Casas, veículos, estradas e vidas foram perdidas. Socorros de outros países e o desespero de toda a nação portuguesa. E com muita cautela,o Eng,Funcia, fala: “Já se considera um dos maiores incêndios florestais da história daquele país e já arrumaram um culpado: o eucalipto!”. E completa: “ precisamos tomar muito cuidado com as encrencas que poderão ressurgir no Brasil com o eucalipto”.

A nós brasileiros cabe lamentar o ocorrido e torcer para uma breve recuperação das perdas econômicas e ambientais, além das vidas humanas sacrificadas. A nós silvicultores cabe além, outro alerta importantíssimo: poderão vir pedradas em nosso eucalipto!! E é preciso que tenhamos as devidas informações para mostrar a nossa situação: estamos vulneráveis a problemas de tamanha dimensão e com tais implicações? As notícias assustam e podem causar muitas preocupações. E elas chegam das mais variadas formas e a chance de se demonizar o eucalipto é muito grande! Só não podemos dar uma de “avestruz” e reagirmos só com as pedradas que virão, principalmente, nas regiões com grandes concentrações de florestas! É assunto para especialistas, que conheçam a situação das florestas brasileiras, a localização e os riscos de diferentes situações!

Com certeza, caberia um posicionamento a respeito da nossa situação geral e das condições específicas dos grandes empreendimentos empresariais, que normalmente se cercam de inúmeras medidas preventivas para proteção do patrimônio florestal Mas quem o faria? Esse parece ser é um trabalho institucional típico de entidades que representam o setor! E agora, com quem fica a palavra????

A Comunidade de Silvicultura agradece o alerta de nosso amigo, Eng.Funcia, e vamos torcer para que coloquem “as barbas de molho” todos que se interessam pelo fortalecimento da silvicultura brasileira!

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES – 4

 

Com os incentivos fiscais de 1966 ………………… Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!
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Comunidade de Silvicultura – 4;

MEDIDAS SIMPLES E QUE SALVARAM FLORESTAS!
19/06/2017

Tivemos oportunidade de conhecer bem de perto a “encrenca” que era dirigir o Departamento de Reflorestamento do IBDF, bem no auge dos incentivos fiscais, anos de 77/79. Não tivemos como escapar de um desafio apresentado pelo Dr. Paulo Berutti – Presidente do IBDF, e pelo Ministro da Agricultura, na ocasião, Dr. Allyson Paulinelli, e de uma solicitação do Dr. Mauro Silva Reis, com quem trabalhava e quem me levara à Brasília.

O roteiro anual implicava em acompanhar milhares de projetos, analisar cartas- consultas de quase 2000 empresas, selecionar milhares de projetos, distribuir recursos anuais da ordem de 500 milhões de reais. E mais: sem estrutura adequada, com tremenda pressão política, com prazos limitadíssimos, sem internet, sem critérios de seleção definidos…… e pequeno grupo de profissionais com responsabilidade e disposição, de fato, para trabalhar. Essa foi a sorte grande!!! Em poucos meses, conseguimos resultados espetaculares:

1- Rearranjo estrutural do Departamento
Acatando sugestões “do pessoal da casa” e que se mostravam dispostos às mudanças, foi possível, com certa rapidez, promover pequenas adequações na organização administrativa, definir responsabilidades e identificar os profissionais dispostos a um esforço adicional, visando melhor destinação dos incentivos fiscais;

2- Classificação das empresas em A,B,C,D,E – de acordo com a situação de seus projetos, cronograma, quadro de profissionais, localização dos plantios, informações técnicas dos trabalhos operacionais. Só com isso eliminamos do setor cerca de 500 empresas. Mais um aperto adicional, e estavam fora do setor, quase 1000 empresas. Para muitos, um misto de ousadia e loucura, mas com essa “vassourada” estava sendo separado “o joio do trigo”;

3- Estabeleceram-se regras básicas para serem seguidas na seleção de cartas-consultas e aprovação de projetos. Para viabilizar com rapidez e objetividade foram estabelecidas algumas referências prioritárias: classificação das empresas – D e E estavam fora da disputa; empresas que tinham profissionais responsáveis pelos serviços de campo; cronograma operacional em dia; uso de tecnologia disponível, principalmente sementes melhoradas e adubação das florestas. Mais sofisticação poderia embaralhar o dia-a-dia, pelo menos na fase inicial!

