AS ESPÉCIES NATIVAS E AS OPORTUNIDADES IMPERDÍVEIS!

Há tempos não se via no setor florestal alguma coisa despertar tanto interesse quanto os plantios com espécies nativas em programas de recuperação de áreas degradadas. Fala-se em milhões de hectares a serem recuperados.

A possibilidade de se negociar créditos de carbono parece ter sido o ingrediente que faltava para aquecer o entusiasmo dos novos protagonistas florestais. No entanto, ainda há dúvidas e muitas questões a serem resolvidas!

Analistas financeiros dizem que continua difícil fechar a conta e que o carbono ajuda, mas não é suficiente. A solução ainda está em se encontrar sistemas produtivos que assegurem receitas em ciclo tão longo.

Há encrencas a serem resolvidas.
O processo tecnológico, ainda necessita de pesquisas e experimentações complementares e a desinformação dificulta o aproveitamento dos dados disponíveis. Há falta de política pública elaborada com competência técnica e jurídica com regras e diretrizes bem estabelecidas. E que garanta segurança, continuidade a longo prazo e legitimidade institucional ao processo. Além, acima de tudo, de identificar com clareza a entidade governamental para comandar, coordenar e monitorar os programas a serem implantados. De outro lado, há até quem afirme que recurso não parece ser problema!

O incentivo fiscal para reflorestamento originário de uma política pública, há mais de 50 anos, surgiu diante de tantas ou mais dificuldades, e se tornou um sucesso. Havia falta de tecnologia e critérios indefinidos na seleção de executores. E muitos ajustes a serem feitos. A grande diferença para o momento atual, é que havia a ativa participação do governo na sua implementação, sob a coordenação do antigo IBDF. Foi essa centralização de comando, informações e controles o principal instrumento para integrar o crescimento do setor e promover as necessárias correções e adequações operacionais. O próprio desenvolvimento tecnológico foi impulsionado pelo trabalho conjunto de empresas, instituições de pesquisas e universidades. E o processo produtivo experimentou uma longa curva de aprendizado até que se alcançassem os altos índices de produtividades.

A silvicultura com espécies nativas, com certeza, passará por fases semelhantes, e da mesma forma, exigirá investimentos em pesquisas e experimentações, até que se consiga nas áreas em recuperação a formação de florestas produtivas que justifiquem, de fato, os créditos de carbono.
O reflorestamento com espécies exóticas construiu uma história de sucesso com erros e acertos. E essa experiência bem sucedida encontra-se à disposição dos tomadores de decisão para ser replicada nessa nova fase da silvicultura!

Estamos diante de um enorme desafio, mas também de uma oportunidade única para o desenvolvimento social, econômico e ambiental em várias regiões do país. A disposição para superar dificuldades, aliada à implementação de medidas institucionais urgentes, será fundamental para garantir o sucesso desse desafiador programa florestal. Não podemos permitir que obstáculos iniciais prejudiquem o interesse crescente e o avanço das iniciativas já em andamento.

Com a expertise acumulada e o envolvimento de profissionais qualificados, a silvicultura brasileira tem tudo para transformar essa nova empreitada em um marco de sucesso, assim como ocorreu no passado com as espécies exóticas.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E O CACHORRO NA TÁBUA DE PREGOS!

Numa roda de silvicultores, a conversa ficou animada quando alguém mandou: “ fala-se tanto de sustentabilidade, mas continuamos plantando só meia dúzia de clones”. E continuou: “ todo ano perde-se um pouco de floresta por conta de infestações de pragas”. E então, colocou o problema – “ já pensaram na encrenca que poderemos ter, se de repente, uma ou outra praga explode e foge de nossos controles? Outro acrescentou -” está passando da hora de se adotar medidas preventivas concretas para se evitar a possibilidade de uma tremenda encrenca”. E completou : “ talvez seja impossível se precisar o momento em que isso pode ocorrer, mas parece sensato que medidas preventivas fossem adotadas, antes que algo de dimensão e desdobramentos desastrosos aconteça”.

