AS FLORESTAS PLANTADAS E OS PARADOXOS DO MERCADO DE CARBONO

A silvicultura brasileira de tempos em tempos se depara com novidades surpreendentes! Desde espécies milagrosas que vão te enriquecer lá na frente, até uso de tecnologias que reduzem custos e aumentam a produtividade num toque de mágica! Enfim, milagres e milagreiros brotam a todo instante. E com o crescimento da atividade e com mais interessados, parece que o campo continua fértil para aventuras e desventuras. Daí, a necessidade de se atentar a dados técnicos e científicos diante de novidades, antes de se dar os devidos créditos às mais variadas informações.

A moda, nos dias atuais, está em cima dos créditos de carbono e os diferentes desdobramentos e oportunidades que se abrem à nossa frente! Fala-se em milhões de hectares a serem plantados em áreas degradadas e bilhões de dólares de investidores globais à procura de bons investimentos. São atrativos mais do que suficientes para aguçar provocações.

Plantar para captar carbono parece ter se constituído em importante alternativa para mitigar as mudanças climáticas tão propaladas! E se a moda pegar, então teremos enormes oportunidades para serem exploradas.

Esse contexto, no entanto, nos leva a algumas reflexões!
1- Um assunto de tamanha e estratégica importância não mereceria uma Política Pública de Estado de fácil entendimento, com regras e diretrizes para orientação dos interessados?

2- A qual instituição caberia a responsabilidade pelas informações, orientações e monitoramento dos empreendimentos e controle do mercado de carbono?

3- Se o objetivo é captar cada vez mais carbono, que diferença faz o uso de espécie nativa ou exótica na formação de florestas para tal fim? Por acaso, o carbono captado por espécies nativas é diferente do carbono captado por espécies exóticas? E quando se compara a quantidade? Uma cresce 10 a outra cresce 40 metros cúbicos/ha/ano! Há lógica nessa distinção? Será que o paciente que precisa de socorro, pode-se dar ao luxo de escolher o socorrista?

4- Será que projetos envolvendo plantios de espécies exóticas com manejo de ciclo longo e espécies nativas integrando e enriquecendo APPs e Reserva Legal não poderiam atender plenamente aos quesitos para se habilitar a créditos de carbono?

A nossa torcida é para que formar florestas e recuperar áreas degradas para captação de carbono seja, de fato, uma nova alavancagem para crescimento de nossa silvicultura. Mas que gere benefícios a toda sociedade e que não seja um simples modismo com risco de deixar sequelas indesejáveis à silvicultura brasileira, a médio e longo prazo!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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NOSSAS HOMENAGENS ÀS FLORESTAS E À ÁGUA

21 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DAS FLORESTAS | 22 DE MARÇO – DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Nessas datas celebradas pela ONU, a Comunidade de Silvicultura sente- se honrada em apresentar a publicação do Dr. Walter de Paula Lima, docente aposentado da ESALQ-USP, que dedicou sua vida profissional ao ensino, pesquisas e estudos das florestas e suas relações com a água. Com livros e publicações científicas tem dado enorme contribuição ao enriquecimento ambiental e social do setor florestal. Seus ensinamentos conduzem os procedimentos operacionais na direção da sustentabilidade, criando e qualificando a silvicultura brasileira à captação e créditos de carbono.

Leitura imperdível com sugestões para o dia-a-dia de profissionais e interessados no desenvolvimento da silvicultura brasileira!

Conservação da água: a qualificação da silvicultura brasileira para a obtenção de créditos de carbono

A silvicultura brasileira, baseada principalmente nos plantios de eucalipto e pinus para produção de madeira, cresceu de forma significativa nos últimos 50 anos. As áreas plantadas já se aproximam de 10 milhões de há, e há indicações de que essas áreas continuarão a crescer por bom tempo!
Há de se reconhecer os avanços das técnicas silviculturais, com o apoio de universidades, instituições de pesquisas e, acima de tudo, das próprias empresas interessadas com suas equipes de profissionais especializados e muita pesquisa e experimentação. Foi esse embasamento que permitiu o salto extraordinário da produtividade, que resultou nesse rico patrimônio industrial. Diante de tamanha responsabilidade econômica, social e ambiental, o desafio permanente é, sem dúvida, o de dar sustentabilidade a essa riqueza. E os desafios surgem e exigem providências inadiáveis, sob pena de prejudicar os objetivos essenciais das plantações florestais.