4- Extinção de novos projetos de frutíferas e espécies de ocorrência natural (abacate, maçã, palmito, cupuaçu, babaçu)

Todas as outras medidas adotadas, no decorrer do tempo, se tornaram irrelevantes diante dos impactos positivos das regras básicas, religiosamente, seguidas. E o grande destaque: pouquíssimas reclamações! Provavelmente, pelo absurdo que os problemas sanados representavam ao setor! Calcula-se que com tais medidas foi possível aumentar, no mínimo, em 70 % o aproveitamento dos recursos incentivados.

E isso só foi possível graças ao extraordinário esforço da equipe reformulada do Departamento de Reflorestamento, ao apoio irrestrito do Presidente do IBDF – o saudoso Dr. Paulo Berutti, e do Ministro Allyson Paulinelli e pela compreensão, colaboração e valorização dos grandes empreendedores e das empresas exemplares, já atuantes na época.

Com certeza, essas simples medidas deram vida a muitas florestas e evidenciaram os bons trabalhos, que passaram a servir como referência no setor.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES – 3

Com os incentivos fiscais de 1966 ………………… Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!

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Comunidade de Silvicultura – 3;
OS AVANÇOS TÉCNICOS E AS POLÊMICAS DA SILVICULTURA
Data /5-06-2017

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Em conversa com amigos e profissionais do setor, tivemos oportunidade de trocar impressões a respeito de tema interessante e oportuno para ser compartilhado com amigos da Comunidade de Silvicultura. Procurávamos identificar os avanços técnicos iniciais, que impactaram a produtividade das florestas e as questões herdadas do período de incentivos fiscais, que causaram grandes preocupações ao setor. Quanto aos avanços, a identificação foi bem simples: sementes de melhor qualidade e adubação dos plantios. Em termos médios, foi só pequena adubação no plantio e usar sementes de melhor qualidade e saímos de 15 a 20 metros cúbicos/ano e saltamos para 30. Já se falava em valores maiores nas empresas de maior nível tecnológico.
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Lá se vão, quase 40 anos e, em termos médios, estamos patinando nos 35-40. Depois de tantas pesquisas e experimentações, ainda restam muitas dúvidas a serem esclarecidas para definição dos melhores materiais genéticos e uso de processos nutricionais mais eficazes. Há quem diga que mais de 30 % de todo o recurso de empresas e instituições de pesquisas foram alocados nessas direções. E mais livros publicados, teses e milhares de trabalhos técnicos divulgados! Os níveis de produtividade, que animam muito o setor, só se viabilizam, quando se consegue perfeita integração de conhecimentos científicos , experiência profissional e condições edafo-climáticas. Nessas condições são alcançadas produtividades “de cair o queixo”, acima até de 45/50 metros cúbicos/ha/ano. São, de fato, produtividades espetaculares!
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E quanto às encrencas, também não houve tanta discussão. Foi só seguir o rastro dos questionamentos mais recentes e a identificação estava feita: a floresta de eucalipto que “ seca o solo”, e o famoso “deserto verde” promovido pelas monoculturas. Aqui, no entanto, o quadro mudou muito! De vez em quando, uma ou outra voz solitária se levanta, mas as antigas pressões foram bem arrefecidas. Nada de milagre!
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Foi o resultado de maior respeito à legislação, de mais proteção e cuidados com as nascentes e recursos hídricos, com a formação de corredores ecológicos e mais divulgação de informações técnicas e realizações.Nos dias atuais, a lembrança “do deserto verde” parece preocupar, até mais, aos próprios silvicultores, em função de eventuais ataques de pragas e doenças, do que antigos e fervorosos ambientalistas. Há de se registrar também a grande contribuição que os processos de certificação florestal prestaram ao desenvolvimento da silvicultura, exigindo maior preocupação com as necessidades técnicas, ambientais e sociais. Dessa análise, parece que ficaram interessantes lições:
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– a ciência florestal é vasta e riquíssima, mas saber usar, interpretar e integrar as informações disponíveis é arte para “gente do ramo”;
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– é muito difícil generalizar-se os procedimentos silviculturais, e daí, a enorme variabilidade de resultados para mesmos procedimentos;
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– a garantia e segurança de bons resultados vai sempre depender de informações técnicas locais, e acompanhamento de pesquisas e experimentações;
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– acima de tudo, vale muito a experiência e competência dos profissionais para saber interpretar as condições de campo e monitorar os procedimentos operacionais.
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No final da conversa, alguém fechou: “é só observar que as empresas que apresentam boas produtividades possuem, entre seus colaboradores, profissionais experientes e muito competentes”. E não adianta teimar!

