PREÇO DA MADEIRA EM ALTA ACENDE A LUZ VERMELHA!

Depois de grande período de estagnação no valor da madeira, surgem os primeiros ajustes e os reflexos em toda a cadeia produtiva são imediatos!

Nos últimos 10 anos, com o valor da madeira no fundo do poço, criaram-se sérias dificuldades a toda cadeia produtiva. Os fomentados sumiram e os programas de fomento se restringiram ao mínimo para cumprimentos protocolares. Os viveiros para produção de mudas foram sucateados e os terceiros que representam, de fato, o lado dos empregos no setor de florestas plantadas, viram seus preços se achatarem a níveis extremos e com muitas desistências. Grandes “estoques de salvamento” davam o suporte necessário para abusos e manutenção dessa situação extremamente comprometedora.

No entanto, os problemas se agravaram, quando inúmeras consequências se somaram: florestas abandonadas, incêndios em todo canto, pragas e doenças, secas prolongadas e a chegada de novos concorrentes pela madeira, dentre outros fatores. Até então, vamos que vamos!

De repente, os estoques sumiram, o preço da madeira começou a se elevar, depois de tanta angústia, e acendeu a luz vermelha!

Aparentemente, o setor já acordou! Cresce a preocupação com a falta de madeira em algumas regiões, não há mudas em quantidade e qualidade disponíveis no mercado e os terceiros ainda não se encontram devidamente estruturados para a demanda de serviços que se evidencia!

Essa novela não traz nenhuma novidade, mas a certeza de que está ficando quase impossível contar com improvisações diante das necessidades crescentes! Mais concorrentes, produtividades em baixa, poucos plantios, sem estoques de salvamento, adversidades climáticas… e um aumento gigantesco, e que só tende a crescer, no consumo de madeira.

Há quem aposte na necessidade de mudanças imprescindíveis em pontos estratégicos da cadeia produtiva, com esforços redobrados em pesquisas, reconhecimento de terceiros profissionalizados e valorização da silvicultura, lá no campo!

🌱Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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CRISES E AVANÇOS DESAFIADORES DA SILVICULTURA

De tempos em tempos a silvicultura dá saltos qualitativos. Para muitos, esses saltos surgem depois de crises, ameaças ou limitação à estabilidade do setor. Normalmente, provocam impactos na produtividade, no social, no ambiental ou na estrutura organizacional do setor, dentre outros.

Tivemos um salto importante com a adubação das florestas, em seguida com as sementes melhoradas e com a clonagem de eucalipto completou-se um grande ciclo de produtividade. Com essa soma de conhecimentos saímos de 15/20 para 30/40 metros cúbicos /ha/ano. Estar mais próximo de 30 ou de 40 era competência profissional das diferentes empresas. Com a chegada da certificação, mais instrutiva do que fiscalizadora, grande salto se deu no social e ambiental, além de consolidar os procedimentos operacionais. Regra bem geral, pois ainda nos dias atuais e sem muito esforço, encontramos casos com 10 a 20 anos de atraso, que se misturam no embalo da campeoníssima silvicultura brasileira!

Nos últimos 20 anos, nada tão expressivo para mudar o rumo da silvicultura. No entanto, muita evolução tecnológica na otimização dos procedimentos e inúmeras ferramentas digitais para aprimorar os controles e monitoramentos das florestas. Num período com madeira sobrando e com tanta sustentabilidade para todos os lados, até grandes “ barbeiragens operacionais” não justificavam qualquer preocupação!

No entanto, nos últimos anos, as coisas mudaram e até o assustador “apagão florestal” passou a ser lembrado nas “conversas de aeroporto”! Acendeu-se a luz amarela e a luz vermelha, apesar da sustentabilidade e discursos pomposos de muitos empreendimentos. Foi só os estoques da madeira de salvamento se esgotarem e a correria começou. E todos os sinais camuflados por anos se mostraram ameaçadores: materiais genéticos improdutivos, pragas e doenças a todo canto, os impactos das secas prolongadas, os fomentados que se afastaram, o preço da madeira se ajustando, dentre outros, são alguns dos sinais que anunciam novos e desafiadores tempos à silvicultura! Para muitos teremos imprescindíveis avanços em toda a cadeia produtiva!

