DÉCADAS DE 70/80 E 90, OS ANOS DE OURO DA SILVICULTURA BRASILEIRA!

Fim da década de 60, ano de 66, de repente, na esteira do Código Florestal de 1965, surge a política de incentivos fiscais para reflorestamento! Não havia tecnologia definida e nem tantos profissionais para dar conta do recado. Para muitos, mesmo com ares de precipitação, foi a decisão de política pública que mudou o cenário florestal brasileiro. Vislumbrou-se a falta de madeira para atender às demandas do Programa Nacional de Celulose e Papel e surgia os incentivos fiscais para reflorestamento com a Lei 5106 de 1966! Em seguida, atendiam-se as necessidades da siderurgia, chapas e em pouco anos, já se falava em milhares de ha/ano de plantio.

Com dinheiro jorrando para todos os lados, houve de tudo. Muitos erros, abusos, fiscalização precária, tudo para não dar certo. E não era privilégio só dos reflorestamentos – turismo, pesca, projetos para o norte e nordeste também com muitos recursos estavam acometidos dos mesmos problemas. Enfim, uma loucura com tantos recursos investidos e com tamanha fragilidade na estrutura de fiscalização e acompanhamento.

Com tudo isso, ainda assim, o reflorestamento se salvou. Arrastando inúmeros problemas, e muitas críticas, superou dificuldades técnicas, deixou para trás problemas ambientais e sociais e saiu lá na frente com grandes empreendimentos e excelentes empresas, que deram origem a rico patrimônio industrial com milhões de empregos gerados, competitivo em nível internacional e contribuindo para o PIB nacional. Já devolveu em impostos dezenas de vezes tudo que usou para formação e desenvolvimento de todo o patrimônio florestal! Não há quem negue o valor das florestas plantadas inicialmente incentivadas com recursos governamentais.

E a produtividade das florestas? No início, a média não passava de 15/20 metros/ha/ano! Embora nas boas empresas já se registrassem produtividades superiores!
Nos anos 80, o IBDF que comandava toda a política de incentivos fiscais para reflorestamento, tinha mais de 2.000 empresas registradas e concorrendo aos incentivos. E falava-se em programas anuais de 300 a 400.000 ha/ano. Não é difícil perceber o tamanho das encrencas e problemas gerados de toda ordem – técnicos, sociais e ambientais. É difícil acreditar que no meio de tamanha confusão, tenha havido espaço para instituições de pesquisas florestais se desenvolverem, entidades representativas crescerem e um mundo de boas empresas com excelentes profissionais se destacarem e darem vida ao setor de reflorestamento! E foi assim, com embasamento técnico-científico e com serviços operacionais exemplares das boas empresas que se alcançou o sucesso da silvicultura. Todos colaborando, todos compartilhando acertos e erros.

Há muitos que consideram o início da adubação das florestas e o uso de sementes melhoradas, inclusive com importações da Austrália, como marcos significativos no aumento da produtividade da silvicultura. E nada de exclusivismo. E mais alguns anos – 75/80 – já era comum falar-se em produtividades acima de 30 e em algumas regiões até mais que 40! Para muitos foram os anos de ouro da silvicultura brasileira, com profissionais brilhantes, que se doaram de corpo, alma e todo conhecimento à silvicultura, instituições que se formaram e cresceram, cursos, que foram iniciados e grandes empresas fazendo excelentes trabalhos de campo. A silvicultura brasileira já se tornava destaque em nível internacional!

Viramos a década de 90 com a silvicultura bem no ápice de suas produtividades, com conhecimentos científicos de elevado nível, com ferramentas digitais para monitoramento e acompanhamento de toda ordem! Quase todos os empreendimentos certificados, grandes investidores nacionais e internacionais. Um setor maduro com competência para cuidar e se preparar para os desafios dos novos tempos!

Que o legado de 30 anos, com datas, nomes e sobrenomes conhecidíssimos e que merecem todo nosso respeito e admiração, sirva de exemplo e encorajamento para que não se cessem os esforços no sentido do contínuo enriquecimento da nossa silvicultura.
E depois de duas décadas, já há muito a se fazer!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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LIÇÕES DE VIDA – O “NÓS” QUE JUNTA E O “EU” QUE AFASTA!

