MERCADO DE MADEIRA, AINDA ATRAPALHADO!

“Numa tremenda confusão política, ainda vamos falar do mercado de madeira? É complicado, mas como pagamos nossas contas”? Essa é a voz corrente entre os produtores florestais. Há muitas informações conflitantes – variações de preços e condições de negociações – mas o que realmente interessa, é a dificuldade de se registrar negociação de madeira a valores que atendam ao produtor, que sabe quanto custa plantar!

Numa reunião sobre a situação do mercado de madeira, ouviu-se de tudo: desde o metro de madeira valendo um repolho – alguém parafraseando o Eng. Balloni – e até vendas em torno de R$50,00 o metro cúbico em pé e com casca!!!! Como explicar tremenda diferença? E aí entram os casos, que merecem ponderação! Se a floresta está nas proximidades da fábrica – até 100 km – em região plana, em quantidade que justifique o deslocamento de “toda a parafernália para mecanizar a colheita”, pode ter certeza de que existe mercado ávido para compra. E isso é sintomático nas regiões tradicionalmente produtoras de madeira. Percebe-se “um rapa no campo”, com empresas cortando florestas em idade inadequada (4/5 anos) para não deixar que a “tropa mecanizada” fique parada.

O custo é alto! Aqui, a matemática pode mais que a biologia, e pau na floresta! Mas há casos de empresas percorrendo milhares de quilômetros em rodovias públicas, atrás da sua matéria-prima – falta madeira no seu entorno e não há perspectivas de novos plantios. Nessas regiões, já fritaram a galinha de ovos de ouro! E há casos de pequenos produtores, que usam e abusam de seus recursos (mão-de-obra, equipamentos, caminhões, etc.) e conseguem levar a madeira à fábrica e continuam firmes e fortes. Só que não fazem nenhuma conta! E no sul, onde a conversa é com o pinus, a história parece que se repete!

Na verdade, o quadro é o mesmo há alguns meses, e nada mudou do lado do produtor de madeira! Mas do outro lado, muito barulho e movimentação. O mercado em alta dos principais produtos chama a atenção da mídia. Fala-se em expansões e até em novas unidades de produção. Negociações e reuniões internacionais para tratar da sustentabilidade. A economia de baixo carbono e as discussões do clima para salvar o planeta. E as florestas no meio! Restaurações, aumento de áreas recuperadas, e por aí vai..

Parece que tudo isso faz parte de um mundo que não tem nada a ver com a silvicultura. Essa mesma silvicultura, que se arrasta e que não consegue se viabilizar com suas florestas prontas para serem cortadas! Parece brincadeira ! e não dá para deixar de registrar tamanho paradoxo!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A IMPORTÂNCIA DO “SILVICULTOR DE BOTA”

 

Foi com essa expressão que assistimos a uma homenagem de uma grande empresa ao término de sua programação anual de plantio: “ o programa, com tantas dificuldades e dúvidas, só foi possível graças  ao importante trabalho desenvolvido pelo nosso grande amigo e excelente “silvicultor de bota”……..  E daí teceu inúmeras palavras elogiosas ao comportamento e desempenho profissional do homenageado silvicultor. Com meia dúzia de frases o presidente do empreendimento deu um grande recado: “ conhece e domina as sofisticadas planilhas; discute e dá sugestões; conhece e respeita o orçamento e os cronogramas; está presente no campo, no começo e no final de cada dia; é justo em suas atitudes; é amigo, conselheiro e orientador de seus colaboradores; sabe fazer com qualidade e com os recursos disponíveis e acima de tudo, sabe ceder nos momentos certos e nunca abre mão da ética”.

 

A empresa acabava de fechar o programa anual, após inúmeras dificuldades operacionais, dúvidas técnicas e divergências entre os seus diretores! A floresta estava, realmente, muito bonita e o ambiente entre os funcionários era de enorme satisfação. Todos se sentiram homenageados. E o ponto mais marcante dessa história foi a resposta que recebemos, ao indagá-lo sobre suas experiências profissionais: “ não se aprende silvicultura no escritório e ninguém faz nada sem o respeito e a confiança de uma boa equipe de colaboradores”. Fica o registro para reflexão dos “silvicultores de bota” e “silvicultores sem bota”!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O PRODUTOR, O PROFISSIONAL E A REPRESENTATIVIDADE!

