GRITO DE ALERTA – OPORTUNO, MOTIVADOR E ESTRATÉGICO!

Há poucos dias, o Presidente do Conselho Deliberativo da IBA, o Dr. Antonio Joaquim de Oliveira, deu uma importantíssima contribuição estratégica à silvicultura brasileira. Em seu artigo publicado em várias revistas e comentado em grupos de ZAP, o Dr. Joaquim colocou a produtividade das florestas como grande desafio a ser superado pelas empresas e instituições de pesquisas nos próximos anos!

Nada de novo para um assunto que tem chamado a atenção há algum tempo de todos os silvicultores. No entanto, vale muito a origem do grito de alerta. Não foi de pesquisadores ou de instituições de pesquisas, nem dessa ou daquela empresa, tendo à mão os dados de inventários das florestas. Esse pessoal, de variadas formas, até que tem berrado, mas nada tem mudado de forma expressiva. As mudanças continuam restritas a algumas empresas.

Desta vez, o grito desafiador foi do Presidente do Conselho Administrativo da entidade nacional, que representa todos os segmentos industriais, que consomem madeira e que só se sustentarão, a médio e longo prazo, com a produção das florestas plantadas! Alerta em defesa da sustentabilidade do rico patrimônio florestal e industrial que gera milhões de empregos, além de importante contribuinte do PIB Nacional. Grito de alerta com propriedade e legitimidade, e que merece os cumprimentos e a respeitosa admiração da silvicultura brasileira!!!

Pode ser a chacoalhada tão necessária e com a autoridade de Presidente do C.A. de entidade representativa setorial de tamanha importância! Grito de alerta a tempo de pesquisadores, instituições de pesquisas e empresas, que existem em função da madeira de florestas plantadas, se coçarem e tomarem as devidas providências a tempo e à moda da conveniência de cada interessado. Grito dos que conhecem a importância das florestas e os desafios a serem superados em toda a cadeia de produção. Com certeza, um alerta não para desesperar, mas muito mais para garantir apoio, incentivo e motivação!
Grito de alerta dos que conhecem a competência e capacidade profissional dos pesquisadores, instituições de pesquisas e empresas que tratam da silvicultura brasileira. Grito de alerta dos que já participaram e se beneficiam do desenvolvimento tecnológico e da superação de inumeráveis obstáculos! Grito de alerta dos que reconhecem que a sustentabilidade da silvicultura brasileira vai sempre exigir adequações e melhorias contínuas em seus processos de produção!

Há quem diga, que o passo mais importante para que as pedras começassem a se mover, seria um “grito de alerta” com legitimidade suficiente para dar à floresta a devida valorização estratégica como fator essencial à sustentabilidade patrimonial. E assim foi feito! A floresta, com certeza, está sendo recolocada na mesa dos executivos que decidem o futuro das indústrias de base florestal.

Parabéns ao Conselho Deliberativo da IBA e ao seu Presidente Dr. Antonio Joaquim pelo “grito de alerta!“ E que essa importante entidade mantenha o apoio às instituições de pesquisas e pesquisadores e, acima de tudo, a visão estratégica das florestas para sustentabilidade das indústrias brasileiras de base florestal!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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“POR QUE NÃO FALAS”?

Quem tem acompanhado o desenvolvimento da silvicultura brasileira deve ter notado grande diferença no comportamento das empresas, entidades representativas e até instituições de pesquisas diante de questões polêmicas que surgem de tempos em tempos!

Lá atrás, um batalhão se mexia em defesa da silvicultura! Atualmente, assusta a complacência do setor diante de críticas tão contundentes e de oportunidades que passam sem nenhuma discussão, sem nenhuma reivindicação e envolvimento dos possíveis interessados!