Por exemplo, o avanço das áreas de plantio para diversas regiões com características edafoclimáticas distintas já vem dando sinais para preocupações. A queda na produtividade sentida na grande maioria das áreas plantadas, aparentemente, já se colocou na relação de prioridades a serem enfrentadas pela pesquisa.
A preocupação com adversidades ambientais que levam à queda na produtividade pode evidenciar a necessidade de redobrar os esforços no sentido de dar maior ênfase aos aspectos hidrológicos dessas novas fronteiras. A ocupação de extensas áreas, às vezes com balanço hídrico climático limitante, não pode prescindir desses cuidados ambientais, correndo sério risco de ressuscitar, com mais veemência, os reclamos dos seus efeitos sobre as águas superficiais. Neste sentido, esses aspectos hidrológicos até antecedem as preocupações emergenciais com a produtividade.

Diante desse contexto, é imprescindível rever conceitos arraigados no dia-a-dia operacional do silvicultor, que envolvem o mapeamento das áreas de maior sensibilidade ambiental nos novos plantios. Há de se rever e aplicar, cuidadosamente, os princípios hidrológicos de manejo florestal, tendo a microbacia hidrográfica como base de planejamento do manejo. Isso envolve, pelo menos, a proteção das cabeceiras de drenagem, a preservação e/ou restauração das matas ciliares, a identificação dos aspectos dinâmicos das áreas ripárias, a alocação adequada e integrada das áreas de Reserva legal e APPs, o desenho hidrológico das estradas e vias de acesso, assim como a adoção de sistemas operacionais de plantio que protejam o solo, dentre outros aspectos. Atentar para essas variáveis não vai resultar em perdas de áreas para plantios, mas vai, com certeza, contribuir em muito para a conservação da água. Proteger os recursos hidrológicos é garantir a manutenção da biodiversidade, enriquecer a qualidade dos empregos, manter a vida das comunidades regionais e dar também imprescindível contribuição à produtividade das florestas.

Por fim, esse desenho hidrológico de ocupação dos espaços produtivos da paisagem resulta num desenho de manejo de plantações florestais que integra a preservação de significativa áreas naturais, garantindo a biodiversidade e a conservação da água, sendo por isso merecedor de créditos de carbono.
Dessa forma, estaremos saindo dos discursos e caminhando na direção da sustentabilidade de nossa silvicultura!

Dr.Walter de Paula Lima
Professor aposentado do Depto. de Ciências Florestais da ESAQ-USP – especialista em Manejo de Bacias Hidrográficas

A Comunidade de Silvicultura agradece e cumprimenta nosso amigo e professor por tamanha e eterna contribuição à silvicultura brasileira.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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PLANTAREMOS 1 BILHÃO DE ÁRVORES EM 2024!

A silvicultura brasileira deve atingir em 2024 o seu mais alto pico de atividades anuais de todos os tempos! Talvez estejamos plantando próximo de 1 bilhão de árvores em 2024!!!! Esse mundo de árvores, é a soma das áreas que estão sendo programadas para plantios de grandes indústrias consumidoras – fala-se em quase 400.000 ha das empresas de celulose, chapas, siderurgia e energia; juntam-se as áreas dos grandes produtores de madeira, mais as áreas fomentadas e os plantios de restaurações.

Dessa maneira, só de plantios de diferentes espécies para os diversos usos, a área deve estar próxima de 500.000 ha! Soma-se a isso as áreas colhidas e que estão sendo reformadas, e que deve estar ao redor de 300.000 ha! Assim, teremos cerca de 800.000 ha, compreendendo novos plantios e áreas reformadas! Admitindo-se em torno de 1.200/1300 mudas por ha, conclui-se que estaremos plantando em 2024 próximo de 1 bilhão de mudas!!!