Talvez tenha sido uma das mais importantes lições que tivemos na vida profissional!
Quando começamos a trabalhar no IPEF, em Piracicaba, lá por volta de 1971, tivemos a chefia de competente profissional, mas não muito afeito às cordialidades tão corriqueira naquele ambiente de trabalho. E só tratava de qualquer assunto sempre com “eu”, daqui e dali. E com tanta insistência que chegava a perturbar!

Em certa ocasião, acompanhando uma correção de relatório, ouvimos o saudoso Prof. João Walter Simões, dizer – “nós precisamos, …… nós devemos….. nós vamos fazer!”
Ficamos admirados: que tratamento tão diferente, nós isso e nós aquilo! Fiquei embasbacado e calado com tanta diferença!
Numa viagem a trabalho e ainda sem entender bem a história, indagamos o Professor, todo surpreso e muito solícito com a nossa preocupação – “Professor, o Senhor sempre trata dos assuntos usando sempre nós daqui e dali, qual a razão?” Ele, com toda educação e cordialidade, própria do Professor João Simões, disse: você nunca vai ouvir o Dr. Helladio dizer “eu”, ele sempre usa “nós”! E seguiu: “o nosso Departamento é formado por uma equipe de profissionais e tudo que se faz tem a participação de todos! E você vai perceber que é comum todos usarem sempre “nós”. É uma forma educada e construtiva de formar e desenvolver equipe de trabalho! Assim se soma, se divide e se aumenta a responsabilidade de cada participante”.

E concluiu: “E todos sabem as obrigações e reconhecem os méritos de cada um, sem necessidade de propaganda. Foi assim que o Dr.Helladio, nosso comandante, se tornou nosso mestre e amigo, respeitado e querido por todos”
Que grande e inesquecível lição!
E que diferença sentimos, em tudo que fizemos na vida profissional! Em empresas, em serviços de consultorias, em reuniões e conversas institucionais, na prestação de serviços, enfim, em tudo! O “nós” junta, o “eu” afasta!

O tratamento com “eu” continua emproado do mesmo jeito, afastando e isolando! E o “nós” sempre abrindo portas e criando pontes!
Fica a sugestão para quem quer encurtar caminhos e encontrar soluções. E, acima de tudo, respeitar e ser respeitado, fazer amigos e grandes amizades, formar e liderar equipes!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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“GRANDE SERTÃO VEREDAS” E A CUTUCADA NO EUCALIPTO

No Globo Rural do último domingo – 5/2/2023 – foi apresentada uma reportagem interessante e educativa sobre a obra do escritor João Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas. Tudo muito bacana, caminhos e trilhas dos boiadeiros, conversas e costumes, ilustrações e uma cutucada nos plantios de eucalipto! É só assistir e vai sentir o contraste entre o saudosismo e romantismo das histórias do passado e a frieza do tratamento dado às florestas de eucalipto – fica a impressão de que entraram nas regiões e destruíram tudo!

Em regra geral, o setor não se incomoda com tais reportagens. Há quem, até aposte no silêncio para evitar polêmica. Novos tempos, novas demandas, e fica a dúvida para reflexão: o silêncio é a melhor tática, nesses momentos de fortalecimento dos valores ambientais, culturais e comunitários? E ainda nos tempos de valorização das certificações, do globalizado ESG, e das tão desejadas adicionalidades para créditos de carbono?

E, afinal, a cultura de eucalipto, com grandes áreas ocupadas, mas milhares de empregos gerados, só traz impactos negativos? Será que não caberia, com mais frequência e profissionalismo, um pouco de comunicação do setor para mostrar a nossa realidade? Será que não caberia usar um pouco das informações e dados dos ricos relatórios de sustentabilidade das empresas do setor? E como temos bons exemplos para serem mostrados!

