O EXCLUSIVISMO DA PESQUISA FLORESTAL

A silvicultura brasileira atingiu a excelência tecnológica pela dedicação de renomados pesquisadores e apoio financeiro de grandes empresas. Num discurso para alegria geral da plateia, pode-se até falar em outros fatores, mas na “batuta mesmo”, o que valeu foi a integração das universidades com grandes empresas.

Essa foi, de fato, a alavanca que proporcionou o desenvolvimento da pesquisa florestal e consolidou a sustentabilidade das indústrias consumidoras de madeira. E os resultados dessas pesquisas, quase sempre realizadas em conjunto, fizeram com que a informação técnica se estendesse com facilidade e sem restrição. Todos sabiam e conheciam os problemas, limitações, avanços e a receita “do fazer bem feito”! E assim, a silvicultura chegou, onde chegou!

No entanto, esse quadro de ampla liberdade do conhecimento está se modificando nos últimos anos! Há inúmeras pesquisas científicas que se restringem a interessados, ou aos que financiam as pesquisas! Parece natural que existam privilégios aos financiadores de informações específicas, mas a preocupação é não deixar que esse exclusivismo se generalize. Conhecer a melhor forma de adubar para aumentar a produtividade e ser mais competitivo, é até aceitável. Mas, de repente, o controle de pragas e doenças, só vai ser possível com o engajamento daqueles que não tem a melhor fórmula de adubação! Enfim, há uma enorme diversidade de assuntos, com mais e menos razão para exclusividade e não dá para se evitar que isso aconteça.

Mas o importante é que não se deixe que o exclusivismo, atrapalhe a integração de esforços para eliminar problemas, cujas soluções sempre dependerão da participação de todos!  O combate às pragas e doenças é um bom exemplo para  reflexão!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS ATALHOS TÉCNICOS DO PEQUENO PRODUTOR

No final do ano, numa corrida pelas florestas da região de Bragança Paulista, encontrei numa pequena propriedade, cerca de 10 alqueires, uma floresta de produtividade espetacular! Bati na porteira e tive a grata satisfação de conhecer o Sr. Arnaldo. Depois dos rápidos cumprimentos fui direto ao assunto: “ Que beleza de floresta, quantos anos tem?” Com calma e satisfação foi contando: “essa floresta tem cerca de 18 anos, e já consegui tirar dela um carro, uma casa e a festa de casamento de duas filhas!” e foi completando : “tomei bastante cuidado para formar a floresta com adubação, muda boa e sem mato. Depois fui tirando as árvores meio tortas e mais finas, e só ficaram essas 3.000 árvores, que cuido como se fossem da família!” e continuou a prosa : “cada vez que tirava um pouco de madeira ganhava um bom dinheiro”.

E deu mais uma explicação: “ estou esperando chegar tudo com mais de 50 cm no peito para vender para serraria e comprar mais algumas coisinhas”! A conversa estava tão interessante e contagiante, que foi terminar, lá na cozinha, com café e bolo. E , juntos, fazendo as contas daqui e dali, chegamos à conclusão de que a produtividade da floresta, por ocasião da primeira intervenção, ultrapassava 50 metros cúbicos /ha/ano. E a curiosidade me levou a perguntar: “ quem ensinou o senhor a plantar a floresta tão bem assim? E a resposta foi muito interessante: “ participei de um Programa de Fomento Florestal promovido pela CATI, de Bragança Paulista, recebi mudas e toda a orientação técnica para se fazer a floresta.

Mas na época do corte, como o preço não estava tão interessante, resolvi deixar as árvores melhores, e só tirei o que não tinha crescido bem. Foi sugestão do moço que me orientou e deu as mudas. Foi uma ideia maravilhosa! ”. A visita e a conversa do Sr. Arnaldo deram chance para se registrar essa interessante lição de vida profissional! Esse Programa de Fomento Florestal, em conjunto com a CATI, VCP – Votorantim Celulose e Papel e Teca Florestal, foi desenvolvido na Região Bragantina, nos anos 90. Atendeu a centenas de produtores rurais e contou com o apoio da integração, muito bem sucedida, entre a CATI/Votorantim e Teca Florestal.