Antes, a qualquer manifestação que causasse polêmica, havia sempre uma pronta resposta! Há quem aposte que até o próprio incentivo fiscal, que todos usufruíram, de pequenas a grandes empresas, só se manteve em pé, graças ao esforço permanente das entidades representativas – ARBRA, ANFCP, ABRACAVE, SBS, dentre outras. Nada ficava sem uma resposta, sem um posicionamento setorial. Nem tudo se resolvia, até porque muitas encrencas eram justificadas por barbeiragens de campo, comuns numa atividade sem tradição, com muito dinheiro envolvido e bruxarias dos picaretas que andavam às soltas. Manchavam o setor, mas a reação era imediata pela massa de interessados e empresas executoras de bons projetos. Esse pessoal dava total apoio às atuantes entidades representativas da época.

Juntamente com as escolas e instituições de pesquisas eram produzidos e distribuídos documentos técnicos, explicando e divulgando informações sobre o reflorestamento, que crescia em várias regiões. Por muito tempo, o grande nó enfrentado pela atividade tratava da “monocultura do eucalipto e do deserto verde”. Uma discussão que nunca se esgotou e que tem se desdobrado, de tempos em tempos, em inúmeras polêmicas regionais. Antes, tudo sob o acompanhamento atento das entidades e prontas respostas das empresas envolvidas.

E da mesma forma que se prestavam para defesa da atividade, havia ampla união para pleitos e melhorias das legislações vigentes. Nem pedradas no setor, nem distorções nas legislações e muito menos oportunidades legais passavam desapercebidas sem intensas discussões e o crivo das entidades representativas. Percebia- se assim, o pulsar e a motivação de um setor com vida. Essa movimentação integrada servia como mola propulsora de uma atividade que crescia, num momento em que surgiam as grandes indústrias que necessitariam de muita madeira!

Foi o período áureo da silvicultura brasileira. Período de inspiração, de construção e de brilhantes construtores! A atividade cresceu, se desenvolveu e deu origem às indústrias, que se agigantaram! E as florestas, como obra pronta, se mantiveram num processo bem-sucedido e consolidado, mas como parte dos grandes empreendimentos. E passaram a cumprir, exclusivamente, a função de suprimento de matéria-prima e obrigatoriamente a custos competitivos! Sumiram os entusiasmados construtores e a obra consolidada calou-se.

Nos dias atuais, ao se olhar essa atividade tão exitosa, geradora de tantas riquezas e de ricos patrimônios industriais, lembramos do comentário feito por um ex-professor nosso da ESALQ ao comparar a nossa silvicultura à mais famosa escultura de Michelangelo. O escultor italiano esculpiu em um bloco de mármore maciço e levou cinco anos para concluir. Ao terminar, Michelangelo ficou tão impressionado com o resultado pela sua beleza e realismo que exclamou “Perché non parli”? Ou traduzindo – “POR QUE NÃO FALAS”?

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FUNDO CLIMA – FLORESTAS NATIVAS E OS RECURSOS HÍDRICOS!

As conversas mais recentes sobre mudanças climáticas, agora giram em torno do Fundo Clima, constituído para apoiar projetos que tratem de atividades que contribuam para reduzir a emissão de gases do efeito estufa e as adaptações necessárias para o enfrentamento das mudanças climáticas. Seu Conselho Gestor, composto por 28 membros, priorizou as metas iniciais, que tratam do desenvolvimento urbano, logística e transporte, transição energética, serviços e inovações e florestas nativas e recursos hídricos!

O Governo está envolvido diretamente no assunto. À frente das iniciativas parecem estar o Ministério da Fazenda com o BNDES firme na captação e movimentação de recursos e o Meio Ambiente na coordenação geral do programa. O BNDES, tem se mostrado protagonista – chave, com disposição e dinheiro para animar a proposta. Fala-se, inicialmente, em 10 bilhões de reais.
Finalmente, surge uma ótima novidade para o setor florestal – estamos com as florestas nativas como uma das alternativas a serem contempladas! Que ótimo! Mas, e agora?

