CONSTRUINDO CONEXÕES VERDES: CORREDORES ECOLÓGICOS E A SILVICULTURA

Ao longo das últimas décadas, vêm sendo formadas extensas e contínuas áreas de florestas plantadas, visando à produção de madeira para diversos fins. Nesses casos, é fundamental que se adotem medidas que protejam os recursos hídricos, a biodiversidade e que mantenham a harmonia da paisagem. Esses imensos plantios merecem atenção especial.

Há, no entanto, casos bem-sucedidos de grandes áreas florestais onde são mesclados estratégicos mosaicos de vegetação natural, como medidas mitigadoras desses efeitos. São exemplos a serem seguidos!

O avanço de grandes plantios, sem a devida preocupação com a ocupação territorial adequadamente ordenada, pode trazer inúmeras consequências: marginalização de pequenos produtores, empobrecimento da fauna local por falta de alimentação e impactos sobre nascentes e pequenos riachos. São sinais de adversidades que ameaçam o meio ambiente, a qualidade de vida das comunidades remanescentes e o futuro dos empregos ligados à cadeia florestal e industrial dessas regiões.

Quando o planejamento do uso do território é feito de forma independente pelas diversas empresas, nem sempre os interesses comuns das regiões são preservados.

Essas extensas áreas causam preocupação, principalmente diante da necessidade de medidas de proteção contra o fogo e eventuais ataques de pragas e doenças. Nesse sentido, a formação de corredores ecológicos — faixas contínuas de vegetação nativa que conectem fragmentos de florestas, Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais — apresenta-se como uma estratégia interessante para manter o equilíbrio ambiental, conservar os recursos hídricos, permitir o fluxo da fauna, fortalecer a resiliência da paisagem e, acima de tudo, constituir-se em uma importante medida de proteção do patrimônio florestal.

As grandes empresas do setor florestal, com sua estrutura técnica, capacidade financeira e influência, têm papel fundamental nesse processo. Trata-se de mais uma inestimável contribuição para garantir a sustentabilidade dos empreendimentos a médio e longo prazo. A formação de faixas com florestas naturais, restaurando áreas estratégicas e criando redes de vegetação nativa conectadas, pode diminuir sobremaneira os impactos dos imensos blocos de monoculturas.

Instituições de pesquisa, entidades representativas do setor e o poder público são peças essenciais na soma de esforços para a criação e o fortalecimento de políticas públicas específicas nesse sentido. Incentivos técnicos, financeiros e legais — como pagamentos por serviços ambientais e créditos de carbono — são fundamentais para que os proprietários rurais, especialmente os pequenos e médios produtores, possam participar ativamente dessa construção ecológica. Destaca-se, nesse contexto, o importante e estratégico papel do fomento florestal como excelente alternativa para implementar ações nessa direção.

Este é um chamamento a toda a sociedade: é preciso encontrarmos novos caminhos para dar legitimidade à sustentabilidade das grandes áreas com florestas plantadas! Precisamos unir forças — empresas, governos, pesquisadores, trabalhadores e comunidades — para que a ocupação territorial com grandes extensões de florestas mantenha a paisagem viva e sustentável.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E A HORA DE REPENSAR NOVOS CAMINHOS

A silvicultura brasileira mantem no centro das discussões, algumas pendências estratégicas intocáveis e que poderão trazer sérios problemas, lá na frente! Apesar dos significativos avanços tecnológicos e dos inúmeros programas que se anunciam, a falta de avanços concretos suscita questionamentos. Em meio a diferentes visões e abordagens, uma realidade se impõe: é necessário identificar e retomar o protagonismo sobre os fatores, que realmente impactam as reais adversidades de nossa silvicultura.

Mais do que buscar justificativas históricas, o momento exige foco no presente e na construção de soluções sustentáveis para o futuro. A Expedição Silvicultura, ousada e oportuna iniciativa conduzida pelo jornalista Paulo Cardoso, surge como uma contribuição importante nesse cenário. Ao propor uma imersão técnica e analítica nas práticas atuais do dia-a-dia de campo e na realidade da produtividade das diferentes regiões, a expedição deverá oferecer subsídios valiosos para que o setor reflita com profundidade sobre seus rumos.