Essa soma de esforços foi um sucesso, na época, e contribuiu de forma significativa para o aumento da produtividade das florestas na região. Um legado de muitos ensinamentos técnicos! Há de se destacar a excelente contribuição do Eng. Agrônomo Alcides Ribeiro, na ocasião, o Coordenador Técnico da CATI, e que instituiu o programa de fomento florestal, como política de desenvolvimento rural na região.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A PARTICIPAÇÃO ESTRATÉGICA DO PEQUENO PRODUTOR!  

 

Não há nenhuma estatística setorial que mostre com precisão a participação do pequeno produtor no fornecimento de madeira às grandes indústrias consumidoras. Há estimativas mostrando que essa participação não passa   de 30 % do consumo industrial!

Na verdade, essa participação poderia ser muito maior! E é fácil imaginar: uma empresa com raio de atuação de 50 km, tem cerca de780.000 ha de terras no seu entorno! Se 5% dessas áreas fossem destinadas a plantios florestais, haveria cerca de 40.000 ha de florestas plantadas para serem comercializadas com grandes consumidores.

Como não há nenhuma informação setorial, que mostre tanta concentração de florestas de terceiros no entorno dos inúmeros  consumidores, fica a  dúvida para reflexão! Será que não está faltando motivação para essa vizinhança?  Se esse pessoal fizesse parte dos programas de abastecimento, com assistência técnica de primeira linha e preços justos para venda da madeira, não seria razoável imaginar-se aumento da capacidade produtiva, antes das inevitáveis migrações industriais?

E se não aumentasse a produção, não poderia diminuir a quantidade e risco dos gigantescos caminhões que transitam nas estradas brasileiras?

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A ENGENHOSA ARTE DE SABER PEDIR!

Vejam que comentário interessante recebido numa notificação: “ saber o que pedir é uma arte!” . E continuou: “o Governo vai ter que dar conta das sangrias expostas para depois pensar em outros curativos! E finalizou: “precisamos entender, que todos os segmentos da sociedade estarão se sentindo em sangramento. E daí, a engenhosa arte de sabermos o que pedir!” Um bom recado para reflexão!

A Comunidade de Silvicultura, respeitando sugestões e comentários, elegeu 10 (dez) pedidos:
Dez pedidos para críticas, sugestões e reflexão!

1- Estabelecer o universo institucional da silvicultura brasileira – estrutura, programas, objetivos, metas, compromissos e responsabilidades;

2- Viabilizar tecnologias para usos alternativos da madeira, com destaque, no curto prazo, para biomassa energética;

3- Dar apoio ao desenvolvimento de estudos, pesquisas e uso das espécies nativas para os mais variados fins e ampla divulgação do que já existe;

4- Criar mecanismos tributários e compensatórios para integração dos programas de pequenos e médios produtores aos grandes consumidores;

5- Pesquisar, monitorar, melhorar e proteger a produtividade das florestas plantadas – áreas tradicionais e novas fronteiras;

6- Criar mecanismos para incentivar o reflorestamento em áreas degradadas e de proteção dos mananciais hídricos;

7- Definir legislação objetiva e que agregue valores aos empreendimentos, evitando burocracia e despesas desnecessárias aos investidores;

8- Desenvolver tecnologias para formação e colheita apropriadas ao pequeno produtor;

9- Criar mecanismos de financiamento a projetos comprovadamente sustentáveis;

10- Desenvolver programas de informação e divulgação de tecnologia, estatísticas e de serviços da silvicultura.

Essas questões, com certeza, não resolvem todos os nossos problemas, mas podem trazer novas luzes à silvicultura brasileira. É mais uma provocação para manter aberta a discussão! Que tenhamos muitas sugestões e comentários!!!! E que encontremos uma forma de unir e integrar os interesses de nossa silvicultura. Só não vale, se calar!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O QUE PEDIR AOS PRESIDENCIÁVEIS?

Já se tem notícias de reuniões para se tratar do assunto! Parece lógico que um país com tantas florestas nativas a serem cuidadas, grandes áreas a serem recuperadas, uma enorme dívida com compromissos internacionais, setores produtivos altamente competitivos e de projeção internacional, ciência florestal de vanguarda e mais um punhado de vantagens competitivas não pode deixar de mostrar a direção que atenda aos grandes interesses da sociedade.

Com certeza, surgirão novos comandantes e sem o conhecimento de dezenas de problemas, que há algum tempo estamos tentando resolvê-los e nada… Tirar do armário a coleção de encrencas mal resolvidas não parece ser uma boa estratégia – pela quantidade e complexidade prática e política. Mas para muitos, é essencial que se apresente “esse café requentado” para depois se falar em novos caminhos!

