PERGUNTA E RESPOSTA QUE DÃO RUMO À SILVICULTURA BRASILEIRA!

Numa live promovida pelo Instituto de Engenharia, no dia 22 de maio, contando com a participação da Ministra da Agricultura -Tereza Cristina e do Eng. Francisco Graziano, tivemos a grata satisfação de ouvir da Ministra uma resposta de grande simbolismo à silvicultura brasileira, a uma pergunta “rica em questionamentos ” formulada pelo Eng. Graziano! Pergunta e resposta sintetizando angústias e esperanças!

Para muitos ficava no ar uma grande dúvida! Será que a Ministra está sensibilizada para a real dimensão e importância do setor florestal? E que nossas riquezas vão muito além do conhecido e bem sucedido segmento de celulose – uma ilha de excelência?

O Eng. Graziano, de forma educada e oportuna formulou o questionamento à Ministra a respeito da importância do setor de florestas plantadas, antes no Ministério do Meio Ambiente e que atualmente, encontra-se no Ministério da Agricultura! Pergunta de quem queria conhecer o rumo da atividade e que guardava “um punhado” de dúvidas de todo o setor!

A resposta da Ministra, foi bem representativa: “é um setor com grande potencial de crescimento, muito além da produção de celulose “. Que grata constatação! De forma simples e objetiva esse reconhecimento é uma verdadeira senha provocativa para profissionais e entidades representativas que lutam pelo fortalecimento do setor!

Enfim… a Ministra que orienta e decide reconhece a importância e o potencial do setor florestal brasileiro! Que oportunidade excelente! essa é a grande chave! Chega de volumosos documentos para justificar nossas potencialidades…… precisamos mostrar a forma de fazer as coisas acontecerem!

Agora, cabe a todos do setor- especialmente as nossas entidades representativas – o desafio do encaminhamento adequado das devidas sugestões! E cabe também, os mais respeitosos agradecimentos ao Eng. Francisco Graziano por sua oportuna participação na formatação desse provocativo desafio!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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No dia 14/05 a @malinovskioficial convidou-nos para um bate-papo a respeito dos novos rumos da silvicultura brasileira. (A íntegra do vídeo está disponível neste link: https://bit.ly/2T6sqeg)

Numa conversa bem descontraída falamos do sucesso da silvicultura tradicional e da necessidade de voltarmos nossas atenções às novas possibilidades que temos no setor florestal.

Demos destaque ao manejo de nossas florestas nativas e à implementação de políticas públicas que criem condições para trabalhos de restauração florestal, pesquisas com espécies nativas e programas de experimentações em áreas de novas fronteiras.

Foi dado destaque especial à valorização do pequeno proprietário, que pode se transformar em grande produtor usando tecnologia e espécies que produzam madeira de qualidade.

Houve destaque ao papel importante que deverá ser desenvolvido pela Embrapa Floresta e foram lembrados os brilhantes profissionais que garantiram o sucesso da silvicultura comercial: Dr. Helladio, Dr. Rensi, Dr. Leopoldo e professores como Prof. Barrichelo, Prof. Celso Foelkel. Falou-se também da necessidade de se ter o Ministério das Florestas para atender o setor de maneira adequada.

 

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INCENTIVO FISCAL PARA DAR NOVOS RUMOS À SILVICULTURA BRASILEIRA!

Não há como negar que a silvicultura tradicional – a do metro cúbico de madeira para indústrias – deve o sucesso alcançado aos incentivos fiscais para reflorestamento! E muitos acham que a grande motivação tenha sido o interesse econômico envolvido em todo o processo produtivo. Da formação das florestas à produção industrial, tudo com cheiro de dinheiro. Daí, um pouco de cuidado e as coisas andaram…. E mais importante ainda – as indústrias à base de florestas plantadas, como contrapartida, já devolveram em impostos dezenas de vezes o que se utilizou como incentivos governamentais para formação de florestas.

