REFLORESTAMENTO PARA “SILVICULTURA DE CARBONO”, O QUE FALTA?

O setor de florestas plantadas, que surgiu com o nome de reflorestamento, talvez tenha sido um bom exemplo de políticas públicas já existentes no Brasil. O Código Florestal de 1965, naquela época, preconizava o reflorestamento para suprir demandas industriais à base de madeira das espécies nativas! E em 1967, surgia a política de incentivos fiscais para reflorestamento, que se estendeu até 1987! Estima- se ter havido plantio de 5 milhões de hectares, e dificuldades inumeráveis. Não existia nada e tudo foi criado e aprimorado com o tempo.

Com acertos e erros, com falhas na deficiente estrutura de comando e controle, com variadas adversidades e polêmicas, valeu muito o esforço de brilhantes profissionais para o sucesso da atividade rural, que foi se consolidando! Foram gerados mais de 3 milhões de empregos nas diversas cadeias produtivas e o Brasil se tornou líder mundial na produção de celulose de fibra curta, no maior produtor de aço à base de carvão vegetal e um dos grandes produtores de chapas de madeira.

O Brasil consolidou a silvicultura mais competitiva, em nível mundial e desenvolveu riquíssimo patrimônio industrial. De forma sucinta, esse foi o resultado da participação do Governo Federal, através de política pública para responder às demandas que exigiam urgentes providências!
A muitos que viveram e conheceram essa rica história fica uma pergunta – diante do clamor e das oportunidades que se vislumbram para créditos de carbono, o que falta para que se tenha, através de reflorestamento, um grande Programa Governamental de Restauração Florestal? Estaremos aproveitando-se de áreas degradadas para plantios de espécies nativas, protegendo nossos vitais recursos hidrológicos, biodiversidade e solos em estado de erosão. São serviços ambientais de valores incalculáveis! Há, no entanto, que se ter regras bem definidas para localização e procedimentos para que se torne realidade essas oportunidades para os créditos de carbono tão propalados. Afinal, é ou não é uma legítima demanda de toda a sociedade?

Já temos a “silvicultura do metro cúbico” para produção de madeira industrial mais competitiva, em nível mundial! Temos experiência e conhecimentos acumulados, competência profissional e vastas áreas a serem protegidas. Há algum tempo, temos assistido a um esforço danado, de grupo restrito de empresas e de pesquisadores, para colocar em pé a “silvicultura de carbono”, enquanto a realidade de campo continua quase uma abstração e restrita à iniciativas desbravadoras! Há de se encontrar os caminhos institucionais e legais que tornem essas oportunidades em negócios reais com resultados e compromissos concretos e aferíveis!

Será que não está passando da hora de se estabelecer um Programa Governamental de Restauração Florestal para atender a essas demandas? Que se façam as adequações necessárias nas experiências vividas anteriormente, que se usem os recursos e ferramentas tecnológicas disponíveis, que se envolvam as estruturas existentes de ensino e pesquisas e que se utilize da competência profissional desenvolvida para tal fim. Só não há razão para se deixar passar, sem o devido esforço e atenção de todo o setor e especialmente de nossos governantes, os clamores e oportunidades tão propagadas em reuniões e discursos internacionais!

Vamos torcer para que essa realidade esteja ao alcance de toda a sociedade. Com certeza, estaremos iniciando uma nova atividade com enormes possibilidades de se destacar, a curto prazo, em nível mundial!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

DEPOIS DE MAIS 40 ANOS, A MESMA AMIZADE É FESTEJADA!

Neste final de semana, dias 21 e 22 de julho, mais uma vez esteve reunida a Equipe Florestal da RIPASA/ ANOS 80. Com muita cordialidade e carinho, o Grupo teve maravilhosa acolhida na chácara da família do Eng. Edson Balloni, em Jaguariaíva –PR. Um show de recepção, de amabilidade, carinho e amizade. De coração, nossos cumprimentos e agradecimentos! Na oportunidade foi feita uma visita a Braspine e fomos recebidos por um de seus fundadores, o Sr. Armando Giacomet . Ali, tivemos uma lição de engenharia florestal – uma indústria que “cheira floresta” “da portaria ao empacotamento de pellets – limpeza impecável, explicações detalhadas, um exemplo de aproveitamento e valorização da madeira. Os nossos cumprimentos e a certeza de que se trata de indústria- modelo para ser visitada por todos que se dedicam à engenharia florestal.


