AS PLANTAÇÕES FLORESTAIS EM ÉPOCA DE CORONAVÍRUS!!

Não tem sido novidade o exemplo de cuidados preventivos e solidariedade demonstrado pelas empresas do setor de florestas plantadas. Há informações de que inúmeras medidas de proteção ao pessoal de campo estão sendo adotadas, além de exemplos de solidariedade de várias empresas. Tudo com responsabilidade para se proteger a mão-de-obra rural e não deixar que se quebre a cadeia de produção – das mudas à colheita!
 
Aparentemente, não tem havido grandes alterações no desenvolvimento das atividades, embora se fale em algumas paralisações nas colheitas, mas que não devem afetar de forma significativa o patrimônio florestal! E mesmo nesses casos, com certeza, o respeito aos colaboradores está sendo mantido. E o mais importante: não se tem nenhuma informação de suspensão de contratos de serviços e consequente desemprego do pessoal de campo.
 
Essa é uma demonstração do respeito, responsabilidade e ética que está sendo mantido na relação de contratados e contratantes! São posturas empresarias exemplares que permitirão que se cuide da proteção da vida do pessoal de campo, que dá sustentação à cadeia de produção das florestas plantadas. São posturas que dignificam a silvicultura brasileira! É muito difícil se fazer qualquer previsão a respeito do tempo que nos manteremos nesse estado de alerta, que incomoda, mas que parece necessário! Tomara que, mesmo com pequenas adaptações, façamos todos os esforços para que não se afete o “ ano florestal” – basicamente, os programas de plantios, manutenções e proteção das florestas, além de todas as atividades que dão sustentação a essa cadeia produtiva!
 
Uma interrupção na programação anual de plantios dos grandes empreendimentos e de seus parceiros fornecedores de madeira poderá trazer sérias dificuldades a médio e longo prazo nas produções industriais!
 
Que a silvicultura brasileira consiga passar por período tão complexo sem perdas que podem afetar, sobremaneira, a oferta de madeira lá na frente.
 
E, acima de tudo, com a cadeia de produção firme e forte, e com seus colaboradores empregados e com plena saúde!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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O CORONAVÍRUS, AS FLORESTAS PLANTADAS E O ELO MAIS FRACO DA CORRENTE!

Com certeza, sem óbvias explicações, nesses dias de COVID-19,cabe preocupação com seus impactos nos serviços operacionais de campo das empresas! As informações possíveis mostram que os cuidados básicos de higienização estão sendo tomados e a rotina operacional segue firme e forte! No entanto, há de se cuidar disso com muita atenção!

A mão-de-obra do campo e que toca os trabalhos silviculturais corresponde a mais de 500.000 colaboradores. Esse pessoal em grande parte está vinculado às empresas terceirizadas – contratadas para fazer serviços silviculturais!

Há de se cuidar dessa enorme cadeia de serviços composta por milhares de empresas contratadas para plantar, cuidar das florestas, colher e transportar madeira, máquinas, insumos, pessoas, etc. Esse é o mundo do campo! São essas empresas que dão sustentação à produção industrial e continuidade à formação, manutenção e proteção das florestas! São essas empresas que empregam quem planta, quem colhe e quem transporta para dar sustentabilidade ao processo industrial. Os milhares de produtos indispensáveis à sociedade não se sustentam sem o serviço do campo!

Salvemos a indústria, mas cuidemos do campo e tomemos todos os cuidados com o elo mais fraco dessa corrente: a rotina operacional, compreendendo as pessoas e as empresas empregadoras. Essas empresas não tem entidade de classe para defender seus interesses e dependem diretamente de seus contratantes. Estima-se que mais de 80 % da mão –de-obra de campo esteja sob o comando de empresas contratadas para prestação de serviços de toda natureza! Qualquer movimentação reflete diretamente nessa estrutura, na sua receita, na sua estabilidade financeira. Há de se proteger essas empresas, que serão as primeiras a sentir as cobranças financeiras, trabalhistas e judiciais! Constituem a base de sustentação dos empregos! Quem vive a realidade de campo sabe a enorme dificuldade de se reconstruir essa cadeia produtiva, caso seja afetada!

