A DIVERSIFICAÇÃO DA SILVICULTURA BRASILEIRA!

A silvicultura está para muitos, entre as mais importantes atividades rurais ligadas à natureza! Tem forte relação com aspectos sociais, ambientais e econômicos e nos tempos modernos tem tudo a ver com a vida das pessoas – é a ciência das árvores, peça fundamental para se evitar grandes problemas climáticos. Há quem diga, que essa vai ser a grande bandeira da silvicultura para o futuro. Dar mais vida ao planeta e produzir bens nobres! E o Brasil convive com interessante paradoxo: temos a silvicultura do metro cúbico, feita com espécies exóticas – eucalipto e pinus – campeã da produtividade e competitividade. E é referência para o mundo! E ao mesmo tempo, temos a mais rica biodiversidade do planeta, com milhares de espécies arbóreas, quase sem nenhuma expressão. Para todos, um potencial imensurável em “repouso”.

Essa riqueza da natureza, ainda não teve a devida atenção de nossos governantes. Há de se admitir que o sucesso da silvicultura do metro cúbico deve muito ao interesse econômico atrelado à produção da madeira. No entanto, essa silvicultura tornou-se refém dos grandes consumidores e transformou o produtor florestal num desesperado dependente. A silvicultura do metro cúbico, anulou a silvicultura das espécies nativas. Por inúmeras razões, mas anulou! É quase proibitivo falar-se em empreendimento florestal, que não seja do metro cúbico, ligado ao mercado de produtos globais! No entanto, nos dias atuais, as dificuldades de mercado estão exigindo mudanças! Tudo muito oportuno! O metro cúbico saturou-se e pode até exigir crescimento mais moderado da silvicultura do eucalipto e do pinus.

Será que não seria o momento de se pensar numa silvicultura com mais vida, com mais objetivos, com mais variações, com mais espécies, com mais produtores, com mais consumidores, com mais produtos e com mais independência? Lembrando o que dizia o saudoso Eng. Paulo Kageyama, que se dedicou de “corpo e alma” ao assunto – “ precisamos dar mais atenção às nossas espécies nativas. Só assim, iremos alavancar, de fato, a silvicultura brasileira”. E aproveitando sugestões do grande amigo – Admir Lopes Mora – “ temos iniciativas muito interessantes e que precisam ser conhecidas e divulgadas. Não estamos na estaca zero, mas não se divulga os trabalhos, que estão sendo desenvolvidos “ e completou – “há muita gente competente, trabalhando com espécies nativas, mesmo com toda falta de recursos para mais pesquisas e divulgação de seus estudos. É uma pena, deixar que tudo isso fique sem o devido conhecimento dos interessados”.

A Comunidade de Silvicultura registra os oportunos comentários do Eng. Admir e reitera a importância de se encontrar os meios adequados para divulgação dos trabalhos em desenvolvimento.

E deixa para reflexão a sugestão do próprio Eng. Admir – Que tal a elaboração de uma publicação, que mostre o desenvolvimento e as informações, que estão sendo geradas pelos trabalhos, em andamento, com nossas espécies nativas?

Com quem fica a palavra???????

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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E DE NOVO, SEM CHUVA, SEM ÁGUA E SEM FLORESTA!

A seca de 2015/2016, principalmente, nos estados, como São Paulo, onde o problema da falta de água, atingiu a torneira de muita gente, trouxe uma preocupação especial – há necessidade de se recuperar nossas florestas, que protegem e sustentam o abastecimento de nossas represas! E surgiram programas, planos disso e daquilo, e muita gente mobilizada para não deixar que as torneiras se enferrujem para as próximas gerações. E para animar ainda mais o assunto, anunciavam-se os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para restaurar e reflorestar um “mundo de área”.

Desconfiava-se, e muita gente apostava que teríamos uma nova alavancagem na silvicultura brasileira. Afinal das contas, isso tudo ia exigir muitos plantios, mais viveiros, mudas de espécies nativas e até, os mais otimistas – e me incluo nesse grupo – acreditavam que o assunto de espécies nativas ia pegar! Mas chegaram as chuvas e o cenário mudou!

