O SETOR FLORESTAL – QUE NOVIDADES VIRÃO?

Há, exatamente, 4 anos atrás – janeiro de 2019 – um grupo de profissionais do setor florestal, juntou-se para discussões no ZAP da Comunidade de Silvicultura e elaboração de um documento com sugestões à Ministra da Agricultura, que acabara de ser empossada! Muitas mensagens, reuniões e discussões e uma enorme dose de entusiasmo e esperança, acima de tudo! Não se cogitava de que todos os problemas estivessem contemplados e prontos para serem levados à Ministra , mas se apostava que parte das grandes encrencas estivessem apontadas.

Só não se imaginava que acontecesse, exatamente, o que aconteceu – depois de inúmeras e frustradas tentativas não se conseguiu entregar e apresentar o referido documento à Ministra! Seguiu, no entanto, via correio, devidamente carimbado. Depois de alguns dias, estávamos de posse do aviso – “recebido”! Um resumo de tudo – não sentimos nenhuma modificação no dia-a-dia do setor, encrencas foram alardeadas, alguns problemas sérios se despontaram, segmentos independentes se mantiveram em expansão e só cresceu a sensação do “salve-se, conforme seus interesses”!

Conclusivamente, o Governo não deu “um pio”, e as coisas andaram! Aparentemente, alguns segmentos continuaram cuidando de sua independência, sem precisar e nem querer ouvir falar em Governo, enquanto, outros foram se ressentindo, cada vez mais, de ações governamentais imprescindíveis!

Diante do exposto ficaram dúvidas, certezas e indagações intrigantes;
1- Fomos incompetentes ao identificarmos e estabelecermos problemas e prioridades?
2- É esse crescimento – excelente para uns e desastroso para outros – que queremos para o setor florestal brasileiro?
3- O que fazer com problemas que afetam a todos e necessitam de urgentes soluções?
4- Como fazer o encaminhamento das oportunidades que se abrem para os programas de restaurações, créditos de carbono e florestas plantadas com nossas espécies nativas?
5- O que agregar a nossa silvicultura de produção para garantir o crescimento e sustentabilidade de nosso patrimônio florestal e industrial?

E já tivemos oportunidade de ouvir inúmeras opiniões. Há enorme expectativa e uma grande certeza – sempre haverá necessidade de muito trabalho, e acima de tudo, disposição e vontade política para que os desafios sejam superados! O Brasil não pode perder a oportunidade de se transformar numa grande potência florestal sustentável!

Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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DA COP 27, QUE VENHAM BOAS NOTÍCIAS ÀS FLORESTAS!

Mais uma vez o mundo reunido para falar de clima, de sustentabilidade, de vida! Aqui de fora, a torcida para que o assunto floresta seja valorizado em toda sua abrangência. Há sinais interessantes – a presença de muita gente competente, gente que pensa, gente que fala e gente que faz!
Dessa forma, aumenta a esperança e quase certeza, de que vai sair coisa importante às florestas! Proteção, conservação, manejo, restauração, produção? Para qualquer opção temos competência, profissionais preparados e um mundo de oportunidades!
E já há apostas rolando:

1- A proteção das florestas nativas, especialmente da Amazônia, vai ter tratamento especial, ainda mais com o olhar de preocupação do mundo todo. O manejo vai andar e o desmatamento ilegal vai cessar. Adeus à pirataria amazônica. Se vingar, já valeu!

2- A restauração prometida há anos vai avançar! A dívida é enorme, mas já se junta gente grande para dar conta do recado. Com cheiro de dinheiro, vão surgir muitos interessados e muitos negócios. Se os benefícios vierem para grandes, médios e pequenos produtores, será ótimo!

3- Fala-se no fortalecimento de novos mecanismos para promover reflorestamentos e que envolvam, de fato, comunidades e pequenos produtores!

4- O crédito de carbono deve virar realidade, mas outras opções precisam ser pensadas! Será que nesse bolo, vamos conseguir incluir plantações de exóticas e nativas? Seria uma grande alavancagem à silvicultura!

5- O tema sustentabilidade cresceu e se fortaleceu para cuidar do clima! E o assunto florestal vai embarcar junto? Que não fiquemos à deriva e que sejam fortalecidas as instituições que cuidam dos assuntos florestais!

Que não tenha solução de continuidade a história de sucesso de nossas florestas plantadas. E que se introduzam, de fato, as melhorias para proteção do patrimônio florestal existente e sustentação da silvicultura brasileira!