À semelhança dos encontros anteriores – quase 10, nesses 40 anos – muitas conversas e ótimas recordações de nossa convivência profissional. Um Grupo de Amigos formado no dia-a-dia num ambiente de trabalho com muito respeito, confiança e permanente colaboração entre todos da equipe. E depois de tantos anos, a grata sensação de que continua tudo do mesmo jeito! Mesma disposição, o mesmo entusiasmo, o mesmo otimismo. Nem o peso dos anos abateu sentimentos tão consolidados numa filosofia de trabalho que sempre resultava em excelentes soluções operacionais à empresa. Nada era complicado e impossível. Para tudo conseguia-se solução com muita conversa e colaboração.

Consolidou-se uma amizade fraterna para sempre! Tem sido sempre um privilégio recordar as dificuldades ,limitações e superações sem nunca ter criado qualquer tipo de competição, sem nunca deixar de atender aos interesses da empresa e sem perder, em nenhum momento, o respeito pela integridade e responsabilidade de toda a equipe. Há 40 anos atrás, cultivávamos a integração e a colaboração em nosso ambiente do dia-a-dia. A empresa ganhou muito e vivemos anos de muitas felicidades e realizações profissionais. Nesses dias de reuniões conjuntas, agradecemos de coração o desprendimento de todos em favor do bem, união e satisfação da equipe. Uma lição de vida para não ser esquecida e para ser sempre comemorada e compartilhada com os amigos do setor florestal!

Faziam parte dessa maravilhosa equipe os engenheiros Balloni, Salmeron,Rubens,Zani,Osvaldo,Guerreiro,Lineu e Nelson, todos presentes à reunião, além de Stape, Ademir,Francisco, Pablo e Ubirajara que não puderam comparecer. Uma lembrança especial e nossos sentimentos pela ausência do saudoso Edson, que nos deixou – ele sempre participou dos encontros com muita alegria e entusiasmo!


E a turma firme e forte já está se programando para novos encontros. E que os ausentes não faltem! Só gratidão e felicidades a todos do Grupo!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

FLORESTAS PLANTADAS, OS NOVOS SALTOS E AS LIÇÕES QUE FICARÃO!

A silvicultura do metro cúbico, aquela de formar florestas para industrialização com 6/7 anos, está a 150 por hora! É só passar pelas regiões onde os projetos estão sendo implantados e vai perceber, sem muito esforço, o corre-corre desenfreado! No momento, o Mato Grosso do Sul, parece ser o centro das atenções!

Observa-se de tudo – demanda de todos os lados, escassez de máquinas e serviços, de mudas e disparadamente de gente – em todos os níveis, para todas as atribuições e responsabilidades! Há trabalho para todos, empresas promovendo treinamento, profissionais ensinando e batalhando, consultores de diferentes especializações atuando e no campo o serviço corre dia e noite!

Os programas são gigantescos e as programações futuras de matéria-prima só crescem. Nessa correria ainda vale muito a fazeação. E, exatamente, nessa hora pesa muito a experiência e o conhecimento das pessoas, a facilidade para compartilhar informações, a disposição para ensinar e aprender, enfim o grande exercício de saber conviver e de respeitar as pessoas e colaboradores em todos os momentos. Esse perfil profissional, “com conhecimento entre as orelhas”, segundo pesquisa da Embrapa, faz a diferença e supera dificuldades e limitações. Todos procuram!

E que interessante – encontram-se brilhantes profissionais, até então no anonimato, e prontos para o desafio; depara-se com gente nova necessitando de apoio e atenção, e se percebe a disposição da terceirização, acelerando a profissionalização e com maior comprometimento com resultados e qualidade dos serviços. Como importante destaque, há de se registrar a preocupação de muitas empresas no sentido de se aumentar a capacidade de treinamento e qualificação de colaboradores. Aqui, há de se ressaltar e valorizar a participação e experiência de renomados consultores. Aliás, não há outra saída, a não ser educar e treinar pessoas para dar sustentabilidade a esse crescimento!