Não dá para dizer que nada foi feito! Mas dá para se afirmar, que o que se fez é quase insignificante, diante de tamanha necessidade. A lição daquela seca não foi suficientemente assustadora para alavancar a silvicultura, de fato! Nada de políticas públicas, nada de recursos para mais pesquisas. Os trabalhos existentes tiveram continuidade pela consciência e responsabilidade dos “de sempre” – os mesmos profissionais, as mesmas empresas, enfim… os mesmos interessados. E há muita coisa interessante em andamento! É só conhecer o que se faz na SOS- Mata Atlântica, na Coalizão Clima, Agricultura e Floresta, dentre outras.

E a seca está de volta, os reservatórios já estão dando sinais de exaustão e o pior é que não se vê nada de concreto com respeito a políticas públicas para que o assunto sobre restaurações, reflorestamentos com espécies nativas, compromissos governamentais para recuperação de áreas degradadas, proteção de nossas nascentes, etc. E ainda – quem são os responsáveis governamentais pelo assunto? E o mais grave – não é problema só de São Paulo. É preocupação para muitas regiões brasileiras!!!!

E cabe mais uma preocupação: é assunto da silvicultura, que está no Ministério da Agricultura, ou do Serviço Florestal, que está no Ministério do Meio Ambiente?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CADA SILVICULTURA COM SUA PRODUTIVIDADE POSSÍVEL!

 

Em reuniões de produtores rurais é muito comum ouvir-se comentários a respeito do que é melhor produzir aqui ou acolá. E ninguém se atreve a plantar algodão em terra de abacaxi, e nem abacaxi em terra de tomate. Culturas diferentes exigem técnicas específicas, competência profissional  diversificada. E no Brasil de dimensões continentais é fácil perceber a enorme variedade de culturas e exigências específicas!

Essa lógica, no entanto, parece ser desconhecida por investidores florestais, principalmente os que se metem a entender de silvicultura.  Ainda bem, que silvicultor, de verdade, sabe bem disso! O investidor metido passa mão numa planilha, taca 45 metros cúbicos/ ha/ano e vamos que vamos. Faz um enorme programa,  junta recursos de amigos, mais incautos ainda, e pau na mula. Terras baratas e pobres em nutrientes,  condições climáticas, quase limitantes. Nada disso é considerado impeditivo.

O ousado, além de tudo, é extremamente otimista: “É só plantar que vai dar 45!  É uma exigência da planilha, e não se discute! E quando não dá, é incompetência do profissional, que  deixou de fazer isso ou aquilo. E é comum se ouvir: “essa turma de engenheiros sempre arruma uma explicação”. Dos bate-bocas a respeito da impossibilidade de se mudar a biologia e a matemática, o empreendedor não lembra e nem tem registro: “É coisa de engenheiro! ”.

E são essas histórias, que atrapalham o desenvolvimento da silvicultura, desestimulam empreendedores e comprometem profissionais. Isso precisa mudar. Aliás, nem sei se muda, mas é bom, que se saiba que é assim, que muitos empreendimentos fracassam. Não se faz milagres! Ninguém compra terras de primeira qualidade, a preço de “vaca magra”, e faz florestas de eucalipto com produção de 45 metros cúbicos/ha/ano. Mas se não houver nenhuma limitação técnica, com certeza, poderá haver chance de se conseguir florestas com 30/35 metros cúbicos/ha/ano. Pode- se até comentar: “é uma floresta magra ”.

Mas com certeza, desde que haja mercado garantido, o negócio dará resultados satisfatórios! É só aceitar a realidade, não acreditar em milagreiros e respeitar a tecnologia e a competência profissional!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE A SILVICULTURA PRECISA DESENVOLVER!

O Brasil é o campeão da produtividade e por enquanto, ainda vence na competitividade. São sinais do extraordinário desenvolvimento tecnológico. E ninguém discute! Veio a certificação florestal e avançamos nos aspectos ambientais, integração com comunidades, cuidados sociais, respeito às culturas regionais, etc. O pacote ficou mais enriquecido! É só conhecer de perto algumas empresas exemplares, e fica a impressão de que falta muito pouco, ou quase nada, para se chegar ao modelo de empresa rural. Uma maravilha, tudo certinho e bem manejado. E se observarmos os controles, mapas, registros, indicadores técnicos, instrumentos para monitoramento, etc. a admiração ainda é maior.

