SILVICULTURA DE ESPÉCIES NATIVAS E A SUPERAÇÃO DOS DESAFIOS

No dia 12 de setembro, tivemos a oportunidade de participar do encontro realizado em Porto Seguro, coordenado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura através da FT Silvicultura de Espécies Nativas, em parceria com a Symbiosis.

O ambiente foi marcado pelo entusiasmo e pela disposição de profissionais e instituições em buscar soluções conjuntas para transformar a silvicultura de nativas em um setor estruturado, competitivo e capaz de gerar resultados econômicos, sociais e ambientais.

A visita à Symbiosis, que desenvolve seus trabalhos de pesquisa e experimentação em parceria com diversas instituições de pesquisa, permitiu observar avanços consistentes: produção de mudas, melhoramento genético de espécies e plantios experimentais.

A empresa apresentou sua estratégia de atuação, destacou as oportunidades do mercado de madeiras tropicais e deixou claro que seus trabalhos visam também o retorno financeiro dos investimentos aplicados — condição essencial para dar sustentabilidade e escala à atividade. Cabem os nossos mais respeitosos cumprimentos!

Nesse contexto, a distribuição da publicação “Silvicultura e Tecnologia de Espécies da Mata Atlântica”, de autoria de Samir G. Rolim e Daniel Piotto, da mesma forma, foi de grande relevância, reunindo informações técnicas valiosas para orientar pesquisas e experimentações. Uma preciosidade para ser conhecida por todos os interessados no desenvolvimento de espécies nativas!

Nas discussões conduzidas pela Coalizão, foram enfatizados os principais pilares de atuação: desenvolvimento tecnológico, crédito e financiamento, comunicação e, de maneira muito especial, a legislação.

Evidenciou-se a necessidade de se criar regras claras e seguras que deem confiança ao investidor de que tudo o que for plantado poderá ser colhido no futuro sem entraves.

O tema foi tratado com atenção pelo IBAMA, que ouviu as sugestões apresentadas, fez ponderações e se colocou à disposição para buscar soluções que conciliem as demandas do setor com a proteção ambiental.

Essa postura aberta e construtiva do órgão regulador foi um dos pontos altos do encontro, pois sinaliza a possibilidade de se remover barreiras históricas e de se oferecer segurança jurídica aos investidores.

O papel do BNDES, também presente no encontro, foi lembrado como estratégico, à semelhança do que representou após o fim dos incentivos fiscais, como importante instrumento de sustentação financeira para grandes empreendimentos de florestas plantadas para fins industriais.

O interesse já demonstrado em apoiar a silvicultura de nativas traz confiança de que poderá repetir esse protagonismo, agora associado a investimentos verdes, créditos de carbono e compromissos de sustentabilidade global — ajudando a consolidar um setor que precisa de recursos estáveis e de longo prazo.

Nesse mesmo sentido, destacou-se que incentivos financeiros específicos para a alavancagem da silvicultura de nativas poderiam desempenhar papel semelhante ao que tiveram os incentivos fiscais para as florestas exóticas.

Trata-se de uma oportunidade concreta para alinhar desenvolvimento florestal com crescimento econômico e sustentabilidade. Nada diferente, e com devidas adequações, do que já existiu e resultou em excelentes resultados ao Brasil.

A governança foi outro tema de destaque. Hoje, as responsabilidades permanecem dispersas em diferentes instâncias governamentais, o que compromete a eficiência e a segurança jurídica.

É necessário que uma instituição governamental forte centralize a formulação de políticas, a regulamentação e a fiscalização.

A Coalizão cumpre papel essencial ao articular atores e provocar debates, mas cabe ao Estado brasileiro assumir a responsabilidade indelegável de implementar políticas públicas consistentes e duradouras.

O encontro evidenciou que há conhecimento, pesquisas e experiências relevantes em curso; contudo, persiste a necessidade de integrar protagonistas, reunir informações dispersas e conectar instituições para transformar esse potencial em resultados concretos.

O ambiente colaborativo vivido em Porto Seguro e o entusiasmo dos participantes renovam a esperança de que o Brasil está pronto para avançar na superação dos desafios da silvicultura de espécies nativas.

