Prosas e opiniões sobre florestas plantadas – lições da vida profissional!

O nosso projeto Comunidade de Silvicultura, com página no Facebook e no Instagram, está completando 8 anos em 2023, e teve cerca de 400 textos publicados, mantendo mais de 27.000 seguidores e com média de 50.000 acessos em cada postagem, tendo alguns textos com mais de 100.000 acessos!

Com esse material fizemos três e-Books que podem ser acessados pelo link: https://drive.google.com/drive/u/5/folders/1mPhCDMSsC_u8-wOcakVWu1FqtO7JmhDA

A participação de todos os amigos, que nos deram a satisfação da leitura, dos comentários, sugestões e críticas foi a grande motivação que nos manteve firmes e fortes nessa trilha. Nada de ensinar silvicultura, mas o propósito de manter aceso o interesse nas discussões de problemas, novidades, exemplos de sucesso e, acima de tudo, na valorização do profissional e no uso da tecnologia para conseguirmos boas florestas.

Estaremos agradecidos se conseguimos alcançar um pouco de tamanha pretensão. Foi uma grande lição aprendida com tudo isso! Só agradecimentos a todos que nos deram a grata satisfação da atenção e colaboração com sugestões e comentários!

Forte abraço,
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A EVOLUÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO NA ÁREA FLORESTAL – PROFISSIONALIZAÇÃO DE TODOS OS LADOS!

O setor de florestas plantadas, que sustenta um mundo de grandes indústrias e com milhões de hectares de florestas, tem uma ligação muito estreita com a terceirização. Estimam-se milhares de empresas prestadoras dos mais diversos serviços e milhões de empregos ligados a esse exército de colaboradores!

O processo de terceirização vem crescendo há anos! De exceção para serviços especializados se transformou na regra geral de empregabilidade do setor de florestas plantadas. Em tudo que se faz, dos serviços operacionais aos serviços administrativos e apoio, até aos institucionais, prevalece a presença do terceiro. E há de tudo! Ótimas empresas e serviços de qualidade, às empresas oportunistas e de péssima qualidade. E nessa ampla faixa de oferta encontra-se de tudo e para todos os gostos! Exatamente isso, para todos os gostos, pois a mesma variação serve também aos que contratam. Aqui, vale muito a história dos bichos da mesma cor – boi branco com boi branco. E nesse misto diverso, fica uma palavra de ordem a ser valorizada – profissionalização! E sempre dos dois lados. Um terceiro com gente mal preparada e sem comprometimento com a qualidade, segurança e prazos para entrega de seus serviços, é triste e desgastante. Mas do lado de quem contrata, que exige, que fiscaliza e paga é imprescindível que também haja profissionalização, e em nível elevado de preferência! Sempre a falta de profissionalização de qualquer dos lados só traz atrapalhadas, culpas e culpados.

Contratante, só com disposição para fiscalizar e exigir e sem experiência adequada, é tão prejudicial às florestas, quanto o terceiro sem preparo. Uma pena, pois quase sempre prevalece a versão de quem assina o cheque. Profissionais bem preparados se complementam, entendem as responsabilidades das partes, são colaborativos e percebem os momentos oportunos para correções, opiniões e devidos ajustamentos. Ganha a qualidade e a produtividade das florestas.

O interessante, e que merece destaque, é a preocupação de algumas empresas no sentido de preparar, e com gente especializada, seus profissionais – e há até quem já se preocupe em estender o treinamento aos terceiros. Sinais de novos tempos, e de entendimento e preocupação com a qualidade das florestas. Não adianta só cobrar e penalizar. Da mesma forma, não adianta só cumprir contrato. Há de se cultivar a boa convivência, a estreita colaboração e, acima de tudo, o respeito entre as partes!
Assim ganha e ganha muito a silvicultura!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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DESMATAMENTO, CLIMA, CRÉDITOS DE CARBONO… E AS FLORESTAS?

Num contexto em que, com toda razão, se fala muito em desmatamento, num momento em que lastimáveis desastres, daqui e dali, são colocados na conta de problemas climáticos, enquanto garimpeiros ilegais reviram terras indígenas, será que não seria oportuno que as florestas e suas riquezas também fizessem parte da pauta estratégica das políticas públicas para o desenvolvimento do país?