Esse é o mundo das grandes empresas! Mas, infelizmente, não é o mundo real de toda a silvicultura! O mundo dos pequenos produtores é muito diferente. Os plantios em pequena escala respeitam princípios técnicos, mas sem muita sofisticação, e a colheita não dispõe das complidas máquinas e equipamentos. Tem muito de simples e sem luxo.. É um mundo muito diferente! E esse mundo representa, segundo estatísticas dos setores industriais, cerca de 30 % da madeira colocada nas fábricas e, em outras estatísticas, fala-se em mais de 100.000 pequenos produtores metidos nesse processo de formação e uso de florestas plantadas! É um mundo diferente, quase sem certificação e sem tecnologias sofisticadas.

Nesse mundo não há máquinas e equipamentos especializados e ainda, há muita improvisação. A colheita não dispõe de equipamentos modernos e o mercado tem sido de uma crueldade satânica com o produto da colheita. Há até muitos produtores insatisfeitos, e querendo desistir do negócio. São mundos distintos, mas da mesma silvicultura!

E a conclusão é lógica: esse lado da silvicultura precisa se desenvolver! Não há sentido em se manter um exército de produtores florestais e não se investir no desenvolvimento de máquinas e equipamentos especializados para esse pessoal. Vão ser cada vez menos competitivos. É só participar de feiras e exposições do setor e vão conhecer só equipamentos e máquinas sofisticadas para grandes empreendimentos. E não dá nem para tentar discutir o uso dessas “parafernálias” em pequenas e médias propriedades! E essa silvicultura desprovida de tecnologias mais avançadas vai ser competitiva? Afinal, quem vai se preocupar em promover esse desenvolvimento ou arcar com os custos adicionais da produção? E parece que estamos longe da possibilidade de se juntar os pequenos produtores em cooperativas, que talvez pudessem trazer novo alento a esse pessoal.

Há de se registrar essa lacuna e torcer para que os grandes consumidores, que sempre irão precisar dos pequenos produtores, reflitam sobre a matéria! Ou sempre vamos ter madeira de terceiros com custos defasados e produtores insatisfeitos, e vivendo uma silvicultura pobre com respingos na sustentabilidade da silvicultura sustentável dos grandes consumidores. E esse pessoal não sofre do “ mal dos custos” e nem precisa lutar para vender a madeira a preços satisfatórios!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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E OS MATERIAIS GENÉTICOS ABANDONADOS? 

Primeiro tínhamos uma semente com mistura genética e que deixava muito a desejar. Eram basicamente originadas do Horto de Rio Claro – mesmo assim, encontrávamos no meio das populações materiais interessantes e que na verdade, deram origem aos primeiros clones de eucalipto da Aracruz. Depois vieram as sementes provenientes de populações introduzidas comercialmente e o padrão já apresentava grande diferença – eram as Áreas de Produção de Sementes de E.grandis de Coffs-Harbour da Duratex e da ex-Champion, atualmente Internacional Paper. Nessa fase, tivemos as semente do IPEF, na grande maioria de E. saligna, colhidas em Hortos da Fepasa. Nessa mesma época, tivemos muitas sementes de E.grandis importadas da Rodésia de África do Sul.

Com essas sementes melhoradas foi dado salto significativo na produtividade das florestas. O caso dos pinus era bem diferente. Desde o início as empresas do sul importavam sementes de Pinus elliotti e P.taeda dos Estados Unidos e sem grandes preocupações com qualidade genética. Em S.Paulo, o Horto Florestal, produzia e distribuía mudas de pinus de algumas espécies. Quanto aos pinus tropicais o mercado ficava, praticamente, por conta da Cia. Monte Alegre –antiga Freudenberg. Essa empresa tinha trabalho cuidadoso de melhoramento genético de várias espécies e uma rica coleção de procedências dos vários pinus tropicais. Existiram casos de grandes introduções de espécies/procedências de várias empresas e instituições, mas que ficavam restritos aos interesses particulares.

