REFLORESTAMENTO, O DE MADEIRA E O DE CARBONO – LIÇÕES E DESAFIOS!

O reflorestamento com incentivos fiscais dos anos 70/80 para produção de madeira para consumo industrial, talvez

possa ser considerado uma das políticas públicas que mais trouxe benefícios técnicos, sociais, econômicos e ambientais ao país.

Bem, resumidamente, consolidou o setor de florestas plantadas, que dobrou de crescimento pós- incentivo, chegando em cerca de 10 milhões de hectares; transformou o Brasil no maior produtor mundial de celulose de fibra curta; promoveu o crescimento das diversas indústrias à base de madeira e deu condições para o crescimento da siderurgia a carvão vegetal sem o uso de florestas nativas. Foram gerados milhões de empregos e elevou a participação dos produtos florestais a quase 4% no PIB Nacional. E as empresas que atuam no setor preservam mais de 6 milhões de hectares de vegetação nativa.

Temos tecnologia bem desenvolvida, empresas e profissionais altamente capacitados, além de instituições de pesquisas e universidades cuidando do assunto. Um cenário de sucesso incontestável!

Esse resultado só foi possível com muito trabalho, constantes correções e o esforço gigantesco de instituições governamentais, com destaque ao antigo IBDF. Foram, na verdade, os atalhos e correções que deram vida ao setor e que podem ser colocados como o grande legado à história da atividade florestal brasileira. Sem essas providências os prejuízos seriam incalculáveis e a silvicultura brasileira teria sido aniquilada. Tudo com esforço conjunto de governo, empresas, instituições de pesquisas, universidades, entidades representativas e brilhantes profissionais. Esse esforço salvou o setor.

Nos dias atuais, fala-se novamente em reflorestamento, agora com espécies nativas, visando recuperação de áreas degradadas e captação de carbono. Há previsões para reflorestar 12 milhões de hectares em pouco mais de 6 anos. É mais do que se fez em 50 anos com o reflorestamento para produção de madeira. Um enorme desafio!

É fácil perceber relações interessantes no cenário vivido lá atrás, há mais de 50 anos, e o cenário dos dias atuais: programas gigantescos e abundância de recursos financeiros em jogo; interessados de todos os cantos; falta de informações e dúvidas com respeito aos procedimentos técnicos; indefinições quanto à responsabilidade institucional pela coordenação e acompanhamento dos projetos e atividades operacionais; mercado de carbono com muitas indefinições e por aí vai. E mesmo diante de dúvidas, o entusiasmo dos interessados só cresce e a conversa sobre a necessidade de se aumentar a captação de carbono, ao nível internacional, só aumenta! E o Brasil já está sendo colocado como importante protagonista no negócio de reflorestamento para captação de carbono. Desafio e arrojo de assustar!

Diante da experiência vivida com os incentivos fiscais dos anos 70/80 e a nova onda de reflorestamento, que surge com grande potencial de crescimento, mas com algumas indefinições, vem a pergunta:

– Não valeria a pena integrar as entidades representativas, instituições de pesquisas e universidades, onde se encontram registros das experiências do passado com erros e acertos para que se estabelecesse, conjuntamente, programas, prioridades e recomendações técnicas que pudessem dar mais segurança ao sucesso dos reflorestamentos para recuperação de áreas degradadas?

Talvez, ao se atentar às experiências do passado, encontremos soluções a eventuais dificuldades tão comuns a qualquer atividade que se inicia, e nos antecipemos a inevitáveis problemas que poderão sacrificar as novas alternativas de negócios da silvicultura brasileira!

Avaliar e integrar a experiência de 50 anos da silvicultura para produção de madeira para os mais diversos fins, pode ser um marco interessante nessa caminhada desafiadora das atividades de recuperação de áreas degradadas. Há de se aproveitar ao máximo a privilegiada experiência de sucesso já vivida pela silvicultura brasileira e de sucesso reconhecido em nível mundial!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS – O CONHECIMENTO QUE ESTÁ ENTRE AS ORELHAS É QUE FAZ ACONTECER!