Entre os principais desafios que rondam o setor, destacam-se o uso de materiais genéticos de desempenho variado, os efeitos da expansão sobre áreas com limitações edafo-climáticas, o desaparecimento dos pequenos e médios produtores, a desordenada modificação da paisagem e as consequências nos recursos hídricos e proteção da biodiversidade, a falta de profissionalização dos modelos de terceirização que, muitas vezes, comprometem a qualidade dos serviços e a valorização da mão-de-obra, são alguns dos fatores, que com certeza, deverão ser observados. Tais fatores, associados, podem estar impactando diretamente os indicadores de produtividade das florestas e pondo em risco a sustentabilidade a sustentabilidade da silvicultura.

A consequência é um ciclo de baixa eficácia: planta-se mais como forma de compensação, intensifica-se o uso do solo disponível, os custos operacionais aumentam e os resultados ficam aquém do esperado. Isso afeta tanto o desempenho técnico quanto a sustentabilidade econômica, social e ambiental das operações. Todos perdem!

Ainda assim, os relatórios setoriais seguem destacando os avanços da silvicultura brasileira — e com razão, pois há conquistas importantes a serem reconhecidas. No entanto, é preciso que esses avanços caminhem lado a lado com uma análise crítica e transparente dos desafios que ainda persistem. Num determinado momento essa conta chega. E pode chegar nas mãos de quem não terá nenhuma responsabilidade pelos resultados adversos. Muitas vezes e a depender das circunstâncias, uma conta impagável!
O setor florestal brasileiro possui conhecimento, capacidade técnica e capital humano para liderar uma nova fase de crescimento sustentável. Para isso, é fundamental adotar uma postura proativa, baseada em dados, boas práticas e compromisso com melhorias contínuas.

Cuidar da sustentabilidade da silvicultura não é apenas uma meta operacional — é uma responsabilidade estratégica para a perenidade e credibilidade do setor. Há milhões de empregos e famílias que dependem do sucesso dos empreendimentos florestais e industriais. Esse desafio é gigantesco, mas é de todos – profissionais, empresas, universidades, instituições de pesquisas e dos próprios governantes!

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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Artigo de opinião do Prof. Dr. Celso Foelkel

SOCIEDADE BRASILEIRA DE SILVICULTURA


70 anos de contribuição inestimável ao setor florestal brasileiro

Precisamos manter essa história em direção a um futuro vencedor

Neste mês de setembro, celebramos uma data marcante para o setor florestal brasileiro: os 70 anos da Sociedade Brasileira de Silvicultura. Fundada com o propósito de representar, fortalecer e fomentar o desenvolvimento da silvicultura no Brasil, a SBS construiu uma trajetória sólida, pautada pelo compromisso técnico, ético e institucional com o crescimento sustentável das florestas plantadas e naturais no país.

Ao longo dessas sete décadas, a entidade prestou relevantes serviços ao setor florestal brasileiro. Em conjunto com outras instAituições, foi peça fundamental na defesa e manutenção dos incentivos fiscais voltados ao reflorestamento – mecanismo essencial para impulsionar investimentos e ampliar a base florestal nacional. Também teve papel importantíssimo no apoio técnico à criação de uma legislação florestal brasileira que não fosse impeditiva ao desenvolvimento do setor e que ajudasse na gestão dos recursos florestais naturais a serem preservados ou plantados.

A SBS também esteve à frente de discussões cruciais para a qualidade e a certificação dos produtos florestais, participando ativamente da concepção e estruturação do CERFLOR – Programa Brasileiro de Certificação Florestal – que hoje é referência internacional em boas práticas de manejo e responsabilidade ambiental.

Outro marco da sua atuação é a parceria com a Sociedade Brasileira dos Engenheiros Florestais (SBEF), com quem coordenou inúmeros Congressos Florestais Brasileiros, espaços que promoveram o intercâmbio técnico e científico e fortaleceram o elo entre academia, setor produtivo e políticas públicas.

Seus inúmeros marcos e conquistas foram difundidos principalmente através da Revista Silvicultura, que entre os anos de 1976 até 2001, trouxe atualidades, notícias e artigos técnicos ao setor florestal em suas 84 edições. A revista se constituiu durante esse tempo no principal noticioso para o setor florestal brasileiro.

