Fim da década de 60, ano de 66, de repente, na esteira do Código Florestal de 1965, surge a política de incentivos fiscais para reflorestamento! Não havia tecnologia definida e nem tantos profissionais para dar conta do recado. Para muitos, mesmo com ares de precipitação, foi a decisão de política pública que mudou o cenário florestal brasileiro. Vislumbrou-se a falta de madeira para atender às demandas do Programa Nacional de Celulose e Papel e surgia os incentivos fiscais para reflorestamento com a Lei 5106 de 1966! Em seguida, atendiam-se as necessidades da siderurgia, chapas e em pouco anos, já se falava em milhares de ha/ano de plantio.
Com dinheiro jorrando para todos os lados, houve de tudo. Muitos erros, abusos, fiscalização precária, tudo para não dar certo. E não era privilégio só dos reflorestamentos – turismo, pesca, projetos para o norte e nordeste também com muitos recursos estavam acometidos dos mesmos problemas. Enfim, uma loucura com tantos recursos investidos e com tamanha fragilidade na estrutura de fiscalização e acompanhamento.
Com tudo isso, ainda assim, o reflorestamento se salvou. Arrastando inúmeros problemas, e muitas críticas, superou dificuldades técnicas, deixou para trás problemas ambientais e sociais e saiu lá na frente com grandes empreendimentos e excelentes empresas, que deram origem a rico patrimônio industrial com milhões de empregos gerados, competitivo em nível internacional e contribuindo para o PIB nacional. Já devolveu em impostos dezenas de vezes tudo que usou para formação e desenvolvimento de todo o patrimônio florestal! Não há quem negue o valor das florestas plantadas inicialmente incentivadas com recursos governamentais.
E a produtividade das florestas? No início, a média não passava de 15/20 metros/ha/ano! Embora nas boas empresas já se registrassem produtividades superiores!
Nos anos 80, o IBDF que comandava toda a política de incentivos fiscais para reflorestamento, tinha mais de 2.000 empresas registradas e concorrendo aos incentivos. E falava-se em programas anuais de 300 a 400.000 ha/ano. Não é difícil perceber o tamanho das encrencas e problemas gerados de toda ordem – técnicos, sociais e ambientais. É difícil acreditar que no meio de tamanha confusão, tenha havido espaço para instituições de pesquisas florestais se desenvolverem, entidades representativas crescerem e um mundo de boas empresas com excelentes profissionais se destacarem e darem vida ao setor de reflorestamento! E foi assim, com embasamento técnico-científico e com serviços operacionais exemplares das boas empresas que se alcançou o sucesso da silvicultura. Todos colaborando, todos compartilhando acertos e erros.
Há muitos que consideram o início da adubação das florestas e o uso de sementes melhoradas, inclusive com importações da Austrália, como marcos significativos no aumento da produtividade da silvicultura. E nada de exclusivismo. E mais alguns anos – 75/80 – já era comum falar-se em produtividades acima de 30 e em algumas regiões até mais que 40! Para muitos foram os anos de ouro da silvicultura brasileira, com profissionais brilhantes, que se doaram de corpo, alma e todo conhecimento à silvicultura, instituições que se formaram e cresceram, cursos, que foram iniciados e grandes empresas fazendo excelentes trabalhos de campo. A silvicultura brasileira já se tornava destaque em nível internacional!
Viramos a década de 90 com a silvicultura bem no ápice de suas produtividades, com conhecimentos científicos de elevado nível, com ferramentas digitais para monitoramento e acompanhamento de toda ordem! Quase todos os empreendimentos certificados, grandes investidores nacionais e internacionais. Um setor maduro com competência para cuidar e se preparar para os desafios dos novos tempos!
Que o legado de 30 anos, com datas, nomes e sobrenomes conhecidíssimos e que merecem todo nosso respeito e admiração, sirva de exemplo e encorajamento para que não se cessem os esforços no sentido do contínuo enriquecimento da nossa silvicultura.
E depois de duas décadas, já há muito a se fazer!
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br