A PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS E AS LIÇÕES DE GENÉTICA

A produtividade das florestas plantadas parece se constituir em uma das principais preocupações da silvicultura. Em regra geral, no início da fase de expansão dos plantios florestais, nos anos 60/70, falava-se em 15-20m3/ha/ano como produtividade média. Nos anos 80/90, num avanço significativo, chegou-se ao redor de 40, e em locais privilegiados em clima e solo, já se falava até em mais de 50. Com a expansão da silvicultura para novas áreas, as vezes com adversidades edafoclimáticas ou operacionais, a produtividade média baixou para 35 m3/ha/ano. Mas com o contínuo crescimento da atividade, aumentou a preocupação com os sinais de queda na produtividade. E isso assusta e põe na linha de frente a responsabilidade dos gestores florestais!

Embora haja iniciativas pontuais e pesquisas indicando novos caminhos, não há como não admitir que estamos diante de uma grande questão a ser resolvida: como manter a produtividade de nossas florestas, em níveis que sustentem a competividade de nossa silvicultura?
E daí, a necessidade de atentarmos, cuidadosamente, para o tema em toda a sua abrangência.
Na primeira aula de melhoramento genético, aprendemos que o fenótipo – aquilo que se vê, que se mede – é a combinação do genótipo, que é a capacidade genética, ao meio em que o ser se desenvolve.

Bem simples, a produtividade que precisamos cuidar é o fenótipo. E é resultado da combinação da capacidade genética do clone e do meio em que é colocado. A grande tacada é saber que nessa combinação há fatores manejáveis com resultados no curto prazo!

O melhoramento genético tem a limitação do tempo, enquanto a adequação do meio – o que fazer; como fazer; quando fazer e com quem fazer – só depende de decisões acertadas de pessoas e com resultados de curto prazo!

Do exposto, ficam para reflexão;

1- Melhorar a base genética e selecionar novos clones é medida imprescindível, a longo prazo. Exige pesquisas, experimentações, competência, recursos financeiros e tempo. Temos tudo e devemos fazer acontecer, mas o resultado é limitado pelo tempo. Nada, a curto prazo, a não ser uma criteriosa seleção de clones;
2- O meio em que se desenvolve o clone depende, em quase tudo, de ações e decisões das pessoas – identificar áreas adequadas, selecionar o que fazer, como fazer e com quem fazer, são decisões de responsabilidade do gestor de silvicultura. E os resultados são imediatos!
3- Há empreendimentos de muito sucesso e até de estrondosos fracassos, muitas vezes, na mesma região! Será que é possível colocar todos esses prejuízos só na conta da genética?

Atualmente, segundo nossas entidades representativas, todos os dias plantam –se milhões de árvores para sustentação do riquíssimo patrimônio industrial, que também consome, diariamente, milhões de metros de madeira!

Essa roda não pode parar, pois dela depende a sustentabilidade de um dos maiores patrimônios industriais do país. É vital que gestores florestais priorizem medidas corretivas imediatas, ajustando diretrizes operacionais ao potencial de cada área, enquanto pesquisadores avançam na seleção genética para garantir o futuro da produtividade. O equilíbrio entre ação imediata e planejamento de longo prazo será a chave para o sucesso contínuo da silvicultura.

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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DIA NACIONAL DA SILVICULTURA – 7 DE DEZEMBRO

Comemora-se em 7 de dezembro o Dia Nacional da Silvicultura. A data foi instituída pela LEI n.º 12.643, DE 15 DE MAIO DE 2012, que diz…
Art. 1º É instituído o Dia Nacional da Silvicultura, a ser comemorado, anualmente, no dia 7 de dezembro, em todo o território nacional, com o objetivo de conscientizar os produtores rurais e a sociedade brasileira acerca da importância da silvicultura, tanto para o meio ambiente quanto para a economia.

Art. 2º Por ocasião da comemoração do Dia Nacional da Silvicultura, o poder público promoverá campanhas de esclarecimento da importância dessa atividade, direcionadas ao setor agropecuário e à população em geral.

A Comunidade de Silvicultura aproveita a oportunidade para cumprimentar a todos os silvicultores envolvidos nessa rica cadeia de produção e de serviços. São profissionais originados principalmente dos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal. Tomamos a liberdade, nessa data comemorativa, de prestar nossas homenagens, com todo respeito e admiração, especialmente, ao trabalho dos “silvicultores de bota”. Eles constituem, de fato, importante referência de todo o sucesso de nossa atividade. São os primeiros a verem, são os primeiros a orientar e dar rumo aos trabalhos. De sol a sol, com chuva e barro, o sucesso da silvicultura brasileira deve muito a esses dedicados e respeitosos profissionais. São esses os grandes responsáveis pelo Dia da Silvicultura.

