Uma Negociação Frustrada

Histórias que precisam de registro….!   Por volta de 2002,  a SBS conquistou uma vaga no Conama, como representante do setor florestal produtivo. Conquista alcançada depois de anos de reivindicações e que só se concretizou pelo apoio de ilustres conselheiros, que já conheciam o trabalho da SBS de muitos anos. Naquela época, estava na pauta das discussões o assunto “Topo de Morro”.Tivemos inúmeras  reuniões preparatórios,discussões de casos, apresentações de relatórios técnicos, palestras de especialistas e até visitas de campo com conselheiros do Conama. Inegavelmente, foram discussões acaloradas, mas muito esclarecedoras para todos os participantes. A SBS ficou encarregada de juntar documentos e preparar argumentos técnico- científicos que permitissem a elaboração de uma Resolução que criasse alternativa para utilização das áreas de Topo de Morro com silvicultura. Foi um trabalho intenso, em que se valorizou, acima de tudo, a ciência florestal e que contou com a colaboração de pesquisadores, profissionais de diversas empresas e professores universitários. Ao final de alguns meses, estava construída uma minuta de resolução, que juntava os interesses da grande maioria dos membros da Comissão Técnica designada para tal. A silvicultura, por fim, estava apta a ocupar topos de morro com condicionantes factíveis e sem grandes impactos em seus procedimentos operacionais. Na sequência  dos encaminhamentos rotineiros e para surpresa de todos,  foi criada uma situação bastante constrangedora, em função da solicitação de representantes dos agricultores, exigindo que a negociação feita com a silvicultura também contemplasse a agricultura perene e a pecuária. O constrangimento maior não se deu nem pela solicitação, mas pelo  momento em que surgiu! Em todo o processo e  em todas as discussões não houve nenhuma manifestação, contribuição ou  reinvindicação de nenhum representante de qualquer setor.  Até então, era um assunto de interesse exclusivo da silvicultura! Conclusão: melou-se a discussão e voltou-se à estaca zero! Independente de certo ou errado, a silvicultura  depois de tanta luta e  discussões, sempre sozinha, perdeu a parada. É importante o registro, de que esse avanço e entendimento de mérito, só conseguiu apoio  graças à identidade e características próprias da silvicultura. A discussão, com todo mundo junto, continua até hoje…… sem a participação da SBS!  A SBS continua como segunda suplente de uma vaga conquistada por ela e há anos não é convidada a participar de um rodízio, também sugerido por ela, visando dar oportunidade para mais entidades  conhecerem o importante e estratégico trabalho junto ao Conama….., mas a vida continua!

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Histórias que Precisam de Registros…

A silvicultura brasileira tem vivido episódios, na maioria das vezes, de total desconhecimento do setor e que precisam ser registrados para aprendizado de todos. São registros, que com certeza, evitarão erros futuros  e  indevidas interpretações de acontecimentos marcantes para o setor. Sem pretenção de julgar, iremos oportunamente, mostrar as curiosidades que tivemos oportunidade de conhecer. Pessoas, fatos, decisões, discussões,etc, enfim, o dia-a-dia das atividades empresariais, organizacionais e institucionais do setor. Chamaremos sempre de… Histórias que precisam de registros…… Iniciamos com

As florestas plantadas e o Serviço Florestal Brasileiro

Histórias que precisam de registro……! A criação do Serviço Florestal Brasileiro foi precedida de fatos inusitados. Sob a coordenação do Eng. Tasso Azevedo Rezende e sob o rigor ético da Ministra Marina Silva, vivemos mais de 2 anos numa intensa luta de perseverança, de idealismo e com descomunal entusiasmo. Há fatos para surpresas, para risos e decepções  para todos e em quase tudo. É lógico,  que vamos selecionar  só os que se relacionam ao setor de florestas plantadas.  Entre muitos, dois merecem destaques especiais: as entrevistas com dois  deputados federais esalqueanos  e as negociações com dois representantes setoriais. Fui muito tentado a dar os nomes dos envolvidos, mas também, insistentemente a não  fazê-lo, até porquê nada acrescentaria aos fatos. No caso dos deputados, de um tivemos muitas perguntas, muitos questionamentos, muitas orientações e até um surpreedente oferecimento para relatoria. Foram contribuições muito valiosas. De outro, tivemos  só elogios, tudo compreendido, acatado…. e muitos.. que beleza! No final,  esse deputado muito agradecido e satisfeito com as informações apresentadas, foi o autor do maior número de emendas no texto original. Não contribuiu em nada e quase atrapalha tudo. Dois contrastes, duas surpresas, ficaram as amizades e um amigo!  Nas negociações com setor de florestas plantadas, a grande dúvida restringia-se a inclusão ou exclusão da expressão… com exceção das florestas plantadas. Num trecho da legislação, entre as atribuições do Serviço Florestal Brasileiro lia-se….cabe isso mais aquilo….. com exceção das florestas plantadas! Na ocasião, estávamos definindo se entre as atribuições do Serviço Florestal  caberia ou não lidar com florestas plantadas. Tivemos reuniões, discutimos os prós e contras e aparentemente, não havia nenhuma dúvida. Tudo acertado, nenhuma discordância  e mãos apertadas. Fomos, então, ao encontro do deputado federal encarregado de definir junto aos representantes setoriais  a inclusão ou não das florestas plantadas no Serviço Florestal Brasileiro. Estávamos todos juntos no gabinete do referido deputado,  quando ouvimos algumas inoportunas considerações e a mais surpreendente de todas…..apoiamos o projeto, mas recomendamos que a expressão com exceção das florestas plantadas seja mantida! Nesse momento, eu e o Eng. Joberto ficamos amarelos e……fomos embora!