De nossa parte, registramos o agradecimento à Coalizão Brasil pelo convite e pelo aprendizado proporcionado e parabenizamos toda a equipe pela brilhante iniciativa e organização.

Estaremos à disposição no que pudermos colaborar e participar desse processo coletivo, que, com certeza, poderá trazer benefícios significativos ao futuro do setor florestal brasileiro.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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COMUNIDADE DE SILVICULTURA – 10 ANOS COMPARTILHANDO OPINIÕES E SUGESTÕES

Agora, em setembro de 2025, a Comunidade de Silvicultura celebra 10 anos de existência!

O que começou com pouco mais de 100 amigos trocando opiniões, cresceu para uma rede com mais de 30.000 seguidores e uma média de 100.000 visualizações mensais, consolidando este espaço como um verdadeiro ponto de encontro da silvicultura brasileira.

Neste marco histórico, realizamos uma análise aprofundada das postagens do último ano, mais de 50 textos, que reafirmam o compromisso da Comunidade com a reflexão, o aprendizado e a troca de experiências.

Essa análise revelou como prioridades do setor:
• Produtividade e qualidade operacional, com destaque para a importância da mão de obra qualificada e da gestão eficiente das operações;
• Integração dos elos da cadeia produtiva, fator essencial para transformar potencial em resultados consistentes;
• Pesquisa, inovação e sustentabilidade, que mantêm o Brasil em posição de destaque no cenário florestal mundial;
• Valorização profissional e institucional, reforçando a necessidade de representatividade forte e bem estruturada.

Celebrar 10 anos de Comunidade de Silvicultura é reconhecer que este espaço só existe porque cada seguidor contribuiu com comentários, sugestões, críticas e apoio, transformando cada postagem em um debate coletivo e construtivo.

Entramos na segunda década com o compromisso de continuar registrando, analisando e divulgando informações estratégicas, sempre com o propósito de fortalecer a silvicultura brasileira, de olho nos desafios e oportunidades que o futuro nos apresenta.

Nosso agradecimento a todos que fizeram e fazem parte dessa jornada. Juntos, continuaremos a escrever a história de um setor que é, cada vez mais, protagonista em inovação, produtividade e sustentabilidade.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – [nbleite@uol.com.br](mailto:nbleite@uol.com.br)

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PRODUTIVIDADE FLORESTAL: QUANDO CIÊNCIA, PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO CAMINHAM JUNTOS

A silvicultura brasileira alcançou reconhecimento internacional graças a avanços científicos, melhoramento genético, pesquisas aplicadas e inovações de manejo que elevaram o potencial produtivo de nossas florestas plantadas.

No entanto, esse potencial só se concretiza plenamente quando as operações de campo — como plantio, controle de pragas, adubação, replantio, manejo de mato-competição, dentre outras — são executadas com qualidade e no momento adequado.

Não raras vezes, observa-se que diferenças expressivas de produtividade entre áreas semelhantes não se explicam pelo material genético, nem pelo solo ou pelo clima, mas pela forma como o trabalho foi realizado.

Um plantio mal conduzido, uma adubação mal dosada, um controle de formigas feito fora de tempo ou a utilização de mudas de baixa qualidade comprometem anos de investimento e reduzem drasticamente os resultados esperados.

A produtividade, portanto, não é apenas uma função da tecnologia disponível, mas sim da competência e da dedicação de quem a coloca em prática.

A ciência abre caminhos e aponta possibilidades; a execução correta no campo é o que transforma esse conhecimento em resultados concretos.

É nesse elo que a silvicultura encontra seus maiores desafios e suas maiores oportunidades.

Nesse contexto, o planejamento adequado das operações é indispensável.

Cada atividade precisa ser cuidadosamente programada, com cronogramas bem definidos e suporte logístico eficiente.

Há de se contar com o efetivo apoio das áreas responsáveis pelo fornecimento de insumos em qualidade, quantidade e no tempo certo.

Sem esse respaldo, mesmo equipes treinadas e comprometidas acabam limitadas em sua capacidade de gerar resultados.