Esse gigantismo da silvicultura brasileira remete-nos a importantes lembranças e reflexões:

1 – A origem desse processo é uma política pública bem sucedida – incentivos fiscais dos anos 70 – com muito aprendizado e que nada impede de ser repetida;

2 – A primeira grande virada no caminho do sucesso se deu com o expurgo de empresas devedoras – mais de 500 – e o uso de sementes de melhor qualidade – o IPEF com o saudoso Walter Suiter e sua equipe sob o comando do Eng. José Zani chegaram a colocar no mercado no período de incentivos fiscais cerca de 50 toneladas de sementes;

3 – O surgimento da clonagem do eucalipto proporcionou grande salto na tecnologia do dia-a-dia;

4 – A evolução tecnológica da silvicultura foi uma obra construída com a integração das universidades e empresas. Um exemplo que precisa ser alimentado permanentemente;

5 – O pacotão de procedimentos silviculturais sofreu adaptações e incorporou inovações, e a produtividade continua a rainha da festa. E precisa ser protegida. Para muitos é o grande desafio dos próximos anos;

6 – Pragas e doenças rondam a todo momento esse rico patrimônio. A defesa dessa riqueza deve ser problema para preocupações constantes de empresas, entidades de pesquisas e governantes. Esse riquíssimo patrimônio florestal não pode ser abalado;

7 – A sustentabilidade virou moda no setor. Há cuidados essenciais para dar legitimidade ao processo de sustentação. Integrar produtividade com a defesa dos recursos hidrológicos, biodiversidade, harmonização da paisagem, dentre outras variáveis, é caminhar na direção da sustentabilidade com melhorias contínuas e que ainda merecem muita atenção;

8 – Há se resgatar, mesmo que demande muito esforço, o pequeno e médio produtor. Estaremos abrindo mais áreas para plantios e enriquecendo o lado social da silvicultura. Essa parceria é a melhor e mais concreta contribuição que os grandes empreendimentos podem prestar às comunidades de seu entorno;

9 – As oportunidades que se vislumbram com restaurações, mercado de carbono e o uso de nossas espécies nativas poderão dar nova alavancagem à silvicultura brasileira. Temos exemplos a serem seguidos, empresas e entidades de pesquisas com profissionais capacitados e prontos a colaborar. Nada disso se move sem políticas públicas para orientar e motivar. Que nossos governantes não percam a oportunidade de promover nova alavancagem à silvicultura;

10 – Que 1 bilhão de árvores seja mais um marco para nossa reflexão e fortalecimento de nossa silvicultura e de todos que participaram dessa exitosa trilha!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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UM POUCO DA HISTÓRIA PIONEIRA DO EUCALIPTO RESGATADA POR CELSO FOELKEL

A Comunidade de Silvicultura sente-se honrada em poder apresentar a história do eucalipto resgatada pelo Dr. Celso B. Foelkel, professor, pesquisador, escritor e reconhecido, em nível internacional, como dos mais brilhantes profissionais do setor de celulose e papel.

Tivemos a satisfação de sermos colegas de turma durante o curso de Agronomia e na especialização de silvicultura. Formamos juntos na ESALQ- Piracicaba em 1970. Em todo o período escolar e no que tivemos oportunidade de acompanhar da vida profissional, sua participação foi sempre com destaque incomparável em tudo que fez. Colocou- se a vida inteira à disposição da ciência florestal, das pesquisas de tecnologia de celulose e papel e ao ensino. Exemplo de dedicação como cientista, pesquisador, professor, formador de equipe e orientador científico de dezenas de profissionais. Seus trabalhos e aplicação enriquecem e enobrecem a silvicultura brasileira.

A publicação dessa contribuição honra nossa página e, acima de tudo, como seu amigo e admirador, nos enche de muito orgulho!
Segundo Celso Foelkel, trata-se de material histórico bem interessante para as milhares de pessoas que se interessam pelos eucaliptos. É um resgate histórico sobre livros e documentos entre os séculos XVII e o ano de 1961, quando foi publicada a versão 2 do livro do Navarro de Andrade e no mesmo ano a II Conferência Mundial do Eucalipto.
Leitura imperdível e de informações enriquecedoras!

LIVROS e DOCUMENTOS PIONEIROS SOBRE EUCALIPTO
Resgates Históricos pelo Professor Celso Foelkel:

Amigos/as, um dos estudos que me trouxe uma enorme alegria e diversos sentimentos de emoção foi esse com o qual estive envolvido em realizar nos últimos 30 dias. Sempre tive a curiosidade em saber como foi a evolução dos conhecimentos sobre o eucalipto e muito disso está associado à “descoberta” da Austrália e à difusão de mudas e sementes dos eucaliptos pelo mundo em função das aplicações encontradas neles em benefício da sociedade.
Essa história toda é relativamente recente, pois data de meados do século XVII, mas com uma aceleração de publicações de livros e documentos a partir do início do século XX.