Afora as encrencas com a falta de gente, também há outros desafios que demandam atenção. Há problemas necessitando de mais pesquisas – e aqui fica evidente, dentre outros aspectos, a urgência de se enriquecer a base genética das populações que se formam – assim como, problemas do século passado, que ainda rondam as empresas – como é o caso das encrencas com as formigas, que não estão para brincadeira e dispostas, na cara dura, a comer mais e mais florestas!

E há também expectativas para novidades – muita gente querendo saber dos créditos de carbono, de possíveis adicionalidades na formação das florestas, da recuperação de áreas degradadas com espécies nativas, dos serviços ambientais, além de mecanismos estratégicos para se resgatar os pequenos e médios produtores, que continuam assustados com a silvicultura. Aliás, com medo dos preços da madeira, que já deixou, lá atrás, muita gente sem conseguir pagar as contas!

Juntando-se tudo, resta a expectativa do resultado desse grande salto na quantidade de florestas plantadas! Com certeza, estará mostrando a importância da silvicultura como fator de desenvolvimento social e ambiental da região.

Tomara que escolas, empresas e o próprio Governo usem o aprendizado desse novo salto, suas causas e consequências para as devidas avaliações e imprescindíveis políticas públicas para garantir a sustentabilidade, de fato, da silvicultura brasileira na região e no Brasil!

Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

FLORESTAS PLANTADAS: AGORA É HORA DE SE CUIDAR DA MÃO-DE-OBRA!

A silvicultura brasileira passa por momento desafiador! Além da produtividade das florestas plantadas, que há anos dá pique no lugar, surgem sérias dificuldades com mão-de-obra para serviços operacionais e de apoio. Há escassez em quantidade e qualidade!

Quanto à produtividade, destacam-se iniciativas daqui e dali, mas sempre voltadas às necessidades e conforme a competência de cada empresa. Nada que mude a cartilha geral. E não causa qualquer surpresa, quando se menciona que nos anos 80/ 90, já se falava em produtividade de 40 metros cúbicos por ha/ano, e que nos dias atuais, a produtividade média não chega aos valores lá de trás! 

Essas informações, com certeza, devem causar sérias preocupações aos consumidores dessa valiosa matéria –prima. Com demanda crescendo continuamente e com estoques de madeira sujeitos às vulnerabilidades diversas, não há como não se preocupar! E há de se colocar, ainda nesse balanço, os problemas de pragas e doenças que se agravam, as áreas de florestas que estão sendo substituídas por agricultura, o manejo inadequado das brotações, o desinteresse dos fomentados, dentre outras adversidades do dia-a-dia!

Nada disso é novidade, e nem causaria qualquer preocupação, se não estivesse surgindo no setor uma nova encrenca – a escassez de mão-de-obra! Ter um estoque de madeira condizente com suas necessidades já não é tão simples, como há anos atrás. E também não existem mais os estoques marginais com madeira “a preço de banana” para socorros emergenciais. Defasagens nos estoques florestais podem causar prejuízos incalculáveis!

 Há de se considerar, no entanto, que a escassez de mão-de-obra rural é problema generalizado em várias regiões, e só nos últimos anos tem atingido também a silvicultura. Afeta, principalmente, as regiões dos grandes empreendimentos florestais. Falta gente em quantidade e treinada para atender a toda cadeia de serviços na formação e manejo das florestas. E, consequentemente, surgem problemas com a quantidade, qualidade e prazos para execução dos serviços. São encrencas que podem impactar até a produtividade das florestas!

Há quem aposte em mudanças nas posturas empresariais para solução de tais dificuldades. E nesse sentido, parecem imprescindíveis medidas como elevar e valorizar a profissionalização de terceiros; o estímulo e apoio à mecanização das atividades operacionais; implementação de cursos para preparação e treinamentos especializados; criação de mecanismos para valorizar a qualidade dos serviços prestados e a fidelização dos colaboradores, dentre inúmeras outras providências!