Depois desses passos iniciais, parece imprescindível que o setor florestal, através de suas empresas e entidades representativas, corram atrás das regras e das orientações burocráticas para que o setor florestal possa participar, de fato, desse assunto. Seria ótimo, se surgisse um Programa Nacional de Florestas para esse objetivo, com prazos, metas e áreas prioritárias para serem manejadas ou restauradas. Que surjam projetos com ampla visibilidade para que se evitem as oportunas e inconvenientes espertezas dos atentos plantonistas! E com urgência, haja vista o que disse o Presidente do BNDES, numa apresentação do Fundo – “ é bom que todos se apressem, pois a demanda será grande e a fila já está longa…”. E não é segredo para ninguém, que nosso setor florestal não tem sido tão rápido na procura de caminhos para seu próprio interesse.

Boas notícias e algumas provocações a serem respondidas! – Só floresta nativa vai ser contemplada? Vai se tratar de manejo ou de plantios para restaurações? Esses projetos também poderão se habilitar ao mercado de carbono? E se alguns projetos com espécies exóticas –por exemplo, o eucalipto ou pinus – apresentarem adicionalidades, a serem determinadas, e que promovam enriquecimentos ambientais e sociais, terão chance de serem contemplados? Enfim, a quem caberá estabelecer regras, mostrar os encaminhamentos burocráticos, aprovar e monitorar os resultados? Será o Serviço Florestal Brasileiro?

Que bom, que já temos muitas promessas e entusiasmo de parte das instituições governamentais. Há tempos, não se ouvia falar em alternativas que pudessem alavancar o setor florestal! Tomara que não percamos esse momento, que nos parece tão oportuno. E que o setor florestal se mexa o suficiente para que essas propostas se tornem realidade!
Há muito a ser feito. É hora de nos coçarmos!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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EVENTOS RETUMBANTES E OS ALERTAS QUE FICARAM!

A semana de 6 a 11 de agosto/2023 merece registro especial no calendário da história do setor florestal! Tivemos o Encontro Brasileiro de Silvicultura e Colheita e a Expoflorest-2023, organizados pela Malinoviski Feiras e Eventos. Um sucesso retumbante! Cabem os nossos cumprimentos aos organizadores e a todos que participaram dos brilhantes eventos. O setor florestal ficou enriquecido com a presença de quase 40.000 pessoas de mais de 40 países!

De todos que estiveram presentes só se ouviu elogiosas referências! Foi mais uma inquestionável demonstração da grandiosidade e importância do setor florestal e da capacidade e empreendedorismo de empresas e profissionais do Brasil!

Em meio a tantos e ricos comentários de quem esteve presente, destacaram-se alguns alertas que merecem registro e reflexão:

1- o gigantismo e o brilhantismo de tudo se transforma em tremendo paradoxo diante do nanismo institucional, em que se encontra metido o setor florestal brasileiro;

2- a riqueza tecnológica exposta e colocada à disposição dos visitantes foi uma demonstração inequívoca da corrida tecnológica pela automação, informatização e conectividade dos serviços silviculturais;

3- o “grito da produtividade” representado pela palestra do Prof. Jose Luiz Stape – Mudanças climáticas e produtividade – no dia 7 de agosto , no Encontro de Silvicultura, deverá servir de alavanca estratégica para dar rumos à pesquisa florestal – “ é imprescindível e urgente que se instale uma rede experimental de interesse nacional para que se possa promover a seleção e identificação dos melhores materiais genéticos para aumentar a produtividade de nossas florestas plantadas”.

Enfim, com certeza, o setor florestal estará sempre agradecido pelos sinais estratégicos de eventos tão retumbantes! São alertas para reflexão e providências empresariais e governamentais – o paradoxo entre a representatividade do setor e a fragilidade institucional a que estamos submetidos, o desenvolvimento tecnológico que caminha na direção de resolver problemas da carência quantitativa de mão- de-obra e as marteladas vigorosas na necessidade de se cuidar da produtividade de nossas florestas plantadas com mais pesquisas e uso dos recursos científicos disponíveis!