Mais do que isso, a silvicultura exige também uma integração permanente entre os elos da cadeia de produção, sustentada por informação clara e transparente do encaminhamento dos trabalhos e principalmente de eventuais limitações existentes.

Essa sinergia entre pesquisa, suprimento, planejamento e execução operacional é o que assegura a transformação do conhecimento científico em produtividade sustentável.

Logo, mais do que máquinas, insumos e clones de alto desempenho, a floresta precisa de profissionais capacitados, atentos e comprometidos com resultados.

A qualidade operacional é fruto de treinamento, responsabilidade, compromisso e cooperação entre todos os envolvidos.

A silvicultura brasileira aumentou a produtividade em quase 100% nos últimos 50 anos, mas falhas operacionais, perfeitamente administráveis, podem impactar negativamente em mais de 30% os resultados alcançados com investimentos em longos anos de pesquisa e experimentação!

Reconhecer essa possibilidade e adotar as medidas preventivas adequadas é essencial para assegurar que o Brasil continue sendo referência mundial em produtividade florestal.


🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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AS ESPÉCIES NATIVAS PEDEM ESPAÇO E APOIO

O Brasil vive um novo capítulo em sua trajetória florestal.

Após décadas de consolidação da silvicultura com espécies exóticas, como o eucalipto e o pinus, começa a se desenhar um movimento em favor da valorização das espécies nativas como alternativa produtiva, ambiental e estratégica.

Mas, para que esse movimento ganhe escala e consistência, é preciso reconhecer: as espécies nativas pedem espaço — e apoio.

A história nos oferece uma referência clara.

Nas décadas de 1960 e 1970, o eucalipto também vivia seus primeiros passos no Brasil. Os experimentos pioneiros de Navarro de Andrade já apontavam para seu potencial, mas as produtividades iniciais ainda não garantiam viabilidade econômica para empreendimentos em larga escala.

Foi o incentivo fiscal, com recursos financeiros em condições extremamente favoráveis, que proporcionou o salto decisivo.

Com o apoio público, surgiram grandes projetos. E com eles, vieram os erros, os acertos e, sobretudo, o fortalecimento da pesquisa científica.

Universidades e centros de pesquisa passaram a buscar soluções concretas. A produtividade cresceu, os custos caíram, e a atividade se consolidou como uma das mais competitivas do mundo.

A combinação entre apoio financeiro, desenvolvimento tecnológico e visão de futuro transformou o que era uma promessa em um caso de sucesso internacional.

Hoje, com as espécies nativas, o cenário tem semelhanças notáveis.

Há conhecimento acumulado, pesquisas em andamento e áreas experimentais com resultados promissores.

A biodiversidade brasileira oferece inúmeras possibilidades para a produção de madeiras nobres, fibras, óleos, frutos, além de contribuir com restauração ecológica, geração de carbono e bioeconomia.

O potencial está claro. O que falta é o apoio necessário para que ele se transforme em realidade.

As nativas enfrentam desafios próprios: ciclos mais longos, diversidade genética, maior complexidade de manejo.

Mas isso não é motivo para inação.

Ao contrário: é razão para mais investimento em pesquisa aplicada, melhoramento genético, assistência técnica e extensão rural.

Acima de tudo, falta hoje o que no passado fez toda a diferença: uma política pública específica, que ofereça crédito facilitado, mitigação de riscos, linhas de fomento e marcos regulatórios que estimulem o empreendedorismo florestal com nativas.

O país não pode esperar que as soluções surjam apenas do esforço e dedicação isolada de algumas entidades e profissionais interessados.

Se o Brasil quer, de fato, integrar conservação e produção, inclusão social e sustentabilidade, precisa agir com a mesma ousadia e visão de futuro que demonstrou no passado.

Será que não estamos vivendo o momento de estruturar um programa nacional de incentivos, consolidar um programa nacional de P&D e aprimorar o marco regulatório à silvicultura com espécies nativas com bases técnicas sólidas, financiamento adequado e metas claras de médio e longo prazo?

Dar espaço é reconhecer a importância e a oportunidade de uma nova economia florestal alinhada aos desafios e demandas emergentes.

E dar apoio é garantir os meios para sua viabilização.

