HISTÓRIAS QUE MARCAM NOSSAS VIDAS…

Experiências e histórias de nosso dia-a-dia se transformam, muitas vezes, em referências para toda nossa vida. A convivência com pessoas brilhantes, talvez seja das mais importantes fontes de aprendizado e de bons exemplos de vida. Seus ensinamentos jamais são esquecidos e essas pessoas brilhantes se transformam em nossos verdadeiros mestres. Guardam o respeito e a nossa admiração para sempre!
Em 1968, a minha primeira aula de silvicultura na ESALQ foi dada pelo Prof. Helladio do Amaral Mello. Não hesitaria em apontar essa aula, como a oportunidade que marcou, decisivamente, a minha vida profissional.

Comecei o segundo ano de Agronomia com enorme dúvida a respeito da escolha profissional que tinha feito. Mas após a primeira aula de silvicultura, fiquei com a certeza de que tinha encontrado o que fazer para o restante de minha vida. Jamais esqueci a ênfase que o Prof. Helladio deu à formação do silvicultor – “aqui todos terão os conhecimentos técnicos sobre a silvicultura, mas só serão silvicultores, de fato, aqueles que tiverem disposição na vida profissional para os trabalhos de campo e nunca deixarem de agir com respeito, responsabilidade e ética em tudo que fizerem”. Que ensinamentos……. O Dr. Helládio, dirigia o Departamento de Silvicultura da ESALQ-USP, que se transformou nos dias atuais no Curso de Engenharia Florestal da ESALQ-USP. Foi um dos fundadores do IPEF e contava com equipe de ótimos e dedicados professores que se destacaram em diferentes áreas do setor florestal. A silvicultura brasileira deve muito a esses brilhantes profissionais. E que seus exemplos sejam seguidos e eternizados!

Anos depois, já no início da vida profissional, tive a oportunidade, vez ou outra, de encontrar e conversar com o Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho, que na ocasião, era Diretor Florestal da Duratex. Todo encontro era uma aula. Numa dessas conversas, ouvi do Dr. Rensi – “o trabalho de silvicultura numa empresa traz sempre surpresas e problemas que precisam de soluções. Não fuja e nem se desespere. Tudo se resolve, se estiver cercado de pessoas amigas, leais e competentes. O sucesso das empresas é sempre o resultado da competência de sua equipe de profissionais” E que lição… O Dr. Rensi, caracterizou-se por sua permanente colaboração para o desenvolvimento do setor, sua incansável dedicação e ética. Foi sempre muito elogiado por sua admirável disposição na formação de grandes profissionais. Um silvicultor exemplar e uma pessoa maravilhosa!

Passados anos, as recordações não se apagam e fica a nossa eterna gratidão pelos ensinamentos recebidos.

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A PRODUÇÃO DE MADEIRA E OS DESAFIOS DA SILVICULTURA

A madeira das florestas plantadas, especialmente do eucalipto e do pinus é a base de sustentabilidade de ativos de grande importância econômica, social e ambiental. A falta dessa insubstituível matéria-prima poderá provocar danos significativos às cadeias produtivas, além de indesejáveis impactos socioambientais em muitas regiões.

Fala-se numa área plantada em torno de 10 milhões de hectares e mais de 3 milhões de empregos nas atividades florestais, industriais e de serviços. Conhecer quanto há de floresta e de madeira, quanto se planta e quais as demandas para proteção desse patrimônio, são desafios que exigem esforços dos silvicultores, das empresas e atenção do próprio Governo. Esse é o verdadeiro retrato dos desafios que se impõem à silvicultura brasileira!

O significativo aumento dos plantios, nos últimos anos, é uma demonstração da preocupação com os estoques de madeira para o futuro. No entanto, há questões silviculturais pendentes, que ainda rondam o setor. Nesse sentido, há de se destacar a queda na produtividade das florestas. Segundo informações das entidades representativas do setor, nos anos 90, falava-se em produtividade média em torno de 40 metros cúbicos por hectare/ano. E nos mais recentes relatórios da IBA – Indústria Brasileira de Árvores – já se fala em produtividade em torno de 32 metros cúbicos/hectare/ano. Uma queda expressiva e que merece atenção: será o material genético? Será problema de proteção de pragas, doenças e fogo? Serão problemas do dia-a -dia operacional? Ou já estamos sentindo os impactos de adversidades climáticas?

