PRODUZIR MADEIRA OU SEQUESTRAR CARBONO?

E agora a silvicultura tem duas vias – produção de madeira para diversos fins ou formar florestas para recuperação de áreas degradas e obter créditos de carbono! Bem simples assim.

Há quem adicione à produção de madeira inúmeros complementos. Produz renda, gera empregos, protege recursos hídricos, conserva a biodiversidade, e mais um punhado de benefícios sociais e econômicos, tudo na direção da sustentabilidade. No entanto, os que investem em florestas produtivas não deixam de falar da TIR – Taxa Interna de Retorno – firme e forte. Os complementos sempre lembrados e importantes não entram nessa conta, mas são indispensáveis nos discursos. E o crescimento do setor só aconteceu porque formar floresta e produzir madeira virou negócio com TIR – firme e forte!

E agora surge a silvicultura com espécies nativas para recuperar áreas degradadas, captar carbono e possibilitar a negociação dos créditos alcançados. Um mundo novo e gigantesco. Já se fala na liderança brasileira nesse negócio também! Excelente janela de oportunidades para crescimento da silvicultura.

Ficam, no entanto, aos interessados algumas indagações que necessitam de respostas mais enriquecidas:
– Em qual bioma vamos concentrar nossos esforços? Amazônia, Mata Atlântica ou Cerrado? Em todos há áreas para recuperação. Mas com espécies e metodologias diferentes de trabalho!

  • Que espécies vamos usar?
  • Onde colher sementes?
  • E que procedimentos operacionais adotar no campo – espaçamento, adubação, quantas espécies plantar, o que fazer de manejo… E o ciclo será de quantos anos?
  • E o que teremos de receita – madeira, carbono, produtos diversos?
  • E o investidor? O que pretende? A TIR continua a dona da festa? Poderá ser atendida?

Talvez esteja faltando ampla divulgação de tudo que se faz! Pois já existem grandes empreendimentos em andamento e com profissionais competentes envolvidos. É sabido que há muitas informações geradas por pesquisadores que há tempos se dedicam aos trabalhos com espécies nativas. Esse início, com certeza, está se baseando nesses trabalhos pioneiros de ilustres pesquisadores!

Há de se reconhecer, no entanto, que descobrir o caminho que deu certo para eucalipto, pinus e outras espécies exóticas também não foi fácil! E ainda há muito a se fazer! Mas o salto que se deu com pesquisas, experimentações e muito investimento de empresas interessadas foi gigantesco! E com a silvicultura de espécies nativas, será que não poderemos dar um salto semelhante com mais pesquisas, experimentações, instituições de pesquisas e apoio das grandes empresas interessadas? Afinal, em que estágio estamos nesse negócio?

Esse é um grande desafio da silvicultura brasileira e que não pode deixar de contar com o irrestrito apoio da competência profissional e tecnológica de todos que deram vida e marcaram o sucesso da silvicultura para produção de madeira!

A quem caberá dar uma juntada em tudo e todos e mostrar os caminhos a serem seguidos?

🌳Nelson Barboza Leite  – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

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