Será que discussões sobre defesa da Amazônia, restauração de áreas degradadas, pagamento de serviços ambientais, créditos de carbono e mais meia dúzia de boas intenções não seriam fortalecidas, através de um programa florestal brasileiro com prioridades e metas, adequadamente, estabelecidas para dar sustentabilidade a tudo isso?
Será que essa não seria a forma de passarmos para o centro das discussões estratégicas, ao invés de nos mantermos periféricos? E com boa dose de otimismo – com tantos profissionais que conhecem o setor e sua importância, seus benefícios e seu potencial de crescimento para geração de empregos, renda e protagonismo destacável no mercado internacional de produtos e serviços das florestas? Com certeza, deixaremos de ser periféricos!

Há cerca de 50 anos, por incrível que possa parecer, importávamos comida e nas excelentes condições naturais para produção que temos. Criou-se a Embrapa e com sua brilhante atuação o Brasil se transformou no grande produtor agropecuário em nível internacional! E com espaço, possibilidade e necessidade de aumentar ainda mais sua produção. O mundo precisa disso!

Há cerca de 50 anos importávamos celulose e papel. Veio o Código Florestal, criou-se o IBDF, instituiram-se os incentivos fiscais para reflorestamento e o Brasil se colocou entre os maiores produtores mundiais de celulose, de papel e de chapas de madeira. E há espaço para continuarmos crescendo!
Nos dias atuais, dispomos da maior reserva florestal do mundo, mas ainda temos participação insignificante no mercado internacional de produtos florestais. Temos imensidões de áreas degradadas e uma dívida internacional que nos obriga a plantar 12 milhões de hectares, até 2030,mas continuamos engatinhando com essa programação. Fala-se que temos condições de gerar riquezas imensuráveis com créditos de carbono! Temos um mundo de oportunidades com nossa riquíssima biodiversidade. Tudo a explorar e com experiência, competência e tecnologia.

Enfim, temos exemplos de realizações bem sucedidas a serem melhoradas e replicadas, à semelhança do que foi a EMBRAPA para agricultura e os incentivos fiscais para florestas plantadas. Temos condições excepcionais para produzir e competir em nível internacional. Temos mercado que demanda e, acima de tudo, temos brilhantes profissionais envolvidos nas questões florestais, tanto em nível governamental, quanto empresarial!

Com tudo isso, torna-se intrigante a indagação – o que está faltando para que o Brasil se torne uma potência de produtos e serviços da floresta com destaque em nível internacional à semelhança do que aconteceu com nossa agricultura?
Com a palavra os que acreditam e não perdem a esperança de que se repitam as realizações bem sucedidas de tantos anos atrás!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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AVISO IMPORTANTE

Olá, amigos e amigas da Comunidade de Silvicultura. Temos um aviso importante para esclarecer com vocês que nos acompanham.

Está circulando na internet cursos online divulgados por um site que está levando o nome de nosso projeto Comunidade de Silvicultura.

Gostaríamos de salientar que não temos nenhuma relação e conhecimento com esses cursos e qualquer outro tipo de divulgação que utilize nosso nome.

Os materiais relacionados a nossa Comunidade de Silvicultura são publicados e divulgados em nossos canais oficiais como nosso site http://www.comunidadedesilvicultura.com.br, Facebook e Instagram.

Agradecemos a atenção,

Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor

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NOVIDADES QUE MUDAM O RUMO DA SILVICULTURA!

De tempos em tempos, a silvicultura muda de rumo com surpreendentes inovações. Para muitos, essas mudanças surgem diante de ameaças ou limitações à estabilidade do setor. Normalmente, provocam impactos na produtividade, no social, no ambiental ou na estrutura organizacional das empresas!
As florestas plantadas de pinus e, especialmente, de eucalipto respondem de forma significativa às mudanças, quase sempre, baseadas no desenvolvimento de pesquisas científicas.
A primeira rodada de ganhos com reflexos na produtividade foi resultado de grande pacote tecnológico, juntando muitas pesquisas voltadas à formação das florestas. Esse ciclo, de modo geral, completou-se com a produção de clones. Era a soma do esforço de brilhantes profissionais, muitas pesquisas, experimentações e investimentos. E assim, concretizávamos o salto de 15/20 metros cúbicos por ha ano para próximo de 40, e com empresas registrando índices ainda maiores. Rumo bem definido, mas que foi tendo melhoramentos contínuos a depender das empresas e regiões!