Tive a honra de me encontrar digitalmente com diversos e renomados autores eucalípticos e muito referenciados na literatura global, como os grandes mestres: Pryor, Maiden, Blakely, Navarro de Andrade, Navarro Sampaio, Goes, von Mueller, Zobel; e até mesmo a inusitada surpresa em descobrir que a tese de cátedra de meu saudoso mestre na ESALQ/USP, o Dr. Walter Radamés Accorsi, foi baseada em estudar a anatomia e morfologia botânica de duas espécies de eucalipto.

Alguns websites me foram de extrema utilidade e riqueza em obras. Em alguns casos, encontrei documentos muito antigos em minha própria biblioteca particular, que eu mesmo digitalizei, considerando que esses documentos possuem tempo suficiente para estarem em domínio público.
Espero que apreciem e principalmente que guardem esse documento de resgate, pois ele, além de histórico, permite que cada um de vocês possa navegar através dele e ao mesmo tempo descobrir coisas muito interessantes e valiosas sobre a história dos eucaliptos.
Um aprendizado cheio de descobertas e emoções.

Encontrem esse resgate histórico no endereço a seguir:
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/2024_Resgates_Documentos+Historicos_Web+Eucaliptos.pdf

Boa navegação e leituras e obrigado pela atenção.
A Comunidade de Silvicultura agradece e cumprimenta o Dr. Celso Foelkel

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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PRECISAMOS REPENSAR O FOMENTO FLORESTAL!

“É quase impossível aceitar que o fomento florestal volte a ser importante à expansão da silvicultura brasileira!”
Foi assim que ilustre professor e importante protagonista do sucesso da silvicultura, se manifestou, quando indagado da necessidade de esforço setorial no sentido de alavancar o fomento florestal!

E fica a indagação – será que é tão difícil mesmo fazer o pequeno e médio produtor se interessar em plantios florestais? E ainda, como chegamos a esse ponto?
Aliás, chegamos e passamos do ponto. Há muitas propriedades deixando as florestas à disposição das formigas ou trocando suas florestas por agricultura. Segundo esses desistentes, cansou-se da canseira do mercado!

E para quem vive no setor não há nenhum segredo – é o vai e vem do preço da madeira, que mata!
Até que nos últimos 5 anos as coisas melhoraram. As desistências, com certeza, são dos que estão aproveitando o último gole, e pulando fora. Juntando tudo isso ficam dúvidas indecifráveis: há gente graúda falando de falta de terras para expansão das indústrias; há um mundo de áreas improdutivas nas vizinhanças de grandes empreendimentos e, paradoxalmente, ter florestas produtivas e bem comercializadas é ótimo negócio!

Na verdade, há empresas que acreditam e transformaram o fomento florestal em estratégia de suprimento e se dizem satisfeitas. São exemplos a serem vistos, repensados e multiplicados. Até, já houve empresa, no passado, que viveu quase que exclusivamente do fomento florestal – o Dr. Rensi, sempre apostou no fio de bigode como garantia para sucesso do fomento florestal. E o curioso também é que, lá atrás, a legislação, através da reposição florestal, obrigava a indústria a plantar para não ficar só na dependência de tantos fornecedores. De repente, sumiram os produtores, os interessados e já se dúvida, até da possibilidade de se fazer fomento!
Enfim, essa situação precisa ser repensada! Não há país com tradição florestal, que não conte com a participação do pequeno e do médio produtor na cadeia de produção de madeira. E não há empreendimento industrial no Brasil, que não tenha uma boa parte de suas áreas vizinhas com possibilidade de se tornarem supridoras de madeira.

Há muitos que apostam que à medida que o fomento se transforme em estratégia de suprimento, com garantia de assistência técnica e de preços compensadores para a madeira, esse contexto muda! E se o Governo se dispuser a ajudar, poderá fazê-lo com linhas de financiamento compatíveis e simplificação dos trâmites legais.
Fortalecer e valorizar o fomento florestal poderá significar uma nova frente para expansão da silvicultura brasileira e com significativos benefícios socioambientais. Isso é dar sustentabilidade à nossa atividade e um grande desafio a ser repensado pelos silvicultores!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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UMA ETERNA CONTRIBUIÇÃO AO SUCESSO DA SILVICULTURA BRASILEIRA!