E se, por acaso, existirem encrencas a serem resolvidas, não seria mais sensato que encarássemos eventuais problemas, antes que interpretações equivocadas criem desdobramentos inconvenientes?
Fica esse café requentado para reflexão! Mas, muito mais, o alerta para que não achemos que problemas antigos, e que criaram tantas dificuldades no passado, já estejam resolvidos, e não se fala mais nisso!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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LIÇÕES DO DIA-A-DIA DE QUEM TRABALHA COM FLORESTAS PLANTADAS

!O piloto de escrivaninha, o fio de bigode (mesmo sem bigode) e o sangue no olho fazem parte do linguajar de quem trabalha com florestas plantadas. São termos do cotidiano profissional, que retratam verdadeiras lições de vida!
O “fio de bigode” sempre avalizou decisões importantes nas relações do fomento florestal, na compra de madeira, na prestação de serviços, dentre outras negociações. O “fio de bigode empenhado era compromisso irreparável! Nada de desculpas e nem justificativas para qualquer desvio. A palavra empenhada era a melhor documentação entre as partes. Complementos burocráticos não punham em risco o tratado e o empenhado “fio de bigode”!

Também interessantes eram os relatos do “sangue no olho”, da “cara de susto” ou da “cara de paisagem”. A cara dizia tudo. Na verdade, o segredo sempre esteve em saber fazer a leitura! Nem pensar em desconfiar, que alguém com “sangue no olho” não cumprisse esse ou aquele desafio. No entanto, seria tremenda ingenuidade acreditar, que o “cara de paisagem” fosse resolver alguma questão mais delicada e que exigisse maior empenho! E essas leituras fisionômicas, tão utilizadas por gestores florestais de sucesso, abreviavam e encurtavam caminhos! E há quem use, até nos dias atuais, com tremenda eficácia!

Esses retratos, no entanto, perderam um pouco de sua utilidade com o surgimento e valorização do “piloto de escrivaninha” – aquele profissional, quase sempre longe do campo, e que toma decisões que mudam o rumo das empresas, só em cima de números. A encrenca não é desconfiar ou menosprezar os números, mas o peso da planilha ao analisar o desempenho de campo. Por exemplo, as falhas de plantio, podem ser apresentadas, até com duas casas depois da vírgula, mas sem mostrar um “pingo” do esforço feito para cumprimento do serviço! Uma pena, pois é nessa falta de reconhecimento e valorização do esforço das equipes de campo, que se desgastam e se perdem as boas relações entre os que fazem, os que fiscalizam e os que decidem. No fundo, perde a silvicultura!

Mas, e daí, qual a lição que fica?
Nos exemplos de sucesso, o que se observa é grande esforço para que haja integração do fio de bigode, do sangue no olho, e das indispensáveis planilhas de escritório! E a essência dessa integração é a presença no campo, o respeito entre as partes, a ética e o profissionalismo de todos que participam da cadeia produtiva. Tudo com muita conversa e sem surpresas! A expressão – “estava na cara que não ia dar certo” – é o resultado da troca do “sangue no olho” pela “cara de paisagem”!
Nos casos de sucesso, tudo fica facilitado e qualquer problema tem solução, sem desgaste e sem prejuízo a nenhuma das partes – para quem faz ou para quem paga o que fazer.

As observações de campo tem mostrado que isso faz uma tremenda diferença no ambiente de trabalho, na qualidade dos serviços e até na produtividade das florestas. Ganha e ganha muito a silvicultura!
São lições de vida que não se aprende nos bancos escolares. São marcas do DNA de bons profissionais, que sabem comandar, sabem respeitar o “fio de bigode”, acreditam no “sangue no olho”, até para resolver os eventuais problemas apresentados nas planilhas de todos os dias!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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COMO ANDA A NOSSA SILVICULTURA DE FLORESTAS PLANTADAS?

A silvicultura comercial ou de florestas plantadas para produção de madeira para consumo industrial é importante atividade do meio rural e sustenta um riquíssimo patrimônio, que se expande continuamente – com destaque para celulose e papel, chapas, siderurgia e energia.