Em Notìcias- Embrapa de 17/04/2019, Jorge Duarte, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas – SIRE, comentando o artigo de José Garcia Gasques, coordenador geral de Avaliação de Políticas e Informação, da Secretaria de Política Agrícola (SPA), faz interessante abordagem a respeito do chamado conhecimento “não cristalizado”, aquele referente “ao que está entre as orelhas”.

Ainda nesse sentido, o Dr. Eliseu Alves, um dos fundadores e ex-presidente da Embrapa, economista com PhD em Economia Rural, explica que tratores, sementes e adubo, por exemplo, o que ele chama de “tecnologia cristalizada” ainda são simbólicos da evolução da agricultura, “mas, na verdade, nossa evolução está na inteligência para lidar com os diferentes fatores de produção”. Ele lembra que a agricultura brasileira não deu um salto com a chegada de equipamentos do exterior, mas sim com a capacitação de nossos profissionais. “Eles desenvolveram sistemas de gestão e produção, adaptaram, criaram novos insumos e fizeram a informação chegar ao campo”.

Trocando em miúdos – toda a parafernália tecnológica dá menos resultado que o efeito do profissional bem treinado e com bons conhecimentos do processo produtivo! Máquinas sofisticadas e modernos insumos tem seus benefícios na produção, mas os impactos não se comparam à gestão de quem com o conhecimento é capaz de juntar, somar e integrar os fatores de produção com a devida sabedoria. É o que está entre as orelhas do gestor é que faz as coisas acontecerem!

Será que na silvicultura, as coisas são diferentes? Será que só com máquinas sofisticadas, insumos de primeira linha, o melhor clone e todas as regras de certificações atendidas consegue-se florestas de boa produtividade? Admitindo-se que não haja razão tão determinante para que agricultura e silvicultura sejam diferentes, em ambos os casos, o que faz a diferença é simplesmente, a presença e o conhecimento do profissional bem preparado!
Com toda admiração e respeito, fiquemos com os sábios ensinamentos do Dr. Eliseu Alves – gente treinada e capacitada pode-se transformar em ganhos de produtividade!

É a cadeia de colaboradores treinada e bem preparada que vai fazer as sofisticadas máquinas funcionarem e os insumos darem os resultados esperados. E, especialmente, nesses momentos em que a falta de mão-de-obra já está sendo reconhecida como um entrave em muitas regiões ao pleno desenvolvimento dos programas florestais, esse cuidado há de ser redobrado.

Preparar e treinar gente vai ser uma permanente necessidade para se alcançar boa produtividade das florestas e será imprescindível para avançarmos em inevitáveis processos de mecanização e no mundo digital, sem antes nos determos, cuidadosamente, no preparo e capacitação de nossos colaboradores.

Que esse desafio, bem afeito às instituições de ensino e pesquisa, também se estenda à iniciativa privada, e não fuja do foco dos que trabalham para melhorias de nossa silvicultura.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS E A PROFISSIONALIZAÇÃO DOS TERCEIROS

A terceirização sempre se constituiu em importante alternativa para execução operacional das diferentes etapas do processo produtivo da silvicultura brasileira. E sua participação pode variar nas empresas e regiões, a depender da concentração das atividades, da disponibilidade de mão-de-obra e da demanda de serviços, dentre outros fatores. Da produção de mudas à madeira posta nas indústrias, passando por serviços técnicos especializados e de apoio, em quase todos os espaços da cadeia produtiva há terceiros. Há até grandes empreendimentos para produção de madeira, em que até a gestão dos recursos dos investidores é feita por terceiros. No entanto, a predominância da terceirização se dá nos serviços operacionais de plantio e manutenção das florestas.

A terceirização tem se mostrado de grande importância na consolidação da silvicultura nas várias regiões em que são implantados os empreendimentos florestais, que, normalmente, dão origem às grandes indústrias. São com os terceiros da silvicultura que as regiões são desbravadas, as infraestruturas são criadas e se formam os núcleos habitacionais, que se transformam em pequenas cidades e que posteriormente vão fornecer mão–de-obra a diferentes indústrias. E muitas vezes, tudo nasce e cresce com os terceiros que chegaram para plantar e formar florestas.