 

Num encontro de alguns dias atrás, só entre profissionais do setor, a conversa girou em torno de inúmeros problemas. Resolveu-se, quase tudo… como sempre acontece nesses encontros.  Oportunidade ímpar e fizemos questão de registrar aspectos importantes relacionados ao produtor florestal, aos profissionais e à estrutura representativa da silvicultura brasileira. Guardamos as frases mais expressivas que mostram muito bem a prosa oportuna e rica de informações. Sobre o produtor tivemos: “ é o melhor instrumento para as grandes indústrias usarem como propaganda da integração com as comunidades, mas nem pensar se o assunto for sustentabilidade da atividade”. Ainda sobre o produtor: “ a grande encrenca é quando o danado teima em fazer conta e chega à conclusão de que não está ganhando dinheiro”.

 

Dos profissionais, registramos várias: “ encontrar um silvicultor que saiba plantar, que use as planilhas e controles sofisticados, e que seja devidamente valorizado nas empresas é tão difícil quanto encontrar um japonês que bata pandeiro”. Ainda sobre profissionais: “ as grandes injustiças que se vê no setor, na grande maioria dos casos, estão  ligadas ao descuido que se tem com os profissionais que carregam as empresas nas costas, resolvem grandes problemas, são éticos, responsáveis e, de repente, não servem mais…. E sobre a representatividade setorial: “ as entidades, que são usadas para que profissionais se promovam em suas empresas, sem sol e sem chuva, ficam sem conteúdo, perdem a credibilidade e não atendem aos interesses verdadeiros da atividade!  No final da reunião, demos uma lida nas frases coletadas para conhecimento de todos e acertos necessários.

 

Foi muito interessante, quando um dos participantes comentou: “ o bom seria publicarmos essas tiradas”. Ele não conhecia a Comunidade, e na hora, retrucamos: “ esse problema será resolvido também.Fique tranquilo, vamos publicar”.

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FORTALECIMENTO DA SBS: UMA NECESSIDADE DA SILVICULTURA!

Em uma de nossas postagens, fizemos referências à SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, suas contribuições do passado e sua “quase paralisação” nos dias atuais. Essas referências foram suficientes para que um grande amigo e silvicultor muito rodado, conhecido e respeitado no setor, enviasse-nos uma mensagem, que, com a devida autorização, compartilhamos com os amigos da Comunidade de Silvicultura. Em tom de admiração colocou: “ essa é a mesma entidade, que participou do Código de 65, que ajudou na elaboração das políticas de incentivos fiscais, que conseguiu assento para o setor florestal no Conama, que organizou e deu vida ao Cerflor ”? E, ainda fez outras complementações: “ contava com o apoio de empresários, professores, pesquisadores, estudantes e produtores. Tinha o respeito e a credibilidade do Governo e era a grande responsável pelos Congressos Florestais Brasileiros, que nunca mais existiram”? E, ainda indagou: “ alguma outra entidade substituiu a SBS? E continuou:” será que o setor foi se acostumando com a idéia de não ter mais representação política, ou acredita que os segmentos industriais, disso ou daquilo, vão se incomodar com as dificuldades do produtor de florestas”?

Em seguida, colocou um alerta : “ já, já, vamos estar com novos governantes e não temos nada para apresentar, aliás, com certeza, nem sabemos bem o que pedir e o que precisamos fazer para o setor iniciar novo ciclo de crescimento” e fez uma oportuna indagação : “ será que com tantas dúvidas sobre o valor da madeira, as dificuldades dos fomentados, a falta de pesquisa para nossas espécies nativas, os compromissos internacionais que ninguém fala nada, a falta de empenho do Governo para viabilizar a madeira como energia e outra encrencas, já não mostraram que precisamos dar uma chacoalhada em nossa silvicultura? E finalizou: “ precisamos fortalecer a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura. É neutra, cuida dos interesses da silvicultura e dos silvicultores. Tem credibilidade e uma grande história de realizações. Pode reivindicar com propriedade e respeito. Defende os interesses de todos que plantam – pequenos, médios e grandes”.