Resumidamente, abrange perto de 10 milhões de hectares, emprega milhões de brasileiros, e está presente em milhares de propriedades rurais, de quase todo o Brasil. Essas florestas plantadas, sustentam rico e diversificado patrimônio industrial que participa do PIB brasileiro em quase 5%! E tem mais – com tecnologia e produtividade duplicada nos últimos 50 anos! E competitividade invejável em nível internacional!
Quase todas as florestas das grandes indústrias encontram-se certificadas, e mais recentemente, envolvidas por nova onda de “olheiros” – o globalizado ESG.

Esse patrimônio de florestas plantadas é sempre apresentado acompanhado de milhões de hectares de matas nativas preservadas, o que fortalece, ainda mais, os discursos de todos os cantos, sobre a sustentabilidade da silvicultura brasileira cantada em prosa e verso. No entanto, há controvérsias quanto à base desse exemplar modelo de sustentabilidade – está nas florestas plantadas, como atividade e negócio, ou, o que temos são indústrias “mais que sustentáveis”, verdadeiras ilhas de excelência, que juram que sua matéria-prima – madeira – é um bem inesgotável?

De qualquer forma, diante desse contexto, que envolve o universo das florestas plantadas, haveria motivos que pudessem causar preocupação?
Em conversas e quase sempre com certa reserva, há gente que acha que mesmo nesse mundo de maravilhas também há problemas, mas que se diluem na quantidade de madeira produzida e disponível. E são sentidos, com mais ou menos preocupação pelos diferentes interessados. E são problemas, cujo agravamento, poderá trazer dificuldades, a médio e longo prazo. Há quem diga que o que falta, na verdade, é alguém para “colocar o sino no pescoço do gato”.

Fica o desafio: de onde virão o gato e o sino? Das universidades, das instituições de pesquisas públicas e privadas ou das próprias empresas?
O que consola, mas não justifica é a certeza de que não falta gente competente para dar conta do recado!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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O SETOR FLORESTAL – QUE NOVIDADES VIRÃO?

Há, exatamente, 4 anos atrás – janeiro de 2019 – um grupo de profissionais do setor florestal, juntou-se para discussões no ZAP da Comunidade de Silvicultura e elaboração de um documento com sugestões à Ministra da Agricultura, que acabara de ser empossada! Muitas mensagens, reuniões e discussões e uma enorme dose de entusiasmo e esperança, acima de tudo! Não se cogitava de que todos os problemas estivessem contemplados e prontos para serem levados à Ministra , mas se apostava que parte das grandes encrencas estivessem apontadas.

Só não se imaginava que acontecesse, exatamente, o que aconteceu – depois de inúmeras e frustradas tentativas não se conseguiu entregar e apresentar o referido documento à Ministra! Seguiu, no entanto, via correio, devidamente carimbado. Depois de alguns dias, estávamos de posse do aviso – “recebido”! Um resumo de tudo – não sentimos nenhuma modificação no dia-a-dia do setor, encrencas foram alardeadas, alguns problemas sérios se despontaram, segmentos independentes se mantiveram em expansão e só cresceu a sensação do “salve-se, conforme seus interesses”!

Conclusivamente, o Governo não deu “um pio”, e as coisas andaram! Aparentemente, alguns segmentos continuaram cuidando de sua independência, sem precisar e nem querer ouvir falar em Governo, enquanto, outros foram se ressentindo, cada vez mais, de ações governamentais imprescindíveis!

Diante do exposto ficaram dúvidas, certezas e indagações intrigantes;
1- Fomos incompetentes ao identificarmos e estabelecermos problemas e prioridades?
2- É esse crescimento – excelente para uns e desastroso para outros – que queremos para o setor florestal brasileiro?
3- O que fazer com problemas que afetam a todos e necessitam de urgentes soluções?
4- Como fazer o encaminhamento das oportunidades que se abrem para os programas de restaurações, créditos de carbono e florestas plantadas com nossas espécies nativas?
5- O que agregar a nossa silvicultura de produção para garantir o crescimento e sustentabilidade de nosso patrimônio florestal e industrial?

E já tivemos oportunidade de ouvir inúmeras opiniões. Há enorme expectativa e uma grande certeza – sempre haverá necessidade de muito trabalho, e acima de tudo, disposição e vontade política para que os desafios sejam superados! O Brasil não pode perder a oportunidade de se transformar numa grande potência florestal sustentável!

Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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DA COP 27, QUE VENHAM BOAS NOTÍCIAS ÀS FLORESTAS!

Mais uma vez o mundo reunido para falar de clima, de sustentabilidade, de vida! Aqui de fora, a torcida para que o assunto floresta seja valorizado em toda sua abrangência. Há sinais interessantes – a presença de muita gente competente, gente que pensa, gente que fala e gente que faz!
Dessa forma, aumenta a esperança e quase certeza, de que vai sair coisa importante às florestas! Proteção, conservação, manejo, restauração, produção? Para qualquer opção temos competência, profissionais preparados e um mundo de oportunidades!
E já há apostas rolando:

1- A proteção das florestas nativas, especialmente da Amazônia, vai ter tratamento especial, ainda mais com o olhar de preocupação do mundo todo. O manejo vai andar e o desmatamento ilegal vai cessar. Adeus à pirataria amazônica. Se vingar, já valeu!

2- A restauração prometida há anos vai avançar! A dívida é enorme, mas já se junta gente grande para dar conta do recado. Com cheiro de dinheiro, vão surgir muitos interessados e muitos negócios. Se os benefícios vierem para grandes, médios e pequenos produtores, será ótimo!

3- Fala-se no fortalecimento de novos mecanismos para promover reflorestamentos e que envolvam, de fato, comunidades e pequenos produtores!

4- O crédito de carbono deve virar realidade, mas outras opções precisam ser pensadas! Será que nesse bolo, vamos conseguir incluir plantações de exóticas e nativas? Seria uma grande alavancagem à silvicultura!

5- O tema sustentabilidade cresceu e se fortaleceu para cuidar do clima! E o assunto florestal vai embarcar junto? Que não fiquemos à deriva e que sejam fortalecidas as instituições que cuidam dos assuntos florestais!

Que não tenha solução de continuidade a história de sucesso de nossas florestas plantadas. E que se introduzam, de fato, as melhorias para proteção do patrimônio florestal existente e sustentação da silvicultura brasileira!

Enfim, logo estaremos nos confrontado com as novas da COP 27! Há sinais positivos no sentido da valorização das florestas. Não podemos perder essas oportunidades. A torcida é grande.
Só não dá para se cruzar os braços e ficar esperando que se adivinhem tudo que precisamos! É hora das conversas e dos berros!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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INCENTIVO ÀS ESPÉCIES NATIVAS, UMA NECESSIDADE À SEMELHANÇA DAS EXÓTICAS!

A silvicultura brasileira continua com uma grande dívida – o uso de espécies nativas na formação de florestas para os mais diversos objetivos!

Há tempos fala-se em recuperar áreas degradadas, florestas para proteção de nascentes e de bacias hidrográficas, plantios comerciais para produção de madeira, dentre outras finalidades. Falava-se da falta de informações técnicas para garantia de bons resultados.

Aparentemente, já se evoluiu bastante nesse sentido. É lógico, que ainda há de se melhorar, mas há inúmeras iniciativas bem encaminhadas, e profissionais altamente capacitados e prontos para uma arrancada inicial.

Há quem afirme que a situação dos dias atuais para muitas espécies nativas é muito parecida com a das espécies exóticas no início do grande ciclo de crescimento por volta dos anos 70 – sem melhoramento genético, práticas silviculturais em andamento e baixa produtividade. No entanto, atualmente para o caso das nativas, temos enorme bagagem de conhecimentos acumulados com as espécies exóticas, além da quantidade de profissionais preparados e o acúmulo de pesquisas e experimentações desenvolvidas! Talvez, esteja faltando, de fato, um amplo programa de divulgação e comunicação a respeito do que existe disponível!