O interessante a se destacar é que essas novas posturas empresariais, além de evitar solução de continuidade dos programas florestais, devem promover avanços expressivos no lado social da atividade. 

Ganha e ganha muito a silvicultura!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

OS PROFISSIONAIS QUE MUDARAM A SILVICULTURA!

Não há quem negue o extraordinário desenvolvimento técnico na forma de se formar florestas nos últimos 50 anos! Também é inegável que essa evolução tenha sido quase uma imposição das demandas então existentes. No entanto, há de se destacar alguns aspectos de grande relevância que predominavam à época – as empresas com suas diretorias florestais tinham poder de decisão e decidiam, de fato! E a silvicultura agradecia; havia um senso de colaboração entre as empresas e todos participavam sem nenhum sinal de competição. Na ocasião, o “compliance da época” exigia colaboração, com liberdade e sem segredo para o bem de todos. E a silvicultura continuava agradecendo!

Tudo bonito, mas o que valia mesmo eram os brilhantes profissionais que ao sinal de qualquer dificuldade não poupavam esforços na solução dos problemas!
E há registro de exemplos aos montes – o material genético era um enorme problema e limitação. Bastaram algumas conversas e já dispúnhamos de sementes da melhor qualidade trazidas da Austrália – salve nosso saudoso Dr.Ronaldo Guedes Pereira e seu amigo inseparável e ainda vigilante no setor, o Dr. Antonio Rensi Coelho. Deram enorme contribuição ao setor e ao Brasil. Um ganho de inestimável e estratégico valor para a silvicultura brasileira! O IPEF sob a batuta do Prof. Helladio do Amaral Mello e sua excelente equipe de colaboradores incentivou a pesquisa entre empresas e universidades, da mesma forma que a SIF, em Viçosa e, o FUPEF em Curitiba. Instituições que resultaram unicamente da disposição e decisão dos profissionais que lideravam suas empresas! E quantas realizações, quantos investimentos e que tamanha facilidade para que as “coisas” acontecessem! Até a clonagem de eucalipto cercada de tantos segredos tecnológicos, de repente, estava à disposição de todo o setor – o Dr. Leopoldo Brandão e seu fiel escudeiro, o Eng. Edgar Campinhos resolveram o problema da Aracruz e abriram as portas da empresa para todos que queriam trabalhar com clones!
E assim, há inúmeras contribuições que enriqueceram a atividade e beneficiaram a todos. Sem vaidades e sem ciúmes, sempre caberá o devido reconhecimento, em torno da iniciativa desse ou daquele profissional – verdadeiros vanguardeiros dessa nossa silvicultura rica e admirada no mundo!

E a razão de importantes recordações? A convicção de que havemos de nos despertar para as novas demandas e aos novos desafios de nossa silvicultura!

Sem choro e nem vela! Que tudo está mudado todos sabem! O que parece difícil de se entender são as razões da falta de ações concretas diante das dificuldades e limitações que passam à frente de todos nós!

De um lado, há problemas a serem resolvidos e muitas questões sem rumo definido. Será que alguém duvida disso? Fala-se em queda de produtividade, dos matérias genéticos que já não atendem adequadamente a todos, dos programas de fomento que continuam mais “para boa vizinhança” do que como estratégia de suprimento de madeira, das pragas que aumentam sem alarde, e até das formigas que estão mais resistentes e teimosas; preconiza-se o manejo das florestas plantadas direcionadas à sustentabilidade, o pagamento dos serviços ambientais, a proteção de águas, da biodiversidade e a harmonização das florestas plantadas com as paisagens; fala-se em recuperação de áreas degradadas e de créditos de carbono e há mais e mais pendências… e nenhum sinal concreto de “coisas novas”!