E ainda, fez questão de colocar uma cobrança: “ A Comunidade de Silvicultura precisa fomentar as discussões para que se encontre alternativas para se dar vida à SBS para o bem de quem planta, de quem comercializa e de quem consome a madeira”.

A Comunidade de Silvicultura compartilha a preocupação, fez o registro e passa a palavra aos que se interessam pelo fortalecimento da silvicultura brasileira!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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“A UNIÃO FAZ A FORÇA” DA SILVICULTURA!

A todo momento, em diferentes oportunidades, fala-se muito nos valores – econômicos, sociais e ambientais – da silvicultura. No entanto, tem sido crescente os comentários a respeito da fragilidade com que o setor se posiciona politicamente. Aliás, nem tem se posicionado! Mas essa postura é antiga, e os anos se passaram e aparentemente, só estamos nos distanciando das tomadas de decisões. Até nas empresas esse apagão está chegando. Há poucas diretorias empresariais, em que o representante florestal tem assento na mesa de decisões.

A silvicultura continua sendo vital à sustentabilidade dos empreendimentos industriais, mas é difícil explicar a contínua perda de espaço do “diretor florestal”, em importantes empresas. Será que também é resultado da oferta de madeira? Essa incógnita só vai ser explicada com o tempo. Vamos torcer para que o desempenho dos diretores que estão conseguindo manter a assunto florestal na mesa de decisões, justifiquem a deferência. Com certeza, essas empresas estarão na frente, no médio e longo prazo!

Mas abordemos a fragilidade política do setor! Cabe um destaque especial ao nosso amigo e ex-ministro José Carlos Carvalho, quando se fala em união do setor. Em inúmeras oportunidades ouvimos de nosso amigo e ex-ministro: “ é impressionante como nosso setor é desunido e não sabe aproveitar e valorizar as suas variadas contribuições”. E sempre enfatiza: “ só com a união de todos, vamos conseguir sensibilizar governos e governantes em prol do fortalecimento do setor florestal brasileiro ”. E sempre que pode, ou que teve oportunidade para agir, sempre o fez com muita objetividade! Foi por conta de sua colaboração e crédito, que a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura conseguiu uma vaga para representar o setor florestal no Conama. E foi também, por sua filosofia de “ unir o setor “, que se adotou um rodízio nessa representação. Pena que esse rodízio só foi respeitado pela SBS. Nunca mais se teve notícia desse rodízio. É bom que se diga também, que nem se sabe, se haveria entidade interessada nessa árdua e penosa tarefa!

Mas o importante é que se registre a necessidade de se juntar os esforços dos diferentes segmentos industriais e especialmente dos produtores florestais – pequenos, médios e grandes – para que tenhamos mais força para reivindicar os interesses do setor!

Alguém é capaz de negar a necessidade de políticas públicas bem claras e objetivas para traçar novas diretrizes à nossa silvicultura? A lista de necessidade é grande e algumas dependem, exclusivamente, de vontade política. É aqui que entra a força, que ainda não temos! Se estivermos unidos, talvez não seja tão difícil consegui-la, mas desunidos, não dá nem para sonhar com sua existência! Separados e cada segmento cuidando do seu quintal, continuaremos como somos: sem nenhuma expressão e sem saber, nem onde e nem com quem conversar!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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INSTITUIÇÕES DE PEQUISAS E AS ENTIDADES SETORIAIS

