Tem sido muito comum ouvirmos, “o custo da madeira está muito elevado e acabando com a competitividade dos setores industriais que se sustentam da madeira das florestas plantadas”. Procede tal preocupação?
A silvicultura brasileira alcançou excelência na produção, mas é preciso compreender, adequadamente, o que está por trás do custo da madeira, e ter clareza sobre onde agir para sustentar, de forma consistente, o sucesso da silvicultura.
Foi esse sucesso que garantiu elevado nível de competitividade, ao longo do tempo, pela admirável capacidade de produzir madeira. Mas mantê-lo exige mais do que elevar a produtividade, é indispensável compreender, com precisão, tudo o que compõe o custo da madeira, para valorizar o produto florestal e garantir bases sólidas para o seu futuro.
Ao longo de décadas, o Brasil consolidou uma das silviculturas mais competitivas do mundo. Empresas, pesquisadores, técnicos e instituições construíram um sólido conjunto de conhecimentos que permitiu elevar, de forma extraordinária, a produtividade das florestas plantadas. Hoje, o país ocupa posição de destaque no cenário internacional, sustentando um amplo e moderno parque industrial baseado na madeira.
Historicamente, o principal indicador de desempenho da silvicultura tem sido a quantidade de madeira produzida por hectare ao ano. No entanto, a sustentabilidade dessa competitividade exige uma visão mais ampla e integrada do sistema produtivo. Produzir mais nem sempre significa produzir melhor, e, muitas vezes, tampouco significa produzir com menor custo ao longo da cadeia.
É exatamente nesse ponto que a qualidade da madeira se torna determinante para o rendimento industrial e o aproveitamento da matéria-prima. Ainda assim, em muitos casos, essa indicação permanece como uma meta predominantemente restrita ao ambiente experimental. Levar essa variável para o campo, de forma consistente, é um passo fundamental, inclusive pelos seus efeitos diretos sobre o custo da madeira.
Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que os grandes empreendimentos florestais mobilizam estruturas complexas. Infraestrutura regional, logística, abertura e manutenção de estradas, implantação de alojamentos e suporte aos fluxos migratórios de trabalhadores tornam-se elementos cada vez mais relevantes, especialmente na expansão para novas fronteiras.
Com frequência, esses custos, que pertencem à estrutura mais ampla dos empreendimentos, acabam sendo absorvidos pelos serviços ligados à formação das florestas e incorporados ao custo da madeira.
A silvicultura brasileira já demonstrou, de forma inequívoca, sua capacidade competitiva. O desafio agora é ampliar a compreensão sobre os fatores que sustentam esse desempenho e assegurar que ele esteja apoiado em bases técnicas, econômicas e sociais cada vez mais sólidas.
Produzir mais madeira por hectare continuará sendo importante. Mas compreender, em profundidade, tudo o que está contido no custo da madeira, e agir sobre as variáveis prioritárias, será decisivo para valorizar o produto florestal e garantir a sustentabilidade da competitividade da silvicultura brasileira.
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br