Os mais otimistas acreditam que a competência das empresas e instituições de pesquisas terão soluções a tempo e hora para qualquer emergência. Mas é bom lembrar, que são raros os estoques de reserva à disposição para uma emergência!
Esse contexto traz uma inquietante indagação – em que momento haverá uma mobilização dos interessados, no sentido de se tomar as devidas providências para se enfrentar as adversidades mais prementes?

Dar respostas a essas indagações é garantir os suficientes estoques de madeira para o futuro e, acima de tudo, dar sustentabilidade à silvicultura brasileira.

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E SUAS PENDÊNCIAS INESQUECÍVEIS

A Comunidade de Silvicultura está há anos falando de assuntos relacionados à silvicultura brasileira. Estamos tomando a liberdade de republicar os textos que nos parecem estratégicos para o momento atual. Vamos selecionar aqueles que comemoram 5 anos de sua publicação. O texto, a seguir, foi publicado em 12 de fevereiro de 2020. Dessa forma, voltamos aos relatos de 5 anos e vamos refletir sobre as mudanças havidas ou sobre a falta de ações reclamadas na época. Retomar questões mal resolvidas só irá enriquecer a silvicultura brasileira. E lembremos sempre que problemas não se resolvem sem ações concretas dos interessados!

QUANTO TEMOS DE FLORESTAS PLANTADAS?

As estatísticas do setor são bastante duvidosas! Para 2018, o IBGE fala em 9,85 milhões de hectares, o MapBiomas fala em 8,6 milhões e a IBA fala em 7,83 milhões. Uma diferença próxima de 30 % entre os extremos! Isso na safra agrícola seria um desastre! Para muitos o levantamento do IBGE mostra plantios florestais de produtores independentes e sem vinculação com consumidores. Talvez seja o mesmo caso do MapBiomas. São florestas que não fazem parte das estatísticas da IBA. Mas essa diferença de 2 milhões de hectares é muito significativa! Há quem ache que são esses produtores, que mesmo insatisfeito, continuam vendendo madeira a qualquer preço. Coisa de família, com a família e nada de fazer contas. A produtividade que não chega a 30 metros cúbicos/ha/ano vai baixando, mas a floresta continua em pé! O IBGE registra e a vida continua!

Outra dúvida diz respeito às áreas plantadas apresentadas nas estatísticas das entidades do setor. Em alguns casos, os responsáveis estão mais atentos e procurando aperfeiçoar as informações. Gente experiente troca informações e os números são arredondados. Resolve-se a informação no estado, mas o assunto ao nível nacional continua pendente. E as estatísticas só crescem! Muda o ritmo de plantio, deixa de se plantar, o consumo se mantém, às vezes aumenta, os impactos são observados, e não se nota nenhum registro nas estatísticas do setor.

Ninguém confere, ninguém questiona, ninguém declara suas perdas! Há uma ajeitação engenhosa e vida que segue…

Com certeza, uma grande empresa, firme e forte, não se deixa levar sem conhecer bem suas florestas disponíveis. Um abuso nessas previsões e o pescoço rola! No entanto, nas andanças de trabalho, notam-se coisas estranhas e sem registro nas estatísticas.

E vamos às encrencas: grandes áreas impactadas por seca prolongada – áreas enormes – ou morrem, ou diminuem o crescimento anual. É sangria certa! Áreas afetadas pela infestação de formigas, muito conhecidas, mas nem sempre respeitadas! Áreas atacadas por pragas e doenças, que só crescem ano a ano. Disso todos temem, apesar de poucas medidas preventivas! E a enorme quantidade de áreas em formação, largadas ou abandonadas após a colheita. Gente insatisfeita e “p da vida” com o negócio! E mais uma novidade – a transformação das áreas de florestas em áreas para agricultura. Tudo por conta do “preço de repolho” da madeira.