 

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS GRANDES SILVICULTORES – DR.JOSÉ LUIZ STAPE

 

Dr.José Luiz Stape, engenheiro agrônomo e florestal, nasceu em Tatuí, em 1962, iniciou sua vida estudantil na medicina e foi concluir seus estudos de formação no curso de Engenharia Agronômica na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP,em  1985,como o melhor aluno da turma.  No ano seguinte,1986,  formou-se, também em Engenharia Florestal. Uma vida rica de trabalho, muita dedicação, amizade e responsabilidade. O Dr. Celso B. Foelkel, em sua maravilhosa homenagem prestada ao Eng. Stape  em –  Eucalyptus  OnlineBook, de abril de 2008 –  quando  trata de – Os amigos do eucalipto – o brilhante amigo e cientista, dá um toque de admiração e carinho aos dados da vida profissional de nosso homenageado e que estamos tomando a liberdade de compartilhar. Diz, respeitosamente, o Dr. Celso:

 

”Dr. José Luiz Stape é um dos grandes nomes da moderna silvicultura brasileira. Sua contribuição científica acerca das plantações de eucaliptos em termos de sua fisiologia, manejo, seqüestro de carbono e eficiência de uso de luz, água e nutrientes tem sido notável. Além de sua considerável vocação para a ciência, Dr. Stape é também um grande educador, não apenas de seus alunos na ESALQ/USP, mas de agrônomos, técnicos agricultores e sociedade em geral. Tem sempre colocado forte ênfase em temas de extensão e educação, dando assim importante contribuição para que a sociedade possa entender cada vez mais sobre os eucaliptos, suas florestas, suas utilizações e as sobre as formas de minimizar impactos e otimizar performances”. E adiante, na mesma publicação: “…é um dos grandes cidadãos da ciência da eucaliptocultura mundial”.

 

E sobre  sua passagem pela Ripasa, comenta, o Dr. Celso: “ Antes de iniciar sua carreira como professor universitário na mesma ESALQ onde se formou, trabalhou como engenheiro de pesquisa florestal nas empresas Eucatex e Ripasa. Nessa última, fez parte de uma das mais renomadas equipes da silvicultura brasileira, onde compôs-se com Nelson Barboza Leite, Edson Balloni, Edson Martini, Arnaldo Salmeron, Rubens Trevisan,  Ubirajara Brasil, Ademir Cunha Bueno, Lineu Wadouski , José Zani Filho, Carlos Alberto Guerreiro e Pablo Vietz Garcia, dentre outros. Realmente, uma equipe de peso e cujos profissionais muito contribuíram e têm contribuído para o sucesso da silvicultura brasileira. Durante seu tempo na Ripasa, teve a autorização para fazer seu curso de mestrado em agronomia na ESALQ, sob a orientação do grande professor Humberto de Campos”.