No entanto, apesar de sua relevância no desenvolvimento social e econômico de muitas regiões, a terceirização ainda é um processo em formação e sujeita às inúmeras adversidades. Nem sempre tem a devida valorização nas organizações a que serve, e muitas vezes é afrontada e desrespeitada em sua autoridade e decisões operacionais do dia-a-dia. E, ainda, é desprovida de qualquer representação institucional. Para muitos, essas características são as principais limitações à plena evolução profissional e tecnológica da terceirização.

Nesses anos, em que a silvicultura está formando expressivo patrimônio florestal para dar sustentação à maior produção de celulose de fibra curta do mundo, há de se destacar a importância estratégica da terceirização e a necessidade de se minimizar suas indefinições e dúvidas. É imprescindível que se cuide e se valorize sua evolução profissional e tecnológica!
Embora, ainda existam empresas desprovidas de preocupações técnicas e estrutura organizacional, já se encontram empresas terceirizadas com alto nível profissional e com capacidade para colaborar, efetivamente, na formação de florestas produtivas.

Mas a profissionalização do terceiro só se tornará de grande proveito às contratantes, na medida em que seja respeitada e reconhecida em suas ações, programações e decisões. Há quem diga que a evolução da profissionalização dos terceiros só nasce e se fortalece quando a relação entre as partes se torna colaborativa e se transforma numa parceria, de fato.

É bastante animador a certeza de que há situações em que prevalece a boa relação entre terceiros e contratantes com excelentes resultados no campo. São relações de ganha-ganha, em que todos ganham, mas acima de tudo, ganha muito a qualidade dos serviços e a produtividade das florestas!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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AMIZADE, RESPEITO E PROFISSIONALISMO CONSTITUEM A CHAVE DO SUCESSO!

Neste 27 de abril estiveram reunidos em Avaré-SP um Grupo de 66 pessoas para comemorar a amizade que nasceu há quase 40 anos, quando se formou nossa equipe florestal na Ripasa. Nossos agradecimentos aos organizadores e a todos os presentes. Muitas conversas e recordações e em todos a grata satisfação de dever cumprido! Objetivos atingidos, lições de vida e de ética, uma escola de profissionalismo, em que todos cresceram e se valorizaram. Criaram-se laços de amizade e de respeito que o tempo jamais irá apagar. E longe de ter sido uma convivência só de abraços e tapinhas nas costas, superou-se um mundo de obstáculos de toda natureza, mas sempre sob a inspiração das palavras mágicas – respeito, lealdade e comprometimento com nossos objetivos empresariais.

Não faltaram acirradas discussões, mas nunca se deixou para trás qualquer arranhão na amizade e no respeito. Com muita competência e colaboração conjunta transformamos nosso ambiente de trabalho numa ação de responsabilidade profissional e de dever a ser cumprido. Depois de 40 anos, uma reunião como essa e o grupo de participantes presentes é o maior reconhecimento de que o Grupo F3 Fortaleza-Firme e Forte cumpriu sua missão! Nossos cumprimentos a todos e respeitosas saudações aos amigos que nos deixaram! Muito mais que soluções técnicas e problemas resolvidos, esse exemplo de amizade, respeito e profissionalismo é a grande colaboração que prestamos à silvicultura brasileira!

Observação – essa comemoração foi coordenada pelo Eng. Osvaldo Roberto Fernandes, com agradecimentos de todo o Grupo.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SEGURANÇA DA PRODUÇÃO FLORESTAL, O GRANDE OBJETIVO!

O Brasil é o maior produtor de celulose de fibra curta, graças aos excelentes níveis de produção das florestas de eucalipto. Tudo fruto de muitos investimentos, pesquisas, experimentações e competência profissional.

A expansão de grandes programas de florestas plantadas, iniciada por volta de 2020, no entanto, tem trazido algumas preocupações ao dia-a-dia da silvicultura brasileira. Cabe destaque à produtividade das florestas, à segurança e proteção do patrimônio florestal, e que tudo seja executado na direção da sustentabilidade.