A pesquisa florestal evoluiu de forma significativa no Brasil a partir da criação das instituições de pesquisas integrando as principais universidades e as grandes empresas consumidoras de madeira. Até então, tínhamos, com destaque, algumas pesquisas sob a responsabilidade de silvicultores pioneiros em diferentes locais e os trabalhos da Cia. Paulista, no Horto de Rio Claro -SP e do Instituto Florestal de S.Paulo – aqui, cabem alertas importantes:
1- O Instituto Florestal de S.Paulo possui uma riquíssima cadeia experimental com diferentes espécies de pinus e eucaliptos, instalada por brilhantes pesquisadores e que precisa ser devidamente protegida e utilizada, antes que seja eliminada. Há risco de perda de materiais de inestimável valor genético. Seria um desastre a perda desse patrimônio !
2- E quanto ao Horto de Rio Claro, é inaceitável que os setores industriais, que vivem do eucalipto, ainda não tenham se mobilizado para transformação do Horto de Rio Claro num marco histórico do eucalipto no Brasil. Há dados e observações maravilhosas à disposição dos interessados – há até quem diga, que o “silvicultor só completa o seu aprendizado, de fato, depois que visita o Horto de Rio Claro!
Mas os saltos mais significativos da pesquisa florestal se deram com a criação do IPEF, em 1968, na ESALQ-USP, e logo em seguida do SIF, em Viçosa na URMG e da FUPEF, em Curitiba. Essas instituições consolidavam um modelo de integração das universidades com as principais empresas do setor – um modelo, até então, inexistente no Brasil. E daí, a evolução foi rápida. Manteve-se rica e intensa troca de informações entre empresas, escolas, universidades, entidades de pesquisas e pesquisadores. E o aspecto mais importante: não faltavam recursos financeiros para os trabalhos tão necessários! Outras instituições se juntaram, ao longo do tempo, como a Embrapa Florestas e diversas escolas que foram sendo criadas.
E as produtividades atingiram níveis elevados. Foi um período muito rico da silvicultura brasileira. E com esse conjunto de forças e muito desprendimento, avançou-se de forma significativa em temas determinantes ao desenvolvimento das florestas e permitiu à silvicultura brasileira incontestável reconhecimento internacional. Há de se destacar de forma especial o envolvimento direto do alto comando das empresas, inclusive de seus principais acionistas, no apoio, decisões e direção dos programas de pesquisa florestal. Para muitos, esse representativo interesse marca a grande diferença entre os tempos, lá de trás, e os tempos atuais!!!
Paralelamente ao desenvolvimento das pesquisas florestais, surgiram os movimentos políticos e entidades representativas de diferentes segmentos e com diferentes objetivos – ARBRA ( Associação dos Reflorestadores do Brasil); associações estaduais, ABRACAVE ( Associação de Carvão Vegetal; ANFCP ( Associação Nacional de Celulose e Papel, dentre outras. Havia uma grande preocupação na defesa dos interesses dos segmentos industriais, das empresas de reflorestamento dos diversos estados e nas discussões de modificações da legislação, que pipocavam a todo momento. Nesse período, por sua grande credibilidade e respeito, a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, criada em1955, foi designada como representante do setor para discussão de assuntos de legislação e de políticas públicas de interesse do setor florestal. Essa representação foi resultado de entendimento entre diretores e acionistas empresariais, universidades e instituições de pesquisa.
A SBS representava e defendia com legitimidade os interesses de toda a silvicultura. Pela grande credibilidade, que já cultivava, a SBS teve oportunidade de prestar relevante contribuição na elaboração do Código Florestal de 1965 e nas políticas públicas para criação dos incentivos fiscais para reflorestamento, em 1966. Há de se destacar, que a SBS, ainda se mantém firme em seus propósitos, mas numa luta pela sobrevivência. Uma pena! Pois vive, graças ao esforço de restrito grupo de heroicos profissionais! Na verdade, esse patrimônio de respeito e credibilidade precisa ser resgatado para o bem da silvicultura brasileira!
Nos tempos atuais, esse contexto, tanto no que se refere às pesquisas florestais, quanto às entidades representativas encontra-se bastante diferente. Outras demandas, outros protagonistas, novos objetivos, enfim… as coisas mudaram! A Comunidade de Silvicultura registra e compartilha esses aspectos interessantes, que ficaram para trás e que merecem uma “boa” reflexão!
 