Ao longo de sua história passada, a SBS contou com a colaboração ativa das grandes lideranças do setor florestal, tanto técnicas como gerenciais, sendo reconhecida por sua seriedade, competência e capacidade de articulação.

Neste momento especial, prestamos nossos mais respeitosos cumprimentos à SBS, aos seus sócios e dirigentes e a todos que contribuíram para que ela se tornasse referência em representatividade, conhecimento e compromisso com o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Entretanto, a SBS, como tantas outras associações técnicas ou setoriais em escala global, tem enfrentado problemas de sobrevivência há pelo menos uma década. O principal deles tem sido a não renovação de seu quadro de associados (individuais e empresas), que tem reduzido drasticamente pela mudança de gerações dos técnicos e das empresas florestais e pelos espaços perdidos para outras associações, universidades e institutos de pesquisa. Isso tudo tem reduzido a capacidade da gestão atual, comandada pelo bravo amigo do setor, o Dr. Amantino Ramos de Freitas, que tem sido o principal fator para nossa sociedade continuar lutando para tentar manter seus espaços e serviços. Como sócio da associação, ficamos entristecidos por vê-la aos poucos perdendo seus principais serviços como eventos, revistas, publicações técnicas, representação setorial, website etc.

Parabéns, SBS, pelos seus 70 anos! Que venham muitos mais, com ainda mais conquistas e avanços para o setor florestal! Mas para que isso aconteça, é vital que novas lideranças do setor se interessem em dar continuidade aos serviços voluntários que inúmeros sócios e não sócios da SBS realizaram por décadas e com sucesso conhecido e reconhecido. É também fundamental que as empresas produtoras e fornecedoras do setor florestal se interessem em apoiar a SBS para que ela possa ajudar na construção de novas rotas e oferecer serviços que sejam vitais para a coletividade do setor e para nosso país.
Prof. Dr. Celso Foelkel

Conheçam mais em outros materiais sobre a SBS em:
http://www.celso-foelkel.com.br/pinus/PinusLetter43_SBS.pdf
https://www.celso-foelkel.com.br/artigos/Foelkel_Sociedade_Brasileira_Silvicultura.pdf

A Comunidade de Silvicultura sente-se honrada com a postagem do amigo Celso Foelkel em nossa página!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA PRECISA E OS EFEITOS NA PRODUTIVIDADE

Ainda se fala muito a respeito dos fatores que levam os empreendimentos florestais ao sucesso. Condições de solo e clima, material genético adequado, mudas de qualidade, nutrição, controle de mato-competição, pragas e doenças são fatores que impactam diretamente a produtividade. Tudo isso, bem descrito, pode ser encontrado em anexos contratuais, que devem ser seguidos pelos executores contratados — muitas vezes, sem margem para discussão.

No entanto, mesmo com todos esses cuidados, nem sempre o resultado final atende ao que foi planejado. E aí surge a indagação: onde e quem errou? Quem responde pela baixa produtividade? Como explicar resultados abaixo do esperado?
E então vem a frustração: “Mas as florestas estavam tão bonitas!” Essa é uma realidade muito comum.
Vale lembrar: o custo de formação de uma floresta com produtividade de 35 m³/ha/ano ou de 45 m³/ha/ano é praticamente o mesmo. A grande diferença está na forma, nos cuidados, na quantidade de insumos e, principalmente, no momento certo de adotar cada procedimento operacional. Ser preciso no “arroz com feijão” do plantio e da formação florestal faz toda a diferença no resultado final.

É aqui que entram a competência e a responsabilidade de quem executa as atividades operacionais. Para muitos, é justamente aí que mora o segredo. Florestas produtivas são o resultado da soma de detalhes cuidadosamente aplicados no dia a dia, os quais impactam diretamente no desempenho do projeto.

É nesse contexto que se comprova a qualidade dos procedimentos adotados — algo que dificilmente se consegue acompanhar minuto a minuto no campo. O comprometimento do executor com a qualidade do trabalho operacional é o que vai definir o padrão da floresta.
Quando todos os recursos estão disponíveis, o sucesso ainda dependerá da mão de quem executa. Um conhecido e experiente Diretor Florestal uma vez afirmou:
“Tomamos todos os cuidados na escolha do executor, pois é dele que vai depender o sucesso do nosso negócio.”

