Numa roda de silvicultores, a conversa ficou animada quando alguém mandou: “ fala-se tanto de sustentabilidade, mas continuamos plantando só meia dúzia de clones”. E continuou: “ todo ano perde-se um pouco de floresta por conta de infestações de pragas”. E então, colocou o problema – “ já pensaram na encrenca que poderemos ter, se de repente, uma ou outra praga explode e foge de nossos controles? Outro acrescentou -” está passando da hora de se adotar medidas preventivas concretas para se evitar a possibilidade de uma tremenda encrenca”. E completou : “ talvez seja impossível se precisar o momento em que isso pode ocorrer, mas parece sensato que medidas preventivas fossem adotadas, antes que algo de dimensão e desdobramentos desastrosos aconteça”.
E mais justificativas e dúvidas foram sendo colocadas: há uma quantidade restrita de clones comerciais em uso; a base genética há muito tempo tem tido pouca variação; haverá providências em andamento, mas com informações caladas pela competição? São as mesmas pragas que pipocam todos os anos? O surgimento dessas infestações, continuamente, não assusta as empresas? E as mudanças climáticas poderão agravar a situação? E as doenças? Foi colocado, até com certa indignação – “ será que a defesa desse rico patrimônio econômico, social e ambiental não caberia também ao Estado, além de empresas e instituições de pesquisas”?
Ficou no ar uma tremenda dúvida, quando alguém falou: “ se eu fosse dono de indústria não hesitaria em implementar medidas preventivas para eliminar todo tipo de risco para o meu patrimônio!”. E outro, com pouco mais de descontração, comentou – “ fala-se em enriquecimento e diversificação da base genética, como medida preventiva, urgente e estratégica ”. E enfatizou:” trabalho dessa natureza vai requerer ampla rede de pesquisas e experimentações e o envolvimento de empresas e instituições de pesquisas, mas ,acima de tudo, haverá de se contar com a colaboração e participação de todos os interessados .” E seguiu –“ é tão importante à segurança de nossa silvicultura que iniciativa nessa direção deveria partir dos donos das indústrias.” . E alguém completou : “ foi da união de todos que o setor se desenvolveu, e há de se descobrir o que precisa ser feito para que se resgate essa união para segurança e sustentação da própria silvicultura”. E completou com muita segurança-“ temos profissionais, empresas e instituições de pesquisas competentes para realização de tarefa tão desafiadora”.
Alguém com o respeito e admiração de todos comentou: “ as indústrias que vivem das florestas, com certeza, não poupariam recursos para que a silvicultura não corresse riscos tão prejudiciais.”
E a conversa ficou interessante e se transformou num grande recado, quando alguém colocou “ essa situação parece a história do cachorro deitado numa tábua de prego, gemendo, e sem sair do lugar…. E ele aguenta, pois a dor ainda não é suficiente para que ele pule fora!”
🌳Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br