Qual o preço da madeira? Essa é a pergunta mais frequente nas conversas com produtores florestais! A resposta pode ser dada de várias formas: o grande empreendedor fala de R$ 45,00 a R$ 55,00 o metro cúbico em pé para viabilizar a TIR que interessa aos investidores ; o comprador de madeira da indústria pode falar em metro cúbico posto/fábrica ou tonelada com determinada umidade/posta fábrica, com casca ou sem casca ,etc. E tudo seguido de considerações em função da distância, dos acessos, da situação de mercado, e por aí vai… Há outras formas para tratar do assunto, mas a pergunta da maioria dos produtores não é respondida de forma clara e objetiva! Apesar das modificações introduzidas no mercado de madeira, uma parte significativa de produtores, ainda pensa e faz suas contas na base da madeira cortada e empilhada ou dessa madeira em pé! E nesses casos, está se falando do “famoso e envelhecido estéreo”. O problema, na verdade, não é a linguagem utilizada, mas a negociação que a oportunidade gera. O profissional consciente com pouco de paciência e interesse na aquisição e na satisfação do vendedor, procura explicar as variações do negócio e mostra, objetivamente, o preço que se pretende pagar pelo estéreo – a velha referência do produtor. Multiplica isso, divide aquilo, soma, desconta e tasca o valor! Esse valor, à semelhança do grande empreendedor,deve atender aos interesses do produtor. Deve ser suficiente para pagar as contas dos serviços para se formar as florestas, os gastos com insumos e sobrar alguma coisa para que ele continue fazendo silvicultura. Isso é muito importante para que a atividade seja sustentável. Essa é a tal de sustentabilidade que deve ser igual, tanto para aquele que pensa e fala só o que está escrito nas planilhas, quanto para o que, mesmo sem planilha, sabe as contas que precisam ser pagas! Segundo inúmeros produtores florestais consultados, o valor que deixa, nos dia atuais, o produtor satisfeito com o negócio de produzir madeira, está na faixa de R$ 30,00 a R$ 35,00 por estéreo de madeira em pé! Comprar madeira a esses valores é a melhor forma de se dar sustentabilidade à atividade. Comprar por valor muito menor, é matar o produtor! Ele vende por falta de informação ou extrema necessidade, mas na primeira oportunidade, ele sai do negócio! Há informações de que grandes quantidades de madeira estão sendo negociadas por valores, até inferiores, a R$ 20,00 por estéreo de madeira em pé! É impossível mudar as leis de mercado – sempre haverá compradores aproveitando oportunidades – mas é, sem nenhuma dúvida, tremenda maldade, submeter o produtor a tais negociações! Podem existir inúmeras justificativas para tal procedimento – sobra de madeira, distância e custo de transporte , condições de colheita, retração do consumo, economia do país, etc. E até um “jeitoso blá blá” que transforma a compra num grande favor ao desesperado produtor! Mas não há nenhuma dúvida , quanto ao impacto negativo dessas compras! Madeira adquirida por preço “danado de ruím”, mata o produtor e cria uma péssima imagem à silvicultura. Parece que disso ninguém duvida! E essa preocupação fica mais viva nos dias atuais, quando se fala muito de madeira para energia! E surge de todo lado, gente que nunca viu um pé de eucalipto, não tem a menor noção do que é fazer floresta e sai à cata de florestas dos pequenos produtores. Esse pessoal faz a conta de trás para frente para viabilizar o empreendimento industrial e chega a valores ridículos para a madeira. Tudo com a indicação matemática das perfeitas, bem elaboradas e “ EXCELentes planilhas”. E o pior é que encontram produtores mal informados ou extremamente necessitados, que vendem suas florestas. São negócios insustentáveis que causam, no curto prazo, tremendo impacto negativo à silvicultura brasileira, que muitos lutam para que se torne exemplo de sustentabilidade para o meio rural brasileiro!
Comunidade de Silvicultura no Chat GPT
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Nelson: Dias atras fiz uma palestra na Faculdade de Botucatu sobre o passado, presente e futuro das florestas na região. O Castanho também fez uma análise da oferta e procura de madeira no Estado de São Paulo. Disse que há um equilíbrio. Ora, se há um equilíbrio, porque o preço da madeira de eucalipto está tão aviltado. A conta não fecha para a região de Botucatu. Para mim há um excesso de oferta, pois as empresas da região estão auto suficientes e ofertando sobras de madeira no mercado. Futuro negro se os produtores não se adaptarem, se organizarem e, sobretudo, se modelarem.
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