PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES –2 !

Com os incentivos fiscais de 1966……….. Os comentários serão sempre muito bem vindos!

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Comunidade de Silvicultura- 2/
5-06-2017/

O REFLORESTAMENTO E A ORIGEM DAS POLÊMICAS/
É difícil negar a enorme contribuição que a política de incentivos fiscais prestou para o desenvolvimento da silvicultura brasileira. Mas da mesma forma, já se ouviu muito a respeito dos escândalos que se abateram sobre o programa de reflorestamento incentivado. Abusos de ordem financeira, problemas técnicos, desrespeito às necessidades sociais e exigências ambientais. São esses problemas, dentre outros, que tornaram insustentável a continuidade da referida política.

Na verdade, faltava estrutura institucional para fiscalizar milhares de empresas implantando e mantendo milhões de hectares reflorestados em todo o Brasil – eram milhares de empresas responsáveis por mais de 30.000 projetos em todo o Brasil, e em diferentes idades: plantios de eucalipto, pinus, babaçu, algaroba, caju, cupuaçu, etc. E a grande maioria das empresas, atuando sem profissionais de campo, e sob a responsabilidade técnica de “escritórios de projetos”. Havia pouca pesquisa e faltavam informações e divulgação de dados técnicos para que se pudesse alcançar bons resultados.

Os trabalhos de qualidade se restringiam às empresas, realmente, interessadas na produção de madeira, onde se destacavam brilhantes profissionais – normalmente, eram empresas vinculadas às indústrias consumidoras. Mas, infelizmente, os abusos se acumulavam e a extinção dos incentivos se tornou inevitável! Ficaram na lembrança e merecem respeitosos cumprimentos honrosas exceções: o comportamento de restrito grupo de excelentes empresas, a dedicação de responsáveis empreendedores e, acima de tudo, o esforço gigantesco, quase heroico, de alguns profissionais do IBDF. Essas exceções fizeram com que parte significativa dos incentivos utilizados se transformasse em grande sucesso e consolidasse as bases da indústria florestal brasileira.

No entanto, as encrencas geraram intermináveis polêmicas técnicas, ambientais e sociais, que perduraram e ainda rondam o setor – grandes desmatamentos, o “eucalipto que seca a água”, as barracas de plástico para abrigar a mão-de-obra, as áreas abandonadas, as “festanças das formigas”, etc. Essas aberrações abriram espaço e fortaleceram os intensos movimentos e as ongs socioambientais, que surgiam na ocasião. De outro lado, a necessidade de informações técnicas exigiu esforço gigantesco e grandes investimentos em pesquisas e experimentações florestais. Alavancava-se, dessa forma, o desenvolvimento científico e tecnológico da silvicultura, que tem alcançado os níveis de excelência dos dias atuais. Aqui, há de se saudar o empenho de empresas, instituições de pesquisas, universidades e dos brilhantes profissionais, que se mantiveram na vanguarda da atividade!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
Em novas postagens serão tratados para REFLEXÃO DOS SILVICULTORES :

-Os avanços tecnológicos e polêmicas que se arrastaram;
-As medidas administrativas que salvaram florestas;
-Instituições de pesquisas e as entidades setoriais;
-O Horto de Rio Claro e a contribuição à silvicultura.

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES!

Com os incentivos fiscais de 1966 ( Lei 5106 ), a silvicultura brasileira se transformou numa atividade de grande impacto econômico, social e ambiental. Já se vão mais de 50 anos. E a partir desse marco muitas coisas boas e ruins marcaram a silvicultura brasileira. E muitas coisas ficaram no esquecimento.

É, no mínimo, oportuno e interessante, lembrar de episódios que deixaram marcas indeléveis no setor. Registraremos uma relação de marcos para reflexão! É bom lembrar que o conhecimento da história evita a repetição de erros e possibilita a multiplicação dos bons exemplos. A Comunidade de Silvicultura terá uma sequência de registros, com título e datas para facilitar o acompanhamento:

Comunidade de Silvicultura;
Assunto;
Data.