E ainda complementou:
“Não adianta selecionar apenas com base no custo ou na estrutura de serviços que a empresa possui. A grande diferença está nas pessoas que comandam, nas suas trajetórias profissionais e no comprometimento com os resultados de campo. Isso é o que traz segurança e garantia de qualidade operacional — e de uma boa floresta.”

Esse nosso amigo não abre mão desses princípios e assegura que essa é a chave do sucesso. De fato, são essas particularidades que diferenciam contratantes e contratados — e que transformam um executor de serviços em um parceiro confiável, com disposição para enfrentar qualquer dificuldade.

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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AS AMIZADES QUE O TEMPO NÃO APAGA!

Nos dias 28 e 29 de março de 2025, mais uma vez o Grupo F3–Fortaleza, Firme e Forte se reuniu para mais uma brilhante comemoração. O Grupo é formado por profissionais, que se juntaram na década de 80, e constituíram a Florestal da Ripasa. Já se foram mais de 40 anos e continua a mesma amizade e a grande satisfação em todos os reencontros.

Os desafios superados, sempre com muito entusiasmo e dedicação, criaram uma amizade, quase que familiar! Na verdade, somos privilegiados pelas oportunidades vividas. E o tempo nunca irá apagar de nossas vidas os momentos de tantas felicidades e motivação profissional. Cabe também o nosso respeitoso agradecimento ao apoio e compreensão dos acionistas, representados pela presença permanente de Osmar Zogbi, em todos os momentos de nossa caminhada.

F3 – SEMPRE UNIDO!

No último final de semana (27 e 28/ março p.p.) tivemos a alegria de reunir novamente esse grupo, dessa vez em Itararé, sob a organização do Rubens Trevisan. Algumas amizades que já duram mais de 50 anos. O Grupo liderado pelo Nelson Barboza Leite, iniciou sua formação mesmo em 1981, na antiga Ripasa. Com o tempo mais profissionais foram integrados, mas podemos dizer que o grupo foi formado mesmo há 44 anos! Putz! Uma vida!

Um grupo de profissionais que trabalhava em harmonia, respeito mútuo e muita dedicação. Não tínhamos estrelas. Todos, pessoas simples, bota suja de barro, mas um caráter ímpar, trazido do berço e aprimorado no trabalho. A cumplicidade, o respeito profissional e a harmonia, foram a chave do sucesso. Divergências? Logicamente, que houve muitas.

Mas todas tratadas com muito profissionalismo e sempre conseguimos chegar num ponto comum. NINGUÉM DEIXAVA A FRUTA APODRECER NAS GAVETAS.

E com tudo isso, conseguimos fazer uma grande empresa, cujo resultado é muito respeitado pelo setor FLORESTAL. Além do sucesso no trabalho, o mais importante foi A AMIZADE CULTIVADA, E QUE DURA ATÉ HOJE. UMA RARIDADE NOS DIAS ATUAIS, e que fazemos de tudo para ser eternizada!

Estiveram presentes RUBENS TREVISAN, (anfitrião nota 10) NELSON BARBOZA LEITE, EDSON ANTONIO BALLONI, JOSÉ ZANI FILHO, LINEU H. WADOUSKI, FRANCISCO ASSIS RIBEIRO e ARNALDO SALMERON. Alguns do grupo não puderam comparecer, mas fica o registro. Especial agradecimento ao SR. CABRAL, consultor da CIA. SUZANO e Sr. RIVALDO ( EX-RIPASA) que nos receberam com cordialidade e profissionalismo e proporcionaram um giro pelas Fazendas IBITI e SANTANA(hoje propriedade da SUZANO), onde pudemos observar a grandiosidade da empresa, e que muito nos emocionou, pois ali, nós plantamos as primeiras árvores. Que memoráveis recordações e que florestas maravilhosas!