 
 
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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O INCÊNDIO EM PORTUGAL E OS RESPINGOS NA SILVICULTURA BRASILEIRA

 

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O noticiário geral mostra o grande incêndio florestal que está ocorrendo em Portugal. Lamentável! Lá de Portugal, recebemos uma mensagem de nosso amigo silvicultor – Eng. Carlos Alberto Funcia, ex- presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura – SBS, muito preocupado com os prováveis desdobramentos do lamentável desastre. Agradecemos o alerta e tomamos a liberdade de compartilharmos na Comunidade de Silvicultura. A mensagem fala em mais de 40.000 ha de florestas de eucalipto e pinus devorados pelo fogo. Casas, veículos, estradas e vidas foram perdidas. Socorros de outros países e o desespero de toda a nação portuguesa. E com muita cautela,o Eng,Funcia, fala: “Já se considera um dos maiores incêndios florestais da história daquele país e já arrumaram um culpado: o eucalipto!”. E completa: “ precisamos tomar muito cuidado com as encrencas que poderão ressurgir no Brasil com o eucalipto”.

A nós brasileiros cabe lamentar o ocorrido e torcer para uma breve recuperação das perdas econômicas e ambientais, além das vidas humanas sacrificadas. A nós silvicultores cabe além, outro alerta importantíssimo: poderão vir pedradas em nosso eucalipto!! E é preciso que tenhamos as devidas informações para mostrar a nossa situação: estamos vulneráveis a problemas de tamanha dimensão e com tais implicações? As notícias assustam e podem causar muitas preocupações. E elas chegam das mais variadas formas e a chance de se demonizar o eucalipto é muito grande! Só não podemos dar uma de “avestruz” e reagirmos só com as pedradas que virão, principalmente, nas regiões com grandes concentrações de florestas! É assunto para especialistas, que conheçam a situação das florestas brasileiras, a localização e os riscos de diferentes situações!

Com certeza, caberia um posicionamento a respeito da nossa situação geral e das condições específicas dos grandes empreendimentos empresariais, que normalmente se cercam de inúmeras medidas preventivas para proteção do patrimônio florestal Mas quem o faria? Esse parece ser é um trabalho institucional típico de entidades que representam o setor! E agora, com quem fica a palavra????

A Comunidade de Silvicultura agradece o alerta de nosso amigo, Eng.Funcia, e vamos torcer para que coloquem “as barbas de molho” todos que se interessam pelo fortalecimento da silvicultura brasileira!

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES – 4

 

Com os incentivos fiscais de 1966 ………………… Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!
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Comunidade de Silvicultura – 4;

MEDIDAS SIMPLES E QUE SALVARAM FLORESTAS!
19/06/2017

Tivemos oportunidade de conhecer bem de perto a “encrenca” que era dirigir o Departamento de Reflorestamento do IBDF, bem no auge dos incentivos fiscais, anos de 77/79. Não tivemos como escapar de um desafio apresentado pelo Dr. Paulo Berutti – Presidente do IBDF, e pelo Ministro da Agricultura, na ocasião, Dr. Allyson Paulinelli, e de uma solicitação do Dr. Mauro Silva Reis, com quem trabalhava e quem me levara à Brasília.

O roteiro anual implicava em acompanhar milhares de projetos, analisar cartas- consultas de quase 2000 empresas, selecionar milhares de projetos, distribuir recursos anuais da ordem de 500 milhões de reais. E mais: sem estrutura adequada, com tremenda pressão política, com prazos limitadíssimos, sem internet, sem critérios de seleção definidos…… e pequeno grupo de profissionais com responsabilidade e disposição, de fato, para trabalhar. Essa foi a sorte grande!!! Em poucos meses, conseguimos resultados espetaculares:

1- Rearranjo estrutural do Departamento
Acatando sugestões “do pessoal da casa” e que se mostravam dispostos às mudanças, foi possível, com certa rapidez, promover pequenas adequações na organização administrativa, definir responsabilidades e identificar os profissionais dispostos a um esforço adicional, visando melhor destinação dos incentivos fiscais;

