Podemos discutir o desenvolvimento tecnológico que está chegando, o arroz com feijão, que mal se aplica nos dias de hoje, políticas públicas para isso ou aquilo; a silvicultura mitigando problemas climáticos e a madeira gerando energia; a necessidade de mais pesquisas para nossas espécies nativas e por ai vai. O cardápio é extenso. E com criatividade, quase não tem fim.
Mas juntando tudo isso, multiplicando daqui e dali, chega-se à conclusão de que, quem manda na nossa silvicultura é o valor da madeira, que permite mantermos a competição, em nível internacional, principalmente junto aos grandes importadores de celulose como a China! Qual o motivo? Muito simples: nossos grandes consumidores, e só eles, comandam o mercado de madeira. E o preço da matéria prima, mantem estreita relação com o preço da celulose, lá na China. Pequenas variações, mas nada tão significativo.
Essa relação é bastante controlada. E isso não muda, tão facilmente. E daí, a conclusão lógica: a China, grande importadora de celulose, servindo como importante balizadora de preço do mercado internacional, manda nos rumos de nossa silvicultura. A competitividade quase que congela, ou permite pouca flexibilização nos custos de produção industrial. E, com isso não se altera o preço da madeira colocada na fábrica.
Essa cadeia com preços “imexíveis” vai fazer a silvicultura definhar e se restringir somente aos grandes consumidores, e num raio de até 100 km dos centros de consumo. Uma atividade com várias universidades, milhares de profissionais e produtores, e milhões de empregos. Tudo à disposição, unicamente, de poucos e grandes consumidores. E ainda vamos continuar falando em sustentabilidade?
A grande esperança é que sejam agregados mais valores aos produtos industriais e não fiquemos restritos a esse mercado competitivo, que só sobrevive com o sacrifício da silvicultura. E há quem diga, que temos grande potencial para ocuparmos o mercado internacional.
Ninguém duvida, mas com a certeza, de que precisamos redesenhar a indústria de base florestal para que a madeira seja devidamente valorizada!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br