Talvez tenha sido um dos mais bem sucedido investimento governamental para geração de empregos e desenvolvimento social e econômico de inúmeras regiões à margem de tudo! Em cerca de 20 anos, os segmentos à base de florestas plantadas cresceram, multiplicaram-se e contribuem,nos dias atuais, de forma significativa na balança comercial brasileira.

E vem a pergunta: modelo parecido não poderia ser pensado para alavancar a proteção, manutenção e produção de água – recurso vital à toda sociedade brasileira? E que também poderia ter cheiro de dinheiro! Por exemplo: a revegetação das bacias hidrográficas que abastecem os centros consumidores!… Alguém ousaria imaginar que tais atividades não sejam de imprescindível apelo social e ambiental? E por que não incentivá-las com recursos dos próprios usuários e pagamento de serviços ambientais? É fácil imaginar a grande alavancagem que teríamos numa nova silvicultura, especialmente voltada às espécies nativas!

É lógico, que tudo isso demandaria uma grande soma de conhecimentos de legislação e das engenharias econômica e florestal ,mas muito mais de uma ousada decisão política! Mas o que consola é saber que temos profissionais competentes e conhecimentos científicos para embasar um programa dessa natureza e, acima de tudo, a certeza de que a necessidade de toda a sociedade para o recurso água é incontestável, e só vai crescer!

Esse desafio mereceria uma boa reflexão de parte dos silvicultores que fazem as coisas acontecerem!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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OS FATOS MARCANTES DA SILVICULTURA BRASILEIRA

A história da silvicultura brasileira é marcada por fatos relevantes que se somaram e que construíram as bases técnicas, sociais, econômicas, ambientais, legais e institucionais da atividade. Tudo, muito marcado pelo dinamismo de brilhantes profissionais! É uma tarefa complexa e desafiadora listar os fatos mais impactantes. Haverá sempre uma dose emocional naquelas atividades compartilhadas e, muitas vezes, poderão ter faltado informações para avaliar melhor fatos não lembrados. E isso pode ter induzido a erros e injustiças – antecipadas desculpas às nossas interpretações. Pretende-se com essa relação provocar comentários e despertar a curiosidade por detalhes “dos fatos que construíram a nossa atividade”.

Tomaremos a liberdade, através da Comunidade de Silvicultura, de vasculharmos com mais atenção os fatos apresentados. Esperamos contar com a colaboração de nossos colaboradores para enriquecermos a listagem e que façamos as devidas complementações e correções, que com certeza serão apontadas!

1- Lei dos incentivos fiscais para reflorestamento
2- Criação das instituições de pesquisas integrando universidades e empresas
3- Os avanços da tecnologia florestal
4- Implantação dos empreendimentos industriais à base de florestas plantadas
5- Avanços tecnológicos no uso da madeira de reflorestamentos – eucalipto e pinus
6- Formação de grandes empresas florestais
7- Certificação florestal
8- Terceirização das atividades operacionais
9- A chegada e o desenvolvimento das Timos – Grupos de Investidores Internacionais
10- A fusão de grandes empreendimentos industriais

Fica aberta a discussão e que tenhamos muitos comentários! Para todos os fatos apresentados ficam as perguntas: o que representou, quais os protagonistas, quando aconteceu, que desdobramentos existiram…… enfim, essa soma de respostas resulta na nossa silvicultura ! E faz um bem danado lembrar desses fatos!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O SILVICULTOR MOSCA BRANCA TÃO PROCURADO!

Há anos, continua valendo, a mesma história: “ esse tipo de profissional é uma mosca branca, e faça de tudo para preservá-lo!” – foi essa a expressão de um diretor florestal para elogiar um de seus colaboradores. E a conversa era a respeito da seleção de profissionais para os trabalhos de silvicultura. Alguém disse: “já consegui profissionais de altíssima qualidade para as mais diversas funções em nossa empresa, mas encontrar um ”silvicultor trifásico” é como encontrar uma agulha no palheiro”. E a pergunta veio, em seguida : “ o que significa esse silvicultor trifásico”? E a resposta foi bem esclarecedora: “ é aquele que pensa, fala e faz ”!