2- Classificação das empresas em A,B,C,D,E – de acordo com a situação de seus projetos, cronograma, quadro de profissionais, localização dos plantios, informações técnicas dos trabalhos operacionais. Só com isso eliminamos do setor cerca de 500 empresas. Mais um aperto adicional, e estavam fora do setor, quase 1000 empresas. Para muitos, um misto de ousadia e loucura, mas com essa “vassourada” estava sendo separado “o joio do trigo”;

3- Estabeleceram-se regras básicas para serem seguidas na seleção de cartas-consultas e aprovação de projetos. Para viabilizar com rapidez e objetividade foram estabelecidas algumas referências prioritárias: classificação das empresas – D e E estavam fora da disputa; empresas que tinham profissionais responsáveis pelos serviços de campo; cronograma operacional em dia; uso de tecnologia disponível, principalmente sementes melhoradas e adubação das florestas. Mais sofisticação poderia embaralhar o dia-a-dia, pelo menos na fase inicial!

4- Extinção de novos projetos de frutíferas e espécies de ocorrência natural (abacate, maçã, palmito, cupuaçu, babaçu)

Todas as outras medidas adotadas, no decorrer do tempo, se tornaram irrelevantes diante dos impactos positivos das regras básicas, religiosamente, seguidas. E o grande destaque: pouquíssimas reclamações! Provavelmente, pelo absurdo que os problemas sanados representavam ao setor! Calcula-se que com tais medidas foi possível aumentar, no mínimo, em 70 % o aproveitamento dos recursos incentivados.

E isso só foi possível graças ao extraordinário esforço da equipe reformulada do Departamento de Reflorestamento, ao apoio irrestrito do Presidente do IBDF – o saudoso Dr. Paulo Berutti, e do Ministro Allyson Paulinelli e pela compreensão, colaboração e valorização dos grandes empreendedores e das empresas exemplares, já atuantes na época.

Com certeza, essas simples medidas deram vida a muitas florestas e evidenciaram os bons trabalhos, que passaram a servir como referência no setor.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES – 3

Com os incentivos fiscais de 1966 ………………… Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!

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Comunidade de Silvicultura – 3;
OS AVANÇOS TÉCNICOS E AS POLÊMICAS DA SILVICULTURA
Data /5-06-2017