Por volta do ano 2000, com a chegada da certificação, novas mudanças e novo salto. Desta vez, com reflexos mais evidentes no social e ambiental. Mais do que estabelecer exigências, a certificação fez com que as empresas acreditassem na importância de se elevar o lado social e o lado ambiental aos níveis alcançados com a evolução tecnológica. Um salto de qualidade nas condições de trabalho, e na forma de se integrar ao processo produtivo as questões ambientais.

Nesses últimos 20 anos, além da certificação, surgiram também as TIMOS Florestais – Timber Investment Management Organization – grandes investidores na formação de florestas. Não mudaram o rumo, mas promoveram uma grande alavancagem no profissionalismo da silvicultura! Foi um período muito rico na evolução tecnológica em ferramentas digitais para os mais diversos controles e um mundo de ações sociais e ambientais se desenvolveu nas diversas empresas. Foi nesse embalo também que se viveu período bastante adverso com as conhecidas oscilações do mercado de madeira. Nada justificava inovações ou maiores preocupações!

Para bem da silvicultura, nos últimos 5 (cinco) anos, as coisas mudaram. Acendeu-se a luz amarela e em alguns cantos a luz vermelha! Foi só os estoques de madeira sumirem e toda a cadeia produtiva se mexeu. E a correria começou!
Os sinais que permaneceram camuflados por anos se mostraram ameaçadores – a mesmice da fragilidade da base genética, as pragas e doenças que deixaram de ser raridade, as secas prolongadas que afetaram o crescimento das florestas, os fomentados que se afastaram do setor, a terceirização que se tornou base imprescindível para execução dos serviços e a expansão das áreas de plantio, que voltou a provocar polêmicas, quanto à biodiversidade, proteção dos recursos hídricos e atenção às comunidades vizinhas. Esses são alguns dos problemas que passaram a assustar e desafiar a todos!

E junto a esses desafios surgiu de forma pomposa a sustentabilidade, vista de várias formas, mas sempre abrindo oportunidades para inovações e correções. Surge a necessidade de restaurações, rastreadas num compromisso e numa dívida internacional, surge a oportunidade de se monetizar créditos de carbono e a necessidade de se alavancar os plantios com espécies nativas. Enfim, um punhado de oportunidades. E para os silvicultores do metro cúbico um alerta – não existe mais estoque de salvamento – agora se faltar madeira vai parar a fábrica.

Diante desse contexto, não há quem duvide de novos avanços na produtividade, no social, no ambiental e no fortalecimento institucional do setor! E, com certeza, virá junto maior valorização da tecnologia, um repensar dos aspectos sociais e ambientais e, acima de tudo, respeito à competência profissional! São novidades que mudam rumos, e ganha muito a silvicultura!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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DÉCADAS DE 70/80 E 90, OS ANOS DE OURO DA SILVICULTURA BRASILEIRA!

Fim da década de 60, ano de 66, de repente, na esteira do Código Florestal de 1965, surge a política de incentivos fiscais para reflorestamento! Não havia tecnologia definida e nem tantos profissionais para dar conta do recado. Para muitos, mesmo com ares de precipitação, foi a decisão de política pública que mudou o cenário florestal brasileiro. Vislumbrou-se a falta de madeira para atender às demandas do Programa Nacional de Celulose e Papel e surgia os incentivos fiscais para reflorestamento com a Lei 5106 de 1966! Em seguida, atendiam-se as necessidades da siderurgia, chapas e em pouco anos, já se falava em milhares de ha/ano de plantio.

Com dinheiro jorrando para todos os lados, houve de tudo. Muitos erros, abusos, fiscalização precária, tudo para não dar certo. E não era privilégio só dos reflorestamentos – turismo, pesca, projetos para o norte e nordeste também com muitos recursos estavam acometidos dos mesmos problemas. Enfim, uma loucura com tantos recursos investidos e com tamanha fragilidade na estrutura de fiscalização e acompanhamento.