Já nos anos 90, juntamente com seus colegas José Zani Filho e Carlos Alberto Guerreiro, montou uma empresa de consultoria, denominada GSZ, atuando como técnico e empresário.  E no ano de 1995 passou a ocupar a vaga de professor de silvicultura da ESALQ/USP no lugar do professor, que se aposentava, Dr. João Walter Simões. Era ,de fato, o início de brilhante carreira de professor, pesquisador, orientador, e acima de tudo, “um apaixonado silvicultor”.

Tem sido um entusiasta da intensa e aplicada vida estudantil e sempre cercado por alunos e orientados, que nunca deixaram de ter sua atenção, orientação e “verdadeira amizade”. A partir de 1996 formou o Grupo Florestal Monte Olimpo (GFMO), cujo lema é vivenciar a silvicultura com ciência e visão futura. Mais de 200 alunos atuaram nesse Grupo Florestal e tiveram oportunidade de vivenciar a realidade da vida profissional. Para muitos é um  excelente exemplo de “oficina para preparar e treinar talentos”.

Nos anos de 1998, até 2002, realizou seu doutorado na área de ecofisiologia florestal na Colorado State University, com a tese –  “Production ecology of clonal Eucalyptus plantations in Northeastern Brazil”.  E com toda a experiência adquirida tornou-se renomado pesquisador, em nível internacional, sobre ecofisiologia, balanço de carbono, utilização e a eficiência do uso da água, luz e nutrientes.  A riqueza de conhecimentos agregada aos procedimentos  operacionais é, para muitos, incalculável, e consolidou as bases para o desenvolvimento de uma silvicultura sustentável!

Atuou diretamente com o Instituto de Pesquisas e Estudos florestais (IPEF), em diversos projetos e programas, além de  pesquisas  com plantações de nativas e recuperação florestal, quase sempre  em parcerias com instituições nacionais e internacionais.

Trabalhou até 2008 como Professor da ESALQ/USP, e foi convidado pela North Carolina State University para assumir o cargo de professor de silvicultura e solos florestais e a codireção da Forest Productivity Cooperative (FPC). Durante este período, sua atuação teve destaque na implantação de Eucalyptus resistentes ao frio nos Estados Unidos. No ano de 2015 retorna mais uma vez ao Brasil, agora como gerente de tecnologia da Suzano e professor de pós-graduação da Esalq/USP e Unesp. Com certeza, é mais uma significativa colaboração, que a empresa presta à silvicultura brasileira.

Como professor, Stape orientou diversos alunos, formando um exército de excelentes profissionais, que receberam sua inspiração e que atuam com muito sucesso no mercado de trabalho. Sua dedicação pelo trabalho e paixão pelas florestas são exemplos para muitos. Em sua rica carreira profissional publicou livros e centenas de trabalhos científicos. Participou de inumeráveis cursos, reuniões nacionais e internacionais. É um dos mais expressivos representantes de uma silvicultura moderna e sustentável, com base em dados científicos e onde a biologia e a matemática se complementam.

A Comunidade de Silvicultura sente-se honrada em poder prestar essa homenagem ao amigo, ao cidadão e a um dos maiores silvicultores do Brasil e do mundo!

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

OBS: Para a elaboração do texto foram utilizados dados da publicação de Celso Foelkel – Celulose Online, de abril de 2008 – Os amigos do Eucalipto e das contribuições de Rafaela Lorenzato Carneiro, como representante da AEI – Associação dos ex-integrantes do GFMO – Grupo Florestal Monte Olimpo .

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES –2 !

Com os incentivos fiscais de 1966……….. Os comentários serão sempre muito bem vindos!