Em 1969, e lá se vão 55 anos, era iniciado o plantio de E. grandis, originado de Coffs- Harbour, em Salto, pela antiga Duratex e Aguaí pela antiga Champion. Era a consolidação de excelente trabalho, que contou com a colaboração de profissionais brilhantes – Helladio do Amaral Mello, Antonio Sebastião Rensi Coelho e Ronaldo Guedes Algodoal Pereira, além dos pesquisadores da Austrália – Dr. Lindsay Dixon Pryor e Dr. Maxwell Ralph Jacobs. Parte desses plantios foram conduzidos para Área de Produção de Sementes (APS) e as sementes produzidas posteriormente foram distribuídas a várias empresas. Deram origem às florestas de altíssima produtividade. Fertilização, espaçamento e material genético de ótima qualidade consolidavam o grande salto de produtividade das florestas de eucalipto. Saímos de 15/20 e fomos para mais de 40 m3/ha/ano em muitas regiões.

Para muitos foi um dos maiores exemplos de visão, dedicação e desprendimento profissional registrado na silvicultura brasileira. Há de se destacar o apoio e colaboração de suas equipes de trabalho e a exemplar compreensão de suas empresas para o compartilhamento das sementes melhoradas. São marcos de profissionais e de empresas que serão eternizados na história, como referências para sustentação do sucesso da silvicultura brasileira!

Que em 2024, aos 55 anos, essa brilhante iniciativa seja lembrada e comemorada como exemplo de dedicação e compartilhamento de conhecimento, e que motive a todos a novas investidas na busca de mais produtividade às nossas florestas!

E ao Dr. Rensi, aos 93, remanescente dessa gloriosa equipe de profissionais, em recente conversa em Piracicaba, a convite da Geplant , contando detalhes dessa obra com incrível riqueza de detalhes, reiteramos os nossos cumprimentos e gratidão. A todos cabem os nossos respeitosos agradecimentos e admiração!

Há de ficar eternizada na história do sucesso da silvicultura brasileira a inestimável contribuição desses brilhantes profissionais!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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O setor florestal precisa se agigantar!

Que em 2024, as prioridades do setor florestal façam parte das políticas públicas estratégicas para o desenvolvimento do país! Há centenas de exemplos expressivos que demonstram a enorme capacidade do setor na geração de empregos e benefícios econômicos e socioambientais nas regiões onde a atividade se desenvolve. Não podemos perder a oportunidade de transformar o Brasil num grande país florestal, a exemplo do que se fez com a agricultura! Esse exemplo precisa ser lembrado e cobrado, permanentemente, de nossos governantes.

Não há nenhuma razão – a não ser vontade política – para não se copiar o exemplo de sucesso de nossa agricultura. As oportunidades, que temos com nossas florestas, estão a nos desafiar e temos competência profissional e tecnologia para darmos conta do recado!

Para reflexão, peguemos a síntese de documento elaborado em novembro/ dezembro de 2018 por um Grupo de Profissionais do setor – Silviculturando-se – e que se pretendia, na ocasião, levar ao conhecimento da Ministra da Agricultura. Tratava do fortalecimento do setor florestal.

Já se passaram 5 anos, com muitas mudanças, muitas novidades e tudo por conta e risco dos interessados. Houve significativo crescimento e que, com certeza, terá continuidade. E o Governo sempre se mantendo à distância!

Vejamos algumas reivindicações sinalizadas em 2018 e os desdobramentos existentes:

1- O Programa de Desenvolvimento de Florestas Plantadas, discutido, elaborado e apresentado no final de 2018 não pode se transformar num documento de leitura. Precisa ser implementado!

Aqui, permanece uma interrogação! Há notícias de ações governamentais nesse sentido? Com certeza, o assunto não foi esquecido. Mas nada aconteceu que chacoalhasse o setor. As grandes encrencas estão sendo resolvidas por conta e risco da competência empresarial – a produtividade continua preocupando, o pequeno e médio produtor está se afastando do setor, a sustentabilidade exige reparos constantes, as espécies nativas continuam uma grande promessa. Surgiu o mercado de carbono, por enquanto, com muita conversa, pouca orientação e cada interessado procurando seu caminho. E para aumentar as dúvidas, as florestas plantadas continuam a representar tremenda indefinição institucional, em nível de Ministérios. É assunto do MMA, através do Serviço Florestal Brasileiro, ou é atribuição do Ministério da Agricultura? Mas, de qualquer maneira, o setor de florestas plantadas continua crescendo. Mas todos reconhecem que um amplo programa de pesquisa para dar sustentabilidade a esse rico patrimônio não pode prescindir de uma efetiva participação governamental. Da mesma forma, há assuntos que, eventualmente possam exigir colaboração e participação de todos. A quem reivindicar a responsabilidade desse chamamento? Quem vai juntar os interessados para tarefas emergenciais e para o bem comum?