E mais justificativas e dúvidas foram sendo colocadas: há uma quantidade restrita de clones comerciais em uso; a base genética há muito tempo tem tido pouca variação; haverá providências em andamento, mas com informações caladas pela competição? São as mesmas pragas que pipocam todos os anos? O surgimento dessas infestações, continuamente, não assusta as empresas? E as mudanças climáticas poderão agravar a situação? E as doenças? Foi colocado, até com certa indignação – “ será que a defesa desse rico patrimônio econômico, social e ambiental não caberia também ao Estado, além de empresas e instituições de pesquisas”?

Ficou no ar uma tremenda dúvida, quando alguém falou: “ se eu fosse dono de indústria não hesitaria em implementar medidas preventivas para eliminar todo tipo de risco para o meu patrimônio!”. E outro, com pouco mais de descontração, comentou – “ fala-se em enriquecimento e diversificação da base genética, como medida preventiva, urgente e estratégica ”. E enfatizou:” trabalho dessa natureza vai requerer ampla rede de pesquisas e experimentações e o envolvimento de empresas e instituições de pesquisas, mas ,acima de tudo, haverá de se contar com a colaboração e participação de todos os interessados .” E seguiu –“ é tão importante à segurança de nossa silvicultura que iniciativa nessa direção deveria partir dos donos das indústrias.” . E alguém completou : “ foi da união de todos que o setor se desenvolveu, e há de se descobrir o que precisa ser feito para que se resgate essa união para segurança e sustentação da própria silvicultura”. E completou com muita segurança-“ temos profissionais, empresas e instituições de pesquisas competentes para realização de tarefa tão desafiadora”.

Alguém com o respeito e admiração de todos comentou: “ as indústrias que vivem das florestas, com certeza, não poupariam recursos para que a silvicultura não corresse riscos tão prejudiciais.”
E a conversa ficou interessante e se transformou num grande recado, quando alguém colocou “ essa situação parece a história do cachorro deitado numa tábua de prego, gemendo, e sem sair do lugar…. E ele aguenta, pois a dor ainda não é suficiente para que ele  pule fora!”

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FEITO DE 55 ANOS REÚNE SILVICULTORES PARA CELEBRAR!

Um grupo de amigos silvicultores esteve, ontem- quarta-feira, dia 14 – em visita ao Dr. Antônio Sebastião Rensi Coelho, em Itapetininga, para celebrar de forma amistosa e com muita gratidão a sua inestimável contribuição ao setor florestal. Comemora-se em 2024, 55 anos de feito memorável à silvicultura brasileira!!! Em 1969, o Dr.Rensi juntamente com o saudoso Dr.Ronaldo Algodoal trouxeram da Austrália material genético de excelente qualidade de E. grandis de Coffs Harbour. Providenciaram os devidos procedimentos e distribuíram o material para todo o setor. A produtividade do eucalipto deu um salto extraordinário e a Duratex e Champion davam com isso o maior exemplo de desprendimento e colaboração entre empresas da história da silvicultura brasileira.

Estiveram presentes – Manoel de Freitas, Edson Balloni, Admir Mora, Eduardo Moré, Flavia Stenico e Nelson Barboza Leite. Um agradecimento especial ao Renato Rensi pela acolhida e brilhante participação em nossa reunião. Em poucas horas, numa conversa descontraída, falou-se do atual momento de nossa silvicultura, com destaque às urgentes pesquisas a serem feitas, da silvicultura para multi- produtos, da competição que substituiu a colaboração entre empresas, da necessidade de se fortalecer nossas instituições de pesquisa, criar centros regionais de experimentações em áreas de grandes concentrações de florestas, como MS, e da premência de se contar com o apoio e integração das novas gerações ao contexto da silvicultura.

A reunião foi encerrada pelo Dr. Rensi, que aos 93 anos e atento ao desenvolvimento do setor, deixou importante recado a todos os silvicultores;
“Muito agradecido aos amigos, mas esse trabalho é o resultado da contribuição e colaboração de muitos profissionais e, acima de tudo, do desprendimento e espírito colaborativo de empresas que acreditavam no potencial da silvicultura brasileira”. E continuou: “O setor florestal continua precisando da atuante participação e colaboração das empresas, das instituições de pesquisas e do próprio Estado para assegurar a continuidade do sucesso alcançado. São desafios de todos os silvicultores e que não podem ser esquecidos”!