O restante da conversa foi só complemento para caracterizar o tal silvicultor. Na verdade, são esses silvicultores que fazem as coisas acontecerem nas empresas. Pensam nos problemas com antecedência e sempre encontram alternativas para solução. Sabem ouvir sugestões, discutem e incentivam iniciativas, aceitam erros e não poupam elogios para os bons resultados. Sabe gastar e economizar na dose certa. Está presente no campo para acompanhar, apoiar, mudar, ensinar e tudo com respeito, amizade e lealdade! É querido pela inteligência, pela coragem e pela responsabilidade. É de presença permanente no campo, é também conhecido como “silvicultor de botina” , que sabe defender suas posições em reuniões e é companheiro de todos os colaboradores para qualquer momento de felicidade ou dificuldade.

Para muitos, o sucesso da silvicultura brasileira tem tudo a ver com esses “silvicultores de botina”, que se doam de corpo e alma ao trabalho e fazem com que a ciência florestal seja aplicada no campo e as nossas produtividades alcancem níveis imbatíveis!

Ainda na mesma conversa em que surgiram os elogios a esse tipo de profissional, ouvimos um outro recado importante “ é muito comum esses profissionais de tamanha contribuição às suas empresas e ao setor passarem a vida toda em total anonimato, embora sejam os grandes vanguardeiros dessa nossa silvicultura campeoníssima”!

A Comunidade de Silvicultura, aproveita o ensejo para registrar os mais sinceros cumprimentos a esses brilhantes profissionais, verdadeiras moscas brancas do setor!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AS PLANTAÇÕES FLORESTAIS EM ÉPOCA DE CORONAVÍRUS!!

Não tem sido novidade o exemplo de cuidados preventivos e solidariedade demonstrado pelas empresas do setor de florestas plantadas. Há informações de que inúmeras medidas de proteção ao pessoal de campo estão sendo adotadas, além de exemplos de solidariedade de várias empresas. Tudo com responsabilidade para se proteger a mão-de-obra rural e não deixar que se quebre a cadeia de produção – das mudas à colheita!
 
Aparentemente, não tem havido grandes alterações no desenvolvimento das atividades, embora se fale em algumas paralisações nas colheitas, mas que não devem afetar de forma significativa o patrimônio florestal! E mesmo nesses casos, com certeza, o respeito aos colaboradores está sendo mantido. E o mais importante: não se tem nenhuma informação de suspensão de contratos de serviços e consequente desemprego do pessoal de campo.
 
Essa é uma demonstração do respeito, responsabilidade e ética que está sendo mantido na relação de contratados e contratantes! São posturas empresarias exemplares que permitirão que se cuide da proteção da vida do pessoal de campo, que dá sustentação à cadeia de produção das florestas plantadas. São posturas que dignificam a silvicultura brasileira! É muito difícil se fazer qualquer previsão a respeito do tempo que nos manteremos nesse estado de alerta, que incomoda, mas que parece necessário! Tomara que, mesmo com pequenas adaptações, façamos todos os esforços para que não se afete o “ ano florestal” – basicamente, os programas de plantios, manutenções e proteção das florestas, além de todas as atividades que dão sustentação a essa cadeia produtiva!
 
Uma interrupção na programação anual de plantios dos grandes empreendimentos e de seus parceiros fornecedores de madeira poderá trazer sérias dificuldades a médio e longo prazo nas produções industriais!
 
Que a silvicultura brasileira consiga passar por período tão complexo sem perdas que podem afetar, sobremaneira, a oferta de madeira lá na frente.
 
E, acima de tudo, com a cadeia de produção firme e forte, e com seus colaboradores empregados e com plena saúde!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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O CORONAVÍRUS, AS FLORESTAS PLANTADAS E O ELO MAIS FRACO DA CORRENTE!