Chama atenção a polêmica a respeito da queda de produtividade, já colocada como o grande desafio da década. Há de merecer atenção especial de empresas, instituições de pesquisas e universidades. Apesar da unanimidade do tema, vez ou outra alguém questiona: é a produtividade média que está caindo? É a produtividade de quem sempre plantou e continua plantando da mesma forma e nas mesmas regiões? Ou é a produtividade das novas áreas com condições de solo e clima diferentes, e onde não se fizeram as adequações técnicas necessárias? Será que não faltam mais detalhes para que se possa entender, de fato, as causas dessa queda de produtividade?

O interessante é que o susto e as consequências da queda de produtividade já provocou um corre-corre nas empresas e instituições de pesquisas! Com tantas instituições de pesquisas nessa trilha, com certeza, em curto prazo, teremos informações tecnológicas condizentes com a importância do assunto.

Também quanto à segurança da produção, tem aumentado as preocupações com a proteção patrimonial, principalmente nas regiões, em que as expansões estão acontecendo em escala nunca vista. Grandes áreas de florestas com dificuldades de acesso, estruturas de serviços ineficientes para combate a incêndios, falta de mão-de-obra preparada para essas situações, vizinhos sem o devido cuidado e sensibilidade aos incêndios florestais, entre outros fatores, com certeza, irão demandar alternativas mais sofisticadas e mais investimentos em ações de prevenção e proteção das florestas.

Deverá, acima de tudo, valorizar-se os trabalhos de colaboração e integração empresarial que vem sendo realizados por iniciativas de entidades representativas do setor.
E quanto às pragas e doenças as preocupações só aumentam pela extensão das áreas e a manutenção e uniformidade genética dos materiais usados. Há de se dar atenção especial aos estudos, informações tecnológicas e às medidas preventivas preconizadas. A diversidade genética tão propalada, assim como os corredores de vegetação natural entre as florestas plantadas deverão ser medidas, prioritariamente, valorizadas.

Nesse contexto, em que a segurança da produção florestal pode ser abalada pela produtividade e proteção patrimonial, há de se atentar para que os silvicultores sigam à risca o que diz o Prof. Walter de Paula Lima – “Há de se rever e aplicar, cuidadosamente, os princípios hidrológicos de manejo florestal, caprichar no delineamento da área ripárias, App’s e vegetação natural das cabeceiras de drenagens das microbacias, de maneira que as plantações acabem se inserindo nesse mosaico ecológico”. E continua –“ proteger os recursos hidrológicos é garantir a manutenção da biodiversidade, enriquecer a qualidade dos empregos, manter a vida das comunidades regionais e dar também imprescindível contribuição à produtividade das florestas”.

São palavras sábias e que devem constituir a cartilha dos procedimentos operacionais de todas as empresas. Assim, teremos a certeza de que a segurança da produção florestal estará em linha com as diretrizes de sustentabilidade da silvicultura brasileira!

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AS FLORESTAS PLANTADAS E OS PARADOXOS DO MERCADO DE CARBONO

A silvicultura brasileira de tempos em tempos se depara com novidades surpreendentes! Desde espécies milagrosas que vão te enriquecer lá na frente, até uso de tecnologias que reduzem custos e aumentam a produtividade num toque de mágica! Enfim, milagres e milagreiros brotam a todo instante. E com o crescimento da atividade e com mais interessados, parece que o campo continua fértil para aventuras e desventuras. Daí, a necessidade de se atentar a dados técnicos e científicos diante de novidades, antes de se dar os devidos créditos às mais variadas informações.

A moda, nos dias atuais, está em cima dos créditos de carbono e os diferentes desdobramentos e oportunidades que se abrem à nossa frente! Fala-se em milhões de hectares a serem plantados em áreas degradadas e bilhões de dólares de investidores globais à procura de bons investimentos. São atrativos mais do que suficientes para aguçar provocações.

