A SILVICULTURA E SUAS PENDÊNCIAS INESQUECÍVEIS

A Comunidade de Silvicultura está há anos falando de assuntos relacionados à silvicultura brasileira. Estamos tomando a liberdade de republicar os textos que nos parecem estratégicos para o momento atual. Vamos selecionar aqueles que comemoram 5 anos de sua publicação. O texto, a seguir, foi publicado em 12 de fevereiro de 2020. Dessa forma, voltamos aos relatos de 5 anos e vamos refletir sobre as mudanças havidas ou sobre a falta de ações reclamadas na época. Retomar questões mal resolvidas só irá enriquecer a silvicultura brasileira. E lembremos sempre que problemas não se resolvem sem ações concretas dos interessados!

QUANTO TEMOS DE FLORESTAS PLANTADAS?

As estatísticas do setor são bastante duvidosas! Para 2018, o IBGE fala em 9,85 milhões de hectares, o MapBiomas fala em 8,6 milhões e a IBA fala em 7,83 milhões. Uma diferença próxima de 30 % entre os extremos! Isso na safra agrícola seria um desastre! Para muitos o levantamento do IBGE mostra plantios florestais de produtores independentes e sem vinculação com consumidores. Talvez seja o mesmo caso do MapBiomas. São florestas que não fazem parte das estatísticas da IBA. Mas essa diferença de 2 milhões de hectares é muito significativa! Há quem ache que são esses produtores, que mesmo insatisfeito, continuam vendendo madeira a qualquer preço. Coisa de família, com a família e nada de fazer contas. A produtividade que não chega a 30 metros cúbicos/ha/ano vai baixando, mas a floresta continua em pé! O IBGE registra e a vida continua!

Outra dúvida diz respeito às áreas plantadas apresentadas nas estatísticas das entidades do setor. Em alguns casos, os responsáveis estão mais atentos e procurando aperfeiçoar as informações. Gente experiente troca informações e os números são arredondados. Resolve-se a informação no estado, mas o assunto ao nível nacional continua pendente. E as estatísticas só crescem! Muda o ritmo de plantio, deixa de se plantar, o consumo se mantém, às vezes aumenta, os impactos são observados, e não se nota nenhum registro nas estatísticas do setor.

Ninguém confere, ninguém questiona, ninguém declara suas perdas! Há uma ajeitação engenhosa e vida que segue…

Com certeza, uma grande empresa, firme e forte, não se deixa levar sem conhecer bem suas florestas disponíveis. Um abuso nessas previsões e o pescoço rola! No entanto, nas andanças de trabalho, notam-se coisas estranhas e sem registro nas estatísticas.

E vamos às encrencas: grandes áreas impactadas por seca prolongada – áreas enormes – ou morrem, ou diminuem o crescimento anual. É sangria certa! Áreas afetadas pela infestação de formigas, muito conhecidas, mas nem sempre respeitadas! Áreas atacadas por pragas e doenças, que só crescem ano a ano. Disso todos temem, apesar de poucas medidas preventivas! E a enorme quantidade de áreas em formação, largadas ou abandonadas após a colheita. Gente insatisfeita e “p da vida” com o negócio! E mais uma novidade – a transformação das áreas de florestas em áreas para agricultura. Tudo por conta do “preço de repolho” da madeira.

Acrescenta-se a tudo isso as engenhosas manobras silviculturais para redução de custos – menos adubações, mais mato-competição e até mais convivência com as formigas, entre outras mágicas. Facada sangrenta na produtividade – áreas com potencial para 40 não passa de 30. Mas com todas essas incertezas, tirando daqui e dali, alguns setores industriais continuam crescendo. No entanto, de tempos em tempos, alguém mais prevenido anuncia gigantescos programas de plantio – empresas competentes e atenta aos sinais de inevitáveis dificuldades! Há dúvidas quanto às áreas plantadas e, mais preocupante ainda, quanto à quantidade de madeira disponível!

Nesse contexto, fica no ar um punhado de perguntas: É possível definir políticas públicas, quando não se tem números oficias sobre a quantidade de madeira disponível? Que rumo tomam os investidores interessados em florestas? E como ficam as novas oportunidades que começam a surgir? E onde fica a sustentabilidade, cantada em prosa e versos, da silvicultura brasileira?

Essas questões necessitam de respostas seguras para possibilitar o crescimento ordenado do setor e a garantia de sustentação dos empreendimentos à base das florestas plantadas.

Vamos torcer para que os modernos sistemas tecnológicos possam nos atender e que se consiga somar os esforços das entidades do setor – da IBA, das entidades estaduais atuantes, como dos estados do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia e outros. A esse esforço, com certeza, poderemos somar a colaboração do MapBiomas, da Câmara Setorial de Florestas Plantadas e impreterivelmente do Serviço Florestal Brasileiro!

Esse desafio, com tantos interessados e competentes profissionais, não pode ficar sem solução!

🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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