ÁGUA EM RISCO: RECUPERAR AS BACIAS HIDROGRÁFICAS JÁ

O Brasil assumiu o compromisso histórico de recuperar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030.

Mas, para que essa meta tenha relevância prática e produza resultados concretos, é essencial definir prioridades claras. Entre elas, poucas são tão evidentes quanto a recuperação e proteção da vegetação natural das bacias hidrográficas que garantem o abastecimento de água dos grandes centros urbanos.

A água é o recurso mais vital da sociedade. Garantir sua disponibilidade deve estar no topo das prioridades nacionais.

Não se trata apenas de um programa ambiental, mas de uma questão de segurança hídrica, saúde pública e qualidade de vida.

É urgente que o país estabeleça uma governança eficiente, com uma instituição governamental responsável por definir prioridades, monitorar e orientar os projetos de recuperação.

O momento é propício: há crescente acesso a recursos internacionais vinculados a compromissos climáticos e de biodiversidade, incluindo créditos de carbono e pagamento por serviços ambientais.

Sem essa coordenação estratégica, corre-se o risco de dispersão de esforços e recursos, justamente quando poderiam estar voltados a prioridades inadiáveis — como proteger os reservatórios de onde milhões de pessoas retiram sua água diariamente.

O Sistema Cantareira, que envolve diversos municípios da Região Bragantina (SP) e abastece grande parte da Região Metropolitana de São Paulo, é um exemplo emblemático.

Suas bacias sofrem há décadas com a degradação ambiental. Iniciativas locais já apontam soluções, mas falta uma política de governo capaz de transformar esforços isolados em um grande programa nacional.

Situações semelhantes se repetem em diversas regiões do Brasil.

Comunidades, produtores rurais e instituições demonstram disposição em agir, mas ainda carecem de apoio técnico, legal e financeiro.

Um estudo cuidadoso, com base nas informações disponíveis, poderia indicar com clareza onde atuar e quais medidas adotar para viabilizar essa contribuição ambiental estratégica.

Ao priorizar a restauração das bacias hidrográficas abastecedoras dos grandes centros, o Brasil não apenas estaria cumprindo parte de sua meta internacional de restauração, mas garantindo um legado concreto para evitar graves dificuldades às próximas gerações.

Transformar esse desafio em ação é plantar hoje a segurança hídrica e social do futuro.

Esse é um chamado para toda a sociedade — e um alerta às instituições governamentais, que precisam enxergar com urgência a dimensão desse problema tão evidente.

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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