Plantar para captar carbono parece ter se constituído em importante alternativa para mitigar as mudanças climáticas tão propaladas! E se a moda pegar, então teremos enormes oportunidades para serem exploradas.

Esse contexto, no entanto, nos leva a algumas reflexões!
1- Um assunto de tamanha e estratégica importância não mereceria uma Política Pública de Estado de fácil entendimento, com regras e diretrizes para orientação dos interessados?

2- A qual instituição caberia a responsabilidade pelas informações, orientações e monitoramento dos empreendimentos e controle do mercado de carbono?

3- Se o objetivo é captar cada vez mais carbono, que diferença faz o uso de espécie nativa ou exótica na formação de florestas para tal fim? Por acaso, o carbono captado por espécies nativas é diferente do carbono captado por espécies exóticas? E quando se compara a quantidade? Uma cresce 10 a outra cresce 40 metros cúbicos/ha/ano! Há lógica nessa distinção? Será que o paciente que precisa de socorro, pode-se dar ao luxo de escolher o socorrista?

4- Será que projetos envolvendo plantios de espécies exóticas com manejo de ciclo longo e espécies nativas integrando e enriquecendo APPs e Reserva Legal não poderiam atender plenamente aos quesitos para se habilitar a créditos de carbono?

A nossa torcida é para que formar florestas e recuperar áreas degradas para captação de carbono seja, de fato, uma nova alavancagem para crescimento de nossa silvicultura. Mas que gere benefícios a toda sociedade e que não seja um simples modismo com risco de deixar sequelas indesejáveis à silvicultura brasileira, a médio e longo prazo!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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NOSSAS HOMENAGENS ÀS FLORESTAS E À ÁGUA

21 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DAS FLORESTAS | 22 DE MARÇO – DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Nessas datas celebradas pela ONU, a Comunidade de Silvicultura sente- se honrada em apresentar a publicação do Dr. Walter de Paula Lima, docente aposentado da ESALQ-USP, que dedicou sua vida profissional ao ensino, pesquisas e estudos das florestas e suas relações com a água. Com livros e publicações científicas tem dado enorme contribuição ao enriquecimento ambiental e social do setor florestal. Seus ensinamentos conduzem os procedimentos operacionais na direção da sustentabilidade, criando e qualificando a silvicultura brasileira à captação e créditos de carbono.

Leitura imperdível com sugestões para o dia-a-dia de profissionais e interessados no desenvolvimento da silvicultura brasileira!

Conservação da água: a qualificação da silvicultura brasileira para a obtenção de créditos de carbono

A silvicultura brasileira, baseada principalmente nos plantios de eucalipto e pinus para produção de madeira, cresceu de forma significativa nos últimos 50 anos. As áreas plantadas já se aproximam de 10 milhões de há, e há indicações de que essas áreas continuarão a crescer por bom tempo!
Há de se reconhecer os avanços das técnicas silviculturais, com o apoio de universidades, instituições de pesquisas e, acima de tudo, das próprias empresas interessadas com suas equipes de profissionais especializados e muita pesquisa e experimentação. Foi esse embasamento que permitiu o salto extraordinário da produtividade, que resultou nesse rico patrimônio industrial. Diante de tamanha responsabilidade econômica, social e ambiental, o desafio permanente é, sem dúvida, o de dar sustentabilidade a essa riqueza. E os desafios surgem e exigem providências inadiáveis, sob pena de prejudicar os objetivos essenciais das plantações florestais.

Por exemplo, o avanço das áreas de plantio para diversas regiões com características edafoclimáticas distintas já vem dando sinais para preocupações. A queda na produtividade sentida na grande maioria das áreas plantadas, aparentemente, já se colocou na relação de prioridades a serem enfrentadas pela pesquisa.
A preocupação com adversidades ambientais que levam à queda na produtividade pode evidenciar a necessidade de redobrar os esforços no sentido de dar maior ênfase aos aspectos hidrológicos dessas novas fronteiras. A ocupação de extensas áreas, às vezes com balanço hídrico climático limitante, não pode prescindir desses cuidados ambientais, correndo sério risco de ressuscitar, com mais veemência, os reclamos dos seus efeitos sobre as águas superficiais. Neste sentido, esses aspectos hidrológicos até antecedem as preocupações emergenciais com a produtividade.