É tempo de homenagens, de lembranças pelas importantes realizações e de muita reflexão para os grandes desafios a serem enfrentados!
A silvicultura é responsável pelo extraordinário desenvolvimento das indústrias que usam a madeira como matéria-prima. A silvicultura transformou o Brasil no maior produtor de celulose de fibra curta do mundo e deu destaque internacional à produção de chapas de madeira e siderurgia a carvão vegetal. Conforme citação da IBA, participa em quase 3% do PIB, e já caminhamos para nos tornarmos protagonistas, em nível internacional, no mercado de carbono com a recuperação de milhões de hectares de áreas degradadas. É a silvicultura que emprega mais de 3 milhões de brasileiros para cuidar de seus 10 milhões de hectares de florestas plantadas. É com conhecimentos e práticas silviculturais que temos condições de proteger nossos recursos hídricos, nossa biodiversidade e harmonizar a paisagem das áreas ocupadas.

O ano de 2024 tem sido marcado por fatos importantíssimos para toda a cadeia de produção e de serviços da silvicultura. Há de se registrar;
1- Em 2024, a silvicultura saiu do exclusivismo do eucalipto e pinus e passou a ser envolver com as espécies nativas, com recuperação de áreas degradadas e valorização, proteção e manejo das matas naturais. As queimadas e o desmatamento assustaram o mundo!

2- Há 55 anos era reintroduzido o E. grandis de Coffs Harbour. Trabalho de valor inestimável, que propiciou o primeiro e grande salto na produtividade do eucalipto. Outros avanços se sucederam, mas foi em 2024, em que se ouviu o grande berro, oportuno e construtivo do Presidente da IBA ,chamando atenção aos imprescindíveis cuidados a serem adotados para proteção da produtividade de nossas florestas plantadas;


3- O Mato Grosso do Sul, que lá atrás brigava por uma fábrica de celulose, consolida-se no maior centro industrial de celulose e papel do mundo, com fábricas iniciando atividade e outras anunciando novas instalações. A silvicultura triplicou suas atividades;


4- A silvicultura de espécies nativas se consolidou como nova alternativa para crescimento da atividade. Grandes empreendimentos, muitos interessados e profissionais competentes envolvidos e comprometidos com o tema, que só vai crescer. Um caminho sem volta. E muito trabalho pela frente!


5- A Amazônia teve seus valores ambientais reconhecidos e respeitados em nível internacional. Abre –se, dessa forma, um mundo de oportunidades para silvicultores;


6- Diante do exposto, importante paradoxo a ser explicado – os cursos de engenharia florestal, de onde se originam a grande maioria dos silvicultores, apresenta redução significativa de interessados!

Que este 7 de dezembro inspire e estimule silvicultores, engenheiros florestais e toda a sociedade, conjuntamente, a novos avanços rumo a uma silvicultura ainda mais sustentável, inovadora e valorizada em toda sua abrangência!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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PRODUZIR MADEIRA OU SEQUESTRAR CARBONO?

E agora a silvicultura tem duas vias – produção de madeira para diversos fins ou formar florestas para recuperação de áreas degradas e obter créditos de carbono! Bem simples assim.

Há quem adicione à produção de madeira inúmeros complementos. Produz renda, gera empregos, protege recursos hídricos, conserva a biodiversidade, e mais um punhado de benefícios sociais e econômicos, tudo na direção da sustentabilidade. No entanto, os que investem em florestas produtivas não deixam de falar da TIR – Taxa Interna de Retorno – firme e forte. Os complementos sempre lembrados e importantes não entram nessa conta, mas são indispensáveis nos discursos. E o crescimento do setor só aconteceu porque formar floresta e produzir madeira virou negócio com TIR – firme e forte!

E agora surge a silvicultura com espécies nativas para recuperar áreas degradadas, captar carbono e possibilitar a negociação dos créditos alcançados. Um mundo novo e gigantesco. Já se fala na liderança brasileira nesse negócio também! Excelente janela de oportunidades para crescimento da silvicultura.