As espécies nativas pedem espaço e apoio.
E o país só tem a ganhar ao atender esse chamamento!


🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA COM ESPÉCIES NATIVAS: OPORTUNIDADE HISTÓRICA EXIGE COMPROMISSO TÉCNICO E RESPONSABILIDADE SETORIAL

O Brasil vive um momento promissor com o avanço da silvicultura com espécies nativas voltada à produção sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros, atendendo a mercados locais, nacionais e internacionais.

Frutos, óleos, resinas, fibras e madeiras tropicais de alto valor podem impulsionar cadeias produtivas de base florestal, promover o desenvolvimento regional e posicionar o Brasil como referência global em bioeconomia tropical.

Simultaneamente, essa silvicultura também contribui para a restauração ecológica, geração de créditos de carbono e recuperação de áreas degradadas, unindo conservação, inclusão social e geração de valor ambiental e econômico.

Essa nova fronteira, no entanto, carrega aprendizados e lições do passado. O setor florestal brasileiro já demonstrou sua capacidade de superação e reinvenção.

Após um início conturbado com os incentivos fiscais aos plantios de eucalipto e pinus nas décadas de 1960 e 1970, o setor enfrentou duras críticas e quase colapsou institucionalmente.

Muitas áreas foram implantadas sem o devido planejamento técnico, por empresas inexperientes ou sem compromisso com os resultados de longo prazo. O resultado foi uma grave crise de imagem que quase inviabilizou os incentivos e colocou em risco toda a atividade silvicultural.

A reação veio de dentro do próprio setor. Por meio de exemplos bem-sucedidos, empresas comprometidas e profissionais qualificados mostraram que era possível fazer silvicultura com base em ciência, tecnologia e responsabilidade.

Hoje, o Brasil é líder mundial em produtividade de florestas plantadas, sendo reconhecido internacionalmente pela qualidade de seus plantios de eucalipto e pinus.

Vivemos agora o início de uma nova etapa: o avanço da silvicultura com espécies nativas como base produtiva de uma economia florestal tropical e como vetor de restauração ambiental e climática.

Além do potencial para recompor paisagens degradadas e gerar serviços ambientais, os plantios com nativas abrem espaço para modelos economicamente viáveis, adaptados a diferentes realidades regionais, capazes de oferecer alternativas sustentáveis ao desmatamento e à exploração predatória.

Trata-se de uma oportunidade estratégica que exige visão de longo prazo e comprometimento coletivo. O sucesso dessa nova fase dependerá diretamente da qualidade técnica dos projetos implementados.

Os recursos envolvidos são vultosos, as expectativas são elevadas e os riscos reputacionais são significativos. Não há mais espaço para improvisações.

Repetir os erros do passado pode comprometer não apenas projetos individuais, mas a credibilidade de toda a cadeia produtiva da silvicultura com nativas.

A restauração ecológica e os plantios comerciais com espécies nativas, quando mal conduzidos, não apenas falham em atingir seus objetivos ambientais e econômicos, mas também comprometem a confiança de investidores, parceiros institucionais e da própria sociedade.

Serviços mal executados, projetos sem base técnica ou executados por agentes despreparados colocam em risco o futuro de uma atividade que ainda está em construção.

É fundamental que os procedimentos operacionais dos programas de reflorestamento e produção florestal com espécies nativas estejam ancorados em tecnologias testadas, métodos validados e práticas baseadas em evidência científica.

A qualidade dos plantios, o acompanhamento técnico, o monitoramento contínuo e a transparência na execução devem ser prioridades absolutas.

Mais do que nunca, é necessário que o próprio setor atue como agente fiscalizador.

Associações, consultores, empresas e instituições comprometidas com o sucesso da silvicultura brasileira devem zelar pela integridade da atividade.

Bons exemplos devem ser valorizados, enquanto práticas inadequadas precisam ser publicamente questionadas.

A silvicultura com espécies nativas é uma das grandes apostas brasileiras para a transição ecológica, a nova economia verde e a valorização dos ativos florestais tropicais.

Ela pode gerar empregos de qualidade, restaurar paisagens, garantir serviços ecossistêmicos, fortalecer economias locais e posicionar o Brasil como referência internacional em sustentabilidade e produção florestal tropical.