Diante desse contexto, é imprescindível rever conceitos arraigados no dia-a-dia operacional do silvicultor, que envolvem o mapeamento das áreas de maior sensibilidade ambiental nos novos plantios. Há de se rever e aplicar, cuidadosamente, os princípios hidrológicos de manejo florestal, tendo a microbacia hidrográfica como base de planejamento do manejo. Isso envolve, pelo menos, a proteção das cabeceiras de drenagem, a preservação e/ou restauração das matas ciliares, a identificação dos aspectos dinâmicos das áreas ripárias, a alocação adequada e integrada das áreas de Reserva legal e APPs, o desenho hidrológico das estradas e vias de acesso, assim como a adoção de sistemas operacionais de plantio que protejam o solo, dentre outros aspectos. Atentar para essas variáveis não vai resultar em perdas de áreas para plantios, mas vai, com certeza, contribuir em muito para a conservação da água. Proteger os recursos hidrológicos é garantir a manutenção da biodiversidade, enriquecer a qualidade dos empregos, manter a vida das comunidades regionais e dar também imprescindível contribuição à produtividade das florestas.

Por fim, esse desenho hidrológico de ocupação dos espaços produtivos da paisagem resulta num desenho de manejo de plantações florestais que integra a preservação de significativa áreas naturais, garantindo a biodiversidade e a conservação da água, sendo por isso merecedor de créditos de carbono.
Dessa forma, estaremos saindo dos discursos e caminhando na direção da sustentabilidade de nossa silvicultura!

Dr.Walter de Paula Lima
Professor aposentado do Depto. de Ciências Florestais da ESAQ-USP – especialista em Manejo de Bacias Hidrográficas

A Comunidade de Silvicultura agradece e cumprimenta nosso amigo e professor por tamanha e eterna contribuição à silvicultura brasileira.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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PLANTAREMOS 1 BILHÃO DE ÁRVORES EM 2024!

A silvicultura brasileira deve atingir em 2024 o seu mais alto pico de atividades anuais de todos os tempos! Talvez estejamos plantando próximo de 1 bilhão de árvores em 2024!!!! Esse mundo de árvores, é a soma das áreas que estão sendo programadas para plantios de grandes indústrias consumidoras – fala-se em quase 400.000 ha das empresas de celulose, chapas, siderurgia e energia; juntam-se as áreas dos grandes produtores de madeira, mais as áreas fomentadas e os plantios de restaurações.

Dessa maneira, só de plantios de diferentes espécies para os diversos usos, a área deve estar próxima de 500.000 ha! Soma-se a isso as áreas colhidas e que estão sendo reformadas, e que deve estar ao redor de 300.000 ha! Assim, teremos cerca de 800.000 ha, compreendendo novos plantios e áreas reformadas! Admitindo-se em torno de 1.200/1300 mudas por ha, conclui-se que estaremos plantando em 2024 próximo de 1 bilhão de mudas!!!

Esse gigantismo da silvicultura brasileira remete-nos a importantes lembranças e reflexões:

1 – A origem desse processo é uma política pública bem sucedida – incentivos fiscais dos anos 70 – com muito aprendizado e que nada impede de ser repetida;

2 – A primeira grande virada no caminho do sucesso se deu com o expurgo de empresas devedoras – mais de 500 – e o uso de sementes de melhor qualidade – o IPEF com o saudoso Walter Suiter e sua equipe sob o comando do Eng. José Zani chegaram a colocar no mercado no período de incentivos fiscais cerca de 50 toneladas de sementes;

3 – O surgimento da clonagem do eucalipto proporcionou grande salto na tecnologia do dia-a-dia;

4 – A evolução tecnológica da silvicultura foi uma obra construída com a integração das universidades e empresas. Um exemplo que precisa ser alimentado permanentemente;

5 – O pacotão de procedimentos silviculturais sofreu adaptações e incorporou inovações, e a produtividade continua a rainha da festa. E precisa ser protegida. Para muitos é o grande desafio dos próximos anos;

