Já está no ar o Almanaque “E mais 3 anos de Silvicultura”

A Comunidade de Silvicultura está apresentando o ALMANAQUE – E MAIS TRÊS ANOS DE SILVICULTURA. Um e-book com todas as postagens realizadas entre setembro de 2017 a setembro de 2020! E assim, completamos 5 anos com quase 400 postagens! E com mais de 25.000 seguidores.  Os nossos sinceros agradecimentos e gratidão pela colaboração de nossos prezados amigos! Os comentários constituem uma escola, rica de ensinamentos e lições de vida e, respeitosamente, só temos a agradecer!  De coração, a satisfação que  temos  por sua atenção é o nosso grande prêmio!

Para baixar basta clicar aqui!

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O PREÇO DA MADEIRA É O ADUBO DO PEQUENO PRODUTOR!

Em uma das boas lives promovidas pelo IPEF, ouvimos do Luiz Ramires Junior, que Preside a Câmara Setorial de Florestas Plantadas no Ministério da Agricultura uma boa dica – “ meu professor Manoel de Freitas sempre disse que o melhor adubo para o pequeno produtor é o preço da madeira”! Com certeza, não haverá nenhuma discordância, e viva o amigo Manoel de Freitas! Numa outra live do mesmo evento, tivemos oportunidade de participar e colocamos um complemento nessa prosa, dito por um produtor de madeira – “ o preço é o adubo para plantar floresta, mas o adubo para manutenção dessa floresta é a confiança em quem compra”. A soma dessas conversas mostra, de fato, a “vida como ela é “ do pequeno produtor! Um misto de esperança no preço e elevada dose de confiança no comprador – qualquer mudança é bomba no produtor!

Em quase uma dúzia de lives que tivemos oportunidade de assistir, o assunto do pequeno produtor foi mencionado e sempre com boa dose de preocupação!!! Aparentemente, há um reconhecimento geral a respeito da importância de se integrar a pequena propriedade ao processo de produção da silvicultura, mas há dificuldades a serem superadas. Há uma grande quantidade de pequenos produtores querendo participar desse processo produtivo. É importante que se criem mecanismos para abrigar essa massa de interessados.

Nas diversas discussões tem sido evidenciada a importância do produtor conhecer bem o envolvimento com a silvicultura- precisa saber o que plantar, usar sempre tecnologia e ter informações sobre o mercado a ser atendido. Daqui e dali, ouviu-se muito a respeito dos preços da madeira, com variações enormes, em função da qualidade da floresta, topografia, distância e acesso às propriedades – de 20 a 50 reais o metro cúbico de madeira em pé!!! Essas variações, sem as devidas explicações, assustam e dão margem a todo tipo de conversa. Misturam-se problemas diferentes. Há muitos pequenos produtores bem satisfeitos com o setor, e bem calados. Mas os insatisfeitos berram e berram alto! E assim, fica valendo o berro dos insatisfeitos, muitas vezes, com muita razão!

Enfim, o importante a se destacar é que, aparentemente, há necessidade de se fazer um esforço grande para se resgatar o interesse do pequeno produtor à silvicultura. Ele pode aumentar a oferta de madeira, economizar investimentos em terras e se transformar em importante parceiro na proteção do patrimônio florestal existente. Pesquisa com espécies de madeira de boa qualidade, cooperativismo e muita divulgação das experiências bem sucedidas em pequenas propriedades, também são mencionados como temas primordiais nessa tarefa de ajudar o pequeno produtor a se sentir confortável na atividade de silvicultura.

Os comentários mostram que esse é um grande desafio a ser equacionado para que a silvicultura consiga transformar os vizinhos de seu entorno, sejam pequenos, médios ou grandes, em verdadeiros parceiros e fortalecer ainda mais a silvicultura brasileira!

E o importante é que temos histórias de sucesso no passado, e bons exemplos no presente! Tudo para ser conhecido e seguido. Aparentemente, todos concordam que se conseguirmos juntar esses parceiros, com certeza, a silvicultura ficará mais enriquecida!