Fica o registro para reflexão – de quem viu e sentiu bem de perto, e para quem só ouviu as informações de tudo que aconteceu nessa semana histórica promovida pela Malinoviski Feiras e Eventos. Reiteramos nossos cumprimentos!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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E O FOGO CHEGOU, TÃO ASSUSTADOR COMO SEMPRE!

E a estação de fogo está aí! E não há quem não se preocupe!

Na casa do Sr.Pedro, dono de uma floresta de 35 ha de eucalipto acabou a tranquilidade – sempre alguém fica de plantão, com os abafadores preparados e o tratorzinho pronto para qualquer encrenca! E lá, ainda, ouvimos do Sr. Pedro“ chegou a estação das preocupações, todo dia, toda hora, a qualquer momento pode começar a correria para salvar nosso ganha-pão”. De um pequeno produtor, tanta preocupação, tanta angústia. Que desespero!

Foi esse depoimento de tanto medo, que nos remeteu às preocupações que deve reinar entre os grandes detentores de extensas áreas florestais em diferentes regiões brasileiras! E daí, algumas indagações – será que nessa briga com o fogo, há possibilidade de vitória só com correria?

Ainda, aproveitando a lição do Sr. Pedro – “ tenho medo e muito medo de acidente com os filhos e amigos que entram em pânico e sem preparo se metem nessa encrenca” – será que nessas grandes áreas de florestas as empresas estão preparadas para evitar esses problemas? Será que, ainda contam só com a boa vontade das pessoas, que se atiram de corpo e alma nessa briga? Há plena consciência de que o homem treinado e com equipamentos adequados ainda é a única alternativa para se combater o fogo? E que, usar pessoas despreparadas, é correr risco de perder floresta e gente?

Há quem aposte que nessas áreas com florestas nas mãos de empresas bem estruturadas todos esses cuidados são tomados! Que assim seja.. Mas há quem teime em acreditar que nem sempre os cuidados preventivos são tomados por todos – ainda pode existir empresas que não adotam os cuidados preventivos e que pensam em contar só com a disposição e boa vontade de pessoas sem treinamento e desprovidas de equipamentos adequados. São casos, em que falta mesmo é responsabilidade empresarial e profissional! Tomara que sejam raras exceções!

Nesse período, há de se destacar o excelente trabalho de divulgação e orientações de muitas entidades do setor! No Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Minas Gerais, entre outros, as entidades realizam trabalhos exemplares chamando a atenção das empresas para os cuidados preventivos, à disponibilidade de equipamentos adequados e, acima de tudo, ao treinamento e colaboração de todos nas regiões afetadas. Nossos cumprimentos às entidades e empresas pelos cuidados preventivos com as florestas e com seus colaboradores!

Na verdade, combater o fogo com cuidados preventivos, equipamentos adequados e treinamento dos combatentes é respeitar a vida e valorizar a silvicultura!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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REFLORESTAMENTO PARA “SILVICULTURA DE CARBONO”, O QUE FALTA?

O setor de florestas plantadas, que surgiu com o nome de reflorestamento, talvez tenha sido um bom exemplo de políticas públicas já existentes no Brasil. O Código Florestal de 1965, naquela época, preconizava o reflorestamento para suprir demandas industriais à base de madeira das espécies nativas! E em 1967, surgia a política de incentivos fiscais para reflorestamento, que se estendeu até 1987! Estima- se ter havido plantio de 5 milhões de hectares, e dificuldades inumeráveis. Não existia nada e tudo foi criado e aprimorado com o tempo.

Com acertos e erros, com falhas na deficiente estrutura de comando e controle, com variadas adversidades e polêmicas, valeu muito o esforço de brilhantes profissionais para o sucesso da atividade rural, que foi se consolidando! Foram gerados mais de 3 milhões de empregos nas diversas cadeias produtivas e o Brasil se tornou líder mundial na produção de celulose de fibra curta, no maior produtor de aço à base de carvão vegetal e um dos grandes produtores de chapas de madeira.

