O REFLORESTAMENTO, A SILVICULTURA E O VAZIO INSTITUCIONAL

Em nossa última postagem falamos de nossa preocupação com o vazio institucional, em que se encontra a silvicultura brasileira. Tivemos uma pergunta interessante e oportuna de um engenheiro florestal- o nome não vamos mencionar, pois não tivemos autorização para tal. Ele nos fez a seguinte pergunta: “ o que significa o vazio institucional da silvicultura brasileira”? Na verdade, tivemos 1 pergunta, e 2 questionamentos: o que se entende por vazio institucional e o porquê da preocupação! Vamos às considerações:

– Chamamos de vazio institucional a falta de identidade e da representação formal de nossa atividade, dentro das estruturas organizacionais dos Ministérios – em que esteve (Meio Ambiente) e onde está ( Agricultura ). E disso resulta a falta de conhecimento governamental para entender, organizar, planejar e elaborar políticas públicas. E assim, ficamos, então, sem diretrizes e sem endereço para se discutir, reivindicar, sugerir e questionar os rumos, que vão sendo impostos à atividade. E é importante que se frise: política pública é instrumento de Governo necessário para qualquer atividade, mas para atividades de longo prazo, como a silvicultura, é indispensável, quase vital!

– E a falta dessa estrutura no Governo, deixa a silvicultura sem mesa, sem cadeira, sem caneta e sem endereço formal na estrutura do Governo! Onde discutir as necessidades do setor? Em Grupos de Trabalho, com profissionais capacitados e bem intencionados, mas sem “uma caneta” para dar legitimidade às decisões? Acreditamos que, enquanto não houver independência e autoridade “dessa caneta”, o setor continuará se arrastando!!!!

A Comunidade de Silvicultura reitera a sua convicção na necessidade estratégica de se conseguir um endereço formal para nossa atividade na estrutura de Governo. Um endereço que possa dar legitimidade à atividade, com autonomia para discutir e, acima de tudo, com poder de decidir as diretrizes indispensáveis à silvicultura brasileira!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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EM 2 ANOS, 15.000 LIKES NO FACEBOOK ! NOSSOS AGRADECIMENTOS!

A Comunidade de Silvicultura, no dia 8 de setembro, completou 2 anos de existência, e agradece a valiosa colaboração recebida. Fomos muito além do que se previa. Na ocasião, quando perguntamos, ao nosso consultor o que seria razoável esperar, a resposta foi imediata: “ em 1 ano, se conseguir mais de 1000 seguidores será bom sinal!”, e continuou: “daí, pegamos as matérias mais lidas e traçamos uma estratégia de ação!”

Com 2 anos, e mais de 15.000 likes, não podemos deixar de agradecer a todos que acompanharam nossas publicações com comentários, críticas e sugestões. Enfim, tem sido uma experiência surpreendente e com agradáveis surpresas – o administrador tem o privilégio de acompanhar com mais detalhes as participações. O nosso muitíssimo obrigado pelas colaborações dos muitos amigos. E como é bom perceber a atenção dispensada pelo pessoal!

Cabem considerações sobre os resultados alcançados e a respeito do que vamos estabelecer como estratégia para frente! A base de nossos textos e comentários se manteve fiel à valorização da pesquisa, da técnica e dos profissionais, ao tratamento justo e respeitoso aos produtores florestais e ao flagrante vazio institucional, em que se encontra a silvicultura brasileira! Essas foram as trilhas de nossas conversas!

Vejam os números mais significativos: foram mais de 100 postagens; todos os textos tiveram, em média, cerca de 5.000 visualizações e alguns ultrapassaram 20.000; recebemos mais de 200 manifestações– no e-mail pessoal – e, segundo os remetentes, para evitar “encrencas”– vejam como pesa o “ é melhor não falar”, e quanto vale a liberdade de expressão!!!!  Alcançamos, nesse período, mais de 2.500.000 pessoas e mais de 500 usuários compartilharam nossas postagens com seus seguidores! Enfim… valeu muito o esforço.

Vamos continuar na mesma direção – valorização da técnica e dos profissionais, reconhecendo o importante papel do produtor florestal e reiterando a necessidade de se ocupar o vazio institucional da silvicultura brasileira! Vamos ficar muito agradecidos com sua colaboração, seus comentários, críticas e sugestões!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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SÓ NOTÍCIAS BOAS, E AS DIFICULDADES?