Mas para que essa promessa se concretize, será preciso agir com responsabilidade, transparência e rigor técnico desde o início.

O sucesso não virá por inércia — será construído com base na excelência, como já foi feito com o eucalipto e o pinus.

O setor florestal brasileiro já demonstrou do que é capaz.

Agora, cabe a todos os envolvidos garantir que essa nova jornada com espécies nativas seja trilhada com seriedade, evitando atalhos e garantindo que as oportunidades se transformem, de fato, em resultados concretos para o país, para o meio ambiente e para as futuras gerações.


🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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12 DE JULHO – DIA DO ENGENHEIRO FLORESTAL

HOMENAGEM AOS GUARDIÕES DAS FLORESTAS E PROTAGONISTAS DO FUTURO SUSTENTÁVEL DO BRASIL

Em 12 de julho, celebramos o Dia do Engenheiro Florestal, uma data que vai muito além de simples comemoração.

É um momento de reconhecimento àqueles que dedicam sua vida profissional à proteção, à conservação e ao uso sustentável de um dos maiores patrimônios do nosso país: as florestas.

Ser engenheiro florestal é assumir a responsabilidade de equilibrar produção e preservação.

É aplicar ciência, técnica e sensibilidade para que a natureza continue a oferecer seus inúmeros serviços ecossistêmicos — como o sequestro de carbono, a regulação do clima, a proteção da biodiversidade e a segurança hídrica — ao mesmo tempo em que promove geração de renda, inclusão social e desenvolvimento regional.

Nos tempos atuais, marcados por intensas mudanças climáticas, degradação ambiental e desafios sociais, o papel do engenheiro florestal torna-se ainda mais decisivo.

Seu trabalho está no centro das soluções baseadas na natureza, seja na restauração de áreas degradadas, no manejo de florestas nativas ou no planejamento racional das florestas plantadas — setor este em que o Brasil já é referência mundial.

Entretanto, apesar de sua relevância estratégica, essa profissão ainda é pouco conhecida por grande parte da população, especialmente em um país cada vez mais urbano e distante da realidade do campo.

Isso torna ainda mais necessário reforçar sua visibilidade, apoiar sua formação prática e valorizar seu protagonismo nas políticas públicas e nos processos de decisão sobre o uso do território.

As escolas e universidades têm papel crucial ao formar engenheiros florestais preparados para os desafios do século XXI — profissionais que unam conhecimento técnico, vivência de campo, compromisso ético e visão de futuro.

É no chão da floresta, lado a lado com comunidades, produtores e trabalhadores rurais, que o engenheiro florestal encontra o verdadeiro sentido de sua missão.

O Brasil tem todas as condições para se tornar uma potência florestal global. Temos biodiversidade, solo, clima, experiência e capacidade produtiva.

Mas esse futuro só será possível com o fortalecimento institucional do setor, a valorização de seus profissionais e o reconhecimento das florestas como parte essencial da pauta nacional de desenvolvimento.

É urgente que a floresta esteja entre as prioridades governamentais, integrando as agendas de clima, economia verde, geração de empregos e soberania ambiental.

Nesta data, saudamos com respeito, gratidão e admiração todos os engenheiros e engenheiras florestais do Brasil.

Que sua dedicação continue inspirando novas gerações, fortalecendo o setor florestal e contribuindo para a construção de um país mais justo, resiliente e sustentável.

Parabéns, Engenheiro Florestal! Seu trabalho faz florescer o futuro.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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SILVICULTURA EM DESTAQUE: CIÊNCIA, COMPROMETIMENTO E INSPIRAÇÃO NO EVENTO GEPLANT

Nos dias 25 e 26 de junho de 2025, a GEPLANT realizou um encontro memorável no Hotel Dona Carolina, em Itatiba (SP).

Comemorando seus 10 anos de atuação, a empresa proporcionou aos participantes uma verdadeira imersão técnica, científica e emocional na realidade e nas perspectivas da silvicultura brasileira.

A sala de reuniões foi tomada por um público expressivo, formado por clientes, parceiros, técnicos, professores, pesquisadores e amigos do setor. O ambiente transbordava cordialidade, organização e, sobretudo, uma contagiante motivação.