2- O Serviço Florestal Brasileiro, agora no Ministério da Agricultura, precisa ser estruturado, fortalecido e com autonomia para ter condições de assumir a gestão plena da produção florestal do Brasil;

Na ocasião, o SFB estava na Agricultura. Agora migrou para o Meio Ambiente e se encontra afogado nas demandas para fazer o manejo das florestas nativas vingar. Um enorme desafio. É o lado do setor florestal que ainda engatinha. E com isso, as florestas plantadas continuam estranhas ao SFB. Ainda bem que o crescimento, até então, não dependeu de ações diretas do Governo. Tem valido a competência e o arrojo empresarial. Tomara que inciativas governamentais não se tornem imprescindíveis à sustentabilidade desse rico patrimônio. Para muitos, é inaceitável que assunto tão importante não tenha o devido reconhecimento institucional na estrutura do Governo. Desde a extinção do IBDF, em 1989, o setor vem se desintegrando, segmentando-se e se fragilizando!

3- Deve – se criar a Comissão Nacional de Políticas Públicas Florestais composta por representantes de todas as cadeias produtivas do setor para sugerir e acompanhar a implementação de políticas públicas que proporcionem viabilidade e sustentação a todas as oportunidades econômicas, sociais e ambientais de nosso rico patrimônio florestal!

Não há nada nesse sentido. Foi criada uma Comissão para discutir a programação de restaurações e créditos de carbono. Trata-se de assunto com forte apelo florestal e deverá ser supervisionado por comissão, que não consta com nenhuma entidade representativa florestal em sua composição. É o exemplo mais flagrante e explícito da fragilidade institucional que acomete o setor florestal!

Das principais reivindicações, lá de 2018, para os dias atuais observaram- se inúmeras mudanças e algumas tendências foi se consolidando. O setor de florestas plantadas continua se distanciando do Meio Ambiente e se ajeitando na Agricultura. Causa espanto a naturalidade como dúvidas persistem e mudanças acontecem, unicamente, em função da vontade e conveniência política.

Nesse quadro de dúvidas, mudanças, oportunidades e prioridades ainda a serem alinhadas, iniciamos 2024! Que encontremos força e disposição para se pensar, falar e fazer acontecer as necessárias medidas que possam agigantar o setor florestal brasileiro, mesmo dividido em seus diferentes e independentes negócios florestais!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

#Silvicultura#ServiçosFlorestais#Florestas#Plantios#GestãoFlorestal#EngenheiroFlorestal

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FELIZ NATAL E 2024 DE MUITO SUCESSO, FORÇA E DISPOSIÇÃO PARA VALORIZAÇÃO DAS FLORESTAS

A Comunidade de Silvicultura deseja aos amigos e colaboradores um Feliz Natal e que 2024 seja um ano de muitas realizações. Que tenhamos força e disposição para continuarmos em nossas discussões e sugestões visando o fortalecimento do setor e valorização das florestas. Há 10 anos o Grupo De Conversas – 4G,
já se preocupava com o assunto.

Leia, em seguida, ata de nosso encontro, e reflita a respeito do que aconteceu nesse tempo!

Memória do 2º. Encontro do Grupo da Conversa – 4G
Data: 6/12/2013
Local: IPEF, Piracicaba, SP

Participantes:
Antonio Sebastião Rensi Coelho,
Luiz Ernesto George Barrichello,
Amantino Ramos de Freitas,
Nelson Barboza Leite,
Walter de Paula Lima,
Arnaldo Salmeron,
Rubens Cristiano Damas Garlipp,
Edson Antonio Balloni,
Admir Lopes Mora e
José Luis Stape

Convidados especiais:
Antonio Carlos Hummel
Joberto Veloso de Freitas

Condução do encontro:
O Prof. Barrichelo deu as boas vindas e o Nelson fez um relato de como o 4G surgiu e do que se pretende fazer no decorrer do tempo.