6 – Pragas e doenças rondam a todo momento esse rico patrimônio. A defesa dessa riqueza deve ser problema para preocupações constantes de empresas, entidades de pesquisas e governantes. Esse riquíssimo patrimônio florestal não pode ser abalado;

7 – A sustentabilidade virou moda no setor. Há cuidados essenciais para dar legitimidade ao processo de sustentação. Integrar produtividade com a defesa dos recursos hidrológicos, biodiversidade, harmonização da paisagem, dentre outras variáveis, é caminhar na direção da sustentabilidade com melhorias contínuas e que ainda merecem muita atenção;

8 – Há se resgatar, mesmo que demande muito esforço, o pequeno e médio produtor. Estaremos abrindo mais áreas para plantios e enriquecendo o lado social da silvicultura. Essa parceria é a melhor e mais concreta contribuição que os grandes empreendimentos podem prestar às comunidades de seu entorno;

9 – As oportunidades que se vislumbram com restaurações, mercado de carbono e o uso de nossas espécies nativas poderão dar nova alavancagem à silvicultura brasileira. Temos exemplos a serem seguidos, empresas e entidades de pesquisas com profissionais capacitados e prontos a colaborar. Nada disso se move sem políticas públicas para orientar e motivar. Que nossos governantes não percam a oportunidade de promover nova alavancagem à silvicultura;

10 – Que 1 bilhão de árvores seja mais um marco para nossa reflexão e fortalecimento de nossa silvicultura e de todos que participaram dessa exitosa trilha!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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UM POUCO DA HISTÓRIA PIONEIRA DO EUCALIPTO RESGATADA POR CELSO FOELKEL

A Comunidade de Silvicultura sente-se honrada em poder apresentar a história do eucalipto resgatada pelo Dr. Celso B. Foelkel, professor, pesquisador, escritor e reconhecido, em nível internacional, como dos mais brilhantes profissionais do setor de celulose e papel.

Tivemos a satisfação de sermos colegas de turma durante o curso de Agronomia e na especialização de silvicultura. Formamos juntos na ESALQ- Piracicaba em 1970. Em todo o período escolar e no que tivemos oportunidade de acompanhar da vida profissional, sua participação foi sempre com destaque incomparável em tudo que fez. Colocou- se a vida inteira à disposição da ciência florestal, das pesquisas de tecnologia de celulose e papel e ao ensino. Exemplo de dedicação como cientista, pesquisador, professor, formador de equipe e orientador científico de dezenas de profissionais. Seus trabalhos e aplicação enriquecem e enobrecem a silvicultura brasileira.

A publicação dessa contribuição honra nossa página e, acima de tudo, como seu amigo e admirador, nos enche de muito orgulho!
Segundo Celso Foelkel, trata-se de material histórico bem interessante para as milhares de pessoas que se interessam pelos eucaliptos. É um resgate histórico sobre livros e documentos entre os séculos XVII e o ano de 1961, quando foi publicada a versão 2 do livro do Navarro de Andrade e no mesmo ano a II Conferência Mundial do Eucalipto.
Leitura imperdível e de informações enriquecedoras!

LIVROS e DOCUMENTOS PIONEIROS SOBRE EUCALIPTO
Resgates Históricos pelo Professor Celso Foelkel:

Amigos/as, um dos estudos que me trouxe uma enorme alegria e diversos sentimentos de emoção foi esse com o qual estive envolvido em realizar nos últimos 30 dias. Sempre tive a curiosidade em saber como foi a evolução dos conhecimentos sobre o eucalipto e muito disso está associado à “descoberta” da Austrália e à difusão de mudas e sementes dos eucaliptos pelo mundo em função das aplicações encontradas neles em benefício da sociedade.
Essa história toda é relativamente recente, pois data de meados do século XVII, mas com uma aceleração de publicações de livros e documentos a partir do início do século XX.