Estaremos sacrificando além da produção industrial do presente, a viabilidade dos programas futuros e a própria sustentabilidade do patrimônio industrial que depende das florestas plantadas! Essas empresas ficarão sujeitas, exclusivamente, à sensibilidade, responsabilidade e respeito pela relação contratados e contratantes.
Fazem parte do elo mais fraco da corrente produtiva e que precisa ser devidamente preservado!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FOMENTO FLORESTAL: ESTRATÉGICO E AS DIFICULDADES!

Nos dias atuais, uma das encrencas, que ainda continua sem solução, por inúmeras razões, é o “choro” de enorme quantidade de produtores rurais pelo valor de venda de suas florestas. Mas não é só insatisfação! Aqui se misturam diferentes ruídos, agravado pelo excesso de madeira em determinadas regiões: plantios de baixa qualidade, florestas mal conduzidas, acessos precários, localização inadequada, contratos mal feitos e até mesmo parte de florestas boas, em que faltou, de fato, o respeito contratual! Há, no entanto, produtores, bem localizados, com boas florestas e bem servidos de vizinhos consumidores, que não berram e não se queixam da silvicultura! Mas tem sido muito comum que tudo isso seja colocado numa na mesma sacola do fomento florestal!

E nessa sacola, as vezes “mal cheirosa”, há destaques que merecem distinção!! Não há dados confiáveis, mas com certeza, estamos falando de quase dois milhões de hectares, que não são de propriedade das empresas consumidoras – pertencem aos diversos tipos de produtores independentes. E aqui, também há de tudo! Florestas bem cuidadas e de alta produtividade, bem localizadas e de fácil acesso. Uma jóia! Florestas mal conduzidas, inacessíveis e de baixa produção. Um verdadeiro mico!

Desse montante de dois milhões, estima-se que cerca de 500.000 ha sejam, de fato, originados de programas de fomento, implementados por empresas consumidoras de madeira!!!! E há ótimas florestas, e também muita “porcaria” de empresas que fomentaram e não cumpriram seus compromissos.
Conclusão: Há de tudo! e o que se fala de fomento não dá para se generalizar para todo o setor! Há de se conhecer “caso a caso” para se falar com propriedade dos programas de fomento da silvicultura brasileira!

Nos casos de sucesso, o fomentado é parte estratégica do programa de suprimento e não se discute os valores devidamente acordados. A empresa conta com a madeira e o produtor sabe exatamente a receita que lhe cabe. Não há surpresas. É o mesmo fio de bigode do passado, que nos dias atuais foi substituído por sofisticados sistemas digitais, onde o respeito é ” palavra de ordem”! E o mais interessante é que essa forma profissional de se fazer fomento está se transformando em política importante e estratégica de suprimento de madeira para grandes empreendimentos. Essa postura empresarial, com certeza, dá ares de seriedade e profissionalismo à silvicultura brasileira! Todos ganham e os benefícios sociais e ambientais são flagrantemente notados!

Mas nada disso é novidade. Há exemplos maravilhosos no passado. É só conhecer a história da Duratex em Jundiaí –SP e o exemplar programa de fomento desenvolvido pelo Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho! Manteve a indústria por anos e anos só com fomentados, muito respeito e ética!

A grande encrenca, no entanto, é recuperar a credibilidade da silvicultura, onde houve problemas por inúmeras razões e “plantar árvore se tornou uma maldição”! Mas, mesmo nessas regiões, a silvicultura continua sendo quase uma necessidade para o bem estar da sociedade! São áreas desocupadas e que precisam ser protegidas com florestas. São áreas erodidas, com bacias hidrográficas de rios importantes e com uma infinidade de nascentes desprotegidas. Tudo isso precisa, urgentemente, de proteção florestal! Há de se encontrar mecanismos que permitam que esse trabalho avance em benefício da geração de mais empregos e na proteção desses “cantos” produtores de água!