Mais do que uma celebração institucional, o evento foi uma aula aberta sobre o presente e o futuro da silvicultura.

Falou-se de tudo! Uma diversidade de temas foi abordada com embasamento científico, clareza de resultados e, principalmente, generosidade na partilha das informações.

A GEPLANT mostrou, com humildade e competência, a seriedade de seu trabalho no monitoramento de produtividade, no manejo florestal e na busca constante por acertos — inclusive por meio do reconhecimento de erros como parte do aprendizado.

Destacaram-se tópicos fundamentais para o avanço do setor, como as dúvidas recorrentes sobre produtividade, os desafios de expansão da silvicultura para novas regiões, as técnicas avançadas na produção de clones, a importância do cuidado com os solos e o papel central das bacias hidrográficas no planejamento territorial.

Também se alertou para a preocupante ausência de políticas públicas florestais e a falta de uma instituição governamental dedicada ao tema.

Houve espaço ainda para discussões estratégicas: a valorização da prestação de serviços, a retomada dos fomentos florestais, a urgência de investir em pesquisas com espécies nativas e a implementação de manejos florestais sustentáveis de longo prazo, voltados à produção diversificada de madeira.

Em meio a tantas contribuições, dois momentos foram especialmente emocionantes:

A homenagem ao Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho, exemplo vivo do pioneirismo e da competência técnica, que aos 94 anos esteve presente, inspirando todos com sua trajetória notável.

E o reconhecimento ao desempenho operacional da empresa Valor Florestal, além da apresentação de estudos de caso de vários clientes, que ilustraram as boas práticas em andamento no campo.

O encerramento não poderia ter sido mais simbólico: a palestra de Montanaro, ícone do esporte brasileiro, sobre a importância da formação de equipes e da colaboração para o alcance de resultados extraordinários.

Uma mensagem clara — dentro e fora das quadras, ou das florestas — de que o sucesso é fruto de esforço conjunto.

Eventos como esse reafirmam o quanto a silvicultura tem a oferecer ao Brasil. Com transparência, integração e compromisso com o conhecimento técnico e científico, ganha-se força para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que se abrem no horizonte do setor florestal.

Fica, portanto, a certeza de que encontros como este são indispensáveis. Que venham outros! Que mais empresas, profissionais e instituições se juntem a esse movimento pela excelência, pela sustentabilidade e pelo protagonismo da nossa silvicultura.

Nosso sincero e especial agradecimento à GEPLANT, pela realização desse evento que honra o setor e inspira a todos nós.


🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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UM GRANDE DESAFIO: FORTALECER A REPRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL DO SETOR FLORESTAL

A história do setor florestal brasileiro mostra que conquistas científicas, econômicas e ambientais só se transformam em políticas públicas duradouras quando há entidades fortes, organizadas e legitimadas por lideranças atuantes.

O protagonismo institucional sempre foi decisivo para o avanço da silvicultura no país. Hoje, mais do que nunca, é preciso fortalecê-lo para enfrentar os desafios atuais e aproveitar as novas oportunidades que surgem.

Bons exemplos não faltam. O Código Florestal de 1965, os incentivos fiscais de 1967 e a construção de uma base legal e técnica que fez do Brasil uma referência mundial em florestas plantadas só se concretizou graças à articulação institucional.

Entidades como a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), a então Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), a ABRACAVE (Associação Brasileira dos Produtores de Carvão Vegetal), a ARBRA (Associação dos Reflorestadores do Brasil) e uma ampla rede de instituições estaduais desempenharam papéis fundamentais.

Elas conectaram a realidade regional com a agenda nacional e impulsionaram o setor como vetor de desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Essas organizações foram responsáveis por negociações legislativas, criação de sistemas de certificação como o Cerflor e a introdução do FSC (Forest Stewardship Council) no país. Lutaram por crédito rural específico, incentivos fiscais e inserção do setor florestal em fóruns internacionais.

Nada disso seria possível sem entidades representativas atuando com competência técnica e visão de futuro.