Enfim, logo estaremos nos confrontado com as novas da COP 27! Há sinais positivos no sentido da valorização das florestas. Não podemos perder essas oportunidades. A torcida é grande.
Só não dá para se cruzar os braços e ficar esperando que se adivinhem tudo que precisamos! É hora das conversas e dos berros!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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INCENTIVO ÀS ESPÉCIES NATIVAS, UMA NECESSIDADE À SEMELHANÇA DAS EXÓTICAS!

A silvicultura brasileira continua com uma grande dívida – o uso de espécies nativas na formação de florestas para os mais diversos objetivos!

Há tempos fala-se em recuperar áreas degradadas, florestas para proteção de nascentes e de bacias hidrográficas, plantios comerciais para produção de madeira, dentre outras finalidades. Falava-se da falta de informações técnicas para garantia de bons resultados.

Aparentemente, já se evoluiu bastante nesse sentido. É lógico, que ainda há de se melhorar, mas há inúmeras iniciativas bem encaminhadas, e profissionais altamente capacitados e prontos para uma arrancada inicial.

Há quem afirme que a situação dos dias atuais para muitas espécies nativas é muito parecida com a das espécies exóticas no início do grande ciclo de crescimento por volta dos anos 70 – sem melhoramento genético, práticas silviculturais em andamento e baixa produtividade. No entanto, atualmente para o caso das nativas, temos enorme bagagem de conhecimentos acumulados com as espécies exóticas, além da quantidade de profissionais preparados e o acúmulo de pesquisas e experimentações desenvolvidas! Talvez, esteja faltando, de fato, um amplo programa de divulgação e comunicação a respeito do que existe disponível!

Fala-se num total aproximado de 10 milhões de hectares de plantios florestais, com a probabilidade de que as áreas com espécies nativas não estejam tão distantes da faixa de 1 a 2% desse total! Há de se destacar, no entanto, o ambiente favorável para se implementar plantios com espécies nativas – áreas degradadas demandando recuperação, nascentes e bacias hidrográficas necessitando de proteção, dívidas com compromissos internacionais, grande potencial para nos habilitarmos a créditos de carbono, aumento de interessados em plantios comerciais, profissionais preparados e muitas informações técnicas disponíveis!

Diante desse quadro, fica a pergunta – o que falta para que a silvicultura com espécies nativas cresça e se torne mais uma atividade rural de grande interesse econômico, social e ambiental?

Tem sido destacado como principais dificuldades para crescimento dos plantios o longo prazo característico desses empreendimentos, o elevado custo de implantação e manejo para determinados objetivos e a inexistência de financiamentos compatíveis com as culturas. Diante de tais dificuldades, geram-se incertezas quanto à viabilidade econômico – financeira dos investimentos. A possibilidade da geração de créditos de carbono e o pagamento por serviços ambientais, talvez possam se transformar em instrumentos complementares para viabilização dos empreendimentos.

Para muitos, no entanto, o que falta mesmo é vontade política para que se estabeleçam regras adequadas e mecanismos concretos de incentivos à atividade. O sucesso alcançado com a política de reflorestamento para as espécies exóticas deveria ser a referência básica a ser aprimorada e adaptada às condições e necessidades de nossas espécies nativas.

Por que não copiar o que deu certo?
Será que ainda temos dificuldades para assumirmos os incentivos fiscais para reflorestamento, como a mola propulsora do riquíssimo patrimônio florestal e industrial brasileiro?

Será que com a experiência adquirida, tecnologias avançadas e profissionais altamente capacitados não teríamos condições para promover as eventuais correções e melhorias no mecanismo utilizado anteriormente?

Por que não criamos condições especiais de incentivos às empresas de base florestal beneficiadas pelo sistema anterior para investirem em empreendimentos com espécies nativas?

Temos todas as informações sobre as dificuldades encontradas, os caminhos para superação e os resultados alcançados a nossa disposição para serem processados e utilizados! A única explicação para não aproveitarmos as experiências vividas é a falta de vontade política!

Diante dessa apatia política, estamos deixando de promover uma alavancagem gigantesca em nossa silvicultura de espécies nativas! Sem o empurrão governamental vai ser muito difícil avançarmos em tão promissora oportunidade!

🌳Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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O INCENTIVO PARA REFLORESTAMENTO FOI ALÉM DO EUCALIPTO E PINUS!