De outro lado, há muitas dificuldades para se reunir interessados e colaboradores e com certeza, não faltam profissionais competentes. Um esforço conjunto e integrado está se tornado cada vez mais necessário. Há de se juntar lideranças que decidam, de fato! Será que a voz da floresta já não ecoa nas reuniões empresariais com a mesma intensidade? Será que o período de “vacas gordas” com abundância de madeira congelou o poder de decisão da floresta?

Recordar e lembrar do sucesso, lá de trás, deve obrigar a todos nós a uma reflexão “do que fazer e como fazer”. Não podemos deixar que a nossa silvicultura perca a invejável competitividade e que realmente se torne sustentável.

Que mantenhamos acesa a valorização da tecnologia e dos profissionais e que, acima de tudo, nossas lideranças empresarias tenham força e fôlego para tomar as decisões que dão vida ao setor no presente e criam oportunidades para o crescimento e desenvolvimento de nossa silvicultura no futuro!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

Prosas e opiniões sobre florestas plantadas – lições da vida profissional!

O nosso projeto Comunidade de Silvicultura, com página no Facebook e no Instagram, está completando 8 anos em 2023, e teve cerca de 400 textos publicados, mantendo mais de 27.000 seguidores e com média de 50.000 acessos em cada postagem, tendo alguns textos com mais de 100.000 acessos!

Com esse material fizemos três e-Books que podem ser acessados pelo link: https://drive.google.com/drive/u/5/folders/1mPhCDMSsC_u8-wOcakVWu1FqtO7JmhDA

A participação de todos os amigos, que nos deram a satisfação da leitura, dos comentários, sugestões e críticas foi a grande motivação que nos manteve firmes e fortes nessa trilha. Nada de ensinar silvicultura, mas o propósito de manter aceso o interesse nas discussões de problemas, novidades, exemplos de sucesso e, acima de tudo, na valorização do profissional e no uso da tecnologia para conseguirmos boas florestas.

Estaremos agradecidos se conseguimos alcançar um pouco de tamanha pretensão. Foi uma grande lição aprendida com tudo isso! Só agradecimentos a todos que nos deram a grata satisfação da atenção e colaboração com sugestões e comentários!

Forte abraço,
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

A EVOLUÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO NA ÁREA FLORESTAL – PROFISSIONALIZAÇÃO DE TODOS OS LADOS!

O setor de florestas plantadas, que sustenta um mundo de grandes indústrias e com milhões de hectares de florestas, tem uma ligação muito estreita com a terceirização. Estimam-se milhares de empresas prestadoras dos mais diversos serviços e milhões de empregos ligados a esse exército de colaboradores!

O processo de terceirização vem crescendo há anos! De exceção para serviços especializados se transformou na regra geral de empregabilidade do setor de florestas plantadas. Em tudo que se faz, dos serviços operacionais aos serviços administrativos e apoio, até aos institucionais, prevalece a presença do terceiro. E há de tudo! Ótimas empresas e serviços de qualidade, às empresas oportunistas e de péssima qualidade. E nessa ampla faixa de oferta encontra-se de tudo e para todos os gostos! Exatamente isso, para todos os gostos, pois a mesma variação serve também aos que contratam. Aqui, vale muito a história dos bichos da mesma cor – boi branco com boi branco. E nesse misto diverso, fica uma palavra de ordem a ser valorizada – profissionalização! E sempre dos dois lados. Um terceiro com gente mal preparada e sem comprometimento com a qualidade, segurança e prazos para entrega de seus serviços, é triste e desgastante. Mas do lado de quem contrata, que exige, que fiscaliza e paga é imprescindível que também haja profissionalização, e em nível elevado de preferência! Sempre a falta de profissionalização de qualquer dos lados só traz atrapalhadas, culpas e culpados.

Contratante, só com disposição para fiscalizar e exigir e sem experiência adequada, é tão prejudicial às florestas, quanto o terceiro sem preparo. Uma pena, pois quase sempre prevalece a versão de quem assina o cheque. Profissionais bem preparados se complementam, entendem as responsabilidades das partes, são colaborativos e percebem os momentos oportunos para correções, opiniões e devidos ajustamentos. Ganha a qualidade e a produtividade das florestas.