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Uso da Reserva Legal

Dar uso econômico à Reserva Legal, talvez seja um dos mais importantes e estratégicos desafios da silvicultura brasileira. A manutenção das áreas de reserva nas propriedades tem sido muito questionada, inclusive com respeito a sua própria eficácia como instrumento de proteção ambiental. Há muitos exemplos, nos empreendimentos florestais, em que as reservas são locadas com planejamento e técnica, e aí tornam-se indiscutíveis os benefícios ambientais, até para a própria proteção das áreas plantadas. Salvo essas exceções, quase que exclusivas da silvicultura, o mais, no meio rural, o uso da reserva legal é cercada de polêmica , polêmica e mais polêmica. Esse quadro precisa ser mudado e novamente a silvicultura é a atividade, que está  mais próxima de encontrar uma alternativa ! Há muitas informações científicas esparsas  a respeito de espécies nativas,diversas oportunidades para modelos, que preservem estoques de carbono, opções para colheita de produtos alimentícios ou de valor medicinal e até  a disposição de investidores na preservação da rica biodiversidade natural.Aparentemente, falta o empreendedorismo empresarial, sempre muito presente na silvicultura brasileira e que com certeza,  a curto prazo, irá encontrar solução para um problema, que tem tudo para se transformar em oportunidade!

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Preço da Madeira como Alavancagem do Fomento Florestal

Uma justa remuneração da madeira produzida  a pequenas distâncias das fábricas pode se transformar no melhor instrumento para alavancar as atividades de fomento florestal no entorno das indústrias consumidoras. Sabe-se que existe uma diferença muito grande no custo da madeira transportada de 100, 250 e 500 km. Há diferenças  superiores a 70%! Sabe-se, também, que menos de 50% dos estoques de madeira das diversas indústrias  se encontram  em raio  inferior a 100 km das fontes consumidoras. O raio de 100 km compreende  área total de aproximadamente  3 milhões de há,  o que torna mais fácil abrigar programas de fomento de  40, 50 ou 60 mil ha  em áreas ociosas (cerca de2% da área total !) Com certeza, um programa de fomento que transfira parte do custo de transporte da longa distância  para o valor da madeira em pé do entorno da fábrica, teria uma enorme chance de atrair proprietários rurais interessados  na diversificação da produção rural. A atividade de silvicultura com essa agregação de valor  pode se tornar extremamente atraente! Infelizmente, nos dias atuais são raros os casos em que se dá à “madeira de quintal “ a justa e distinta remuneração! Uma mudança de atitude nesse sentido, poderia provocar profundas alterações no perfil da atividade: menos custos de transporte, menos consumo de energia, menos poluição, menos gastos com conservação de estradas, menos riscos de acidentes, mais renda aos produtores rurais, melhor utilização de terras ociosas, mais racionalidade  na  produção de madeira, mais valorização para a silvicultura,  mais competitividade para as florestas plantadas brasileiras!

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Crise: Novo Apagão Florestal, lá na Frente !