Ficam, no entanto, aos interessados algumas indagações que necessitam de respostas mais enriquecidas:
– Em qual bioma vamos concentrar nossos esforços? Amazônia, Mata Atlântica ou Cerrado? Em todos há áreas para recuperação. Mas com espécies e metodologias diferentes de trabalho!

  • Que espécies vamos usar?
  • Onde colher sementes?
  • E que procedimentos operacionais adotar no campo – espaçamento, adubação, quantas espécies plantar, o que fazer de manejo… E o ciclo será de quantos anos?
  • E o que teremos de receita – madeira, carbono, produtos diversos?
  • E o investidor? O que pretende? A TIR continua a dona da festa? Poderá ser atendida?

Talvez esteja faltando ampla divulgação de tudo que se faz! Pois já existem grandes empreendimentos em andamento e com profissionais competentes envolvidos. É sabido que há muitas informações geradas por pesquisadores que há tempos se dedicam aos trabalhos com espécies nativas. Esse início, com certeza, está se baseando nesses trabalhos pioneiros de ilustres pesquisadores!

Há de se reconhecer, no entanto, que descobrir o caminho que deu certo para eucalipto, pinus e outras espécies exóticas também não foi fácil! E ainda há muito a se fazer! Mas o salto que se deu com pesquisas, experimentações e muito investimento de empresas interessadas foi gigantesco! E com a silvicultura de espécies nativas, será que não poderemos dar um salto semelhante com mais pesquisas, experimentações, instituições de pesquisas e apoio das grandes empresas interessadas? Afinal, em que estágio estamos nesse negócio?

Esse é um grande desafio da silvicultura brasileira e que não pode deixar de contar com o irrestrito apoio da competência profissional e tecnológica de todos que deram vida e marcaram o sucesso da silvicultura para produção de madeira!

A quem caberá dar uma juntada em tudo e todos e mostrar os caminhos a serem seguidos?

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E OS ALERTAS PREOCUPANTES

A silvicultura brasileira deu origem a riquíssimo patrimônio econômico, social, ambiental e cultural. Tudo resultado das florestas plantadas e da produtividade elevada e competitiva! Foram gerados milhões de empregos, renda e vida a um mundo de atividades que orbitam no entorno da silvicultura!

Diante de tamanha importância, todos os cuidados devem ser adotados para que esse processo produtivo não sofra solução de continuidade.

Há, no entanto, alertas que preocupam e devem chamar a atenção dos silvicultores. E, aqui, mora o perigo! Quanto aos alertas, nenhuma novidade.

A produtividade das florestas tem sido destacada como a grande prioridade a ser trabalhada. Fala-se em estagnação e até em declínio da produtividade, especialmente nas novas regiões, em que se concentram os grandes

empreendimentos.

Há também a necessidade de se definir ações concretas a respeito da sustentabilidade. Os discursos continuam cheios de pompas, mas há necessidade de intervenções operacionais, lá no campo, para que se consiga, de fato, mais proteção aos recursos hídricos, à conservação da biodiversidade e harmonização da paisagem. Da mesma forma, mas com honrosas exceções, o fomento florestal, ainda continua mais como tema de integração comunitária do que alternativa de política de suprimento empresarial. Nessa mesma linha, a profissionalização dos terceiros, que tem tudo a ver com a qualidade das florestas, talvez por falta da devida valorização, ainda não evoluiu o suficiente para se transformar em verdadeira parceria.

E há de se destacar, também como fator primordial para qualidade das florestas, o distanciamento de campo, que se verifica no dia-a-dia dos silvicultores.

Na verdade, os alertas apresentados têm valor relativo. Importa mesmo o encaminhamento e as ações que podem trazer melhorias ao processo produtivo.

O desenvolvimento da silvicultura se deu através de pesquisas e experimentações e num ambiente de participação conjunta e colaborativa. Os que participaram dos períodos áureos da silvicultura brasileira, creditam a esse ambiente construtivo, a causa principal do sucesso setorial!

Diante dessa premissa, fica para reflexão: será que a parceria entre empresas e a integração com as universidades, que engrandeceu e enobreceu o setor, se mantém viva e forte, nos tempos atuais?

Dessa reflexão ficam dúvidas e incertezas!

Será que a intensidade dos alertas apresentados ainda não foram suficientes para mobilizar as forças atuantes do setor? Ou essa acomodação enganosa é resultado da certeza de que com recursos e inegável competência técnica qualquer problema se resolverá a tempo e hora?