O interessante, e que merece destaque, é a preocupação de algumas empresas no sentido de preparar, e com gente especializada, seus profissionais – e há até quem já se preocupe em estender o treinamento aos terceiros. Sinais de novos tempos, e de entendimento e preocupação com a qualidade das florestas. Não adianta só cobrar e penalizar. Da mesma forma, não adianta só cumprir contrato. Há de se cultivar a boa convivência, a estreita colaboração e, acima de tudo, o respeito entre as partes!
Assim ganha e ganha muito a silvicultura!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

DESMATAMENTO, CLIMA, CRÉDITOS DE CARBONO… E AS FLORESTAS?

Num contexto em que, com toda razão, se fala muito em desmatamento, num momento em que lastimáveis desastres, daqui e dali, são colocados na conta de problemas climáticos, enquanto garimpeiros ilegais reviram terras indígenas, será que não seria oportuno que as florestas e suas riquezas também fizessem parte da pauta estratégica das políticas públicas para o desenvolvimento do país?

Será que discussões sobre defesa da Amazônia, restauração de áreas degradadas, pagamento de serviços ambientais, créditos de carbono e mais meia dúzia de boas intenções não seriam fortalecidas, através de um programa florestal brasileiro com prioridades e metas, adequadamente, estabelecidas para dar sustentabilidade a tudo isso?
Será que essa não seria a forma de passarmos para o centro das discussões estratégicas, ao invés de nos mantermos periféricos? E com boa dose de otimismo – com tantos profissionais que conhecem o setor e sua importância, seus benefícios e seu potencial de crescimento para geração de empregos, renda e protagonismo destacável no mercado internacional de produtos e serviços das florestas? Com certeza, deixaremos de ser periféricos!

Há cerca de 50 anos, por incrível que possa parecer, importávamos comida e nas excelentes condições naturais para produção que temos. Criou-se a Embrapa e com sua brilhante atuação o Brasil se transformou no grande produtor agropecuário em nível internacional! E com espaço, possibilidade e necessidade de aumentar ainda mais sua produção. O mundo precisa disso!

Há cerca de 50 anos importávamos celulose e papel. Veio o Código Florestal, criou-se o IBDF, instituiram-se os incentivos fiscais para reflorestamento e o Brasil se colocou entre os maiores produtores mundiais de celulose, de papel e de chapas de madeira. E há espaço para continuarmos crescendo!
Nos dias atuais, dispomos da maior reserva florestal do mundo, mas ainda temos participação insignificante no mercado internacional de produtos florestais. Temos imensidões de áreas degradadas e uma dívida internacional que nos obriga a plantar 12 milhões de hectares, até 2030,mas continuamos engatinhando com essa programação. Fala-se que temos condições de gerar riquezas imensuráveis com créditos de carbono! Temos um mundo de oportunidades com nossa riquíssima biodiversidade. Tudo a explorar e com experiência, competência e tecnologia.

Enfim, temos exemplos de realizações bem sucedidas a serem melhoradas e replicadas, à semelhança do que foi a EMBRAPA para agricultura e os incentivos fiscais para florestas plantadas. Temos condições excepcionais para produzir e competir em nível internacional. Temos mercado que demanda e, acima de tudo, temos brilhantes profissionais envolvidos nas questões florestais, tanto em nível governamental, quanto empresarial!

Com tudo isso, torna-se intrigante a indagação – o que está faltando para que o Brasil se torne uma potência de produtos e serviços da floresta com destaque em nível internacional à semelhança do que aconteceu com nossa agricultura?
Com a palavra os que acreditam e não perdem a esperança de que se repitam as realizações bem sucedidas de tantos anos atrás!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

AVISO IMPORTANTE

Olá, amigos e amigas da Comunidade de Silvicultura. Temos um aviso importante para esclarecer com vocês que nos acompanham.

Está circulando na internet cursos online divulgados por um site que está levando o nome de nosso projeto Comunidade de Silvicultura.

Gostaríamos de salientar que não temos nenhuma relação e conhecimento com esses cursos e qualquer outro tipo de divulgação que utilize nosso nome.