Quem acompanha as informações do setor encontra notícias interessantes e, em sua maioria, muito positivas: reuniões nacionais, encontros internacionais, os benefícios das florestas plantadas para mitigações climáticas, o mercado de celulose e papel em expansão, novos produtos, os preços de celulose em discussão para eventuais aumentos, novas tecnologias… e por aí vai. Realmente, é o mundo de sucesso das grandes empresas. De outro lado, nada ou muito pouca informação a respeito das dificuldades vividas pelo setor: madeira sobrando em algumas regiões, faltando em outras, preço sempre, lá em baixo, viveiros paralisados, programas de plantios reduzidos, incidência de pragas, e …!

Sem nenhuma dúvida, são mundos diferentes. Mas constituem a mesma silvicultura! São mundos que, aparentemente, não se conhecem. As diferenças são gritantes, e dá a sensação de que só o longo prazo, vai trazer solução! E isso pode ser desastroso para nossa silvicultura e para um punhado de profissionais colocados, todo ano, no mercado de trabalho! Mas há perspectivas, que podem criar grandes oportunidades e que precisam ser mais discutidas e concretizadas. Com certeza, darão vida à silvicultura brasileira! Nessa linha, dentre outros, temos que destacar a possibilidade de se desenvolver os programas para uso da madeira para fins energéticos e os programas de revegetação com nossas espécies nativas! A energia é uma necessidade de sempre e para sempre, e a revegetação é uma dívida que o Brasil assumiu com o mundo! Estamos diante de compromissos que não devem e não podem ser esquecidos e que demandarão muitos serviços.

E muita gente, já diz que estamos atrasados no encaminhamento de tais desafios!!! Sem muita conversa, reiteramos nossas preocupações e esperança, de que esses assuntos entrem, o mais breve possível, na pauta de nossos governantes, e se tornem realidade! Talvez seja a melhor alternativa para se chegar no longo prazo, preparados para se enfrentar as encrencas que virão!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS: ONDE FICA NO GOVERNO FEDERAL?

Essa é uma história que merece registro. O “assunto floresta plantada” passou a conhecimento público com a criação dos incentivos fiscais, em 1966, com a Lei 5106. E todos os assuntos de florestas plantadas eram tratados no Departamento de Reflorestamento do IBDF, também criado em 1966 para cuidar do tema florestal, bem mais amplo que florestas plantadas e ligado ao Ministério da Agricultura. As florestas plantadas ficaram ali, durante todo o período em que vigorou o incentivo fiscal. Era o centro de tudo. Discussões, reuniões, sugestões, reclamações, enfim…. o Departamento de Reflorestamento , centraliza os assuntos relacionados às plantadas . E nos demais departamentos tratavam-se das questões de parques, conservação, comercialização de produtos florestais, economia, entre outras coisas. Era a “casa das florestas”, com endereço bem definido.

Em 1989, o IBDF, com tudo que lhe pertencia – reflorestamento e todos os demais assuntos florestais – a pesca da SUDEPE e a borracha da SUDHEVEA, juntaram- se à SEMA, em evidência na época, e formaram o IBAMA. Em 1992, foi criado o Ministério do Meio Ambiente, ao qual ficou ligado o IBAMA. Nesse trajeto, de 1966- IBDF a 1992- Ministério do Meio Ambiente o setor florestal perdeu suas raízes e foi se desestruturando e se desmanchando! E os assuntos ligados às florestas se dividiram em partes diferentes e foram ancorando-se em pontos diferentes. E as florestas plantadas foram parar num canto da Secretaria de Florestas e Biodiversidades do Ministério do Meio Ambiente. Em 2000, foi criado o Programa Nacional de Florestas Plantadas para tratar do assunto. À margem do foco principal do Ministério do Meio Ambiente, e sem o apoio das empresas, não se desenvolveu como se previa, mas conseguiu, em 2006, dar grande contribuição para se criar o Serviço Florestal Brasileiro. Infelizmente e sob pressão de representantes do setor, não contemplou os cuidados com florestas plantadas.