No início da década atual, a  discussão sobre  o apagão florestal era tema obrigatório em reuniões do setor. O assunto só deixou a pauta das discussões, nos últimos quatro anos, quando se observou significativo aumento nas áreas plantadas. Saímos de uma área plantada em torno de 350.000 ha para 600.000 ha/ano. É lógico que esse aumento de plantio, ainda não influenciou em nada a disponibilidade de madeira, mas foi o suficiente para calar a discussão ! Ficou, portanto, faltando uma explicação mais embasada para justificar o desespero do anunciado apagão florestal. Esse tema foi trazido às discussões por inúmeros profissionais, até que se tornasse uma “bandeira do setor”. Um dos pronunciamentos importantes, que ajudou muito a incrementar as discussões, aconteceu, numa reunião da SBS, em 2000, quando o então Diretor do Programa Nacional de Florestas, Eng. Raimundo Deusdará, abordando as questões que limitavam o crescimento da atividade, chamou a  atenção dos presentes para uma eventual falta de madeira,  a que  chamou  de apagão florestal, à semelhança do tão propalado apagão energético da época! Dali para frente, esse problema, que realmente, existiu para alguns segmentos, especialmente para o de madeira serrada, passou a ser conclamado como o grande problema setorial, de muitas empresas, e acima de tudo, como justificativa para qualquer sinal de crise no abastecimento de madeira para inúmeros consumidores . Com muita ou pouca razão, o fato é que algumas empresas sentiram a falta de madeira, pela opção A, que se deu pela expansão da produção industrial sem planejamento, pela opção B, em função de uma prospecção de madeira que não existia no mercado, ou pela opção C, que somava  A e B. Esse misto de tudo, varreu todos os estoques disponíveis de madeira, até distâncias superiores a 1000 km dos centros de consumo. Espécie, idade e distância  deixaram de ser problemas. Madeira de preço alta era aquela que não existia. Passaram-se os anos, equilibrou-se a situação, o setor reacendeu-se e o apagão ficou para o passado!

Nos dias atuais, estamos iniciando um novo ciclo! Começa a fazer parte obrigatória das discussões setoriais  a os efeitos da crise internacional e os desdobramentos sobre as atividades silviculturais. Independente de qualquer discussão, já se dá como certa a paralisação de inúmeros programas de plantio, de reformas, de fomento, etc. Em menor escala, até os programas de colheita de algumas empresas estão diminuindo suas cotas , alterando áreas de corte para menores distâncias, mesmo que essas alterações impliquem na redução da idade de corte. Tudo pela redução de custos! Vamos passar a consumir os estoques, mas sem a devida reposição! O setor não vai acabar, e sempre será possível alguns remanejamentos na condução das florestas para minimizar os impactos. Ainda bem! Só não será possível  fazer surgir a madeira desses milhões de árvores que deixarão de ser plantadas. Há um determinado tempo, quando a economia se equilibrar e as produções industriais  partirem para alcançar os festejados recordes de produção, com certeza,  essa madeira vai fazer falta ,e a bola da vez voltará a ser o apagão florestal! E será uma situação muito mais complicada que a anterior, pois não temos mais aqueles estoques marginais, nem a 1000 km para serem adquiridos.  É muito difícil adivinhar a época da gritaria, mas com certeza, os gritos e reclamações virão.  Talvez de outros, que não terão nada a ver  com  essas decisões   de paralisar as atividades silviculturais!  Com certeza, ouviremos as mesmas lamúrias, que estamos cansados de ouvir: falta de atitude dos governantes, falta de mecanismos de estímulo,burocracia,insensibilidade , falta disso ou daquilo!Poderá surgir até quem reclame da inoperância de algum novo Ministério, que deverá estar abrigando a atividade, lá na frente! Tudo poderá acontecer, mas a única certeza que se tem, é que poucos irão lembrar  dos responsáveis pelas paralisações  que estão acontecendo, e que não estão dando a menor importância para as encrencas que virão no futuro!

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Mandamentos do Fomento Florestal

O sucesso de um programa de fomento florestal, depende de inúmeros fatores, dentre os quais destacamos como prioridades mandatórias.

1 – O ator principal dos trabalhos é o produtor;

2 – A floresta é um componente da propriedade rural, não o único ;

3 – O produtor precisa  conhecer, detalhadamente, toda programação a ser executada:  do começo ao fim do processo ;

4 – A assistência técnica para todas as atividades rurais do produtor, transforma uma relação de negócio numa relação de amizade;

5 – A palavra do assistente de fomento vale mais do que um contrato ;

6 – O interesse da empresa precisa ser respeitado, na medida exata,do que foi tratado;

7 – A orientação para plantar bem é indispensável, tanto quanto para  vender bem;

8 – O preço justo da madeira é  o fator de maior sensibilidade pelo  produtor;

9 – Uma negociação frustrada destrói credibilidade e gera inimizade;

10 – Cada produtor, independente do tamanho, é o melhor propagandista do seu programa de fomento.

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Florestas plantadas – Negócio Seguro

O plantio de florestas tem aumentado de forma significativa nos últimos anos. É uma excelente opção de negócio, mas o segredo do sucesso está na utilização de toda a tecnologia disponível.  Procure empresas especializadas ou profissionais de reconhecida capacidade técnica. É muito fácil, informar-se.  Procure as entidades representativas do setor, como a SBS- www.sbs@sbs.org.br e as diversas universidades e instituções de pesquisa. Plantios de florestas  traz benefícios econômicos e ambientais. Use espécies exóticas, como o eucalipto, pinus, teca e outras ou espécies nativas. Com tecnologia qualquer espécie florestal pode ser plantada sem nenhum risco.

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