Com tudo isso, ainda assim, o reflorestamento se salvou. Arrastando inúmeros problemas, e muitas críticas, superou dificuldades técnicas, deixou para trás problemas ambientais e sociais e saiu lá na frente com grandes empreendimentos e excelentes empresas, que deram origem a rico patrimônio industrial com milhões de empregos gerados, competitivo em nível internacional e contribuindo para o PIB nacional. Já devolveu em impostos dezenas de vezes tudo que usou para formação e desenvolvimento de todo o patrimônio florestal! Não há quem negue o valor das florestas plantadas inicialmente incentivadas com recursos governamentais.

E a produtividade das florestas? No início, a média não passava de 15/20 metros/ha/ano! Embora nas boas empresas já se registrassem produtividades superiores!
Nos anos 80, o IBDF que comandava toda a política de incentivos fiscais para reflorestamento, tinha mais de 2.000 empresas registradas e concorrendo aos incentivos. E falava-se em programas anuais de 300 a 400.000 ha/ano. Não é difícil perceber o tamanho das encrencas e problemas gerados de toda ordem – técnicos, sociais e ambientais. É difícil acreditar que no meio de tamanha confusão, tenha havido espaço para instituições de pesquisas florestais se desenvolverem, entidades representativas crescerem e um mundo de boas empresas com excelentes profissionais se destacarem e darem vida ao setor de reflorestamento! E foi assim, com embasamento técnico-científico e com serviços operacionais exemplares das boas empresas que se alcançou o sucesso da silvicultura. Todos colaborando, todos compartilhando acertos e erros.

Há muitos que consideram o início da adubação das florestas e o uso de sementes melhoradas, inclusive com importações da Austrália, como marcos significativos no aumento da produtividade da silvicultura. E nada de exclusivismo. E mais alguns anos – 75/80 – já era comum falar-se em produtividades acima de 30 e em algumas regiões até mais que 40! Para muitos foram os anos de ouro da silvicultura brasileira, com profissionais brilhantes, que se doaram de corpo, alma e todo conhecimento à silvicultura, instituições que se formaram e cresceram, cursos, que foram iniciados e grandes empresas fazendo excelentes trabalhos de campo. A silvicultura brasileira já se tornava destaque em nível internacional!

Viramos a década de 90 com a silvicultura bem no ápice de suas produtividades, com conhecimentos científicos de elevado nível, com ferramentas digitais para monitoramento e acompanhamento de toda ordem! Quase todos os empreendimentos certificados, grandes investidores nacionais e internacionais. Um setor maduro com competência para cuidar e se preparar para os desafios dos novos tempos!

Que o legado de 30 anos, com datas, nomes e sobrenomes conhecidíssimos e que merecem todo nosso respeito e admiração, sirva de exemplo e encorajamento para que não se cessem os esforços no sentido do contínuo enriquecimento da nossa silvicultura.
E depois de duas décadas, já há muito a se fazer!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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LIÇÕES DE VIDA – O “NÓS” QUE JUNTA E O “EU” QUE AFASTA!

Talvez tenha sido uma das mais importantes lições que tivemos na vida profissional!
Quando começamos a trabalhar no IPEF, em Piracicaba, lá por volta de 1971, tivemos a chefia de competente profissional, mas não muito afeito às cordialidades tão corriqueira naquele ambiente de trabalho. E só tratava de qualquer assunto sempre com “eu”, daqui e dali. E com tanta insistência que chegava a perturbar!

Em certa ocasião, acompanhando uma correção de relatório, ouvimos o saudoso Prof. João Walter Simões, dizer – “nós precisamos, …… nós devemos….. nós vamos fazer!”
Ficamos admirados: que tratamento tão diferente, nós isso e nós aquilo! Fiquei embasbacado e calado com tanta diferença!
Numa viagem a trabalho e ainda sem entender bem a história, indagamos o Professor, todo surpreso e muito solícito com a nossa preocupação – “Professor, o Senhor sempre trata dos assuntos usando sempre nós daqui e dali, qual a razão?” Ele, com toda educação e cordialidade, própria do Professor João Simões, disse: você nunca vai ouvir o Dr. Helladio dizer “eu”, ele sempre usa “nós”! E seguiu: “o nosso Departamento é formado por uma equipe de profissionais e tudo que se faz tem a participação de todos! E você vai perceber que é comum todos usarem sempre “nós”. É uma forma educada e construtiva de formar e desenvolver equipe de trabalho! Assim se soma, se divide e se aumenta a responsabilidade de cada participante”.