O que consola é que muitas mudanças, até então, sem a devida atenção, com certeza, trarão mais valorização à tecnologia, às necessidades sociais e ambientais e à competência profissional!

Vai ganhar e ganhar muito a silvicultura!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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DE NOVO! FALTA ÁGUA, CRESCE O DESMATAMENTO E ARDE O FOGO!

Estamos chegando no período de seca e já falta água, o desmatamento cresce e surgem os primeiros sinais de queimadas. Encrencas gigantes que mexem com a vida de toda sociedade! Coincidência, negligência, incompetência ou azar? De tudo, bastante coisa e bem relacionado com floresta!!!

Vamos aos fatos!

A falta de água, afora os fatores climáticos, tem muito a ver com nossas bacias hidrográficas sem florestas e com as milhares de áreas degradadas que entopem nossos rios. O remédio é intensificar as restaurações de áreas degradadas e proteger nossas bacias e reservas aquíferas com florestas! O desmatamento tem a ver com a destruição de nossas florestas, invasões de reservas, falta de fiscalização e corrida na busca de madeira. O fogo, quase sempre, surge como consequência do desmatamento e da falta de proteção das florestas!

Não precisa ser nenhum especialista para perceber que o denominador comum dessas equações é a floresta! E vem a inevitável pergunta: Quem vai desenvolver programas para cuidar das restaurações necessárias? Quem vai cuidar dos compromissos internacionais assumidos? Quem vai proteger as florestas e acabar com a ilegalidade do rico mercado madeireiro? Quem vai assegurar a preservação e conservação de nossa biodiversidade? Quem vai promover a moderna Silvicultura Integrada, segundo o Dr. Walter de Paula Lima, respeitando as limitações naturais do meio e os espaços produtivos da paisagem, em harmonia com os serviços da colheita, e que está se tornando cada vez mais importante à sustentabilidade das indústrias de base florestal?

Diante de tantas incertezas, será que alguém duvida da importância estratégica, econômica, social e ambiental de ser ter um Ministério de Florestas à altura de nossas necessidades? Há muitos que acreditam que desta forma estaremos dando respostas às inúmeras responsabilidades difusas e recorrentes, e conduzindo o Brasil na direção de se tornar protagonista no mercado internacional de produtos florestais e serviços ambientais!

🌱Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE E AS NOSSAS FLORESTAS ⠀



Dia 5 de junho! Dia Mundial do Meio Ambiente!

Que nesse dia, saibamos reconhecer o valor de nossas riquezas florestais e a urgência de adotarmos medidas e políticas públicas que nos possibilitem usufruí-las de forma racional e sustentável! Temos base tecnológica, universidades, instituições de pesquisas, profissionais competentes e comprovada capacidade empresarial.


Somos campeoníssimos em silvicultura de florestas plantadas e líder mundial na produção de celulose de fibra curta, mas somos pífios no mercado internacional de madeiras tropicais, onde temos nosso maior patrimônio! São realidades contrastantes de segmentos distintos de um mundo florestal, que clama por um arranjo institucional condizente com sua riqueza!

Esses paradoxos desafiadores precisam ser superados! Peguemos os exemplos mais emblemáticos – A Amazônia diante de tantas encrencas e polêmicas de jornal e de polícia, e as florestas plantadas em destaque internacional com tudo que há de mais moderno em toda a cadeia produtiva – e também, de outro lado, dentre outros segmentos, há de se destacar a incansável luta para viabilização dos programas de recuperação de áreas degradadas ou de proteção de nossas bacias hidrográficas!
E o interessante dessa história é que esses segmentos que, as vezes, não se conversam e negam parentesco, de repente, contribuem expressivamente para uma causa comum de grande interesse de toda a sociedade – o meio ambiente!

Que esse dia sirva para reflexão! E que o apelo ambiental que cresce todo dia e que envolve a todos, faça surgir a imprescindível disposição política para unir e fortalecer os diferentes segmentos e consolidar, de fato, o setor florestal brasileiro!