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Em conversa com amigos e profissionais do setor, tivemos oportunidade de trocar impressões a respeito de tema interessante e oportuno para ser compartilhado com amigos da Comunidade de Silvicultura. Procurávamos identificar os avanços técnicos iniciais, que impactaram a produtividade das florestas e as questões herdadas do período de incentivos fiscais, que causaram grandes preocupações ao setor. Quanto aos avanços, a identificação foi bem simples: sementes de melhor qualidade e adubação dos plantios. Em termos médios, foi só pequena adubação no plantio e usar sementes de melhor qualidade e saímos de 15 a 20 metros cúbicos/ano e saltamos para 30. Já se falava em valores maiores nas empresas de maior nível tecnológico.
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Lá se vão, quase 40 anos e, em termos médios, estamos patinando nos 35-40. Depois de tantas pesquisas e experimentações, ainda restam muitas dúvidas a serem esclarecidas para definição dos melhores materiais genéticos e uso de processos nutricionais mais eficazes. Há quem diga que mais de 30 % de todo o recurso de empresas e instituições de pesquisas foram alocados nessas direções. E mais livros publicados, teses e milhares de trabalhos técnicos divulgados! Os níveis de produtividade, que animam muito o setor, só se viabilizam, quando se consegue perfeita integração de conhecimentos científicos , experiência profissional e condições edafo-climáticas. Nessas condições são alcançadas produtividades “de cair o queixo”, acima até de 45/50 metros cúbicos/ha/ano. São, de fato, produtividades espetaculares!
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E quanto às encrencas, também não houve tanta discussão. Foi só seguir o rastro dos questionamentos mais recentes e a identificação estava feita: a floresta de eucalipto que “ seca o solo”, e o famoso “deserto verde” promovido pelas monoculturas. Aqui, no entanto, o quadro mudou muito! De vez em quando, uma ou outra voz solitária se levanta, mas as antigas pressões foram bem arrefecidas. Nada de milagre!
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Foi o resultado de maior respeito à legislação, de mais proteção e cuidados com as nascentes e recursos hídricos, com a formação de corredores ecológicos e mais divulgação de informações técnicas e realizações.Nos dias atuais, a lembrança “do deserto verde” parece preocupar, até mais, aos próprios silvicultores, em função de eventuais ataques de pragas e doenças, do que antigos e fervorosos ambientalistas. Há de se registrar também a grande contribuição que os processos de certificação florestal prestaram ao desenvolvimento da silvicultura, exigindo maior preocupação com as necessidades técnicas, ambientais e sociais. Dessa análise, parece que ficaram interessantes lições:
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– a ciência florestal é vasta e riquíssima, mas saber usar, interpretar e integrar as informações disponíveis é arte para “gente do ramo”;
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– é muito difícil generalizar-se os procedimentos silviculturais, e daí, a enorme variabilidade de resultados para mesmos procedimentos;
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– a garantia e segurança de bons resultados vai sempre depender de informações técnicas locais, e acompanhamento de pesquisas e experimentações;
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– acima de tudo, vale muito a experiência e competência dos profissionais para saber interpretar as condições de campo e monitorar os procedimentos operacionais.
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No final da conversa, alguém fechou: “é só observar que as empresas que apresentam boas produtividades possuem, entre seus colaboradores, profissionais experientes e muito competentes”. E não adianta teimar!

 

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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS GRANDES SILVICULTORES – DR.JOSÉ LUIZ STAPE

 

Dr.José Luiz Stape, engenheiro agrônomo e florestal, nasceu em Tatuí, em 1962, iniciou sua vida estudantil na medicina e foi concluir seus estudos de formação no curso de Engenharia Agronômica na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP,em  1985,como o melhor aluno da turma.  No ano seguinte,1986,  formou-se, também em Engenharia Florestal. Uma vida rica de trabalho, muita dedicação, amizade e responsabilidade. O Dr. Celso B. Foelkel, em sua maravilhosa homenagem prestada ao Eng. Stape  em –  Eucalyptus  OnlineBook, de abril de 2008 –  quando  trata de – Os amigos do eucalipto – o brilhante amigo e cientista, dá um toque de admiração e carinho aos dados da vida profissional de nosso homenageado e que estamos tomando a liberdade de compartilhar. Diz, respeitosamente, o Dr. Celso:

 

”Dr. José Luiz Stape é um dos grandes nomes da moderna silvicultura brasileira. Sua contribuição científica acerca das plantações de eucaliptos em termos de sua fisiologia, manejo, seqüestro de carbono e eficiência de uso de luz, água e nutrientes tem sido notável. Além de sua considerável vocação para a ciência, Dr. Stape é também um grande educador, não apenas de seus alunos na ESALQ/USP, mas de agrônomos, técnicos agricultores e sociedade em geral. Tem sempre colocado forte ênfase em temas de extensão e educação, dando assim importante contribuição para que a sociedade possa entender cada vez mais sobre os eucaliptos, suas florestas, suas utilizações e as sobre as formas de minimizar impactos e otimizar performances”. E adiante, na mesma publicação: “…é um dos grandes cidadãos da ciência da eucaliptocultura mundial”.