Os congressos florestais, realizados em conjunto pela SBS e SBEF (Sociedade Brasileira dos Engenheiros Florestais), cumpriram um papel integrador: reuniam a cadeia produtiva para conhecer, discutir e aplicar os avanços científicos e tecnológicos promovidos por diversas instituições de pesquisa.

Além disso, serviram de espaço de formação e articulação de lideranças, muitas das quais dedicaram parte de sua trajetória profissional à representação institucional.

No entanto, apesar do crescimento contínuo do setor, a sua diversidade atual ainda não é plenamente representada.

Empresas e empreendimentos voltados ao manejo sustentável de florestas nativas, sobretudo na Amazônia, enfrentam enormes desafios técnicos, logísticos e regulatórios.

Trata-se de uma atividade estratégica para a conservação da biodiversidade, a geração de renda local e o uso sustentável dos recursos florestais nativos. No entanto, esse segmento carece de representação institucional sólida, capaz de defender seus interesses, propor políticas públicas específicas, garantir acesso ao financiamento e promover a valorização do manejo florestal como instrumento de preservação e desenvolvimento.

Setores emergentes também enfrentam o mesmo dilema.

A recuperação de áreas degradadas com espécies nativas, o mercado de carbono e o conjunto de empresas terceirizadas — responsáveis por mais de 70% das operações florestais — têm grande impacto social e econômico, mas pouca presença em espaços decisórios.

São centenas de empreendimentos e milhares de empregos que seguem invisíveis institucionalmente.

Mais grave ainda é a perda de espaço político estratégico. A exclusão do setor florestal do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é um exemplo claro disso.

Essa ausência coloca em risco a continuidade de políticas públicas estruturantes e reduz a capacidade de influência do setor em decisões cruciais para o presente e o futuro das florestas brasileiras.

A Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) — entidade nacional que representa com excelência as empresas da indústria de base florestal — vem desempenhando um papel importante na articulação e promoção do setor, tanto no Brasil quanto no exterior.

Ela também congrega diversas entidades estaduais, mas talvez não possa, nem deva, assumir sozinha a representação de um setor tão amplo, complexo e em transformação.

É urgente resgatar, fortalecer e diversificar as formas de representação institucional.

Isso passa por valorizar ainda mais as entidades regionais, integrar os segmentos especializados que vêm surgindo e, acima de tudo, abrir espaço para que novas gerações de profissionais e lideranças assumam esse protagonismo com visão de futuro e responsabilidade histórica.

Nenhum setor cresce ou se sustenta sem representação forte, legítima e técnica.

Se o Brasil hoje é referência mundial em silvicultura, isso se deve a uma organização institucional construída com trabalho, liderança e compromisso coletivo.

É hora de reconhecer esse legado e garantir que a floresta brasileira — plantada ou nativa — continue sendo uma aliada estratégica do desenvolvimento sustentável, da economia e da vida.


🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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A ESTAÇÃO DE FOGO CHEGOU — E COM ELA, A RESPONSABILIDADE DE TODOS NÓS

O período crítico das queimadas já começou. E, com ele, cresce a preocupação em todas as regiões onde há cobertura florestal.

No campo, tanto em pequenas propriedades quanto em grandes empreendimentos, todos conhecem a realidade: uma distração, uma faísca, e o prejuízo pode ser devastador.

Na propriedade do Sr. Pedro, pequeno produtor com 35 hectares de eucalipto, a rotina mudou. A tranquilidade deu lugar à vigilância constante: abafadores prontos, trator abastecido, alguém sempre de plantão. Ele resume o sentimento de muitos:

“Chegou a estação das preocupações. Todo dia, toda hora, a qualquer momento pode começar a correria para salvar nosso ganha-pão.”

Esse senso de alerta precisa se espalhar — não apenas entre os pequenos, mas, sobretudo, entre os grandes detentores de áreas florestais.

A pergunta que se impõe é urgente: estamos realmente preparados? Estão as empresas prontas para proteger seu patrimônio florestal e, principalmente, as vidas humanas envolvidas no combate aos incêndios?

O receio do Sr. Pedro é legítimo:

“Tenho muito medo de acidente com filhos e amigos que, em pânico e sem preparo, se metem nessa encrenca.”