Em seguida, os colegas Hummel e Joberto falaram sobre os trabalhos que estão sendo realizados pelo Serviço Florestal Brasileiro, nesses 7 anos de existência:

a) As concessões florestais estão sendo realizadas e existem bons manejos em andamento;

b) A criação do Sistema Nacional de Informações Florestais que está sendo estruturada em 4 eixos: Recursos Florestais; Gestão Florestal; Produção Florestal e Educação e Pesquisa Florestal;

c) O plano para a realização do Inventário Florestal Nacional já foi elaborado. A coleta de informações será feita em todo território nacional, com uma grade de pontos de 20 km x 20 km (com um total de 20.000 pontos);

Quase todas as informações citadas estão na publicação Florestas do Brasil em resumo 2013 (distribuída no encontro) e também no site http://www.florestal.gov.br.

d) Foi comunicado que em 2019 o Brasil deverá sedia o Congresso Florestal Mundial da IUFRO em Curitiba.

e) Foi enfatizada a necessidade de fortalecer o termo Floresta, ou seja, deverá englobar tanto as florestas nativas quanto as plantadas;

f) Do ponto de vista institucional, foi feito uma explanação histórica das instituições IBDF, IBAMA, MMA e do SFB e seus respectivos focos de atuação.

Após a explanação dos convidados, várias perguntas foram realizadas e com as respostas e posteriores discussões permitiu evidenciar as fortalezas e possibilidades de melhoria no setor. Ficou evidente que;

  • O setor atua de forma fragmentada e não ordenada;
  • Há uma enorme oportunidade para que se comunique de forma efetiva o que vem sendo feito com as florestas nativas e plantadas;
  • Existem temas, tais como, uma possível lei para fomento florestal (tanto para nativas como para plantadas), a atuação do produtor florestal e estratégias para uso da madeira que poderão ser articuladas conjuntamente por várias entidades do setor publico e privado; e
  • Existe a possibilidade de reunir com representantes do governo para abordar temas relacionados à institucionalidade do setor, instrumentos econômicos e desregulamentação.

Próxima reunião:
Não ficou definido o local e a data.
E tudo isso, já se discutia há 10(dez) anos! O que mudou? Tudo tomou dimensões diferentes – realizações, oportunidades e desafios. Temos cerca de 10 milhões de hectares de florestas plantadas e temos a maior e mais rica floresta tropical do mundo. Somos os maiores produtores de celulose, e temos potencial para nos tornarmos uma potência no mercado de carbono.

Temos constituída e a ser otimizada a maior cadeia de bioprodutos florestais e quase 4 milhões de brasileiros vivem em função das florestas!
A agricultura se revolucionou, a partir dos anos 70, e de “campeão do café”, se tornou celeiro mundial na produção de alimentos!
Fica o grande desafio – Em que momento, vamos nos tornar, além de “campeão de celulose”, uma potência global em produtos florestais?
Esse desafio é de todos que atuam e dependem das florestas.

Que 2024 seja um ano de realizações na direção da conscientização e valorização de nossas florestas e do nosso setor florestal!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS, O SUCESSO E A DIREÇÃO DA SUSTENTABILIDADE

As observações de campo evidenciam a ligação entre os procedimentos operacionais, os custos de formação das florestas e a produtividade. Florestas com qualidade e produtividade é resultado de atenção e aplicação de tecnologia, que sempre implica na utilização de mudas de qualidade, adubação correta, controle de mato-competição na hora certa, pragas e doenças sob controle, entre os inúmeros cuidados na formação das florestas! E a boa produtividade é quase uma consequência!

E se os cuidados com as variáveis socio ambientais forem seguidos, incluindo empregos seguros, estáveis e respeito aos colaboradores. E havendo especial atenção às limitações naturais do meio, ao desenho parcimonioso de ocupação dos espaços produtivos da paisagem, à proteção dos recursos hidrológicos e da biodiversidade, daí então, teremos promovido novos avanços. E se a floresta estiver bem localizada com venda da madeira assegurada, e a preços justos, o sucesso econômico também estará garantido! Estaremos, dessa forma, na direção da silvicultura sustentável!

Cria-se um ciclo virtuoso – florestas bem feitas, valores socioambientais devidamente considerados, venda da madeira a preço justo, teremos interesse permanente de produtores e mais plantios de florestas! Esse é o ciclo almejado por todos! Ao produtor, ao consumidor, às indústrias, ao empregado e ao empregador. Essa é a direção da sustentabilidade da silvicultura!
Então, vem a pergunta: o que dá para sacrificar numa situação de restrição orçamentária?