Nessa época havia uma forte pressão de entidades do setor para levar o assunto “florestas plantadas” para o Ministério da Agricultura, onde se encontra representado, atualmente, por uma Câmara Setorial, composta por profissionais competentes e com muita disposição para colaboração – mas não passa de simples assessoramento e sem nenhum poder de decisão, dentro do Ministério da Agricultura! É fácil perceber que com todas essas alterações o setor ficou fragilizado e sem nenhuma” caneta que decide”.

Há informações e até documentos muito bem elaborados, mas falta o poder de decisão para criação de políticas públicas para o setor! Esse resgate é um grande desafio, que só vai acontecer com o esforço e união do setor florestal brasileiro, que é muito maior que a silvicultura de florestas plantadas dos plantadores de eucalipto e pinus!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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QUEM TOMA CONTA DA NOSSA SILVICULTURA?

Os tempos vão passando e não surge nada de concreto para cuidar das políticas públicas da silvicultura brasileira. O setor é composto por mundos de tamanho diferente e com problemas bem distintos – o mundo dos grandes consumidores, auto suficiente, com vida e defesa própria; um segundo mundo, com algumas dezenas de grandes produtores, agarrados ou querendo-se agarrar aos consumidores gigantes para não ficar sem rumo, e no final da fila, o mundão de milhares e milhares de pequenos e médios produtores sem saber o que fazer,para quem reclamar e sem ninguém para defendê-los. Mas o discurso da sustentabilidade da silvicultura comercial continua firme forte.

Os compromissos internacionais para restaurar, proteger e mitigar problemas climáticos continuam desafiadores! Mesmo assim, temos sinais de otimistas, acreditando na madeira como biomassa energética. De outro lado, como alento, somos campeões da produtividade e competitividade de florestas plantadas, temos a mais rica biodiversidade do planeta, com milhares de espécies arbóreas – a serem estudadas- e muita pesquisa com eucalipto e pinus. Quase tudo gerado e nas mãos dos grandes consumidores, além de milhares de profissionais competentes. E num país com extraordinárias condições naturais para produção florestal para um mercado internacional crescente e ávido por produtos florestais.

É fácil perceber que ,com tantas coisas favoráveis, devem existir dificuldades, que precisam ser identificadas e superadas! A lista não é pequena, mas o mais grave é saber que não existe nada, em nível de Governo Federal para tomar conhecimento dessa lista! Conhecer a lista e traçar caminhos para superação é fazer políticas públicas. Será que alguém acredita que todas essas oportunidades, riquezas e problemas vão se alinhar, um dia, sem políticas públicas? Com certeza, a silvicultura não vai precisar de “ nenhuma esmola do Governo” para se desenvolver,mas a ajuda do Governo na sua organização e integração às diretrizes de desenvolvimento do país é imprescindível. Esse papel organizador e implementador, através de políticas públicas, é do Governo, quer gostemos ou não gostemos!

É muito interessante que estejamos, bem próximos, para acompanhar e sugerir, mas a caneta precisa estar na mão do Governo. Sem diretrizes definidas, só cresce, de forma independente, a minoria, que já é independente! Mas a silvicultura nunca vai dar a sua real contribuição ao desenvolvimento do país, enquanto estiver a reboque de uma minoria capacitada de gigantes consumidores, auto suficiente, com vida e defesa própria!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A DIVERSIFICAÇÃO DA SILVICULTURA BRASILEIRA!

A silvicultura está para muitos, entre as mais importantes atividades rurais ligadas à natureza! Tem forte relação com aspectos sociais, ambientais e econômicos e nos tempos modernos tem tudo a ver com a vida das pessoas – é a ciência das árvores, peça fundamental para se evitar grandes problemas climáticos. Há quem diga, que essa vai ser a grande bandeira da silvicultura para o futuro. Dar mais vida ao planeta e produzir bens nobres! E o Brasil convive com interessante paradoxo: temos a silvicultura do metro cúbico, feita com espécies exóticas – eucalipto e pinus – campeã da produtividade e competitividade. E é referência para o mundo! E ao mesmo tempo, temos a mais rica biodiversidade do planeta, com milhares de espécies arbóreas, quase sem nenhuma expressão. Para todos, um potencial imensurável em “repouso”.