Fala-se num total aproximado de 10 milhões de hectares de plantios florestais, com a probabilidade de que as áreas com espécies nativas não estejam tão distantes da faixa de 1 a 2% desse total! Há de se destacar, no entanto, o ambiente favorável para se implementar plantios com espécies nativas – áreas degradadas demandando recuperação, nascentes e bacias hidrográficas necessitando de proteção, dívidas com compromissos internacionais, grande potencial para nos habilitarmos a créditos de carbono, aumento de interessados em plantios comerciais, profissionais preparados e muitas informações técnicas disponíveis!

Diante desse quadro, fica a pergunta – o que falta para que a silvicultura com espécies nativas cresça e se torne mais uma atividade rural de grande interesse econômico, social e ambiental?

Tem sido destacado como principais dificuldades para crescimento dos plantios o longo prazo característico desses empreendimentos, o elevado custo de implantação e manejo para determinados objetivos e a inexistência de financiamentos compatíveis com as culturas. Diante de tais dificuldades, geram-se incertezas quanto à viabilidade econômico – financeira dos investimentos. A possibilidade da geração de créditos de carbono e o pagamento por serviços ambientais, talvez possam se transformar em instrumentos complementares para viabilização dos empreendimentos.

Para muitos, no entanto, o que falta mesmo é vontade política para que se estabeleçam regras adequadas e mecanismos concretos de incentivos à atividade. O sucesso alcançado com a política de reflorestamento para as espécies exóticas deveria ser a referência básica a ser aprimorada e adaptada às condições e necessidades de nossas espécies nativas.

Por que não copiar o que deu certo?
Será que ainda temos dificuldades para assumirmos os incentivos fiscais para reflorestamento, como a mola propulsora do riquíssimo patrimônio florestal e industrial brasileiro?

Será que com a experiência adquirida, tecnologias avançadas e profissionais altamente capacitados não teríamos condições para promover as eventuais correções e melhorias no mecanismo utilizado anteriormente?

Por que não criamos condições especiais de incentivos às empresas de base florestal beneficiadas pelo sistema anterior para investirem em empreendimentos com espécies nativas?

Temos todas as informações sobre as dificuldades encontradas, os caminhos para superação e os resultados alcançados a nossa disposição para serem processados e utilizados! A única explicação para não aproveitarmos as experiências vividas é a falta de vontade política!

Diante dessa apatia política, estamos deixando de promover uma alavancagem gigantesca em nossa silvicultura de espécies nativas! Sem o empurrão governamental vai ser muito difícil avançarmos em tão promissora oportunidade!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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O INCENTIVO PARA REFLORESTAMENTO FOI ALÉM DO EUCALIPTO E PINUS!

O incentivo fiscal para reflorestamento dos anos 70, que perdurou até 1988, foi muito além do rico patrimônio florestal, que se formou – alavancou culturas frutíferas, que atualmente, se destacam em economias regionais, e propiciou uma significativa contribuição ambiental.

No caso das frutíferas temos as culturas da maçã, caju, coco e dendê, dentre outras! Foram culturas permitidas pela política de incentivos para reflorestamento e que na ocasião eram tidas como distorção do sistema. Tomavam parte pequena do orçamento disponível, e criteriosamente, foram determinadas as espécies frutíferas adequadas e prioritárias para as diferentes regiões brasileiras.

No caso específico da maçã, os projetos se concentraram no entorno de São Joaquim, em Santa Catarina, e se prestaram para implementar a cultura naquele estado. Atualmente, muito ampliada e com desenvolvida tecnologia, a região se caracteriza como grande produtora de fruta de excelente qualidade! No Nordeste os plantios de caju deram origem a grandes empreendimentos que se consolidaram em importante cadeia de produção para o mercado interno e exportação. O mesmo acontecendo no Norte com o dendê!

Além da cultura das frutíferas, há de se destacar a importante contribuição que se deu na preservação de matas nativas! Passou a predominar e ser estimulada nos projetos apresentados, na ocasião, a opção por deixar 10% da área a ser reflorestada, como reserva de florestas nativas, além das APPs e Reserva Legal, em troca do plantio obrigatório e mal sucedido de 1% da área a ser reflorestada com espécies regionais.