Cabe aqui, um registro para reflexão e respeitosos cumprimentos: nos anos 70/80, O DR. Antonio Sebastião Rensi Coelho, supria a Duratex , indústria de chapas localizada, na época, em Jundiaí-SP, praticamente só com madeira de fomentados. Perguntado sobre o tipo de contrato que lhe dava tanta garantia e segurança de abastecimento respondeu:

“ o contrato é bem simples, mas o que vale mesmo é o fio de bigode e o respeito com os produtores”.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PEDAÇOS DE GRANDES HISTÓRIAS DO SETOR FLORESTAL

PGH.2- As atividades de sustentação do setor florestal

Com a extinção do IBDF, a então “Casa da Floresta”, a família florestal foi desunida. E as diferentes atividades por força das crescentes demandas foram criando seus caminhos, com mais ou com menos destaque. E foram se afastando! O incentivo fiscal, a cheiro de dinheiro, fez o reflorestamento bombar! Provocou o desenvolvimento de pesquisas, a criação de entidades representativas e a formação de milhares de empresas. Formou um mundo independente! Muito atuante e forte politicamente. Só assim, conseguiu manter os incentivos fiscais por muitos anos!

Como contraponto, e para proteção da biodiversidade, surgiam as unidades de conservação, os parques e reservas nacionais. Elaboravam-se políticas públicas, como a reposição florestal, para fiscalizar e monitorar a comercialização dos setores produtivos com “cara de extrativismo”, como a siderurgia a carvão vegetal e as indústrias madeireiras!

E assim foi se formando a estrutura básica do setor florestal- a produção baseada na extração de madeiras das florestas nativas para siderurgia e indústrias madeiras; o reflorestamento a todo vapor, criando novidades e gerando um punhado de polêmicas e a turma da proteção e conservação – para uns o pessoal para proteger e para outros o “pessoal para dizer não”. Esse embate, fortaleceu o movimento ambientalista, que estava nascendo e criando força! Há até quem diga, que o reflorestamento, em função de seus erros, fortaleceu o movimento ambientalista!

Depois de alguns anos e com as transformações e novas caracterizações dessas atividades básicas, fica até difícil acreditar, que todas essas atividades florestais, já estiveram sob o mesmo teto, comando e endereço institucional!

Mas fica bem fácil entender o quanto seria forte e respeitado o conjunto de todas essas atividades integradas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PEDAÇOS DE GRANDES HISTÓRIAS DO SETOR FLORESTAL

Há pouco tempo, estivemos numa reunião com estudantes de engenharia florestal e tivemos oportunidade de falar de histórias que deram vida ao setor florestal brasileiro. Ouvimos de alguém: “ tenha certeza de que nada disso se fala nas escolas e muitos profissionais que atuam no setor nunca tiveram informações a respeito desses fatos”. E enfatizou: “ o conhecimento dessas histórias ajudaria a entender a evolução das questões florestais e enriqueceria a nossa formação!” Daí, os PEDAÇOS DE GRANDES HISTÓRIAS- PGH! Que outros profissionais participem com sugestões, comentários e eventuais correções nos textos postados! Tudo bem simples e sem frescura! Com PEDAÇOS DE GRANDES HISTÓRIAS, com certeza, manteremos viva a lembrança de trabalhos e iniciativas que deram vida e enobreceram o setor florestal! Aceitaremos e sempre seremos gratos às sugestões e comentários!!!
 
PGH.1 – A criação do IBDF e a “Casa da Floresta”
A história do setor florestal brasileiro tem estreita relação com o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Quase sempre, a floresta foi perdendo espaço para outras atividades – agricultura ou pecuária – e muitas vezes, saqueada pelo extrativismo clandestino na busca de madeira. E isso, em muitas regiões, perdura até aos dias atuais! Há, no entanto, de se registrar a existência de inúmeras iniciativas para proteger e valorizar a floresta e a madeira. Na verdade, sempre existiram brilhantes protagonistas, que merecerão sempre todo o nosso respeito e que incansavelmente lutaram pela proteção de nossas florestas.
 
Há ricos e detalhados escritos a respeito desse trabalhos e de seus protagonistas. Mas o “assunto floresta”, que vinha crescendo desde o Código Florestal de 1934, só se consolidou como negócio, e assumiu dimensão expressiva com o Código Florestal de 1965, com a criação do IBDF, e inúmeras políticas públicas para fiscalização, controles, proteção e, sobretudo, com a aplicação dos incentivos fiscais para reflorestamento!
 