De tempos em tempos, teremos uma postagem e gostaríamos de receber contribuições de nossos amigos silvicultores. Tudo simples e com abordagem bem sucinta. Nada de trololó! Objetivo e provocativo!

Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!

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Comunidade de Silvicultura
IBDF e os incentivos fiscais
31-5-2017
O IBDF, que sucedeu, o Instituto Nacional do Pinho, centralizava toda a política florestal brasileira. O Departamento de Reflorestamento, coordenava a política de incentivos fiscais. O IBDF era vinculado ao Ministério da Agricultura. Mais de 2000 empresas tinham o registro para atuarem como “empresas de reflorestamento”. Os programas anuais giravam em torno de 300/350.000 ha/ano. Quase tudo com eucalipto e pinus. Cerca de 1% dos plantios era realizado com espécies nativas, e até algumas frutíferas faziam parte das espécies incentivadas.

Os incentivos foram extintos em 1987, depois de inúmeras modificações na legislação. Ao término do incentivo falava-se em área plantada em torno de 4 milhões de ha. Muitos erros, falta de fiscalização, mas o saldo foi extremamente positivo. Consolidavam-se as bases da indústria florestal brasileira. Para muitos, foi o segmento incentivado que trouxe mais benefícios sociais e econômicos ao país. Mas deixou muitas polêmicas para serem resolvidas!

Na década de 70, eram 7 escolas e em 2015 temos 71 cursos de engenharia florestal. Formavam-se menos de 100 engenheiros florestais ou agrônomos silvicultores por ano. Atualmente, formam-se mais de 1000 engenheiros todos os anos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A CRISE POLÍTICA E O IMPACTO NA SILVICULTURA

Não poderia ser diferente! Tudo tem sido impactado, mas a silvicultura pode apresentar desdobramentos preocupantes. Há tempos, estamos observando um rol de problemas, que estão afetando de forma significativa o setor! E essa crise política, com certeza, vai estender por mais algum tempo, os inconvenientes tão reclamados! Há, ainda, outro agravante: sobra madeira! E pode parecer brincadeira, mas enquanto não houver paralisação de alguma indústria, não tenhamos ilusão de que o assunto vá causar tanta preocupação. Infelizmente, a distância da madeira, por maior que seja, é muito menos grave que uma paralisação industrial. Quem tem o problema, vai fazer de tudo, antes de reconhecer a encrenca.

E vamos, que vamos. Quando alguém parar, aí sim! As coisas mudam de figura! Os estragos? Com certeza, vão ser tratados por outros! E essa crise, que estamos vivendo, torna os nossos problemas mais complexos. Na verdade, já não há tantas surpresas a respeito do “punhado de assuntos”, que afligem a todo o setor! Seria uma tremenda ingenuidade admitir que essas questões fossem ocupar a pauta, num momento em que a palavra de ordem é “cadeia”!

Mas é muito importante, que não esqueçamos de que as dificuldades vão se acumulando, e que só serão resolvidas pelos silvicultores. Os de verdade, não os de passagem! Os problemas da silvicultura não se apagam com o tempo, exigirão o esforço dos profissionais que conhecem bem a atividade e que sabem dos inevitáveis desdobramentos que poderão vir!!! Mas, por enquanto, é chover no molhado! Mas não custa nada manter a atenção dos interessados!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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 REFLORESTAMENTO: PREÇO BAIXO E A PRODUTIVIDADE ABAIXANDO!

 

Falar do preço baixo da madeira  é recorrência, quase ingenuidade! Que isso pode , lá na frente, criar dificuldades para os próprios consumidores, também não dá eco! Mas falar que os dados de produtividade de muitas regiões, tradicionalmente, produtoras de madeira e que sempre apresentaram altas produtividades, está baixando, parece brincadeira. E gera grande preocupação. Essa soma – madeira sem valor e produtividade em queda –  é uma mistura explosiva e assusta!