Há de se louvar a sugestão oportuna, e de grande significado à Dra. Maria Thereza Jorge Pádua, na ocasião, Diretora do Departamento de Parques e Reservas Nacionais do antigo IBDF. Estima-se que foram preservados, nesse sistema, mais de 300.000 ha de reservas florestais nos diversos empreendimentos incentivados!

Frutíferas produtivas e áreas preservadas são exemplos de atalhos bem sucedidos da política de incentivos fiscais para reflorestamento. Talvez, essa tenha sido das mais importantes políticas públicas dos últimos 50 anos, e que deu vida à rica silvicultura brasileira!

Os recursos envolvidos, em cerca de 20 anos, já foi devolvido dezenas de vezes na forma de impostos, além de ter gerado milhões de empregos, um riquíssimo patrimônio industrial, e com participação expressiva no PIB. Um excelente exemplo de vontade política transformada em ações concretas para bem do desenvolvimento econômico, social e ambiental do país!

Tivemos a grata satisfação de participar das referidas iniciativas, como Diretor do Departamento de Reflorestamento do antigo IBDF, contando com uma excelente equipe de colaboradores e com o apoio imprescindível, e de todo momento, do saudoso Presidente do IBDF – Dr. Paulo Azevedo Berutti e, do então, nosso estimado, Ministro da Agricultura – Dr. Alysson Paulinelli!

Sempre, o nosso respeito e admiração!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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E O SETOR FLORESTAL BRASILEIRO, QUEM VAI MEXER ESSE BOLO?

Aí vem logo a pergunta – que setor florestal?
E cabem inúmeras indagações para uma resposta à altura das demandas existentes!

Estamos procurando definir aquele setor, que se agigantou, mas que já esteve, há tempos atrás, contido numa única instituição das florestas, o antigo IBDF. Nos tempos modernos, com tantas ligações entre as mais diversas atividades, com as novas demandas, nem dá para imaginar que uma instituição como o antigo IBDF pudesse atender!

Mas para quem quer ter uma ideia de nossas angústias, a antiga casa que juntava todos os assuntos florestais parece ser uma boa referência. Há de se imaginar numa entidade de ampla abrangência, que possa cuidar, dentre várias atribuições do desmatamento, do manejo e das concessões de florestas, da comercialização de madeira, dos parques, das florestas nacionais e outras unidades de conservação, das florestas plantadas para celulose, chapas e carvão, da recuperação de áreas degradadas, das pesquisas com nossas espécies nativas, etc.

Talvez junte atribuições do Serviço Florestal, IBAMA, ICMBIO e outras entidades. Afinal, cabem discussões para definir com clareza, onde começa, o que compreende e até onde vai o setor!

E pondo mais lenha nessa fogueira – é aceitável que não se tenha definições claras para um conjunto de atividades que se ligam entre si, e que participam com quase 3% do PIB, com a maior reserva florestal estratégica para mitigação dos efeitos climáticos do mundo, com a maior biodiversidade do planeta, que emprega milhões de brasileiros, que abriga na sua área de influência mais de 30 milhões, que tem as florestas plantadas de maior produtividade e competitividade, com um patrimônio científico e tecnológico reconhecido a nível internacional e que ainda tem possibilidade de se tornar uma potência global no mercado de carbono?

Enfim, é desse conjunto de atividades, que estamos falando – seria um ministério? Uma secretaria especial com ligações múltiplas? Ou o Serviço Florestal Brasileiro seria devidamente estruturado e com autonomia suficiente para dar conta do recado?

Só não dá para continuar esquartejado em diferentes salas e instituições!
Será que ainda há dúvidas quanto à importância e necessidade do setor florestal se preparar e se estruturar, adequadamente, para atender às demandas dos novos tempos e aproveitar nossas riquezas naturais e o potencial de desenvolvimento para bem de todos os brasileiros?

De qualquer forma, continua a indagação – quem vai mexer esse bolo?

Fica para reflexão das entidades representativas, milhares de profissionais em plena atividade e estudantes em preparação em mais de 50 cursos de engenharia florestal existentes no Brasil!

A agricultura por volta dos anos 70 se transformou e criou o Brasil do Agronegócio!
Em que momento, faremos o mesmo com o setor florestal?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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