Com a criação do IBDF, surgia uma autarquia independente, vinculada ao Ministério da Agricultura. Era a “Casa da Floresta”. Tudo e todos os assuntos passavam a ser tratados em seus diversos departamentos – comercialização, economia, reflorestamento, pesquisa, conservação, Procuradoria Geral para apoio jurídico a todos os Departamentos, além das Delegacias em todos os estados!!! Era a estrutura institucional para cuidar dos diferentes segmentos que compunham a cadeia de produção, comercialização e proteção das florestas. Licenças, autorizações, fiscalizações, registros, etc. Tudo era na ”Casa da Floresta”.
 
Longe de ser o máximo em eficácia produtiva, mas o suficiente para manter a unidade e identidade institucional de toda a abrangência do setor florestal brasileiro. Era a estrutura básica para um Ministério das Florestas, nos dias atuais. Com as mudanças que vieram, a “Casa da Floresta” se transformou. Teimosamente, alguns segmentos da “Casa da Floresta”, conseguiram, por algum tempo, ainda manter – sob tetos diferentes suas características originais. Mas com o tempo, as mudanças chegaram e os segmentos que compunham “ a Casa da Floresta” foram tomando direções e roupagens diferentes e se desvincularam de suas origens. A “Casa da Floresta” estava desmontada e a família desunida!
 
E ficaram para trás as histórias de excelentes profissionais, que se doaram de “corpo e alma” para o sucesso da autarquia! A floresta, em toda sua dimensão, serviços e abrangência era a ”Casa” e a “Causa” dessa gente brilhante! Caberão oportunos e merecidos registros em nossos relatos!
Por hora, a família continua em várias casas e desunida! Há de se identificar os familiares, encontrá-los em diversos locais, comprovar os laços de parentesco e convencê-los da importante e poderosa família que poderão compor!
A construção da nova “Casa da Floresta”, agora mais sofisticada pode até ter nome diferente: Ministério da Floresta!
 
Observação importante: vem mais PEDAÇOS DE GRANDES HISTÓRIAS- PGH.2…PGH.3…! Não deixe de dar sugestões, opinar ou criticar!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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MINISTÉRIO DAS FLORESTAS E O ECONEGÓCIO!

Parece que estamos longe de entender a lógica que levou o Brasil a ter os assuntos de florestas divididos em diversos segmentos com ações, objetivos e estruturas institucionais independentes. Lá atrás, tudo cabia no antigo IBDF. Nos dias atuais, florestas plantadas; manejo de florestas nativas; unidades de conservação; restaurações florestais; integração lavoura-pecuária- floresta; madeira comercializada na ilegalidade, desmatamentos irregulares, invasões de Unidades de Conservação, Ibama, Chico Mendes…. tudo de floresta, mas sob tutelas institucionais diferentes. Desuniram toda a família!
 
Um país de excelentes condições naturais com possibilidade de liderar o mercado internacional de produtos madeireiros e não-madereiros, que abriga uma riquíssima biodiversidade e com possibilidade de se tornar liderança ambiental em nível mundial, vive sob críticas e arranhões de especialistas, empresas, ,universidades, ongs, políticos, organizações internacionais, além da desconfiança de toda a sociedade! E todos esperando milagres das florestas – que traga chuva, que empregue, que gere riqueza e que melhore o clima do mundo!
 
E quantos contrastes! O segmento de florestas plantadas como exemplo de sucesso em todos os aspectos – do campo ao mundo de exportações – independente, tocado com tecnologia, muita pesquisa e competência! De outro lado, nossas florestas nativas, especialmente nossa Floresta Amazônica, amada e adorada pelo mundo, é alvejada de todos os lados!
 
E quantas encrencas brotam a todo instante! Convenções e Acordos Internacionais não são respeitados. Programas não são cumpridos. Iniciativas privadas surgem daqui e dali, e com brilhantismo, mas sem nenhuma ligação com Governo ou instituições governamentais. Tudo no peito e na raça! Fica uma sensação de “casa sem dono”!
 
E uma grande curiosidade! Despontam e com frequência profissionais especializados dando provas de muita competência. E nesses dias de lives, surgem do anonimato excelentes profissionais, além dos já conhecidos floresteiros sempre dando lições de conhecimento!!! Fica a certeza, de que gente para solucionar essa encrenca não falta! E lembrar que formam mais de 1500 engenheiros florestais todos os anos para se colocarem à disposição para eventuais necessidades!
 