Recentemente, tivemos a oportunidade de ouvir de um produtor florestal e líder de importante cooperativa, que atua em região, onde o reflorestamento tem grande significância social e econômica – “ ninguém pode negar que chegamos, onde chegamos, pelo crescimento das grandes indústrias, e agora estamos sendo esquecidos”….. “ será que esse pessoal não percebe que sem os produtores, essas indústrias poderão ter sérios problemas de abastecimento e um exército de inimigos  tacando pedra nas indústrias?”

E continuou – “ será que esse pessoal de comando não percebe  que o produtor está  insatisfeito, sofrendo e  desistindo do negócio?” E foi além – “ e continuam querendo fazer fomento e usando alta produtividade para fechar a conta !  sem dinheiro e a madeira sem nenhum valor, quem vai adubar e tomar conta das florestas ?  parece que querem matar a silvicultura. E arrumam um punhado de justificativas para  explicar  a queda da produtividade. Falam de  declínio clonal ,que nada!  será que não é falta de grana para fazer a silvicultura bem feita?”. E a insatisfação trouxe mais informações -” há empresa buscando madeira  a mais de 1000 km de distância e se nega a melhorar o preço da madeira, que está no quintal dela!”.

E a conversa foi mais longa e com detalhes interessantes!  Junta-se tudo e nada disso é novidade. No entanto, o que se pode acrescentar a esse quadro, é que há informações, de que o problema de falta de madeira, em algumas regiões,  está se complicando  e a solução cada vez mais distante!!!!!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AINDA SOBRE AS PRAGAS DE NOSSAS FLORESTAS!

 

Além das milhares de visualizações na  postagem anterior, que trata do mesmo assunto, recebemos uma mensagem, que  merece ser compartilhada : “ Parabéns por abordar esse assunto. É da maior importância para nossa silvicultura e, é quase proibido tocar nesse assunto, em muitas conversas e reuniões! Talvez todas as empresas conheçam e saibam bem dos possíveis desdobramentos dessa  encrenca, mas quem fala que tem pragas em suas florestas, fica meio marcado como incompetente!!!! Ou abraçamos essa causa e vamos a fundo em pesquisas e medidas preventivas e corretivas,ou teremos, num prazo não muito longo, um punhado de profissionais competentes chorando o leite derramado”.

Não poderia deixar de juntar a essa mensagem, a opinião do Dr. Newton Macedo, respeitadíssimo entomologista de cana, que ao conhecer a mensagem acima, falou”  o setor precisa dar um prêmio para esse moço. Teve coragem de mostrar uma realidade que todos querem esconder” e completou : “ o setor canavieiro  não é diferente, só que nós já aprendemos a classificar as empresas – onde se faz tudo direitinho e com alto padrão tecnológico a praga já está controlada e deixou de ser problema; as empresas que querem atalhar para fazer economia não param de lutar, e as vezes  se metem em grandes encrencas, mas as empresas que não se incomodam com as pragas já quebraram, ou estão a caminho de quebrar”!  Daí, eu disse: “ A situação do setor florestal é um pouco diferente, pelo menos, até agora, nenhuma empresa quebrou por problemas de pragas, mas que o assunto também é visto de forma diferente pelas diversas empresas, também, com certeza, ninguém duvida”!

Fica o alerta para reflexão, e para ações concretas aos que já sentiram o susto e a desagradável surpresa de ataques de pragas! E muito interessante foi a comparação que o Dr. Newton fez entre as pragas e o fogo: “ adianta alguma coisa  a empresa estar mais ou menos protegida contra o fogo? ou está protegida ou não está , pois quando chega o fogo ou as pragas, o  azar está feito! E concluiu,de forma contundente- “os resultados positivos na cultura de cana,  só surgiram depois de muitos investimentos em pesquisas,preparação de mão-de-obra e em medidas preventivas”! e finalizou : “ virar as costas para o problema ou esperar que as soluções surjam de forma milagrosa é de um risco imensurável. Aproveitem, em quanto não tomaram uma paulada para valer e invistam em pesquisas, apoiem os pesquisadores e não deixem de observar tudo, todos os dias!”.

Diante de tamanha preocupação, não poderia deixar de compartilhar essa conversa com os amigos da Comunidade de Silvicultura!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PRAGAS E DOENÇAS: A NECESSIDADE DE ESFORÇO CONJUNTO!