 

E sobre  sua passagem pela Ripasa, comenta, o Dr. Celso: “ Antes de iniciar sua carreira como professor universitário na mesma ESALQ onde se formou, trabalhou como engenheiro de pesquisa florestal nas empresas Eucatex e Ripasa. Nessa última, fez parte de uma das mais renomadas equipes da silvicultura brasileira, onde compôs-se com Nelson Barboza Leite, Edson Balloni, Edson Martini, Arnaldo Salmeron, Rubens Trevisan,  Ubirajara Brasil, Ademir Cunha Bueno, Lineu Wadouski , José Zani Filho, Carlos Alberto Guerreiro e Pablo Vietz Garcia, dentre outros. Realmente, uma equipe de peso e cujos profissionais muito contribuíram e têm contribuído para o sucesso da silvicultura brasileira. Durante seu tempo na Ripasa, teve a autorização para fazer seu curso de mestrado em agronomia na ESALQ, sob a orientação do grande professor Humberto de Campos”.

Já nos anos 90, juntamente com seus colegas José Zani Filho e Carlos Alberto Guerreiro, montou uma empresa de consultoria, denominada GSZ, atuando como técnico e empresário.  E no ano de 1995 passou a ocupar a vaga de professor de silvicultura da ESALQ/USP no lugar do professor, que se aposentava, Dr. João Walter Simões. Era ,de fato, o início de brilhante carreira de professor, pesquisador, orientador, e acima de tudo, “um apaixonado silvicultor”.

Tem sido um entusiasta da intensa e aplicada vida estudantil e sempre cercado por alunos e orientados, que nunca deixaram de ter sua atenção, orientação e “verdadeira amizade”. A partir de 1996 formou o Grupo Florestal Monte Olimpo (GFMO), cujo lema é vivenciar a silvicultura com ciência e visão futura. Mais de 200 alunos atuaram nesse Grupo Florestal e tiveram oportunidade de vivenciar a realidade da vida profissional. Para muitos é um  excelente exemplo de “oficina para preparar e treinar talentos”.

Nos anos de 1998, até 2002, realizou seu doutorado na área de ecofisiologia florestal na Colorado State University, com a tese –  “Production ecology of clonal Eucalyptus plantations in Northeastern Brazil”.  E com toda a experiência adquirida tornou-se renomado pesquisador, em nível internacional, sobre ecofisiologia, balanço de carbono, utilização e a eficiência do uso da água, luz e nutrientes.  A riqueza de conhecimentos agregada aos procedimentos  operacionais é, para muitos, incalculável, e consolidou as bases para o desenvolvimento de uma silvicultura sustentável!

Atuou diretamente com o Instituto de Pesquisas e Estudos florestais (IPEF), em diversos projetos e programas, além de  pesquisas  com plantações de nativas e recuperação florestal, quase sempre  em parcerias com instituições nacionais e internacionais.

Trabalhou até 2008 como Professor da ESALQ/USP, e foi convidado pela North Carolina State University para assumir o cargo de professor de silvicultura e solos florestais e a codireção da Forest Productivity Cooperative (FPC). Durante este período, sua atuação teve destaque na implantação de Eucalyptus resistentes ao frio nos Estados Unidos. No ano de 2015 retorna mais uma vez ao Brasil, agora como gerente de tecnologia da Suzano e professor de pós-graduação da Esalq/USP e Unesp. Com certeza, é mais uma significativa colaboração, que a empresa presta à silvicultura brasileira.

Como professor, Stape orientou diversos alunos, formando um exército de excelentes profissionais, que receberam sua inspiração e que atuam com muito sucesso no mercado de trabalho. Sua dedicação pelo trabalho e paixão pelas florestas são exemplos para muitos. Em sua rica carreira profissional publicou livros e centenas de trabalhos científicos. Participou de inumeráveis cursos, reuniões nacionais e internacionais. É um dos mais expressivos representantes de uma silvicultura moderna e sustentável, com base em dados científicos e onde a biologia e a matemática se complementam.

A Comunidade de Silvicultura sente-se honrada em poder prestar essa homenagem ao amigo, ao cidadão e a um dos maiores silvicultores do Brasil e do mundo!

 

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

OBS: Para a elaboração do texto foram utilizados dados da publicação de Celso Foelkel – Celulose Online, de abril de 2008 – Os amigos do Eucalipto e das contribuições de Rafaela Lorenzato Carneiro, como representante da AEI – Associação dos ex-integrantes do GFMO – Grupo Florestal Monte Olimpo .

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