Com certeza, sem óbvias explicações, nesses dias de COVID-19,cabe preocupação com seus impactos nos serviços operacionais de campo das empresas! As informações possíveis mostram que os cuidados básicos de higienização estão sendo tomados e a rotina operacional segue firme e forte! No entanto, há de se cuidar disso com muita atenção!

A mão-de-obra do campo e que toca os trabalhos silviculturais corresponde a mais de 500.000 colaboradores. Esse pessoal em grande parte está vinculado às empresas terceirizadas – contratadas para fazer serviços silviculturais!

Há de se cuidar dessa enorme cadeia de serviços composta por milhares de empresas contratadas para plantar, cuidar das florestas, colher e transportar madeira, máquinas, insumos, pessoas, etc. Esse é o mundo do campo! São essas empresas que dão sustentação à produção industrial e continuidade à formação, manutenção e proteção das florestas! São essas empresas que empregam quem planta, quem colhe e quem transporta para dar sustentabilidade ao processo industrial. Os milhares de produtos indispensáveis à sociedade não se sustentam sem o serviço do campo!

Salvemos a indústria, mas cuidemos do campo e tomemos todos os cuidados com o elo mais fraco dessa corrente: a rotina operacional, compreendendo as pessoas e as empresas empregadoras. Essas empresas não tem entidade de classe para defender seus interesses e dependem diretamente de seus contratantes. Estima-se que mais de 80 % da mão –de-obra de campo esteja sob o comando de empresas contratadas para prestação de serviços de toda natureza! Qualquer movimentação reflete diretamente nessa estrutura, na sua receita, na sua estabilidade financeira. Há de se proteger essas empresas, que serão as primeiras a sentir as cobranças financeiras, trabalhistas e judiciais! Constituem a base de sustentação dos empregos! Quem vive a realidade de campo sabe a enorme dificuldade de se reconstruir essa cadeia produtiva, caso seja afetada!

Estaremos sacrificando além da produção industrial do presente, a viabilidade dos programas futuros e a própria sustentabilidade do patrimônio industrial que depende das florestas plantadas! Essas empresas ficarão sujeitas, exclusivamente, à sensibilidade, responsabilidade e respeito pela relação contratados e contratantes.
Fazem parte do elo mais fraco da corrente produtiva e que precisa ser devidamente preservado!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FOMENTO FLORESTAL: ESTRATÉGICO E AS DIFICULDADES!

Nos dias atuais, uma das encrencas, que ainda continua sem solução, por inúmeras razões, é o “choro” de enorme quantidade de produtores rurais pelo valor de venda de suas florestas. Mas não é só insatisfação! Aqui se misturam diferentes ruídos, agravado pelo excesso de madeira em determinadas regiões: plantios de baixa qualidade, florestas mal conduzidas, acessos precários, localização inadequada, contratos mal feitos e até mesmo parte de florestas boas, em que faltou, de fato, o respeito contratual! Há, no entanto, produtores, bem localizados, com boas florestas e bem servidos de vizinhos consumidores, que não berram e não se queixam da silvicultura! Mas tem sido muito comum que tudo isso seja colocado numa na mesma sacola do fomento florestal!

E nessa sacola, as vezes “mal cheirosa”, há destaques que merecem distinção!! Não há dados confiáveis, mas com certeza, estamos falando de quase dois milhões de hectares, que não são de propriedade das empresas consumidoras – pertencem aos diversos tipos de produtores independentes. E aqui, também há de tudo! Florestas bem cuidadas e de alta produtividade, bem localizadas e de fácil acesso. Uma jóia! Florestas mal conduzidas, inacessíveis e de baixa produção. Um verdadeiro mico!