Acrescenta-se a tudo isso as engenhosas manobras silviculturais para redução de custos – menos adubações, mais mato-competição e até mais convivência com as formigas, entre outras mágicas. Facada sangrenta na produtividade – áreas com potencial para 40 não passa de 30. Mas com todas essas incertezas, tirando daqui e dali, alguns setores industriais continuam crescendo. No entanto, de tempos em tempos, alguém mais prevenido anuncia gigantescos programas de plantio – empresas competentes e atenta aos sinais de inevitáveis dificuldades! Há dúvidas quanto às áreas plantadas e, mais preocupante ainda, quanto à quantidade de madeira disponível!

Nesse contexto, fica no ar um punhado de perguntas: É possível definir políticas públicas, quando não se tem números oficias sobre a quantidade de madeira disponível? Que rumo tomam os investidores interessados em florestas? E como ficam as novas oportunidades que começam a surgir? E onde fica a sustentabilidade, cantada em prosa e versos, da silvicultura brasileira?

Essas questões necessitam de respostas seguras para possibilitar o crescimento ordenado do setor e a garantia de sustentação dos empreendimentos à base das florestas plantadas.

Vamos torcer para que os modernos sistemas tecnológicos possam nos atender e que se consiga somar os esforços das entidades do setor – da IBA, das entidades estaduais atuantes, como dos estados do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia e outros. A esse esforço, com certeza, poderemos somar a colaboração do MapBiomas, da Câmara Setorial de Florestas Plantadas e impreterivelmente do Serviço Florestal Brasileiro!

Esse desafio, com tantos interessados e competentes profissionais, não pode ficar sem solução!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A ONDA DO CARBONO – QUE O SONHO NÃO VIRE PESADELO

A silvicultura brasileira está entrando numa nova onda de crescimento. Chegou firme e forte o carbono! Embora existam inúmeras alternativas para captação de carbono, sem nenhuma dúvida, as opções que envolvem a silvicultura estão se despontando como as mais promissoras. E num país continental como o Brasil é fácil imaginar que serão ilimitadas as oportunidades de negócios de carbono para mitigação de problemas climáticos. E tudo na escala de milhões e bilhões. É aí que mora o perigo!

Já tivemos no Brasil episódio muito parecido com o incentivo fiscal para reflorestamento da década 60/70. Um sucesso para alguns, uma vergonha para muitos! Há de se reconhecer que o setor de celulose, a siderurgia a carvão vegetal, enfim, todas as indústrias à base de florestas plantadas não podem negar que um dia usaram os incentivos fiscais para reflorestamento. Mas esses são os que conseguiram escapar do mundo de erros estratégicos e agentes mal-intencionados. São os bem sucedidos que salvaram os incentivos e não querem nem ouvir falar de suas origens.

E os incentivos só conseguiram subsistir, graças ao esforço gigantesco de entidades representativas e de empresas com empreendimentos muito bem sucedidos. Esses mostraram a viabilidade do negócio bem feito. O próprio Governo, convencido da imprescindível necessidade de madeira, também não poupou esforço para acelerar o “rapa” na picaretagem, que pululava para todos os cantos. A atividade vivia sob intensa repulsa da sociedade diante de abusos escandalosos. As lições ficaram. Uma pena que os bons exemplos não sejam aproveitados, mas que jamais sejam esquecidos os erros, primariamente, cometidos. E lembrar que quase mataram a silvicultura!

Mas está aí o carbono. Firme e forte com milhões e bilhões e despertando interessados para todos os lados. Os mais bem informados já encontraram os atalhos para caminharem. Talvez a desinformação esteja dificultando o “caminho das pedras”, mas o barulho provocativo é enorme!

Causa muita estranheza, o fato, de não existir nenhuma instituição para comandar e orientar os programas, estabelecer as diretrizes prioritárias, dar rumo às atividades. Não é fácil o acesso a documentos que mostrem o que fazer, como fazer, onde fazer, com quem se informar.
Faltam informações claras sobre a metodologia para apresentar programas, quem monitora, quem corrige e até onde aprender. Tudo parece muito abstrato! Até os milhões e bilhões que encantam, só poucos sabem como se habilitar ao acesso!