Do exposto resta a dúvida quanto à insuficiência de tempo para que socorros emergenciais apresentem resultados, antes que o sucesso da silvicultura seja impactado!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA 3M E A DISPONIBILIDADE DE MADEIRA!

A silvicultura 3M – dos Milhares de hectares, dos Milhares de empregos e dos Milhões de toneladas continua em pleno crescimento. Seria interessante, no entanto, que essa expansão não estivesse, em sua grande parte, voltada exclusivamente ao abastecimento de restritos segmentos industriais.

Diante desse contexto, vive-se um paradoxo: mesmo diante de significativa expansão ainda poderemos ter falta de madeira para atender à demanda futura de alguns segmentos industriais?

Há quem aposte que sim! Madeira de ciclos longos de eucalipto e mesmo de pinus já começa a dar sinais de escassez. A madeira para fins energéticos, producão de embalagens e paletes, dentre outras finalidades, com certeza, poderão ter dificuldades de abastecimento, especialmente em regiões distantes dos grandes polos de reflorestamento.
E mesmo assim, com mais de 90% das florestas plantadas destinadas às indústrias de celulose, siderurgia à carvão vegetal e chapas, haverá de se ter cuidado especial com adversidades que poderão afetar a disponibilidade de madeira desse mercado. Com certeza, não haverá espaço para desperdícios!

O mercado de madeira das florestas plantadas sempre foi constituído pela soma da produção de grandes, médios e pequenos produtores. E sujeita aos impactos negativos, relacionados à qualidade e produtividade das florestas, ataque de pragas e doenças, os estragos decorrentes do fogo, que tem aumentado ano a ano e dos desequilíbrios climáticos e consequentes estresses hídricos. Mais recentemente, um novo agravante – o desaparecimento da madeira de pequenos e médios produtores rurais, que estão desistindo da silvicultura.

Essas adversidades são conhecidas há tempos. A queda da produtividade já tem sido verificada em muitas regiões. Fala-se em decréscimo de 40 para menos de 35 metros cúbicos por hectare/ano, em função da ocupação de novas áreas e material genético não apropriado. As pragas e doenças, apesar dos permanentes esforços defensivos, continuam tirando um naco da produção ano a ano. O fogo, da mesma forma, torra milhares de árvores. O estresse hídrico vai deixando de surpreender e suas consequências sempre impactam a produtividade das florestas. Merece destaque, no entanto, o retrocesso das políticas de fomento. Esse sim, um desafiante resgate a ser feito pela importância econômica, social e ambiental que representa.

Para uma atividade que move rico patrimônio industrial de vários segmentos e que se orgulha em se dizer sustentável, desenvolver condições para que a silvicultura se mantivesse presente no maior número de propriedades rurais e pudesse atender aos mais diversos segmentos deveria representar uma permanente preocupação dos interessados nessa preciosa matéria-prima.

Sem o fortalecimento institucional do setor e sem uma política pública de médio e longo prazo para a produção florestal, ainda continuaremos a depender do esforço conjunto das indústrias, empresas florestais, instituições de pesquisas, e produtores rurais – para superar as eventuais dificuldades que surgem e se possa dar legitimidade à sustentabilidade tão propalada da silvicultura brasileira.

É animador a certeza de que esse alinhamento é compatível com a competência profissional e a responsabilidade social, econômica e ambiental das empresas do setor. Mas é importante que tais preocupações pautem as estratégias de entidades representativas, instituições de pesquisas e universidades que trabalham pelo fortalecimento da silvicultura.

Só com o esforço de todos será possível que seja implementado, de fato, o “modo ação”!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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AS ESPÉCIES NATIVAS E AS OPORTUNIDADES IMPERDÍVEIS!

Há tempos não se via no setor florestal alguma coisa despertar tanto interesse quanto os plantios com espécies nativas em programas de recuperação de áreas degradadas. Fala-se em milhões de hectares a serem recuperados.

A possibilidade de se negociar créditos de carbono parece ter sido o ingrediente que faltava para aquecer o entusiasmo dos novos protagonistas florestais. No entanto, ainda há dúvidas e muitas questões a serem resolvidas!

Analistas financeiros dizem que continua difícil fechar a conta e que o carbono ajuda, mas não é suficiente. A solução ainda está em se encontrar sistemas produtivos que assegurem receitas em ciclo tão longo.