O Brasil consolidou a silvicultura mais competitiva, em nível mundial e desenvolveu riquíssimo patrimônio industrial. De forma sucinta, esse foi o resultado da participação do Governo Federal, através de política pública para responder às demandas que exigiam urgentes providências!
A muitos que viveram e conheceram essa rica história fica uma pergunta – diante do clamor e das oportunidades que se vislumbram para créditos de carbono, o que falta para que se tenha, através de reflorestamento, um grande Programa Governamental de Restauração Florestal? Estaremos aproveitando-se de áreas degradadas para plantios de espécies nativas, protegendo nossos vitais recursos hidrológicos, biodiversidade e solos em estado de erosão. São serviços ambientais de valores incalculáveis! Há, no entanto, que se ter regras bem definidas para localização e procedimentos para que se torne realidade essas oportunidades para os créditos de carbono tão propalados. Afinal, é ou não é uma legítima demanda de toda a sociedade?

Já temos a “silvicultura do metro cúbico” para produção de madeira industrial mais competitiva, em nível mundial! Temos experiência e conhecimentos acumulados, competência profissional e vastas áreas a serem protegidas. Há algum tempo, temos assistido a um esforço danado, de grupo restrito de empresas e de pesquisadores, para colocar em pé a “silvicultura de carbono”, enquanto a realidade de campo continua quase uma abstração e restrita à iniciativas desbravadoras! Há de se encontrar os caminhos institucionais e legais que tornem essas oportunidades em negócios reais com resultados e compromissos concretos e aferíveis!

Será que não está passando da hora de se estabelecer um Programa Governamental de Restauração Florestal para atender a essas demandas? Que se façam as adequações necessárias nas experiências vividas anteriormente, que se usem os recursos e ferramentas tecnológicas disponíveis, que se envolvam as estruturas existentes de ensino e pesquisas e que se utilize da competência profissional desenvolvida para tal fim. Só não há razão para se deixar passar, sem o devido esforço e atenção de todo o setor e especialmente de nossos governantes, os clamores e oportunidades tão propagadas em reuniões e discursos internacionais!

Vamos torcer para que essa realidade esteja ao alcance de toda a sociedade. Com certeza, estaremos iniciando uma nova atividade com enormes possibilidades de se destacar, a curto prazo, em nível mundial!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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DEPOIS DE MAIS 40 ANOS, A MESMA AMIZADE É FESTEJADA!

Neste final de semana, dias 21 e 22 de julho, mais uma vez esteve reunida a Equipe Florestal da RIPASA/ ANOS 80. Com muita cordialidade e carinho, o Grupo teve maravilhosa acolhida na chácara da família do Eng. Edson Balloni, em Jaguariaíva –PR. Um show de recepção, de amabilidade, carinho e amizade. De coração, nossos cumprimentos e agradecimentos! Na oportunidade foi feita uma visita a Braspine e fomos recebidos por um de seus fundadores, o Sr. Armando Giacomet . Ali, tivemos uma lição de engenharia florestal – uma indústria que “cheira floresta” “da portaria ao empacotamento de pellets – limpeza impecável, explicações detalhadas, um exemplo de aproveitamento e valorização da madeira. Os nossos cumprimentos e a certeza de que se trata de indústria- modelo para ser visitada por todos que se dedicam à engenharia florestal.


À semelhança dos encontros anteriores – quase 10, nesses 40 anos – muitas conversas e ótimas recordações de nossa convivência profissional. Um Grupo de Amigos formado no dia-a-dia num ambiente de trabalho com muito respeito, confiança e permanente colaboração entre todos da equipe. E depois de tantos anos, a grata sensação de que continua tudo do mesmo jeito! Mesma disposição, o mesmo entusiasmo, o mesmo otimismo. Nem o peso dos anos abateu sentimentos tão consolidados numa filosofia de trabalho que sempre resultava em excelentes soluções operacionais à empresa. Nada era complicado e impossível. Para tudo conseguia-se solução com muita conversa e colaboração.