O incentivo fiscal para reflorestamento dos anos 70, que perdurou até 1988, foi muito além do rico patrimônio florestal, que se formou – alavancou culturas frutíferas, que atualmente, se destacam em economias regionais, e propiciou uma significativa contribuição ambiental.

No caso das frutíferas temos as culturas da maçã, caju, coco e dendê, dentre outras! Foram culturas permitidas pela política de incentivos para reflorestamento e que na ocasião eram tidas como distorção do sistema. Tomavam parte pequena do orçamento disponível, e criteriosamente, foram determinadas as espécies frutíferas adequadas e prioritárias para as diferentes regiões brasileiras.

No caso específico da maçã, os projetos se concentraram no entorno de São Joaquim, em Santa Catarina, e se prestaram para implementar a cultura naquele estado. Atualmente, muito ampliada e com desenvolvida tecnologia, a região se caracteriza como grande produtora de fruta de excelente qualidade! No Nordeste os plantios de caju deram origem a grandes empreendimentos que se consolidaram em importante cadeia de produção para o mercado interno e exportação. O mesmo acontecendo no Norte com o dendê!

Além da cultura das frutíferas, há de se destacar a importante contribuição que se deu na preservação de matas nativas! Passou a predominar e ser estimulada nos projetos apresentados, na ocasião, a opção por deixar 10% da área a ser reflorestada, como reserva de florestas nativas, além das APPs e Reserva Legal, em troca do plantio obrigatório e mal sucedido de 1% da área a ser reflorestada com espécies regionais.

Há de se louvar a sugestão oportuna, e de grande significado à Dra. Maria Thereza Jorge Pádua, na ocasião, Diretora do Departamento de Parques e Reservas Nacionais do antigo IBDF. Estima-se que foram preservados, nesse sistema, mais de 300.000 ha de reservas florestais nos diversos empreendimentos incentivados!

Frutíferas produtivas e áreas preservadas são exemplos de atalhos bem sucedidos da política de incentivos fiscais para reflorestamento. Talvez, essa tenha sido das mais importantes políticas públicas dos últimos 50 anos, e que deu vida à rica silvicultura brasileira!

Os recursos envolvidos, em cerca de 20 anos, já foi devolvido dezenas de vezes na forma de impostos, além de ter gerado milhões de empregos, um riquíssimo patrimônio industrial, e com participação expressiva no PIB. Um excelente exemplo de vontade política transformada em ações concretas para bem do desenvolvimento econômico, social e ambiental do país!

Tivemos a grata satisfação de participar das referidas iniciativas, como Diretor do Departamento de Reflorestamento do antigo IBDF, contando com uma excelente equipe de colaboradores e com o apoio imprescindível, e de todo momento, do saudoso Presidente do IBDF – Dr. Paulo Azevedo Berutti e, do então, nosso estimado, Ministro da Agricultura – Dr. Alysson Paulinelli!

Sempre, o nosso respeito e admiração!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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E O SETOR FLORESTAL BRASILEIRO, QUEM VAI MEXER ESSE BOLO?

Aí vem logo a pergunta – que setor florestal?
E cabem inúmeras indagações para uma resposta à altura das demandas existentes!

Estamos procurando definir aquele setor, que se agigantou, mas que já esteve, há tempos atrás, contido numa única instituição das florestas, o antigo IBDF. Nos tempos modernos, com tantas ligações entre as mais diversas atividades, com as novas demandas, nem dá para imaginar que uma instituição como o antigo IBDF pudesse atender!

Mas para quem quer ter uma ideia de nossas angústias, a antiga casa que juntava todos os assuntos florestais parece ser uma boa referência. Há de se imaginar numa entidade de ampla abrangência, que possa cuidar, dentre várias atribuições do desmatamento, do manejo e das concessões de florestas, da comercialização de madeira, dos parques, das florestas nacionais e outras unidades de conservação, das florestas plantadas para celulose, chapas e carvão, da recuperação de áreas degradadas, das pesquisas com nossas espécies nativas, etc.

Talvez junte atribuições do Serviço Florestal, IBAMA, ICMBIO e outras entidades. Afinal, cabem discussões para definir com clareza, onde começa, o que compreende e até onde vai o setor!