E tudo é muito grande! Tudo tem dimensões continentais! Tudo tem relação com o mundo! Ficam algumas perguntas para reflexão:
 
1- As inúmeras atividades florestais, à semelhança das atividades agrícolas que se somam e formam o rico agronegócio, não poderiam constituir também um rico econegócio?
 
2- Haverá algum mecanismo para juntar tais atividades sem políticas públicas governamentais?
 
3- Alguém duvida da importância de um empurrão governamental à semelhança dos incentivo fiscais dado às florestas plantadas?
 
4- Alguém acredita que tais providências possam surgir sem um esforço conjunto de todos os interessados?
 
5- Será que alguém duvida da necessidade de um Ministério de Florestas para promover o econegócio?
 
6- E como fazer? Vamos esperar ganhar de Papai Noel ou vamos juntar nossos esforços para que isso aconteça!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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PUBLICAÇÃO A CONVITE DA COMUNIDADE DE SILVICULTURA: O PEQUENO GRANDE PRODUTOR DE MADEIRA

Hoje tivemos a felicidade de conversar com um grande amigo e mentor sobre as florestas plantadas de maneira independente e seus desafios. Apesar da ampla experiência no setor privado e na academia, sendo um grande especialista em genética e silvicultura, as preocupações levantadas em nossa conversa não passaram pelas técnicas e procedimentos para a formação dos ativos florestais.
 
Em grande parte, os produtores independentes de madeira estiveram e estão associados às grandes cadeias de valor industriais (celulose, papel, chapas, siderurgia). Nestas condições há suporte tecnológico das grandes empresas, materiais genéticos adaptados, técnicas e procedimentos silviculturais de alto rendimento, entre outros benefícios.
 
Entretanto, devemos nos atentar a 3 questões básicas:
 
• Sua floresta se encontra a menos de 100 km de um polo industrial?
• Sua área é passível de colheita mecanizada de madeira?
• Seu ativo possui pelo menos mais de 100 ha?
 
Se sua resposta foi sim para as questões acima, você é um grande premiado! Conseguiu praticamente garantir a venda do seu ativo. Aqui o desafio é garantir que o preço pago pela madeira pague os custos de formação e dê rentabilidade ao negócio.
Tudo muito bem até aqui, mas, e quem não está nesta condição? Hoje a situação de muitos produtores de madeira é triste e se resume em arrependimento. Este é o grande paradigma. Produzimos madeira sem planejamento estratégico, esperando o mercado encantado. Por vezes apostamos em novas espécies salvadoras que prometem bons preços de venda de madeira algum dia num futuro distante.
 
Produtores de madeira, faço aqui meu pedido: parem de esperar que alguém resolva seu problema de mercado! Plante a primeira muda pensando em como você poderá agregar valor ao seu ativo. Você é responsável desde o princípio, em desenvolver mercado, parcerias comerciais, rede de distribuição, etc.
 
Florestas plantadas são ativos de usos múltiplos que crescem em valor e diversidade ao longo do tempo. Horizontalmente, temos árvores de diferentes tamanhos. Verticalmente, temos diferentes diâmetros ao longo de uma árvore. As diferentes variedades genéticas possuem qualidades de madeira distintas e o manejo ao longo do tempo trará as qualidades que atendem os mais diversos produtos. Na escala da paisagem, florestas plantadas são excelentes opções para maximizar o aproveitamento das áreas, formar corredores, entre outras funções.
 
Mas não adianta fazer tudo isto e não ter para quem vender. Os próprios produtores precisam entender que NÃO EXISTE PEQUENO PRODUTOR, EXISTE PEQUENA PROPRIEDADE. Agregando valor aos produtos e estruturando cadeias de valor, a PEQENA PROPRIEDADE rural terá GRANDES PRODUTORES DE MADEIRA!
 