Desse montante de dois milhões, estima-se que cerca de 500.000 ha sejam, de fato, originados de programas de fomento, implementados por empresas consumidoras de madeira!!!! E há ótimas florestas, e também muita “porcaria” de empresas que fomentaram e não cumpriram seus compromissos.
Conclusão: Há de tudo! e o que se fala de fomento não dá para se generalizar para todo o setor! Há de se conhecer “caso a caso” para se falar com propriedade dos programas de fomento da silvicultura brasileira!

Nos casos de sucesso, o fomentado é parte estratégica do programa de suprimento e não se discute os valores devidamente acordados. A empresa conta com a madeira e o produtor sabe exatamente a receita que lhe cabe. Não há surpresas. É o mesmo fio de bigode do passado, que nos dias atuais foi substituído por sofisticados sistemas digitais, onde o respeito é ” palavra de ordem”! E o mais interessante é que essa forma profissional de se fazer fomento está se transformando em política importante e estratégica de suprimento de madeira para grandes empreendimentos. Essa postura empresarial, com certeza, dá ares de seriedade e profissionalismo à silvicultura brasileira! Todos ganham e os benefícios sociais e ambientais são flagrantemente notados!

Mas nada disso é novidade. Há exemplos maravilhosos no passado. É só conhecer a história da Duratex em Jundiaí –SP e o exemplar programa de fomento desenvolvido pelo Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho! Manteve a indústria por anos e anos só com fomentados, muito respeito e ética!

A grande encrenca, no entanto, é recuperar a credibilidade da silvicultura, onde houve problemas por inúmeras razões e “plantar árvore se tornou uma maldição”! Mas, mesmo nessas regiões, a silvicultura continua sendo quase uma necessidade para o bem estar da sociedade! São áreas desocupadas e que precisam ser protegidas com florestas. São áreas erodidas, com bacias hidrográficas de rios importantes e com uma infinidade de nascentes desprotegidas. Tudo isso precisa, urgentemente, de proteção florestal! Há de se encontrar mecanismos que permitam que esse trabalho avance em benefício da geração de mais empregos e na proteção desses “cantos” produtores de água!

Essa é a parte da silvicultura que não tem vida sustentável e que precisa do apoio governamental. Aqui, cabe tudo, principalmente, mais pesquisas e políticas públicas que estimulem e incentivem o plantio de árvores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FALANDO DE PESQUISAS FLORESTAIS!

 

Nesses mais de 50 anos de silvicultura comercial, a pesquisa florestal brasileira, praticamente, esteve voltada aos interesses dos grandes consumidores de madeira – celulose, chapas e carvão vegetal. Para muitos, pesquisa florestal no Brasil é sinônimo de trabalhos com eucalipto e pinus! E as grandes instituições de pesquisas que se formaram junto às universidades, como IPEF, SIF, FUPEF, dentre outras, também se destacaram na mesma direção! De outras espécies, e especialmente das nativas, muito pouco, e graças ao esforço de brilhantes profissionais!

Tudo muito em função do grande apoio financeiro das empresas consumidoras de madeira!  Foram milhões e milhões de dólares, centenas de pesquisadores do mais alto nível e permanente injeção financeira das empresas consumidoras! A produtividade de eucalipto e pinus mais que dobrou em 50 anos, e permitiu que se consumissem muitos milhões de metros cúbicos de madeira!!!

Mas esse mundo da pesquisa florestal, antes muito cooperativo,  parece  estar tomando feições mais competitivas. As fusões empresariais, e os avanços científicos com alta consanguinidade, vão se desenvolvendo e ficando “dentro da mesma casa”. E as soluções que agregam valores competitivos vão perdendo o compartilhamento. Essa nova postura, com certeza, deverá refletir nas estratégias das instituições de pesquisas. E, com certeza, muitas discussões e mudanças  poderão surgir:

-As experimentações que necessitam da participação de várias empresas, até para validação dos resultados, com certeza serão mantidas. E há muita coisa precisando de um reforço!