 

Na reunião do IPEF, que participamos no dia 27 de abril, tivemos oportunidade de conhecer os inúmeros programas de pesquisa que estão sendo desenvolvidos pelas empresas associadas. Indiscutivelmente, uma riqueza de informações! Um patrimônio imensurável, que pode garantir a competitividade da silvicultura por muito tempo. Há muito a evoluir e, aparentemente, as bases científicas se encontram consolidadas. Um excelente trabalho que vem sendo construído há muitos anos. Ficou evidente, no entanto, que algumas pesquisas originam-se de demandas que transcendem as relações de cada associada com o IPEF. São problemas que podem afetar a todos e precisam do engajamento de todos para que se possa dar o devido encaminhamento a essas questões.

É o caso da proteção desse rico patrimônio florestal brasileiro contra ataques de pragas e doenças! Há algum tempo, renomados silvicultores tem- se mostrados preocupados com essa questão. O Dr. Rensi, um profissional de grande respeitabilidade, com certa frequência, lembra do recado que o Dr. Pryor – antigo pesquisador da Austrália, dizia, com muita insistência – “ O Brasil está trabalhando com uma base genética muito pequena. Isso pode causar, a qualquer momento, um grave problema.

Há necessidade de se ampliar a base genética da silvicultura brasileira”. E o interessante, lembra o Dr. Rensi – “ já se foram quase 50 anos, e as coisas não mudaram muito. Aliás, aumentou-se de forma significativa a quantidade de áreas plantadas e sem tantas modificações no material genético”. E ele, sempre, conclui – “ será que esse pessoal está esperando que aconteça algum desastre para depois acordar?”

Face à dimensão das eventuais dificuldades e à importância socioeconômica, que a silvicultura já representa para muitas regiões, a Comunidade de Silvicultura apresenta o tema para reflexão! E aqui, como foi lembrado, na reunião do IPEF, não vai adiantar nada a pesquisa isolada desta ou daquela empresa. Vamos precisar do esforço e das pesquisas de todos! Essas são pesquisas que transcendem os objetivos e a missão do IPEF. A silvicultura brasileira precisa dessa segurança!

Essa é uma necessidade de todo o setor de base florestal e casos, como esse, precisariam ser pensados como estratégia de Governo!!!!!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O IPEF e o berço da silvicultura!

 

Ontem, dia27 de abril, tivemos oportunidade de participar das Assembléias  do IPEF – prestação de contas, relatórios técnicos e mudanças de Diretores. Como sócio honorário da instituição – título dado  a todos ex –diretores – pude ter a satisfação de conhecer um pouco da grandiosidade da instituição e ficar com a certeza de que  essa riqueza de conhecimento acumulada em 50 anos (completa 50 anos em 2018), já transcende aos objetivos da instituição.

 

É um grande patrimônio da ciência florestal brasileira!  Acreditamos que não seja nenhuma ousadia  dizer que  o crescimento da silvicultura brasileira vai depender, e muito, dos novos rumos que o IPEF trilhar!  Mais produtividade em nossas florestas, com menores custos, com tecnologias mais eficientes, avanços com nossas espécies nativas, divulgação de informações aos produtores florestais, usos alternativos da madeira, os impactos climatológicos, a madeira como biomassa energética, a segurança de nosso rico patrimônio – pragas e doenças – e mais outros temas de relevante importância  fazem parte de um grande elenco de trabalhos em andamento  na instituição.

 

O IPEF cresceu, serviu de modelo para outras instituições, tornou-se referência tecnológica para nossa silvicultura intensiva, está acompanhando e monitorando toda a  atividade, e atento às inúmeras adversidades que podem surgir. O  sucesso do IPEF é a garantia de que o PIB Florestal pode crescer! A nossa silvicultura vai continuar sendo competitiva, as indústrias  de base florestal vão ocupar espaço nos mercados internacionais. O bom desempenho do IPEF é a certeza, de que essa riqueza tecnológica da silvicultura brasileira está sob  guarda de profissionais competentes, entusiasmados e de extrema dedicação.