🌱Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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O RICO MUNDO DAS FLORESTAS! QUE FLORESTAS?

Temos assistido nos últimos tempos à inúmeras discussões envolvendo florestas. Da riqueza e desmatamento da Amazônia aos estoques de madeira para suprir as indústrias à base de madeira de florestas plantadas; dos programas de recuperação de áreas degradadas, do compromisso brasileiro com novos reflorestamentos, da proteção de nossas Unidades de Conservação, da proteção das bacias hidrográficas, e a todo instante dos mercados internacionais de produtos florestais, onde somos campeões na produção de celulose de eucalipto, campeões de produtividades de florestas plantadas e pífios no mercado de madeiras tropicais, apesar de ter a maior floresta tropical do mundo!
Quanta diversidade e contrastes!

Mas de que florestas estamos tratando? Que instituição ou que Ministério fala pelo setor? Fica difícil identificar as devidas responsabilidades, pois não se ouve nada de ninguém. Será que não está passando do momento de juntarmos tudo e voltarmos ao IBDF, que centralizava tudo que se tratava de floresta?

Pode parecer meio absurdo, mas mais absurdo é termos tamanha riqueza e não conseguirmos estabelecer políticas públicas que garantam o uso racional desse rico tesouro em favor da população brasileira!⠀

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Gestão e Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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CLIMA, FLORESTA E “OS DO RAMO” CALADOS!

Estamos assistindo e só assistindo a uma discussão internacional sobre o clima, mas que tem como parte do pano de fundo nossas florestas – especialmente a Floresta Amazônica! Estamos acompanhando e só acompanhando as mudanças no IBAMA, ICMBio, SFB, MMA, dentre outras. O curioso, se não fosse trágico, é que não se vê e nem se ouve nada de ninguém ou de nenhuma entidade do setor florestal. Nada se fala e nada se sugere! E formamos todos os anos mais de 2000 profissionais para cuidar de florestas! E temos um Serviço Florestal Brasileiro, uma Unidade de Pesquisa Florestal da Embrapa e dezenas de cursos de engenharia florestal. E temos compromissos internacionais para serem cumpridos! Temos brilhantes profissionais, instituições de pesquisas atuantes e respeitadas em nível internacional, e centenas de cientistas e pesquisadores. E não se ouve “um pio” dos que entendem, dos especialistas e dos que se interessam pelas florestas. Aliás, para não ser injusto, raríssimas exceções!


Como se explica esse total silêncio do setor florestal?


Fica para reflexão, comentários e sugestões!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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INCÊNDIOS FLORESTAIS E A CONTRIBUIÇÃO DA SILVICULTURA!

O fim do período chuvoso marca em muitas regiões brasileiras o início das preocupações com a seca e com os incêndios, que pipocam para todo lado. E das mais variadas origens – de despretensiosas limpezas às intencionais ações criminosas. O risco é grande para todos. E a silvicultura precisa se manter viva e esperta. Em poucas horas, extensas áreas de florestas- trabalho de muitos anos- podem virar cinzas!

Em vários estados tem havido exemplos de integração e solidariedade entre os diferentes segmentos produtivos do meio rural, quase sempre sob a liderança de entidades representativas do setor florestal para combate e prevenção de incêndios. Para muitos é uma das grandes contribuições que a silvicultura presta à sociedade! Milhares de servidores florestais, estruturas de combate com máquinas e equipamentos especiais se colocam de plantão para atender a qualquer chamado!

No Mato Grosso do Sul, a REFLORE, entidade representativa das empresas florestais daquele estado, há anos vem desenvolvendo, nesses períodos críticos, ampla campanha informativa sobre os riscos dos incêndios, além de inúmeras medidas preventivas para mobilização de todo o setor rural. O chamamento da REFLORE tem sido o sinal de alerta no Mato Grosso do Sul! No dia 8 de abril, a REFLORE lançou a Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios de 2021! Com certeza, dará grande contribuição na defesa das florestas. Todos unidos para defender as florestas, as pastagens, a área plantada desse ou daquele cidadão. Todos contra o fogo!

