UMA PROSA RICA, “E NO CAMPO… O QUE REALMENTE MUDOU?”

Em uma conversa rápida, à beira de um talhão recém-plantado, e aproveitando a animação da prosa, perguntamos ao produtor florestal, que apresentava os serviços de campo de sua propriedade:

“O que mudou na silvicultura nesses últimos anos?”

O produtor, animado, nem pensou muito:
“ Mudou que agora o erro aparece. E seguiu: Antes, o sistema escondia. Tinha madeira, tinha folga, dava para conviver com erro e hoje não dá mais”

Olhou para o talhão, fez uma pausa curta e continuou:

“ O clima apertou. A seca cobra. Praga e doença aumentaram. E tem material que simplesmente não produz o que se espera. E não adianta culpar tudo isso, não. E, pior ainda, tem muita falha de execução também”

E, então, veio a pergunta, quase automática:

“Mas e a tecnologia?”

Resposta imediata:

“ Tecnologia ajuda. Mas não resolve incompetência. E hoje, o que antes era detalhe virou problema. E problema vira custo. E custo vira falta de madeira”

E fechou, com a tranquilidade de quem vive o dia a dia:

“No fim, não tem discurso que resolva. Se não produzir bem, vai faltar madeira”

A conversa, rica de lições de vida, terminou aí.

E deixou um inquietante recado para todos que trabalham com a formação de florestas para produção de madeira:

• o erro deixou de ser tolerável e passou a ser visível, mensurável e caro.

E não há tecnologia, discurso ou justificativa que substitua a madeira que não é produzida.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Esta entrada foi publicada em Uncategorized e marcada com a tag , , , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.