Enfim… a arte vai ser definir a estratégia para mostrar as prioridades de um setor muito rico, com enorme potencial de crescimento, desunido e que junta prosperidade, riqueza, pobreza, otimismo e pessimismo, tudo numa mesma sala! Muitas dúvidas, mas uma certeza absoluta: só não dá para cruzarmos os braços e esperar que um “salvador” apareça e adivinhe o que precisa ser feito!!!

Com a palavra, nossas entidades representativas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA, O CASTIGO E A SUSTENTABILIDADE!

Aqui, na região de Bragança Paulista, já foi muito comum, nas “rodas de fim de dia”, conversas animadas de antigos plantadores de eucalipto. Gente simples, com anos e anos de vida, metida no plantio de florestas e venda de madeira. Famílias inteiras ligadas ao processo de plantar,cortar e vender madeira. Muito trabalho e serviço para todos! Há poucos dias, tive oportunidade de conhecer, com mais detalhes, uma história bem típica dos tempos antigos. O Sr.Pinheiro, como era conhecido na vila, estava numa mesinha de boteco, no seu último gole de cerveja , quando cheguei. E para provocar uma conversa, provoquei o cidadão: “ pensando na vida Seu Pinheiro ”?

A resposta veio na hora e, em seguida, o convite para uma prosa: “hoje saiu o último caminhão de madeira,lá do meu sitio, e fiquei com a sensação de que estava indo embora a história da nossa família. Idas e vindas de mais de 60 anos, e que uniu filhos,filhas, genros, netos e bisnetos! Mas a continuidade da prosa foi assustando: “ nos últimos anos, viver de madeira, tem sido uma luta danada. Fiz de tudo e não teve jeito. A família sempre viveu das florestas de eucalipto. E vivia bem! Mas nos últimos anos, até certifiquei as florestas para ver se facilitava a venda, e não adiantou nada! Uma merreca de preço e só para aparece, o tal de atravessador com um monte de chequinho!

E com isso, vieram os apertos daqui e dali, e a família foi se desmanchando. Saiu um filho, depois os outros, e agora no fim, fiquei sozinho”. E indignado, comenta – “ com a mesma quantidade de madeira, quase não consigo pagar as contas da casa!” E seguiu: “ com a mesma floresta, que deu para estudar filhos e filhas, comprar carro e até fazer festa, hoje não sobra para pagar a prestação do caminhão!!!! E meio em tom de brincadeira e desabafo tacou: “ as empresas cresceram, consomem muito mais madeira,mas não querem nada com a gente!” Mais um gole da gelada e concluiu : “ e o pior ainda…. fui vender o sítio e o moço falou: “ compro, mas não pago tudo que está pedindo”. E tive que ouvir: “ como não quero nem pensar em plantar eucalipto, o que vou fazer com essa tocaiada em toda a fazenda?”. E o Seu Pinheiro concluiu : “ agora, só falta ter que dar a terra,quase que de graça, como castigo, por ter plantado eucalipto”.

A conversa continuou e logo mudamos de assunto para evitar mais constrangimentos e pedradas no eucalipto. Todavia, ficou a dúvida para reflexão: “onde fica a tal de sustentabilidade da nossa silvicultura, com certificação e tudo?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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BERROS E CACHORRO SEM DONO!

Nas últimas postagens destacamos a necessidade de boa preparação, em 2018, para apresentar a silvicultura aos presidenciáveis! Reinvindicações não faltam – muitas se arrastam há tempos – e não podemos deixar de apontar as oportunidades e até os absurdos, em curso, reclamados pelos que acompanham o desenvolvimento do setor! A lista de reinvindicações é enorme, e as prioridades vão exigir medidas urgentes! E vamos direto às encrencas :

1- Como integrar estoques de florestas e caminhões gigantescos cruzando estradas, com madeira a preço “de repolho”?

2- Como mapear os compromissos internacionais assumidos e as” lições de casa “ pendentes?

3- E as espécies nativas vão continuar só por conta do idealismo de abnegados profissionais?

4- Já temos 71 cursos de engenharia florestal no Brasil, e o que fazer com esses profissionais?