Entre os que já viveram experiências dessa natureza, é voz corrente que o ponto chave para sucesso do combate a incêndios florestais, é a presença de lideranças bem preparadas e com autonomia e disposição para decidir, juntar colaboradores e definir ações de campo. É o momento, portanto, de se valorizar essas lideranças treinadas e conscientizadas de suas responsabilidades. Essa é a chave para o sucesso da luta contra o fogo!

Há de se destacar também o alerta estratégico, que dá sustentação à solidariedade empresarial – todos devem estar, minimamente, preparados para participar e colaborar. E assim, assegurar o apoio de todos, numa eventual necessidade de socorro – essa é a chama que mantem acesa a solidariedade entre as empresas.

A Comunidade de Silvicultura ao parabenizar a REFLORE do Mato Grosso do Sul pelo brilhante trabalho que tem realizado há anos, estende os cumprimentos às demais entidades de outros estados, que desenvolvem ações semelhantes!

São essas posturas empresariais que enobrecem a silvicultura brasileira e merecem os mais respeitosos cumprimentos!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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A RESTAURAÇÃO FLORESTAL PRECISA DE INCENTIVOS FISCAIS!

Mais recentemente, temos visto um esforço muito grande de algumas instituições tentando viabilizar programas de restauração florestal – Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura, S.O.S Mata Atlântica, dentre outras.

Segundo registros bibliográficos, esses movimentos apresentam muita semelhança aos movimentos que deram origem à silvicultura comercial, lá nos anos 60/70. Lá atrás, pesquisadores e profissionais procurando proteger nossas florestas e, preocupados com a falta de madeira para atender a demanda crescente de produtos industriais importantes à sociedade, organizaram-se e reivindicaram junto ao Governo Federal o estabelecimento de uma política pública que incentivasse a atividade de reflorestar. Surgiam os incentivos fiscais para reflorestamento – Lei 5106 de 1966! Iniciavam-se os trabalhos de reflorestamento, que deram origem ao rico patrimônio industrial que, atualmente, atende ao mercado interno, exporta para o mundo inteiro e gera milhões de empregos.

Um exemplo de sucesso a ser seguido! Para muitos, o segredo foi ter transformado uma necessidade num negócio com valores econômicos concretos.

E nessa história, onde entram as semelhanças com os movimentos para restauração? Temos profissionais competentes e providos de muitas informações! Temos a sociedade interessada e atenta aos problemas climáticos, desmatamentos, falta de água em muitas torneiras! Há conhecimento e sensibilidade generalizada da estreita relação entre florestas e água! A falta de água assusta e já se tornou um drama para muitas regiões! Com certeza, não há quem ponha em dúvida a necessidade de se adotar medidas que protejam nossos recursos hídricos – a nossa água de todos os dias – a demanda está sacramentada!

Será que não valeria a pena pensar- se numa política de incentivos fiscais para restauração florestal, visando a proteção de nossos recursos hídricos? Só há uma certeza: o Brasil tem exemplo de sucesso para ser seguido, além de profissionais e competência técnica e científica para dizer o quê, e como fazer. E tudo com as correções e ajustes das experiências já vividas!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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FLORESTAS PLANTADAS: QUEM GANHA E O LEGADO QUE FICA!