Essa riqueza da natureza, ainda não teve a devida atenção de nossos governantes. Há de se admitir que o sucesso da silvicultura do metro cúbico deve muito ao interesse econômico atrelado à produção da madeira. No entanto, essa silvicultura tornou-se refém dos grandes consumidores e transformou o produtor florestal num desesperado dependente. A silvicultura do metro cúbico, anulou a silvicultura das espécies nativas. Por inúmeras razões, mas anulou! É quase proibitivo falar-se em empreendimento florestal, que não seja do metro cúbico, ligado ao mercado de produtos globais! No entanto, nos dias atuais, as dificuldades de mercado estão exigindo mudanças! Tudo muito oportuno! O metro cúbico saturou-se e pode até exigir crescimento mais moderado da silvicultura do eucalipto e do pinus.

Será que não seria o momento de se pensar numa silvicultura com mais vida, com mais objetivos, com mais variações, com mais espécies, com mais produtores, com mais consumidores, com mais produtos e com mais independência? Lembrando o que dizia o saudoso Eng. Paulo Kageyama, que se dedicou de “corpo e alma” ao assunto – “ precisamos dar mais atenção às nossas espécies nativas. Só assim, iremos alavancar, de fato, a silvicultura brasileira”. E aproveitando sugestões do grande amigo – Admir Lopes Mora – “ temos iniciativas muito interessantes e que precisam ser conhecidas e divulgadas. Não estamos na estaca zero, mas não se divulga os trabalhos, que estão sendo desenvolvidos “ e completou – “há muita gente competente, trabalhando com espécies nativas, mesmo com toda falta de recursos para mais pesquisas e divulgação de seus estudos. É uma pena, deixar que tudo isso fique sem o devido conhecimento dos interessados”.

A Comunidade de Silvicultura registra os oportunos comentários do Eng. Admir e reitera a importância de se encontrar os meios adequados para divulgação dos trabalhos em desenvolvimento.

E deixa para reflexão a sugestão do próprio Eng. Admir – Que tal a elaboração de uma publicação, que mostre o desenvolvimento e as informações, que estão sendo geradas pelos trabalhos, em andamento, com nossas espécies nativas?

Com quem fica a palavra???????

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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E DE NOVO, SEM CHUVA, SEM ÁGUA E SEM FLORESTA!

A seca de 2015/2016, principalmente, nos estados, como São Paulo, onde o problema da falta de água, atingiu a torneira de muita gente, trouxe uma preocupação especial – há necessidade de se recuperar nossas florestas, que protegem e sustentam o abastecimento de nossas represas! E surgiram programas, planos disso e daquilo, e muita gente mobilizada para não deixar que as torneiras se enferrujem para as próximas gerações. E para animar ainda mais o assunto, anunciavam-se os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para restaurar e reflorestar um “mundo de área”.

Desconfiava-se, e muita gente apostava que teríamos uma nova alavancagem na silvicultura brasileira. Afinal das contas, isso tudo ia exigir muitos plantios, mais viveiros, mudas de espécies nativas e até, os mais otimistas – e me incluo nesse grupo – acreditavam que o assunto de espécies nativas ia pegar! Mas chegaram as chuvas e o cenário mudou!

Não dá para dizer que nada foi feito! Mas dá para se afirmar, que o que se fez é quase insignificante, diante de tamanha necessidade. A lição daquela seca não foi suficientemente assustadora para alavancar a silvicultura, de fato! Nada de políticas públicas, nada de recursos para mais pesquisas. Os trabalhos existentes tiveram continuidade pela consciência e responsabilidade dos “de sempre” – os mesmos profissionais, as mesmas empresas, enfim… os mesmos interessados. E há muita coisa interessante em andamento! É só conhecer o que se faz na SOS- Mata Atlântica, na Coalizão Clima, Agricultura e Floresta, dentre outras.

E a seca está de volta, os reservatórios já estão dando sinais de exaustão e o pior é que não se vê nada de concreto com respeito a políticas públicas para que o assunto sobre restaurações, reflorestamentos com espécies nativas, compromissos governamentais para recuperação de áreas degradadas, proteção de nossas nascentes, etc. E ainda – quem são os responsáveis governamentais pelo assunto? E o mais grave – não é problema só de São Paulo. É preocupação para muitas regiões brasileiras!!!!

E cabe mais uma preocupação: é assunto da silvicultura, que está no Ministério da Agricultura, ou do Serviço Florestal, que está no Ministério do Meio Ambiente?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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CADA SILVICULTURA COM SUA PRODUTIVIDADE POSSÍVEL!