Por último, fica o agradecimento a todos que compareceram e principalmente a DEUS, que nos permite essa alegria.
E continuamos no Grande F3 – FORTALEZA, FIRME e FORTE e otimistas para que em 2026 possamos comemorar os 45 anos do Grupo.
Obrigado a todos.

Eng. Florestal – Arnaldo Salmeron
Respeitosos agradecimentos a todos. E que nos próximos encontros possamos contar com a presença dos que justificadamente não puderam comparecer – Carlos Guerreiro, Osvaldo Fernandes, Ademir Cunha Bueno, José Luiz Stape, dentre outros. E de todos os saudosos cumprimentos ao Edson Martini (in memorian).

Respeitosos agradecimentos a todos os amigos,
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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HISTÓRIAS QUE MARCAM NOSSAS VIDAS…

Experiências e histórias de nosso dia-a-dia se transformam, muitas vezes, em referências para toda nossa vida. A convivência com pessoas brilhantes, talvez seja das mais importantes fontes de aprendizado e de bons exemplos de vida. Seus ensinamentos jamais são esquecidos e essas pessoas brilhantes se transformam em nossos verdadeiros mestres. Guardam o respeito e a nossa admiração para sempre!
Em 1968, a minha primeira aula de silvicultura na ESALQ foi dada pelo Prof. Helladio do Amaral Mello. Não hesitaria em apontar essa aula, como a oportunidade que marcou, decisivamente, a minha vida profissional.

Comecei o segundo ano de Agronomia com enorme dúvida a respeito da escolha profissional que tinha feito. Mas após a primeira aula de silvicultura, fiquei com a certeza de que tinha encontrado o que fazer para o restante de minha vida. Jamais esqueci a ênfase que o Prof. Helladio deu à formação do silvicultor – “aqui todos terão os conhecimentos técnicos sobre a silvicultura, mas só serão silvicultores, de fato, aqueles que tiverem disposição na vida profissional para os trabalhos de campo e nunca deixarem de agir com respeito, responsabilidade e ética em tudo que fizerem”. Que ensinamentos……. O Dr. Helládio, dirigia o Departamento de Silvicultura da ESALQ-USP, que se transformou nos dias atuais no Curso de Engenharia Florestal da ESALQ-USP. Foi um dos fundadores do IPEF e contava com equipe de ótimos e dedicados professores que se destacaram em diferentes áreas do setor florestal. A silvicultura brasileira deve muito a esses brilhantes profissionais. E que seus exemplos sejam seguidos e eternizados!

Anos depois, já no início da vida profissional, tive a oportunidade, vez ou outra, de encontrar e conversar com o Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho, que na ocasião, era Diretor Florestal da Duratex. Todo encontro era uma aula. Numa dessas conversas, ouvi do Dr. Rensi – “o trabalho de silvicultura numa empresa traz sempre surpresas e problemas que precisam de soluções. Não fuja e nem se desespere. Tudo se resolve, se estiver cercado de pessoas amigas, leais e competentes. O sucesso das empresas é sempre o resultado da competência de sua equipe de profissionais” E que lição… O Dr. Rensi, caracterizou-se por sua permanente colaboração para o desenvolvimento do setor, sua incansável dedicação e ética. Foi sempre muito elogiado por sua admirável disposição na formação de grandes profissionais. Um silvicultor exemplar e uma pessoa maravilhosa!

Passados anos, as recordações não se apagam e fica a nossa eterna gratidão pelos ensinamentos recebidos.

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A PRODUÇÃO DE MADEIRA E OS DESAFIOS DA SILVICULTURA

A madeira das florestas plantadas, especialmente do eucalipto e do pinus é a base de sustentabilidade de ativos de grande importância econômica, social e ambiental. A falta dessa insubstituível matéria-prima poderá provocar danos significativos às cadeias produtivas, além de indesejáveis impactos socioambientais em muitas regiões.

Fala-se numa área plantada em torno de 10 milhões de hectares e mais de 3 milhões de empregos nas atividades florestais, industriais e de serviços. Conhecer quanto há de floresta e de madeira, quanto se planta e quais as demandas para proteção desse patrimônio, são desafios que exigem esforços dos silvicultores, das empresas e atenção do próprio Governo. Esse é o verdadeiro retrato dos desafios que se impõem à silvicultura brasileira!