A reunião terminou com o propósito de novos encontros e encaminhamento de ações que enriqueçam a silvicultura brasileira!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A FLORESTA 4.0 E A PRODUTIVIDADE NAS NUVENS!

Indagando conceituado silvicultor a respeito das novidades do setor, ouvimos – “agora só se fala em floresta 4.0, na plataforma Z para isso e Y para aquilo, e depois junta tudo e arquiva na nuvem! Na verdade, essa expressão misturava preocupação e até indignação pela linguagem moderna e valorização da onda digital, e aparente desinteresse pelas atividades de campo. E aí, engatou-se uma prosa cheia de curiosidades, que foi do “silvicultor da chuva e do sol” ao engenheiro de camiseta Tommy e ar condicionado.

Nem pensar em criticar o uso das ferramentas digitais e dos recursos de TI à silvicultura de chuva e sol. Da mesma forma, nem pensar na possibilidade de se prescindir da transpiração de campo. O grande exercício é usar toda tecnologia disponível para aprimorar e otimizar as atividades operacionais. Sem o olhar e a atenção, lá da frente de serviço, estaremos dando um adeus às florestas que fazem fotossíntese e produzem madeira. E estaremos criando florestas virtuais, de lindas imagens com gráficos e tabelas cheias de preciosismo. Mas tudo na nuvem!

Nos tempos em que a sustentabilidade da silvicultura passa à linha de frente das preocupações empresariais, o silvicultor que suja a bota tem papel essencial e imprescindível nas orientações e monitoramento dos serviços operacionais. É com seu olhar e observações permanentes que se consegue a harmonização da paisagem, a proteção dos recursos hidrológicos e nascentes, a melhor alocação da reserva legal e APP e se estabelece as melhores condições para conservação da biodiversidade. Com os recursos digitais os trabalhos são bastante facilitados, mas é o dia-a-dia do silvicultor, lá no campo, que evita erros irreversíveis e garante a direção exata para a sustentabilidade da silvicultura.

Nos grandes empreendimentos em que as ferramentas digitais não apagam o protagonismo das atividades operacionais, a silvicultura ganha e ganha muito. Que o silvicultor que suja a bota e o engenheiro de camisa Tommy se integrem é a melhor receita para os novos avanços da silvicultura brasileira!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS EM ÁREAS DEGRADADAS, COMO GANHAR COM A EXPERIÊNCIA VIVIDA!

A silvicultura brasileira em 50 anos, mais que dobrou a produtividade inicial, desenvolveu tecnologia para superar inúmeros obstáculos, aprendeu a proteger o meio ambiente, criou mecanismos para se proteger de pragas e doenças, enfim, atingiu elevado nível tecnológico capaz de desenvolver caminhos alternativos para variados objetivos. E ainda deixou a certeza de que sempre teremos a acrescentar e melhorar o que se faz, se quisermos nos manter em nível de sustentabilidade. E assim, com apoio de universidades, experimentações e pesquisas e muito recurso humano e financeiro envolvido, chegou-se até aqui! Foram mais de 50 anos e temos cerca de 10 milhões de hectares de florestas e um estoque inestimável de conhecimentos!

Nos últimos anos, surgiram novos reflorestamentos e com objetivos bem diferentes! Nessa onda de mitigação climática surgiram os reflorestamentos para recuperação de áreas degradadas! E agora, usando espécies nativas. Fala-se em recuperar áreas degradadas e marginalizadas para captação de carbono, produção de alimentos, geração de empregos, proteção de recursos hidrológicos e biodiversidade, dentre outros benefícios.

Fala-se em reflorestar em menos de 10 anos cerca de 12 milhões de hectares. Trata-se de área ainda maior do que se fez em 50 anos com as espécies exóticas. Tremendo desafio! Temos muitas informações a respeito de nossas espécies nativas, mas ainda faltam dados concretos de programas em larga escala. Essa lacuna merece muita atenção!