Há encrencas a serem resolvidas.
O processo tecnológico, ainda necessita de pesquisas e experimentações complementares e a desinformação dificulta o aproveitamento dos dados disponíveis. Há falta de política pública elaborada com competência técnica e jurídica com regras e diretrizes bem estabelecidas. E que garanta segurança, continuidade a longo prazo e legitimidade institucional ao processo. Além, acima de tudo, de identificar com clareza a entidade governamental para comandar, coordenar e monitorar os programas a serem implantados. De outro lado, há até quem afirme que recurso não parece ser problema!

O incentivo fiscal para reflorestamento originário de uma política pública, há mais de 50 anos, surgiu diante de tantas ou mais dificuldades, e se tornou um sucesso. Havia falta de tecnologia e critérios indefinidos na seleção de executores. E muitos ajustes a serem feitos. A grande diferença para o momento atual, é que havia a ativa participação do governo na sua implementação, sob a coordenação do antigo IBDF. Foi essa centralização de comando, informações e controles o principal instrumento para integrar o crescimento do setor e promover as necessárias correções e adequações operacionais. O próprio desenvolvimento tecnológico foi impulsionado pelo trabalho conjunto de empresas, instituições de pesquisas e universidades. E o processo produtivo experimentou uma longa curva de aprendizado até que se alcançassem os altos índices de produtividades.

A silvicultura com espécies nativas, com certeza, passará por fases semelhantes, e da mesma forma, exigirá investimentos em pesquisas e experimentações, até que se consiga nas áreas em recuperação a formação de florestas produtivas que justifiquem, de fato, os créditos de carbono.
O reflorestamento com espécies exóticas construiu uma história de sucesso com erros e acertos. E essa experiência bem sucedida encontra-se à disposição dos tomadores de decisão para ser replicada nessa nova fase da silvicultura!

Estamos diante de um enorme desafio, mas também de uma oportunidade única para o desenvolvimento social, econômico e ambiental em várias regiões do país. A disposição para superar dificuldades, aliada à implementação de medidas institucionais urgentes, será fundamental para garantir o sucesso desse desafiador programa florestal. Não podemos permitir que obstáculos iniciais prejudiquem o interesse crescente e o avanço das iniciativas já em andamento.

Com a expertise acumulada e o envolvimento de profissionais qualificados, a silvicultura brasileira tem tudo para transformar essa nova empreitada em um marco de sucesso, assim como ocorreu no passado com as espécies exóticas.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E O CACHORRO NA TÁBUA DE PREGOS!

Numa roda de silvicultores, a conversa ficou animada quando alguém mandou: “ fala-se tanto de sustentabilidade, mas continuamos plantando só meia dúzia de clones”. E continuou: “ todo ano perde-se um pouco de floresta por conta de infestações de pragas”. E então, colocou o problema – “ já pensaram na encrenca que poderemos ter, se de repente, uma ou outra praga explode e foge de nossos controles? Outro acrescentou -” está passando da hora de se adotar medidas preventivas concretas para se evitar a possibilidade de uma tremenda encrenca”. E completou : “ talvez seja impossível se precisar o momento em que isso pode ocorrer, mas parece sensato que medidas preventivas fossem adotadas, antes que algo de dimensão e desdobramentos desastrosos aconteça”.

E mais justificativas e dúvidas foram sendo colocadas: há uma quantidade restrita de clones comerciais em uso; a base genética há muito tempo tem tido pouca variação; haverá providências em andamento, mas com informações caladas pela competição? São as mesmas pragas que pipocam todos os anos? O surgimento dessas infestações, continuamente, não assusta as empresas? E as mudanças climáticas poderão agravar a situação? E as doenças? Foi colocado, até com certa indignação – “ será que a defesa desse rico patrimônio econômico, social e ambiental não caberia também ao Estado, além de empresas e instituições de pesquisas”?

Ficou no ar uma tremenda dúvida, quando alguém falou: “ se eu fosse dono de indústria não hesitaria em implementar medidas preventivas para eliminar todo tipo de risco para o meu patrimônio!”. E outro, com pouco mais de descontração, comentou – “ fala-se em enriquecimento e diversificação da base genética, como medida preventiva, urgente e estratégica ”. E enfatizou:” trabalho dessa natureza vai requerer ampla rede de pesquisas e experimentações e o envolvimento de empresas e instituições de pesquisas, mas ,acima de tudo, haverá de se contar com a colaboração e participação de todos os interessados .” E seguiu –“ é tão importante à segurança de nossa silvicultura que iniciativa nessa direção deveria partir dos donos das indústrias.” . E alguém completou : “ foi da união de todos que o setor se desenvolveu, e há de se descobrir o que precisa ser feito para que se resgate essa união para segurança e sustentação da própria silvicultura”. E completou com muita segurança-“ temos profissionais, empresas e instituições de pesquisas competentes para realização de tarefa tão desafiadora”.