Não se duvida da competência e idoneidade de profissionais que se encontram ligados ao assunto, mas é de se lamentar que não se criem, com certa urgência, os caminhos, as regras e critérios para que o assunto cresça e se desenvolva sem os riscos de se transformar numa tremenda encrenca, e mate excepcional alternativa para criação de benefícios sociais e ambientais para toda a sociedade!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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O QUE FOI 2024 E VISÕES PARA 2025

O ano de 2024 deixou para o setor florestal brasileiro um misto de sucesso e frustrações. A silvicultura das florestas plantadas cresceu e há expectativas de que os plantios e reformas ficaram em torno de 800.000 ha. No entanto, as nossas florestas nativas foram envolvidas por intensa discussão sobre desmatamentos e queimadas. Diante desse quadro, que lições foram deixadas e o que se espera para 2025?

O setor florestal continua institucionalmente frágil e dependendo do esforço e dedicação de profissionais e entidades, muitas vezes sem nenhuma responsabilidade pública. Fala-se muito e mesmo com inegável potencial, continuamos à margem de programas e políticas públicas estratégicas para desenvolvimento do país.

O Serviço Florestal Brasileiro, longe de liderar as grandes necessidades do setor, luta a ferro e fogo para viabilizar as concessões florestais. Quem sabe um dia vai ter a força, a autonomia e estrutura para ser a base institucional do rico setor florestal brasileiro. A torcida é grande!

E que a COP 30, prevista para 2025, em Belém, no Pará, seja um sucesso. Que atinja os avanços esperados para suas políticas climáticas, e que sirva para fortalecer e valorizar nossas florestas.

Do lado das florestas plantadas, mesmo com pendências negligenciadas, o crescimento na formação de novas florestas foi gigantesco. No entanto, pendências que se arrastam, insistentemente, precisam ser lembradas sob pena de sermos taxados de omissos pelos profissionais que estão chegando ou por irresponsáveis pelos consumidores de madeira no futuro. Não temos o direito e nem a liberdade de deixarmos para trás as questões que podem comprometer a silvicultura, lá na frente!

O cuidado com a produtividade foi, oportunamente, muito bem lembrado em 2024. Há sinais de iniciativas empresariais, mas fica a sensação, que ainda falta um grande programa que dê segurança ao rico patrimônio industrial, que depende, exclusivamente da madeira. Há esperança de que as instituições de pesquisas pelos conhecimentos já somados não deixem de atender à essa estratégica demanda. Mas há de se lembrar, no entanto, que o tempo não espera e que os “estoques de salvamento” já se esgotaram. Com certeza, em 2025 os gritos de alertas voltarão com mais veemência!

Da mesma forma, o fomento florestal, os cuidados de campo com as variáveis ambientais que constituem pilares importantes da sustentabilidade, ainda continuam mais valorizados nos discursos, que no dia-a-dia de campo. Da mesma forma, as medidas para estimular a profissionalização dos terceiros, ainda continuam esbarrando em adversidades empresariais.

As novidades interessantes para aguçar nossa expectativa, estarão por conta de medidas institucionais, legais e governamentais para viabilizar os programas de recuperação de áreas degradadas, consolidar a silvicultura de espécies nativas e girar o mercado de carbono. Mas o esforço dos interessados e a participação ativa do próprio Governo sempre serão imprescindíveis! E que essas oportunidades, tão sonhadas, sirvam para alavancar o crescimento da silvicultura brasileira.

Ficam os votos e a esperança de que 2025 traga o dinamismo que o setor necessita. Temos conhecimentos e, com certeza, não faltarão profissionais competentes para que as entidades representativas, instituições de pesquisa e governamentais assumam essa postura proativa em 2025 para viabilização das medidas necessárias!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS E AS LIÇÕES DE GENÉTICA

A produtividade das florestas plantadas parece se constituir em uma das principais preocupações da silvicultura. Em regra geral, no início da fase de expansão dos plantios florestais, nos anos 60/70, falava-se em 15-20m3/ha/ano como produtividade média. Nos anos 80/90, num avanço significativo, chegou-se ao redor de 40, e em locais privilegiados em clima e solo, já se falava até em mais de 50. Com a expansão da silvicultura para novas áreas, as vezes com adversidades edafoclimáticas ou operacionais, a produtividade média baixou para 35 m3/ha/ano. Mas com o contínuo crescimento da atividade, aumentou a preocupação com os sinais de queda na produtividade. E isso assusta e põe na linha de frente a responsabilidade dos gestores florestais!