 

A Comunidade de Silvicultura cumprimenta os diretores  que deixaram seus postos e deseja à nova direção muito sucesso! E um  reconhecimento especial da Comunidade:  a sustentabilidade  das indústrias de base florestal  passa pelo sucesso das pesquisas florestais. E o IPEF representa   importante  berço   da ciência florestal!  O IPEF serve a um grupo seleto de empresas, mas acima de tudo, já se tornou  necessidade de toda a silvicultura brasileira!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURANDO-SE

Assuntos para reflexão e sugestões!
1- E o Congresso Florestal Brasileiro?
Por muito tempo, foi o maior evento do setor. Sempre, as grandes decisões, que mudaram rumos ou que consolidaram oportunidades, tiveram a chancela do Congresso Florestal Brasileiro, realizado sob a tutela da SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, em parceria com a Sociedade Brasileira dos Engenheiros Florestais. Os resultados foram sempre positivos: avanços tecnológicos mostrados pelos renomados pesquisadores; inovações empresariais ; reivindicações de estudantes ; participação efetiva das universidades ; das instituições governamentais, etc. Os Congressos Florestais sempre produziram resultados estratégicos importantes! Será que não estamos no momento de nos preparar para um evento dessa natureza? e que possa contar com o apoio das grandes autoridades do setor: universidades, lideranças empresariais e governamentais? Com a palavra as entidades representativas do setor!

2- E as novas fronteiras da silvicultura?
Há alguns anos atrás, a moda era a corrida para as novas fronteiras – Tocantins, Piauí, Maranhão, oeste da Bahia, etc. Alguns empreendimentos surgiram e se consolidaram. Outros foram até determinado ponto e pararam…. Enfim, para muitos, que não acompanham o desenvolvimento da silvicultura, fica a sensação de que essas novas fronteiras sumiram…… Tremendo ” fogo de palha”! Cada caso tem suas particularidades, mas aspectos negativos se somaram e criaram enormes dificuldades para continuidade de alguns empreendimentos: a grande crise econômica, aliada aos frustrantes resultados iniciais , talvez possam ser apontados como os principais aspectos que arrefeceram o entusiasmo dos mais interessados. Mas cabe a pergunta: ainda vale pensar em novas fronteiras? Para muitos essa resposta vai depender de outras indagações : A-Os setores industriais de base florestal vão continuar crescendo?
. B- Os empreendimentos que tiveram continuidade mostraram indicadores convincentes para se formar florestas com sucesso?
São essas perguntas que precisam ser devidamente analisadas. Algumas regiões, realmente, por total falta de condições edafo-climáticas não terão chance de serem aproveitadas. Mas muitas, com certeza, vão se constituir, de fato, em importantes fronteiras da silvicultura brasileira. No entanto, há de se concentrar muitos esforços em pesquisas e experimentações. Há dados, que mostram a viabilidade de se formar floresta com material genético bem selecionado e procedimentos silviculturais adequados às condições regionais. O estado do Maranhão já é uma realidade e o Tocantins é exemplo típico de região com grande potencial para desenvolvimento.
No entanto, isso só será realidade na medida em que se avancem com pesquisas e experimentações. Há sinais concretos e animadores, de que é possível se fazer silvicultura e com sucesso na região. Se os setores industriais continuarem a crescer, o aproveitamento dessas regiões será inevitável! Avancemos com as pesquisas e experimentações e lá na frente, com certeza, a silvicultura vai agradecer!

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA É SÓ O “ARROZ COM FEIJÃO”?

 

Tem sido comum encontrarmos referência ao “arroz com feijão” da silvicultura. Pode até parecer um procedimento corriqueiro e que qualquer plantador dá conta do recado. Com certeza, essa forma simplista de se interpretar o “arroz com feijão” seja responsável por muitas florestas improdutivas existentes, por aí.

