Ao longo de muitos anos convivendo com empresas, profissionais e instituições do setor florestal, tivemos a oportunidade de acompanhar de perto a evolução da silvicultura brasileira.
Em poucas décadas, o país transformou as florestas plantadas em uma de suas mais produtivas atividades rurais. O Brasil tornou-se referência em tecnologia, produtividade e gestão florestal.
No início dessa caminhada, as empresas corriam para aprender. Era preciso entender solos, espécies, manejo, fertilização e produtividade. Técnicos, pesquisadores e empresas estavam envolvidos em um grande processo de aprendizado coletivo.
Com muita troca de experiências, resultados eram discutidos, práticas eram compartilhadas e o conhecimento circulava com naturalidade. A silvicultura moderna brasileira foi construída nesse ambiente de colaboração, com a contribuição de ilustres profissionais e o apoio decisivo de universidades e entidades de pesquisa.
Com o tempo, os procedimentos técnicos se consolidaram, as estruturas empresariais se definiram e surgiram organogramas, funções e níveis de responsabilidade. E o olhar passou a se voltar mais para dentro das organizações. A colaboração entre empresas diminuiu e o conhecimento passou a ser mais protegido.
Talvez seja um movimento natural da maturidade empresarial. Mas também levanta uma reflexão, quanto daquele espírito colaborativo, que ajudou a construir a silvicultura brasileira, ainda permanece vivo no setor?
A gestão se tornou mais estruturada. Indicadores, planejamento e sistemas de controle passaram a orientar decisões. Programas de treinamento se multiplicaram e as equipes se qualificaram cada vez mais.
Mais recentemente, porém, começa a aparecer uma nova percepção.
Ainda como casos isolados, já se observam algumas organizações valorizando mais o ambiente de trabalho, o respeito profissional e o papel das pessoas dentro das empresas. São sinais de novos tempos.
Essa mesma visão também começa a aparecer na relação com as empresas de serviços, uma evolução natural da terceirização. Ao longo do tempo, muitas delas cresceram, investiram em gestão, capacitação, máquinas e formação de equipes. Desenvolveram conhecimento operacional importante.
Assim, o terceiro deixa de ser apenas um executor de tarefas e passa a atuar como colaborador técnico da operação, contribuindo com experiência e soluções para o trabalho no campo. Isso certamente é sinal de maturidade de um setor que cresceu muito nas últimas décadas.
Nesse contexto, depois de tantos anos aprendendo a produzir florestas, uma coisa parece cada vez mais clara, o verdadeiro diferencial das organizações não está apenas na tecnologia, nos processos ou nos indicadores, está nas pessoas.
São elas que acumulam conhecimento, aprimoram práticas, resolvem problemas e fazem as empresas funcionarem todos os dias.
A silvicultura brasileira já demonstrou que sabe plantar grandes florestas.
Talvez agora esteja vivendo um novo aprendizado, compreender que a força real dessa atividade está nas pessoas que fazem a floresta acontecer.
O futuro da silvicultura brasileira continuará sendo construído assim, com técnica, com experiência e, sobretudo, com pessoas comprometidas com a floresta e com o setor. 🌳
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br