Essa é a parte da silvicultura que não tem vida sustentável e que precisa do apoio governamental. Aqui, cabe tudo, principalmente, mais pesquisas e políticas públicas que estimulem e incentivem o plantio de árvores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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FALANDO DE PESQUISAS FLORESTAIS!

 

Nesses mais de 50 anos de silvicultura comercial, a pesquisa florestal brasileira, praticamente, esteve voltada aos interesses dos grandes consumidores de madeira – celulose, chapas e carvão vegetal. Para muitos, pesquisa florestal no Brasil é sinônimo de trabalhos com eucalipto e pinus! E as grandes instituições de pesquisas que se formaram junto às universidades, como IPEF, SIF, FUPEF, dentre outras, também se destacaram na mesma direção! De outras espécies, e especialmente das nativas, muito pouco, e graças ao esforço de brilhantes profissionais!

Tudo muito em função do grande apoio financeiro das empresas consumidoras de madeira!  Foram milhões e milhões de dólares, centenas de pesquisadores do mais alto nível e permanente injeção financeira das empresas consumidoras! A produtividade de eucalipto e pinus mais que dobrou em 50 anos, e permitiu que se consumissem muitos milhões de metros cúbicos de madeira!!!

Mas esse mundo da pesquisa florestal, antes muito cooperativo,  parece  estar tomando feições mais competitivas. As fusões empresariais, e os avanços científicos com alta consanguinidade, vão se desenvolvendo e ficando “dentro da mesma casa”. E as soluções que agregam valores competitivos vão perdendo o compartilhamento. Essa nova postura, com certeza, deverá refletir nas estratégias das instituições de pesquisas. E, com certeza, muitas discussões e mudanças  poderão surgir:

-As experimentações que necessitam da participação de várias empresas, até para validação dos resultados, com certeza serão mantidas. E há muita coisa precisando de um reforço!

– Na esteira da sustentabilidade, as pesquisas com novas espécies para nichos de mercado de pequenos e médios produtores, poderão merecer atenção especial. E, aqui, caberá destaque a algumas espécies nativas, que estão se mostrando altamente promissoras;

-a formação de unidades de pesquisas junto às grandes concentrações de florestas, também parece ser uma necessidade estratégica cada vez mais evidente, até para proteção do patrimônio florestal- industrial formado. É o caso por exemplo do Mato Grosso do Sul;

-pesquisas experimentais em novas fronteiras e para usos alternativos da madeira, parece merecer cuidados técnicos bem específicos. Isso vai crescer e vai exigir adequações nos padrões operacionais tradicionais;

– há de se destacar também o crescente interesse em programas  agroflorestais, que ainda carecem de muitas informações  técnicas;

Há muita gente competente para definir estratégias e integrar o que enriquece a pesquisa. Mas há pressa e as questões estão à porta!  Quanto aos detalhes científicos, que agregam valor competitivo e os avanços da tecnologia digital, isso tudo, com certeza, vai se particularizando e se distanciando do conjunto.

O mais importante, é que o apoio que nunca faltou às instituições seja mantido e não faltem recursos aos programas que vão surgindo como alternativas à silvicultura brasileira!

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OS PROBLEMAS TÉCNICOS E OS PRODUTORES RURAIS!

Numa reunião de produtores rurais da Região Bragantina, a convite dos organizadores, tivemos oportunidade de conhecer com mais detalhes o dia -a- dia do produtor rural que pretende fazer floresta. Constatamos curiosas surpresas – algumas críticas ao eucalipto, tidas como superadas, ainda continuam na “boca do povo” e erros técnicos, considerados “ absurdos” há anos atrás, continuam sendo cometidos pelos produtores rurais!

Quanto às críticas, as discussões sobre “ o eucalipto seca o solo” é disparadamente a campeã! E sempre seguida de um punhado de exemplos! E o mais grave é que o assunto já vem sendo colocado em algumas escolas. Para apimentar ainda mais a polêmica, ouviu-se brados de produtores descontentes com a venda de suas florestas! Os mais exaltados enfatizavam: ” seca o solo e na hora de vender não vale nada!”. Essa dupla insatisfação pode prejudicar muito as políticas de fomento dos grandes consumidores.