5- Que setor é esse que estamos falando? As plantações comerciais na Agricultura; as restaurações, proteção, problemas de clima no Meio Ambiente; o Serviço Florestal cuidando do manejo das florestas nativas; e decretos criando verbas para o Chico Mendes e Ibama tratarem de espécies nativas! Como entender “esse balaio de gato”?

6- E o Plano Nacional de Florestas Plantadas sendo tratado na Embrapa Florestas – ainda bem! esse pessoal é do ramo;

7- Problemas de produtividade das florestas comerciais, medidas de proteção às pragas e doenças nas áreas de grande concentração de plantios, novos clones…. isso tudo fica para depois! Mas precisa ser “um depois”, sem muita demora!

8- E as oportunidades? E a energia das florestas plantadas vai acontecer, de fato? As chuvas chegaram, e os reservatórios continuam vazios…. essa encrenca desafiadora, continua livre e solta!

Juntar toda essa mudança, num caminhão só, não vai ser fácil! Com certeza, muito cachorro vai sobrar e ficar sem dono! E quem está berrando? Berros de todos os lados! Não há grandes novidades. E os berros são bem conhecidos! O grande problema é que não se sabe a quem berrar!

O 4G – grupo de silvicultores independentes – já está se programando para discutir o Plano de Florestas Plantadas. Da mesma forma, há muita gente querendo discutir! Como será o encaminhamento dessa discussão?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O GRANDE DESAFIO PARA 2018

Já se fala nas eleições e o país se prepara para assistir a mais um capítulo da novela: como salvar o Brasil! E a nossa silvicultura continua aguardando dias melhores! Os últimos capítulos não trouxeram nada de tão expressivo aos silvicultores, que pudesse recomendar o“vale a pena ver de novo”.

Mas agora ,com certeza, teremos novidades. Pelo menos, teremos mudanças no quadro de protagonistas. E isto traz muita esperança. E essa chama de vida não podemos deixar que morra! Mas não sejamos ingênuos a ponto de acreditarmos que nossas reivindicações vão ser pautadas sem efetiva participação de todos os interessados e envolvidos em nossa cadeia de produção!

Não devemos acreditar, que sem esforço dos que conhecem, participam e vivem do setor, vão surgir ideias brilhantes que atendam às nossas necessidades! Sem mexer nesse bolo, com certeza, nada vai mudar. Há até os que acham que não adianta nada pleitear, fazer documento, mostrar isso ou aquilo… e que já se fez no passado e não se conseguiu nada… tudo verdade! Mas o fato de contarmos com novos protagonistas, em cena, traz uma oportunidade ímpar e que precisa ser aproveitada!

É um grande desafio, mas é só nosso, e é intransferível. Ou assumimos e cavamos a forma e o momento de “berrar” ou ninguém vai se incomodar com nossas dificuldades! O ano de 2018, considerado o “ano das eleições” precisa ser transformado no “ano de preparação”. Há de se juntar esforços de grandes e pequenas empresas, produtores florestais, pesquisadores, professores, prestadores de serviços, etc. e “mandarmos bala” em tudo que achamos que precisar ser repensado.

Agora é a hora! Pode até ser um café requentado, mas não devemos pecar por omissão! Quem sabe, o Plano Nacional de Florestas Plantadas, que parece estar sendo retocado na Embrapa Florestas, seja colocado para uma ampla discussão, ganhe legitimidade e se transforme em “nossa bandeira”!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O FATIAMENTO DA SILVICULTURA!

Há muito se fala da falta de união ou de integração dos diferentes setores que se utilizam da silvicultura. Problemas de uns ou de outros são discutidos, vividos e até resolvidos, de forma isolada. Cada segmento cuidando de seus interesses. Essa postura foi sempre muito criticada, até por governantes, do outro lado do balcão, em inúmeras oportunidades. Nosso amigo e ex- Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, sempre enfatizou: “ o setor é economicamente forte, tem muita tecnologia, empresas competentes e empreendedoras, mas na hora de se fazer política, é sempre desunido e não se integra. E assim, perde toda sua importância e se fragiliza”.