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Comunidade de Silvicultura- 2/
5-06-2017/

O REFLORESTAMENTO E A ORIGEM DAS POLÊMICAS/
É difícil negar a enorme contribuição que a política de incentivos fiscais prestou para o desenvolvimento da silvicultura brasileira. Mas da mesma forma, já se ouviu muito a respeito dos escândalos que se abateram sobre o programa de reflorestamento incentivado. Abusos de ordem financeira, problemas técnicos, desrespeito às necessidades sociais e exigências ambientais. São esses problemas, dentre outros, que tornaram insustentável a continuidade da referida política.

Na verdade, faltava estrutura institucional para fiscalizar milhares de empresas implantando e mantendo milhões de hectares reflorestados em todo o Brasil – eram milhares de empresas responsáveis por mais de 30.000 projetos em todo o Brasil, e em diferentes idades: plantios de eucalipto, pinus, babaçu, algaroba, caju, cupuaçu, etc. E a grande maioria das empresas, atuando sem profissionais de campo, e sob a responsabilidade técnica de “escritórios de projetos”. Havia pouca pesquisa e faltavam informações e divulgação de dados técnicos para que se pudesse alcançar bons resultados.

Os trabalhos de qualidade se restringiam às empresas, realmente, interessadas na produção de madeira, onde se destacavam brilhantes profissionais – normalmente, eram empresas vinculadas às indústrias consumidoras. Mas, infelizmente, os abusos se acumulavam e a extinção dos incentivos se tornou inevitável! Ficaram na lembrança e merecem respeitosos cumprimentos honrosas exceções: o comportamento de restrito grupo de excelentes empresas, a dedicação de responsáveis empreendedores e, acima de tudo, o esforço gigantesco, quase heroico, de alguns profissionais do IBDF. Essas exceções fizeram com que parte significativa dos incentivos utilizados se transformasse em grande sucesso e consolidasse as bases da indústria florestal brasileira.

No entanto, as encrencas geraram intermináveis polêmicas técnicas, ambientais e sociais, que perduraram e ainda rondam o setor – grandes desmatamentos, o “eucalipto que seca a água”, as barracas de plástico para abrigar a mão-de-obra, as áreas abandonadas, as “festanças das formigas”, etc. Essas aberrações abriram espaço e fortaleceram os intensos movimentos e as ongs socioambientais, que surgiam na ocasião. De outro lado, a necessidade de informações técnicas exigiu esforço gigantesco e grandes investimentos em pesquisas e experimentações florestais. Alavancava-se, dessa forma, o desenvolvimento científico e tecnológico da silvicultura, que tem alcançado os níveis de excelência dos dias atuais. Aqui, há de se saudar o empenho de empresas, instituições de pesquisas, universidades e dos brilhantes profissionais, que se mantiveram na vanguarda da atividade!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
Em novas postagens serão tratados para REFLEXÃO DOS SILVICULTORES :

-Os avanços tecnológicos e polêmicas que se arrastaram;
-As medidas administrativas que salvaram florestas;
-Instituições de pesquisas e as entidades setoriais;
-O Horto de Rio Claro e a contribuição à silvicultura.

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES!

Com os incentivos fiscais de 1966 ( Lei 5106 ), a silvicultura brasileira se transformou numa atividade de grande impacto econômico, social e ambiental. Já se vão mais de 50 anos. E a partir desse marco muitas coisas boas e ruins marcaram a silvicultura brasileira. E muitas coisas ficaram no esquecimento.

É, no mínimo, oportuno e interessante, lembrar de episódios que deixaram marcas indeléveis no setor. Registraremos uma relação de marcos para reflexão! É bom lembrar que o conhecimento da história evita a repetição de erros e possibilita a multiplicação dos bons exemplos. A Comunidade de Silvicultura terá uma sequência de registros, com título e datas para facilitar o acompanhamento:

Comunidade de Silvicultura;
Assunto;
Data.

De tempos em tempos, teremos uma postagem e gostaríamos de receber contribuições de nossos amigos silvicultores. Tudo simples e com abordagem bem sucinta. Nada de trololó! Objetivo e provocativo!

Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!