E pondo mais lenha nessa fogueira – é aceitável que não se tenha definições claras para um conjunto de atividades que se ligam entre si, e que participam com quase 3% do PIB, com a maior reserva florestal estratégica para mitigação dos efeitos climáticos do mundo, com a maior biodiversidade do planeta, que emprega milhões de brasileiros, que abriga na sua área de influência mais de 30 milhões, que tem as florestas plantadas de maior produtividade e competitividade, com um patrimônio científico e tecnológico reconhecido a nível internacional e que ainda tem possibilidade de se tornar uma potência global no mercado de carbono?

Enfim, é desse conjunto de atividades, que estamos falando – seria um ministério? Uma secretaria especial com ligações múltiplas? Ou o Serviço Florestal Brasileiro seria devidamente estruturado e com autonomia suficiente para dar conta do recado?

Só não dá para continuar esquartejado em diferentes salas e instituições!
Será que ainda há dúvidas quanto à importância e necessidade do setor florestal se preparar e se estruturar, adequadamente, para atender às demandas dos novos tempos e aproveitar nossas riquezas naturais e o potencial de desenvolvimento para bem de todos os brasileiros?

De qualquer forma, continua a indagação – quem vai mexer esse bolo?

Fica para reflexão das entidades representativas, milhares de profissionais em plena atividade e estudantes em preparação em mais de 50 cursos de engenharia florestal existentes no Brasil!

A agricultura por volta dos anos 70 se transformou e criou o Brasil do Agronegócio!
Em que momento, faremos o mesmo com o setor florestal?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS BOAS E A PRESENÇA DO “MOSCA BRANCA”!

Nos últimos 50 anos a silvicultura – a do metro cúbico – evoluiu de forma espetacular! Saímos de 15/20 metros cúbicos/ha/ano e chegamos próximo de 50 metros! Lógico que com suas variações de local, de empresa, de profissionais, etc. Estamos falando da capacidade de produção, que cresceu de forma significativa. E nisso, aparentemente, não há o que discutir – pura tecnologia! Mas quanto aos resultados alcançados por região ou empresa, aí sim, cabem ponderações! Há de se depender de inúmeros fatores, com destaque às características de clima e solo, recursos disponíveis e especialmente da capacidade, competência, dedicação e comprometimento dos executores dos serviços de campo! É aqui, que entra o “mosca branca”!

Entre o crescimento da produtividade de 20 para 50, houve um mundo de realizações e histórias! Quase um sonho que se tornou realidade para os que viveram e conheceram os desafios, as encrencas e o sucesso!

E agora? Novos tempos! Muitas informações e novidades, com novas demandas e desafios a serem superados. Mas num ambiente muito diferente dos tempos idos – trocaram a palavra de ordem cooperação por competição!

No entanto, nesse ambiente, em que mais se ouve, e quase nada se fala, há destaques importantes para reflexão! Fatos constatados, resultado de conversas, opiniões, sugestões e reuniões realizadas no “arzinho fresco da sala” ou sob o “sol ardido e barro” do campo.

E encurtando a prosa, vamos a um destaque interessante – o colaborador “mosca branca”!

Estamos falando daquele profissional que sempre esteve no campo – chegava bem cedinho e, às vezes, saía à noitinha. Via tudo, ajudava, orientava, corrigia, conversava, ensinava, conferia e ainda agradecia a todos! Se falasse inglês ótimo, se dominasse tudo de computador, bom também, e se fosse craque no discurso, mais valor ainda. A relação do que podia e devia sempre foi grande, mas na relação do que não podia, só uma regrinha – precisava estar e viver o campo, e antenado com o que se faz, como se faz e quem faz! Esse sempre foi o “mosca branca” da nossa silvicultura – ajudando, corrigindo, ensinando, melhorando, falando, escrevendo, defendendo, reivindicando, brigando, pacificando, se atualizando, se modernizando, mas sempre marcando a presença no campo!

E o importante – toda empresa de sucesso e com boas florestas, com certeza, contou com colaborador desse tipo – “ mosca branca”. Há quem diga, que se encontra em extinção, uma pena!

Com esse registro deixamos o nosso reconhecimento pelo imprescindível trabalho desse profissional e os nossos cumprimentos pela significativa parcela de contribuição para sucesso de nossa silvicultura!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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SUSTENTABILIDADE, PRODUTIVIDADE E O PROFISSIONAL DE CAMPO!

