No Globo Rural do último domingo – 5/2/2023 – foi apresentada uma reportagem interessante e educativa sobre a obra do escritor João Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas. Tudo muito bacana, caminhos e trilhas dos boiadeiros, conversas e costumes, ilustrações e uma cutucada nos plantios de eucalipto! É só assistir e vai sentir o contraste entre o saudosismo e romantismo das histórias do passado e a frieza do tratamento dado às florestas de eucalipto – fica a impressão de que entraram nas regiões e destruíram tudo!
Em regra geral, o setor não se incomoda com tais reportagens. Há quem, até aposte no silêncio para evitar polêmica. Novos tempos, novas demandas, e fica a dúvida para reflexão: o silêncio é a melhor tática, nesses momentos de fortalecimento dos valores ambientais, culturais e comunitários? E ainda nos tempos de valorização das certificações, do globalizado ESG, e das tão desejadas adicionalidades para créditos de carbono?
E, afinal, a cultura de eucalipto, com grandes áreas ocupadas, mas milhares de empregos gerados, só traz impactos negativos? Será que não caberia, com mais frequência e profissionalismo, um pouco de comunicação do setor para mostrar a nossa realidade? Será que não caberia usar um pouco das informações e dados dos ricos relatórios de sustentabilidade das empresas do setor? E como temos bons exemplos para serem mostrados!
E se, por acaso, existirem encrencas a serem resolvidas, não seria mais sensato que encarássemos eventuais problemas, antes que interpretações equivocadas criem desdobramentos inconvenientes?
Fica esse café requentado para reflexão! Mas, muito mais, o alerta para que não achemos que problemas antigos, e que criaram tantas dificuldades no passado, já estejam resolvidos, e não se fala mais nisso!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br