À semelhança do que ocorreu com a silvicultura de espécies exóticas, poderão surgir inúmeros obstáculos. E daí, a importância de se integrar e somar esforços e conhecimentos gerados e vivenciados em 50 anos pela silvicultura brasileira, especialmente, com as culturas de eucalipto e pinus. Não podemos desprezar o estoque de conhecimentos, além de se poder contar com profissionais, universidades e instituições de pesquisas à disposição para se fazer as devidas adequações. São experiências de sucesso que poderão ser aproveitadas para minimizar eventuais dificuldades dos novos desafios!

E, não nos iludamos! Iremos nos defrontar com problemas, e muitos já conhecidos, que reaparecerão com nomes diferentes e próprios dos tempos modernos. Mas as encrencas serão as mesmas: disponibilidade e qualidade das sementes, como fazer mudas, como proceder nas operações de plantio e manejo, etc. Com certeza, teremos que combater as formigas e a mato-competição. E a execução será feita com equipe própria ou com terceiros? E, estejamos preparados, pois, da mesma forma, surgirão os questionamentos sociais e ambientais.

Nesse contexto, portanto, que já estamos vivendo ficam algumas certezas e que terão de ser respeitadas: não há investidor que não exija retorno dos recursos alocados; que se usem os conhecimentos científicos já consolidados; que seja valorizada a experiência de 50 anos, acumulada pela silvicultura brasileira e que o profissionalismo fale mais alto diante das planilhas, que podem até mostrar caminhos diferentes.

Essa nova etapa criará importantes alternativas de negócio à silvicultura brasileira e poderá representar expressiva contribuição à economia e desenvolvimento social e ambiental de muitas regiões. É na verdade um jogo que não pode ser perdido depois de tanto sucesso alcançado com a silvicultura de espécies exóticas!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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REFLORESTAMENTO, O DE MADEIRA E O DE CARBONO – LIÇÕES E DESAFIOS!

O reflorestamento com incentivos fiscais dos anos 70/80 para produção de madeira para consumo industrial, talvez

possa ser considerado uma das políticas públicas que mais trouxe benefícios técnicos, sociais, econômicos e ambientais ao país.

Bem, resumidamente, consolidou o setor de florestas plantadas, que dobrou de crescimento pós- incentivo, chegando em cerca de 10 milhões de hectares; transformou o Brasil no maior produtor mundial de celulose de fibra curta; promoveu o crescimento das diversas indústrias à base de madeira e deu condições para o crescimento da siderurgia a carvão vegetal sem o uso de florestas nativas. Foram gerados milhões de empregos e elevou a participação dos produtos florestais a quase 4% no PIB Nacional. E as empresas que atuam no setor preservam mais de 6 milhões de hectares de vegetação nativa.

Temos tecnologia bem desenvolvida, empresas e profissionais altamente capacitados, além de instituições de pesquisas e universidades cuidando do assunto. Um cenário de sucesso incontestável!

Esse resultado só foi possível com muito trabalho, constantes correções e o esforço gigantesco de instituições governamentais, com destaque ao antigo IBDF. Foram, na verdade, os atalhos e correções que deram vida ao setor e que podem ser colocados como o grande legado à história da atividade florestal brasileira. Sem essas providências os prejuízos seriam incalculáveis e a silvicultura brasileira teria sido aniquilada. Tudo com esforço conjunto de governo, empresas, instituições de pesquisas, universidades, entidades representativas e brilhantes profissionais. Esse esforço salvou o setor.

Nos dias atuais, fala-se novamente em reflorestamento, agora com espécies nativas, visando recuperação de áreas degradadas e captação de carbono. Há previsões para reflorestar 12 milhões de hectares em pouco mais de 6 anos. É mais do que se fez em 50 anos com o reflorestamento para produção de madeira. Um enorme desafio!

É fácil perceber relações interessantes no cenário vivido lá atrás, há mais de 50 anos, e o cenário dos dias atuais: programas gigantescos e abundância de recursos financeiros em jogo; interessados de todos os cantos; falta de informações e dúvidas com respeito aos procedimentos técnicos; indefinições quanto à responsabilidade institucional pela coordenação e acompanhamento dos projetos e atividades operacionais; mercado de carbono com muitas indefinições e por aí vai. E mesmo diante de dúvidas, o entusiasmo dos interessados só cresce e a conversa sobre a necessidade de se aumentar a captação de carbono, ao nível internacional, só aumenta! E o Brasil já está sendo colocado como importante protagonista no negócio de reflorestamento para captação de carbono. Desafio e arrojo de assustar!

