A silvicultura 3M – dos Milhares de hectares, dos Milhares de empregos e dos Milhões de toneladas continua em pleno crescimento. Seria interessante, no entanto, que essa expansão não estivesse, em sua grande parte, voltada exclusivamente ao abastecimento de restritos segmentos industriais.
Diante desse contexto, vive-se um paradoxo: mesmo diante de significativa expansão ainda poderemos ter falta de madeira para atender à demanda futura de alguns segmentos industriais?
Há quem aposte que sim! Madeira de ciclos longos de eucalipto e mesmo de pinus já começa a dar sinais de escassez. A madeira para fins energéticos, producão de embalagens e paletes, dentre outras finalidades, com certeza, poderão ter dificuldades de abastecimento, especialmente em regiões distantes dos grandes polos de reflorestamento.
E mesmo assim, com mais de 90% das florestas plantadas destinadas às indústrias de celulose, siderurgia à carvão vegetal e chapas, haverá de se ter cuidado especial com adversidades que poderão afetar a disponibilidade de madeira desse mercado. Com certeza, não haverá espaço para desperdícios!
O mercado de madeira das florestas plantadas sempre foi constituído pela soma da produção de grandes, médios e pequenos produtores. E sujeita aos impactos negativos, relacionados à qualidade e produtividade das florestas, ataque de pragas e doenças, os estragos decorrentes do fogo, que tem aumentado ano a ano e dos desequilíbrios climáticos e consequentes estresses hídricos. Mais recentemente, um novo agravante – o desaparecimento da madeira de pequenos e médios produtores rurais, que estão desistindo da silvicultura.
Essas adversidades são conhecidas há tempos. A queda da produtividade já tem sido verificada em muitas regiões. Fala-se em decréscimo de 40 para menos de 35 metros cúbicos por hectare/ano, em função da ocupação de novas áreas e material genético não apropriado. As pragas e doenças, apesar dos permanentes esforços defensivos, continuam tirando um naco da produção ano a ano. O fogo, da mesma forma, torra milhares de árvores. O estresse hídrico vai deixando de surpreender e suas consequências sempre impactam a produtividade das florestas. Merece destaque, no entanto, o retrocesso das políticas de fomento. Esse sim, um desafiante resgate a ser feito pela importância econômica, social e ambiental que representa.
Para uma atividade que move rico patrimônio industrial de vários segmentos e que se orgulha em se dizer sustentável, desenvolver condições para que a silvicultura se mantivesse presente no maior número de propriedades rurais e pudesse atender aos mais diversos segmentos deveria representar uma permanente preocupação dos interessados nessa preciosa matéria-prima.
Sem o fortalecimento institucional do setor e sem uma política pública de médio e longo prazo para a produção florestal, ainda continuaremos a depender do esforço conjunto das indústrias, empresas florestais, instituições de pesquisas, e produtores rurais – para superar as eventuais dificuldades que surgem e se possa dar legitimidade à sustentabilidade tão propalada da silvicultura brasileira.
É animador a certeza de que esse alinhamento é compatível com a competência profissional e a responsabilidade social, econômica e ambiental das empresas do setor. Mas é importante que tais preocupações pautem as estratégias de entidades representativas, instituições de pesquisas e universidades que trabalham pelo fortalecimento da silvicultura.
Só com o esforço de todos será possível que seja implementado, de fato, o “modo ação”!
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br