Eduardo Moré de Mattos
GEPLANT – Tecnologia Florestal
eduardo @geplant.com.br – http://www.geplant.com.br
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O EUCALIPTO E AS ESPECIES NATIVAS

O desenvolvimento do eucalipto no Brasil, sob todos os aspectos – do campo à celulose colocada do outro lado do mundo – é considerado espetacular, um sucesso! Um exemplo de negócio à base de tecnologia e tocado por incansável empreendedorismo. E o mais admirável: tudo de uma árvore exótica no meio de rica biodiversidade com centenas de espécies arbóreas valiosas! .
Nesse contexto, fica uma pergunta inevitável: E as nossas espécies nativas? será que não temos nenhuma espécie com chance de se destacar? Vamos a fatos interessantes para aguçarmos, ainda mais nossa curiosidade! .
 
1- O eucalipto, em suas várias espécies, foi introduzido no Brasil, por volta dos anos de 1900!!!! E só se consolidou como planta de grande valor comercial nos anos 60/70. Prestava-se como matéria-prima para uma indústria que precisava crescer e recebeu as bênçãos dos incentivos fiscais, “a cheiro de dinheiro”. Esse foi o toque mágico!
 
2- A produtividade inicial não passava de 15/20 metros cúbicos /ha/ano – muito semelhante à produtividade de inúmeras espécies nativas, nos dias atuais!
 
3- Em 50 anos, a produtividade do eucalipto passou a 40/45 metros cúbicos/ha/ano! Resultado dos trabalhos de dezenas de instituições de pesquisas, de centenas de pesquisadores, acompanhando milhares de experimentações em vários estados brasileiros e com recursos à disposição. Investe-se milhões de dólares, anualmente, em pesquisas e os benefícios gerados ultrapassam a bilhões de dólares. Uma silvicultura campeoníssima e invejável em nível mundial. Uma soma de excelências!
 
4- E as nossas espécies nativas? Há inúmeras iniciativas bem conduzidas e algumas espécies já batem as produtividades iniciais do eucalipto. Há pesquisadores dedicados e muito competentes, que apostam na possibilidade de se melhorar, consideravelmente, a produtividade de muitas de nossas espécies nativas. É só investir em mais pesquisas, mais pesquisadores e divulgação do que já temos. A situação é bem semelhante aos anos de 1900 com o eucalipto!
 
5- Nem pensar em encontrar uma espécie para competir com o eucalipto na produção de madeira para celulose, carvão, chapas e usos industriais mais tradicionais. Nesses casos, o eucalipto é imbatível! Vamos atrás de madeira de qualidade para usos especiais. Há quem aposte que vamos encontrar um universo gigante de oportunidades econômicas, sociais e ambientais.
 
6- Lá atrás, em 60/70, o incentivo fiscal foi criado pela necessidade de se ter floresta para produzir madeira para fabricação de bens de consumo – celulose, papel, chapas, carvão. Só com incentivo fiscal, “a cheiro de dinheiro”, as coisas aconteceram! Temos toda a experiência com o eucalipto para ser observada e repetida!
 
7- Nos dias atuais, além de madeira para usos especiais, a sociedade precisa dos serviços ambientais das florestas para proteger seus recursos hídricos, restaurar áreas degradadas, etc. E para isso as nossas espécies nativas também são imbatíveis! Não seria oportuno pensarmos em algum mecanismo, “a cheiro de dinheiro “, semelhante ao que promoveu o eucalipto?
 
8- Com todos os recursos tecnológicos disponíveis para se implantar qualquer tipo de controle, e com toda a experiência vivida, por que não usar o caminho já conhecido? Por que não pensar num mecanismo de incentivo fiscal que possa nos levar a esse novo universo de riquezas florestais?
 
9- Será que com as necessárias adequações na milagrosa Lei 5106/1966, já não teríamos uma boa base para negociações?
 
10-A tempo e a hora
 
– que não percamos a oportunidade de mostrarmos esse universo de oportunidades nesses momentos que antecedem as reformas tributárias, e quando precisamos de alternativas para geração de muitos empregos!
 
– sem “cheiro de dinheiro”, vamos continuar criando GTs para isso e para aquilo e vamos continuar dando pique no lugar!!!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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A FALTA DE MADEIRA NAS NOVAS FRONTEIRAS AGRÍCOLAS

“Vai faltar madeira para secagem de grãos” foi essa a reação de um grande produtor agrícola, quando viu a floresta de seu vizinho ser cortada e substituída por pastagem! A madeira da floresta plantada com custos para o produtor não conseguia competir com a lenha “de custo zero” vinda de desmatamentos. E estava sendo extinta! Um problema para os produtores de grãos, e um desafio para reflexão dos silvicultores!