Consolidou-se uma amizade fraterna para sempre! Tem sido sempre um privilégio recordar as dificuldades ,limitações e superações sem nunca ter criado qualquer tipo de competição, sem nunca deixar de atender aos interesses da empresa e sem perder, em nenhum momento, o respeito pela integridade e responsabilidade de toda a equipe. Há 40 anos atrás, cultivávamos a integração e a colaboração em nosso ambiente do dia-a-dia. A empresa ganhou muito e vivemos anos de muitas felicidades e realizações profissionais. Nesses dias de reuniões conjuntas, agradecemos de coração o desprendimento de todos em favor do bem, união e satisfação da equipe. Uma lição de vida para não ser esquecida e para ser sempre comemorada e compartilhada com os amigos do setor florestal!

Faziam parte dessa maravilhosa equipe os engenheiros Balloni, Salmeron,Rubens,Zani,Osvaldo,Guerreiro,Lineu e Nelson, todos presentes à reunião, além de Stape, Ademir,Francisco, Pablo e Ubirajara que não puderam comparecer. Uma lembrança especial e nossos sentimentos pela ausência do saudoso Edson, que nos deixou – ele sempre participou dos encontros com muita alegria e entusiasmo!


E a turma firme e forte já está se programando para novos encontros. E que os ausentes não faltem! Só gratidão e felicidades a todos do Grupo!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS, OS NOVOS SALTOS E AS LIÇÕES QUE FICARÃO!

A silvicultura do metro cúbico, aquela de formar florestas para industrialização com 6/7 anos, está a 150 por hora! É só passar pelas regiões onde os projetos estão sendo implantados e vai perceber, sem muito esforço, o corre-corre desenfreado! No momento, o Mato Grosso do Sul, parece ser o centro das atenções!

Observa-se de tudo – demanda de todos os lados, escassez de máquinas e serviços, de mudas e disparadamente de gente – em todos os níveis, para todas as atribuições e responsabilidades! Há trabalho para todos, empresas promovendo treinamento, profissionais ensinando e batalhando, consultores de diferentes especializações atuando e no campo o serviço corre dia e noite!

Os programas são gigantescos e as programações futuras de matéria-prima só crescem. Nessa correria ainda vale muito a fazeação. E, exatamente, nessa hora pesa muito a experiência e o conhecimento das pessoas, a facilidade para compartilhar informações, a disposição para ensinar e aprender, enfim o grande exercício de saber conviver e de respeitar as pessoas e colaboradores em todos os momentos. Esse perfil profissional, “com conhecimento entre as orelhas”, segundo pesquisa da Embrapa, faz a diferença e supera dificuldades e limitações. Todos procuram!

E que interessante – encontram-se brilhantes profissionais, até então no anonimato, e prontos para o desafio; depara-se com gente nova necessitando de apoio e atenção, e se percebe a disposição da terceirização, acelerando a profissionalização e com maior comprometimento com resultados e qualidade dos serviços. Como importante destaque, há de se registrar a preocupação de muitas empresas no sentido de se aumentar a capacidade de treinamento e qualificação de colaboradores. Aqui, há de se ressaltar e valorizar a participação e experiência de renomados consultores. Aliás, não há outra saída, a não ser educar e treinar pessoas para dar sustentabilidade a esse crescimento!

Afora as encrencas com a falta de gente, também há outros desafios que demandam atenção. Há problemas necessitando de mais pesquisas – e aqui fica evidente, dentre outros aspectos, a urgência de se enriquecer a base genética das populações que se formam – assim como, problemas do século passado, que ainda rondam as empresas – como é o caso das encrencas com as formigas, que não estão para brincadeira e dispostas, na cara dura, a comer mais e mais florestas!

E há também expectativas para novidades – muita gente querendo saber dos créditos de carbono, de possíveis adicionalidades na formação das florestas, da recuperação de áreas degradadas com espécies nativas, dos serviços ambientais, além de mecanismos estratégicos para se resgatar os pequenos e médios produtores, que continuam assustados com a silvicultura. Aliás, com medo dos preços da madeira, que já deixou, lá atrás, muita gente sem conseguir pagar as contas!