Diante da experiência vivida com os incentivos fiscais dos anos 70/80 e a nova onda de reflorestamento, que surge com grande potencial de crescimento, mas com algumas indefinições, vem a pergunta:

– Não valeria a pena integrar as entidades representativas, instituições de pesquisas e universidades, onde se encontram registros das experiências do passado com erros e acertos para que se estabelecesse, conjuntamente, programas, prioridades e recomendações técnicas que pudessem dar mais segurança ao sucesso dos reflorestamentos para recuperação de áreas degradadas?

Talvez, ao se atentar às experiências do passado, encontremos soluções a eventuais dificuldades tão comuns a qualquer atividade que se inicia, e nos antecipemos a inevitáveis problemas que poderão sacrificar as novas alternativas de negócios da silvicultura brasileira!

Avaliar e integrar a experiência de 50 anos da silvicultura para produção de madeira para os mais diversos fins, pode ser um marco interessante nessa caminhada desafiadora das atividades de recuperação de áreas degradadas. Há de se aproveitar ao máximo a privilegiada experiência de sucesso já vivida pela silvicultura brasileira e de sucesso reconhecido em nível mundial!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS – O CONHECIMENTO QUE ESTÁ ENTRE AS ORELHAS É QUE FAZ ACONTECER!

Em Notìcias- Embrapa de 17/04/2019, Jorge Duarte, da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas – SIRE, comentando o artigo de José Garcia Gasques, coordenador geral de Avaliação de Políticas e Informação, da Secretaria de Política Agrícola (SPA), faz interessante abordagem a respeito do chamado conhecimento “não cristalizado”, aquele referente “ao que está entre as orelhas”.

Ainda nesse sentido, o Dr. Eliseu Alves, um dos fundadores e ex-presidente da Embrapa, economista com PhD em Economia Rural, explica que tratores, sementes e adubo, por exemplo, o que ele chama de “tecnologia cristalizada” ainda são simbólicos da evolução da agricultura, “mas, na verdade, nossa evolução está na inteligência para lidar com os diferentes fatores de produção”. Ele lembra que a agricultura brasileira não deu um salto com a chegada de equipamentos do exterior, mas sim com a capacitação de nossos profissionais. “Eles desenvolveram sistemas de gestão e produção, adaptaram, criaram novos insumos e fizeram a informação chegar ao campo”.

Trocando em miúdos – toda a parafernália tecnológica dá menos resultado que o efeito do profissional bem treinado e com bons conhecimentos do processo produtivo! Máquinas sofisticadas e modernos insumos tem seus benefícios na produção, mas os impactos não se comparam à gestão de quem com o conhecimento é capaz de juntar, somar e integrar os fatores de produção com a devida sabedoria. É o que está entre as orelhas do gestor é que faz as coisas acontecerem!

Será que na silvicultura, as coisas são diferentes? Será que só com máquinas sofisticadas, insumos de primeira linha, o melhor clone e todas as regras de certificações atendidas consegue-se florestas de boa produtividade? Admitindo-se que não haja razão tão determinante para que agricultura e silvicultura sejam diferentes, em ambos os casos, o que faz a diferença é simplesmente, a presença e o conhecimento do profissional bem preparado!
Com toda admiração e respeito, fiquemos com os sábios ensinamentos do Dr. Eliseu Alves – gente treinada e capacitada pode-se transformar em ganhos de produtividade!

É a cadeia de colaboradores treinada e bem preparada que vai fazer as sofisticadas máquinas funcionarem e os insumos darem os resultados esperados. E, especialmente, nesses momentos em que a falta de mão-de-obra já está sendo reconhecida como um entrave em muitas regiões ao pleno desenvolvimento dos programas florestais, esse cuidado há de ser redobrado.

Preparar e treinar gente vai ser uma permanente necessidade para se alcançar boa produtividade das florestas e será imprescindível para avançarmos em inevitáveis processos de mecanização e no mundo digital, sem antes nos determos, cuidadosamente, no preparo e capacitação de nossos colaboradores.