 

Em reuniões de produtores rurais é muito comum ouvir-se comentários a respeito do que é melhor produzir aqui ou acolá. E ninguém se atreve a plantar algodão em terra de abacaxi, e nem abacaxi em terra de tomate. Culturas diferentes exigem técnicas específicas, competência profissional  diversificada. E no Brasil de dimensões continentais é fácil perceber a enorme variedade de culturas e exigências específicas!

Essa lógica, no entanto, parece ser desconhecida por investidores florestais, principalmente os que se metem a entender de silvicultura.  Ainda bem, que silvicultor, de verdade, sabe bem disso! O investidor metido passa mão numa planilha, taca 45 metros cúbicos/ ha/ano e vamos que vamos. Faz um enorme programa,  junta recursos de amigos, mais incautos ainda, e pau na mula. Terras baratas e pobres em nutrientes,  condições climáticas, quase limitantes. Nada disso é considerado impeditivo.

O ousado, além de tudo, é extremamente otimista: “É só plantar que vai dar 45!  É uma exigência da planilha, e não se discute! E quando não dá, é incompetência do profissional, que  deixou de fazer isso ou aquilo. E é comum se ouvir: “essa turma de engenheiros sempre arruma uma explicação”. Dos bate-bocas a respeito da impossibilidade de se mudar a biologia e a matemática, o empreendedor não lembra e nem tem registro: “É coisa de engenheiro! ”.

E são essas histórias, que atrapalham o desenvolvimento da silvicultura, desestimulam empreendedores e comprometem profissionais. Isso precisa mudar. Aliás, nem sei se muda, mas é bom, que se saiba que é assim, que muitos empreendimentos fracassam. Não se faz milagres! Ninguém compra terras de primeira qualidade, a preço de “vaca magra”, e faz florestas de eucalipto com produção de 45 metros cúbicos/ha/ano. Mas se não houver nenhuma limitação técnica, com certeza, poderá haver chance de se conseguir florestas com 30/35 metros cúbicos/ha/ano. Pode- se até comentar: “é uma floresta magra ”.

Mas com certeza, desde que haja mercado garantido, o negócio dará resultados satisfatórios! É só aceitar a realidade, não acreditar em milagreiros e respeitar a tecnologia e a competência profissional!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE A SILVICULTURA PRECISA DESENVOLVER!

O Brasil é o campeão da produtividade e por enquanto, ainda vence na competitividade. São sinais do extraordinário desenvolvimento tecnológico. E ninguém discute! Veio a certificação florestal e avançamos nos aspectos ambientais, integração com comunidades, cuidados sociais, respeito às culturas regionais, etc. O pacote ficou mais enriquecido! É só conhecer de perto algumas empresas exemplares, e fica a impressão de que falta muito pouco, ou quase nada, para se chegar ao modelo de empresa rural. Uma maravilha, tudo certinho e bem manejado. E se observarmos os controles, mapas, registros, indicadores técnicos, instrumentos para monitoramento, etc. a admiração ainda é maior.

Esse é o mundo das grandes empresas! Mas, infelizmente, não é o mundo real de toda a silvicultura! O mundo dos pequenos produtores é muito diferente. Os plantios em pequena escala respeitam princípios técnicos, mas sem muita sofisticação, e a colheita não dispõe das complidas máquinas e equipamentos. Tem muito de simples e sem luxo.. É um mundo muito diferente! E esse mundo representa, segundo estatísticas dos setores industriais, cerca de 30 % da madeira colocada nas fábricas e, em outras estatísticas, fala-se em mais de 100.000 pequenos produtores metidos nesse processo de formação e uso de florestas plantadas! É um mundo diferente, quase sem certificação e sem tecnologias sofisticadas.

Nesse mundo não há máquinas e equipamentos especializados e ainda, há muita improvisação. A colheita não dispõe de equipamentos modernos e o mercado tem sido de uma crueldade satânica com o produto da colheita. Há até muitos produtores insatisfeitos, e querendo desistir do negócio. São mundos distintos, mas da mesma silvicultura!