– Na esteira da sustentabilidade, as pesquisas com novas espécies para nichos de mercado de pequenos e médios produtores, poderão merecer atenção especial. E, aqui, caberá destaque a algumas espécies nativas, que estão se mostrando altamente promissoras;

-a formação de unidades de pesquisas junto às grandes concentrações de florestas, também parece ser uma necessidade estratégica cada vez mais evidente, até para proteção do patrimônio florestal- industrial formado. É o caso por exemplo do Mato Grosso do Sul;

-pesquisas experimentais em novas fronteiras e para usos alternativos da madeira, parece merecer cuidados técnicos bem específicos. Isso vai crescer e vai exigir adequações nos padrões operacionais tradicionais;

– há de se destacar também o crescente interesse em programas  agroflorestais, que ainda carecem de muitas informações  técnicas;

Há muita gente competente para definir estratégias e integrar o que enriquece a pesquisa. Mas há pressa e as questões estão à porta!  Quanto aos detalhes científicos, que agregam valor competitivo e os avanços da tecnologia digital, isso tudo, com certeza, vai se particularizando e se distanciando do conjunto.

O mais importante, é que o apoio que nunca faltou às instituições seja mantido e não faltem recursos aos programas que vão surgindo como alternativas à silvicultura brasileira!

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OS PROBLEMAS TÉCNICOS E OS PRODUTORES RURAIS!

Numa reunião de produtores rurais da Região Bragantina, a convite dos organizadores, tivemos oportunidade de conhecer com mais detalhes o dia -a- dia do produtor rural que pretende fazer floresta. Constatamos curiosas surpresas – algumas críticas ao eucalipto, tidas como superadas, ainda continuam na “boca do povo” e erros técnicos, considerados “ absurdos” há anos atrás, continuam sendo cometidos pelos produtores rurais!

Quanto às críticas, as discussões sobre “ o eucalipto seca o solo” é disparadamente a campeã! E sempre seguida de um punhado de exemplos! E o mais grave é que o assunto já vem sendo colocado em algumas escolas. Para apimentar ainda mais a polêmica, ouviu-se brados de produtores descontentes com a venda de suas florestas! Os mais exaltados enfatizavam: ” seca o solo e na hora de vender não vale nada!”. Essa dupla insatisfação pode prejudicar muito as políticas de fomento dos grandes consumidores.

Quanto aos problemas técnicos na formação das florestas, ouvimos um festival de absurdos! Teríamos a destacar: o controle de formiga que continua sendo a maior encrenca! Seguem os problemas com qualidade das mudas, falta de replantios, dificuldades com mato-competição e adubação! Esse conjunto de antigos, e tidos como superados problemas, com certeza, representa um peso significativo na queda de produtividade dos pequenos produtores florestais!

No final da reunião fomos convidados a fazer algumas considerações. Fizemos comentários sobre mudas, cuidados com plantios e replantios, sobre a necessidade de se evitar a mato-competição e da necessidade de adubação em quantidade e na hora certa! E insistimos na importância de se contar com apoio técnico na execução dos trabalhos. Tudo bem simples! Da formiga fomos poupados, depois da fala do Sr. Nicolau – antigo produtor florestal e muito respeitado no grupo – que disse “ há mais de 30 anos plantamos eucalipto, pinus e outras árvores e nunca deixamos de controlar e acabar com a formiga”. E completou: ” meu avô dizia , que se quisesse ter floresta, não deveria economizar na matança das formigas, pois com o tempo, elas acabam com a floresta”! Essa fala dispensou qualquer comentário a respeito da necessidade de se combater formiga!

Fica o registro para ser trabalhado por interessados! A silvicultura de sucesso exige cuidados técnicos em todo o processo. O que se tem observado é que na necessidade de se diminuir custos, comentem-se desvios operacionais que sempre causam impactos às florestas. São cuidados imprescindíveis a serem adotados, especialmente, em programas de fomento, onde nem sempre há acompanhamento detalhado das operações de campo. A soma desses pequenos problemas, quase sempre comprometem o futuro das florestas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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