Esse assunto desperta muitas curiosidades! A todo instante comenta-se que nossa silvicultura é campeã de produtividade, que somos altamente competitivos, que a madeira é a solução para muitos problemas futuros, mais isso e mais aquilo!
E quem ganha com tudo isso? Quem planta, quem comercializa, quem industrializa ou quem presta serviços na cadeia produtiva? Afinal, quem está, de fato, ganhando com a competitividade das florestas plantadas?
Não é uma resposta tão simples, mas algumas constatações são inquestionáveis: há muitos pequenos, médios e grandes produtores – estes, basicamente, representados pelas TIMOS – dos quais só se ouvem queixas e reclamações dos preços pagos pela madeira. Com tantas reclamações, com certeza a competitividade não deve estar trazendo tantas vantagens para essa turma que produz.
Os prestadores de serviços, que representam mais de 80 % da mão-de-obra à disposição da cadeia de produção florestal, reclamam e reclamam muito! Vivem pensando em parar todo final de mês, quando as contas não fecham, mesmo depois de 30 dias de mágicas e malabarismos! E, nesse balaio, entram os terceiros de toda ordem, além de produtores de mudas, consultores, empresas de serviços especializados, etc. Portanto, não há razões para se vangloriarem da tal competitividade!
Fica, no final da linha, os que industrializam! Que também choram, só que sabem onde e quando chorar. Com certeza esses ganham, e o “chororô” é porque gostariam de ganhar muito mais!! Com indústrias bilionárias se expandindo e aumentando a produção, não há nenhuma lógica para se pensar diferente!
E qual o segredo? A indústria coloca um preço de referência para a madeira colocada na fábrica, depois de cobrir suas despesas e garantir sua lucratividade. E avisa: “só pago, até aqui!” É lógico que se a fábrica der uma patinada, a régua sobe. Só a madeira vinda de 1000 km, que serve de tapa-buraco, não respeita a regra! Nesse valor – “só pago, até aqui” – há de se remunerar o transporte, que ninguém se atreve a peitar; o alto custo da colheita, que foi para áreas planas para mecanizar e ficar mais barata, e a madeira! Aqui, na madeira, é que se ajeitam as contas, e que se danem os envolvidos!
Os produtores – pequeno, médio ou grande – e os prestadores de serviços, que são os principais protagonistas do processo de produção florestal, que se acertem com seus investidores ou colaboradores para manter a floresta competitiva! É a parte que mais emprega, que sustenta o processo produtivo e quem está bancando a competitividade das florestas plantadas!
Será que a silvicultura brasileira continuará sendo competitiva e sustentável, se pagar preços justos para a madeira e remunerar adequadamente os servidores e colaboradores da cadeia de produção? Há controvérsias!
De qualquer forma, vamos torcer e lutar para que os verdadeiros gargalos da produção floresta-indústria sejam identificados e corrigidos para evitarmos que caminhemos para se deixar como legado às próximas gerações um riquíssimo patrimônio florestal e industrial insustentável!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com

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TEMAS QUE MUDAM A SILVICULTURA BRASILEIRA: LEI SOBRE PAGAMENTO DE SERVIÇOS AMBIENTAIS!! COMENTÁRIOS DO DR. WALTER DE PAULA LIMA

Considerações a respeito da Lei No. 14119 – Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais: pagar o que mesmo? Walter de Paula Lima Professor Titular Aposentado do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP.