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Comunidade de Silvicultura
IBDF e os incentivos fiscais
31-5-2017
O IBDF, que sucedeu, o Instituto Nacional do Pinho, centralizava toda a política florestal brasileira. O Departamento de Reflorestamento, coordenava a política de incentivos fiscais. O IBDF era vinculado ao Ministério da Agricultura. Mais de 2000 empresas tinham o registro para atuarem como “empresas de reflorestamento”. Os programas anuais giravam em torno de 300/350.000 ha/ano. Quase tudo com eucalipto e pinus. Cerca de 1% dos plantios era realizado com espécies nativas, e até algumas frutíferas faziam parte das espécies incentivadas.

Os incentivos foram extintos em 1987, depois de inúmeras modificações na legislação. Ao término do incentivo falava-se em área plantada em torno de 4 milhões de ha. Muitos erros, falta de fiscalização, mas o saldo foi extremamente positivo. Consolidavam-se as bases da indústria florestal brasileira. Para muitos, foi o segmento incentivado que trouxe mais benefícios sociais e econômicos ao país. Mas deixou muitas polêmicas para serem resolvidas!

Na década de 70, eram 7 escolas e em 2015 temos 71 cursos de engenharia florestal. Formavam-se menos de 100 engenheiros florestais ou agrônomos silvicultores por ano. Atualmente, formam-se mais de 1000 engenheiros todos os anos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A CRISE POLÍTICA E O IMPACTO NA SILVICULTURA

Não poderia ser diferente! Tudo tem sido impactado, mas a silvicultura pode apresentar desdobramentos preocupantes. Há tempos, estamos observando um rol de problemas, que estão afetando de forma significativa o setor! E essa crise política, com certeza, vai estender por mais algum tempo, os inconvenientes tão reclamados! Há, ainda, outro agravante: sobra madeira! E pode parecer brincadeira, mas enquanto não houver paralisação de alguma indústria, não tenhamos ilusão de que o assunto vá causar tanta preocupação. Infelizmente, a distância da madeira, por maior que seja, é muito menos grave que uma paralisação industrial. Quem tem o problema, vai fazer de tudo, antes de reconhecer a encrenca.

E vamos, que vamos. Quando alguém parar, aí sim! As coisas mudam de figura! Os estragos? Com certeza, vão ser tratados por outros! E essa crise, que estamos vivendo, torna os nossos problemas mais complexos. Na verdade, já não há tantas surpresas a respeito do “punhado de assuntos”, que afligem a todo o setor! Seria uma tremenda ingenuidade admitir que essas questões fossem ocupar a pauta, num momento em que a palavra de ordem é “cadeia”!

Mas é muito importante, que não esqueçamos de que as dificuldades vão se acumulando, e que só serão resolvidas pelos silvicultores. Os de verdade, não os de passagem! Os problemas da silvicultura não se apagam com o tempo, exigirão o esforço dos profissionais que conhecem bem a atividade e que sabem dos inevitáveis desdobramentos que poderão vir!!! Mas, por enquanto, é chover no molhado! Mas não custa nada manter a atenção dos interessados!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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 REFLORESTAMENTO: PREÇO BAIXO E A PRODUTIVIDADE ABAIXANDO!

 

Falar do preço baixo da madeira  é recorrência, quase ingenuidade! Que isso pode , lá na frente, criar dificuldades para os próprios consumidores, também não dá eco! Mas falar que os dados de produtividade de muitas regiões, tradicionalmente, produtoras de madeira e que sempre apresentaram altas produtividades, está baixando, parece brincadeira. E gera grande preocupação. Essa soma – madeira sem valor e produtividade em queda –  é uma mistura explosiva e assusta!

Recentemente, tivemos a oportunidade de ouvir de um produtor florestal e líder de importante cooperativa, que atua em região, onde o reflorestamento tem grande significância social e econômica – “ ninguém pode negar que chegamos, onde chegamos, pelo crescimento das grandes indústrias, e agora estamos sendo esquecidos”….. “ será que esse pessoal não percebe que sem os produtores, essas indústrias poderão ter sérios problemas de abastecimento e um exército de inimigos  tacando pedra nas indústrias?”