Nas novas fronteiras agrícolas de estados como Mato Grosso, Tocantins, Bahia, entre outros, há muito tempo, a lenha “de custo zero” tem suprido a necessidade de madeira para os mais diversos fins no meio rural, principalmente, nos processos de secagem e moagem de grãos. E a custo, quase zero! No entanto, esse extrativismo está se extinguindo a ritmo e formas distintas nas regiões agrícolas. Nesse jogo incontrolável, prevalece a lógica da disputa de mercado, entre o preço da lenha vendida a custo do frete e refeição do caminhoneiro e o preço da madeira das florestas plantadas com todos os custos de plantio para serem pagos. Em muitas regiões essa disputa matou a silvicultura!

Há indicações seguras de que nessas regiões, a médio prazo, sem a lenha, que está desaparecendo, e sem florestas plantadas, deverá haver sérias dificuldades para suprimento de madeira para secagem de grãos e outros usos nas propriedades agrícolas.
Esse cenário, para muitos, irreversível, passa a ser uma grande oportunidade para consolidar a silvicultura, onde ela não perdeu o espaço e para que ela possa ressurgir, onde ela foi desvalorizada e massacrada pelo incontrolável oportunismo e desinformação do mercado.

Há de se cuidar, no entanto, da tecnologia florestal a ser adotada para que a silvicultura seja bem sucedida. É trabalho para “ gente do ramo”. Em muitas regiões, onde a lenha massacrou a madeira das florestas plantadas, há indicações confiáveis, de que uma das principais razões para o insucesso da silvicultura, tenha sido a baixa produtividade das florestas plantadas. O problema da falta de informações técnicas seguras, ainda não está resolvido, mas importantes avanços tecnológicos nessas regiões, apontam a silvicultura como a solução para o suprimento de madeira nas novas fronteiras agrícolas!

Esses encontros e desencontros de interesse mostram a importância das informações setoriais e a necessária integração das atividades agrícolas e silviculturais para sucesso dos grandes empreendimentos rurais.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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PROSA DE BILHÕES PARA REFLEXÃO DOS SILVICULTORES

Há algum tempo, numa conversa entre amigos do setor florestal, o foco virou o cruzamento da engenharia florestal e os caminhos da silvicultura. Na verdade, o interesse era entender as relações entre o manejo de florestas nativas, a silvicultura de madeira para processos industriais e as demais atividades de plantios de árvores voltadas à recuperação de áreas degradadas, regeneração de florestas de bacias hidrográficas, agroflorestal, cultivo de espécies nativas, enfim, a silvicultura mais voltada a serviços ambientais.

E, acima de tudo, como a silvicultura de madeira para celulose, chapas, carvão, e outros produtos industriais atingiu níveis de excelência, enquanto a silvicultura para outros fins ficou só nos discursos! A conversa morreu quando alguém, de forma bem simples, falou: “ é o cheiro do dinheiro ”! E completou: “faça a silvicultura de apelo ambiental cheirar dinheiro, e vai ver como as coisas mudam rapidamente”! Alguém deu um toque complementar, mas que não deu liga: “ o manejo tem até cheiro de dinheiro, mas as dificuldades espantam”!

E daí, a conversa girou em torno das razões que podem promover ou dificultar o desenvolvimento de uma atividade. Na saída, um mais sóbrio, resumiu a conversa: “a silvicultura de madeira industrial teve o empurrão, a cheiro de dinheiro, na época dos incentivos fiscais. Gerou emprego, grandes empreendimentos, desenvolveu tecnologia e com muita competência cresceu e se tornou independente. É só repetir o modelo”. E completou: “ lá atrás, a necessidade era madeira e bastou um empurrão de alguns bilhões e deu no que deu. Atualmente, com a necessidade inegável que temos de promover restaurações florestais de áreas degradadas, de proteger nossa bacias hidrográficas para manutenção de nossos recursos hídricos, de mitigarmos efeitos climáticos, etc., tenha certeza, de que só falta um empurrão, com cheiro de dinheiro, para que as coisas aconteçam”! Chegou a conta e a prosa acabou!