Juntando-se tudo, resta a expectativa do resultado desse grande salto na quantidade de florestas plantadas! Com certeza, estará mostrando a importância da silvicultura como fator de desenvolvimento social e ambiental da região.

Tomara que escolas, empresas e o próprio Governo usem o aprendizado desse novo salto, suas causas e consequências para as devidas avaliações e imprescindíveis políticas públicas para garantir a sustentabilidade, de fato, da silvicultura brasileira na região e no Brasil!

Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS: AGORA É HORA DE SE CUIDAR DA MÃO-DE-OBRA!

A silvicultura brasileira passa por momento desafiador! Além da produtividade das florestas plantadas, que há anos dá pique no lugar, surgem sérias dificuldades com mão-de-obra para serviços operacionais e de apoio. Há escassez em quantidade e qualidade!

Quanto à produtividade, destacam-se iniciativas daqui e dali, mas sempre voltadas às necessidades e conforme a competência de cada empresa. Nada que mude a cartilha geral. E não causa qualquer surpresa, quando se menciona que nos anos 80/ 90, já se falava em produtividade de 40 metros cúbicos por ha/ano, e que nos dias atuais, a produtividade média não chega aos valores lá de trás! 

Essas informações, com certeza, devem causar sérias preocupações aos consumidores dessa valiosa matéria –prima. Com demanda crescendo continuamente e com estoques de madeira sujeitos às vulnerabilidades diversas, não há como não se preocupar! E há de se colocar, ainda nesse balanço, os problemas de pragas e doenças que se agravam, as áreas de florestas que estão sendo substituídas por agricultura, o manejo inadequado das brotações, o desinteresse dos fomentados, dentre outras adversidades do dia-a-dia!

Nada disso é novidade, e nem causaria qualquer preocupação, se não estivesse surgindo no setor uma nova encrenca – a escassez de mão-de-obra! Ter um estoque de madeira condizente com suas necessidades já não é tão simples, como há anos atrás. E também não existem mais os estoques marginais com madeira “a preço de banana” para socorros emergenciais. Defasagens nos estoques florestais podem causar prejuízos incalculáveis!

 Há de se considerar, no entanto, que a escassez de mão-de-obra rural é problema generalizado em várias regiões, e só nos últimos anos tem atingido também a silvicultura. Afeta, principalmente, as regiões dos grandes empreendimentos florestais. Falta gente em quantidade e treinada para atender a toda cadeia de serviços na formação e manejo das florestas. E, consequentemente, surgem problemas com a quantidade, qualidade e prazos para execução dos serviços. São encrencas que podem impactar até a produtividade das florestas!

Há quem aposte em mudanças nas posturas empresariais para solução de tais dificuldades. E nesse sentido, parecem imprescindíveis medidas como elevar e valorizar a profissionalização de terceiros; o estímulo e apoio à mecanização das atividades operacionais; implementação de cursos para preparação e treinamentos especializados; criação de mecanismos para valorizar a qualidade dos serviços prestados e a fidelização dos colaboradores, dentre inúmeras outras providências!

O interessante a se destacar é que essas novas posturas empresariais, além de evitar solução de continuidade dos programas florestais, devem promover avanços expressivos no lado social da atividade. 

Ganha e ganha muito a silvicultura!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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OS PROFISSIONAIS QUE MUDARAM A SILVICULTURA!

Não há quem negue o extraordinário desenvolvimento técnico na forma de se formar florestas nos últimos 50 anos! Também é inegável que essa evolução tenha sido quase uma imposição das demandas então existentes. No entanto, há de se destacar alguns aspectos de grande relevância que predominavam à época – as empresas com suas diretorias florestais tinham poder de decisão e decidiam, de fato! E a silvicultura agradecia; havia um senso de colaboração entre as empresas e todos participavam sem nenhum sinal de competição. Na ocasião, o “compliance da época” exigia colaboração, com liberdade e sem segredo para o bem de todos. E a silvicultura continuava agradecendo!