Quanto aos problemas técnicos na formação das florestas, ouvimos um festival de absurdos! Teríamos a destacar: o controle de formiga que continua sendo a maior encrenca! Seguem os problemas com qualidade das mudas, falta de replantios, dificuldades com mato-competição e adubação! Esse conjunto de antigos, e tidos como superados problemas, com certeza, representa um peso significativo na queda de produtividade dos pequenos produtores florestais!

No final da reunião fomos convidados a fazer algumas considerações. Fizemos comentários sobre mudas, cuidados com plantios e replantios, sobre a necessidade de se evitar a mato-competição e da necessidade de adubação em quantidade e na hora certa! E insistimos na importância de se contar com apoio técnico na execução dos trabalhos. Tudo bem simples! Da formiga fomos poupados, depois da fala do Sr. Nicolau – antigo produtor florestal e muito respeitado no grupo – que disse “ há mais de 30 anos plantamos eucalipto, pinus e outras árvores e nunca deixamos de controlar e acabar com a formiga”. E completou: ” meu avô dizia , que se quisesse ter floresta, não deveria economizar na matança das formigas, pois com o tempo, elas acabam com a floresta”! Essa fala dispensou qualquer comentário a respeito da necessidade de se combater formiga!

Fica o registro para ser trabalhado por interessados! A silvicultura de sucesso exige cuidados técnicos em todo o processo. O que se tem observado é que na necessidade de se diminuir custos, comentem-se desvios operacionais que sempre causam impactos às florestas. São cuidados imprescindíveis a serem adotados, especialmente, em programas de fomento, onde nem sempre há acompanhamento detalhado das operações de campo. A soma desses pequenos problemas, quase sempre comprometem o futuro das florestas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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QUANTO TEMOS DE FLORESTAS PLANTADAS?

 

As estatísticas do setor são bastante duvidosas!  Para 2018, o IBGE fala em 9,85 milhões de hectares, o MapBiomas fala em 8,6 milhões e a IBA fala em 7,83 milhões. Uma diferença próxima de 30 % entre os extremos!  Isso na safra agrícola seria um desastre! Para muitos o levantamento do IBGE mostra plantios florestais de produtores independentes e sem vinculação com consumidores. Talvez seja o mesmo caso do MapBiomas. São florestas que não fazem parte das estatísticas da IBA. Mas essa diferença de 2 milhões de hectares é muito significativa! Há quem ache que são esses produtores, que mesmo insatisfeitos continuam vendendo madeira a qualquer preço. Coisa de família, com a família e nada de fazer contas. A produtividade que não chega a 30 metros cúbicos/ha/ano vai baixando, mas a floresta continua em pé! O IBGE registra e a vida continua!

Outra dúvida diz respeito às áreas plantadas apresentadas nas estatísticas das entidades do setor.  Em alguns casos, os responsáveis estão mais atentos e procurando aperfeiçoar as informações. Gente experiente troca informações e os números são arredondados. Resolve-se a informação no estado, mas o assunto em nível nacional continua pendente. E as estatísticas só crescem! Muda o ritmo de plantio, deixa de se plantar, o consumo se mantém, as vezes aumenta, os impactos são observados, e não se nota nenhum registro nas estatísticas do setor. Ninguém confere, ninguém questiona, ninguém declara suas perdas!  Há uma ajeitação engenhosa e vida que segue…

Com certeza, uma grande empresa, firme e forte, não se deixa levar sem conhecer bem suas florestas disponíveis. Um abuso nessas previsões e o pescoço rola! No entanto, nas andanças de trabalho, notam-se coisas estranhas e sem registro nas estatísticas.

E vamos às encrencas: grandes áreas impactadas por seca prolongada –  áreas enormes – ou morrem ou diminuem o crescimento anual. É sangria certa! Áreas afetadas pela infestação de formigas, muito conhecidas, mas nem sempre respeitadas! Áreas atacadas por pragas e doenças, que só crescem ano a ano. Disso todos temem, apesar de poucas medidas preventivas! E a enorme quantidade de áreas em formação, largadas ou abandonadas após a colheita. Gente insatisfeita e “p da vida” com o negócio! E mais uma novidade –  a transformação das áreas de florestas em áreas para agricultura. Tudo por conta do “preço de repolho” da madeira.