E concluiu: “E todos sabem as obrigações e reconhecem os méritos de cada um, sem necessidade de propaganda. Foi assim que o Dr.Helladio, nosso comandante, se tornou nosso mestre e amigo, respeitado e querido por todos”
Que grande e inesquecível lição!
E que diferença sentimos, em tudo que fizemos na vida profissional! Em empresas, em serviços de consultorias, em reuniões e conversas institucionais, na prestação de serviços, enfim, em tudo! O “nós” junta, o “eu” afasta!

O tratamento com “eu” continua emproado do mesmo jeito, afastando e isolando! E o “nós” sempre abrindo portas e criando pontes!
Fica a sugestão para quem quer encurtar caminhos e encontrar soluções. E, acima de tudo, respeitar e ser respeitado, fazer amigos e grandes amizades, formar e liderar equipes!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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“GRANDE SERTÃO VEREDAS” E A CUTUCADA NO EUCALIPTO

No Globo Rural do último domingo – 5/2/2023 – foi apresentada uma reportagem interessante e educativa sobre a obra do escritor João Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas. Tudo muito bacana, caminhos e trilhas dos boiadeiros, conversas e costumes, ilustrações e uma cutucada nos plantios de eucalipto! É só assistir e vai sentir o contraste entre o saudosismo e romantismo das histórias do passado e a frieza do tratamento dado às florestas de eucalipto – fica a impressão de que entraram nas regiões e destruíram tudo!

Em regra geral, o setor não se incomoda com tais reportagens. Há quem, até aposte no silêncio para evitar polêmica. Novos tempos, novas demandas, e fica a dúvida para reflexão: o silêncio é a melhor tática, nesses momentos de fortalecimento dos valores ambientais, culturais e comunitários? E ainda nos tempos de valorização das certificações, do globalizado ESG, e das tão desejadas adicionalidades para créditos de carbono?

E, afinal, a cultura de eucalipto, com grandes áreas ocupadas, mas milhares de empregos gerados, só traz impactos negativos? Será que não caberia, com mais frequência e profissionalismo, um pouco de comunicação do setor para mostrar a nossa realidade? Será que não caberia usar um pouco das informações e dados dos ricos relatórios de sustentabilidade das empresas do setor? E como temos bons exemplos para serem mostrados!

E se, por acaso, existirem encrencas a serem resolvidas, não seria mais sensato que encarássemos eventuais problemas, antes que interpretações equivocadas criem desdobramentos inconvenientes?
Fica esse café requentado para reflexão! Mas, muito mais, o alerta para que não achemos que problemas antigos, e que criaram tantas dificuldades no passado, já estejam resolvidos, e não se fala mais nisso!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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LIÇÕES DO DIA-A-DIA DE QUEM TRABALHA COM FLORESTAS PLANTADAS

!O piloto de escrivaninha, o fio de bigode (mesmo sem bigode) e o sangue no olho fazem parte do linguajar de quem trabalha com florestas plantadas. São termos do cotidiano profissional, que retratam verdadeiras lições de vida!
O “fio de bigode” sempre avalizou decisões importantes nas relações do fomento florestal, na compra de madeira, na prestação de serviços, dentre outras negociações. O “fio de bigode empenhado era compromisso irreparável! Nada de desculpas e nem justificativas para qualquer desvio. A palavra empenhada era a melhor documentação entre as partes. Complementos burocráticos não punham em risco o tratado e o empenhado “fio de bigode”!

Também interessantes eram os relatos do “sangue no olho”, da “cara de susto” ou da “cara de paisagem”. A cara dizia tudo. Na verdade, o segredo sempre esteve em saber fazer a leitura! Nem pensar em desconfiar, que alguém com “sangue no olho” não cumprisse esse ou aquele desafio. No entanto, seria tremenda ingenuidade acreditar, que o “cara de paisagem” fosse resolver alguma questão mais delicada e que exigisse maior empenho! E essas leituras fisionômicas, tão utilizadas por gestores florestais de sucesso, abreviavam e encurtavam caminhos! E há quem use, até nos dias atuais, com tremenda eficácia!