O significativo aumento dos plantios, nos últimos anos, é uma demonstração da preocupação com os estoques de madeira para o futuro. No entanto, há questões silviculturais pendentes, que ainda rondam o setor. Nesse sentido, há de se destacar a queda na produtividade das florestas. Segundo informações das entidades representativas do setor, nos anos 90, falava-se em produtividade média em torno de 40 metros cúbicos por hectare/ano. E nos mais recentes relatórios da IBA – Indústria Brasileira de Árvores – já se fala em produtividade em torno de 32 metros cúbicos/hectare/ano. Uma queda expressiva e que merece atenção: será o material genético? Será problema de proteção de pragas, doenças e fogo? Serão problemas do dia-a -dia operacional? Ou já estamos sentindo os impactos de adversidades climáticas?

Os mais otimistas acreditam que a competência das empresas e instituições de pesquisas terão soluções a tempo e hora para qualquer emergência. Mas é bom lembrar, que são raros os estoques de reserva à disposição para uma emergência!
Esse contexto traz uma inquietante indagação – em que momento haverá uma mobilização dos interessados, no sentido de se tomar as devidas providências para se enfrentar as adversidades mais prementes?

Dar respostas a essas indagações é garantir os suficientes estoques de madeira para o futuro e, acima de tudo, dar sustentabilidade à silvicultura brasileira.

Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A SILVICULTURA E SUAS PENDÊNCIAS INESQUECÍVEIS

A Comunidade de Silvicultura está há anos falando de assuntos relacionados à silvicultura brasileira. Estamos tomando a liberdade de republicar os textos que nos parecem estratégicos para o momento atual. Vamos selecionar aqueles que comemoram 5 anos de sua publicação. O texto, a seguir, foi publicado em 12 de fevereiro de 2020. Dessa forma, voltamos aos relatos de 5 anos e vamos refletir sobre as mudanças havidas ou sobre a falta de ações reclamadas na época. Retomar questões mal resolvidas só irá enriquecer a silvicultura brasileira. E lembremos sempre que problemas não se resolvem sem ações concretas dos interessados!

QUANTO TEMOS DE FLORESTAS PLANTADAS?

As estatísticas do setor são bastante duvidosas! Para 2018, o IBGE fala em 9,85 milhões de hectares, o MapBiomas fala em 8,6 milhões e a IBA fala em 7,83 milhões. Uma diferença próxima de 30 % entre os extremos! Isso na safra agrícola seria um desastre! Para muitos o levantamento do IBGE mostra plantios florestais de produtores independentes e sem vinculação com consumidores. Talvez seja o mesmo caso do MapBiomas. São florestas que não fazem parte das estatísticas da IBA. Mas essa diferença de 2 milhões de hectares é muito significativa! Há quem ache que são esses produtores, que mesmo insatisfeito, continuam vendendo madeira a qualquer preço. Coisa de família, com a família e nada de fazer contas. A produtividade que não chega a 30 metros cúbicos/ha/ano vai baixando, mas a floresta continua em pé! O IBGE registra e a vida continua!

Outra dúvida diz respeito às áreas plantadas apresentadas nas estatísticas das entidades do setor. Em alguns casos, os responsáveis estão mais atentos e procurando aperfeiçoar as informações. Gente experiente troca informações e os números são arredondados. Resolve-se a informação no estado, mas o assunto ao nível nacional continua pendente. E as estatísticas só crescem! Muda o ritmo de plantio, deixa de se plantar, o consumo se mantém, às vezes aumenta, os impactos são observados, e não se nota nenhum registro nas estatísticas do setor.

Ninguém confere, ninguém questiona, ninguém declara suas perdas! Há uma ajeitação engenhosa e vida que segue…

Com certeza, uma grande empresa, firme e forte, não se deixa levar sem conhecer bem suas florestas disponíveis. Um abuso nessas previsões e o pescoço rola! No entanto, nas andanças de trabalho, notam-se coisas estranhas e sem registro nas estatísticas.