E continuou – “ será que esse pessoal de comando não percebe  que o produtor está  insatisfeito, sofrendo e  desistindo do negócio?” E foi além – “ e continuam querendo fazer fomento e usando alta produtividade para fechar a conta !  sem dinheiro e a madeira sem nenhum valor, quem vai adubar e tomar conta das florestas ?  parece que querem matar a silvicultura. E arrumam um punhado de justificativas para  explicar  a queda da produtividade. Falam de  declínio clonal ,que nada!  será que não é falta de grana para fazer a silvicultura bem feita?”. E a insatisfação trouxe mais informações -” há empresa buscando madeira  a mais de 1000 km de distância e se nega a melhorar o preço da madeira, que está no quintal dela!”.

E a conversa foi mais longa e com detalhes interessantes!  Junta-se tudo e nada disso é novidade. No entanto, o que se pode acrescentar a esse quadro, é que há informações, de que o problema de falta de madeira, em algumas regiões,  está se complicando  e a solução cada vez mais distante!!!!!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AINDA SOBRE AS PRAGAS DE NOSSAS FLORESTAS!

 

Além das milhares de visualizações na  postagem anterior, que trata do mesmo assunto, recebemos uma mensagem, que  merece ser compartilhada : “ Parabéns por abordar esse assunto. É da maior importância para nossa silvicultura e, é quase proibido tocar nesse assunto, em muitas conversas e reuniões! Talvez todas as empresas conheçam e saibam bem dos possíveis desdobramentos dessa  encrenca, mas quem fala que tem pragas em suas florestas, fica meio marcado como incompetente!!!! Ou abraçamos essa causa e vamos a fundo em pesquisas e medidas preventivas e corretivas,ou teremos, num prazo não muito longo, um punhado de profissionais competentes chorando o leite derramado”.

Não poderia deixar de juntar a essa mensagem, a opinião do Dr. Newton Macedo, respeitadíssimo entomologista de cana, que ao conhecer a mensagem acima, falou”  o setor precisa dar um prêmio para esse moço. Teve coragem de mostrar uma realidade que todos querem esconder” e completou : “ o setor canavieiro  não é diferente, só que nós já aprendemos a classificar as empresas – onde se faz tudo direitinho e com alto padrão tecnológico a praga já está controlada e deixou de ser problema; as empresas que querem atalhar para fazer economia não param de lutar, e as vezes  se metem em grandes encrencas, mas as empresas que não se incomodam com as pragas já quebraram, ou estão a caminho de quebrar”!  Daí, eu disse: “ A situação do setor florestal é um pouco diferente, pelo menos, até agora, nenhuma empresa quebrou por problemas de pragas, mas que o assunto também é visto de forma diferente pelas diversas empresas, também, com certeza, ninguém duvida”!

Fica o alerta para reflexão, e para ações concretas aos que já sentiram o susto e a desagradável surpresa de ataques de pragas! E muito interessante foi a comparação que o Dr. Newton fez entre as pragas e o fogo: “ adianta alguma coisa  a empresa estar mais ou menos protegida contra o fogo? ou está protegida ou não está , pois quando chega o fogo ou as pragas, o  azar está feito! E concluiu,de forma contundente- “os resultados positivos na cultura de cana,  só surgiram depois de muitos investimentos em pesquisas,preparação de mão-de-obra e em medidas preventivas”! e finalizou : “ virar as costas para o problema ou esperar que as soluções surjam de forma milagrosa é de um risco imensurável. Aproveitem, em quanto não tomaram uma paulada para valer e invistam em pesquisas, apoiem os pesquisadores e não deixem de observar tudo, todos os dias!”.

Diante de tamanha preocupação, não poderia deixar de compartilhar essa conversa com os amigos da Comunidade de Silvicultura!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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