Tivemos também, muitas introduções do PRODEPEF-IBDF e a própria Embrapa Floresta fez um excelente trabalho de coleta de espécies e procedências na Austrália e, posteriormente, fez uma ampla distribuição de materiais a muitas empresas. Isso tudo compôs a base genética da silvicultura brasileira! Há muita coisa, ainda sendo devidamente cuidada, mas parte significativa desse valioso material já foi destruída. Uma pena!!! Aqui caberia um cuidadoso levantamento do que existe e a situação em que se encontra. Com certeza, serão encontrados materiais, que não se encontram mais, nem em suas áreas de origem! E fica uma grande dúvida! Foram extintos, e não servirão para nada, nunca mais? E uma outra questão: o que fez com que esses materiais fossem marginalizados ou abandonados? Seria uma ousadia tentar, de forma simplista, explicar “essa provável destruição”. Mas dificilmente, vamos escapar de algumas lógicas:

– A produção e uso de clones inibiu os trabalhos de melhoramentos clássicos e com isso muito material se perdeu. Venceu o imediatismo!

– Caberia um levantamento do patrimônio que ainda existe, e cuidados para protegê-lo. Com os problemas clonais existentes, com certeza, muitos materiais poderiam ser resgatados!!!

– E esses materiais não poderiam ser testados nas novas regiões?

– Os trabalhos de transgenia não poderiam avançar, ainda mais, se pudéssemos contar com todos esses materiais disponíveis, mas que se encontram abandonados?

Será que não cabe uma boa reflexão sobre esse assunto?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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MERCADO DE MADEIRA, AINDA ATRAPALHADO!

“Numa tremenda confusão política, ainda vamos falar do mercado de madeira? É complicado, mas como pagamos nossas contas”? Essa é a voz corrente entre os produtores florestais. Há muitas informações conflitantes – variações de preços e condições de negociações – mas o que realmente interessa, é a dificuldade de se registrar negociação de madeira a valores que atendam ao produtor, que sabe quanto custa plantar!

Numa reunião sobre a situação do mercado de madeira, ouviu-se de tudo: desde o metro de madeira valendo um repolho – alguém parafraseando o Eng. Balloni – e até vendas em torno de R$50,00 o metro cúbico em pé e com casca!!!! Como explicar tremenda diferença? E aí entram os casos, que merecem ponderação! Se a floresta está nas proximidades da fábrica – até 100 km – em região plana, em quantidade que justifique o deslocamento de “toda a parafernália para mecanizar a colheita”, pode ter certeza de que existe mercado ávido para compra. E isso é sintomático nas regiões tradicionalmente produtoras de madeira. Percebe-se “um rapa no campo”, com empresas cortando florestas em idade inadequada (4/5 anos) para não deixar que a “tropa mecanizada” fique parada.

O custo é alto! Aqui, a matemática pode mais que a biologia, e pau na floresta! Mas há casos de empresas percorrendo milhares de quilômetros em rodovias públicas, atrás da sua matéria-prima – falta madeira no seu entorno e não há perspectivas de novos plantios. Nessas regiões, já fritaram a galinha de ovos de ouro! E há casos de pequenos produtores, que usam e abusam de seus recursos (mão-de-obra, equipamentos, caminhões, etc.) e conseguem levar a madeira à fábrica e continuam firmes e fortes. Só que não fazem nenhuma conta! E no sul, onde a conversa é com o pinus, a história parece que se repete!

Na verdade, o quadro é o mesmo há alguns meses, e nada mudou do lado do produtor de madeira! Mas do outro lado, muito barulho e movimentação. O mercado em alta dos principais produtos chama a atenção da mídia. Fala-se em expansões e até em novas unidades de produção. Negociações e reuniões internacionais para tratar da sustentabilidade. A economia de baixo carbono e as discussões do clima para salvar o planeta. E as florestas no meio! Restaurações, aumento de áreas recuperadas, e por aí vai..

Parece que tudo isso faz parte de um mundo que não tem nada a ver com a silvicultura. Essa mesma silvicultura, que se arrasta e que não consegue se viabilizar com suas florestas prontas para serem cortadas! Parece brincadeira ! e não dá para deixar de registrar tamanho paradoxo!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A IMPORTÂNCIA DO “SILVICULTOR DE BOTA”

 

Foi com essa expressão que assistimos a uma homenagem de uma grande empresa ao término de sua programação anual de plantio: “ o programa, com tantas dificuldades e dúvidas, só foi possível graças  ao importante trabalho desenvolvido pelo nosso grande amigo e excelente “silvicultor de bota”……..  E daí teceu inúmeras palavras elogiosas ao comportamento e desempenho profissional do homenageado silvicultor. Com meia dúzia de frases o presidente do empreendimento deu um grande recado: “ conhece e domina as sofisticadas planilhas; discute e dá sugestões; conhece e respeita o orçamento e os cronogramas; está presente no campo, no começo e no final de cada dia; é justo em suas atitudes; é amigo, conselheiro e orientador de seus colaboradores; sabe fazer com qualidade e com os recursos disponíveis e acima de tudo, sabe ceder nos momentos certos e nunca abre mão da ética”.