Talvez a interpretação mais adequada fosse – “ é um pacote de práticas silviculturais bem sucedidas, que se aplica rigorosamente na formação das florestas”. O “arroz com feijão” é coisa para profissionais responsáveis e comprometidos com resultados. Sem firulas e sem “mais ou menos”. Preparo de solo bem feito, cuidado extremo com erosão, adubações “ na pinta”, mudas de qualidade genética e de boa formação, formiga morta e mato-competição nem pensar ! Parece tudo muito simples. Mas repita, sem nenhuma exceção, essa rotina em toda sua área de plantio, e vai perceber a necessidade de muito esforço e quantas dificuldades precisam ser superadas. E se facilitar, esqueça! Nada de 35,40 metros cúbicos /ha/ano.

Há uma rotina de procedimentos a ser seguida,rigorosamente, e a filosofia básica é a simplicidade com que se faz, o cuidado com a qualidade e a quantidade de tudo que se faz, e o respeito por custos, prazos e cronogramas de tudo que precisa ser feito. Juntar, somar e multiplicar tudo isso é coisa para gente preparada, que não tenha preguiça para amassar barro, medo de tomar sol e chuva e, acima de tudo, saiba respeitar seus colaboradores! Esse é o “arroz com feijão”.

E as pesquisas e as sofisticadas tecnologias, que podem se agregar ao processo para aumentar a produtividade, onde entram? No conhecimento detalhado do solo, na escolha dos melhores equipamentos para execução das tarefas, na produção de melhor material genético, na identificação e melhoramento desse material genético, no acompanhamento da fisiologia vegetal e na sua integração com adubações e práticas operacionais, nos sistemas de proteção e controle, na forma de se programar para empreender, etc. Grande parte disso pode ser, feito sem sol e sem chuva, mas com base científica bem direcionada !

Aqui, entram os grandes pesquisadores. Aqui entra a ciência de se fazer floresta. Daqui saem as melhorias para o “ feijão com arroz” melhorado. Aí, sim….Quando se consegue somar tudo isso, a chance de se ter boa produtividade é grande. E são os casos de sucesso da silvicultura brasileira. A encrenca se dá, quando não se faz o básico e se parte para o melhorado! E as primeiras coisas que evitam são o barro, o sol e a chuva!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

 

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  A SILVICULTURA PRECISA DE UMA CHACOALHADA!

 

 

A silvicultura brasileira, nos  últimos 50 anos, teve mudanças significativas.  Mas nos dias atuais, está estagnada!  É bom conhecer um pouco da  história!  Ouvimos de um grande amigo: “precisamos falar das dificuldades que enfrentávamos  e que, com tanta facilidade,  eram resolvidas” e completou : “Hoje tudo é  mais complicado. Tudo precisa de reuniões,  conforme esse ou aquele interessado. E ninguém decide nada!”. E lembrou: “o Dr. Helládio passava a mão no telefone, ligava para dois ou três diretores e estava  tudo encaminhado”.

 

Dessa forma rápida e rasteira, passamos de 20 metros cúbicos para quase 35 metros cúbicos/ha/ano. Daí para frente, estamos dando pique no lugar! Os tempos são outros, com novas tecnologias, sofisticados sistemas de controle, mas  nenhuma mudança significativa. Há dúzias de  detalhes e melhorias, mas o “ arroz e feijão dos 35” , ainda é  o grande alvo, e é privilégio de poucos!  As encrencas com legislação?

 

Algumas reuniões, juntava –se  na SBS,  elaborava-se um documento conjunto e estava feito o pleito do setor! Hoje? Nem imagino como fazer isso! e muito menos para quem levar em Brasília! Discutir as reivindicações do setor!  Não sabemos dizer onde. Talvez  tenhamos que deixar na mesa de algum deputado…. e  boa! E o que está faltando? Um ditado antigo dizia: “ em casa que falta pão, todo mundo discute, mas ninguém tem razão”.

 

Será que essa paradeira toda, é  fruto do preço da madeira, ou sinal de que, de fato,  o  setor está encolhendo?  Será que não está passando do momento de se organizar alguma  mobilização conjunta, e promovermos uma chacoalhada na nossa silvicultura?  Como fazer e com quem, é outra conversa! Primeiro é preciso que acordemos!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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