Embora haja iniciativas pontuais e pesquisas indicando novos caminhos, não há como não admitir que estamos diante de uma grande questão a ser resolvida: como manter a produtividade de nossas florestas, em níveis que sustentem a competividade de nossa silvicultura?
E daí, a necessidade de atentarmos, cuidadosamente, para o tema em toda a sua abrangência.
Na primeira aula de melhoramento genético, aprendemos que o fenótipo – aquilo que se vê, que se mede – é a combinação do genótipo, que é a capacidade genética, ao meio em que o ser se desenvolve.

Bem simples, a produtividade que precisamos cuidar é o fenótipo. E é resultado da combinação da capacidade genética do clone e do meio em que é colocado. A grande tacada é saber que nessa combinação há fatores manejáveis com resultados no curto prazo!

O melhoramento genético tem a limitação do tempo, enquanto a adequação do meio – o que fazer; como fazer; quando fazer e com quem fazer – só depende de decisões acertadas de pessoas e com resultados de curto prazo!

Do exposto, ficam para reflexão;

1- Melhorar a base genética e selecionar novos clones é medida imprescindível, a longo prazo. Exige pesquisas, experimentações, competência, recursos financeiros e tempo. Temos tudo e devemos fazer acontecer, mas o resultado é limitado pelo tempo. Nada, a curto prazo, a não ser uma criteriosa seleção de clones;
2- O meio em que se desenvolve o clone depende, em quase tudo, de ações e decisões das pessoas – identificar áreas adequadas, selecionar o que fazer, como fazer e com quem fazer, são decisões de responsabilidade do gestor de silvicultura. E os resultados são imediatos!
3- Há empreendimentos de muito sucesso e até de estrondosos fracassos, muitas vezes, na mesma região! Será que é possível colocar todos esses prejuízos só na conta da genética?

Atualmente, segundo nossas entidades representativas, todos os dias plantam –se milhões de árvores para sustentação do riquíssimo patrimônio industrial, que também consome, diariamente, milhões de metros de madeira!

Essa roda não pode parar, pois dela depende a sustentabilidade de um dos maiores patrimônios industriais do país. É vital que gestores florestais priorizem medidas corretivas imediatas, ajustando diretrizes operacionais ao potencial de cada área, enquanto pesquisadores avançam na seleção genética para garantir o futuro da produtividade. O equilíbrio entre ação imediata e planejamento de longo prazo será a chave para o sucesso contínuo da silvicultura.

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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DIA NACIONAL DA SILVICULTURA – 7 DE DEZEMBRO

Comemora-se em 7 de dezembro o Dia Nacional da Silvicultura. A data foi instituída pela LEI n.º 12.643, DE 15 DE MAIO DE 2012, que diz…
Art. 1º É instituído o Dia Nacional da Silvicultura, a ser comemorado, anualmente, no dia 7 de dezembro, em todo o território nacional, com o objetivo de conscientizar os produtores rurais e a sociedade brasileira acerca da importância da silvicultura, tanto para o meio ambiente quanto para a economia.

Art. 2º Por ocasião da comemoração do Dia Nacional da Silvicultura, o poder público promoverá campanhas de esclarecimento da importância dessa atividade, direcionadas ao setor agropecuário e à população em geral.

A Comunidade de Silvicultura aproveita a oportunidade para cumprimentar a todos os silvicultores envolvidos nessa rica cadeia de produção e de serviços. São profissionais originados principalmente dos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal. Tomamos a liberdade, nessa data comemorativa, de prestar nossas homenagens, com todo respeito e admiração, especialmente, ao trabalho dos “silvicultores de bota”. Eles constituem, de fato, importante referência de todo o sucesso de nossa atividade. São os primeiros a verem, são os primeiros a orientar e dar rumo aos trabalhos. De sol a sol, com chuva e barro, o sucesso da silvicultura brasileira deve muito a esses dedicados e respeitosos profissionais. São esses os grandes responsáveis pelo Dia da Silvicultura.

É tempo de homenagens, de lembranças pelas importantes realizações e de muita reflexão para os grandes desafios a serem enfrentados!
A silvicultura é responsável pelo extraordinário desenvolvimento das indústrias que usam a madeira como matéria-prima. A silvicultura transformou o Brasil no maior produtor de celulose de fibra curta do mundo e deu destaque internacional à produção de chapas de madeira e siderurgia a carvão vegetal. Conforme citação da IBA, participa em quase 3% do PIB, e já caminhamos para nos tornarmos protagonistas, em nível internacional, no mercado de carbono com a recuperação de milhões de hectares de áreas degradadas. É a silvicultura que emprega mais de 3 milhões de brasileiros para cuidar de seus 10 milhões de hectares de florestas plantadas. É com conhecimentos e práticas silviculturais que temos condições de proteger nossos recursos hídricos, nossa biodiversidade e harmonizar a paisagem das áreas ocupadas.

O ano de 2024 tem sido marcado por fatos importantíssimos para toda a cadeia de produção e de serviços da silvicultura. Há de se registrar;
1- Em 2024, a silvicultura saiu do exclusivismo do eucalipto e pinus e passou a ser envolver com as espécies nativas, com recuperação de áreas degradadas e valorização, proteção e manejo das matas naturais. As queimadas e o desmatamento assustaram o mundo!

2- Há 55 anos era reintroduzido o E. grandis de Coffs Harbour. Trabalho de valor inestimável, que propiciou o primeiro e grande salto na produtividade do eucalipto. Outros avanços se sucederam, mas foi em 2024, em que se ouviu o grande berro, oportuno e construtivo do Presidente da IBA ,chamando atenção aos imprescindíveis cuidados a serem adotados para proteção da produtividade de nossas florestas plantadas;


3- O Mato Grosso do Sul, que lá atrás brigava por uma fábrica de celulose, consolida-se no maior centro industrial de celulose e papel do mundo, com fábricas iniciando atividade e outras anunciando novas instalações. A silvicultura triplicou suas atividades;


4- A silvicultura de espécies nativas se consolidou como nova alternativa para crescimento da atividade. Grandes empreendimentos, muitos interessados e profissionais competentes envolvidos e comprometidos com o tema, que só vai crescer. Um caminho sem volta. E muito trabalho pela frente!


5- A Amazônia teve seus valores ambientais reconhecidos e respeitados em nível internacional. Abre –se, dessa forma, um mundo de oportunidades para silvicultores;


6- Diante do exposto, importante paradoxo a ser explicado – os cursos de engenharia florestal, de onde se originam a grande maioria dos silvicultores, apresenta redução significativa de interessados!

Que este 7 de dezembro inspire e estimule silvicultores, engenheiros florestais e toda a sociedade, conjuntamente, a novos avanços rumo a uma silvicultura ainda mais sustentável, inovadora e valorizada em toda sua abrangência!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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PRODUZIR MADEIRA OU SEQUESTRAR CARBONO?

E agora a silvicultura tem duas vias – produção de madeira para diversos fins ou formar florestas para recuperação de áreas degradas e obter créditos de carbono! Bem simples assim.

Há quem adicione à produção de madeira inúmeros complementos. Produz renda, gera empregos, protege recursos hídricos, conserva a biodiversidade, e mais um punhado de benefícios sociais e econômicos, tudo na direção da sustentabilidade. No entanto, os que investem em florestas produtivas não deixam de falar da TIR – Taxa Interna de Retorno – firme e forte. Os complementos sempre lembrados e importantes não entram nessa conta, mas são indispensáveis nos discursos. E o crescimento do setor só aconteceu porque formar floresta e produzir madeira virou negócio com TIR – firme e forte!

E agora surge a silvicultura com espécies nativas para recuperar áreas degradadas, captar carbono e possibilitar a negociação dos créditos alcançados. Um mundo novo e gigantesco. Já se fala na liderança brasileira nesse negócio também! Excelente janela de oportunidades para crescimento da silvicultura.

Ficam, no entanto, aos interessados algumas indagações que necessitam de respostas mais enriquecidas:
– Em qual bioma vamos concentrar nossos esforços? Amazônia, Mata Atlântica ou Cerrado? Em todos há áreas para recuperação. Mas com espécies e metodologias diferentes de trabalho!

  • Que espécies vamos usar?
  • Onde colher sementes?
  • E que procedimentos operacionais adotar no campo – espaçamento, adubação, quantas espécies plantar, o que fazer de manejo… E o ciclo será de quantos anos?
  • E o que teremos de receita – madeira, carbono, produtos diversos?
  • E o investidor? O que pretende? A TIR continua a dona da festa? Poderá ser atendida?

Talvez esteja faltando ampla divulgação de tudo que se faz! Pois já existem grandes empreendimentos em andamento e com profissionais competentes envolvidos. É sabido que há muitas informações geradas por pesquisadores que há tempos se dedicam aos trabalhos com espécies nativas. Esse início, com certeza, está se baseando nesses trabalhos pioneiros de ilustres pesquisadores!

Há de se reconhecer, no entanto, que descobrir o caminho que deu certo para eucalipto, pinus e outras espécies exóticas também não foi fácil! E ainda há muito a se fazer! Mas o salto que se deu com pesquisas, experimentações e muito investimento de empresas interessadas foi gigantesco! E com a silvicultura de espécies nativas, será que não poderemos dar um salto semelhante com mais pesquisas, experimentações, instituições de pesquisas e apoio das grandes empresas interessadas? Afinal, em que estágio estamos nesse negócio?

Esse é um grande desafio da silvicultura brasileira e que não pode deixar de contar com o irrestrito apoio da competência profissional e tecnológica de todos que deram vida e marcaram o sucesso da silvicultura para produção de madeira!

A quem caberá dar uma juntada em tudo e todos e mostrar os caminhos a serem seguidos?

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E OS ALERTAS PREOCUPANTES

A silvicultura brasileira deu origem a riquíssimo patrimônio econômico, social, ambiental e cultural. Tudo resultado das florestas plantadas e da produtividade elevada e competitiva! Foram gerados milhões de empregos, renda e vida a um mundo de atividades que orbitam no entorno da silvicultura!

Diante de tamanha importância, todos os cuidados devem ser adotados para que esse processo produtivo não sofra solução de continuidade.

Há, no entanto, alertas que preocupam e devem chamar a atenção dos silvicultores. E, aqui, mora o perigo! Quanto aos alertas, nenhuma novidade.

A produtividade das florestas tem sido destacada como a grande prioridade a ser trabalhada. Fala-se em estagnação e até em declínio da produtividade, especialmente nas novas regiões, em que se concentram os grandes

empreendimentos.

Há também a necessidade de se definir ações concretas a respeito da sustentabilidade. Os discursos continuam cheios de pompas, mas há necessidade de intervenções operacionais, lá no campo, para que se consiga, de fato, mais proteção aos recursos hídricos, à conservação da biodiversidade e harmonização da paisagem. Da mesma forma, mas com honrosas exceções, o fomento florestal, ainda continua mais como tema de integração comunitária do que alternativa de política de suprimento empresarial. Nessa mesma linha, a profissionalização dos terceiros, que tem tudo a ver com a qualidade das florestas, talvez por falta da devida valorização, ainda não evoluiu o suficiente para se transformar em verdadeira parceria.

E há de se destacar, também como fator primordial para qualidade das florestas, o distanciamento de campo, que se verifica no dia-a-dia dos silvicultores.

Na verdade, os alertas apresentados têm valor relativo. Importa mesmo o encaminhamento e as ações que podem trazer melhorias ao processo produtivo.

O desenvolvimento da silvicultura se deu através de pesquisas e experimentações e num ambiente de participação conjunta e colaborativa. Os que participaram dos períodos áureos da silvicultura brasileira, creditam a esse ambiente construtivo, a causa principal do sucesso setorial!

Diante dessa premissa, fica para reflexão: será que a parceria entre empresas e a integração com as universidades, que engrandeceu e enobreceu o setor, se mantém viva e forte, nos tempos atuais?

Dessa reflexão ficam dúvidas e incertezas!

Será que a intensidade dos alertas apresentados ainda não foram suficientes para mobilizar as forças atuantes do setor? Ou essa acomodação enganosa é resultado da certeza de que com recursos e inegável competência técnica qualquer problema se resolverá a tempo e hora?

Do exposto resta a dúvida quanto à insuficiência de tempo para que socorros emergenciais apresentem resultados, antes que o sucesso da silvicultura seja impactado!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA 3M E A DISPONIBILIDADE DE MADEIRA!

A silvicultura 3M – dos Milhares de hectares, dos Milhares de empregos e dos Milhões de toneladas continua em pleno crescimento. Seria interessante, no entanto, que essa expansão não estivesse, em sua grande parte, voltada exclusivamente ao abastecimento de restritos segmentos industriais.

Diante desse contexto, vive-se um paradoxo: mesmo diante de significativa expansão ainda poderemos ter falta de madeira para atender à demanda futura de alguns segmentos industriais?

Há quem aposte que sim! Madeira de ciclos longos de eucalipto e mesmo de pinus já começa a dar sinais de escassez. A madeira para fins energéticos, producão de embalagens e paletes, dentre outras finalidades, com certeza, poderão ter dificuldades de abastecimento, especialmente em regiões distantes dos grandes polos de reflorestamento.
E mesmo assim, com mais de 90% das florestas plantadas destinadas às indústrias de celulose, siderurgia à carvão vegetal e chapas, haverá de se ter cuidado especial com adversidades que poderão afetar a disponibilidade de madeira desse mercado. Com certeza, não haverá espaço para desperdícios!

O mercado de madeira das florestas plantadas sempre foi constituído pela soma da produção de grandes, médios e pequenos produtores. E sujeita aos impactos negativos, relacionados à qualidade e produtividade das florestas, ataque de pragas e doenças, os estragos decorrentes do fogo, que tem aumentado ano a ano e dos desequilíbrios climáticos e consequentes estresses hídricos. Mais recentemente, um novo agravante – o desaparecimento da madeira de pequenos e médios produtores rurais, que estão desistindo da silvicultura.

Essas adversidades são conhecidas há tempos. A queda da produtividade já tem sido verificada em muitas regiões. Fala-se em decréscimo de 40 para menos de 35 metros cúbicos por hectare/ano, em função da ocupação de novas áreas e material genético não apropriado. As pragas e doenças, apesar dos permanentes esforços defensivos, continuam tirando um naco da produção ano a ano. O fogo, da mesma forma, torra milhares de árvores. O estresse hídrico vai deixando de surpreender e suas consequências sempre impactam a produtividade das florestas. Merece destaque, no entanto, o retrocesso das políticas de fomento. Esse sim, um desafiante resgate a ser feito pela importância econômica, social e ambiental que representa.

Para uma atividade que move rico patrimônio industrial de vários segmentos e que se orgulha em se dizer sustentável, desenvolver condições para que a silvicultura se mantivesse presente no maior número de propriedades rurais e pudesse atender aos mais diversos segmentos deveria representar uma permanente preocupação dos interessados nessa preciosa matéria-prima.

Sem o fortalecimento institucional do setor e sem uma política pública de médio e longo prazo para a produção florestal, ainda continuaremos a depender do esforço conjunto das indústrias, empresas florestais, instituições de pesquisas, e produtores rurais – para superar as eventuais dificuldades que surgem e se possa dar legitimidade à sustentabilidade tão propalada da silvicultura brasileira.

É animador a certeza de que esse alinhamento é compatível com a competência profissional e a responsabilidade social, econômica e ambiental das empresas do setor. Mas é importante que tais preocupações pautem as estratégias de entidades representativas, instituições de pesquisas e universidades que trabalham pelo fortalecimento da silvicultura.

Só com o esforço de todos será possível que seja implementado, de fato, o “modo ação”!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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