O assunto sustentabilidade das florestas plantadas continua sendo um assunto discutível, às vezes, controverso e com muitas histórias! Ouve-se de tudo! Cabe preocupação às colocações que tratam do assunto, enfatizando, exclusivamente, a produtividade como referência para sustentabilidade dos empreendimentos!  Nesses casos, não se nota nenhuma atenção além do cronograma operacional – plantio, manutenção e proteção das florestas. Enfim, entendem a sustentabilidade, como sinônimo de produção de madeira, e boa! O foco desses empreendimentos se restringe a reduzir custo e aumentar produtividade. E muitas vezes, acréscimos insignificantes, quando comparados às perdas, causadas por barbeiragens, que se cometem no dia-a-dia, principalmente pela  ausência de profissionais no campo. Já dizia um grande e respeitado silvicultor – “depende da sensibilidade, experiência e presença de profissionais de campo o sucesso ou o fracasso de qualquer empreendimento florestal –  da orientação técnica, ao sucesso das inovações e, acima de tudo, à aplicação e respeito às exigências e necessidades sociais e ambientais da atividade”.  Sábios e sempre atualizados  ensinamentos!

Tem-se observado que a presença técnica no campo evita que vá para o lixo o melhoramento tecnológico e que sejam marginalizados os cuidados operacionais  necessários à sustentabilidade da silvicultura. O olhar de campo evita erros na quantidade e distribuição de adubo e outros insumos, no controle de formigas, na seleção e uso de mudas, na proteção dos remanescentes florestais, no estabelecimento de corredores ecológicos, na proteção de solos, na distribuição e locação harmoniosa de talhões, na abertura de estradas, nos cuidados com os sistemas hidrológicos, e outros inúmeros detalhes operacionais dos empreendimentos florestais. O profissional experiente e atento no campo é a melhor ferramenta para se garantir o sucesso dos empreendimentos.

É o elo mais sensível da cadeia produtiva! Na verdade, todo mundo sabe disso. A diferença está entre saber a importância de estar no campo e atento para ver e enxergar as prioridades, de fato! Todo esforço é necessário para que os profissionais de campo sejam devidamente treinados, orientados e reconhecidos! A solução não está no tapinha nas costas e conversas melosas. O que resolve é treiná-lo e valorizá-lo em função da importância estratégica do seu trabalho. Há de se embutir nessa visão de campo o compromisso e responsabilidade pelos resultados operacionais a serem alcançados –positivos ou negativos – além dos aspectos sociais e ambientais.

O  importante, a se destacar dessa prosa, é haver ótimos exemplos de sucesso a serem seguidos. Empreendimentos com florestas de altas produtividades e pleno atendimento das necessidades sociais e ambientais. E sem nenhum milagre –  só com treinamento, orientação, e acompanhamento de campo, de segunda a segunda. São esses exemplos concretos de sucesso, que justificam os conceitos do respeitado silvicultor – acompanhar e viver o campo é garantir o sucesso dos empreendimentos florestais e consolidar as bases da silvicultura sustentável!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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A CULTURA EMPRESARIAL E A FORÇA DAS DECISÕES FLORESTAIS!

Numa conversa muita proveitosa entre profissionais e estudantes, fomos surpreendidos por interessante pergunta:”Quais as causas que fazem com que as decisões florestais, em algumas empresas, não dependam dos florestais”? E ainda completou com uma “sinuca de bico” – “parece que a empresa muda o foco e esquece das florestas”. Um pouco mais de conversa, e percebemos a pertinência da preocupação!

O que responder? A justificativa mais razoável parece ser – “numa empresa florestal, depois de uma boa gestão e com estoques de madeira em níveis satisfatórios, fica a sensação de que tudo está resolvido! E daí para frente, o grande negócio passa a ser colher e transportar a madeira no tempo preciso e a custos competitivos! Essa fase  envolve recursos financeiros gigantescos e a oportunidade de surgir novos protagonistas para cuidar das florestas, que se transformaram em estoque de madeira, é muito grande”!  Essa parece ser a lógica da mudança de foco. Para muitos, essas empresas que vivem da madeira e quando se sentem abastecidas não dão a devida atenção à silvicultura, tem cultura mais extrativista do que florestal!