E a conclusão é lógica: esse lado da silvicultura precisa se desenvolver! Não há sentido em se manter um exército de produtores florestais e não se investir no desenvolvimento de máquinas e equipamentos especializados para esse pessoal. Vão ser cada vez menos competitivos. É só participar de feiras e exposições do setor e vão conhecer só equipamentos e máquinas sofisticadas para grandes empreendimentos. E não dá nem para tentar discutir o uso dessas “parafernálias” em pequenas e médias propriedades! E essa silvicultura desprovida de tecnologias mais avançadas vai ser competitiva? Afinal, quem vai se preocupar em promover esse desenvolvimento ou arcar com os custos adicionais da produção? E parece que estamos longe da possibilidade de se juntar os pequenos produtores em cooperativas, que talvez pudessem trazer novo alento a esse pessoal.

Há de se registrar essa lacuna e torcer para que os grandes consumidores, que sempre irão precisar dos pequenos produtores, reflitam sobre a matéria! Ou sempre vamos ter madeira de terceiros com custos defasados e produtores insatisfeitos, e vivendo uma silvicultura pobre com respingos na sustentabilidade da silvicultura sustentável dos grandes consumidores. E esse pessoal não sofre do “ mal dos custos” e nem precisa lutar para vender a madeira a preços satisfatórios!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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E OS MATERIAIS GENÉTICOS ABANDONADOS? 

Primeiro tínhamos uma semente com mistura genética e que deixava muito a desejar. Eram basicamente originadas do Horto de Rio Claro – mesmo assim, encontrávamos no meio das populações materiais interessantes e que na verdade, deram origem aos primeiros clones de eucalipto da Aracruz. Depois vieram as sementes provenientes de populações introduzidas comercialmente e o padrão já apresentava grande diferença – eram as Áreas de Produção de Sementes de E.grandis de Coffs-Harbour da Duratex e da ex-Champion, atualmente Internacional Paper. Nessa fase, tivemos as semente do IPEF, na grande maioria de E. saligna, colhidas em Hortos da Fepasa. Nessa mesma época, tivemos muitas sementes de E.grandis importadas da Rodésia de África do Sul.

Com essas sementes melhoradas foi dado salto significativo na produtividade das florestas. O caso dos pinus era bem diferente. Desde o início as empresas do sul importavam sementes de Pinus elliotti e P.taeda dos Estados Unidos e sem grandes preocupações com qualidade genética. Em S.Paulo, o Horto Florestal, produzia e distribuía mudas de pinus de algumas espécies. Quanto aos pinus tropicais o mercado ficava, praticamente, por conta da Cia. Monte Alegre –antiga Freudenberg. Essa empresa tinha trabalho cuidadoso de melhoramento genético de várias espécies e uma rica coleção de procedências dos vários pinus tropicais. Existiram casos de grandes introduções de espécies/procedências de várias empresas e instituições, mas que ficavam restritos aos interesses particulares.

Tivemos também, muitas introduções do PRODEPEF-IBDF e a própria Embrapa Floresta fez um excelente trabalho de coleta de espécies e procedências na Austrália e, posteriormente, fez uma ampla distribuição de materiais a muitas empresas. Isso tudo compôs a base genética da silvicultura brasileira! Há muita coisa, ainda sendo devidamente cuidada, mas parte significativa desse valioso material já foi destruída. Uma pena!!! Aqui caberia um cuidadoso levantamento do que existe e a situação em que se encontra. Com certeza, serão encontrados materiais, que não se encontram mais, nem em suas áreas de origem! E fica uma grande dúvida! Foram extintos, e não servirão para nada, nunca mais? E uma outra questão: o que fez com que esses materiais fossem marginalizados ou abandonados? Seria uma ousadia tentar, de forma simplista, explicar “essa provável destruição”. Mas dificilmente, vamos escapar de algumas lógicas:

– A produção e uso de clones inibiu os trabalhos de melhoramentos clássicos e com isso muito material se perdeu. Venceu o imediatismo!

– Caberia um levantamento do patrimônio que ainda existe, e cuidados para protegê-lo. Com os problemas clonais existentes, com certeza, muitos materiais poderiam ser resgatados!!!

– E esses materiais não poderiam ser testados nas novas regiões?

– Os trabalhos de transgenia não poderiam avançar, ainda mais, se pudéssemos contar com todos esses materiais disponíveis, mas que se encontram abandonados?

Será que não cabe uma boa reflexão sobre esse assunto?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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