 

A empresa acabava de fechar o programa anual, após inúmeras dificuldades operacionais, dúvidas técnicas e divergências entre os seus diretores! A floresta estava, realmente, muito bonita e o ambiente entre os funcionários era de enorme satisfação. Todos se sentiram homenageados. E o ponto mais marcante dessa história foi a resposta que recebemos, ao indagá-lo sobre suas experiências profissionais: “ não se aprende silvicultura no escritório e ninguém faz nada sem o respeito e a confiança de uma boa equipe de colaboradores”. Fica o registro para reflexão dos “silvicultores de bota” e “silvicultores sem bota”!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O PRODUTOR, O PROFISSIONAL E A REPRESENTATIVIDADE!

 

Num encontro de alguns dias atrás, só entre profissionais do setor, a conversa girou em torno de inúmeros problemas. Resolveu-se, quase tudo… como sempre acontece nesses encontros.  Oportunidade ímpar e fizemos questão de registrar aspectos importantes relacionados ao produtor florestal, aos profissionais e à estrutura representativa da silvicultura brasileira. Guardamos as frases mais expressivas que mostram muito bem a prosa oportuna e rica de informações. Sobre o produtor tivemos: “ é o melhor instrumento para as grandes indústrias usarem como propaganda da integração com as comunidades, mas nem pensar se o assunto for sustentabilidade da atividade”. Ainda sobre o produtor: “ a grande encrenca é quando o danado teima em fazer conta e chega à conclusão de que não está ganhando dinheiro”.

 

Dos profissionais, registramos várias: “ encontrar um silvicultor que saiba plantar, que use as planilhas e controles sofisticados, e que seja devidamente valorizado nas empresas é tão difícil quanto encontrar um japonês que bata pandeiro”. Ainda sobre profissionais: “ as grandes injustiças que se vê no setor, na grande maioria dos casos, estão  ligadas ao descuido que se tem com os profissionais que carregam as empresas nas costas, resolvem grandes problemas, são éticos, responsáveis e, de repente, não servem mais…. E sobre a representatividade setorial: “ as entidades, que são usadas para que profissionais se promovam em suas empresas, sem sol e sem chuva, ficam sem conteúdo, perdem a credibilidade e não atendem aos interesses verdadeiros da atividade!  No final da reunião, demos uma lida nas frases coletadas para conhecimento de todos e acertos necessários.

 

Foi muito interessante, quando um dos participantes comentou: “ o bom seria publicarmos essas tiradas”. Ele não conhecia a Comunidade, e na hora, retrucamos: “ esse problema será resolvido também.Fique tranquilo, vamos publicar”.

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FORTALECIMENTO DA SBS: UMA NECESSIDADE DA SILVICULTURA!

Em uma de nossas postagens, fizemos referências à SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, suas contribuições do passado e sua “quase paralisação” nos dias atuais. Essas referências foram suficientes para que um grande amigo e silvicultor muito rodado, conhecido e respeitado no setor, enviasse-nos uma mensagem, que, com a devida autorização, compartilhamos com os amigos da Comunidade de Silvicultura. Em tom de admiração colocou: “ essa é a mesma entidade, que participou do Código de 65, que ajudou na elaboração das políticas de incentivos fiscais, que conseguiu assento para o setor florestal no Conama, que organizou e deu vida ao Cerflor ”? E, ainda fez outras complementações: “ contava com o apoio de empresários, professores, pesquisadores, estudantes e produtores. Tinha o respeito e a credibilidade do Governo e era a grande responsável pelos Congressos Florestais Brasileiros, que nunca mais existiram”? E, ainda indagou: “ alguma outra entidade substituiu a SBS? E continuou:” será que o setor foi se acostumando com a idéia de não ter mais representação política, ou acredita que os segmentos industriais, disso ou daquilo, vão se incomodar com as dificuldades do produtor de florestas”?