E vamos às encrencas: grandes áreas impactadas por seca prolongada – áreas enormes – ou morrem, ou diminuem o crescimento anual. É sangria certa! Áreas afetadas pela infestação de formigas, muito conhecidas, mas nem sempre respeitadas! Áreas atacadas por pragas e doenças, que só crescem ano a ano. Disso todos temem, apesar de poucas medidas preventivas! E a enorme quantidade de áreas em formação, largadas ou abandonadas após a colheita. Gente insatisfeita e “p da vida” com o negócio! E mais uma novidade – a transformação das áreas de florestas em áreas para agricultura. Tudo por conta do “preço de repolho” da madeira.

Acrescenta-se a tudo isso as engenhosas manobras silviculturais para redução de custos – menos adubações, mais mato-competição e até mais convivência com as formigas, entre outras mágicas. Facada sangrenta na produtividade – áreas com potencial para 40 não passa de 30. Mas com todas essas incertezas, tirando daqui e dali, alguns setores industriais continuam crescendo. No entanto, de tempos em tempos, alguém mais prevenido anuncia gigantescos programas de plantio – empresas competentes e atenta aos sinais de inevitáveis dificuldades! Há dúvidas quanto às áreas plantadas e, mais preocupante ainda, quanto à quantidade de madeira disponível!

Nesse contexto, fica no ar um punhado de perguntas: É possível definir políticas públicas, quando não se tem números oficias sobre a quantidade de madeira disponível? Que rumo tomam os investidores interessados em florestas? E como ficam as novas oportunidades que começam a surgir? E onde fica a sustentabilidade, cantada em prosa e versos, da silvicultura brasileira?

Essas questões necessitam de respostas seguras para possibilitar o crescimento ordenado do setor e a garantia de sustentação dos empreendimentos à base das florestas plantadas.

Vamos torcer para que os modernos sistemas tecnológicos possam nos atender e que se consiga somar os esforços das entidades do setor – da IBA, das entidades estaduais atuantes, como dos estados do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia e outros. A esse esforço, com certeza, poderemos somar a colaboração do MapBiomas, da Câmara Setorial de Florestas Plantadas e impreterivelmente do Serviço Florestal Brasileiro!

Esse desafio, com tantos interessados e competentes profissionais, não pode ficar sem solução!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A ONDA DO CARBONO – QUE O SONHO NÃO VIRE PESADELO

A silvicultura brasileira está entrando numa nova onda de crescimento. Chegou firme e forte o carbono! Embora existam inúmeras alternativas para captação de carbono, sem nenhuma dúvida, as opções que envolvem a silvicultura estão se despontando como as mais promissoras. E num país continental como o Brasil é fácil imaginar que serão ilimitadas as oportunidades de negócios de carbono para mitigação de problemas climáticos. E tudo na escala de milhões e bilhões. É aí que mora o perigo!

Já tivemos no Brasil episódio muito parecido com o incentivo fiscal para reflorestamento da década 60/70. Um sucesso para alguns, uma vergonha para muitos! Há de se reconhecer que o setor de celulose, a siderurgia a carvão vegetal, enfim, todas as indústrias à base de florestas plantadas não podem negar que um dia usaram os incentivos fiscais para reflorestamento. Mas esses são os que conseguiram escapar do mundo de erros estratégicos e agentes mal-intencionados. São os bem sucedidos que salvaram os incentivos e não querem nem ouvir falar de suas origens.

E os incentivos só conseguiram subsistir, graças ao esforço gigantesco de entidades representativas e de empresas com empreendimentos muito bem sucedidos. Esses mostraram a viabilidade do negócio bem feito. O próprio Governo, convencido da imprescindível necessidade de madeira, também não poupou esforço para acelerar o “rapa” na picaretagem, que pululava para todos os cantos. A atividade vivia sob intensa repulsa da sociedade diante de abusos escandalosos. As lições ficaram. Uma pena que os bons exemplos não sejam aproveitados, mas que jamais sejam esquecidos os erros, primariamente, cometidos. E lembrar que quase mataram a silvicultura!

Mas está aí o carbono. Firme e forte com milhões e bilhões e despertando interessados para todos os lados. Os mais bem informados já encontraram os atalhos para caminharem. Talvez a desinformação esteja dificultando o “caminho das pedras”, mas o barulho provocativo é enorme!