Que esse desafio, bem afeito às instituições de ensino e pesquisa, também se estenda à iniciativa privada, e não fuja do foco dos que trabalham para melhorias de nossa silvicultura.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS E A PROFISSIONALIZAÇÃO DOS TERCEIROS

A terceirização sempre se constituiu em importante alternativa para execução operacional das diferentes etapas do processo produtivo da silvicultura brasileira. E sua participação pode variar nas empresas e regiões, a depender da concentração das atividades, da disponibilidade de mão-de-obra e da demanda de serviços, dentre outros fatores. Da produção de mudas à madeira posta nas indústrias, passando por serviços técnicos especializados e de apoio, em quase todos os espaços da cadeia produtiva há terceiros. Há até grandes empreendimentos para produção de madeira, em que até a gestão dos recursos dos investidores é feita por terceiros. No entanto, a predominância da terceirização se dá nos serviços operacionais de plantio e manutenção das florestas.

A terceirização tem se mostrado de grande importância na consolidação da silvicultura nas várias regiões em que são implantados os empreendimentos florestais, que, normalmente, dão origem às grandes indústrias. São com os terceiros da silvicultura que as regiões são desbravadas, as infraestruturas são criadas e se formam os núcleos habitacionais, que se transformam em pequenas cidades e que posteriormente vão fornecer mão–de-obra a diferentes indústrias. E muitas vezes, tudo nasce e cresce com os terceiros que chegaram para plantar e formar florestas.

No entanto, apesar de sua relevância no desenvolvimento social e econômico de muitas regiões, a terceirização ainda é um processo em formação e sujeita às inúmeras adversidades. Nem sempre tem a devida valorização nas organizações a que serve, e muitas vezes é afrontada e desrespeitada em sua autoridade e decisões operacionais do dia-a-dia. E, ainda, é desprovida de qualquer representação institucional. Para muitos, essas características são as principais limitações à plena evolução profissional e tecnológica da terceirização.

Nesses anos, em que a silvicultura está formando expressivo patrimônio florestal para dar sustentação à maior produção de celulose de fibra curta do mundo, há de se destacar a importância estratégica da terceirização e a necessidade de se minimizar suas indefinições e dúvidas. É imprescindível que se cuide e se valorize sua evolução profissional e tecnológica!
Embora, ainda existam empresas desprovidas de preocupações técnicas e estrutura organizacional, já se encontram empresas terceirizadas com alto nível profissional e com capacidade para colaborar, efetivamente, na formação de florestas produtivas.

Mas a profissionalização do terceiro só se tornará de grande proveito às contratantes, na medida em que seja respeitada e reconhecida em suas ações, programações e decisões. Há quem diga que a evolução da profissionalização dos terceiros só nasce e se fortalece quando a relação entre as partes se torna colaborativa e se transforma numa parceria, de fato.

É bastante animador a certeza de que há situações em que prevalece a boa relação entre terceiros e contratantes com excelentes resultados no campo. São relações de ganha-ganha, em que todos ganham, mas acima de tudo, ganha muito a qualidade dos serviços e a produtividade das florestas!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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AMIZADE, RESPEITO E PROFISSIONALISMO CONSTITUEM A CHAVE DO SUCESSO!

Neste 27 de abril estiveram reunidos em Avaré-SP um Grupo de 66 pessoas para comemorar a amizade que nasceu há quase 40 anos, quando se formou nossa equipe florestal na Ripasa. Nossos agradecimentos aos organizadores e a todos os presentes. Muitas conversas e recordações e em todos a grata satisfação de dever cumprido! Objetivos atingidos, lições de vida e de ética, uma escola de profissionalismo, em que todos cresceram e se valorizaram. Criaram-se laços de amizade e de respeito que o tempo jamais irá apagar. E longe de ter sido uma convivência só de abraços e tapinhas nas costas, superou-se um mundo de obstáculos de toda natureza, mas sempre sob a inspiração das palavras mágicas – respeito, lealdade e comprometimento com nossos objetivos empresariais.