Em seguida, colocou um alerta : “ já, já, vamos estar com novos governantes e não temos nada para apresentar, aliás, com certeza, nem sabemos bem o que pedir e o que precisamos fazer para o setor iniciar novo ciclo de crescimento” e fez uma oportuna indagação : “ será que com tantas dúvidas sobre o valor da madeira, as dificuldades dos fomentados, a falta de pesquisa para nossas espécies nativas, os compromissos internacionais que ninguém fala nada, a falta de empenho do Governo para viabilizar a madeira como energia e outra encrencas, já não mostraram que precisamos dar uma chacoalhada em nossa silvicultura? E finalizou: “ precisamos fortalecer a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura. É neutra, cuida dos interesses da silvicultura e dos silvicultores. Tem credibilidade e uma grande história de realizações. Pode reivindicar com propriedade e respeito. Defende os interesses de todos que plantam – pequenos, médios e grandes”.

E ainda, fez questão de colocar uma cobrança: “ A Comunidade de Silvicultura precisa fomentar as discussões para que se encontre alternativas para se dar vida à SBS para o bem de quem planta, de quem comercializa e de quem consome a madeira”.

A Comunidade de Silvicultura compartilha a preocupação, fez o registro e passa a palavra aos que se interessam pelo fortalecimento da silvicultura brasileira!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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“A UNIÃO FAZ A FORÇA” DA SILVICULTURA!

A todo momento, em diferentes oportunidades, fala-se muito nos valores – econômicos, sociais e ambientais – da silvicultura. No entanto, tem sido crescente os comentários a respeito da fragilidade com que o setor se posiciona politicamente. Aliás, nem tem se posicionado! Mas essa postura é antiga, e os anos se passaram e aparentemente, só estamos nos distanciando das tomadas de decisões. Até nas empresas esse apagão está chegando. Há poucas diretorias empresariais, em que o representante florestal tem assento na mesa de decisões.

A silvicultura continua sendo vital à sustentabilidade dos empreendimentos industriais, mas é difícil explicar a contínua perda de espaço do “diretor florestal”, em importantes empresas. Será que também é resultado da oferta de madeira? Essa incógnita só vai ser explicada com o tempo. Vamos torcer para que o desempenho dos diretores que estão conseguindo manter a assunto florestal na mesa de decisões, justifiquem a deferência. Com certeza, essas empresas estarão na frente, no médio e longo prazo!

Mas abordemos a fragilidade política do setor! Cabe um destaque especial ao nosso amigo e ex-ministro José Carlos Carvalho, quando se fala em união do setor. Em inúmeras oportunidades ouvimos de nosso amigo e ex-ministro: “ é impressionante como nosso setor é desunido e não sabe aproveitar e valorizar as suas variadas contribuições”. E sempre enfatiza: “ só com a união de todos, vamos conseguir sensibilizar governos e governantes em prol do fortalecimento do setor florestal brasileiro ”. E sempre que pode, ou que teve oportunidade para agir, sempre o fez com muita objetividade! Foi por conta de sua colaboração e crédito, que a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura conseguiu uma vaga para representar o setor florestal no Conama. E foi também, por sua filosofia de “ unir o setor “, que se adotou um rodízio nessa representação. Pena que esse rodízio só foi respeitado pela SBS. Nunca mais se teve notícia desse rodízio. É bom que se diga também, que nem se sabe, se haveria entidade interessada nessa árdua e penosa tarefa!

Mas o importante é que se registre a necessidade de se juntar os esforços dos diferentes segmentos industriais e especialmente dos produtores florestais – pequenos, médios e grandes – para que tenhamos mais força para reivindicar os interesses do setor!

Alguém é capaz de negar a necessidade de políticas públicas bem claras e objetivas para traçar novas diretrizes à nossa silvicultura? A lista de necessidade é grande e algumas dependem, exclusivamente, de vontade política. É aqui que entra a força, que ainda não temos! Se estivermos unidos, talvez não seja tão difícil consegui-la, mas desunidos, não dá nem para sonhar com sua existência! Separados e cada segmento cuidando do seu quintal, continuaremos como somos: sem nenhuma expressão e sem saber, nem onde e nem com quem conversar!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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