Essa conversa de bilhões, merece reflexão! Será que a grande engenharia não estará na forma de se dar um empurrão com cheiro de dinheiro nas atividades que apresentam forte apelo ambiental para que tenhamos mais alternativas para nossa silvicultura?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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AS LIVES E AS LIÇÕES PARA OS SILVICULTORES!

Em tempos de pandemia e quarentena, as lives brilham! E quantas contribuições e, quanto aprendizado! Coisas novas, gente nova, conceitos novos, divergências, e sinais de estratégicas convergências. Pena que algumas questões, que se arrastam no dia-a-dia, continuam tangenciando as conversas. Enfim, uma certeza: o pós-covid vai trazer novidades, modificar hábitos e procedimentos! E a silvicultura não vai ser exceção! Cuidemos de nos preparar para as mudanças e desafios! Iniciemos desatando os nós conceituais que vão se formando diante da diversidade de tantas informações!
 
Fiquemos com algumas questões que nos parecem estratégicas a nossa silvicultura:
 
1- Disparadamente, prevalece o foco na silvicultura do metro cúbico das florestas de eucalipto e pinus. E muitos avanços tecnológicos para controles. Um mundo digital para controle de tudo! A produção parece resolvida, enquanto a produtividade decresce….. Isso é preocupante! Ainda bem, que a produtividade já está se tornando bandeira de importantes instituições de ensino e pesquisa!!!
 
2- A silvicultura que não cheira a dinheiro continua pobre!! Muitos elogios e muita gente interessada, mas pouca pesquisa e pouca informação! Recuperação de áreas degradadas, serviços ambientais, manejo das florestas, cultivo de espécies nativas, muito pouco ou quase nada! Essa seria uma excelente oportunidade para uma ampla discussão desses assuntos. Precisamos encontrar mais protagonistas dispostos à luta e mais comunicação!
 
3- A Ministra provocada reconheceu o potencial do setor florestal, além da celulose, mas agora, sob seu comando, o assunto florestal ainda carece da devida valorização. A mudança de ministério, ainda não provocou as adequações necessárias. O Serviço Florestal parece isolado e o esforço da Câmara de Florestas Plantadas ainda é uma ilha de boas intenções dentro do Ministério. E é uma pena o setor florestal, em toda sua abrangência
continuar esparramado em diferentes corredores de Brasília! A nossa riqueza florestal, cobiçada pelo mundo, precisa de mais atenção!
 
4- Nos estados, parece que o assunto está se valorizando e o movimento é diferente. Que bom! Que novas lideranças se mostrem dispostas a criar condições para o desenvolvimento da atividade!! Esse dinamismo nos estados é imprescindível para criar, recriar e manter a silvicultura como fator de desenvolvimento social e econômico em muitas regiões!
 
5- O pequeno e médio produtor continua meio perdido! Há muitas controvérsias! Localização, mercado, tecnologia, o que plantar, como agregar valor à produção, como usar a integração agroflorestal, enfim… ainda prevalece a desinformação! Há de se desenvolver mecanismos, e com urgência, para se evitar que esse pessoal se afaste da atividade! E o pior, apedrejando a silvicultura!
 
6- De gente do agronegócio algumas lições para reflexão: um reconhecimento oportuno – o agro precisa das florestas. É o agroambientalismo, coisa de brasileiro e que tende a se fortalecer, em nível internacional, integrando e valorizando as florestas e a biodiversidade no processo de produção de alimentos! Um outra lição: o agro diz que precisa do Governo para executar políticas públicas, através de leis, normas, etc. e quer a responsabilidade pela elaboração dessas políticas! Essa inversão de posição parece encomendada aos silvicultores, pois há tempos falamos de políticas públicas, mas diferentemente, ficamos esperando que o Governo tome a iniciativa pela elaboração. Parece que precisamos inverter essa posição!
 
Temos tido inúmeras lições! Fiquemos nessas, por enquanto! As lives vão continuar e, com certeza, passarão a fazer parte do nosso dia-a-dia. Vamos torcer para que se mantenha esse fluxo de informações, com novas idéias e com novos protagonistas em ação!
 
A Comunidade de Silvicultura cumprimenta a todos que estão se propondo a organizar e participar dessas lives. A silvicultura está se enriquecendo e com mais discussões aumentam as oportunidades de se encontrar os caminhos para valorizarmos, adequadamente, a silvicultura e todo o setor florestal brasileiro!
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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