Alguém com o respeito e admiração de todos comentou: “ as indústrias que vivem das florestas, com certeza, não poupariam recursos para que a silvicultura não corresse riscos tão prejudiciais.”
E a conversa ficou interessante e se transformou num grande recado, quando alguém colocou “ essa situação parece a história do cachorro deitado numa tábua de prego, gemendo, e sem sair do lugar…. E ele aguenta, pois a dor ainda não é suficiente para que ele  pule fora!”

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FEITO DE 55 ANOS REÚNE SILVICULTORES PARA CELEBRAR!

Um grupo de amigos silvicultores esteve, ontem- quarta-feira, dia 14 – em visita ao Dr. Antônio Sebastião Rensi Coelho, em Itapetininga, para celebrar de forma amistosa e com muita gratidão a sua inestimável contribuição ao setor florestal. Comemora-se em 2024, 55 anos de feito memorável à silvicultura brasileira!!! Em 1969, o Dr.Rensi juntamente com o saudoso Dr.Ronaldo Algodoal trouxeram da Austrália material genético de excelente qualidade de E. grandis de Coffs Harbour. Providenciaram os devidos procedimentos e distribuíram o material para todo o setor. A produtividade do eucalipto deu um salto extraordinário e a Duratex e Champion davam com isso o maior exemplo de desprendimento e colaboração entre empresas da história da silvicultura brasileira.

Estiveram presentes – Manoel de Freitas, Edson Balloni, Admir Mora, Eduardo Moré, Flavia Stenico e Nelson Barboza Leite. Um agradecimento especial ao Renato Rensi pela acolhida e brilhante participação em nossa reunião. Em poucas horas, numa conversa descontraída, falou-se do atual momento de nossa silvicultura, com destaque às urgentes pesquisas a serem feitas, da silvicultura para multi- produtos, da competição que substituiu a colaboração entre empresas, da necessidade de se fortalecer nossas instituições de pesquisa, criar centros regionais de experimentações em áreas de grandes concentrações de florestas, como MS, e da premência de se contar com o apoio e integração das novas gerações ao contexto da silvicultura.

A reunião foi encerrada pelo Dr. Rensi, que aos 93 anos e atento ao desenvolvimento do setor, deixou importante recado a todos os silvicultores;
“Muito agradecido aos amigos, mas esse trabalho é o resultado da contribuição e colaboração de muitos profissionais e, acima de tudo, do desprendimento e espírito colaborativo de empresas que acreditavam no potencial da silvicultura brasileira”. E continuou: “O setor florestal continua precisando da atuante participação e colaboração das empresas, das instituições de pesquisas e do próprio Estado para assegurar a continuidade do sucesso alcançado. São desafios de todos os silvicultores e que não podem ser esquecidos”!

A reunião terminou com o propósito de novos encontros e encaminhamento de ações que enriqueçam a silvicultura brasileira!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A FLORESTA 4.0 E A PRODUTIVIDADE NAS NUVENS!

Indagando conceituado silvicultor a respeito das novidades do setor, ouvimos – “agora só se fala em floresta 4.0, na plataforma Z para isso e Y para aquilo, e depois junta tudo e arquiva na nuvem! Na verdade, essa expressão misturava preocupação e até indignação pela linguagem moderna e valorização da onda digital, e aparente desinteresse pelas atividades de campo. E aí, engatou-se uma prosa cheia de curiosidades, que foi do “silvicultor da chuva e do sol” ao engenheiro de camiseta Tommy e ar condicionado.

Nem pensar em criticar o uso das ferramentas digitais e dos recursos de TI à silvicultura de chuva e sol. Da mesma forma, nem pensar na possibilidade de se prescindir da transpiração de campo. O grande exercício é usar toda tecnologia disponível para aprimorar e otimizar as atividades operacionais. Sem o olhar e a atenção, lá da frente de serviço, estaremos dando um adeus às florestas que fazem fotossíntese e produzem madeira. E estaremos criando florestas virtuais, de lindas imagens com gráficos e tabelas cheias de preciosismo. Mas tudo na nuvem!

