NO CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO, UMA LIÇÃO PARA REFLEXÃO

O reflorestamento, em seus mais de 50 anos, apresentou significativas modificações nos mais variados aspectos, superou dificuldades e deixou lições que merecem reflexão!
Por volta dos anos 70/80, chegamos a ter mais de 2.000 empresas atuando com reflorestamento em todo o Brasil. Muito dinheiro envolvido e uma correria danada, uma verdadeira loucura! Nessa época, não havia nem engenheiros para todas essas empresas.
As instituições de pesquisas correndo, continuamente, atrás de solução aos mais diversos questionamentos técnicos. Em todos os estados, as entidades representativas participavam ativamente da vida e estruturação do setor. Pairava grande preocupação com a manutenção dos incentivos, que ano a ano, ia se fragilizando por flagrantes problemas de campo! Havia um esforço comum entre empresas – grandes, médias ou pequenas- não importava o tamanho, sempre prevalecia o interesse de todos!
Já por volta de 80/90, houve significativa diminuição no número de empresas. O antigo IBDF, ousadamente e para bem da atividade promoveu uma “limpa no sistema”, eliminando enorme quantidade de empresas com atraso em suas programações ou por atuação abusiva no uso dos recursos incentivados. E que encrenca! Mas estava salvo o sistema de incentivos fiscais! Elevou-se o nível técnico das atividades operacionais, dando vida, maior crescimento e sustentação aos empreendimentos com boas florestas. Estava se consolidando a base para formação do rico patrimônio industrial dos dias de hoje.


Numa fotografia comparativa de ontem e de hoje, há de se destacar, entre muitas diferenças, a quantidade de empresas que atuava no setor, mesmo depois do expurgo promovido pelo IBDF. Empresas de todo tamanho, sempre unidas pelas entidades representativas estaduais, tanto na defesa dos incentivos, quanto nos embates com ONGs bastante atuantes e que já se fortaleciam na briga contra o eucalipto. E nessa época, não faltavam justificativas para as pedradas que sobravam de todos os lados! Sem essas entidades representativas, em nível estadual e nacional, com certeza, os incentivos teriam sido extintos bem antes do prazo alcançado, e as discussões com as ONGs teriam sufocado o desenvolvimento da silvicultura brasileira!


Valeu muito o trabalho de entidades representativas estaduais e em nível nacional como ARBRA, ANPCP, ABRACAVE, ABIMCI, SBS e outras. Há de se ressaltar também que essas representatividades só deram bons resultados graças aos trabalhos e dedicação de abnegados profissionais, que não mediam esforços na valorização da atividade, sempre no interesse de todos – pequenos, médios e grandes! Para muitos foi essa união de empresas, que deu sustentação aos incentivos fiscais, motivou o surgimento de instituições de pesquisas e preparou o setor para os embates e discussões sociais e ambientais.
A união de empresas em torno de objetivos comuns, fortaleceu e fez crescer o setor, e é uma grande lição para reflexão! Especialmente, aos que acreditam que em conjunto a representatividade do setor tem mais força e legitimidade!
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Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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