Não faltaram acirradas discussões, mas nunca se deixou para trás qualquer arranhão na amizade e no respeito. Com muita competência e colaboração conjunta transformamos nosso ambiente de trabalho numa ação de responsabilidade profissional e de dever a ser cumprido. Depois de 40 anos, uma reunião como essa e o grupo de participantes presentes é o maior reconhecimento de que o Grupo F3 Fortaleza-Firme e Forte cumpriu sua missão! Nossos cumprimentos a todos e respeitosas saudações aos amigos que nos deixaram! Muito mais que soluções técnicas e problemas resolvidos, esse exemplo de amizade, respeito e profissionalismo é a grande colaboração que prestamos à silvicultura brasileira!

Observação – essa comemoração foi coordenada pelo Eng. Osvaldo Roberto Fernandes, com agradecimentos de todo o Grupo.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SEGURANÇA DA PRODUÇÃO FLORESTAL, O GRANDE OBJETIVO!

O Brasil é o maior produtor de celulose de fibra curta, graças aos excelentes níveis de produção das florestas de eucalipto. Tudo fruto de muitos investimentos, pesquisas, experimentações e competência profissional.

A expansão de grandes programas de florestas plantadas, iniciada por volta de 2020, no entanto, tem trazido algumas preocupações ao dia-a-dia da silvicultura brasileira. Cabe destaque à produtividade das florestas, à segurança e proteção do patrimônio florestal, e que tudo seja executado na direção da sustentabilidade.

Chama atenção a polêmica a respeito da queda de produtividade, já colocada como o grande desafio da década. Há de merecer atenção especial de empresas, instituições de pesquisas e universidades. Apesar da unanimidade do tema, vez ou outra alguém questiona: é a produtividade média que está caindo? É a produtividade de quem sempre plantou e continua plantando da mesma forma e nas mesmas regiões? Ou é a produtividade das novas áreas com condições de solo e clima diferentes, e onde não se fizeram as adequações técnicas necessárias? Será que não faltam mais detalhes para que se possa entender, de fato, as causas dessa queda de produtividade?

O interessante é que o susto e as consequências da queda de produtividade já provocou um corre-corre nas empresas e instituições de pesquisas! Com tantas instituições de pesquisas nessa trilha, com certeza, em curto prazo, teremos informações tecnológicas condizentes com a importância do assunto.

Também quanto à segurança da produção, tem aumentado as preocupações com a proteção patrimonial, principalmente nas regiões, em que as expansões estão acontecendo em escala nunca vista. Grandes áreas de florestas com dificuldades de acesso, estruturas de serviços ineficientes para combate a incêndios, falta de mão-de-obra preparada para essas situações, vizinhos sem o devido cuidado e sensibilidade aos incêndios florestais, entre outros fatores, com certeza, irão demandar alternativas mais sofisticadas e mais investimentos em ações de prevenção e proteção das florestas.

Deverá, acima de tudo, valorizar-se os trabalhos de colaboração e integração empresarial que vem sendo realizados por iniciativas de entidades representativas do setor.
E quanto às pragas e doenças as preocupações só aumentam pela extensão das áreas e a manutenção e uniformidade genética dos materiais usados. Há de se dar atenção especial aos estudos, informações tecnológicas e às medidas preventivas preconizadas. A diversidade genética tão propalada, assim como os corredores de vegetação natural entre as florestas plantadas deverão ser medidas, prioritariamente, valorizadas.

Nesse contexto, em que a segurança da produção florestal pode ser abalada pela produtividade e proteção patrimonial, há de se atentar para que os silvicultores sigam à risca o que diz o Prof. Walter de Paula Lima – “Há de se rever e aplicar, cuidadosamente, os princípios hidrológicos de manejo florestal, caprichar no delineamento da área ripárias, App’s e vegetação natural das cabeceiras de drenagens das microbacias, de maneira que as plantações acabem se inserindo nesse mosaico ecológico”. E continua –“ proteger os recursos hidrológicos é garantir a manutenção da biodiversidade, enriquecer a qualidade dos empregos, manter a vida das comunidades regionais e dar também imprescindível contribuição à produtividade das florestas”.

São palavras sábias e que devem constituir a cartilha dos procedimentos operacionais de todas as empresas. Assim, teremos a certeza de que a segurança da produção florestal estará em linha com as diretrizes de sustentabilidade da silvicultura brasileira!

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