A silvicultura brasileira vive momento importante de sua história. Os avanços em melhoramento genético, mecanização, inteligência artificial, ciência de dados, sensoriamento remoto, monitoramento climático e manejo de precisão vêm ampliando significativamente a capacidade do setor de produzir madeira com maior produtividade, eficiência e resiliência.
Essa evolução deverá continuar nos próximos anos. Novas tecnologias, materiais genéticos cada vez mais adaptados e ferramentas digitais mais sofisticadas fortalecerão ainda mais a competitividade da atividade florestal.
Talvez exista, porém, uma oportunidade capaz de potencializar todos esses investimentos.
Hoje, aproximadamente 70% da mão de obra envolvida diretamente na implantação, manutenção, proteção e colheita das florestas pertence às empresas prestadoras de serviços. São essas equipes que executam diariamente as operações, observam as condições reais do campo, utilizam as novas tecnologias e transformam planejamento, pesquisa e inovação em resultados concretos. E essas empresas também evoluíram de forma significativa em patrimônio e gestão, e há de serem devidamente valorizadas.
Essa realidade merece uma reflexão.
Talvez seja o momento de ampliar o conceito de terceirização no setor florestal. Transformar simples contratações, muitas vezes susceptíveis a inoportunas alterações, em contratações respeitosas e comprometidas com resultados.
Mais do que contratos para execução de serviços, a complexidade crescente das operações exige relações de verdadeira parceria. Contratantes e empresas prestadoras de serviços precisam compartilhar conhecimento, objetivos, responsabilidades e, principalmente, o compromisso com os resultados alcançados nas florestas.
A silvicultura brasileira já demonstrou sua extraordinária capacidade de gerar conhecimento, desenvolver tecnologias e criar soluções para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Talvez o próximo passo seja construir, com a mesma intensidade, um grande programa de desenvolvimento das competências da cadeia operacional, envolvendo empresas contratantes e prestadoras de serviços em um processo permanente de aprendizado, inovação e melhoria contínua.
Novas tecnologias continuarão surgindo. Entretanto, seu potencial máximo somente será alcançado quando empresas contratantes e empresas prestadoras de serviços evoluírem juntas, como verdadeiros parceiros estratégicos, compartilhando conhecimento, responsabilidades e o compromisso de fazer acontecer no campo. Afinal, é ali que a inovação deixa de ser uma promessa e se transforma em madeira, produtividade, competitividade e sustentabilidade.
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br