Para muitos, esse é o melhor retrato da atual situação vivida pela silvicultura brasileira. Só para refrescar a memória : o setor de celulose cresce firme e forte e com méritos inquestionáveis; a siderurgia suspira, quase morta; chapas, como sempre, luta heroicamente ; grandes programas com espécies nativas prometidos ao mundo, continuam desconhecidos e dependendo da paixão de abnegados profissionais; a energia continua uma promessa para o futuro; as pesquisas já começaram a se aprofundar, mas na cozinha de cada empresa ; continuam muitas reuniões, encontros, etc., mas no comodismo das salas e no “clic digital”; entidades brilham no exterior pela competência de seus profissionais ; o produtor florestal continua, aos berros, reclamando do preço e da falta de reconhecimento de seus parceiros;…. enfim, é fácil perceber o rol de pendências!

E a mistura é grande: assuntos para o Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente, Ciências e Tecnologia, Indústria e Comércio, e por aí vai…E como juntar tudo isso? E o pior: quem se atreve a juntar tudo isso? E aí, damos conta, de que vamos ter que procurar em diferentes locais os “cacos da silvicultura”: na Embrapa Florestas, no Ibama, no Chico Mendes, no Serviço Florestal Brasileiro, e em vários GTs encarregados de detalhamentos técnicos. O setor foi fatiado e há pedaços que precisam ser juntados em diferentes locais! Que tal, iniciarmos essa reconstrução setorial?

A Comunidade de Silvicultura estará juntando sugestões e comentários para que, oportunamente, haja possibilidade de uma melhor visão de todo o fatiamento existente e quem sabe? Identificarmos os caminhos para melhor discutir e encaminhar nossas necessidades! Não deixe de dar sua sugestão e fazer os comentários que lhe convier!!!!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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POLÍTICA PÚBLICA! QUE BICHO É ESSE?

Há dias atrás, numa reunião com técnicos e produtores florestais, causou-nos curiosidade a colocação apresentada por um amigo muito atento a tudo que se falava: “já assisti a algumas apresentações e já ouvi várias vezes se falar que esse ou aquele problema é decorrência de política pública! Que bicho é esse? Quando existe atrapalha, e quando não existe todos reclamam que falta!”

A colocação trouxe um silêncio geral! A sensação é que se colocou uma interrogação para todos pensarem. O assunto da reunião tratava do crescimento da silvicultura, numa determinada região, a evolução da produtividade, a qualidade das florestas e o contraste com o mercado comprador. A queixa que mais provocou discussão foi a do Sr. Agenor, antigo e grande produtor de madeira, que disse: “ vivemos a vida toda do plantio e venda de madeira, mas agora que tenho florestas com o dobro de produtividade não consigo vender pelo preço que vendia, há mais de 10 anos atrás!

Foi aí, que entrou a pergunta do moço. O coordenador da reunião falou; “essa situação reflete a falta de políticas públicas para o setor” e foi além: “não existe nenhum programa e nenhuma legislação que incentive a integração do consumidor com o produtor vizinho” e fechou “vão buscar madeira a quase 500 km com caminhões gigantescos, incomodando o tráfego nas estradas, gastam uma” nota preta” em transporte, mas se negam a pagar um pouco mais na madeira que fica na cozinha da fábrica”! E o questionamento seguiu ; “até aí tudo entendido, e a tal de política pública, onde entra?”. Então veio a explicação professoral e de forma bem simplista: “é um conjunto de regras, geralmente de Governos, que estabelecem as diretrizes e os instrumentos para se atingir determinado objetivo”.

E completou “quando essas regras são elaboradas com discussões e sugestões são bem aceitas, ficam bem conhecidas e servem como orientação aos interessados naquele assunto. E até servem para empresas estabelecerem suas normas para usar incentivos e atender às políticas públicas estabelecidas”. E deu um exemplo espetacular, que deixou tudo muito claro: “ se houvesse uma política pública, ou regras, incentivando as empresas consumidoras a comprar madeira nas vizinhanças, com certeza, as terras inaproveitáveis, do entorno dos grandes consumidores, se transformariam em florestas. Seria o jogo do ganha-ganha, todos se beneficiando”.

E concluiu: “ devem existir mecanismos que podem aproximar, integrar e favorecer o produtor e o consumidor! Mas essas opções precisam ser discutidas e detalhadas com os interessados para ter legitimidade e alcançar bons resultados. Mas sem discussão, sem provocação e sem interesse bem definido, com certeza, nada vai mudar! A reunião teve continuidade e na saída o engenheiro comentou : “ é o fim da picada não se fazer nada e nem se discutir, abertamente, essa situação tão prejudicial aos produtores e à própria sustentabilidade da silvicultura brasileira!”

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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