“Publicada em 13 de janeiro de 2021, essa lei estabelece a Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais (PNPSA). Como política pública, o texto encontra-se bem elaborado, definindo conceitos importantes e estabelecendo diretrizes pertinentes para a busca do manejo sustentável dos recursos naturais. Nesse sentido, todavia, ela evitou se aprofundar na discussão desse conceito de manejo sustentável e esse é um aspecto crucial, conflitante mesmo com a própria ideia de pagar por serviços ambientais.
A única novidade estabelecida pela lei está no Capítulo I, Artigo 2º, Inciso III, que define o que vem a ser SERVIÇOS AMBIENTAIS: atividades individuais ou coletivas que favorecem a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços ecossistêmicos. Ou seja, definiu o que é passível de receber pagamento mas não se atreveu a definir quais seriam essas ações individuais ou coletivas. Seriam ações de manejo? Ou seriam, por outro lado, ações isoladas, independentes do projeto de manejo, mas que por alguma razão foram consideradas como importantes para o objetivo de manter os serviços ecossistêmicos? Ou poderiam ser ações deliberadas de passar a respeitar o Código Florestal, perdendo parte da área da propriedade para poder ampliar as áreas de preservação permanente? Nesse sentido, o Parágrafo Único do Inciso III do Artigo 9º amplia em muito a nebulosidade, quando afirma que “as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e outras sob limitação administrativa nos termos da legislação ambiental serão elegíveis para pagamento por serviços ambientais com uso de recursos públicos, com preferência para aquelas localizadas em bacias hidrográficas consideradas críticas para o abastecimento público de água”. Ora, confesso que não entendi esse parágrafo único. Parece que se trata de pagar para o proprietário respeitar o que estabelece o Código Florestal, o que não deixa de ser absurdo.
Parece que aqui há, também, um pouco de confusão sobre os conceitos de manejo de bacias hidrográficas, assim como da importância de se inserir aspectos hidrológicos aos objetivos da lei.Assim, permanece nebulosa a definição dessas ações e, sem elas, pela lei, não há o que pagar. Nem sempre as áreas e/ou locais eventualmente tidos como adequados para a implementação de ações ou medidas de restauração são, na realidade, adequados. Ao longo de minhas andanças no campo em aulas práticas de Manejo de Bacias Hidrográficas, eu presenciei alguns casos que beiravam o grotesco. Num deles, por exemplo, parecia haver concordância de um grupo de pessoas presentes no ato,com o plantio de algumas mudas de espécies nativas num determinado canto da propriedade rural, que não tinha nada a ver com o objetivo de melhorar os serviços ecossistêmicos. Depois, andando pela propriedade, constatei a presença de uma área de descanso do gado situada exatamente em cima de uma grande nascente difusa (zona ripária). Ou seja, o proprietário foi premiado por uma ação inócua, que não ia de maneira alguma contribuir para a melhoria dos serviços ecossistêmicos, mas continuava executando ações inadequadas de manejo, que certamente seriam danosas aos recursos hídricos. Esse é um aspecto crucial que a PNPSA terá que resolver. Aliás, o próprio texto da lei reconhece essa dificuldade, quando afirma no Parágrafo Único do Artigo 14 que “os serviços ambientais prestados podem ser submetidos à validação ou à certificação por entidade técnico-científica independente, na forma do regulamento”. Ou seja, reconhece que é preciso fiscalizar. Infelizmente, todavia, apenas fiscalizar não é o bastante. O essencial não é apenas comprovar que as ações (tidas como adequadas) foram executadas, mas sim saber se essas ações executadas vão realmente resultar na conservação e melhoria dos serviços ecossistêmicos. É preciso reconhecer, nesse sentido, que não existe uma relação direta e imediata entre uma coisa e outra. Ou seja, as ações executadas, mesmo que comprovadamente pertinentes para a consecução dos objetivos de melhoria dos serviços ecossistêmicos, não surtem efeitos imediatos, se é que um dia isso venha a acontecer. Com relação à água, por exemplo, persistia, e ainda persiste, a ideia popular generalizada de que basta restaurar a mata ciliar para a nascente e o riacho voltarem a fluir de imediato. Os serviços ecossistêmicos dependem, mortalmente, da manutenção da integridade do ecossistema, fato que por si só já atesta essa dificuldade natural de causa e efeito.
Outro aspecto que considero infundado no espírito da lei é a sua aparente ingenuidade. Por exemplo, o Inciso VI do Artigo 7º estabelece que a Política do PSA promoverá ações de manejo sustentável de sistemas agrícolas, agroflorestais e agrossilvopasoris que contribuam para a captura e retenção de carbono e conservação do solo, da água e da biodiversidade. Aí está! Isso reflete tudo o que uma política pública de conservação dos serviços ecossistêmicos precisaria incentivar. Se todo o manejo dos recursos naturais fosse pautado nos princípios e critérios de conservação ambiental, então não seria preciso nenhum PSA, pois o uso correto e ambientalmente sadio dos espaços produtivos da paisagem, para fins da produção agrícola, agroflorestal e agrossilvopastoril, respeitando os espaços da paisagem que são nitidamente de conservação da água e dos serviços ecossistêmicos, resguarda, intrinsecamente, o objetivo primordial da Lei do PSA. Ou seja: não seria preciso pagar nada.”

Agradecimentos: a Comunidade de Silvicultura agradece a colaboração do Prof. Walter de Paula Lima. Com certeza suas considerações serão importantes para reflexão e orientação a todos que se dedicam a assunto de tamanha relevância à silvicultura brasileira!!!

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