Esses retratos, no entanto, perderam um pouco de sua utilidade com o surgimento e valorização do “piloto de escrivaninha” – aquele profissional, quase sempre longe do campo, e que toma decisões que mudam o rumo das empresas, só em cima de números. A encrenca não é desconfiar ou menosprezar os números, mas o peso da planilha ao analisar o desempenho de campo. Por exemplo, as falhas de plantio, podem ser apresentadas, até com duas casas depois da vírgula, mas sem mostrar um “pingo” do esforço feito para cumprimento do serviço! Uma pena, pois é nessa falta de reconhecimento e valorização do esforço das equipes de campo, que se desgastam e se perdem as boas relações entre os que fazem, os que fiscalizam e os que decidem. No fundo, perde a silvicultura!

Mas, e daí, qual a lição que fica?
Nos exemplos de sucesso, o que se observa é grande esforço para que haja integração do fio de bigode, do sangue no olho, e das indispensáveis planilhas de escritório! E a essência dessa integração é a presença no campo, o respeito entre as partes, a ética e o profissionalismo de todos que participam da cadeia produtiva. Tudo com muita conversa e sem surpresas! A expressão – “estava na cara que não ia dar certo” – é o resultado da troca do “sangue no olho” pela “cara de paisagem”!
Nos casos de sucesso, tudo fica facilitado e qualquer problema tem solução, sem desgaste e sem prejuízo a nenhuma das partes – para quem faz ou para quem paga o que fazer.

As observações de campo tem mostrado que isso faz uma tremenda diferença no ambiente de trabalho, na qualidade dos serviços e até na produtividade das florestas. Ganha e ganha muito a silvicultura!
São lições de vida que não se aprende nos bancos escolares. São marcas do DNA de bons profissionais, que sabem comandar, sabem respeitar o “fio de bigode”, acreditam no “sangue no olho”, até para resolver os eventuais problemas apresentados nas planilhas de todos os dias!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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COMO ANDA A NOSSA SILVICULTURA DE FLORESTAS PLANTADAS?

A silvicultura comercial ou de florestas plantadas para produção de madeira para consumo industrial é importante atividade do meio rural e sustenta um riquíssimo patrimônio, que se expande continuamente – com destaque para celulose e papel, chapas, siderurgia e energia.

Resumidamente, abrange perto de 10 milhões de hectares, emprega milhões de brasileiros, e está presente em milhares de propriedades rurais, de quase todo o Brasil. Essas florestas plantadas, sustentam rico e diversificado patrimônio industrial que participa do PIB brasileiro em quase 5%! E tem mais – com tecnologia e produtividade duplicada nos últimos 50 anos! E competitividade invejável em nível internacional!
Quase todas as florestas das grandes indústrias encontram-se certificadas, e mais recentemente, envolvidas por nova onda de “olheiros” – o globalizado ESG.

Esse patrimônio de florestas plantadas é sempre apresentado acompanhado de milhões de hectares de matas nativas preservadas, o que fortalece, ainda mais, os discursos de todos os cantos, sobre a sustentabilidade da silvicultura brasileira cantada em prosa e verso. No entanto, há controvérsias quanto à base desse exemplar modelo de sustentabilidade – está nas florestas plantadas, como atividade e negócio, ou, o que temos são indústrias “mais que sustentáveis”, verdadeiras ilhas de excelência, que juram que sua matéria-prima – madeira – é um bem inesgotável?

De qualquer forma, diante desse contexto, que envolve o universo das florestas plantadas, haveria motivos que pudessem causar preocupação?
Em conversas e quase sempre com certa reserva, há gente que acha que mesmo nesse mundo de maravilhas também há problemas, mas que se diluem na quantidade de madeira produzida e disponível. E são sentidos, com mais ou menos preocupação pelos diferentes interessados. E são problemas, cujo agravamento, poderá trazer dificuldades, a médio e longo prazo. Há quem diga que o que falta, na verdade, é alguém para “colocar o sino no pescoço do gato”.

Fica o desafio: de onde virão o gato e o sino? Das universidades, das instituições de pesquisas públicas e privadas ou das próprias empresas?
O que consola, mas não justifica é a certeza de que não falta gente competente para dar conta do recado!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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