Acrescenta-se a tudo isso as engenhosas manobras silviculturais  para redução de custos –  menos adubações, mais mato-competição e até mais convivência com as formigas, entre outras mágicas. Facada sangrenta na produtividade – áreas com potencial para 40 não passa de 30.  Mas com todas essas incertezas, tirando daqui e dali, alguns setores industriais continuam crescendo. No entanto, de tempos em tempos, alguém mais prevenido anuncia gigantescos programas de plantio –  empresas competentes e atenta aos sinais de inevitáveis dificuldades! Há dúvidas quanto às áreas plantadas e, mais preocupante ainda, quanto à quantidade de madeira disponível!

Nesse contexto, ficam no ar um punhado de perguntas:  É possível definir políticas públicas, quando não se tem números oficias sobre a quantidade de madeira disponível? Que rumo tomam os investidores interessados em florestas? E como ficam as novas oportunidades que começam a surgir? E onde fica a sustentabilidade, cantada em prosa e versos, da silvicultura brasileira?

Essas questões necessitam de respostas seguras para possibilitar o crescimento ordenado do setor e a garantia de sustentação dos empreendimentos à base das florestas plantadas.

Vamos torcer para que os modernos sistemas tecnológicos possam nos atender e que se consiga somar os esforços das entidades do setor – da IBA, das entidades estaduais atuantes, como dos   estados do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia e outros. A esse esforço, com certeza, poderemos somar a colaboração do MapBiomas, da Câmara Setorial de Florestas Plantadas e impreterivelmente do Serviço Florestal Brasileiro! Esse desafio, com tantos interessados e competentes profissionais,  não pode ficar sem solução!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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MONTE OLÍMPO – ESALQ E A MOÇADA SE MEXENDO!

 

Nos dias 18 e 19 de setembro, tivemos mais um importante evento do Monte Olimpo – Grupo de estudantes de engenharia florestal da ESALQ – Piracicaba

https://gfmoesalq.wixsite.com/gfmonteolimpo

– que tem entre seus lemas ‘ vivenciar a silvicultura com ciência e visão futura’. Participamos a convite dos organizadores e tivemos a grata satisfação de nos depararmos com maravilhosas surpresas!

Foram realizadas excelentes apresentações de estudantes, pesquisadores, professores e empresários. Uma riqueza de informações, usos e modelos de aplicações de inovações  tecnológicas.  E um grande  destaque  – toda a cadeia do processo científico discutindo,  comentando e sugerindo. Do berço da ciência – a universidade – à ponta do processo produtivo  – as empresas.

Tudo com total liberdade de expressão e sem nenhuma preocupação competitiva. A  mesma filosofia colaborativa que sempre norteou o desenvolvimento da silvicultura brasileira. E só “coisas” de babar: Big Data & Analytics ; Conectividade e IoT -Internet of Things/Trees;

LIDAR – Escaneamento a laser;

Empreendedorismo e Inovação;

Design, produtividade e criatividade;

O papel da mulher no setor florestal;

Gestão da Produtividade Florestal;

Softwares para Gestão Florestal, dentre outros temas.

Realmente, essa nossa “silvicultura do metro cúbico”, está lá na frente.  Tecnologias modernas tratadas com  muita competência e  profissionalismo – aliás, tudo que há de mais moderno – e com extraordinária e contagiante motivação.  Quando se depara com esse mundo de avanços tecnológicos aumenta a sensação de que precisamos avançar na base produtiva e de proteção de nossas florestas.

Em nossa apresentação tivemos oportunidade de fazer considerações  a respeito da necessidade de se diversificar a nossa silvicultura – somos campeões da produtividade com  duas ou três espécies e meia dúzia de clones; comentamos sobre o vazio institucional em que estamos metidos; falamos da  importância de se valorizar a produção, que pelo excesso momentâneo de madeira no mercado perde espaço para o setor de suprimento nas empresas e destacamos a  urgência de se resgatar o pequeno e médio produtor, antes que  se tenha um exército de contrariados e “batendo bumbo” contra os plantios de florestas!