Causa muita estranheza, o fato, de não existir nenhuma instituição para comandar e orientar os programas, estabelecer as diretrizes prioritárias, dar rumo às atividades. Não é fácil o acesso a documentos que mostrem o que fazer, como fazer, onde fazer, com quem se informar.
Faltam informações claras sobre a metodologia para apresentar programas, quem monitora, quem corrige e até onde aprender. Tudo parece muito abstrato! Até os milhões e bilhões que encantam, só poucos sabem como se habilitar ao acesso!

Não se duvida da competência e idoneidade de profissionais que se encontram ligados ao assunto, mas é de se lamentar que não se criem, com certa urgência, os caminhos, as regras e critérios para que o assunto cresça e se desenvolva sem os riscos de se transformar numa tremenda encrenca, e mate excepcional alternativa para criação de benefícios sociais e ambientais para toda a sociedade!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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O QUE FOI 2024 E VISÕES PARA 2025

O ano de 2024 deixou para o setor florestal brasileiro um misto de sucesso e frustrações. A silvicultura das florestas plantadas cresceu e há expectativas de que os plantios e reformas ficaram em torno de 800.000 ha. No entanto, as nossas florestas nativas foram envolvidas por intensa discussão sobre desmatamentos e queimadas. Diante desse quadro, que lições foram deixadas e o que se espera para 2025?

O setor florestal continua institucionalmente frágil e dependendo do esforço e dedicação de profissionais e entidades, muitas vezes sem nenhuma responsabilidade pública. Fala-se muito e mesmo com inegável potencial, continuamos à margem de programas e políticas públicas estratégicas para desenvolvimento do país.

O Serviço Florestal Brasileiro, longe de liderar as grandes necessidades do setor, luta a ferro e fogo para viabilizar as concessões florestais. Quem sabe um dia vai ter a força, a autonomia e estrutura para ser a base institucional do rico setor florestal brasileiro. A torcida é grande!

E que a COP 30, prevista para 2025, em Belém, no Pará, seja um sucesso. Que atinja os avanços esperados para suas políticas climáticas, e que sirva para fortalecer e valorizar nossas florestas.

Do lado das florestas plantadas, mesmo com pendências negligenciadas, o crescimento na formação de novas florestas foi gigantesco. No entanto, pendências que se arrastam, insistentemente, precisam ser lembradas sob pena de sermos taxados de omissos pelos profissionais que estão chegando ou por irresponsáveis pelos consumidores de madeira no futuro. Não temos o direito e nem a liberdade de deixarmos para trás as questões que podem comprometer a silvicultura, lá na frente!

O cuidado com a produtividade foi, oportunamente, muito bem lembrado em 2024. Há sinais de iniciativas empresariais, mas fica a sensação, que ainda falta um grande programa que dê segurança ao rico patrimônio industrial, que depende, exclusivamente da madeira. Há esperança de que as instituições de pesquisas pelos conhecimentos já somados não deixem de atender à essa estratégica demanda. Mas há de se lembrar, no entanto, que o tempo não espera e que os “estoques de salvamento” já se esgotaram. Com certeza, em 2025 os gritos de alertas voltarão com mais veemência!

Da mesma forma, o fomento florestal, os cuidados de campo com as variáveis ambientais que constituem pilares importantes da sustentabilidade, ainda continuam mais valorizados nos discursos, que no dia-a-dia de campo. Da mesma forma, as medidas para estimular a profissionalização dos terceiros, ainda continuam esbarrando em adversidades empresariais.

As novidades interessantes para aguçar nossa expectativa, estarão por conta de medidas institucionais, legais e governamentais para viabilizar os programas de recuperação de áreas degradadas, consolidar a silvicultura de espécies nativas e girar o mercado de carbono. Mas o esforço dos interessados e a participação ativa do próprio Governo sempre serão imprescindíveis! E que essas oportunidades, tão sonhadas, sirvam para alavancar o crescimento da silvicultura brasileira.

Ficam os votos e a esperança de que 2025 traga o dinamismo que o setor necessita. Temos conhecimentos e, com certeza, não faltarão profissionais competentes para que as entidades representativas, instituições de pesquisa e governamentais assumam essa postura proativa em 2025 para viabilização das medidas necessárias!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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