Os materiais relacionados a nossa Comunidade de Silvicultura são publicados e divulgados em nossos canais oficiais como nosso site http://www.comunidadedesilvicultura.com.br, Facebook e Instagram.

Agradecemos a atenção,

Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

NOVIDADES QUE MUDAM O RUMO DA SILVICULTURA!

De tempos em tempos, a silvicultura muda de rumo com surpreendentes inovações. Para muitos, essas mudanças surgem diante de ameaças ou limitações à estabilidade do setor. Normalmente, provocam impactos na produtividade, no social, no ambiental ou na estrutura organizacional das empresas!
As florestas plantadas de pinus e, especialmente, de eucalipto respondem de forma significativa às mudanças, quase sempre, baseadas no desenvolvimento de pesquisas científicas.
A primeira rodada de ganhos com reflexos na produtividade foi resultado de grande pacote tecnológico, juntando muitas pesquisas voltadas à formação das florestas. Esse ciclo, de modo geral, completou-se com a produção de clones. Era a soma do esforço de brilhantes profissionais, muitas pesquisas, experimentações e investimentos. E assim, concretizávamos o salto de 15/20 metros cúbicos por ha ano para próximo de 40, e com empresas registrando índices ainda maiores. Rumo bem definido, mas que foi tendo melhoramentos contínuos a depender das empresas e regiões!

Por volta do ano 2000, com a chegada da certificação, novas mudanças e novo salto. Desta vez, com reflexos mais evidentes no social e ambiental. Mais do que estabelecer exigências, a certificação fez com que as empresas acreditassem na importância de se elevar o lado social e o lado ambiental aos níveis alcançados com a evolução tecnológica. Um salto de qualidade nas condições de trabalho, e na forma de se integrar ao processo produtivo as questões ambientais.

Nesses últimos 20 anos, além da certificação, surgiram também as TIMOS Florestais – Timber Investment Management Organization – grandes investidores na formação de florestas. Não mudaram o rumo, mas promoveram uma grande alavancagem no profissionalismo da silvicultura! Foi um período muito rico na evolução tecnológica em ferramentas digitais para os mais diversos controles e um mundo de ações sociais e ambientais se desenvolveu nas diversas empresas. Foi nesse embalo também que se viveu período bastante adverso com as conhecidas oscilações do mercado de madeira. Nada justificava inovações ou maiores preocupações!

Para bem da silvicultura, nos últimos 5 (cinco) anos, as coisas mudaram. Acendeu-se a luz amarela e em alguns cantos a luz vermelha! Foi só os estoques de madeira sumirem e toda a cadeia produtiva se mexeu. E a correria começou!
Os sinais que permaneceram camuflados por anos se mostraram ameaçadores – a mesmice da fragilidade da base genética, as pragas e doenças que deixaram de ser raridade, as secas prolongadas que afetaram o crescimento das florestas, os fomentados que se afastaram do setor, a terceirização que se tornou base imprescindível para execução dos serviços e a expansão das áreas de plantio, que voltou a provocar polêmicas, quanto à biodiversidade, proteção dos recursos hídricos e atenção às comunidades vizinhas. Esses são alguns dos problemas que passaram a assustar e desafiar a todos!

E junto a esses desafios surgiu de forma pomposa a sustentabilidade, vista de várias formas, mas sempre abrindo oportunidades para inovações e correções. Surge a necessidade de restaurações, rastreadas num compromisso e numa dívida internacional, surge a oportunidade de se monetizar créditos de carbono e a necessidade de se alavancar os plantios com espécies nativas. Enfim, um punhado de oportunidades. E para os silvicultores do metro cúbico um alerta – não existe mais estoque de salvamento – agora se faltar madeira vai parar a fábrica.

Diante desse contexto, não há quem duvide de novos avanços na produtividade, no social, no ambiental e no fortalecimento institucional do setor! E, com certeza, virá junto maior valorização da tecnologia, um repensar dos aspectos sociais e ambientais e, acima de tudo, respeito à competência profissional! São novidades que mudam rumos, e ganha muito a silvicultura!

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário