A produtividade das florestas plantadas parece se constituir em uma das principais preocupações da silvicultura. Em regra geral, no início da fase de expansão dos plantios florestais, nos anos 60/70, falava-se em 15-20m3/ha/ano como produtividade média. Nos anos 80/90, num avanço significativo, chegou-se ao redor de 40, e em locais privilegiados em clima e solo, já se falava até em mais de 50. Com a expansão da silvicultura para novas áreas, as vezes com adversidades edafoclimáticas ou operacionais, a produtividade média baixou para 35 m3/ha/ano. Mas com o contínuo crescimento da atividade, aumentou a preocupação com os sinais de queda na produtividade. E isso assusta e põe na linha de frente a responsabilidade dos gestores florestais!
Embora haja iniciativas pontuais e pesquisas indicando novos caminhos, não há como não admitir que estamos diante de uma grande questão a ser resolvida: como manter a produtividade de nossas florestas, em níveis que sustentem a competividade de nossa silvicultura?
E daí, a necessidade de atentarmos, cuidadosamente, para o tema em toda a sua abrangência.
Na primeira aula de melhoramento genético, aprendemos que o fenótipo – aquilo que se vê, que se mede – é a combinação do genótipo, que é a capacidade genética, ao meio em que o ser se desenvolve.
Bem simples, a produtividade que precisamos cuidar é o fenótipo. E é resultado da combinação da capacidade genética do clone e do meio em que é colocado. A grande tacada é saber que nessa combinação há fatores manejáveis com resultados no curto prazo!
O melhoramento genético tem a limitação do tempo, enquanto a adequação do meio – o que fazer; como fazer; quando fazer e com quem fazer – só depende de decisões acertadas de pessoas e com resultados de curto prazo!
Do exposto, ficam para reflexão;
1- Melhorar a base genética e selecionar novos clones é medida imprescindível, a longo prazo. Exige pesquisas, experimentações, competência, recursos financeiros e tempo. Temos tudo e devemos fazer acontecer, mas o resultado é limitado pelo tempo. Nada, a curto prazo, a não ser uma criteriosa seleção de clones;
2- O meio em que se desenvolve o clone depende, em quase tudo, de ações e decisões das pessoas – identificar áreas adequadas, selecionar o que fazer, como fazer e com quem fazer, são decisões de responsabilidade do gestor de silvicultura. E os resultados são imediatos!
3- Há empreendimentos de muito sucesso e até de estrondosos fracassos, muitas vezes, na mesma região! Será que é possível colocar todos esses prejuízos só na conta da genética?
Atualmente, segundo nossas entidades representativas, todos os dias plantam –se milhões de árvores para sustentação do riquíssimo patrimônio industrial, que também consome, diariamente, milhões de metros de madeira!
Essa roda não pode parar, pois dela depende a sustentabilidade de um dos maiores patrimônios industriais do país. É vital que gestores florestais priorizem medidas corretivas imediatas, ajustando diretrizes operacionais ao potencial de cada área, enquanto pesquisadores avançam na seleção genética para garantir o futuro da produtividade. O equilíbrio entre ação imediata e planejamento de longo prazo será a chave para o sucesso contínuo da silvicultura.
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br