E a resposta é simples: em silvicultura não se faz milagres, sem os ingredientes adequados os impactos são inevitáveis! Se faltou um pouco disso ou daquilo, além da indispensável colaboração profissional, não haverá surpresa. A produtividade vai cair!
Com certeza, nada disso é novidade! E nem a queda de produtividade de nossas florestas plantadas pode espantar, depois de tanto tempo, em que a madeira se manteve a ”preço de banana”.

Que fiquem as lições – aplicação de tecnologia e sem ajeitações, insumos em quantidade e no momento certo, preços justos de serviços e da madeira e profissionais competentes no comando são ingredientes indispensáveis para a silvicultura de sucesso. E estaremos caminhando na direção da sustentabilidade!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS, A TERCEIRIZAÇÃO E O LADO SOCIAL!

Num encontro de amigos, tivemos a grata satisfação de conversar com o Sr. Adalberto Pereira, antigo prestador de serviços, que tivemos oportunidade de conhecer nas andanças de trabalho. Numa sala enorme e muitas gargalhadas, de repente, ouvimos alguém mencionar –“ O Sr. Adalberto está por aí, firme e forte e continua cheio de prosa”! Era a preciosidade que gostaríamos de encontrar para uma conversa.

Esse senhor, por volta dos anos 90, executava serviços de silvicultura em várias empresas de S.Paulo e Minas Gerais. Na ocasião, fazia parte dos turmeiros, que cresceram, transformaram-se em pequenas empresas e que nos dias atuais são chamados de terceiros. Estava ali, portanto, um porta-voz firme e forte para comentar detalhes desse processo de terceirização, que nos dias atuais corresponde a mais de 90 % da mão-de-obra que trabalha com silvicultura nas empresas florestais. Na verdade, um exército de gente em centenas de empresas terceirizadas, que geram milhões de empregos, e que talvez se constituam num dos importantes benefícios sociais da silvicultura.

A conversa foi longa e de enorme satisfação para qualquer profissional, que queira conhecer um pouco da história da silvicultura!
A nossa prosa começou quando perguntamos – “ valeu tudo que fez, e o senhor faria tudo de novo?”. É fácil imaginar a riqueza de informações surgidas!

O Sr. Adalberto, com muita lucidez, foi objetivo em suas respostas. Deu destaque aos seguintes aspectos:
1- O prestador de serviço era respeitado e valorizado, mas antes de tudo, precisava ter a confiança do contratante. E o “fio de bigode” era a principal garantia oferecida;
2- A terceirização sempre foi muito expressiva na colheita e transporte. Esses serviços sustentavam as fábricas. Trabalhos de silvicultura eram para casos de sufoco ou tarefas específicas;
3 – A terceirização cresceu na silvicultura à medida que as empresas começaram a se afastar de suas sedes e os serviços de infra-estrutura e de apoio elevaram o custo de produção das florestas. Daí, chegou a terceirização com o propósito de diminuir custos!
4- O terceiro, que apareceu para casos específicos, atendeu às necessidades e se expandiu ;

A conversa foi rica em informações e experiências da vida profissional, além de valiosos comentários para reflexão. Foi dele que ouvimos- “há de se cultivar e valorizar a coragem e empreendedorismo desse pessoal, que participa do processo produtivo, assume uma grande responsabilidade e dá conta do recado”. E completou – “ o entendimento e a confiança faz parte de um exercício de aproximação, que se executa todo dia, até que se construa a verdadeira parceria entre as partes. Assim, nasce o respeito e a amizade entre as pessoas ”. Disse ainda – “ é importante que todos estejam dispostos a ensinar e a aprender e, acima de tudo, que tenham satisfação em caminhar juntos”.

Com essa carga de informação, só cabia agradecimentos e cumprimentos. E, ele ainda insistiu – “não deixe de compartilhar essa nossa prosa com seus amigos. Ela é sempre válida em qualquer situação”!

E daí, o nosso compartilhamento! Entendemos que tais ensinamentos só ajudam na evolução da terceirização e qualidade dos empregos gerados na silvicultura. Parece sensato o que muitos garantem – um ambiente de trabalho colaborativo entre contratante e contratado, pode refletir positivamente até na produtividade das florestas!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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