Nos tempos em que a sustentabilidade da silvicultura passa à linha de frente das preocupações empresariais, o silvicultor que suja a bota tem papel essencial e imprescindível nas orientações e monitoramento dos serviços operacionais. É com seu olhar e observações permanentes que se consegue a harmonização da paisagem, a proteção dos recursos hidrológicos e nascentes, a melhor alocação da reserva legal e APP e se estabelece as melhores condições para conservação da biodiversidade. Com os recursos digitais os trabalhos são bastante facilitados, mas é o dia-a-dia do silvicultor, lá no campo, que evita erros irreversíveis e garante a direção exata para a sustentabilidade da silvicultura.

Nos grandes empreendimentos em que as ferramentas digitais não apagam o protagonismo das atividades operacionais, a silvicultura ganha e ganha muito. Que o silvicultor que suja a bota e o engenheiro de camisa Tommy se integrem é a melhor receita para os novos avanços da silvicultura brasileira!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS EM ÁREAS DEGRADADAS, COMO GANHAR COM A EXPERIÊNCIA VIVIDA!

A silvicultura brasileira em 50 anos, mais que dobrou a produtividade inicial, desenvolveu tecnologia para superar inúmeros obstáculos, aprendeu a proteger o meio ambiente, criou mecanismos para se proteger de pragas e doenças, enfim, atingiu elevado nível tecnológico capaz de desenvolver caminhos alternativos para variados objetivos. E ainda deixou a certeza de que sempre teremos a acrescentar e melhorar o que se faz, se quisermos nos manter em nível de sustentabilidade. E assim, com apoio de universidades, experimentações e pesquisas e muito recurso humano e financeiro envolvido, chegou-se até aqui! Foram mais de 50 anos e temos cerca de 10 milhões de hectares de florestas e um estoque inestimável de conhecimentos!

Nos últimos anos, surgiram novos reflorestamentos e com objetivos bem diferentes! Nessa onda de mitigação climática surgiram os reflorestamentos para recuperação de áreas degradadas! E agora, usando espécies nativas. Fala-se em recuperar áreas degradadas e marginalizadas para captação de carbono, produção de alimentos, geração de empregos, proteção de recursos hidrológicos e biodiversidade, dentre outros benefícios.

Fala-se em reflorestar em menos de 10 anos cerca de 12 milhões de hectares. Trata-se de área ainda maior do que se fez em 50 anos com as espécies exóticas. Tremendo desafio! Temos muitas informações a respeito de nossas espécies nativas, mas ainda faltam dados concretos de programas em larga escala. Essa lacuna merece muita atenção!

À semelhança do que ocorreu com a silvicultura de espécies exóticas, poderão surgir inúmeros obstáculos. E daí, a importância de se integrar e somar esforços e conhecimentos gerados e vivenciados em 50 anos pela silvicultura brasileira, especialmente, com as culturas de eucalipto e pinus. Não podemos desprezar o estoque de conhecimentos, além de se poder contar com profissionais, universidades e instituições de pesquisas à disposição para se fazer as devidas adequações. São experiências de sucesso que poderão ser aproveitadas para minimizar eventuais dificuldades dos novos desafios!

E, não nos iludamos! Iremos nos defrontar com problemas, e muitos já conhecidos, que reaparecerão com nomes diferentes e próprios dos tempos modernos. Mas as encrencas serão as mesmas: disponibilidade e qualidade das sementes, como fazer mudas, como proceder nas operações de plantio e manejo, etc. Com certeza, teremos que combater as formigas e a mato-competição. E a execução será feita com equipe própria ou com terceiros? E, estejamos preparados, pois, da mesma forma, surgirão os questionamentos sociais e ambientais.

Nesse contexto, portanto, que já estamos vivendo ficam algumas certezas e que terão de ser respeitadas: não há investidor que não exija retorno dos recursos alocados; que se usem os conhecimentos científicos já consolidados; que seja valorizada a experiência de 50 anos, acumulada pela silvicultura brasileira e que o profissionalismo fale mais alto diante das planilhas, que podem até mostrar caminhos diferentes.

Essa nova etapa criará importantes alternativas de negócio à silvicultura brasileira e poderá representar expressiva contribuição à economia e desenvolvimento social e ambiental de muitas regiões. É na verdade um jogo que não pode ser perdido depois de tanto sucesso alcançado com a silvicultura de espécies exóticas!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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