Há poucos dias tive oportunidade de ouvir, com muita atenção, o relato de um conhecido professor universitário, a respeito de uma pesquisa realizada com a plateia, que assistia sua palestra! O título da palestra era: Para onde vai a silvicultura brasileira? Foram mais de 90 minutos, onde o professor com muita habilidade e conhecimento fez inúmeras considerações sobre dúvidas e incertezas, que rondam o setor. Muito discretamente, fez também considerações interessantes sobre comentários, que ouviu de alguns presentes. Para alguns a palestra não trouxe nada de novidade. Tudo conhecido, problemas sem solução e empurrados “com a barriga”. Para ele, o que valeu, de fato, foi o exercício realizado com a plateia! Resumidamente, o professor apresentou 5(cinco) alternativas para que a plateia escolhesse a mais interessante alternativa, que pudesse ser indicada ao Governo como reivindicação prioritária do setor! E, segundo o professor, entre mais apupos do que aplausos, apresentou:
1- Resolver todas as pendências legais, que se arrastam há anos no setor;
2- Criar linhas de financiamento, de acordo com o manejo florestal a ser adotado;
3- Estabelecer amplo programa de pesquisa e experimentação com espécies nativas;
4- Criar mecanismos de incentivos para recuperação de áreas degradadas;
5- Incentivar os programas de fomento com uso alternativo da madeira;
O desafio foi vencer a fúria da plateia para trocar essa ou aquela alternativa e principalmente para incluir algumas novidades! Um péssimo sinal – problemas antigos ninguém quer discutir! Uma conclusão indiscutível – muita insatisfação e muita coisa a ser feita! A platéia composta por diferentes profissionais, com destaque para produtores florestais, investidores, alunos, pesquisadores, professores, prestadores de serviços, fomentados , etc. depois de algumas discussões e velhas justificativas aceitou as alternativas apresentadas originalmente, com uma inclusão :
– Viabilizar o uso da madeira de florestas plantadas para geração de energia;
E, segundo o professor, a defesa para essa inclusão foi tão enfática, que não houve como não aceitar. O postulante comentou : “ a silvicultura gera desenvolvimento em regiões marginais e desprovidas de todos os recursos ; usa áreas degradadas e não compete com a agricultura e nem com a pecuária” e a justificativa mais contundente : “não precisa de uma montanha de dinheiro, e que as vezes fica só na promessa, para viabilizar o empreendimento” e concluiu “é possível menores empreendimentos com menos florestas e que, consequentemente, não vão blindar municípios e comunidades”. Segundo o relato, aberta a votação, não houve disputa: a grande maioria aclamou a energia como alternativa energética, como a grande reivindicação setorial a ser levada ao Governo! Antes de finalizar a reunião, o professor confessou ter sido surpreendido com a forma enfática com que o assunto foi tratado e indagou do interesse de algum voluntário em explicar o resultado . E a colocação de um famoso e atuante pesquisador enriqueceu ainda mais a questão : “ a madeira como alternativa energética é a bola da vez”! e continuou – “vamos chegar com a silvicultura em regiões, onde não existe nada e vamos gerar empregos, melhorar a educação, a saúde pública e levar esperança para populações esquecidas. Vamos criar as raízes do desenvolvimento para populações carentes com extremas necessidades” e arrematou – “só a silvicultura faz isso e precisamos mostrar aos nossos Governantes esse importante papel do nosso setor”. Segundo o professor, houve até um ameaço de aplausos. E a reunião terminou com a promessa de que ele tentaria de alguma forma apresentar o assunto para ser pensado e refletido por mais silvicultores. Gostei da prosa, peguei o bonde e estou compartilhando com os amigos silvicultores para reflexão e, muito mais que isso, continuarmos insistindo para que a silvicultura brasileira consiga os instrumentos de políticas públicas, que a torne grande instrumento de desenvolvimento social de regiões esquecidas no final da linha. E tem mais: fazendo florestas e gerando energia renovável para um Brasil, que necessita de quantidade incalculável desse insumo!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan, empresas de serviços florestais.
Nelson está publicado!!
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