Tive a honra de me encontrar digitalmente com diversos e renomados autores eucalípticos e muito referenciados na literatura global, como os grandes mestres: Pryor, Maiden, Blakely, Navarro de Andrade, Navarro Sampaio, Goes, von Mueller, Zobel; e até mesmo a inusitada surpresa em descobrir que a tese de cátedra de meu saudoso mestre na ESALQ/USP, o Dr. Walter Radamés Accorsi, foi baseada em estudar a anatomia e morfologia botânica de duas espécies de eucalipto.

Alguns websites me foram de extrema utilidade e riqueza em obras. Em alguns casos, encontrei documentos muito antigos em minha própria biblioteca particular, que eu mesmo digitalizei, considerando que esses documentos possuem tempo suficiente para estarem em domínio público.
Espero que apreciem e principalmente que guardem esse documento de resgate, pois ele, além de histórico, permite que cada um de vocês possa navegar através dele e ao mesmo tempo descobrir coisas muito interessantes e valiosas sobre a história dos eucaliptos.
Um aprendizado cheio de descobertas e emoções.

Encontrem esse resgate histórico no endereço a seguir:
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/2024_Resgates_Documentos+Historicos_Web+Eucaliptos.pdf

Boa navegação e leituras e obrigado pela atenção.
A Comunidade de Silvicultura agradece e cumprimenta o Dr. Celso Foelkel

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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PRECISAMOS REPENSAR O FOMENTO FLORESTAL!

“É quase impossível aceitar que o fomento florestal volte a ser importante à expansão da silvicultura brasileira!”
Foi assim que ilustre professor e importante protagonista do sucesso da silvicultura, se manifestou, quando indagado da necessidade de esforço setorial no sentido de alavancar o fomento florestal!

E fica a indagação – será que é tão difícil mesmo fazer o pequeno e médio produtor se interessar em plantios florestais? E ainda, como chegamos a esse ponto?
Aliás, chegamos e passamos do ponto. Há muitas propriedades deixando as florestas à disposição das formigas ou trocando suas florestas por agricultura. Segundo esses desistentes, cansou-se da canseira do mercado!

E para quem vive no setor não há nenhum segredo – é o vai e vem do preço da madeira, que mata!
Até que nos últimos 5 anos as coisas melhoraram. As desistências, com certeza, são dos que estão aproveitando o último gole, e pulando fora. Juntando tudo isso ficam dúvidas indecifráveis: há gente graúda falando de falta de terras para expansão das indústrias; há um mundo de áreas improdutivas nas vizinhanças de grandes empreendimentos e, paradoxalmente, ter florestas produtivas e bem comercializadas é ótimo negócio!

Na verdade, há empresas que acreditam e transformaram o fomento florestal em estratégia de suprimento e se dizem satisfeitas. São exemplos a serem vistos, repensados e multiplicados. Até, já houve empresa, no passado, que viveu quase que exclusivamente do fomento florestal – o Dr. Rensi, sempre apostou no fio de bigode como garantia para sucesso do fomento florestal. E o curioso também é que, lá atrás, a legislação, através da reposição florestal, obrigava a indústria a plantar para não ficar só na dependência de tantos fornecedores. De repente, sumiram os produtores, os interessados e já se dúvida, até da possibilidade de se fazer fomento!
Enfim, essa situação precisa ser repensada! Não há país com tradição florestal, que não conte com a participação do pequeno e do médio produtor na cadeia de produção de madeira. E não há empreendimento industrial no Brasil, que não tenha uma boa parte de suas áreas vizinhas com possibilidade de se tornarem supridoras de madeira.

Há muitos que apostam que à medida que o fomento se transforme em estratégia de suprimento, com garantia de assistência técnica e de preços compensadores para a madeira, esse contexto muda! E se o Governo se dispuser a ajudar, poderá fazê-lo com linhas de financiamento compatíveis e simplificação dos trâmites legais.
Fortalecer e valorizar o fomento florestal poderá significar uma nova frente para expansão da silvicultura brasileira e com significativos benefícios socioambientais. Isso é dar sustentabilidade à nossa atividade e um grande desafio a ser repensado pelos silvicultores!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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