E a prosa continuou com comentários, perguntas e propostas!!! Depois de muitas idas e vindas surgiu uma sugestão que retrata bem o momento em que todos estávamos metidos : a necessidade de se integrar estudantes, engenheiros, escola, entidades e empresas. Alguém batizou de 5E!  Parece que a moçada se animou e já marcou reunião para dar continuidade à  sugestão!

Enfim…uma experiência maravilhosa e uma certeza: com essa moçada se mexendo,  com a orientação e entusiasmo de professores e profissionais e apoio das boas empresas  a silvicultura brasileira vai continuar crescendo!

A Comunidade de Silvicultura reitera os mais efusivos cumprimentos a essa moçada do Grupo Monte Olimpo! Parabéns e sucesso!  E que essa esperança se mantenha acesa para  grandeza do setor e que o exemplo se repita em outras universidades!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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E A PESQUISA, PERDEU A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA?

 

A silvicultura brasileira apresenta características curiosas! De tempos em tempos, fatos novos ocupam as manchetes e vão deixando de lado temas de importância estratégica! Agora é a hora do fogo! Mas há muito tempo não se tem nada de novo na pesquisa florestal brasileira! Para muitos a pesquisa perdeu a posição estratégica para os ousados supridores de madeira – é o resultado da oferta de madeira! Para outros, não há grandes dificuldades, além de “uma bela sacola de informações” nas empresas! Para uma atividade de longo prazo tais posturas podem representar tremenda negligência!

De fato, há muitas pesquisas e pesquisadores competentes nas empresas, mas será que alguém ousa afirmar que estamos com tudo resolvido? Vamos a algumas encrencas que , raramente, são apresentadas para discussões:

– continuamos a plantar poucas espécies de eucalipto e pinus e número restrito de clones, meio aparentados, que podem a qualquer momento serem acometidos por “um sarampo” inoportuno!!! Com certeza, muitos dirão que há exagero nessa afirmação, mas será que algum melhorista tem segurança absoluta em nossa base genética?

– por onde ficaram os esforços para se aumentar a base genética de nossos pinus tropicais tão promissores e de produtividades espetaculares?

– e as novas fronteiras, que, inevitavelmente, deverão entrar no processo produtivo! Será que vamos ter que aprender apanhando? Ou vamos expandir para novas áreas e continuar plantando os mesmos clones da “Família Silva”?

– e as nossas espécies nativas? Só para fotografias? De tempos em tempos uma notícia aqui, outra ali, e …. mais nada?

– e as novas espécies e o uso diversificado da madeira? Vamos continuar firmes, fortes e para sempre, só na celulose?

– e os riscos com pragas e doenças? Não seria estratégico que em áreas de grandes concentrações – tipo Mato Grosso do Sul – que já tivéssemos um amplo programa de pesquisas para segurança do rico patrimônio industrial existente?

– e a mecanização voltada só aos grandes empreendimentos?

A lista não é pequena e a discussão desse assunto vai se tornando imprescindível! De fato, parece que a significativa mudança dos tempos modernos é que a pesquisa rica e competente perdeu sua posição estratégica nas decisões empresariais. E isso, a médio e longo prazo, pode trazer sérios problemas à sustentabilidade da silvicultura.

Fica o registro, num momento oportuno de preparativos para encontro internacional, onde vai se falar muito de pesquisas e dos grandes avanços da silvicultura brasileira!

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PRECISOU DO FOGO PARA A FLORESTA SER LEMBRADA!

Há muita conversa em volta desse fogo! Na verdade, pouco importa a exatidão dos números! O que importa, de fato, é que há um aumento nas áreas desmatadas, e disso parece que não há dúvida! Importa saber o que é legal, o que é ilegal e, acima de tudo, correr atrás de soluções. Tudo isso vai implicar em mais cuidados, mais fiscalizações, mais recursos. E nada disso é novidade. Precisamos de ações concretas e menos culpados para tomar pedradas. Agora é hora de agir!