Mas o “perguntador”, insistiu –“ e se houver problema com as florestas, faltar madeira, e se forem necessárias mudanças nos procedimentos operacionais”? Será que o gestor de estoque terá sensibilidade e convicção para conseguir mudanças, a tempo e à hora? Realmente, tivemos que admitir que algumas dificuldades poderão surgir ao longo do tempo! Na verdade, com madeira à disposição e tomado por tantas novidades, máquinas e equipamentos modernos e caros, ferramentas digitais para controles e a pressão permanente para manutenção do fluxo de suprimento de madeira, não é de se estranhar que a exatidão matemática sufoque a biologia florestal. Com estoques de madeira na tampa, deixa de existir razões para investimentos em pesquisas, pesquisadores e experimentações com florestas! Grandes investimentos são direcionados à logística, à colheita, em boas estradas e informações, cada vez mais precisas. Enquanto isso, a silvicultura mofa e empobrece!

Nesses casos, em que os ganhos no suprimento de madeira  passa a ser o grande prêmio a ser alcançado, é importante que a silvicultura não seja marginalizada.  E que não se deixe nascer e morrer os metros cúbicos adicionais da produtividade com o “japonês do melhoramento” ou com o pessoal que mexe com florestas.  E o interessante é que, mesmo nesses casos, a silvicultura sustentável vai continuar firme e forte, mas  só “nos discursos e nos relatórios anuais”! Diante de tais circunstâncias, vida que segue… Pode ser  que lá na frente surjam dificuldades no suprimento de madeira, e se constate que nem a competência de grandes silvicultores promove estoques inesgotáveis de madeira. Nesses momentos, em que acaba o ciclo da bonança, e recomeça a correria atrás de florestas, surgem as grandes encrencas e sempre algum pescoço rola. Esse filme é conhecido!

O sucesso de empreendimentos à base de madeira mostra que a presença de profissionais de florestas, tem se tornado, imprescindível, na tomada de decisões estratégicas e valorização equilibrada de todas as fases operacionais da floresta – na formação, adequação, manutenção, uso e garantia dos estoques de madeira. É assim que se dá sustentabilidade à silvicultura e se consolida a cultura florestal numa empresa.  E há de se ter então, cuidados permanentes com as florestas em suas mais diversas funções. Como na manutenção e equilíbrio dos sistemas hidrológicos, na harmonização da paisagem, na proteção da biodiversidade regional, proteção de solos, integração com comunidades e fornecedora de madeira para uso industrial, também!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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O MUNDO FLORESTAL – OPORTUNIDADES, RIQUEZAS E POBREZA INSTUCIONAL!

É inegável que a sensibilidade da sociedade para o tema florestal sempre existiu! Vem do nome de nosso país, inspirado numa árvore muito cobiçada desde a época do descobrimento – o pau-brasil! E seguiram- se inúmeras manifestações de preocupação com a floresta, passando pelos Códigos de 1934, de 65 com suas inúmeras adequações, além das centenas de legislações, pondo regra em tudo, as vezes até atrapalhando, mas sempre em atenção ao tema. Veio o Instituto do Pinho, depois o IBDF, a política de incentivos fiscais para reflorestamento, as ações de reposição florestal, a criação das áreas protegidas, as unidades de conservação, IBAMA,ICMBIO, escolas de engenharia florestal, instituições de pesquisas, ONGs de todo tipo, associações de classe, inumeráveis atividades econômicas à base das florestas, indústrias gigantescas e, mais modernamente, cresce todo dia a preocupação do mundo com as nossas florestas!

E fala-se em milhões de empregos e ainda se cobram medidas urgentes para mitigar desastres climáticos globais!!! Nessa importante e crescente escalada ficam algumas perguntas:

1- Já houve alguma manifestação governamental para valorizar o setor?

A resposta é sim!!! E são inumeráveis as iniciativas governamentais em todos os níveis para valorização do setor florestal, de forma ampla e irrestrita! E mais – quantos profissionais competentes já se envolveram e dedicaram suas vidas para desenvolvimento do setor florestal brasileiro!!! Só que todo o esforço está disperso em diversas entidades governamentais! E a sensação de vazio institucional prevalece e espanta!

2- A sociedade conhece e sabe disso?

Nos dias atuais, em que a floresta é tão venerada no Brasil e no mundo por seus benefícios econômicos, sociais e ambientais, não há nada governamental de concreto que centralize e transmita essa sensação de comando e que responda por tantas obrigações, necessidades e pelo famigerado desmatamento de todos os dias!! Há uma sensação generalizada de que o assunto florestal no Brasil não tem comando! Com tantas discussões e falações, fica a impressão de que ninguém manda em nada!