Tudo bonito, mas o que valia mesmo eram os brilhantes profissionais que ao sinal de qualquer dificuldade não poupavam esforços na solução dos problemas!
E há registro de exemplos aos montes – o material genético era um enorme problema e limitação. Bastaram algumas conversas e já dispúnhamos de sementes da melhor qualidade trazidas da Austrália – salve nosso saudoso Dr.Ronaldo Guedes Pereira e seu amigo inseparável e ainda vigilante no setor, o Dr. Antonio Rensi Coelho. Deram enorme contribuição ao setor e ao Brasil. Um ganho de inestimável e estratégico valor para a silvicultura brasileira! O IPEF sob a batuta do Prof. Helladio do Amaral Mello e sua excelente equipe de colaboradores incentivou a pesquisa entre empresas e universidades, da mesma forma que a SIF, em Viçosa e, o FUPEF em Curitiba. Instituições que resultaram unicamente da disposição e decisão dos profissionais que lideravam suas empresas! E quantas realizações, quantos investimentos e que tamanha facilidade para que as “coisas” acontecessem! Até a clonagem de eucalipto cercada de tantos segredos tecnológicos, de repente, estava à disposição de todo o setor – o Dr. Leopoldo Brandão e seu fiel escudeiro, o Eng. Edgar Campinhos resolveram o problema da Aracruz e abriram as portas da empresa para todos que queriam trabalhar com clones!
E assim, há inúmeras contribuições que enriqueceram a atividade e beneficiaram a todos. Sem vaidades e sem ciúmes, sempre caberá o devido reconhecimento, em torno da iniciativa desse ou daquele profissional – verdadeiros vanguardeiros dessa nossa silvicultura rica e admirada no mundo!

E a razão de importantes recordações? A convicção de que havemos de nos despertar para as novas demandas e aos novos desafios de nossa silvicultura!

Sem choro e nem vela! Que tudo está mudado todos sabem! O que parece difícil de se entender são as razões da falta de ações concretas diante das dificuldades e limitações que passam à frente de todos nós!

De um lado, há problemas a serem resolvidos e muitas questões sem rumo definido. Será que alguém duvida disso? Fala-se em queda de produtividade, dos matérias genéticos que já não atendem adequadamente a todos, dos programas de fomento que continuam mais “para boa vizinhança” do que como estratégia de suprimento de madeira, das pragas que aumentam sem alarde, e até das formigas que estão mais resistentes e teimosas; preconiza-se o manejo das florestas plantadas direcionadas à sustentabilidade, o pagamento dos serviços ambientais, a proteção de águas, da biodiversidade e a harmonização das florestas plantadas com as paisagens; fala-se em recuperação de áreas degradadas e de créditos de carbono e há mais e mais pendências… e nenhum sinal concreto de “coisas novas”!

De outro lado, há muitas dificuldades para se reunir interessados e colaboradores e com certeza, não faltam profissionais competentes. Um esforço conjunto e integrado está se tornado cada vez mais necessário. Há de se juntar lideranças que decidam, de fato! Será que a voz da floresta já não ecoa nas reuniões empresariais com a mesma intensidade? Será que o período de “vacas gordas” com abundância de madeira congelou o poder de decisão da floresta?

Recordar e lembrar do sucesso, lá de trás, deve obrigar a todos nós a uma reflexão “do que fazer e como fazer”. Não podemos deixar que a nossa silvicultura perca a invejável competitividade e que realmente se torne sustentável.

Que mantenhamos acesa a valorização da tecnologia e dos profissionais e que, acima de tudo, nossas lideranças empresarias tenham força e fôlego para tomar as decisões que dão vida ao setor no presente e criam oportunidades para o crescimento e desenvolvimento de nossa silvicultura no futuro!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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