O fogo, pequeno ou grande, sempre assusta e causa desespero. A regra – NUMERO 1 – para se combater incêndio – e isso se aprende nos bancos da universidade – é afastar para bem longe os que não entendem do assunto! Choro e gritaria não resolve nada. Precisamos evitar o punhado de versões desesperadoras, que não levam a lugar nenhum! O assunto floresta precisa de atenção, recurso, ciência e competência para ser tratado. E há muito tempo fala-se e reclama-se da falta de tudo isso. Pena que o assunto precisou do fogo para ser lembrado. Não adianta tantos discursos e palpites, e é bom que alguns fatos fiquem registrados;

1-Há números mostrando que nada é tão fora da normalidade do que já vem acontecendo há muito tempo! As vezes mais, as vezes menos! Mas, com certeza, o momento político tem servido como tempero bastante provocativo e apetitoso!

2-O assunto floresta deveria merecer o respeito de todos os brasileiros. Governantes, universidades e profissionais do setor. Manejar e proteger as florestas são disciplinas que se aprendem nos bancos universitários. Temos profissionais altamente competentes e a ciência florestal, de alguma forma, deveria estar envolvida e metida na procura de soluções. Proteger floresta também é ciência. Não se deseja que o fogo aumente e vamos torcer para que as chamas se apaguem, mas que se mantenham acesas as preocupações para se cuidar como sempre deveríamos ter cuidado de nossas florestas!

3- O Brasil tem mais de 7(sete) milhões de hectares de florestas plantadas sob cuidados técnicos e profissionais. Alguém ouviu falar em algum incêndio que causasse tamanha confusão nessas florestas? Não é milagre e nem sorte! É trabalho, e cuidado profissional! São mundos diferentes e com dimensões incomparáveis, mas se essas florestas plantadas não estivessem devidamente administradas, com certeza, estariam aumentando a quantidade de cinzas por todos os cantos!

Que esse fogo que está impactando tantas florestas e a nossa rica biodiversidade sirva, no mínimo, para despertar o recomeço de uma atividade florestal, cujos benefícios sociais, ambientais e econômicos deveriam merecer todo o respeito e reconhecimento de governantes e governados!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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O LICENCIAMENTO AMBIENTAL E AS FLORESTAS PLANTADA

Nos últimos dias temos acompanhado discussões de toda ordem! E o meio ambiente tem se destacado entre os focos de primeira linha! Discute-se de tudo e, numa sacola de assuntos variados, o licenciamento, que tem muito a ver com o dia-a-dia do produtor florestal, tem sido bastante metralhado.

A silvicultura, quando bem conduzida, é uma alternativa interessante para proteger o meio ambiente, para mitigação de impactos climáticos, para recuperar áreas degradadas, além de gerar enorme riqueza de bens sociais e econômicos.

Apesar de tudo isso, é tida como atividade potencialmente poluidora! Que estranho paradoxo! Longe de se pleitear liberdade total e irrestrita à silvicultura, mas causa perplexidade a inclusão do florestamento e reflorestamento nas regras do CONAMA, como atividades potencialmente poluidoras. Talvez erros do passado e bem do passado tenham justificado tamanha preocupação! Mas disso decorre um punhado de exigências legais, sob a batuta do EIA-RIMA de alto custo, e com benefícios técnicos bastante discutíveis!

A silvicultura, com certeza, deva ser uma das atividades rurais com melhores indicadores de desempenho em seus cumprimentos legais. E aqui, cabe um registro especial ao processo de certificação, que transformou as inúmeras exigências da legislação em rotina do dia-a-dia das empresas à custa de uma burocracia complexa e de alto custo. Há detalhes legais que variam de estado para estado, e que, ano a ano, só envelhecem e não trazem nenhum benefício aos empreendimentos e usuários. Há muito tempo o setor corre atrás dessas correções e sem nenhum sinal de sucesso!

Enquanto essas discussões só crescem, fiquemos na esperança de que se vierem alterações, que a silvicultura passe a ter um tratamento mais adequado e sem tanta burocracia para formação de florestas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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