3- Há, no entanto, uma ressalva interessante a ser feita – e se fortalecer-se, dar independência e a devida autonomia às iniciativas existentes e que já deram sinais positivos? Identificar o que só precisa ser melhor estruturado, talvez seja uma missão mais interessante e lógica do que criar “coisas novas”!

4- E agora às vésperas de eleições, será que não é o momento exato de mostrarmos as realidades do setor florestal brasileiro? Temos ótimos exemplos de sucesso, grandes empreendimentos e excelentes oportunidades econômicas, sociais e ambientais, além de centenas de profissionais altamente capacitados! Nossos governantes estão ansiosos na identificação de bandeiras importantes para serem apresentadas! O mundo das florestas não seria essa bandeira a ser mostrada e defendida?

5-Por que nos calamos, com tanta competência, grandes empresas, universidades, entidades representativas, ricas e influentes?

Há mais um mundo de indagações a se fazer! Mas nenhuma grande novidade. Problemas e pendências que se arrastam há tempos! Fiquemos com a esperança de que surjam interessados em desenrolar essa encrenca!! Mas, por enquanto, só nos resta a esperança no meio dessa mistura de tantas oportunidades e riquezas e de tamanha pobreza institucional!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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A PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS E AS INOVAÇÕES DISRUPTIVAS!

Nos dias atuais, nas regiões tradicionais, com tantos plantios para todo canto é muito fácil perceber a diferença entre o que se pensa fazer, o que se pensa estar sendo feito e o que realmente é feito! E tudo com reflexos na qualidade das florestas e na produtividade, que se diz em baixa! É o famoso desequilíbrio entre a pensação, a falação e a fazeção! Ao ler artigos e informações técnicas, assistir às lives e palestras – e o Congresso Florestal realizado recentemente foi um bom exemplo – e vendo os trabalhos de campo, a sensação é que há algo muito estranho no dia-a-dia da nossa silvicultura!

Uma caminhada por diferentes atalhos, vai propiciar uma vista geral de tudo – empresas diferentes, serviços diversos, procedimentos variados e consequentemente florestas com produtividades distintas, em mesma região, com mesmo solo, mesma quantidade de chuva e o mesmo material genético! É fácil perceber e não precisa ser especialista – muda a empresa, muda quem faz, muda e muda muito a qualidade das florestas. Uma realidade nua e crua! Só falta achar que essas diferenças são normais!

Essas observações permitem evidenciar algumas pistas: há empresas em que se observam, de forma generalizada, boas e ótimas florestas. Em outras a qualidade varia e em algumas fica a impressão de que não há preocupação com os serviços e a qualidade das florestas- o negócio é plantar! Em resumo – há empresas bem alinhadas com o que há de tecnologia, executam com precisão os procedimentos operacionais e, com certeza, alcançam altas produtividades. Estas, com certeza, estarão aptas a novos saltos tecnológicos e ao universo das inovações de todo tipo – já sabem e dominam com maestria o arroz com feijão. Com certeza, serão as empresas de vanguarda que levarão a silvicultura brasileira a outros patamares econômicos, sociais e ambientais.

Há, no entanto, empresas com “arroz papa” e feijão sem tempero. Apesar de muito arrojo e discurso pomposo, continua o trivial mal feito. E, por exemplos anteriores, só com coragem e correria não se melhora a qualidade das refeições. E na silvicultura a novela se repete! Pode-se até fazer discursos e falar em tecnologias modernas, mas a produtividade das florestas não muda. Essa gente vai precisar correr atrás do prejuízo! E não adianta nada a impressão de que vai tudo bem, obrigado!

Diante desse quadro, fica a pergunta – qual a participação dessa parcela que pensa e fala que faz, mas não vê que não faz? É difícil mensurar! Mas caberia uma quantificação mais detalhada, pois essa parcela vai ter rebatimento direto na produtividade, que parece estar em queda! E essa quantificação também seria importante para se ter uma noção clara dos protagonistas de nossa silvicultura, que estão realmente aptos a falar em sustentabilidade, tecnologias avançadas, inovações disruptivas, valorizações socioambientais, agregação de valores às florestas, ESG, adicionalidades, créditos de carbono e por aí afora!

Aproveitando a oportunidade – como vai o estoque de madeira para os próximos 10 anos? Vamos atrás de inovações disruptivas ou vamos cuidar de fazer bem temperado o “arroz com feijão”?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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