Esse temor precisa ser um sinal claro: improviso e despreparo não combatem incêndios.

Somente com equipes treinadas, equipamentos adequados e protocolos de segurança bem estabelecidos é possível enfrentar com responsabilidade esse desafio.

É preciso agir com estratégia, planejamento e, acima de tudo, respeito à vida e ao meio ambiente.

É hora de reforçar um compromisso inegociável:

As empresas do setor florestal têm um papel essencial no enfrentamento dos incêndios. Garantir apoio integral, segurança irrestrita e capacitação técnica às equipes terceirizadas é um dever que vai além da obrigação legal — é uma exigência moral, ambiental e social.

Não se trata de escolha, mas de responsabilidade.

Sabemos que há investimentos a serem feitos. Mas o custo da negligência é imensuravelmente maior. O comprometimento precisa estar à altura do risco.

Afinal, o que está em jogo são vidas humanas, biodiversidade, o futuro das florestas e a sustentabilidade da cadeia produtiva.

Felizmente, já vemos bons exemplos pelo país. Estados como Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Minas Gerais mostram iniciativas inspiradoras: campanhas de conscientização, treinamentos especializados, equipamentos à disposição e, acima de tudo, uma postura de respeito à vida e ao patrimônio natural.

A essas empresas e entidades, nossos sinceros cumprimentos. Elas mostram que é possível unir desenvolvimento e responsabilidade.

Agora é o momento de agir — juntos, com consciência, coragem e comprometimento.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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FLORESTAS PLANTADAS: SUCESSO NÃO SE IMPROVISA, SUSTENTABILIDADE NÃO SE INVENTA

Quer produtividade florestal de verdade? Então saiba: não basta plantar e torcer, como quem joga uma moeda no fundo do poço e espera milagre. Silvicultura não é loteria — é ciência aplicada no chão.

Floresta bem-feita nasce de decisão técnica, muda sadia, solo bem preparado e manejo impecável. Muda fraca, adubação errada, praga ignorada? É como construir casa sem alicerce. Pode até ficar de pé por um tempo… até cair com o primeiro vento.

E não se engane: não estamos falando só de árvores. Queremos silvicultura de verdade? Então que se respeite o ser humano com o mesmo rigor com que se respeita o cronograma de adubação.

Seu Dito, tratorista em Guarapuava, resume assim:

“Se a floresta cresce direito, é porque teve mão boa cuidando.”

Trabalho digno, segurança, respeito, proteção da paisagem, uso inteligente da água — isso não é favor. É fundamento.

Sem isso, não há sustentabilidade — há maquiagem verde.

Agora pense: se o plantio estiver no lugar certo, a madeira com preço justo, o mercado ativo e os produtores capacitados — o sucesso financeiro não é meta, é consequência.

Há exemplos concretos de grandes empreendimentos que tomaram os devidos cuidados com tecnologia, aspectos sociais e ambientais, e alcançaram aumentos expressivos na produtividade, com trabalhadores satisfeitos, nascentes protegidas e comunidades valorizadas.

Aí o ciclo virtuoso se fecha:

Técnica → Resultado → Renda → Reinvestimento → Expansão com responsabilidade.

Quem ganha? Todo mundo: produtor, indústria, consumidor, trabalhadores, meio ambiente.

Mas aí vem a pergunta incômoda: com o orçamento apertado, o que dá para cortar?

Resposta? Nada. Absolutamente nada.

Silvicultura é como receita de pão: tire o fermento, tire o tempo de forno, corte a farinha certa — e o que sobra? Massa crua e desperdício.

Cortou adubo, esqueceu tecnologia, dispensou o técnico? Prepare-se para colher mato, não madeira. E depois não adianta culpar o clima.

Fica o recado:

Silvicultura de sucesso exige decisão, ciência e coragem.

Sem atalhos. Sem “jeitinho”. Sem economizar no que realmente importa.

A fórmula não é segredo:

Tecnologia no tempo certo. Insumo na medida certa. Profissionais bem pagos. Paisagem respeitada. Comunidade valorizada.

Esse é o único caminho real para a sustentabilidade — não de papel, mas de verdade.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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